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sábado, 10 de setembro de 2016

Crepúsculo, de Lucas Rosa

Essencialmente, Portugal é um país cristão e, neste sentido, os portugueses são "mensageiros" de cristo, da paz universal, do Amor. Quem não perceber isto, não percebe nada. Foi esta a ideia dominante que norteou a consolidação de Portugal como território independente, da mesma forma que o Projeto da expansão ultramarina portuguesa. O que não é contraditório com o facto de hoje nos constituirmos como um estado laico. A ideia de Cristo sobre a importância do Amor e de fraternidade universal entre a humanidade, é muito superior à ideia de luta de classes como motor da história, embora no fundo, bem lá no fundo, não sejam excludentes uma da outra. Essencialmente, ser cristão é o mesmo que ser socialista. Mas cremos que o marxismo é, em larga medida, uma insuficiente necessidade histórica, uma interpretação desviada do cristianismo primitivo, dados os erros do catolicismo inquisitorial, do desenvolvimento do protestantismo religioso e do maquiavelismo político. A inquisição católica ao segregar outros credos religiosos, outras lógicas, racionais ou não, de compreensão do universo, transviou-se. Ser católico, por definição, é ser universal e não se pode ser universal sem o reconhecimento do outro, da sua razoabilidade, da diversidade cultural que nos constitui. Por isso, é que enquanto marxistas, socialistas, anarquistas (e aqui relembrando Proudhon, Bakunin, etc, mas sem entrar no debate da diversificação da filosofia anarquista), não aprenderem a dar a mão a uma ideia religiosa, ecuménica, que os ultrapassa, mas que igualmente seja extensível a ateus, não poderão atingir uma proposta de organização social, de Vida, pouco mais que sofrível. Todos, cristãos ou islamitas, indús, budistas ou ateus, precisam de saber que as liberdades essenciais são valores absolutamente inalienáveis, a liberdade até de não ser livre. Os portugueses precisam não esquecer o essencial espírito ecuménico que sempre os caracterizou, pois que faz parte da sua primordial natureza cultural, criando etapas primeiras de uma ininterrupta expansão que já não (só) ultramarina. É a isto que, na senda de muitos outros, chamamos de "Quinto Império", em síntese, não hajam confusões, um império de amor e de serviço, pelo possível bem de todos, seja na terra, seja no céu.
(Conseguem ver o Cristo-Rei?) - Lucas Rosa

sexta-feira, 29 de maio de 2015

CARTA ABERTA A RENÉ DESCARTES

“ Penso, logo existo“. Será?
Caro amigo René,
Desculpa vir incomodar-te, mas gostaria de saber, se essa tua frase que se tornou famosa, ainda a afirmarias nos dias de hoje. Escrevo-te quando estamos no ano de 2015, em que estão a surgir grandes mudanças em todos os setores incluindo o da expressão, da investigação e da observação neste belo planeta onde tu deixaste obras muito importantes na área da Filosofia,da Física e da Matemática.
Permite-me dizer que hoje eu discordo dessa frase, o que provavelmente não seria a minha opinião no século XVII, data desse teu “ Discurso do Método “.
Quando afirmas “penso” logo queres dizer “eu”penso. Este eu é fruto da mente, que pensa. Logo dizes que existes porque tens mente. Então,quando eu durmo não penso, a mente não está presente, e será que eu não existo? Quem mantém este corpo vivo com todas as funções vitais energizadas?
Esse eu a que te referes é o temporal, é a tua personalidade, o corpo a quem deram um nome e com o qual tu te identificaste. É a imagem distorcida do teu verdadeiro Eu. Convido-te a fazeres uma experiência.
Faz o silêncio em ti, exterior e interior, quando a tua mente intrigada com esse teu estado te começar a en viar pensamentos e imagens não os negues e não te identifiques com eles, entrarás assim no estado de observador. Sem fazeres quaisquer esforço mantém-te
e verás que surgirá em ti alguém ou algo que observa o observador. Quem é? Vivências aí o estado de Consciência, o Eu, sem forma, pensamento ou sentimento, atemporal, sem nunca ter nascido, O que sempre foi, é e será. Nesse estado em que não pensas tu És, Existes.
Assim caro amigo René, não será que a frase atualizada será “ EU SOU,logo Existo “?
Esperando uma tua resposta,
O amigo e admirador,
António Alfacinha

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015


Acabo de ouvir a ministra das Finanças na televisão a dizer que já não se importa tanto de perder tempo nas filas de trânsito porque haver mais veículos na estrada é sinal de retoma económica... Triste cegueira de quem só pensa em termos de crescimento económico e não vê o impacto irreversível e destrutivo deste modelo de economia no planeta... Uma verdadeira aula em directo de deseducação ambiental. Os governantes não lêem os relatórios científicos sobre o estado crítico da relação do ser humano com a Terra e sobre o tremendo impacto poluente e de efeito de estufa do dióxido de carbono emitido pelos meios de transporte e do metano emitido sobretudo pelas vacas, industrializadas e exploradas para nosso consumo? Somos governados pela ignorância, activa ou passiva, e o pior é muita gente ser cúmplice disto. O antropocentrismo a destruir a humanidade, destruindo a vida.

