No Canto IX dos Lusíadas, Ilha dos Amores, «Camões dá este conselho pedagógico aos portugueses: os meus amigos, se querem alcançar o Céu na terra, tratem do seu navio, mantendo-o em ordem, com disciplina a bordo, porque um dia a Ilha dos Amores aparece».

Agostinho da Silva


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Histórias por Contar"






ANIMAÇÃO DO LIVRO E DA LEITURA
“Histórias por Contar”
Seminário de Design, Desenvolvimento e Avaliação de Projetos

DAR VOZ AO SILÊNCIO

Começar pelos obrigatórios agradecimentos:
- à Professora Carla Cibele, pelo convite para apresentação deste livro
- aos Professores Luciano Pereira e Carlos Xavier, por terem aceitado também dar um pouco mais de Voz ao Silêncio
- a todos, pela vossa presença

Dizer, antes de mais, que nos reconhecemos inteiramente  neste seminário sobre “Animação do Livro e da Leitura”, título que dá nome a um Projeto que se tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos dois anos letivos, no 2º ano do Curso de Animação, já que a unidade curricular de Seminário de Investigação e de Projeto (SIP), cuja equipa de docentes integro, tem participado nele de forma ativa, conjuntamente com a equipa que leciona a “uc” de Design, Desenvolvimento e Avaliação de Projetos que, coordenada pela Professora Carla Cibele, organiza este seminário.
Neste sentido, não deixarei de relembrar as Professoras Catarina Delgado e Marisa Quaresma que comigo constituem a equipa de SIP, mas também do Professor Fernando Almeida que é o seu Professor Responsável.

Muito feliz o título do seminário “Histórias por Contar”, porque para além do mais, saiu de uma graciosa proposta dos alunos, como nos foi revelado numa das nossas aulas. Então, é justamente ao que nos propomos, contar brevemente a história devida deste livro “Dar Voz ao Silêncio”, sobretudo, sobre o que nele não se diz.

Um livro de poemas, relativamente pequeno, que até teve de ser esticado nos arrumos gráficos, que não na substância, porque o editor quando lhe chegou a primeira versão disse que não publicava livros com menos de 40 páginas. E aqui, ao que cremos, uma primeira revelação assumida pelo próprio livro, ao obrigar-nos, ele próprio, a sair a público sob o signo do  “quarenta”, cujo significado, entre outros, nos remete imediatamente para o período da “quaresma”, ou “quadragésima”, o período de quarenta dias que antecede a Páscoa, se excluirmos a semana santa, que foi o tempo a que o autor se obrigou para o escrever, durante este mesmo ano de 2018. Efetivamente, o livro relata uma viagem vivenciada poeticamente pelo autor, num período que se estendeu entre o Carnaval e o Domingo de Páscoa, do corrente ano.

Um livro de poemas que igualmente se revela como “um libreto”, cujo subtítulo “Música de Palavras” o anuncia. De facto, toda a estrutura do livro se desenvolve como se de uma sinfonia se tratasse. Só lhe falta mesmo o compositor e o maestro, porque nós de música, de facto, percebemos muito pouco. É verdade que, neste nosso jeito meio acanhado para a poesia, alguns anos atrás, escrevemos e musicámos um número razoável de canções, quando aprendemos a dedilhar alguns acordes na guitarra, mas não foi mais do que coisa fugaz. Os amigos músicos é que foram sempre muitos, e a prová-lo cá está mais um, o colega e amigo Carlos Xavier com a sua reconhecida mestria, que aproveitamos para, em público, parabenizar pelo seu último belíssimo trabalho nos “Passione”, trio musical do qual faz parte.

Um livro de poemas que embora pequeno na sua dimensão é de um livro de chegada que se trata. Quer dizer, um livro que transforma a Filosofia em poesia, relembrando da importante dimensão que, nos últimos anos, a Filosofia assumiu no nosso percurso académico, mas aqui, cremos, sem a demorada carga filosófica das palavras.

