Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
sábado, 10 de setembro de 2016
Crepúsculo, de Lucas Rosa
sexta-feira, 29 de maio de 2015
CARTA ABERTA A RENÉ DESCARTES
Desculpa vir incomodar-te, mas gostaria de saber, se essa tua frase que se tornou famosa, ainda a afirmarias nos dias de hoje. Escrevo-te quando estamos no ano de 2015, em que estão a surgir grandes mudanças em todos os setores incluindo o da expressão, da investigação e da observação neste belo planeta onde tu deixaste obras muito importantes na área da Filosofia,da Física e da Matemática.
Permite-me dizer que hoje eu discordo dessa frase, o que provavelmente não seria a minha opinião no século XVII, data desse teu “ Discurso do Método “.
Quando afirmas “penso” logo queres dizer “eu”penso. Este eu é fruto da mente, que pensa. Logo dizes que existes porque tens mente. Então,quando eu durmo não penso, a mente não está presente, e será que eu não existo? Quem mantém este corpo vivo com todas as funções vitais energizadas?
Esse eu a que te referes é o temporal, é a tua personalidade, o corpo a quem deram um nome e com o qual tu te identificaste. É a imagem distorcida do teu verdadeiro Eu. Convido-te a fazeres uma experiência.
Faz o silêncio em ti, exterior e interior, quando a tua mente intrigada com esse teu estado te começar a en viar pensamentos e imagens não os negues e não te identifiques com eles, entrarás assim no estado de observador. Sem fazeres quaisquer esforço mantém-te
e verás que surgirá em ti alguém ou algo que observa o observador. Quem é? Vivências aí o estado de Consciência, o Eu, sem forma, pensamento ou sentimento, atemporal, sem nunca ter nascido, O que sempre foi, é e será. Nesse estado em que não pensas tu És, Existes.
Assim caro amigo René, não será que a frase atualizada será “ EU SOU,logo Existo “?
Esperando uma tua resposta,
O amigo e admirador,
António Alfacinha
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Acabo de ouvir a ministra das Finanças na televisão a dizer que já não se importa tanto de perder tempo nas filas de trânsito porque haver mais veículos na estrada é sinal de retoma económica... Triste cegueira de quem só pensa em termos de crescimento económico e não vê o impacto irreversível e destrutivo deste modelo de economia no planeta... Uma verdadeira aula em directo de deseducação ambiental. Os governantes não lêem os relatórios científicos sobre o estado crítico da relação do ser humano com a Terra e sobre o tremendo impacto poluente e de efeito de estufa do dióxido de carbono emitido pelos meios de transporte e do metano emitido sobretudo pelas vacas, industrializadas e exploradas para nosso consumo? Somos governados pela ignorância, activa ou passiva, e o pior é muita gente ser cúmplice disto. O antropocentrismo a destruir a humanidade, destruindo a vida.
Paulo Borges
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
"Fazer acontecer", "produzir"?
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Sobre o fim do mundo
sexta-feira, 23 de março de 2012
Lao-Tse, Tao Te King, séc. III(a.C.) – o Taoísmo
Lao-Tse, é um dos grandes filósofos da China Antiga que nos deixou o Tao Te King, um dos livros mais importantes do pensamento tradicional chinês.
Tao Te King, o Livro da Via e da Virtude:
Etimologicamente, Tao – Vida; Te – Energia; King – Virtude.
Tao, o princípio original de todas as coisas, a essência das coisas.
Texto aforístico com grande economia de palavras, onde com pouco diz-se muito; onde se crê que o dito e o não dito são absolutamente inseparáveis. “O silêncio é um amigo que nunca trai.”
Remete-nos para uma busca pessoal que só pode ser feita por cada um de nós.
O Tao exige outro género de coisas que não só a discussão, o intelecto, a discursividade mental. Nomear por palavras introduz barreiras e Ele é inominável. As palavras não podem explicar mais que uma parte do Tao. A consciência dual é muito limitada na explicação do real.
O Tao quando se nomeia é sugerido como a mãe de todas as coisas. Há uma valorização do feminino, uma matricialidade.
O Tao não tem objetivos particulares. Tudo fluí, tudo é governado sem desígnio. Procurar é perder. Tentarmos encontrar sentido é perder. Tudo já é. Sempre sem desejo devemos estar se o seu mistério queremos encontrar. Somos nascidos no tempo certo.