Paulo Borges

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Fazer acontecer", "produzir"?


Não se mudará o paradigma enquanto se pensar em termos de "fazer acontecer", "produzir pensamento" ou outra coisa e se quiser organizar, regulamentar, avaliar e controlar tudo. Esse é o paradigma voluntarista, produtivista, economista, empresarial e tecnocrático da civilização industrial e do esclavagismo trabalhista que está a entrar em colapso, destruindo o planeta e a vida. Quem assim fala mostra que vive enfeitiçado pelos ritmos do formigueiro antropocêntrico, permanecendo à superfície das regiões profundas do ser onde tudo emerge em fluxo autorregulador, espontâneo e livre. Quem assim fala porventura faz coisas, mas não age. Quem assim fala porventura produz pensamentos, mas não pensa. Quem assim fala porventura produz textos, mas não escreve. Quem assim fala porventura "faz amor", mas não ama. Quem assim fala, pertence ao passado, por mais que fale em futuro. Quem assim fala, mais valia estar calado.


Paulo Borges



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre o fim do mundo



Deus.
Uma possibilidade como outra qualquer – parte das partes: o bem e o mal.


Ao alcance de ninguém
inefável o sentido da vida
inegável o seu valor.


Deus tem a capacidade de colocar fora de si qualquer coisa que lhe impeça a harmonia integral, a vibração precisa. Tudo o que, deste modo, fica fora de Si, que é expulso de Si, chamamos de universo. Mas, sendo que o universo é uma criação de Deus, logo é também, de certa forma, uma parte de Si; simultaneamente, intrínseca e extrínseca, imanente e transcendente.

O universo é, pois, a parte “imperfeita” de Deus. Ele que é perfeito e imperfeito. Bem e mal. Tudo e nada. Desta forma, tudo o que no universo restabeleça a vibração energética, a sua perfeita luz irradiante, volta à harmonia integral, ou seja, “ao centro” do corpo de Deus; quanto mais afastado desse Centro menor a luz que se produz, imperfeita vibração.

Dado que tempo e eternidade são coetâneos, mais cedo ou mais tarde, havemos de voltar. E será bom que voltemos depressa, tanto quanto possível. Paraíso ou Nirvana. Involuir evoluindo. Estado primordial. Também por isso estamos sempre a voltar ao que já somos, anunciado Futuro do eterno momento.


Carlos Rodrigues


sexta-feira, 23 de março de 2012

Lao-Tse, Tao Te King, séc. III(a.C.) – o Taoísmo

Contrariamente ao que se pensou durante muito tempo Lao-Tse, ou Lao-Tzu, não foi o fundador do Taoísmo. Hoje considera-se que foi Chuang Tzu (séc. VI a.C.).

Lao-Tse, é um dos grandes filósofos da China Antiga que nos deixou o Tao Te King, um dos livros mais importantes do pensamento tradicional chinês.

Tao Te King, o Livro da Via e da Virtude:
Etimologicamente, Tao – Vida; Te – Energia; King – Virtude.

Tao, o princípio original de todas as coisas, a essência das coisas.

Texto aforístico com grande economia de palavras, onde com pouco diz-se muito; onde se crê que o dito e o não dito são absolutamente inseparáveis. “O silêncio é um amigo que nunca trai.”

Remete-nos para uma busca pessoal que só pode ser feita por cada um de nós.

O Tao exige outro género de coisas que não só a discussão, o intelecto, a discursividade mental. Nomear por palavras introduz barreiras e Ele é inominável. As palavras não podem explicar mais que uma parte do Tao. A consciência dual é muito limitada na explicação do real.

O Tao quando se nomeia é sugerido como a mãe de todas as coisas. Há uma valorização do feminino, uma matricialidade.

O Tao não tem objetivos particulares. Tudo fluí, tudo é governado sem desígnio. Procurar é perder. Tentarmos encontrar sentido é perder. Tudo já é. Sempre sem desejo devemos estar se o seu mistério queremos encontrar. Somos nascidos no tempo certo.

