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sábado, 29 de dezembro de 2018

QUEM FOI JESUS? ONDE NASCEU?


in, Diálogos Lusófonos
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

(Por Frederico Lourenço, tradutor da Bíblia a partir do grego, professor da Universidade de Coimbra)

Quem foi o homem cujo nascimento hoje celebramos? Desde o século XIX, o estudo crítico do Novo Testamento e do primeiro cristianismo tem tentado reconstituir quem terá sido o «Jesus histórico». Em que ponto estamos desta investigação? Vou dar-vos uma proposta de biografia do Jesus real.

Jesus nasceu em Nazaré, no fase final do reinado de Herodes, o Grande (rei que morreu em 4 a.C.). Era filho de um construtor chamado José e da sua mulher, Maria. Era o mais velho de vários irmãos e irmãs. Em casa, falava-se aramaico; mas Jesus beneficiou do facto de Nazaré estar perto de cidades gregas, como Séforis, cuja distância de Nazaré corresponde à que medeia, na nossa cidade do Porto, entre o Estádio do Dragão e a rotunda da Boavista. Em toda a volta de Nazaré, falava-se grego. De Gádara, uma das dez cidades gregas da zona, era originário o maior poeta grego do século I a.C., Meleagro. A helénica Séforis tinha um teatro; e Jesus sabia o que era o conceito grego de «actor», pois usou a palavra grega «hipócrita» numa acepção sem qualquer equivalente no aramaico falado em casa ou no hebraico da Escritura.

Jesus recebeu uma educação judaica baseada nessa Escritura e foi certamente o rapaz intelectualmente sobredotado de que vemos reflexo em Lucas 2:47. As pessoas não lhe chamaram «mestre» à toa.

Nos anos 20 do século I, Jesus contactou com o movimento de João Baptista, que apelava aos israelitas que «mudassem de mentalidade» e que, por meio do baptismo no rio Jordão, obtivessem o cadastro limpo perante Deus que, oficialmente, só podia ser obtido por meio do sacrifício de animais no templo. João Baptista atraiu a má vontade da elite sacerdotal de Jerusalém; o mesmo aconteceria com Jesus.

Jesus tomou a decisão de ser baptizado por João; mas, depois de João ser preso, passou a ter uma actuação independente. A mensagem de Jesus, de que o «reino» divino estava próximo, era coincidente com a de João, mas Jesus sublinhou acima de tudo a tolerância e compadecimento divinos e a ideia de que nenhum de nós perdeu em definitivo a oportunidade de se «salvar». No cerne da mensagem de Jesus, sempre, o amor: «amai os vossos inimigos, fazei bem a quem vos odeia».

Com esta mensagem, Jesus levou uma vida de pregador peripatético na Palestina, falando sobretudo em pequenas localidades na parte norte do lago da Galileia. Escolheu como destinatários homens simples – pescadores, agricultores –, assim como pobres, doentes, e excluídos da sociedade, como prostitutas, etc. De forma talvez surpreendente para a época, não excluiu dos seus potenciais destinatários pessoas do sexo feminino, entre as quais temos de contar como a mais importante Maria de Magdala, conhecida como Maria Madalena (que não era uma prostituta – nada confirma essa ideia nos textos que nos chegaram).

A família de Jesus, nesta fase, achou que ele era um louco, embora mais tarde se tenha aproximado da sua mensagem; em especial, o seu irmão Tiago assumiu um papel relevante depois da sua morte (Tiago acabou por ser morto também).

A imagem de Deus que Jesus transmitiu deu vida nova a dois entendimentos antigos (e presentes na Escritura judaica): Deus como Rei e Deus como Pai. No entanto, «rei» foi somente um conceito implícito na boca de Jesus, já que o conceito que lhe interessou foi «reino».

Ao encantamento das suas palavras não era alheia a força poética das muitas parábolas que lhe são atribuídas. Para o encantamento da sua presença, muito contribuiu a sua fama de milagreiro carismático. Terá Jesus multiplicado pães, transformado água em vinho, caminhado sobre a água, curado doentes e expulsado «demónios»? Compreende-se que a força da sua personalidade tenha levado a que fossem projectados nele tais poderes.

