Plotino refere-se a três instâncias
constituintes do Universo: o Uno,
Deus, como indivisível e, não tendo definição possível, indizível; Nous, a mente, ou a parte racional da
alma; e a Alma, o elo entre o Espírito
e o corpo do homem.
O Uno, na medida em que produz a vida, cria
também a Alma do mundo (psyshé) que contém todas as almas.
A alma
não existe no mundo, é-lhe anterior e responsável pelo mundo em que vive. As
almas ocupam-se tanto dos corpos (do mundo sensível) que se esquecem das
realidades superiores. Neste sentido, a ligação da alma às realidades
inferiores constitui uma perca, em si mesma.
De acordo com Platão, a partir da contemplação
das belezas sensíveis e do desejo de contacto com a Unidade, a alma tem
reminiscências da sua origem e a união é possível.
Plotino compara, de forma grosseira, a fusão
com o Uno com a fusão dos amantes, embora o nível daquela fusão não tenha
comparação possível. Para ele, o corpo não é um obstáculo para o reencontro do
Uno, mas o intelecto (ciência) pode ser.
O Uno está sempre presente. Quando nos
conseguimos afastar das coisas que prendem a nossa atenção, o Uno manifesta-se.
É possível uma preparação espiritual para lhe aceder, mas a iniciação do
discípulo não é possível através da forma escrita, só podem ser passados por
via oral. Plotino, tal como Platão, não confiavam em absoluto na palavra
escrita.
No entanto, a palavra e a escrita ainda são
consideradas positivas, porque correspondem ao desejo desse reencontro,
todavia, é necessária uma transcendência face a essa forma de expressão.
Enquanto não somos contemplados com a
experiência do Uno existe uma ânsia constante de desejos.
Carlos Rodrigues