A eficácia da naturalidade. Tudo acontece quando tem de acontecer. A plenitude só se dá a quem se esvazie a si próprio. Quanto mais vazio mais criador. Quanto mais livres e desocupados maiores possibilidades de eficiência.

O estar livre permite encontrar a harmonia do mundo, um estado salutar (o equilíbrio Yin-Yang) – um movimento contínuo de expansão/recolhimento.

É uma arte de viver baseada numa economia de recursos: só age quem não está interessado em agir; só pensa aquele que não está interessado em pensar; só é feliz aquele que não está preocupado com a felicidade. Não acrescentar nada aquilo que já somos.

O sábio não se põe em bicos de pés. Aqueles que se elevam a si próprios acabam sempre por cair. O sábio é como a água, corre sempre a via que tem de correr. Ele não se preocupa consigo e, todavia, é o que ocupa o lugar mais proeminente. O sábio, no Tao, é comparado à criança.

“É a aprendizagem do desaprender…”, tomando uma expressão de Fernando Pessoa.

O céu trata tudo e todos de uma forma indiferente, mas benéfica.

De acordo com o Tao:
Aquele que mais tem é aquele que mais se despoja;
Aquele que mais tem é o que mais dá;
Aquele que mais se despoja não pode ter menos que o infinito.

Carlos Rodrigues

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A MÍSTICA

O pensamento místico, ou simplesmente, a mística, desenvolve-se no interior da tradição cristã, mas a sua origem remonta à cultura grega e deriva dos Mistérios Gregos. Os mais famosos são os Mistérios de Eleusis e quem lhes acedia passava por uma experiência iniciática (Mystés=Iniciados).

Os que passavam por essas experiências não comentavam posteriormente com os profanos. Até porque as experiências não eram traduzíveis por palavras. A regra de ouro era o Silêncio (a boca, os olhos e os ouvidos fechados). Quando se suspende os sentidos e o intelecto fica-se com uma maior capacidade de presenciar Deus.

Os textos sagrados são passíveis de diferentes interpretações e que vão servindo a cada um conforme o seu estado evolutivo.

Segundo Juan Martin Velasco pode definir-se o fenómeno místico da seguinte maneira:

- Uma experiência totalizadora e integrante, diferente da consciência comum cuja forma de conhecimento fragmenta a realidade.

- Uma experiência recebida, inesperada. O sujeito, de forma passiva, é surpreendido pela experiência.

- Imediatez. Experiência intuitiva, sem mediadores.

- Experiência fruitiva. A grande beatitude, o grande gozo. A linguagem mística é equivalente à linguagem amorosa. Uma consciência de vida eterna, aqui e agora. Não vale a pena esperar nada, tudo é para já.

- Simplicidade. Singeleza. Uma experiência que não exige nada do sujeito senão a sua disponibilidade, simplicidade. Se não estamos a vivenciar sempre a experiência mística é porque estamos a substitui-la pelas nossas.

- É inefável. Após a experiência não se pode verbalizar. É uma luz muito mais intensa do que aquela que pode ser dada pelas palavras. É uma experiência não verbalizável e convida a um discurso mais poético, mais criativo.

- Uma experiência, por um lado, extremamente evidente, por outro, extremamente obscura. Junta os paradoxos lógicos. O inexplicável - “não sei o que é, mas é isso que eu quero”. O egocentrismo desaparece. Tudo está ligado. O serviço faz mais sentido.

Carlos Rodrigues

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Os Caminhos do Espírito


“Os óculos são uma prova de que nós não fomos feitos para ler”. (Leonel Limão)

 A manifestação do Espírito em nós é pessoal e interior. Para a sua manifestação é preciso uma libertação de todas as vãs distrações, solicitações, a tudo o que nos prende. É necessária uma disponibilização absoluta.

A experiência com o Espírito é uma experiência de unificação. Deixa de haver separação alguma, por exemplo, entre corpo e alma. A experiência da plenitude é tudo o que o Homem mais deseja.

O Espírito é aquilo que nos abre para o ilimitado, para o absoluto, o infinito, a eternidade.

Sínteses de experiências místicas:
- O real é holístico;
- Tudo é simultâneo, tudo está aí. O espaço e o tempo, medidos, são separações feitas pelo Homem;
- A eternidade, a maravilha é aqui. Tudo está dado. É agora e é sempre agora. A evidência é que estar aqui é estar dentro do coração da totalidade.