A eficácia da naturalidade. Tudo acontece quando tem de acontecer. A plenitude só se dá a quem se esvazie a si próprio. Quanto mais vazio mais criador. Quanto mais livres e desocupados maiores possibilidades de eficiência.
O estar livre permite encontrar a harmonia do mundo, um estado salutar (o equilíbrio Yin-Yang) – um movimento contínuo de expansão/recolhimento.
É uma arte de viver baseada numa economia de recursos: só age quem não está interessado em agir; só pensa aquele que não está interessado em pensar; só é feliz aquele que não está preocupado com a felicidade. Não acrescentar nada aquilo que já somos.
O sábio não se põe em bicos de pés. Aqueles que se elevam a si próprios acabam sempre por cair. O sábio é como a água, corre sempre a via que tem de correr. Ele não se preocupa consigo e, todavia, é o que ocupa o lugar mais proeminente. O sábio, no Tao, é comparado à criança.
“É a aprendizagem do desaprender…”, tomando uma expressão de Fernando Pessoa.
O céu trata tudo e todos de uma forma indiferente, mas benéfica.
De acordo com o Tao:
Aquele que mais tem é aquele que mais se despoja;
Aquele que mais tem é o que mais dá;
Aquele que mais se despoja não pode ter menos que o infinito.
Carlos Rodrigues
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A MÍSTICA
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Os Caminhos do Espírito
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Yoga, Alquimia e Sufismo (Apontamentos)
sábado, 20 de agosto de 2011
"Os Upanisads" e a Filosofia Clássica Indiana
domingo, 19 de junho de 2011
Índia Antiga - Apontamentos
A Civilização do vale do Indo, a primeira grande civilização que surge na Índia à 6 mil anos atrás, situou-se na zona do NW da Índia e Paquistão. Atingiu o seu apogeu 2.500 anos antes de Cristo. Utilizavam uma escrita de muito difícil tradução que limita o seu conhecimento. São contemporâneos do Antigo Egipto e dos Sumérios.
Em 1500a.C., desenvolve-se a civilização Ariana no Vale do Ganges. Esta civilização floresce enquanto a do Vale do Indo desvanece. Não se sabe se constitui um prolongamento da primeira. Os povos de raiz indo-europeia descendem desta civilização. Vários autores desenvolvem o tema das culturas indo-europeias, como são o caso de Georges Dumézil, Émile Benveniste, Max Müller.
A Filosofia Clássica Indiana, em últimas instâncias, procura responder a duas questões: a natureza última da realidade e consequências sobre o nosso destino pessoal.
A cisão entre fé e razão que se deu no Ocidente não se encontra na Filosofia no Oriente.
Os Hinos Védicos, são os textos sagrados mais antigos da Índia. A palavra Vedas significa conhecimento, saber, passível de audição (que pode ser escutado). Em síntese, textos sagrados a serem escutados, apreendidos.
As Upanisads, são textos que refletem sobre a cultura védica, mas que, simultaneamente, assinalam uma rutura com o período anterior. As Upanisads dão-nos uma explicação sobre a origem das coisas, mas também sobre o que podemos realizar no interior de nós próprios. Atingem o seu momento pleno no século VI a.C.. Etimologicamente significa “estar sentado junto de” (do Mestre que explica os Vedas).
O Budismo, quando aparece pode considerar-se uma interpretação radical das Upanisads. Buda viveu no século VI ou V a.C.. As primeiras cinco Upanisads são prévias ao seu nascimento e as últimas sete são posteriores.
Sâncrito, Língua Sagrada da Índia.
Sociedade divida em castas distintas, Brãhmana, ksatriya, Vaisya.
Brâman, é a suprema divindade, o Absoluto, é incognoscível pelo homem. Princípio incondicional de criação de toda a realidade. A própria realidade. Um princípio supremo que está para lá dos próprios deuses.
Trimúrti, é a tripla parte manifesta da divindade suprema. Como um ser limitado, o ser humano somente percebe três aspectos de Brâman. A trimurti é composta pelos três principais deuses do hinduismo: Brama, Vixnu e Xiva, que simbolizam respectivamente a criação, a conservação e a destruição.
