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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Estudo Geral

 No dia 23 de janeiro, lá longe em 2010, assinalam-se as primeiras publicações que este nosso pasquim conheceu. Faz 15 anos.

Já muita água correu por debaixo da ponte e o Estudo Geral, além do mais, constitui-se como um repositório de muitas e boas participações sempre disponíveis.

Por exemplo, Abdul Cadre, António Alfacinha, Fernando Correia da Silva, Francisco Gomes Amorim, João Raposo Nunes, José Flórido, José Gil, Kity Amaral, Luís Souta, Manuel de Sousa, Manuel Henrique Figueira, Margarida Castro, Maria Eduarda Fagundes, Miguel Boieiro, Miguel Real, Paulo Borges, Pedro Du Bois, Pedro Martins, Raul Iturra, Risoleta Pinto Pedro, Walter Barbosa de Oliveira.

Ou os fisicamente mais próximos, mesmo que alguns já tenham partido, como António Tapadinhas, Dores Nascimento, Eduardo Espírito Santo, Francisco José Noronha dos Santos, Leonel Coelho, Luís Gomes, Luís da Cruz Guerreiro, Luís Santos, Manuel João Croca, Paulo Landeck, Tomás Lima Coelho, Vítor Moinhos.

Alguns dados estatísticos interessantes:

- Durante estes 15 anos teve 3196 postagens e 749769 visitas.

- Durante este mês teve 3588 visitas, na última semana 2744, hoje 465.

A fotografia do arco da velha que insiste em passar por cá, é uma prenda nossa.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Editorial


Este mês de janeiro do ano de 2020, o Estudo Geral faz 10 anos.

Um imenso espaço alternativo de múltiplas expressões artísticas, originais, porque das poucas regras que o EG tem é que só publica obras com autorização do próprio autor.

Um espaço vivo com constantes atualizações no passar dos dias, o que faz com que, quem nele participa ou procura, sempre encontra novas propostas criativas que, certamente, aqui e ali, ajudam a alicerçar um pensamento próprio e a esperança de uma maior clarividência na vida.

Afinal, um precioso arquivo onde se vão guardando e estão sempre disponíveis para todos, as centenas de artigos publicados.

O Estudo Geral é nosso.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Estudo Geral: 9 anos

EDITORIAL

por Luís Santos

Hoje, 23 de janeiro, o Estudo Geral faz 9 anos.

Permanece a ideia de um pasquim que permite a publicação de artigos multimédia, onde texto, música e imagem, podem coabitar numa única página digital, num panorama em que as formas de edição e de publicação também muito se alterararam, e ficaram mais fáceis para todos.

Como temos por cá, em Alhos Vedros, uma Feira do Livro que se realiza, consecutivamente, há 47 anos, e se constitui como uma das mais duradoiras do país, o gosto pela escrita é coisa que vai germinando com alguma facilidade. Hoje temos por aqui, e pelas redondezas, uma sólida frente literária e o Estudo Geral não deixa de o acusar.

Por outro lado, as criatividades ligadas às artes plásticas e ao audiovisual, também estão significativamente mais abundantes. Disso mesmo dá testemunho uma ininterrupta publicação semanal de pintura que se faz desde que o EG nasceu, até hoje.

Outra novidade relativamente recente, como sabemos, é a mundialização que qualquer artigo, desde logo, ganha ao ser publicado. Este facto tem permitido uma fácil internacionalização do EG que conta entre os seus colaboradores com muitos autores de vários países, de todos os continentes, sobretudo, no que à Língua Portuguesa diz respeito. De resto, muito nos move a causa lusófona, num projeto que mais aproxime os países e as comunidades de língua oficial portuguesa, mas sem que se neguem ou subalternizem quaisquer outros países, outras formas de expressão.

A participação nas publicações deste mês de janeiro, de Manuel (d’Angola) de Sousa com um dos seus infinitos poemas, e de um texto que partilhamos vindo dos Diálogos Lusófonos, coordenados desde sempre pela mineira, brasileira, Margarida de Castro, ambos parceiros desde a primeira hora deste Estudo Geral, dão conta disso mesmo, e garantem a realização de um triângulo lusófono no Atlântico Sul que muito mais despertos nos deixam.