As religiões são veículos para que a experiência da plenitude se possa concretizar.
Religião=relicare=religar: Aspiração humana à ligação com o divino.

Os exercícios espirituais têm como objetivo (re)trazer a consciência à não dispersão, ao centro, à perceção dessa realidade Una. A necessidade de recolhimento tende a evitar aquilo que mais nos prende: o prazer (desejo) e o medo. É necessária uma disponibilidade total.

Sentimento de compaixão, o devido sentimento de todos pela felicidade de todos, sem exceção.
Ascese, etimologicamente, exercício contínuo.
Mística, unificação com a divindade (o real absoluto).
O exercício contínuo visa tornar-nos melhores.

Eventualmente, não podemos sempre presenciar a experiência pura, mas temos a ideia de que ela existe.

Religioso ou ateu, em ambos pode haver lugar para a afirmação da alma, ou do espírito. Ambos são caminhos que podem permitir o desenvolvimento espiritual.

Em suma, a beatitude, a salvação, não são só para depois. Podem ser para já. E não é preciso ser religioso, pode ser ateu.

Carlos Rodrigues

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Yoga, Alquimia e Sufismo (Apontamentos)


Yoga
O autor percursor do Yoga é Patãnjali, com os seus escritos “Yoga Sutras”, no século III (a.C.).
Objetivo principal do Yoga: o samadhi (iluminação).
Princípio absoluto: Todo aquele que vê muitos mas não vê o único, esse vagueia de morte em morte.
A regra de ouro: analogia entre o microcosmo e o macrocosmo.
Os sidhis: poderes que nascem no fundo do coração (telepatia, poder do olhar, voar, levitação, invisibilidade, apaziguamento das feras selvagens…), desenvolvem-se com o Yoga, mas podem ser obstáculo á iluminação…
Kundalini: a energia primordial, que se encontra na matéria densa , a “centelha divina”. “A serpente é despertada, eleva-se, e transforma-se em serpente emplumada…”. Superação da dualidade.
Obra com interesse: “Yoga, imortalidade e liberdade”, de Mircea Elíade.

Alquimia
Hermes Trimegisto é o pai da Alquimia ocidental. A “Tábua da Esmeralda” é o livro de Hermes que dá origem à Alquimia ocidental e islâmica.
Objetivos: transmutação, imortalidade, liberdade.
Vias iniciáticas: o conhecimento é transmitido só para alguns, em segredo, de Mestre para aluno.
A unidade primordial constitui-se pela essência de todas as coisas.
O laboratóro por excelência do alquimista é o corpo.
A Alquimia dos metais, a transmutação do chumbo em ouro – Purificação.
A aplicação dos elementos ativos da natureza definem o processo alquímico. Os 3 elementos fundamentais são o mercúrio, o enxofre e o sal.
Obra de referência: O Mistério das Catedrais, de Fulcanelli.

Sufismo
Sufis: os amigos da verdade, os construtores, os puros, os mestres, o povo do caminho, os amigos de Deus.
Sufismo: é dita como a corrente mística e contemplativa do Islão. Descreve um vasto grupo de correntes e práticas. Uma via de sabedoria. Por várias escolas islâmicas o sufismo é considerado um movimento herético. Muitos sufis foram perseguidos por grupos islâmicos mais tradicionalistas.
Principio absoluto: a unidade do ser. Só há um Deus. Procura a superação do espetáculo das formas sensíveis e dualistas.
Via iniciática: o Mestre é fundamental. O conhecimento como libertação. O Amor como instrumento do conhecimento (o Amor é uma saudade do saber de Alláh – Purificação).
Os Derviches, os sufis dançantes, são um grupo sufi que utiliza uma técnica de dança que se caracteriza pela rotação constante como uma forma de meditação em movimento.
Os Sufis também recorrem a mantras (sílabas fonéticas de ressonância interna, como a repetição dos nomes de Alláh) no seu processo de evolução espiritual.

Carlos Rodrigues

sábado, 20 de agosto de 2011

"Os Upanisads" e a Filosofia Clássica Indiana


Etimologia:
Upa – junto de; ni – em baixo; sad – sentado. “Estar sentado ligeiramente abaixo do mestre”.

“Os Upanisads” são textos que refletem sobre a cultura Védica, mas que simultaneamente assinalam uma rutura com o período anterior. Também têm por significado “o que podemos fazer no interior de nós próprios”. Nos “Upanisads” encontramos sistematicamente, embora não exclusivamente, textos que tentam explicar a origem das coisas. São eles o principal ponto de referência da doutrina de Adi Sankara (788-820), o autor que mais marcou o desenvolvimento da Filosofia Clássica Indiana.

