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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Feijão Azuki

O Azuki é um feijão pequeno e vermelho. Tal como todas as leguminosas (grão de bico, lentilhas, favas, ervilhas e outros feijões: frade, encarnado, manteiga, catarino, moong, soja, etc) é rico em proteína, cálcio, ferro, minerais e vitaminas. No entanto, todas as leguminosas são ricas também em purina (metilxantina), existente sobretudo na pele, substância considerada muito tóxica para o nosso organismo. É por esta razão que as leguminosas têm de ser postas de molho e cozinhadas, não devendo ser ingeridas cruas, a não ser na forma de germinados. É também aconselhável que sejam cozinhadas em duas ou três águas, ou seja: sempre que aparecer uma espuma branca na fervura (sinal da acidez da leguminosa), essa água deve ser deitada fora e substituída por outra, até que a espuma desapareça. É essa a causa das leguminosas serem indigestas, “esgotando” (inutilmente) os órgãos digestivos Fígado e Pâncreas, e de acidificarem o intestino, desmineralizando-o.

As leguminosas têm sido utilizadas na alimentação humana desde tempos imemoriais, tal como os cereais integrais. São uma excelente forma de ingerir proteína de boa qualidade. De facto, se comermos leguminosas regularmente teremos a quantidade necessária de proteína no organismo, não necessitando de recorrer à proteína de origem animal saturada em gordura. A proteína vegetal tem um teor de gordura muitíssimo baixo e é, por isso, muito mais saudável. Dado o seu baixo teor de gordura não causam tantos problemas nos intestinos.

De todas as leguminosas, as mais saudáveis para uso regular são o feijão azuki, o grão de bico e as lentilhas. Todas as leguminosas podem ser cozinhadas em sopas, estufados, acompanhadas de cereais integrais, com vegetais, ou ainda em “pâtés”, etc. É tudo uma questão de imaginação! Tanto o feijão azuki como, por exemplo, o grão de bico, podem ser usados também em doçaria, ficam excelentes e saborosos!
Para evitar a formação de gases e os outros problemas acima indicados, todas as leguminosas devem ser cozinhadas com alga kombu (1 tira de 5 a 10 cm, consoante a quantidade), que as torna mais digestíveis e macias. Para além disso, as algas são ricas em sais minerais.

É bom também saber que não se devem misturar proteínas, por isso, quando cozinhamos uma proteína vegetal não devemos misturá-la com outra, sobretudo se for de origem animal.

De todas as leguminosas, o feijão azuki é o mais terapêutico e é essencialmente indicado para tratar problemas relacionados com a energia dos órgãos Rins e Bexiga. É um feijão sem grandes “contra indicações” e que pode e deve ser usado regularmente para fortalecer estes órgãos, mesmo que não tenhamos nenhum problema aparente. A estação do ano que corresponde aos órgãos Rins e Bexiga é exactamente o Inverno, por isso devemos intensificar o seu consumo nesta época do ano, seja em sopas, estufado sozinho ou com outros vegetais, cozinhado juntamente com arroz integral (em proporções iguais, é altamente terapêutico), ou mesmo em chá. Fica delicioso estufado com abóbora e alga kombu!

Uma bebida excelente para fortalecer os órgãos que lhe correspondem durante a estação invernosa é o “Chá de Feijão Azuki” (para 2 litros de água usa 4 c. de sopa de feijão): lava bem o feijão e põe de molho numa panela com 10 cm de alga kombu durante umas horas; nessa água, leva a ferver até o feijão estar bem cozido (vai juntando água fria aos poucos para que o caldo não desapareça); coa e bebe o líquido quente, de preferência em jejum ou fora das refeições. Podes aproveitar o feijão para uma refeição, acompanhado de um cereal integral e de vegetais salteados!

Paula Soveral (www.paulasoveral.net)
Presidente da Direcção Técnica da Sociedade Portuguesa de Naturalogia

Bibliografia consultada: “Compêndio de Ciências do Homem, da Alimentação e Nutrição Humana”, de Dr. Manuel R.C. Melo, N.D., Plátano Editora
“Cadernos Macro: Alimentação Macrobiótica”, de Francisco Varatojo com Pedro Romão, ed. UME