Um livro que é dedicado ao nosso planeta, à mãe Terra, e à lembrança da necessidade que temos de a poupar a desgastes inúteis. Afinal, uma viagem em forma de poesia, com permanente música de fundo, que assenta, sobretudo, numa tensão entre espiritualidades várias, que misturam o ocidente com o oriente, sejam pagãs ou cristãs, védicas ou budistas, e, aqui, sem que se deixe de lembrar os balanços do mar que vencemos, o que nos permitiu alargar horizontes, e consciência, com as nossas múltiplas idas expansionistas  ao Brasil, à Índia, ao Japão. Como resultado, esta enorme herança que temos entre mãos que é a da representatividade da Língua Portuguesa, que assim, como sabemos, se tornou numa das mais faladas no mundo, entre centenas de outras.

E por referenciarmos a nossa Língua, acabámos por nos lembrar da terna expressão de Fernando Pessoa, de que “a minha pátria é a Língua Portuguesa”, sendo que é igualmente, a partir de provocação sua, feita na última estrofe do seu livro “Mensagem”, e cito: “Ninguém sabe que coisa quer. / Ninguém conhece que alma tem, / Nem o que o é mal nem o que é bem. / (Que ânsia distante perto chora?) / Tudo é incerto e derradeiro. / Tudo é disperso, nada é inteiro. / Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”, e é a partir daqui, diziamos, que nós chegamos ao fim do nosso livrinho, que é simultaneamente a sua ideia de partida, onde, de alguma forma, reafirmamos com Pessoa: “Tudo é aqui e agora, é esta a hora”.

Muito obrigado.
28.11.2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Fim-de-semana de repouso cheio de leituras e jornais. 
Estava a precisar de um descanso assim. 


Esta tarde fizemos um passeio de varino pelo Tejo que chegou ao Rosário, de onde partira duas horas antes. 
Até parece que estamos de férias. 



E ao fim da tarde assisti à vitória do Benfica sobre o Porto na final da Taça de Portugal. 


Dois a um, num jogo emotivo e com alguns bons lances de futebol em que os encarnados jogaram à campeões e provaram que são melhores e, por isso, justos vencedores. 

Como há oito anos que não se conhecia a alegria de qualquer título, hoje é um dia de festa. 

E há uma curiosidade em torno das águias e destes diários. 
Tenho a sensação que se o primeiro registou o último campeonato ganho por este grande clube, este volume que findará a série, marcará o regresso do Glorioso às grandes vitórias. 



Lê-se e não se acredita, tão atroz é o retrato da realidade, melhor será dizendo, sórdida realidade em torno dos tentáculos pedófilos que se abateram sobre as crianças da Casa Pia. 

Afinal, há muito que teria sido razoavelmente fácil para as autoridades neutralizarem tais actividades criminosas e prenderem e levarem a julgamento os culpados. (1) 

Há uma lágrima no céu por tanta inocência vilipendiada. 



Arqueólogos polacos e egípcios descobriram a localização da antiga biblioteca de Alexandria. 



Há greve dos médicos da maternidade Alfredo da Costa. Pretendem impedir a saída de especialistas e o pagamento das horas extraordinárias. 
A saúde vai de mal a pior. 
E quem paga é o mais pobre. 


Alhos Vedros 
  16/05/2004 


NOTA 

(1) Cabrita, Felícia, OS MORTOS TAMBÉM FALAM, pp. 26 e ss 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Cabrita, Felícia, OS MORTOS TAMBÉM FALAM, In “Grande Reportagem”, Ano XV, 3ª. Série, de 15/05/2004

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (331)


A turma dos Peanuts

Charles Monroe Schulz nasceu em Mineápolis, 26 de Novembro de 1922 e morreu em Santa Rosa a 12 de Fevereiro de 2000. Era filho de Dena Schulz, uma dona de casa, e Carl Schulz, um barbeiro alemão. Cresceu na cidade de Saint Paul, capital de Minnesota.
Schulz estudou na escola de educação primária Richard Gordon de Saint Paul. Era um adolescente tímido e solitário, talvez por ser o mais jovem de sua classe na Central High School. Depois da morte da sua mãe, em Fevereiro de 1943, alistou-se no Exército dos Estados Unidos, sendo enviado ao Acampamento Campbell, em Kentucky. Dois anos depois foi para a Europa lutar na Segunda Guerra Mundial como líder da esquadra de infantaria da 20º Divisão Blindada dos Estados Unidos. Depois de deixar o exército em 1945, começou a trabalhar como professor de arte na Art Instruction Inc.

