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sábado, 22 de novembro de 2025

Paulo Landeck

 

À DERIVA

Há quanto tempo

                      e o tempo

                          hoje está de chuva

páro para pensar em me abrigar

Há quanto tempo

                               o vento

                                        fortemente embriagado                         

sopra consigo um rasto do verbo ao mar

Há quanto tempo

                              Invento

o cinzento em tons de azul

O céu de todas as cores

e assim o Amor

fardo encontrado                            à deriva

Como um achado que protege derrotas e sucessos

ancorado à plenitude

Será sempre o mar maior por reencontrar.

Sempre enamorado, entre o Lis e o Lena.


Dia Nacional do Mar, 16 de Novembro de 2025.

sábado, 3 de maio de 2025

Paulo Landeck, um poema


 POLARIZAÇÕES


Um pássaro sem rumo

procura na asa exaurir seu destino

Desafia-vos desnorteado

pela provável inversão dos magnéticos polos terrestres

Como se todas as leis fossem ditadas pelos homens

e os seus estudos

capazes de apontar ambivalentes polos geográficos terrestres

e de forma profunda imaginar eixos

para navegar toda e qualquer inclinação ao raio solar.

 

Só sei que lá fora o céu está pesado

e ainda assim

muitas são as aves que apreciam chuvas e poças

Ainda a rua nos pareça um recorte de vida deserta.


sexta-feira, 17 de março de 2023

Cavalos de Pedra

Paulo Landeck



Fogem do peito,

Infindáveis cavalos de potência!

Sim, incomensuráveis,

na transmudação de íntimas memórias.

Garranos à solta.

Negras são as rochas,

dizem os fangueiros;

Pois eu digo:

Galopam no escuro em reflexos de azul!

(Sacudidas as grávidas nuvens,

por cósmica poeira

Verdejante.)

Como mar revolto

espreito costa.

Visceral cavalo emerge das profundezas, 

para sulcar vagas.

Não serei náufrago,

de variações pronominais

- por valor Indicativo de relações existentes -.

Aparelho minhas forças ao indomável Oceano.

Debaixo de nobilíssima coudelaria

abundam estratos de outras dimensões,

vidas de barro.

De Alter

Ego,

ao perfeito ocaso,

fulgurante espelho líquido

da vitalidade.

Alma

e lezíria.

Sabe que a pureza do sangue 

não vem da raça,

quem cavalga universos e destinos, 

em liberdade! -

Não obstante, 

petrificados cavalos acorreram ao 

mar,

cumpridos desafios. -

Indomáveis

vagas.

A vida é sempre repto

para os mustangs

em campo aberto.

Assim também no campo-santo

do Atlântico,

onde correm livremente cavalos selvagens.  - Sonho ser Ilha de Sable.

-

Omnipotente, 

apenas o céu,

rasgado por Deus,

como se

Domador

de silêncios.

Domar a dor,

como quem aplaina e cerca ímpetos selvagens

onde terra e céu se confundem,

sem jamais se tocar.

Para que do galope reste ilusão,

nuvem de partículas, 

por assentar.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

CARTAS A GRAFITE


Acende umas páginas por mim.

Deixa que sinta
O calor, sim,
Rouba esse grandioso Universo das cartas perdidas.

Não aguardes mais cinzas.
Ateia!
Ilumina trevas
Porventura destilado alcatrão da hulha
Escolheram para mim.

Nesta noite mais escura
desinflama,
ou faz das palavras acendalhas
por fogueira...                                                                     há muito
perdida. 

Cerzido peito respita, assim como nódoa dissolvida na sombra,
liberta.

Às dez inflama!
Acende etérea volátil e dilacerante insta-habilidade,
mas não esqueças intensa e momentânea luz.

Sem o gravame da idade
deixa que arda!
E devolve penumbra ao sentimento,
por todas as palavras
jamais escritas,
jamias fotografadas,
(a)meia luz.