Embora respeitando a Lei judaica, Jesus mostrou uma atitude bem liberal e tolerante relativamente a muitos aspectos dessa Lei. «O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado». Essa atitude valeu-lhe a má vontade da elite sacerdotal, que procurou entrar em discussão com ele e enredá-lo em contradições e blasfémias. A forma como Jesus atacou directamente o Templo como antro de materialismo, quando finalmente levou a sua mensagem para Jerusalém, determinou o seu fim.

Antes desse fim, ele estabeleceu – como substituição dos ritos sacrificiais judaicos no templo – um rito novo: uma refeição de amor fraterno, uma partilha de pão e de vinho, para ser continuamente feita em memória dele. Não quis morrer sem antes lavar os pés dos seus amigos mais íntimos. «Os últimos serão os primeiros».

No mundo romano, fazia parte do castigo atroz da crucificação os crucificados não serem enterrados: eram deixados na cruz depois de mortos, como pasto para aves de rapina. É-nos transmitido que, no caso de Jesus, isso não aconteceu, graças à intercessão e poder económico de José de Arimateia. Será verdade? Não sabemos.

O relato mais antigo (Marcos) do que aconteceu a seguir à morte de Jesus diz-nos que Maria Madalena e mais duas mulheres chegaram ao túmulo e lá encontraram um jovem vestido de branco que lhe disse que «Jesus, o Nazareno» ressuscitara (vincando, nas suas palavras, o facto de ele ser originário de Nazaré). As mulheres fugiram, espavoridas, «e nada disseram a ninguém: tinham medo, pois».

Outras tradições desenvolveram o tópico das aparições de Jesus «post mortem». Um judeu helenizado chamado Paulo (que nunca conheceu Jesus) registou que Jesus teria aparecido a 500 pessoas. Será verdade?

A resposta a essa pergunta não compete ao estudo académico do Novo Testamento, mas sim a outro âmbito, que é a fé. Todos somos livres de acreditar – ou não.

Seja como for, celebramos hoje o nascimento de alguém que marcou a história da humanidade de forma indelével. O que ele disse e fez continua válido hoje – por isso eu tenho uma admiração infinita por Jesus. O que fizeram dele – nomeadamente os muitos cristianismos fundados em seu nome, com os seus emaranhados de ficções teológicas – será outra coisa. Maus cristãos houve sempre. Mais importante é que sempre houve, e sempre haverá, bons cristãos.

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O PROBLEMA DE BELÉM
ONDE NASCEU JESUS?

Há tempos, num jantar cá em Coimbra, alguém falava da emoção sentida, numa viagem a Israel, na igreja que marca o lugar onde Jesus nasceu em Belém. Solidarizei-me com essa emoção, porque, para mim, tudo o que leve as pessoas a sentir coisas boas por causa de Jesus é bom.

No entanto, é altamente improvável que Jesus tenha nascido em Belém. A lenda o nascimento em Belém - ausente de Marcos, o evangelho mais antigo, e de João, talvez o evangelho mais fidedigno (mas isso também é discutível) - faz parte de um conjunto de invenções que aparecem em Mateus e Lucas, que constituem uma tentativa de contenção de danos relativamente a um «Messias» (palavra que, para espanto de muitas pessoas, ocorre somente duas vezes em todo o Novo Testamento) que não nasceu em Belém e cuja filiação era duvidosa.

Em João 7:42, lemos: “não diz a Escritura que o Cristo vem da semente de David e de Belém?”