Vivekãnanda (1863-1902),  nome que significa aquele que consegue dissociar mentalmente a realidade do ilusório, foi um dos grandes pensadores sobre a escola de Sankara. O Hinduísmo como um sistema magnífico de crenças e tradições, deve-se, sobretudo, a este autor. Foi um estudioso das filosofias ocidentais na Universidade de Calcutá. E é um estudioso de textos sagrados da Índia: hinos védicos, Ramayana, Mahabarata…

Resumindo:
Princípio filosófico primordial – equivalência entre ãtman / brahman
Atman – um corpo vivo que respira = self = sentimento de si.
Brahman – realidade. O que existe em si e por si.
É esta a síntese suprema de Sankara: a mesma identidade entre Atman e Brahman. Ou seja, aquilo que existe no interior de cada um é a própria realidade.
Ser, Consciência, Felicidade Suprema (beatitude, bem estar), os principais objetivos.

Num texto das Upanisad - Taittirtya Upanisad – diz-se que nós não temos só um corpo, mas sim 5 corpos:
1-     annamaya kosa (1ª camada) – o corpo que resulta da comida (o corpo físico)
2-     prãnamaya kosa (2ª camada, cobre o primeiro corpo) – corpo de que resulta a respiração (o corpo que sente, o corpo subtil), do qual não se pode descrever a essência
3-     manomaya kosa (3ª camada) – corpo que resulta da fusão dos outros dois corpos
4-     vijñamaya kosa (4ª camada) –  corpo que tem a capacidade de compreender
5-     ãnandamaya kosa (5ª camada) – a consciência, a camada que nos dá a felicidade.

Por exemplo, António Damásio (O Sentimento de Si. Lisboa: Ed. Europa-América) demonstra-nos duma forma exemplar que a consciência é independente da linguagem verbal. O Si não é aquilo que nós vemos no espelho… A consciência, o sentimento de si, não está dependente da nossa massa corporal, ou seja, da linguagem, da verbalidade, das emoções, da massa corporal…

Como trazer o corpo de felicidade suprema (ãnandanaya kosa) para o primeiro estado em vez de ser o último? Para Sankara isso consegue-se através da meditação, do Yoga. Para si, o texto de referência é sempre os “Upanisad”. Em última instância, aquilo que Sankara pretende demonstrar é que a realidade última está em nós. A experiência do Si é a mesma experiência da realidade. Nós somos Tudo e Todos.

Carlos Rodrigues

domingo, 19 de junho de 2011

Índia Antiga - Apontamentos

A Índia conheceu várias civilizações. Na Índia encontramos várias cosmogonias.

A Civilização do vale do Indo, a primeira grande civilização que surge na Índia à 6 mil anos atrás, situou-se na zona do NW da Índia e Paquistão. Atingiu o seu apogeu 2.500 anos antes de Cristo. Utilizavam uma escrita de muito difícil tradução que limita o seu conhecimento. São contemporâneos do Antigo Egipto e dos Sumérios.

Em 1500a.C., desenvolve-se a civilização Ariana no Vale do Ganges. Esta civilização floresce enquanto a do Vale do Indo desvanece. Não se sabe se constitui um prolongamento da primeira. Os povos de raiz indo-europeia descendem desta civilização. Vários autores desenvolvem o tema das culturas indo-europeias, como são o caso de Georges Dumézil, Émile Benveniste, Max Müller.

A Filosofia Clássica Indiana, em últimas instâncias, procura responder a duas questões: a natureza última da realidade e consequências sobre o nosso destino pessoal.

A cisão entre fé e razão que se deu no Ocidente não se encontra na Filosofia no Oriente.

Os Hinos Védicos, são os textos sagrados mais antigos da Índia. A palavra Vedas significa conhecimento, saber, passível de audição (que pode ser escutado). Em síntese, textos sagrados a serem escutados, apreendidos.

As Upanisads, são textos que refletem sobre a cultura védica, mas que, simultaneamente, assinalam uma rutura com o período anterior. As Upanisads dão-nos uma explicação sobre a origem das coisas, mas também sobre o que podemos realizar no interior de nós próprios. Atingem o seu momento pleno no século VI a.C.. Etimologicamente significa “estar sentado junto de” (do Mestre que explica os Vedas).

O Budismo, quando aparece pode considerar-se uma interpretação radical das Upanisads. Buda viveu no século VI ou V a.C.. As primeiras cinco Upanisads são prévias ao seu nascimento e as últimas sete são posteriores.

