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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Eu estive lá


Ontem, no Centro Cultural José Afonso, em Alhos Vedros, o poeta José Fanha fez-se acompanhar do músico Carlos Alberto Moniz, duas reconhecidas figuras da cultura portuguesa, e ambos proporcionaram um bom serão a quem se atreveu sair de casa numa noite fria e húmida, e ainda rivalizando com a III feira do Chocolate que por aqui decorre, porque Alhos Vedros teima em ser terra de muita e animada dinamização cultural e artística. O óbice foi o lançamento do livro de poemas "Marinheiro de Outras Luas", de José Fanha. Ora, um poeta cá da terra, do alto da sua experiente e rica história de vida, dedicou-lhe um poema que diz assim:

Eu estive lá

Cheguei: ouvi palavras sábias,
De uma figura conhecida,
Com a sua voz rouca e sentida,
Que muito sabe da vida.
Quantas palavras alegres,
Ou sentidas foram ditas,
Falaste sem saudade,
De outros tempos de outrora,
Mas falaste muito em liberdade.
Falaste do povo em sofrimento,
Da miséria em que o povo vivia,
Da fome e do medo que existia.
Das torturas infligidas,
À gente da nossa terra.
Também falaste da guerra.
Contaste histórias para crianças,
Falaste de lembranças.
Adorei ver essa tua paixão,
Quando falaste com o coração.
Não declamaste, mas brincaste com as palavras.
Senti que cativaste a criançada.
Falando de gente que viveu, e que foi amada,
Sentiste o passado, vives o presente.
Senti que estavas com a gente.
Com essa expressão tamanha,
Eu estive lá: estive com o Fanha.

José Ramos
16-02-18

Notinha do editor: Fica um vídeo musical de uma passagem pelos dois autores pela TVI e que dá um cheirinho do que ontem se passou no Centro Cultural José Afonso que se pode ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=W89gBO3wIz0


sábado, 25 de abril de 2015


ESPERANÇA


De Abril a Maio, ouve-se o povo gritar.
É a esperança! É o sonho do bem-estar.
Para traz, ficou o que não deixou saudade,
Procurando no futuro a felicidade.
Quantos e quais foram os sonhos que projectastes?
Que vida foi a tua, e o que não realizastes?
Sonhar sempre para que o futuro fosse radioso,
Procurando esquecer o momento mais pesaroso.
Que importa a tristeza de uns, se existe alegria:
Sinto prazer, não existe tristeza!... Que bom seria.
Como se na vida não houvesse contrariedades;
E tudo em si fossem só verdades.
Outros maios e abris foram atravessando.
Uns mais do que outros foram extravasando.
Percorrendo trilhos sem parar,
O importante é… No dia-a-dia lá chegar.
Nasce um dia, outro está chegando.
Que raio de vida é esta que nos vai torturando.
O sol quando nasce é para todos!...Que bom seria.
É pura ilusão… E os que têm fome e não têm alegria.
Cuidado!... Olha bem de frente.
O que vês e ouves, é sempre da mesma gente.
Como se esta fosse a única verdade.
Não te iludas… Encara a realidade.


José Ramos
22-04-2015

quarta-feira, 8 de outubro de 2014


O Jardim


Longe!...Muito longe ficou.
O tempo da terra batida, pisada, sofrida.
A criançada corria, saltava, brincava.
Era o coito e aconchego da pequenada.
As tâmaras vindas das palmeiras.
Serviam para comer, e para as brincadeiras.
Um lago existia bem no centro.
Com árvores e arbustos bem por dentro.
O chafariz, como ficou este infeliz.
Tua pedra base; a primeira
A que deveria ser para a vida inteira.
Outra está em teu lugar: não é a original.
Desapareceu!... Ninguém levou a mal.
Hoje a sua aparência é diferente, está calçado.
Para quem sente, todo o espaço está desnudado.
Mantém o coreto em seu esplendor.
Com formas e traços do melhor.
Está só!... Está desacompanhado
Sente-se triste, não é utilizado.
Em tempos foi um jardim.
Foi espaço alegre e sensível para mim.


José Ramos

22-09-2014