A identidade de Jesus está a ser debatida no meio de uma multidão.. Uns dizem que Jesus era “o profeta” (v. 40); outros que era “o Cristo” (v. 41). Outros duvidam que o Messias possa vir da Galileia. Ora este episódio relatado por João mostra-nos, quase em tempo real, a nascença do mito do nascimento de Jesus em Belém. João e Marcos nunca dizem que Jesus nasceu em Belém, mas essa é a versão “crístico-mítica” que encontramos em Mateus e Lucas, evangelhos escritos com o propósito de “provar” que a Escritura estava certa e que Jesus cumpria a Escritura (neste caso concreto a passagem do profeta Miqueias 5:2 “e tu, Belém... de ti virá o regente que apascentará o meu povo de Israel”). Neste episódio narrado por João, o não-nascimento de Jesus em Belém é claramente visto por alguns como prova de que ele não pode ser o Messias. É por isso que, na Nova Escritura de Mateus e Lucas, a História é reescrita de modo a compatibilizá-la com a Escritura Antiga.

Por outro lado, em João 8:41 os fariseus dizem a Jesus: “nós não nascemos da prostituição”. A palavra "porneia" significa literalmente “prostituição”, já que a "pornê" é a “prostituta” (a palavra vem do verbo pérnêmi, “vender”). O que está subentendido como insulto grosseiro nas palavras dos fariseus, ao dizerem que não nasceram da prostituição, é que o mesmo não se aplica a Jesus (cf. o indispensável comentário de Barrett, p. 348: “a implicação é que Jesus nasceu da porneia”). Esta acusação é feita abertamente nos apócrifos Atos de Pilatos 2:3.

Portanto: o Messias tinha nascido "de pai incerto" e no lugar errado. Como dar a volta a essa situação?

A ideia de que ele teria sido dado à luz por uma virgem resolveu muita coisa (apesar de tal noção ser desconhecida de Marcos, de João, de Paulo - na realidade, de 25 dos 27 livros do Novo Testamento).

Quanto a Belém, Lucas e Mateus dão-nos tentativas contrastantes e contraditórias. Em Lucas, José e Maria são naturais de Nazaré, mas vão a Belém por causa de um censo (historicamente não existente), para que lá nasça o Menino.

Em Mateus, José e Maria são naturais de Belém - e é lá que nasce o Menino, na residência (pressupõe-se) dos pais.

Mas por causa da maldade de Herodes, a Sagrada Família foge supostamente para o Egipto (episódio ausente dos outros evangelhos); e de lá regressa, não para Belém, o mas sim para Nazaré.

Para justificar essa situação, Mateus até inventa uma profecia não existente do Antigo Testamento: alegadamente os profetas teriam dito que o Menino chamar-se-ia «nazareno» (ou «nazoreu»).

Há várias interpretações apologéticas (feitas por cristãos empenhados em fazer sentido de uma narrativa que não faz sentido) desta palavra grega ναζωραῖος.

Algum profeta bíblico terá dito alguma coisa sobre um Menino que vai viver para Nazaré?

A realidade objectiva é que a cidade de Nazaré é ela própria completamente desconhecida do Antigo Testamento. Além de não ter nascido em Belém, o Menino nasceu, afinal, numa cidade sem o mínimo de pedigree.

Se não foi em Belém, como deveria ter sido, mas numa qualquer Porcalhota da altura (Nazaré), ainda bem.

"De Nazaré pode vir alguma coisa boa?", pergunta-se, com cepticismo, em João 1:46. A resposta é simples: SIM.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO


Margarida Castro
margaridadsc@yahoo.com
dialogos_lusófonos

Olivença -uma cidade e um município numa zona fronteiriça, cuja demarcação é objeto de litígio entre Portugal e Espanha. Reivindicada de jure por ambos os países, integra atualmente a comunidade autónoma espanhola da Estremadura e a província de Badajoz. Tem 430,1 km² de área e em 2016 tinha 12 032 habitantes (densidade: 28 hab./km²)

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO (ver vídeo):



quarta-feira, 27 de junho de 2018

Diálogos Lusófonos


Apresentação de forró com Paulo Aguiar e Daniela Moura



in, Diálogos Lusófonos, 26/6/2018
Coordenação de Margarida Castro

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Un total de 80 oliventinos ya cuentan con su documento de identidad portugués


Diálogos Lusófonos
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Laura Gonzalez: Ser natural de Olivenza, por parentesco, ascendencia o nacimiento, hoy es lujo y también algunos de los requisitos que deben cumplir los interessados en obtener la doble nacionalidad, la española y la portuguesa (...)

