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domingo, 27 de maio de 2012

Neoplatonismo

Plotino (205-270) é geralmente considerado o fundador do chamado neoplatonismo, corrente que baseia os seus ensinamentos nas ideias de Platão e dos platónicos. É um dos mais influentes filósofos da Antiguidade, depois de Platão e Aristóteles.


Plotino refere-se a três instâncias constituintes do Universo: o Uno, Deus, como indivisível e, não tendo definição possível, indizível; Nous, a mente, ou a parte racional da alma; e a Alma, o elo entre o Espírito e o corpo do homem.

O Uno, na medida em que produz a vida, cria também a Alma do mundo (psyshé) que contém todas as almas.

 A alma não existe no mundo, é-lhe anterior e responsável pelo mundo em que vive. As almas ocupam-se tanto dos corpos (do mundo sensível) que se esquecem das realidades superiores. Neste sentido, a ligação da alma às realidades inferiores constitui uma perca, em si mesma.

De acordo com Platão, a partir da contemplação das belezas sensíveis e do desejo de contacto com a Unidade, a alma tem reminiscências da sua origem e a união é possível.

Plotino compara, de forma grosseira, a fusão com o Uno com a fusão dos amantes, embora o nível daquela fusão não tenha comparação possível. Para ele, o corpo não é um obstáculo para o reencontro do Uno, mas o intelecto (ciência) pode ser.

O Uno está sempre presente. Quando nos conseguimos afastar das coisas que prendem a nossa atenção, o Uno manifesta-se. É possível uma preparação espiritual para lhe aceder, mas a iniciação do discípulo não é possível através da forma escrita, só podem ser passados por via oral. Plotino, tal como Platão, não confiavam em absoluto na palavra escrita.

No entanto, a palavra e a escrita ainda são consideradas positivas, porque correspondem ao desejo desse reencontro, todavia, é necessária uma transcendência face a essa forma de expressão.

Enquanto não somos contemplados com a experiência do Uno existe uma ânsia constante de desejos.

Carlos Rodrigues