Mas não deixe de se (re)acentuar que é num devir universal comum, ecuménico, que nos temos mantido apostados, e é nesse caminho que prosseguiremos. 

Amem.


sábado, 20 de janeiro de 2018

Editorial


"NEM EU..."

Luís Santos

Fazemos por aqui um pasquim de seu nome Estudo Geral, como se vê, que faz a terna idade de 8 anos, no dia vinte e três de Janeiro, uma aventura literária, artística, multimédia. Quanto ao oito, o melhor é deitá-lo para lhe dar a sua fiel expressão matemática de infinito. Sobre o pasquim não tem mais vontade de se afirmar como revista, embora não o descuremos em meios mais formais que ainda precisam desse tipo de títulos.

Este Estudo Geral mantém-se, assim, como uma espécie de ancoradouro espiritual, digital, lugar de (re)encontros, de forma a que ninguém se disperse muito, ou se esqueça de vez que existe uma ponte, um espírito santo, que nos ajudará a passar para a outra margem da vida, onde o triunfo do cântico dos cânticos nos assista.

Acordámos hoje de manhã, no meio dos cansaços dos alunos, a pensar se é coisa que valha a pena, o cansaço, com essa clara ideia de que parte de nós já vive nesse reino encantado do Paráclito. Uma luz no meio da escuridão. Assim seja.

Sobre a Ilha dos Amores e do Dinis, e dos nossos sonhos às cores, tudo transformado em imagens e palavras de mil e um autores. Somos gratos.

A Natureza, essa bola colorida, está nas nossas mãos. Dê voz ao silêncio, se faz favor.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Editorial

O ESTUDO GERAL E A FELICIDADE

No dia 23 de Janeiro de 2010, pelas 14h12m, nasceu o Blogue Estudo Geral, o que quer dizer que fazemos, dentro de dias, 5 anos. Nasceu em completa liberdade.

Todos os meses, sai uma revista digital com os artigos publicados. Hoje terão à vossa disposição o nº. 59, com as entradas registadas durante o mês de Dezembro de 2014.
Um dos nossos sonhos é arranjar meios para a publicar em papel. O outro, talvez mais difícil, mas não impossível, é tornar mais felizes todos os que nos rodeiam.

Imaginem um congresso com a presença de 500 convidados.
No palco, o apresentador propõe uma actividade aos congressistas. Deu a cada um dos participantes um balão, pedindo que escrevessem nele o seu nome e, de seguida, os balões foram colocados noutra sala.
Então o apresentador disse que dava 5 minutos para cada um encontrar o seu balão. Todos se precipitaram para a sala ao lado. Ficou instalado o caos em pouco tempo, com toda a gente a procurar o seu balão, freneticamente, chocando uns com os outros sem encontrar aquele que tinha o seu nome. No fim dos 5 minutos concedidos ninguém tinha encontrado o seu balão.
Nesse momento, o apresentador deu por terminado o tempo e pediu a cada pessoa para, em vez de tentar encontrar o seu balão, apanhar um qualquer e entregá-lo à pessoa que lá tinha escrito o nome. Em menos de 5 minutos todos tinham o seu balão.
O apresentador concluiu, dizendo: “Isto acontece com as nossas vidas. Procuramos freneticamente a felicidade sem conseguir descobrir onde ela está.
A nossa felicidade está nas mãos das outras pessoas. Comecemos por dar a felicidade aos outros, que em troca receberemos a nossa.
E é este o propósito da vida humana:
A busca da felicidade!”

Até esta certeza ficar interiorizada e se tornar realidade, todos estamos em perigo.
A salvação está no coração de cada um de nós.
Podemos começar por ajudar quem está mais próximo. Qualquer ajuda é para valer!

O blogue Estudo Geral já chegou a 165.000 pessoas. Actualmente, todos os dias, tem 100 visitantes distribuídos por 10 países, com destaque para a França, Portugal, Estados Unidos e Brasil.
Não temos a certeza de fazer tudo o que é possível para salvar o mundo…
…mas garanto que fazemos o melhor que podemos e sabemos!

Sempre com a vossa ajuda!