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CURSO ANUAL DE CULINÁRIA MACRO-VEGETARIANA

Olá!
Dia 8 de Outubro começa o meu Curso Anual de Culinária Macro Vegetariana (baseada nos Princípios da Alimentação Ayurvédica e da Macrobiótica).
No dia 8 Outubro, 6ª feira, é apenas a aula teórica, e no sábado 9 Out. passaremos à prática! Têm em baixo as datas das aulas de Outubro até Junho de 2011.
Para informações e inscrições têm que ligar para a Secretaria da Sociedade Portuguesa de Naturalogia, 21.3463335, entre as 12h00 e as 19h00.
Conto convosco e poder ver-vos em breve!
Agradeço, desde já, a divulgação deste email. :)


Um abraço,

Paula Soveral
tlm: 93.6423440
www.paulasoveral.net

quarta-feira, 3 de março de 2010

"Alimentação Natural"


A alimentação natural é a alimentação que está de acordo com a natureza do ser humano.
É de salientar que o estudo da comparação da anatomia e fisiologia entre carnívoros, herbívoros e seres humanos nos mostra, por exemplo, que: os animais carnívoros e mesmo os omnívoros têm garras e o ser humano não; ao contrário do ser humano e dos herbívoros, os carnívoros não têm poros cutâneos; os carnívoros possuem dentes caninos frontais pontiagudos e o ser humano não; os carnívoros não têm molares nem produzem ptialina, a enzima necessária à pré-digestão dos cereais, ao contrário do ser humano que deles necessita para mastigar e digerir os cereais e outros alimentos.
Uma alimentação natural baseia-se estritamente na ingestão de produtos de origem vegetal (cereais, feijões, legumes, frutos e sementes).
O principal objectivo de uma alimentação natural é manter-nos em equilíbrio saudável e em sintonia com toda a Natureza, da qual somos parte integrante. Ao longo dos séculos, e sobretudo após a Revolução Industrial, o homem foi-se distanciando dos alimentos naturais e sazonais, começando a consumir cada vez mais alimentos processados, congelados e de todas as partes do mundo. O natural é consumir aquilo que é de cada época e que existe num raio de 50 km do local onde vivemos.

Somos aquilo que comemos: Os alimentos que ingerimos, após digeridos no intestino, passam para o sangue que irriga todos os órgãos do nosso corpo, incluindo o cérebro. A qualidade do sangue determina a boa ou má condição de saúde de todos os nossos órgãos vitais e igualmente a qualidade dos nossos pensamentos e emoções. Há, por assim dizer, uma simbiose total e perfeita que nos permite afirmar que o "acto de comer é o acto mais íntimo da nossa vida": o alimento transforma-se em nós e nós no alimento.

Benefícios: A alimentação natural só nos traz benefícios, sendo o principal contribuir para uma condição de saúde mais equilibrada; ao eliminarmos da nossa alimentação produtos demasiado processados e gorduras saturadas (carnes, lacticínios, fritos), bem como o álcool, tabaco, café, chocolate (*) e açúcar, estamos a contribuir para uma condição sanguínea menos ácida e, portanto, mais benéfica a todo o nosso organismo.

Uma refeição equilibrada: para uma pessoa saudável, uma refeição equilibrada deve ser composta de 30% de cereal integral, 30% de vegetais ligeiramente cozinhados, 20% de alimento proteíco e cerca de 10% de vegetais crus (incluindo os germinados). É de salientar que nunca se devem misturar proteínas! Assim, se numa refeição já se encontra presente uma leguminosa (feijão, ou lentilhas, ou grão, etc) não é aconselhável misturar tofu, tempeh ou outros alimentos proteícos.
O tão famoso "cliché", mas não menos verdadeiro de que "cada caso é um caso", indica-nos que aquilo que é bom para uns pode não ser para outros; aquilo que é bom e saudável comer numa época do ano, não o é noutra (por exemplo, não se devem comer castanhas em Agosto, nem morangos em Dezembro!). Sendo assim, e dependendo da condição de cada pessoa em diferentes momentos, é aconselhável consultar um técnico com formação e experiência em alimentação natural (Naturopatia, Nutrição Ayurvédica, Medicina Tradicional Chinesa, Macrobiótica) no caso de haver dúvidas em relação ao que é mais certo para cada condição e, sobretudo, no caso de alguma patologia aguda ou crónica.

A evitar: Alimentos de origem animal, sobretudo todo o tipo de carnes e lacticínios. Estes alimentos são excessivamente gordos e deixam no organismo um tipo de gordura muito difícil de eliminar, causando posteriormente problemas graves de saúde. Por exemplo, a mistura da gordura de lacticínios com açúcar, mesmo que seja de fruta, cria um tipo de gordura interna muito difícil de eliminar. Obviamente, todas as substâncias tóxicas, tais como: álcool, tabaco, açúcar, café, chocolate (*), alimentos fritos (à excepção da Tempura (**), mas que deve ser consumida raramente), produtos enlatados e/ou congelados e produtos retardados (os alimentos devem ser consumidos logo a seguir a serem confeccionados, não devem ser reaquecidos e muito menos congelados).