Paulo Landeck, 29-12-2022. Itinerâncias.
A todos, um melhor ano!

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Um Poema de Paulo Landeck


Gotículas e Centelhas

Abrigada na chuva,
dança entre a multidão
ao método de Orff.
Gota
de lágrima vestida.
Atenta,
pois maravilhosamente se desprende
da tormenta ao vibrante xilofone.
Resguarda
palpável criação,
sede de todas as sedes.
E se,
sorvida de um trago
no cálice da rosa,
enquanto eflúvios reportam inocente transparência
perdida em dias cinzentos,
lembra-te,
perfumes tardios
guardarás.
Lava o dilúvio -
terra,
e delicada pétala, -
música diluída
que embala todas as cores,
ao sabor de tenebrosos pesadelos
e tangíveis sonhos.
Por isso
Dança,
Dança ao método de Orff,
Dança
pura flama!
Como velha madeira naufragada
em mágica fogueira crepitante, dança!
E guarda de mim,
apenas uma brisa marítima.

Alhos Vedros, 10-11-2022

Paulo Landeck



sábado, 23 de abril de 2022

Paulo Landeck, ao Dia da Terra

FLOR DAS MARÉS

Semeada ao vento
Foge a linda caligrafia
do bloco de notas.
Afasto-me,
assim que vislumbro
fórmula da equação,
como quem conta sílabas poéticas;
Porque alto voam patos-bravos,
e no solo ao longe pastam cavalos,
nas primaveris relvas miudinhas
junto ao canavial.
O poeta procura corrente nos esteiros,
que trazem alfaces e bodelhas;
esgueira-se por entre salicórnias e gramatas,
e destaca halófila escrita na paisagem,
pois das marés dependem
plantas marginais...
mesmo as que choram excessivo sal,
de oceano em flor.
No prado molhado de ásteres e bastardas madorneiras
reinam as cores da lavanda-do-mar.
Estevas e murtas aguardam noutro patamar.
Na cara, sinto a suavidade de um não.
Não fogem à sorte dos trevos
copiosas gramíneas,
há ovelhas que ruminam ao passar.
Fecho olhos e peço desejos.
Algo parece crepitar
na renovada verdura,
ao passo que folhas de zinco arrombam sonoridades
e velhas portas de madeira
ao barracão abandonado.
Pressagiada dor: plástico no caminho
Fere quem olha ao sentimento.
Queimo incensos e penduro ramos à proa,
para melhor sorte o mundo navegar.
Ao volver a casa
das margens salgadas
dançam papoilas…
em sangue vivo,
de poesia!
(Estuário do Tejo, Dia da Terra de 2022)

sábado, 11 de julho de 2020

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa


“Furando Tuneis Na Existência Psíquica E Mental Da Terra Física”

Furo um túnel debaixo de terra molhada
Rego raízes de muitos que delas se originam
Podo os ramos que estão hipoteticamente a mais

Ainda oiço falar perto de genocídio
Vejo com o terceiro olho mesmo meio fechado
Quando na escuridão absoluta resplandeço à mesma

Olho a intensidade da luz num piscar de olhos
Benzo-me mesmo assim de mãos atadas atrás das costas
Mastigo a hóstia ainda sem me aperceber disso

Tranco a mim e as memórias no interior dum cofre
Esqueço-me por infinitos instantes onde guardei as chaves
De martelo na mão arrombo portas impenetráveis

Limpo os bolsos de hipocrisias e falsarias à toa
Raspo da superfície da língua palavras indiscretas
Digo o que não devo sem ter tempo para pensar nisso

Vou até ao limite de minhas hipotéticas posses
Armo-me sem armas em pateta e em quem sabe de tudo
Arrasto de rastos a ignorância pela poeira da estrada

Aguardo paciente que a estupidez dilua em pouca água
Dissolvo a vaidade ilusiva e disfarçada em falsa modéstia
Resolvo pular borda a fora do barco em alta velocidade…