António Tapadinhas


(Nota: António Tapadinhas não adopta o novo acordo ortográfico)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Editorial


Uma Língua de Fogo

à Língua Portuguesa
e às luzes do teatro que são as estrelas



"A Árvore do Amor"
de José Augusto Batista


O Blogue Revista Estudo Geral fará no dia vinte e três de Janeiro cinco anos de existência.

Ao longo destes anos, de acordo com definidos critérios editoriais, todos os dias com algumas raras exceções, o EG tem publicado um artigo, e só um, proveniente de várias latitudes do saber. Possibilitado pelos novos meios digitais de publicação, a que não podiam chegar as revistas mais tradicionais em papel impresso, têm-se vindo a misturar conjuntos de diferentes linguagens  como é o caso da junção, por exemplo, entre o texto escrito, a música e o vídeo.

Tem revelado o Estudo Geral uma significativa participação de autores vindos sobretudo de um muito repartido espaço lusófono, se bem que com maior acentuação de produções lusas e brasileiras. Não quer isto dizer que as portas estão fechadas para os que não se integram na esfera da lusofonia, porque não estão. E, neste sentido, pensando desde logo nas línguas espanholas, que são irmãs das nossas, mas sem que se esqueçam as particularidades autonómicas das suas diferentes regiões. 

Tem constituído a Língua Portuguesa em todo o seu devir, ou seja, desde que foi instituída pelo rei-poeta D. Dinis, o tal "plantador das naus a haver" como se lhe refere Fernando Pessoa na sua Mensagem, durante os seus mais de sete séculos de vida, um dos principais vetores em que nos mantemos apostados. Uma Língua que foi ao mundo a partir deste Atlântico lugar e que se constitui hoje como uma das suas Línguas mais representativas, enorme herança cheia de possibilidades espirituais, sociais, económicas, que temos entre mãos.

A ideia de universalidade que desde o início sempre lhe foi subjacente, traçada pacientemente à bolina por ancestrais nautas, constitui ainda a preciosa orientação com que tentamos ajudar a construir um mundo em que todos se possam sentar juntos à mesma mesa, onde a paz de entre-existir possa substituir a triste ideia de guerrear, onde a ampliação da consciência possa elevar ao limite as condições das nossas vida, até onde permita a natureza humana, acreditando a valer que o melhor do mundo são (mesmo) o amor e as crianças.

Porventura, é também por aqui que passa a valorização da nossa história local em que nos temos mantido empenhados.

