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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Os caminhos do espírito


Mestre Eckhart – A Mística da Essência

Mestre Eckhart, tal como São Tomás de Aquino, foi discípulo de São Alberto Magno.
Foi acusado de heresia e proibido de pregar.

Para Echart a essência primordial, que tanto pode ser comum aos homens como aos deuses, não é passível de conceptualização. Toda a tentativa de conceptualização da realidade é sempre uma limitação. Os “bem aventurados” são os pobres em espírito: a “mística da essência” faz a apologia do nada querer, nada saber, nada ter.

Nada querer saber, nem de si, nem do mundo, nem de Deus. Tudo isso são entraves aquilo que já realmente se É. O mais importante é estar livre, desocupado. Ser livre de tudo, inclusivé de deus.

A partir do momento em que o homem quis alguma coisa, saiu de Si e cindiu-se. E aí, passou a haver deus, homem e mundo. Antes dessa rutura, o que verdadeiramente existe, é uma realidade primordial não diferenciada, integral.

Se nos Dominicanos, o homem chega a Deus através do intelecto, e se nos Franciscanos, o homem chega a Deus através da vontade e do amor; Mestre Eckhart afasta-se de uns e de outros e sustenta que há algo no homem que não é intelecto, nem amor. Para ele, a fonte da “grande felicidade” é a beatitude: «não há nada a vir, não há nada a esperar, não há nada a temer». O único caminho para a liberdade é a própria liberdade. Deus, estando livre de tudo, não sendo uma coisa, engloba todas as coisas. E o que se aplica a Deus, aplica-se ao homem. A alma abarca todas as coisas, pré-existe, é anterior e responsável pela criação do mundo. Ela transcende-O, está para além.

A perceção da alma é possível pela não conceptualização, pelo evitar de toda a tentativa de imaginação.

Em Eckhart, a “bem aventurança” chega com o desapego de todas as coisas materiais ou espirituais, mas igualmente de si próprio. Mas, a sua proposta não é de uma anulação do ser, pelo contrário, em vez de alguma coisa o importante é ser tudo.

“Eu já sou. Eu autocriei-me desde a eternidade. Eu sou incriado, imortal.” A existência, o ser, é o cair para fora da eternidade. É preciso voltarmos ao antes de “sermos”.

Carlos Rodrigues

Referências Bibliográficas:
BORGES, Paulo, Seminário de Filosofia da Religião, Fac. De Letras da Universidade de Lisboa, 2011/2012, 2º sem.
Eckhart, Mestre, Tratados e Sermões, Edições Paulinas.