Mauro Moura: A RTP o ano passado fez uma reportagem muito interessante a respeito dos oliventinos buscando sua origem portuguesa, tanto nos documentos quanto no aprendizado da nossa língua.Seria mais interessante ainda se meu antepassado oliventino também fosse um sefaradita, iria causar uma confusão danada na Conservatória.

E Olivença está para Portugal como Colônia do Sacramento está para o Brasil. O território está perdido, porém a ligação histórica intrínseca mantém-se viva.

Margarida Castro: E eu julgo que é nesta interpretação da origem portuguesa, que uma amiga brasileira pode conseguir a nacionalidade portuguesa... Explico-me melhor. O avô dela era português e veio para o Brasil. Casou com uma  manauense em Manaus e  o filho mais velho deles nasceu em Manaus. Depois, em 1912 foram para Portugal, Vila Real, onde tiveram mais 4 filhos. Portanto tiveram 5 filhos. O único que regressou/veio para o Brasil em 1937, foi o mais velho, o pai de minha amiga.......... E ele estudou na Faculdade de medicina, do Porto, mas não terminou o curso. Os outros irmãos (tios da minha amiga) ficaram em Portugal , assim como os pais. O pai dela nunca requereu a nacionalidade portuguesa..E a minha amiga visitou os tios em Portugal mas a partir de 1974  perdeu o contato com eles. 
Com as informações que ela me foi passando, pouco precisas,fui escrevendo para a Direção Regional dos Arquivos de Vila Real, e agora eles encontraram a certidão de 
nascimento do avô, nascido em 1870..Vamos requerer! E acredito que vamos conseguir as 
certidões dos tios dela. Por outro lado, ela e o marido, sempre tiveram uma ligação de afetos
com Portugal, o que acredito pode ser comprovado. 
Ela está um pouco na dúvida, mas eu estou nesta : não desista!
Porque a ligação histórica intrínseca mantém-se viva!

Veja a foto que anexo, da família desta amiga , em Portugal, lá por 1935: avós , os tios 
e o pai  dela,  o mais velho, ao lado do pai.

É claro que ela pretende a nacionalidade portuguesa que permita aos filhos requerer 
a nacionalidade!

Será que consegue? Se os oliventinos conseguiram!


Mauro Moura: Como encontraram o registo do avô paterno dela em Vila Real, portanto a sua amiga terá de solicitar a nacionalidade por atribuição e, após a dela, a dos filhos.
 A nacionalidade é passada até os netos, portanto os filhos da sua amiga só terá direito depois que ela conseguir a nacionalidade portuguesa.

Fiz a brincadeira porque seria engraçado, meu antepassado quando viveu foi em Olivença e hoje é a espanhola Olivenza, daí teria de fazer dupla comprovação, creio eu.

Margarida Castro: Ela só consegue a Nacionalidade que pode passar para os filhos , se conseguir seguir o  princípio que foi reconhecido para os Oliventinos e Sefarditas. Conseguir provar os afetos , ultrapassando o "pormenor" de que o pai nunca solicitou a cidadania portuguesa...

Mauro Moura: É porque entendi que o avô dela teria sido registado em Vila Real, daí a ligação direta a Portugal.
Mas com os registos dos tios em Portugal e comprovando a relação de afeto, creio que com boa afirmação e documentação conseguirá a nacionalidade portuguesa.