Pego a prancha para deslizar nas ondas turbulentas de um mar calmo…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 8 de Julho de 2020, em Alusão Seres Voadores, sejam eles pássaros de todos os tipos, assim como, àqueles que perderam o poder do vôo, e sejam eles pertencentes à classe das aves ou dos mamíferos, ou ainda, aos da classe dos répteis que adquiriram a habilidade para planar, etc…

Não fossem estes e as abelhas e todos os outros animais que, fazem das árvores e das plantas parte essencial de suas vidas e de suas sobrevivências diárias, e talvez as florestas e as selvas nunca se teriam desenvolvido e invadido o Planeta Terra de um verde vegetal e que, ainda, nos proporciona parte substancial do oxigénio que nos permite respirar e sobreviver…

sábado, 4 de julho de 2020

José Gil


RESILIÊNCIA DE CAIM
o braço do violoncelo da vida e do mundo
ágil, claro e incisivo no teu corpo
a saudade íntima e a esperança alargada
vibro o fogo das horas no relógio tranquilo
o teu ritmo vegetal em finos raios de luz
um íntimo esboço nas ondas
para libertar os tons amarelos
nos trilhos das pernas doces
ama amor devagar a vida é u navio
os dias ondas para continuar nelas
traço a traço as tuas costas
na delicadeza da música dos
dedos e das cerejas secas de mel
de palmela
Do Castelo avisto a aguarela das cores
e a música das flautas
desenho um cais de chegada
flor seca de tília na sola dos pés e no
chá
resiliência
sensual
fruição
Praias de Cascais
Jose Gil
versão de 1-7-2020
09:37h

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Pedro Du Bois, Poemas


APRENDENDO A VOLTAR

XXIX
voltar é a representação gráfica
do naufrágio
e
a antevisão do encontro
não acontecido
ao acaso

nos cestos os ovos permanecem
estáticos em vidas
interiores

anteriormente
pensei desenhos
decompostos em traços
onde enredei
o sentido
da lembrança

a vida explode receptáculos
          e retorna como sina.


(Pedro Du Bois)
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outros poemas:

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Mer


Maria Eduarda da Rosa
texto e foto



Sinfonia do vento

O vento cavalga louco
Levando com ele a bailar
Os ramos das árvores.
As folhas da bananeira
Rasgam-se em dentes
De pentes gigantes.
Todo poderoso, ele vai tocando
Vigorosamente toda a natureza.
Quem  se atreverá a contrariá-lo
Mesmo por vezes a custo
Com o som mais estridente
Do ímpeto violento de cada rajada?!
Tudo se agita com a sua brutal força.
Tudo se sacode ao seu ritmo.
Os pássaros curvam-se no balouço dos galhos.
O meu coração, porém, está inquieto.
Mas que adianta resistir a este soberano
Sopro cósmico que penetra, parte e purifica?!
Dou-lhe então entrada no meu ser
E deixo-o encher e soprar no vazio de mim
Caixa de ressonância universal.

Mer, 2020.05.12

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Manuel (D'Angola) de Sousa


“Enfiado Numa Garganta Profunda De Alienígena Vindo De Algures Lá De Baixo” 

Enfio-me pela garganta profunda dos alienígenas a baixo
Entupo-lhes as traqueias com hélio vindo directo do Sol
Cubro-lhes os rostos azuis com bronzeadores castanhos

Penetro milhões de almas simultâneas ao mesmo tempo
Vou até ao mais fundo do âmago dos segredos ocultos
Desligo lá dentro o sistema de ar-condicionado com calor

Abandono a nave espacial ainda a navegar a meio caminho
Dou o salto com um paraquedas feitos com sêda de meias
Jogo à roleta russa ou a outra qualquer das tríades chinesas

Enfio o dedo maior no tinteiro sem tampa para o refrescar
Espreito tão-somente com um dos olhos para não cegar o outro
Vejo tudo muito foscamente ao ponto de não me ver ao espelho

Cubro-me com um saco de cem quilos de palha feita à mão
Descalço-me das chinelas de borracha e calço umas socas
Bato a porta atrás de mim assim que saio em direcção à Lua

Troco tudo o que me diz respeito e substituo por material férreo
Com meias de palha-de-aço nos pés enfrento o orgulho próprio
Monto e desmonto numa correria desenfreada um bico-de-obra…

Perco eu também uma parte substancial do juízo sem me recordar a onde!...