Atman, o sujeito interior de tudo o que um indivíduo faz. Um unificador interior de todos os nossos comportamentos. Agente interno que coincide com o próprio Absoluto e que se tiver “despojado” lhe pode aceder.
Carlos Rodrigues
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Filosofia e Saudade
16. Eduardo Lourenço - "Tempo e Poesia"
A experiência do instante como alguma coisa que escapa ao tempo, que pertence ao eterno, ou melhor, algo que transcende tempo e eternidade - só o instante é real. Tempo e eternidade, passado e futuro esbatem-se no instante. O instante não tem história, nem projecto. O instante é inacessível a nós próprios, não se pode agarrar - agarrar é perdê-lo.
A saudade é esta ânsia de agarrar o inapreensível, o eminentemente fugaz. Inacessível e próxima. Enganam-se os que pretendem fazer da saudade algo de exclusivamente português. Existe sim, uma predisposição sensível para a apreensão da saudade.
Não podemos estar exilados de uma ideia de Paraíso, nós somos o Paraíso, portanto, não podemos sair de lá. Quanto mais procuro, mais me afasto. Não é na procura para fora, mas na procura para dentro que me devo buscar. A saudade é a reversão da própria busca.
Temos aqui uma Saudade tal como é definida por Pascoaes, mas fora de um espírito estritamente nacional. Só a experiência poética nos permite aceder a esta saudade ( e não a ciência, religião, filosofia...). A vitória real é a experiência poética. Na mais idealista das filosofias nós continuamos ainda prisioneiros do mundo. Só a forma poética é a libertação do mundo. Poesia é igual a Criação, anterior à experiência artística, ou à apreciação estética.
A experiência do tempo reduzido a um ponto só. Nós somos a grande imensidão.
Luis Santos
Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
sábado, 29 de janeiro de 2011
Filosofia e Saudade
O autor faz uma "Psicanálise Mítica do Destino Português":
- Nascimento milagroso de Portugal: "Quero estabelecer para mim um Império em ti e na tua descendência" (palavras de Cristo a Afonso Henriques a anteceder a batalha de Ourique). Portugal terá como destino fundar um Reino de Cristo que o padre António Vieira interpreta como o V Império (e último) sobre a Terra.
- Há um traço marcadamente providencialista na cultura portuguesa, ambivalente, marcada por uma fragilidade e protecção absoluta, um complexo de inferioridade e superioridade, uma relação irrealista que mantemos connosco próprios.
- Durante quase um século a Língua Portuguesa foi a Língua Franca no mundo, à semelhança do que foi o Latim, à semelhança do que é o Inglês.
- A fase do Sebastianismo representa a carência irrealista e tresloucada nacional. A nossa razão de ser passou a estar no passado, "quando nós fomos grandes".
- Com a "geração de 70" no séc. XIX, começa-se a questionar pela decadência e atraso do país que em termos de desenvolvimento jaz na cauda da Europa. Sucede-se o Saudosismo, misticismo nacionalista, uma leitura irrealista da nossa realidade, um patriotismo republicano que corrobora este cenário.
Luis Santos
Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
sábado, 15 de janeiro de 2011
Filosofia e Saudade
. Um Absoluto que está para lá de toda a experiência da relação: não cria, nem é criado. Como a experiência de alguma coisa que é constante, vertical, sem princípio nem fim, sem nascimento nem morte. Uma visão universalista.
A Visão Unívoca - Os olhos com que se vê são os olhos com que se está cego. O Espírito ou a Visão Unívoca é de uma união e cisão simultânea - o uno que cinde e a cisão que une. A ambiguidade da Visão Unívoca como intrínseca à própria existência.
15. Eudoro de Sousa (1911-1987), Origem da Poesia e da Filosofia
. Os primeiros homens, os primitivos, caracterizavam-se por uma indistinção entre 3 planos: Divindade, Humanidade, Animalidade. Há uma expriência religiosa primordial em que não há nomeação. Os primeiros rituais não têm relação com o intelecto, mas sim com o corpo. A experiência primordial é dançante.
O Homem que procura mediações é um homem que está no plano do profano, que está ainda separado e que se quer religar. Valoriza-se essa maneira de ser do homem primitivo.