Margarida Castro: O avô dela era português e casou com uma cabocla de Manaus. Depois de terem o 1º filho, o pai da minha amiga, eles foram para Portugal, em 1912.Ainda voltaram para o Brasil em 1917, mas por ano e regressaram a Vila Real, onde tinham duas Quintas. Tiveram mais 4 filhos, em Portugal.E o pai dela voltou para o Brasil, em 1937, onde ficou para sempre. Eu o conheci! 
Mas a lei da Nacionalidade permite aos netos requererem a nacionalidade portuguesa, mas o pai teria que ter requerido a nacionalidade portuguesa! 
A opção seria conseguir a naturalização, mas sem a possibilidade de passar para os filhos, esta situação. 
Mas a lei pode ser "interpretada" e eu perguntei a um advogado!Ele disse que sim, explicando os tais afetos com Portugal, os tios portugueses com os quais ela manteve contato, e que ela visitou várias vezes Portugal.......
Julgo que a lei para os sefarditas  e a que permite a nacionalidade portuguesa para os oliventinos, tem o mesmo fundamento: a nacionalidade de familiares, a relação com a comunidade portuguesa!

É a "construir a argumentação" para  solicitar a nacionalidade , que julgo posso ajudar. De contrário ela desiste desta tentativa, porque a naturalização não faz sentido para ela!

Mauro Moura: Bem, Margarida, houve uma alteração recentemente na lei de nacionalidade portuguesa e ela cabe aos netos.
Sendo a sua amiga neta de um português, se eu não estiver enganado, resolve-se a questão.
Mas tudo também sempre depende da boa interpretação da dita lei.

Margarida Castro: Mas não se resolve sem a tal argumentação! Porque o pai se distraiu e morreu!

Mauro Moura: Creio que sim, ela demonstrando que ainda tem alguns tios e vários primos facilita essa argumentação.
Creio que o pai não tenha vacilado, simplesmente não sentiu tal necessidade, haja visto que uns tempos o Brasil 
fica essa bagunça que está e em outros Portugal se apresenta confuso.

Margarida Castro: Foi isso que aconteceu, porque ele sempre sentiu a proximidade com Portugal , onde frequentou até o curso de medicina e residiu, mais de 25 anos!  E  era sempre muito amável, conosco! Só que agora de tanto conversar com a filha , é que eu percebi, os antecedentes!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Ao sabor do vento...



Na Holanda,a NS (rede de comboios holandesa) opera cerca de 5.500 viagens de comboio por dia. Desde janeiro que os comboios elétricos desta rede funcionam 100% a energia eólica.

O que sabemos sobre os números do consumo das energias renováveis e não renováveis? Importa reverter a tendência do consumo das energias não renováveis: Energia do Carvão; Energia do Petróleo; Energia do Gás Natural; Energia do Urânio.

Exemplos de Fontes de Energias Renováveis: Enregia Hídrica; Energia Eólica; Energia Solar; Energia Geotérmica; Energia das Ondas e Marés; Energia da Biomassa.
O que sabemos sobre os números, nos países da lusofonia, tornando o seu consumo mais eficiente e substituindo-o gradualmente por energias renováveis limpas?
Inúmeras são as fontes de energia disponíveis no nosso planeta, sendo que essas fontes se dividem em dois tipos, as fontes de energia renováveis e as não renováveis.
As fontes de energia renováveis, são aquelas em que a sua utilização e uso é renovável e pode-se manter e ser aproveitado ao longo do tempo sem possibilidade de esgotamento dessa mesma fonte, exemplos deste tipo de fonte são a energia eólica e solar.
As fontes de energias não renováveis têm recursos teoricamente limitados, sendo que esse limite depende dos recursos existentes no nosso planeta, como é o exemplo dos combustíveis fósseis.
Margarida Castro ( diálogos_lusófonos@yhaoo.grupos.com )
(notícia completa AQUI)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, PADROEIRA E RAINHA MÃE DE PORTUGAL...

