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domingo, 18 de agosto de 2013

 
 
 
 
 
COMO UM RIO QUE CORRE
Fui no outro dia ver o filme a Gaiola Dourada e gostei.
Gostei porque, em minha opinião, sem ser um ggggggggrande filme (nem tal pretendendo), acaba por mostrar um pouco daquilo que mais genuinamente somos.
Como um rio que corre apertado entre montanhas que o tolhem e apertam obriga-se, o rio, a comprimir-se (como que fechando-se sobre si próprio) até por fim  conseguir soltar-se e espraiar-se para, no alagamento, fecundar a terra para a sementeira que se precisa fazer, também assim são, porventura, os portugueses, nós.
Constantemente comparados e depreciados a outros que supostamente nos estarão “à frente” e serão superiores, reféns de uma auto-estima enfraquecida, amputada  por quem sempre de nós se aproveitou sem nunca nos representar com a dignidade que nos é devida pela história que soubemos construir, sente-se o português acabrunhado na incerteza que a sua timidez lhe impõe, suspende o vôo que a alma lhe pede, adiando a manifestação da sua natureza profunda. Mas como semente que germina e porque o que tem de ser tem muita força, impelido por uma força estranha e instintiva acaba sempre por se elevar à altura do seu destino, onde finalmente se realiza naquilo que mais naturalmente é: um fazedor de pontes, ligador de mundos que, num permanente deslumbre vai deslumbrando e, assim, seduzir, harmonizar, pertencer.

 
Foto: Isa Ferreira; Texto: M. J. Croca