Sâncrito, Língua Sagrada da Índia.

Sociedade divida em castas distintas, Brãhmana, ksatriya, Vaisya.

Brâman, é a suprema divindade, o Absoluto, é incognoscível pelo homem. Princípio incondicional de criação de toda a realidade. A própria realidade. Um princípio supremo que está para lá dos próprios deuses.

Trimúrti, é a tripla parte manifesta da divindade suprema. Como um ser limitado, o ser humano somente percebe três aspectos de Brâman. A trimurti é composta pelos três principais deuses do hinduismo: Brama, Vixnu e Xiva, que simbolizam respectivamente a criação, a conservação e a destruição.

Atman, o sujeito interior de tudo o que um indivíduo faz. Um unificador interior de todos os nossos comportamentos. Agente interno que coincide com o próprio Absoluto e que se tiver “despojado” lhe pode aceder.

Carlos Rodrigues

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Filosofia e Saudade

16. Eduardo Lourenço - "Tempo e Poesia"

A experiência do instante como alguma coisa que escapa ao tempo, que pertence ao eterno, ou melhor, algo que transcende tempo e eternidade - só o instante é real. Tempo e eternidade, passado e futuro esbatem-se no instante. O instante não tem história, nem projecto. O instante é inacessível a nós próprios, não se pode agarrar - agarrar é perdê-lo.

A saudade é esta ânsia de agarrar o inapreensível, o eminentemente fugaz. Inacessível e próxima. Enganam-se os que pretendem fazer da saudade algo de exclusivamente português. Existe sim, uma predisposição sensível para a apreensão da saudade.

Não podemos estar exilados de uma ideia de Paraíso, nós somos o Paraíso, portanto, não podemos sair de lá. Quanto mais procuro, mais me afasto. Não é na procura para fora, mas na procura para dentro que me devo buscar. A saudade é a reversão da própria busca.

Temos aqui uma Saudade tal como é definida por Pascoaes, mas fora de um espírito estritamente nacional. Só a experiência poética nos permite aceder a esta saudade ( e não a ciência, religião, filosofia...). A vitória real é a experiência poética. Na mais idealista das filosofias nós continuamos ainda prisioneiros do mundo. Só a forma poética é a libertação do mundo. Poesia é igual a Criação, anterior à experiência artística, ou à apreciação estética.

A experiência do tempo reduzido a um ponto só. Nós somos a grande imensidão.

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009

sábado, 29 de janeiro de 2011

Filosofia e Saudade

15. Eduardo Lourenço - "O Labirinto da Saudade"

O autor faz uma "Psicanálise Mítica do Destino Português":

- Nascimento milagroso de Portugal: "Quero estabelecer para mim um Império em ti e na tua descendência" (palavras de Cristo a Afonso Henriques a anteceder a batalha de Ourique). Portugal terá como destino fundar um Reino de Cristo que o padre António Vieira interpreta como o V Império (e último) sobre a Terra.

- Há um traço marcadamente providencialista na cultura portuguesa, ambivalente, marcada por uma fragilidade e protecção absoluta, um complexo de inferioridade e superioridade, uma relação irrealista que mantemos connosco próprios.

- Durante quase um século a Língua Portuguesa foi a Língua Franca no mundo, à semelhança do que foi o Latim, à semelhança do que é o Inglês.

- A fase do Sebastianismo representa a carência irrealista e tresloucada nacional. A nossa razão de ser passou a estar no passado, "quando nós fomos grandes".

- Com a "geração de 70" no séc. XIX, começa-se a questionar pela decadência e atraso do país que em termos de desenvolvimento jaz na cauda da Europa. Sucede-se o Saudosismo, misticismo nacionalista, uma leitura irrealista da nossa realidade, um patriotismo republicano que corrobora este cenário.

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009

sábado, 15 de janeiro de 2011

Filosofia e Saudade

14. José Marinho (1904-1975)-Teoria do Ser (1961)

. Um Absoluto que está para lá de toda a experiência da relação: não cria, nem é criado. Como a experiência de alguma coisa que é constante, vertical, sem princípio nem fim, sem nascimento nem morte. Uma visão universalista.

A Visão Unívoca - Os olhos com que se vê são os olhos com que se está cego. O Espírito ou a Visão Unívoca é de uma união e cisão simultânea - o uno que cinde e a cisão que une. A ambiguidade da Visão Unívoca como intrínseca à própria existência.