Escrito em Luanda, Angola, a 8 de Maio de 2020, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Homenagem aos nossos Irmãos Extraterrestres, estejam eles lá onde estiverem e venham eles de lá de onde vierem!...

“Cá estaremos para os receber, a qualquer hora do tempo, seja amanhã ou depois ou para daqui a alguns anos ou para quando isso vier a acontecer!...”

sábado, 9 de maio de 2020

Águas Livres


M A I O,
Pedagogia da Situação
às atrizes e atores de Medeia favoritos nestes ensaios online e gravações, Telma Guerra, Inês Trindade, Bruna Manguito, Sónia Ribeiro, Sandro Cordeiro, David Marcos, Cristina Gomes da Silva e Maria Simas, Andreia Bernardo, Inês Jóia, Zé Eduardo

1.
Os rostos desenham aranhas de sacrifício
A tela é de alegria escondida nas rugas
Que fazer?


Rola nos montes que circulam a escola
Junto a Casa do Professor tens os sobreiros
O teatro é um palco
Um trono de luz
Na relva ao ar livre
consigo imaginar com os lápis
o papel sombreado e a fotograia

Minhas mãos aperreio
Lembro memórias da pedagogia da situação
A terna tintura do trabalho esforçado
Horas e horas seguidas na fábrica e no
Campo no palco
Obscena é a pobreza
Pornográfica a fome, a miséria
Os sem casa, os sem teto

Em Maio
Em Africa na Ásia e aqui
Na nossa caminhada confinada
em casa
Encontramos a mão estendida
A barriga vazia
Pelo alcatrão negro da revolta
Trago-te amor a papoula
Abre por momentos os lábios
Os joelhos
A terra fértil
De braço dado dançamos
A poesia tentada
amo o desporto nas ruas vazias da próxima semana
Que os teus olhos dedicados esguios e citadinos
Se percam nos meus também urbanos e solitários
As janelas que deitam para a manhã de sol
São como as tuas sobrancelhas

2.
a língua para a minha decisão
as pernas longas,
um ar claro sobre o poema
como floresceu a neblina
nas praias do sado ou em Cascais ás 7h, um café e um
pão faltava-me um beijo no meio do oceano
proibido o beijo e o abraço no meio do sol
vou continuando a circular entre as tuas pernas quentes a
minha escrita em silêncio longa e quente e doce
na tua pele salgada
passo os dias a escrever mais do que oito horas
de poesia
escrever, ler e re-escrever

3.
Enrola o corpo na areia
Quente
O mar tocará os teus pés
Como a esperança da minha marcha
Sempre mais rápida
Correrei à volta da tua toalha
Que tiras à volta dos teus braços
não há ninguem na praia
Toalha leve, lenço com música tudo dentro de casa
Entrarei agora noutro sonho o mar, mergulho
Na praia inicia “maio maduro maio”
Num pequeno radiozinho negro, smartphone
Tão grande como as vozes que
Começam a cantar em murmúrio
Cada vez mais alto
Há bandeiras vermelhas noutras alamedas
E praças
Lá estarão também os poetas insubmissos
Como Eurípedes e Medeia
Que vão deitando fogo nas praias vazias
Que levantam o corpo ao vento e se imaginam a beijar
Em marchas de novas lutas
Todos sabem o poder do enamoramento
do coninamento amoroso
Na maré das palavras
A serenidade ativa
Muda mudança que não és muda
Linda como as árvores e transparentes
Quando imagino que as abraço como à
Eternidade
A solidão uniu-nos
Na revolução da liberdade