Luis Santos
Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Filosofia e Saudade
Fundador e Professor da 1ª Faculdade de Letras do Porto. Formado em Matemática e Filosofia. Grande sensibilidade literária e poética. Deputado. Duas vezes Ministro da Educação.
Elabora uma hermenêutica sobre todos os pensadores seus contemporâneos (Antero, Bruno, Pascoaes, Junqueiro), mas afasta-se de todos eles.
O Criacionismo:
A realidade é sempre pensamento. A actividade mental vai determinando a realidade. A realidade está sempre a ser determinada. O espírito determina-se a si próprio na medida em que vai determinando a realidade.
Até 1923, tenta unir o pensamento libertário com o Criacionismo. Depois, aproxima-se cada vez mais do Cristianismo, até aderir ao catolicismo pouco tempo antes de morrer em acidente de viação. Passagem de livre pensador a cristão ortodoxo.
Nele, o Homem é fundamentalmente um ser saudoso: uma saudade imanente e transcendente. Uma nostalgia da realidade, onde o Amor é a nota de Unidade com Deus. Quanto mais Amor mais consciência. A matéria não é senão o soro do espírito. Há vários níveis de amor e de consciência.
O homem vive com saudade do Paraíso (o Mito do Génesis). É saudoso de um estado em que a sua consciência ainda não se tinha precipitado para a exterioridade e materialidade. Uma saudade metafísica.
Luis Santos
Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
domingo, 5 de dezembro de 2010
Filosofia e Saudade
Guerra Junqueiro (1850-1923), amigo de Sampaio Bruno e do pai de Teixeira de Pascoaes. É um dos pensadores da Portucalidade e uma referência para Pascoaes. Neste autor, Portugal surge associado à figura de Jesus Cristo...
Raul Brandão (1867-1930), amigo de Pascoaes, é o pensador da dor. É a dor que nos empurra para a frente. Só sofrendo se abre cada vez mais a consciência...
Teixeira de Pascoaes (1877-1952), o autor do Saudosismo, uma proposta de interpretação da Saudade. Um programa de acção para Portugal...
10. Renascença Portuguesa
Renascença Portuguesa foi um movimento cultural português surgido em 1912 no Porto que se manteve activo durante o primeiro quartel do século XX. O movimento tinha subjacente um ideal nacionalista ligado, no plano literário e filosófico, ao neo-garrettismo e a um sebastianismo quase messiânico. Enquanto agrupamento de acção sócio-cultural, a Renascença Portuguesa desenvolveu uma notável actividade, com aspectos originais, obedecendo ao propósito de "dar conteúdo renovador e fecundo à revolução republicana" (Jaime Cortesão). Teve como principal mentor, sobretudo até 1916, Teixeira de Pascoaes, com a sua teoria do saudosismo e, numa segunda fase, Leonardo Coimbra. Tinha como órgão a revista A Águia — Órgão da Renascença Portuguesa, publicado no Porto de 1910 a 1932, e o quinzenário Vida Portuguesa.
As coordenadas para a fundação do movimento foram definidos em reuniões realizadas em Coimbra a 27 de Agosto de 1911 e em Lisboa a 17 de Setembro 1911, tendo o processo sido liderado por Jaime Zuzarte Cortesão, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra e Álvaro Pinto.
Na Revista A Águia, colaboraram para além dos fundadores, Mário Beirão, António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.
Luis Santos
Referências Bibliográficas:
- Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
- Wikipédia, Enciclopédia Livre
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Filosofia e Saudade
Nós vivemos num mundo, onde se parte do Mal, da fealdade, do erro. O pecado original é de Deus, não do homem. Existência é dor, padecimento. Estado normal é doença.
A Saudade é o movimento em que tudo participa para uma reabsorção em Deus. A partir de uma diferenciação inicial, há sempre desejo de regresso. A vontade de viver destina-se ao regresso à consciência pura, à unidade primordial.
Adepto de um vegetarianismo que pudesse até poupar as plantas - alimentção química. Não matar para viver. As alterações psico-fisiológicas trariam um Super-Homem no futuro.
O Homem está no mundo para procurar a evolução de si e de todas as coisas. A alma embora não se possa conhecer plenamente, sempre se pode ir conhecendo mais um pouco.