Os desenhos de Schulz foram publicados pela primeira vez por Robert Ripley em sua coluna Ripley's Believe It or Not!. Suas primeiras tiras cómicas regulares, Li'l Folks, foram publicados entre 1947 e 1949 por St. Paul Pioneer Press. Esta vinheta também tinha um cachorro, de aspecto bastante semelhante ao Snoopy. Em 1948, Schulz vendeu a sua história ao Saturday Evening Post.

in Wikipédia

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 24 de novembro de 2018

Seminário "Histórias por Contar"

ESE/IPS | 28 novembro 2018 | 9h-17h


No próximo dia 28 de novembro de 2018 decorre na ESE/IPS o seminário Histórias por Contar, organizado pelo 2º ano da licenciatura em Animação e Intervenção Sociocultural, no âmbito da unidade curricular Design, Desenvolvimento e Avaliação de Projetos. 

Este seminário insere-se num conjunto de iniciativas que temos vindo a construir na Escola Superior de Educação de Setúbal no sentido de incentivar a comunicação enquanto competência transversal e, em particular, o gosto pelas narrativas orais, escritas, visuais e/ ou artísticas, considerando que esta deve ser uma das maiores aquisições do processo de desenvolvimento intelectual do ser humano e a base de uma formação consistente, onde a análise e argumentação crítica da informação e recursos culturais seja uma realidade. Parece-nos necessário construir uma comunidade leitora, usando essa designação num sentido mais amplo do que é habitual, pois trata-se de ler de múltiplos modos, em variados suportes, numa diversidade de lugares, em interação presencial e/ou virtual com outros. O seminário representa uma oportunidade para a aquisição de conhecimentos e competências nesta área das múltiplas literacias, evidenciando práticas, experiências e projetos relevantes, tendo como destinatários a comunidade educativa, especialmente estudantes do ensino secundário e do ensino superior nas áreas das Ciências Sociais, Educação e Animação Sociocultural. 

As inscrições são gratuitas mas obrigatórias, em https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScqqxjOhNZp-ddUBRYdIxEq0_AO9Li-QaldJ1cMQrTT3zDXvA/viewform  

Poderá consultar: 

Programa 
Cartaz 





terça-feira, 20 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Ontem, dia em que os alunos aprenderam o número quinze sobre o qual fizeram exercícios e fichas, com contas e cópias e jogos de conjuntos, o pai e a mãe tiveram uma noite de namorico e foram ao teatro. 

É assim, pais felizes e satisfeitos educam melhor os filhos. 

Vimos uma peça, “Intimidade Indecente”, com dois actores brasileiros que, na hora e meia que estiveram em palco, conseguiram criar um ritmo agradável e uma fluência no diálogo que nos prenderam a atenção para um texto claramente escutado e que, num misto de humor com dramáticos momentos de tristeza, nos convida a pensar na complexidade dessa tarefa sem livro de instruções que é criar uma vida a dois e, com ela, uma família. 

Foi um belo serão que passamos na companhia da Teresa e do João que festejavam o aniversário dela.

E a noite de Primavera que convidava ao passeio. 



Hoje os alunos, para além das aulas de música e de educação moral e religiosa, aprenderam a palavra girafa, em função da qual trouxeram trabalho para casa. 



Nota negativa foi a indisposição da Tia Engrácia que a empurrou para o hospital onde teve que fazer exames e análises. 
Tudo indica que se trata de um nervo doente. 

Vamos todos torcer para que a tia melhore pelo que, para já, vamos levá-la a especialistas que lhe encontrem um paliativo. 



Continua o ruído em torno da tortura de presos iraquianos que, moral e eticamente, é inaceitável. 

Mas não podemos fazer disso a prova de que os aliados são simples agressores e muito menos deixar que isso esconda a importância desta batalha que no Iraque se trava contra o terrorismo da Al-Qaeda e afins. 
A equivalência que se pretende criar, a partir daí, entre o exército norte-americano e os serviços policiais do anterior regime de Saddam Hussein ou de outros totalitarismos, é pura e simplesmente desonestidade intelectual. 