4.
Trazes o veludo da luta e do dia límpido
e claro
bate o sol em cascais desde manhã cedo,
quero
ir à água pouca gente ainda nas ondas,
vibram
mais com a marcha que à tarde será
na Liberdade
na Avenida do teu corpo, entre as
calçadas do dia
vou correr, serei capaz de trazer
a bandeira para
alargar a luta nestes dias novos de
solidariedade
cada vez mais internacional como
os teus lábios de
desejo, vou comer no alcatrão
as primeiras cerejas
vermelhas dos teus dedos de mel
o Fundão Donas chegou com cestos de cerejas
ontem

5.
o poema das 9h
Cor de prata o rio, o tejo
Perto de Paço de Arcos
O comboio fica quase vazio
Alguns estrangeiros peregrinos
Da luz
gostava de fazer uma aguarela
das cores deste dia
do desenho dos corpo
no verão mas
ela já desenha as pernas nos bancos
num olhar sempre sobre a janela
O espelho do desejo
Os dedos tocando os lábios
Ela não existe
O comboio está vazio
São folhas caídas de saudade
No mesmo comboio vestes
O teu casaco de jeans muito leve
azul clarinho
E lês, vais sair em Casa ou
Na Igreja
Afastas-te da estação
Da linha
De luz
Do teu olhar
ando por perto
A Damaia ainda dorme
na sua flor de lilás
do corpo, é 1º de Maio as horas
são umas 8h
As horas poucas para um dia
tão grande, o sol explode
Desenha as ruas de paz com
uma pluma azul
Da claridade e leveza do céu
desta segunda-feira
Os rostos acordam na Garcia da Horta,
no Largo
Cristóvão da Gama, no café Vanda,
na Praceta Bernardo Santareno
na Praceta das Águas Livres
já bebi o primeiro café é o vicio da persistência
faço agora a viagem sonhada na camioneta Vímeca
o poema ganha rodas de coração
até Damaia de Cima sem Passei Marítimo
quero o sol ainda mais quente
a transparência dos dias como uma qualidade das pessoas
e das aves que esboçam pequenos voos junto ao rio


Jose Gil
Águas Livres
1 de Maio 2020
13h

(1) “A Pedagogia da Situação, perspetiva proposta por Gisèle Barret para a área de Expressão Dramática e com possibilidade de ser aplicada em outras áreas artísticas ou em outras áreas do saber” [Leitão] como a Educação Básica, a poesia e o Teatro.
"Como uma pedagogia da vida, que explora cada momento do aqui e agora em sua diversidade aleatória, aleatória e imprevisível, que corre o risco de responder às urgências do momento, (...), especialmente se expressas pelos alunos, enfim envolvidos, motivados a manifestar-se sem medo da divergência, da diferença, espontaneamente e simplesmente não numa relação de força permanente, mas numa convivência dinâmica, onde o confronto permite questionamentos e aprofundamentos "(Barret, 1995: 9),[…] “o Espaço-Tempo; o Pedagogo; o Indivíduo e o Grupo; a Vivência ou o Conteúdo; o Mundo exterior”.referido por Leitão.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa


LINGUA PORTUGUESA
(dia da língua portuguesa 5 de Maio)

Poema repentista

Quantos mundos dentro das palavras da língua portuguesa
A palavra mundo empurra para o infinito
O infinito leva-nos ao espaço
O espaço transporta-nos à liberdade
A liberdade abre-se num grito
O grito interrompe o pensamento
O pensamento atrai o desassossego
que nos transporta a Pessoa
Pessoa leva-nos à poesia
Poesia e aí está Camões e o território da identidade da palavra
E os linguajares da favela
E a Jeni de Buarque
E os capitães de Amado
E os recados do Zeca
E a caverna do Saramago
E a tristeza da Florbela
E a firmeza de Natália
E a terra abensonhada de Mia Couto
Com a imaginação de Pepetela
E a senhora de Bramante do poeta maldito
E os escárnios de Bocage
E o povo que lava no rio
E das mornas de Cesária
À simplicidade de Samora
E tantas, tantas palavras de que nem me lembro agora,
Desta língua que é a minha, com que se ri e com que se chora.