      

«Em 25 de Março de 1646, o rei D. João IV organizou uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a Restauração da Independência em relação a Espanha. 
Foi até à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ofereceu a Coroa Portuguesa a Nossa Senhora, colocando-a a seus pés, proclamou-a Padroeira Portugal. 
O acto da proclamação alargou-se a todo o País, com o povo a celebrar, pelas ruas, entoando cânticos de júbilo.
Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, por isso, desde este dia, mais nenhum Rei Português usou a coroa real na cabeça, direito que passou a pertencer apenas a Nossa Senhora. 
Em cerimónias solenes, a coroa passou a ser colocada em cima de uma almofada, ao lado do rei. Um facto extraordinário e ÚNICO no mundo.

Margarida Castro
Diálogos Lusófonos
( dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br )

sábado, 10 de dezembro de 2016


A flor da pele

Estou a flor da pele
Conto os nanossegundos
Os minutos ignotos
As cinzas das horas
E os dias hialinos
Tempo que nunca passa
Martírio que nunca passa

***
No sábado negro
Sábado meu
Sábado nosso
Magnânima amada minha

***
Conto o tempo
Os nanossegundos
Os minutos
As horas
E os dias
Para ter-te sacrossanta
Por fim
Nos braços meus
Negra Valquíria

***
Conto o tempo infindo
Os nanossegundos
Os minutos
As horas
E os dias
O tempo que não passa
Para ter-te
Negra açucena em prantos
Somente para mim
No dia que nunca chega


Samuel da Costa
(in, diálogos_lusófonos@yahoogrupos.com.br )



sexta-feira, 3 de junho de 2016

A propósito da confeção do caldo verde




Para quem estiver interessado em confeccionar um bom caldo verde  deve saber como se «migam»  as couves (é assim que se diz).
Pegam-se em  tenras folhas de couve, cortam-se-lhes com delicadeza as nervuras salientes, depois enrolam-se umas tantas sobrepostas  apertando bem. Mantendo-as apertadas dobram-se ao meio, cuidado, não larguem, com uma faca bem afiada comecem a cortar daquele «mancho» redondo tiras o mais fino que conseguirem. Passem-nas por água fervente antes de cozê-las no caldo de batata previamente preparado. Vigie a cozedura. Uma vez  temperado de sal e azeite (para quem come enchidos)* corte umas rodelas de chouriço ponha no fundo dos pratos ou tigelas onde vai servir a sopa  e -... bom proveito !

Maria Luís Brites 
(in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br )

* O parêntesis é do editor.


domingo, 20 de março de 2016

Nosso idioma : dúvidas sobre palavras com o mesmo significado


Diferenças entre as palavras Concelho e Município (sinônimas no latim)

No Brasil, para se designar a subdivisão administrativa de cunho municipal e local, se diz apenas município; já em Portugal, usa-se sobretudo concelho, mas município também encontra uso.

As duas palavras, na sua origem, ou seja da língua-mãe que é o latim, significavam a mesma coisa: uma divisão territorial e administrativa de um país. Esta divisão nasce no antigo Império Romano.

Quer isto dizer que se dividem grandes territórios – os países – em vários – os concelhos – para melhor poderem ser governados e aplicar as leis mais facilmente. Criam-se também leis próprias para estes Municípios ou Concelhos – leis locais, como ainda hoje se chamam. Nem todos os países adotaram esta estrutura, mas Portugal, sim. 

Na prática, em Portugal, pode não haver grande diferença entre concelhomunicípio e municipalidade: digamos que o primeiro termo designa o território administrado por um município; o segundo, a própria estrutura autárquica ou a população que é abrangida por ela; e o terceiro, as pessoas eleitas e os funcionários que trabalham numa câmara municipal.
Mesmo assim, tendo em conta apenas os dicionários gerais, pode afirmar-se que, historicamente, os termos não são exatamente sinónimos. O dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL) define as palavras em questão do seguinte modo:

município
1. Hist. Cidade conquistada, no tempo dos romanos, com direito a administrar-se pelas suas próprias leis e cujos habitantes gozavam dos direitos civis da cidadania romana. 2. Circunscrição territorial administrada por uma vereação, por uma câmara municipal, superintendida por um um presidente. CONCELHO. 3. População que habita num concelho, congregada por interesses comuns. Salientam-se algumas das medidas que vieram beneficiar todo o município: a abertura de novas estradas, a criação do parque de campismo e do museu etnográfico. 4. Bras. Circunscrição administrativa autónoma do estado, governada por um prefeito e uma câmara de vereadores.»(1)