15. Eudoro de Sousa (1911-1987), Origem da Poesia e da Filosofia

. Os primeiros homens, os primitivos, caracterizavam-se por uma indistinção entre 3 planos: Divindade, Humanidade, Animalidade. Há uma expriência religiosa primordial em que não há nomeação. Os primeiros rituais não têm relação com o intelecto, mas sim com o corpo. A experiência primordial é dançante.

O Homem que procura mediações é um homem que está no plano do profano, que está ainda separado e que se quer religar. Valoriza-se essa maneira de ser do homem primitivo.

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filosofia e Saudade

12. Leonardo Coimbra (1883-1936) - O Criacionismo

Fundador e Professor da 1ª Faculdade de Letras do Porto. Formado em Matemática e Filosofia. Grande sensibilidade literária e poética. Deputado. Duas vezes Ministro da Educação.

Elabora uma hermenêutica sobre todos os pensadores seus contemporâneos (Antero, Bruno, Pascoaes, Junqueiro), mas afasta-se de todos eles.

O Criacionismo:
A realidade é sempre pensamento. A actividade mental vai determinando a realidade. A realidade está sempre a ser determinada. O espírito determina-se a si próprio na medida em que vai determinando a realidade.

Até 1923, tenta unir o pensamento libertário com o Criacionismo. Depois, aproxima-se cada vez mais do Cristianismo, até aderir ao catolicismo pouco tempo antes de morrer em acidente de viação. Passagem de livre pensador a cristão ortodoxo.

Nele, o Homem é fundamentalmente um ser saudoso: uma saudade imanente e transcendente. Uma nostalgia da realidade, onde o Amor é a nota de Unidade com Deus. Quanto mais Amor mais consciência. A matéria não é senão o soro do espírito. Há vários níveis de amor e de consciência.

O homem vive com saudade do Paraíso (o Mito do Génesis). É saudoso de um estado em que a sua consciência ainda não se tinha precipitado para a exterioridade e materialidade. Uma saudade metafísica.

Luis Santos

Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filosofia e Saudade

9. Junqueiro, Brandão e Pascoaes

Guerra Junqueiro (1850-1923), amigo de Sampaio Bruno e do pai de Teixeira de Pascoaes. É um dos pensadores da Portucalidade e uma referência para Pascoaes. Neste autor, Portugal surge associado à figura de Jesus Cristo...

Raul Brandão (1867-1930), amigo de Pascoaes, é o pensador da dor. É a dor que nos empurra para a frente. Só sofrendo se abre cada vez mais a consciência...

Teixeira de Pascoaes (1877-1952), o autor do Saudosismo, uma proposta de interpretação da Saudade. Um programa de acção para Portugal...


10. Renascença Portuguesa

Renascença Portuguesa foi um movimento cultural português surgido em 1912 no Porto que se manteve activo durante o primeiro quartel do século XX. O movimento tinha subjacente um ideal nacionalista ligado, no plano literário e filosófico, ao neo-garrettismo e a um sebastianismo quase messiânico. Enquanto agrupamento de acção sócio-cultural, a Renascença Portuguesa desenvolveu uma notável actividade, com aspectos originais, obedecendo ao propósito de "dar conteúdo renovador e fecundo à revolução republicana" (Jaime Cortesão). Teve como principal mentor, sobretudo até 1916, Teixeira de Pascoaes, com a sua teoria do saudosismo e, numa segunda fase, Leonardo Coimbra. Tinha como órgão a revista A Águia — Órgão da Renascença Portuguesa, publicado no Porto de 1910 a 1932, e o quinzenário Vida Portuguesa.

As coordenadas para a fundação do movimento foram definidos em reuniões realizadas em Coimbra a 27 de Agosto de 1911 e em Lisboa a 17 de Setembro 1911, tendo o processo sido liderado por Jaime Zuzarte Cortesão, Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra e Álvaro Pinto.

Na Revista A Águia, colaboraram para além dos fundadores, Mário Beirão, António Correia de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro.

Luis Santos

Referências Bibliográficas:
- Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
- Wikipédia, Enciclopédia Livre

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

8. Sampaio Bruno (1857-1915)

Nós vivemos num mundo, onde se parte do Mal, da fealdade, do erro. O pecado original é de Deus, não do homem. Existência é dor, padecimento. Estado normal é doença.

A Saudade é o movimento em que tudo participa para uma reabsorção em Deus. A partir de uma diferenciação inicial, há sempre desejo de regresso. A vontade de viver destina-se ao regresso à consciência pura, à unidade primordial.

Adepto de um vegetarianismo que pudesse até poupar as plantas - alimentção química. Não matar para viver. As alterações psico-fisiológicas trariam um Super-Homem no futuro.