Dores Nascimento (agora mesmo)


domingo, 26 de abril de 2020

Manuel (D'Angola) de Sousa


“Cumpro Cabalmente Regras Certas E Dúbias Em Auto-Cópia 3D E/Ou À Mão” 

Cumpro com as regras desregradas e anómalas
Copio-me a mim mesmo pacientemente à mão
Pincelo e cinzelo as minhas curvas e dúbia silhueta

Agarro a pena com a mão esquerda e a tinta com a direita
Vôo com asas emprestadas duma borboleta acima da realidade
Encolho a ambição e poiso algures na pradaria

Misturo o vinho com água numa água-pé perfeita
A ferro e fogo extraio um alfinete entalado na garganta
Engulo em seco e a espinha atravessada no pescoço

Rebusco debaixo da pele indícios de tatuagens de há milénios
Sacudo as moscas e os moscardos dos ombros encolhidos
Abro o peito com uma chave-de-grifos francesa

Amarro-me sozinho ao poste dos sacríficos absurdos
Avanço para a berma dum vulcão activo sem intenções
Subo nas calmas os degraus de pedra da ingreme pirâmide

Ascendo ao cume pontiagudo para cúmulo do bom senso
Inalo os gases matinais da mais critica ascensão crística
Cristalizo-me misticamente em uma mistura de açúcares ancestrais…

Transformo-me em três ou mais ocasiões na cabalística árvore da vida…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 25 de Abril de 2020, em Homenagem aos Autores Activos do 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos em Portugal, dia da queda do famigerado regime ditactorial fascista e colonialista de Salazar e da instauração da Democracia Portuguesa e que, culminou nas justas e reconhecidas Independências das ex-Colónias Portuguesas e de seus Povos respectivos, em todo o Mundo…

“Viva o 25 de Abril de 1974, dia da libertação do pensamento e da liberdade de falar e opinar, em Portugal…”

quarta-feira, 18 de março de 2020

A favor da amizade sincera e honesta mundial



“Revisando Paradigmas E Tabus E Substituindo-os Por Sinergias Vibratórias”

A olhos vistos aumenta a minha fé
Acredito na victória da consciência
Sinto o juízo a crescer-me na cabeça
Fervilha-se-me o cérebro com bom senso
Há boas ideias a borbulharem numa roda-viva
Inovo e renovo o pensamento e a ainda mais a imaginação

Concorro para observador-mor do Universo e arredores
Fico quieto num dos cantos superiores da bancada
Admiro a paisagem em frenesim de braços no ar
O mar agita-se numa vibração incontrolável
Sinergias movimentam tudo em volta
Desligo da tomada o fio preso a mim

Descarrego as frustrações ao largo
Deito pela borda fora as maluquices
Agarro em contentores que esvazio à toa
Fixo a atenção num crucifixo feito de arame
Sangra por si a baixo como eu sangro do cérebro
Choro com um misto de molho de tomate e soro nos olhos…

Arrebento com tabus e anteriores paradigmas enquanto quebro rotinas…

Escrito em Luanda, Angola, a 17 de Março de 2020, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a favor da Amizade Sincera e Honesta Mundial e pela Reconstrução Conjunta e Solidaria da Economia Global, mais justa e equilibrada e harmonizada, entre Países mais pobres e mais ricos…

“Viva o Espirito Global da Harmonia do Equilíbrio e da Paz Fraternal entre todos os Povos da Terra…”