concelho
«Divisão administrativa de categoria inferior à de distrito. MUNICÍPIO. Almada é um dos concelhos do distrito de Setúbal. O concelho divide-se em freguesias. «Quando vagou um 1.º andar sobre o armazém de vinhos, então, os meus antepassados atravessaram o Tejo e botaram raízes no concelho de Almada» (R. CORREIA, Tristão, p. 27).

Observe-se, no entanto, que, ainda em Portugal, o termo município é o que é usado na Constituição da República :
«Artigo 236.º
Categorias de autarquias locais e divisão administrativa
 1. No continente, as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas.»

Quanto a municipalidade, é um termo que pode ser sinónimo de município e concelho ou de «câmara municipal». O dicionário da ACL define-o assim:
«1. Conjunto de pessoas eleitas pelo povo de um município, para administrar os seus interesses. VEREAÇÃO. 
2. Conjunto dos funcionários de uma câmara municipal. 
3. Edifício onde funcionam os órgãos da administração municipal. CÂMARA MUNICIPAL. 
4. Circunscrição territorial em que uma vereação exerce a sua jurisdição. CONCELHO, MUNICÍPIO.»(2)

Portanto, as duas palavras tomaram um rumo diferente. Muito embora algumas pessoas se refiram ao concelho como município, esta palavra refere-se geralmente à Câmara Municipal. Câmaras Municipais são os chamados órgãos executivos, eleitos pelos cidadãos (que no caso do concelho se chamam munícipes) para, como a palavra já deixa adivinhar: executar leis e, assim, governar um concelho. Assim, quando dizemos, por exemplo: "O Município de Sintra" estamos a referir-nos à Câmara Municipal de Sintra. E existe ainda a Assembleia Municipal, composta por deputados eleitos e pelos presidentes das Juntas de Freguesia (ver mais adiante); às assembleias municipais chamam-se órgãos legislativo porque fazem e aprovam leis.
Por exemplo, o regulamento de Recolha de Resíduos Orgânicos do Concelho foi votado em Assembleia Municipal. Mas quem decide, com base neste regulamento, como fazer a recolha é a Câmara Municipal.

Já as palavras cidade/vila  não tem o mesmo significado de município. 
Por exemplo, cidade/vila, entende-se como espaço urbano de um município delimitado por um perímetro urbano. Para ser considerada cidade/vila, é preciso ter um número mínimo de habitantes e uma infraestrutura que atenda minimamente as condições dessa população, mesmo que essa cidade seja dependente de outras que se localizem próximas a ela. E acrescento, que no Brasil, não é adotada a palavra vila. 
E a subdivisão administrativa : município, possui a sua zona rural e a zona urbanizada.

Quanto aos outros países da lusofonia, a terminologia para a área administrativa dos territórios, é outra. Não tem a origem romana. Vamos ter que aprender!

(1) O símbolo significa «sinônimo».
(2) «[Vereação] conjunto dos vereadores, das pessoas eleitas pelos cidadãos eleitores de um município para, sob a égide de um presidente, o candidato mais votado, administrar os serviços do concelho [...].»

Fontes:
__._,_.___

Enviado por: Margarida Castro <margaridadsc@yahoo.com>


sábado, 31 de outubro de 2015

Zé do Telhado


"Zé do Telhado" (Castelões de Recesinhos, Penafiel, 22 de, junho de 1818 —Mucari, Malanje, Angola, 1875), foi um militar e famoso salteador português, chefe bandoleiro, realiza um grande número de assaltos por todo o Norte de Portugal, durante um período muito conturbado, em que tentaram formar grupos de guerrilha em todo o país.Até hoje,contam-de muitas histórias do Zé do Telhado, mas muitos acreditam que era um homem bom e que roubava para dar aos pobres.
O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco que se lhe refere nas Memórias do Cárcere.
 Em 9 de dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. Foi-lhe comutada a pena aplicada de 15 anos de degredo, em 28 de setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borrachacera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes –, viveu desafogadamente. Faleceu aos 57 anos, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilómetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objeto de romagens.