Luís Santos


sábado, 1 de novembro de 2014

EDITORIAL

A Língua é o registo de tudo o que existe. Se considerarmos todas as Línguas da Terra, nelas encontramos a designação de todas as coisas que os homens conhecem no Universo, quer aquelas que acrescentaram à Natureza, no planeta em que vivem, tanto de ordem material como espiritual, quer aquelas que compõem esse mesmo lugar planetário, antes de mais, mas também todos os objectos que, a partir deste pontinho tão insignificante, conseguiram até ao momento identificar no Cosmos. Sejam objectos, ideias, imaginários, enfim, a Língua, no conjunto de todas as Línguas, não só ficam guardados todos os vocábulos como igualmente as reuniões dos mesmos que registam narrativas, explicações, teorias, todas as operações de que o cérebro humano é capaz. É assim que poeticamente se pode dizer que a Língua é o lugar de tudo.
É claro que estamos a falar de modo genérico e por isso de modo algum deixando a simples teoria. Na realidade, as Línguas são fenómenos culturais vivos e dinâmicos que usamos no dia a dia de forma inconsciente, da mesma maneira que, uma vez aprendido, nos equilibramos na bicicleta de uso tão prazenteiro. Acresce que esse mesmo uso, traduzido em termos individuais, não tem como alterar as regras e as operatórias da mesma, quer dizer, não é o uso diário que dela fazemos que a(s) pode(m) alterar se delas quisermos fazer um objecto de estudo. É por isso que a Língua, as Línguas são passiveis de serem material de estudo científico e essa é a razão porque a Linguística é uma ciência, curiosamente, a única a que podemos atribuir as mesmas características de exactidão que a Matemática.
Neste sentido, será razoável supor que mesmo as atitudes e comportamentos humanos ali encontram eco, quer dizer, deverão existir palavras que não só os designem como também os definam. Ainda mais se estivermos a pensar naquelas atitudes e comportamentos que as pessoas, de tanto assim agirem de modo acrítico e espontâneo, acabaram por transformar em hábitos que, em última instância, vêm a materializar os usos e costumes. É de esperar que tudo isso esteja traduzido na(s) Língua(s). Por exemplo, quando se diz de uma população humana que tem esta ou aquela característica – seja a que título for, salvaguardando, no entanto, o perigo das generalizações em determinados âmbitos culturais – será de esperar que hajam palavras e expressões que o comprovem, isto é, mostrem justamente que é de tal modo.
Ora se nós sustentarmos que o etnocentrismo é um fenómeno inconsciente nos homens, nas culturas em que vivem e, por via delas, naqueles, então será de esperar que encontremos nas diversas Línguas humanas o rasto disso mesmo, quer dizer, será de prever que existam vocábulos, expressões, provérbios que resultem de uma maneira etnocêntrica de ver o outro. É claro que hoje em dia, a ninguém certamente ocorrerá usar o termo “chinesice” para designar atitudes ou comportamentos cómicos, indutores do riso em outrem, mas a verdade é que a palavra já foi usada na nossa Língua justamente com esse significado. Como essa outras aqui poderíamos apresentar e ainda não há muito escutei “judiar” para referir alguém que estava a importunar um semelhante.
Quer então dizer que a estar certa a minha teoria científica, acertarei na previsão que todas as Línguas contêm outros exemplos equivalentes a esse, pois em todas elas teremos que encontrar esse rasto da inconsciência com que o olhar etnocêntrico faz parte da mundivisão de cada um.
Com isto quero chamar a atenção para a importância da Língua, especialmente quando em ela se criam – ou inventam novas aplicações para palavras existentes – palavras que, pelo uso acrítico, acabam por ser incorporadas nos discursos comuns. É que se queremos anatemizar ou diminuir alguém ou algo, é pela linguagem que começamos.
É isso que estamos a ver na contra-revolução que decorre no mundo em que vivemos e ela há muito que traz esse rasto de que falámos, na Língua – e aqui não apenas no caso português. Quando o vocabulário sociológico – sobretudo no domínio das relações laborais – assimilou a palavra colaborador para efeitos de substituição da palavra trabalhador, abriu-se o campo mental para tomar por normais e plausíveis todas as ideias e teorias com que se depreciou em primeiro lugar a figura e posteriormente a condição do(s) trabalhador(es) e esse foi o primeiro triunfo dessa bárbara revanche.
Em Novembro que poderia muito bem simbolizar o mês dos vencidos, deveríamos reflectir sobre isso que, afinal, tão nefastas consequências acabou por trazer para a vida das pessoas comuns e de tão evitáveis, tão moralmente rejeitáveis e de em tantas e tantas situações tão legalmente questionáveis que, pelas mortes provocadas, o desemprego provocado e a miséria gerada, por todo o sofrimento desnecessariamente infligido a biliões de inocentes, deveria ser tipificado como uma forma de crime contra a Humanidade.
Não é verdade que um mundo de paz e justiça entre os homens tenha que ser inevitavelmente uma utopia. Seja pois o Novembro um mês de saudação à Utopia.
Essa é também uma das razões de ser deste bonito espaço de liberdade. 