Como adoptar uma alimentação natural: Tal como acima referimos, cada caso é um caso e por isso, cada pessoa deve, antes de mais, seguir a sua intuição, fazer as suas próprias experiências, descobrir qual é a melhor fórmula para si, e obviamente aconselhar-se sempre com um técnico devidamente credenciado que o possa orientar nessas escolhas, de acordo com a sua Constituição e Condição do momento. O que é certo para um, pode não ser para outro. Por isso, há que ter sempre muito bom senso. No geral, e como primeiro passo, qualquer pessoa saudável que queira mudar a sua alimentação deve deixar de comer carne e produtos lácteos e depois, progressivamente, ir fazendo pequenos ajustes. E é preciso salientar que não é necessário substituir estes produtos (carne e lacticínios) por outros. É preciso é deixar de consumi-los e aumentar as quantidades de alimentos de origem vegetal (cereais integrais, legumes, leguminosas, sementes, frutos).
Hoje em dia, há um exagerado consumo de soja, por exemplo, que não é nada saudável. Basta ver que no Oriente ninguém consome soja como a maioria das pessoas aqui no Ocidente. No Oriente consome-se a soja na forma de derivados/fermentados (shoyou, tofu, tempeh, miso), mas mesmo estes com muita parcimónia.

Se as pessoas deixarem de consumir carne e lacticínios já é mesmo um grande passo! Não só beneficiam a saúde, como beneficiam o Ambiente. E a alimentação fica muito mais económica!

Flexibilidade e Gratidão: Para finalizar, gostaria de salientar que seja qual for o regime alimentar escolhido por uma pessoa, ele nunca será perfeito, exactamente pelas razões apontadas; somos seres complexos, a nossa alimentação deve adaptar-se constantemente à nossa Condição, respeitando sempre a Constituição e, importantíssimo, de acordo com o clima em que nos encontramos!
Muitas pessoas, seja qual for o regime alimentar praticado, adoptam atitudes dogmáticas e inflexíveis, enformadas num padrão que pode ser bom e desejável mas que infalivelmente não poderá preencher todas as necessidades de todos os momentos. Para além disso, a perfeição, tal como a pureza, são coisas que não existem na Natureza; são apenas conceitos elaborados pela nossa mente dualista que, enquanto separada de tudo quanto existe, anseia por se unificar ao Todo fixando-se apenas num aspecto escolhido pela nossa personalidade (seja ele um ideal alimentar, religioso, político ou outro...). Todas as escolhas radicais e inflexíveis são sinónimo de doença, porquanto a Vida (Natureza) é diversificada, mutável, dinâmica, incontrolável e muito mais sábia do que as nossas limitadas escolhas! Por isso, para além de (boas ou não) escolhas e (bons ou não) conselhos que um técnico nos possa dar, é importante ouvir e sentir aquilo que o corpo nos transmite. Porque isso sim, é natural, é a linguagem da nossa própria natureza a falar connosco. E mais do que regras, tabelas e conceitos, mais forte que tudo isso é o Amor e a Alegria que devemos colocar em cada acto da nossa vida, sobretudo na confecção dos alimentos que vamos ingerir! Cozinhar com Amor, ao som de música, cantar e rir, isso dá mais saúde que o seguimento cego e obtuso de uma forma fechada, rígida e ansiosa de um conceito, seja ele qual for! E, de preferência, não coma em frente à televisão! Desligue-a! E seja grato por tudo aquilo que tem para comer em cada dia da sua vida! Falaremos disto num artigo seguinte.


(*) De acordo com os ensinamentos tradicionais da Antiga Medicina Indiana e da MTC, o chocolate é considerado um alimento perigoso e tóxico a não ser que seja ingerido em pequenas quantidades num clima excessivamente frio! À parte isso, o seu consumo regular e exagerado é prejudicial ao trato intestinal e energéticamente desequilibrante.
(**) Tempura é um tipo de fritura muito rápida e ligeira feita com óleo de boa qualidade e novo: envolvem-se legumes cortados em fatias num polme muito leve feito com farinha integral e água, colocam-se no óleo quente e retiram-se de imediato; os legumes ficam praticamente crus e estaladiços!

Paula Soveral
Presidente do Conselho Técnico da Sociedade Portuguesa de Naturalogia