Margarida Castro
dialogos_lusófonos@yahoogrupos.com.br 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Livros




Autor: Luis Carlos dos Santos
Estado: Público
Nº de páginas: 45
Tamanho: 170x235
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Agrafado
Acabamento da capa: Brillo

Edições Bubok, 2010

Um livro onde o espírito dos pássaros, e de outros seres alados, se cruza com o espírito dos homens. No fundo, uma lição dada sobre liberdade e, nalguns casos, da melhor forma de estarmos à mesa. Um livro dedicado a Alhos Vedros, terra natal do autor, onde pululam e se misturam todos esses seres que lhe são intrínsecos como depressa se perceberá na leitura.


P.S.: Uma lembrança dos Diálogos Lusófonos. Também se pode ler LER AQUI


sábado, 8 de novembro de 2014

Antigas profissões e a origem dos nomes destas : alfaiate
O alfaiate é um profissional que confecciona roupas masculinas. O nome tem origem na palavra árabe alkhayyát. O verbo Kháta significa coser. 

A costureira diferencia-se do alfaiate por confeccionar as roupas femininas provindo o nome da palavra latina consustura.

O termo latino para alfaiate é sartor que, em Português, deu origem ao verbo sarcir, o qual significa coser, e às palavras sarcir, que se refere à técnica de remendar um tecido roto com um pedaço de tecido do mesmo padrão, e de o coser de tal modo que não se perceba o remendo, e sarcideira, a mulher que usa essa técnica. Contrasta com fundilhar, ou seja, pôr
fundilhos, que consiste em tapar o roto ou reforçar o tecido, normalmente de calças ou de casacos de trabalho, com pano igual ou diferente, geralmente mais forte que o original.

Era uma arte importante que conferia um estatuto, diremos que confortável e bem remunerado, ao respectivo artesão. Tanto assim que os judeus, durante a Idade Média, fizeram dela a principal atividade: “foi a profissão de alfaiate a que mais professaram (os judeus) na Idade Média, durante os séculos XIV e XV. (…). Esse ofício era, então, o que em Lisboa ocupava o maior número de judeus. (…) O alfaiate de D. Afonso V era um hebreu – mestre Latão –, e o de D. João II era outro – Mestre Abraão.”

Os alfaiates eram artesãos altamente especializados sujeitos a rigorosos exames e anos de prática, para obterem a carteira profissional. Tinham que saber talhar, alinhavar, chulear, casear, coser e fazer todos os acabamentos necessários e exigidos pelo cliente na confecção de calças, casacos, coletes … 



Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br 


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

À Volta do Acordo Ortográfico


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional firmado em 1990 com o objetivo de criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990. Também Timor-Leste,depois de recuperar a independência, aderiu ao Acordo em 2004. O processo negocial que resultou no Acordo contou também com a presença de uma delegação de observadores da Galiza.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 pretendeu instituir uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português. 

Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior.
É dado como exemplo motivador pelos proponentes do Acordo o castelhano, que apresenta diferenças, quer na pronúncia quer no vocabulário entre a Espanha e a América Hispânica, mas está sujeito a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias de Língua Espanhola.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e em 13 de maio de 2009 em Portugal. Em ambos os países foi estabelecido um período de transição em que tanto as normas anteriormente em vigor como a introduzida por esta nova reforma são válidas: esse período é de três anos no Brasil e de seis anos em Portugal. Com exceção de Angola e de Moçambique, todos os restantes países da CPLP já ratificaram os documentos conducentes à aplicação desta reforma.

Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br 

Nota do Editor: O Brasil adiou por três anos a implementação do Acordo que está agora prevista para 1 de Janeiro de 2016.