 Luís F. de A. Gomes

Alhos Vedros, 31 de Outubro de 2014

quinta-feira, 1 de maio de 2014

EDITORIAL

Os meses são como as estações, cada qual com seu encanto. Se, na serra, o Outono amarelece o chão, Abril traz à lezíria o cântico das cores que Bóreas faz exalar ao olfacto. É o cântico da Mãe Natureza que tanta dificuldade o Homem Moderno tem em entender. Também Maio tem assim as suas particularidades, a começar pelo esplendor da Primavera que o acompanha e talvez por isso há quem lhe faça derivar o nome de Maia, mãe de Hermes que os romanos viriam a associar à fecundidade. Curioso é igualmente o facto de ser o quinto mês do ano, o cinco, número que pela tradição cabalística representa a perfeição que, a par com a pureza, por exemplo, são paradigmas míticos dos substractos helenísticos e judeo-cristãos, tão importantes no(s) formato(s) cultura(is)l do mundo em que vivemos. É pois da Festa da Vida de que se trata e é agradável saber que foi em Maio que a escravatura foi abolida em terras que falam a nossa língua, no caso no Brasil, como não deixa de ser bonito que seja no seu primeiro dia que se comemora e realça o trabalho e a dignidade daqueles que vivem dessa mesma força que transportam consigo. Maio é então o mês em que podemos consagrar a dignidade do homem, essa centelha de respeito que todo o ser humano traz consigo, à nascença e que é o único atributo cultural universal – isto é, reconhecível em qualquer pessoa, quer no tempo, quer no espaço – com que, podemos dizer, os seres humanos nascem. 
Ora isto é uma escolha mental nossa – os indivíduos humanos – e essa escolha fundamental lembra-nos que o racismo é, antes de mais, um problema ético o que seria o bastante para que o rejeitássemos e o isolássemos enquanto inadmissível ofensa à dignidade dos Homens, isto se considerarmos que a ética, um ponto de vista ético, um comportamento ético, é aquele que considera os diversos interesses em apreço numa qualquer situação. Ainda que o racismo biológico fosse efectivo, quer dizer, se verificassem aptidões e capacidades variadas entre as populações humanas, havendo, por isso, grupos com indivíduos mais inteligentes e engenhosos e por isso dominantes – coisa que não se verifica, pois o racismo biológico não só não está provado, como é empiricamente desmentido, para além de o racismo, enquanto comportamento, atitude, mundivisão, não existir na Natureza, muito pelo contrário – mesmo em tal hipótese absurda, havendo o reconhecimento do conceito de dignidade, seria aquele eticamente reprovável e isso o suficiente para que a ele não só se opusessem as necessárias barreiras, como se usassem de todas as estratégias e medidas relativas, no mínimo, a evitar e corrigir as causas do mesmo. Antes de tudo o mais, a nossa recusa e o nosso combate ao racismo, em todas as suas nuances, decorre de uma atitude ética, como dissemos, ele é eticamente reprovável. É verdade que importa desenvolver argumentos científicos que sustentem a explicação da total falta de sentido daquele que, por isso, jamais conseguirá ultrapassar a condição de um falacioso preconceito ideológico; por outras palavras, certamente será decisivo que consigamos provar cientificamente a falsidade daquele. No entanto, da mesma maneira que não fazemos decorrer os nossos valores de factos mas sim das nossas escolhas morais, neste caso específico, a nossa primeira escolha tem que ser dessa ordem e daí a relevância de considera-lo, antes de mais, do ponto de vista ético, nível em que aquela ideologia não tem o menor suporte ou validade. 
Podíamos assim fazer de Maio, o mês da dignidade e da ética, o mês da luta contra o racismo.

Luís F. de A. Gomes

terça-feira, 1 de abril de 2014

Editorial


por Diogo Correia


Embalo de Abril


Os campos e as terras húmidas e Abril entrando no mundo pelo tempo, seu mestre amigo.
Uma borboleta pousa dourada as finas patas pelo rasgo de sol numa flor. O orvalho cintilando pérolas em constantes gotículas de água escorrendo ao ritmo primaveril pela folha de uma rosa.
  Naturalmente Abril tem mais sabor quando a primavera trás um pouco de sol consigo ainda que a chuva dê aquela fragância perfumada a terra molhada fazendo cantar os pássaros, incentivando os insetos depois da nuvem passar e dar lugar ao sol.
 
Manhãs ternas de airosos montes, os malmequeres vislumbram o céu pleno em segredo, o beija-flor amanhece com o dia ainda prematuro. “ São tão joviais estas gerbérias” - diz a abelha de namoro assente.
 Abril repara à sua volta as tardes, frescas, simples, românticas de olhos que se espalham nos canteiros. No pico de seu dia as árvores saúdam o vento em danças de cortesia e a lagarta que sobe a árvore pela vida que tem, carrega em paz  a ponta de uma folha que encontrou no chão.
  O crepúsculo lá longe, de onde a primavera apareceu, chegou ao fim. As folhas vão rompendo dos ramos pela noite que as embala até o dia nascer. De vez em quando a coruja do telheiro ruge ouvindo as estrelas que lhe fazem voar de asas largas num abraço á noite.