Crítico de todas as ideias antropocêntricas, não vê a Humanidade como o fim último da criação
Luis Santos
Referência Bibliográfica:
- Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, 1902
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Filosofia e Saudade
7.1. A Ideia de Deus em Antero
Há um Deus misterioso que só parcelarmente se revela a quem o quer estudar:
Sócrates - Dentro do homem está um Deus desconhecido
Cristo - Dentro do homem está o Reino dos Céus
Lutero - Dentro do homem está Deus. O Homem é um Deus que se ignora.
Robespierre - Revelação de Deus através de valores humanistas.
Hegel - Revelação de Deus através da ideia.
Moisés, Maomé, Cristo - Profetas que revelam Deus, mas todos revelam apenas um aspecto parcelar do Absoluto
O homem, ele próprio, está mais perto do divino do que as formas através das quais O representa. Em vez de procurar Deus nos céus, o homem deve procurá-lo no seu interior.
A Existência humana é privilegiada porque é nela que mais se manifesta a essência divina. A Saudade é uma aspiração a uma relação mais plena com o deus desconhecido que cada um trás em si.
No fundo da consciência está aquilo que procuramos fora. Dormitando, em movimento mudo, mas murmurando sempre. Jeová, Brama, Sabaoth, Alá, Cristo. O homem não deseja mais do que aquilo que já há em si.
A santificação é a plena realização do indivíduo. É um Deus que se revela permanentemente, como se fosse um progresso constante, sem que nunca mais esse progresso acabe. O homem como o descobridor dos mundos encobertos do espírito.
As revoluções, os cultos, os mitos, tudo são apenas manifestações do princípio interior essencial. Civilizações e Impérios se fazem para sermos Homem um pouco mais.
in, Antero de Quental, Filosofia, Univ. dos Açores: Editorial Comunicação.
7.2. O materialismo idealista de Antero de Quental
A Filosofia é eterna, tal como o pensamento humano. Uma potência infinita e um acto limitado.
Divino e real ao mesmo tempo, o Universo manifesta a si próprio a sua essência prodigiosa, desde as forças elementares e puramente mecânicas, ao instinto que sonha, à inteligência que observa e compara, à razão que ordena, ao sentimento que fecunda, até à contemplação e virtude dos sábios e santos.
O acesso à libertação é atingido por um esforço de santificação. Do investimento que cada homem individual fizer depende a sua evolução. O animal evolui necessariamente, mas o homem pode regredir.
A união da alma com Deus é, simplesmente, a chegada do eu à sua plena realização.
in, Antero de Quental, As Tendências Gerais da Filosofia na 2ª metade do século XIX.
Luis Santos
(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Filosofia e Saudade
Vivia na corte.
Decide renunciar a tudo e entra para a Ordem Monástica do Convento dos Capuchos, em Sintra. Viveu ermitariamente no Convento da Serra da Arrábida, os últimos 15 anos de vida (1604-1619).
Renúncia ao mundo. Busca dos lugares ermos, dos lugares saudosos. Isolando-se do convívio humano acede-se com mais facilidade aos desígnios divinos. Saudade vertical.
Harmonizada a dualidade entre os contrários pela quietação, o pensamento é anulado: a morte em vida, a união com Deus, conforme a mística cristã.
Para Agostinho da Cruz, só morrendo para o mundo dos homens é possível a libertação:
"Assi com cousas mudas conversando
Com mais quietação dellas aprendo
Que outras que ha, ensinar querem fallando".(in, Agostinho da Cruz, Segredos e Elegias, Ed. Hiena.)
6. Padre António Vieira (1608-1697)
Na interpretação de Vieira, a partir da profecia bíblica de Daniel, o V Império é a implantação do futuro reino de Cristo na Terra. Os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos.
Isso acontecerá quando todos os homens viverem Deus em espírito dentro de si, numa era de globalização ético-religiosa.
A grande vocação de Portugal é ser mediador dessa globalização espiritualista do mundo.
Luis Santos
(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)
domingo, 24 de outubro de 2010
Filosofia e Saudade
"Conforme o amor que tiverdes, assim o entendimento dos meus versos."
Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.
Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.
A Mulher, o Amor e a Saudade são temas em destaque na poesia camoneana.
Luis Santos
(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)