O Homem está no mundo para procurar a evolução de si e de todas as coisas. A alma embora não se possa conhecer plenamente, sempre se pode ir conhecendo mais um pouco.

Crítico de todas as ideias antropocêntricas, não vê a Humanidade como o fim último da criação

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
- Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
- Sampaio Bruno, A Ideia de Deus, 1902

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

7. Antero de Quental (1842-1890)

7.1. A Ideia de Deus em Antero

Há um Deus misterioso que só parcelarmente se revela a quem o quer estudar:
Sócrates - Dentro do homem está um Deus desconhecido
Cristo - Dentro do homem está o Reino dos Céus
Lutero - Dentro do homem está Deus. O Homem é um Deus que se ignora.
Robespierre - Revelação de Deus através de valores humanistas.
Hegel - Revelação de Deus através da ideia.
Moisés, Maomé, Cristo - Profetas que revelam Deus, mas todos revelam apenas um aspecto parcelar do Absoluto

O homem, ele próprio, está mais perto do divino do que as formas através das quais O representa. Em vez de procurar Deus nos céus, o homem deve procurá-lo no seu interior.

A Existência humana é privilegiada porque é nela que mais se manifesta a essência divina. A Saudade é uma aspiração a uma relação mais plena com o deus desconhecido que cada um trás em si.

No fundo da consciência está aquilo que procuramos fora. Dormitando, em movimento mudo, mas murmurando sempre. Jeová, Brama, Sabaoth, Alá, Cristo. O homem não deseja mais do que aquilo que já há em si.

A santificação é a plena realização do indivíduo. É um Deus que se revela permanentemente, como se fosse um progresso constante, sem que nunca mais esse progresso acabe. O homem como o descobridor dos mundos encobertos do espírito.

As revoluções, os cultos, os mitos, tudo são apenas manifestações do princípio interior essencial. Civilizações e Impérios se fazem para sermos Homem um pouco mais.

in, Antero de Quental, Filosofia, Univ. dos Açores: Editorial Comunicação.


7.2. O materialismo idealista de Antero de Quental

A Filosofia é eterna, tal como o pensamento humano. Uma potência infinita e um acto limitado.

Divino e real ao mesmo tempo, o Universo manifesta a si próprio a sua essência prodigiosa, desde as forças elementares e puramente mecânicas, ao instinto que sonha, à inteligência que observa e compara, à razão que ordena, ao sentimento que fecunda, até à contemplação e virtude dos sábios e santos.

O acesso à libertação é atingido por um esforço de santificação. Do investimento que cada homem individual fizer depende a sua evolução. O animal evolui necessariamente, mas o homem pode regredir.

A união da alma com Deus é, simplesmente, a chegada do eu à sua plena realização.

in, Antero de Quental, As Tendências Gerais da Filosofia na 2ª metade do século XIX.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Filosofia e Saudade

5. Agostinho da Cruz (1540-1619)

Vivia na corte.
Decide renunciar a tudo e entra para a Ordem Monástica do Convento dos Capuchos, em Sintra. Viveu ermitariamente no Convento da Serra da Arrábida, os últimos 15 anos de vida (1604-1619).

Renúncia ao mundo. Busca dos lugares ermos, dos lugares saudosos. Isolando-se do convívio humano acede-se com mais facilidade aos desígnios divinos. Saudade vertical.

Harmonizada a dualidade entre os contrários pela quietação, o pensamento é anulado: a morte em vida, a união com Deus, conforme a mística cristã.

Para Agostinho da Cruz, só morrendo para o mundo dos homens é possível a libertação:

"Assi com cousas mudas conversando
Com mais quietação dellas aprendo
Que outras que ha, ensinar querem fallando".(in, Agostinho da Cruz, Segredos e Elegias, Ed. Hiena.)


6. Padre António Vieira (1608-1697)

Na interpretação de Vieira, a partir da profecia bíblica de Daniel, o V Império é a implantação do futuro reino de Cristo na Terra. Os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos.

Isso acontecerá quando todos os homens viverem Deus em espírito dentro de si, numa era de globalização ético-religiosa.

A grande vocação de Portugal é ser mediador dessa globalização espiritualista do mundo.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)

domingo, 24 de outubro de 2010

Filosofia e Saudade

4. Luís Vaz de Camões (1524?-1580)

"Conforme o amor que tiverdes, assim o entendimento dos meus versos."

Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.

Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.

A Mulher, o Amor e a Saudade são temas em destaque na poesia camoneana.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)