Mil águas vão de Abril em punho marchando sobre cravos vermelhos, os homens lavam a roupa suja pelos tanques da cidade, o dia que se levanta conhece as lendas que a noite deixou e as aves da manhã pairam no ar colorindo o céu.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Editorial

YING – YANG Díptico, Autor António Tapadinhas
 Acrílico sobre tela, 2 painéis de 100x60cm
Editorial

Por António Tapadinhas

Segundo a concepção oriental, o universo era uno e sem movimento, até se ter cindido em duas espirais de energia, com dois princípios opostos, mas complementares entre si: Ying, o elemento feminino e Yang, o elemento masculino. Estes dois elementos primordiais são essenciais para manter o equilíbrio dinâmico do universo e são um conceito tão puro, que se pode aplicar a qualquer coisa. Ying é escuridão e Yang é luz, Ying é lua e Yang é sol, Ying é água e Yang é fogo... Tudo o que existe contém estes dois princípios, portanto qualquer discriminação entre eles não faz sentido, porque um não existe sem o outro.
O primeiro aforismo de Hipócrates, Ars longa, Vita brevis (A Arte é longa, a Vida é breve), retrata esta situação: a perenidade da obra de Arte, em oposição à brevidade da vida humana.
Com o perigo de esgotar o meu latim, não resisto a citar o verso final de Virgílio, que nos avisa que o tempo passa e não volta mais, e que é demasiado precioso para o desperdiçarmos em futilidades:
Fugit irreparabile tempus!
São duas verdades de que eu, cada vez mais, tenho consciência, talvez devido à minha já provecta idade. É por isso que valorizo cada momento que vivo, como se fosse o último! 
Este mês, no dia 14, celebra-se o Dia dos Namorados ou de São Valentim.
Convido-os a celebrarem o dia, o mês, o ano, a vida, connosco, sem Dux e com muita Lux!


(Nota: António Tapadinhas não adopta o novo acordo ortográfico)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Editorial


por Luís Santos



Este mês, no dia vinte e três, o “Estudo Geral” fará quatro anos de existência. Começa a ser um tempo de vida interessante para uma simples revista multimédia, em formato de blogue, que todo o santo dia vai insistindo em anunciar-se.

Nestes quatro anos, pela primeira vez, decidiu o nosso “Estudo” sair em editorial, e cá está ele.

Ao lembrarmos aqui o Rei D. Dinis, e logo por acréscimo a Rainha Santa Isabel, pois que foi ele o fundador de um outro Estudo Geral, pensamos sobretudo nele como “o plantador das naus a haver”, como sabiamente o designa Fernando Pessoa na sua Mensagem, caminho de poetas em terreno firme naquilo que é Portugal a renascer, e na história da Língua Portuguesa que foi, e vai, ao mundo.

Ou, quando Agostinho da Silva enquadra o seu culto popular do Espírito Santo numa Ilha dos Amores, não fora o velho do Restelo, é ainda da renascença portuguesa que se fala; tal como, naquela História do Futuro profetizada por Padre António Vieira, a partir de inspiração bíblica. Afinal, onde tudo se pode resumir a um Império de amor e serviço, valorizada que foi uma consciência cósmica, ou seja, aquele singelo momento sem tempo e nem espaço, em que se é, em que são todos.

O luso-brasileiro Agostinho da Silva que o tropicalista Gilberto Gil disse levar consigo em seu Ministério da Cultura do Brasil; tropicalista que Caetano Veloso também é.

Comemoram-se durante todo este ano, 2014, em Alhos Vedros, os 500 anos da atribuição da Carta de Foral. Em meados do próximo ano, 2015, terão passado 600 anos que D. João I, o Mestre de Avis, com todos seus filhos, a Ínclita Geração, e talvez mais o Condestável do Reino Santo Nuno Álvares Pereira, não interessa agora porquê, entre outros, para o bem e para o mal, deu o “tiro de partida” que iniciou a expansão ultramarina portuguesa. Ao que parece, terá sido ali no lugar do Cais Velho, no mesmo sítio em que se ergue ainda hoje o antigo Palacete dos Condes de Sampaio que, esperamos, possamos ajudar a preservar enquanto é tempo.

Por tudo isto estamos em festa e ficam desde já convidados.

Bem hajam.

Amém.