A noite repete-se com o ameno de uma brisa que, de tão leve, deixa as folhas das árvores em silêncio.

Os grilos regressaram em força, cheios de conversas ruidosas. 


 Alhos Vedros 
  14/05/2004

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (330)


Autor: Iberê Camargo,Título: Mulher e Gato, 1984
Técnica: Acrílico e óleo sobre tela

Dimensões: 55 x 78 cm

Iberê Camargo nasceu Em Restinga Seca a 18 de Novembro de 1914 e morreu em Porto Alegre a 9 de Agosto de 1994.
Muito novo, sai para estudar. Cinco anos depois, inicia sua educação artística na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tem aulas de pintura com Frederico Lobe e Salvador Parlagreco. O ensino é académico e consiste na cópia de reproduções retiradas de revistas. Em 1929, Iberê se desentende com o professor de letras, interrompe o aprendizado e volta a morar com a família. Aos 18 anos, emprega-se como aprendiz no Batalhão Ferroviário. Passa para o posto de desenhista técnico, aprende geometria e perspectiva. Permanece no cargo até 1936, quando retoma os estudos em Porto Alegre e ingressa no curso técnico de arquitetura do Instituto de Belas Artes, com orientação do professor Fahrion.
Disse ele da sua obra: Alguém falou que a minha obra também era vida. Não sei quem fez esta referência; alguém disse que fazia pensar na pintura e na vida. Na realidade, a pintura para mim é a razão de ser. Acho que se não pintasse, nada teria sentido para mim.

In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.

Selecção de António Tapadinhas



sábado, 17 de novembro de 2018

Portugueses do Sri Lanka


Sim, no Sri Lanka há uma comunidade de luso-descendentes que, tendo a sua própria língua a que chamam «português do Sri Lanka», foram o sinal da paz durante a guerra civil que assolou aquele país e o próprio General que fez cessar o conflito chama-se Sarath Fonseka.

Com um grande sentido de lusitanidade, pretendem agora enviar um grupo a Portugal para exibirem algumas facetas da sua Cultura e, para o efeito, pedem-me que divulgue a mensagem que segue:

 
https://igg.me/at/O0BErWwXxRY/x/19744512

Pela grandeza da cultura portuguesa em todos os seus matizes e sotaques,

Henrique Salles da Fonseca

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa


1.

“Flutuo Assaz Vazio Após A Pesagem Da Ânima Na Balança Egípcia Das Almas”

Flutuo dentro de um corpo que não me deixa fugir
Estrebucho com o bucho cheio de expectativas vazias
Mastigo a bucha com algo de holístico no interior
Reviro e estico o estômago revolto e sem vontade
Na cabeça tenho encerrada uma caixa de surpresas

Desencanto a cantar um canto obscuro na aura
Pinto o que posso com pintas e listras axadrezadas
Remeto-me a um medonho silêncio assaz singelo
Tremo anda mais que as varas verdes à beira do nada
Tenho um medo terrível de cair no fundo do precipício

Ao invés de entrar no cortiço pela porta subo pelo cano
Rompo com o passado como se não tivesse futuro
Fecho o melhor que posso o punho semi-erguido
Escapo de ser um infinito arguido no caso existencial
Junto-me ingenuamente a pseudo eruditos encalacrados

Enrolo-me tanto que mais pareço um caracol lento na casca
Assemelho-me em incertas ocasiões a um ouriço encabulado
Recolho todos os cestos de ovos ouro que posso onde passo
Trago alguns precariamente pendurados nos lábios doridos
As fantasias alimentam-me ainda os desejos e as ilusões …

Remeto-me de vez a apreciar os hologramas e a pesar-lhes a Ânima nas balanças egípcias das Almas…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 10 de Novembro de 2018, em vésperas das Comemorações da Data da Independência de Angola em 1975…

“Viva Angola Independente e que, seja esta nossa Nação Angolana, uma Terra virada em pleno para o Mundo e para a Prática Aberta do Modernismo, para o Ensino Cientifico, Académico de Topo e Tecnológico, e que seja, de ora avante, um Nação de plena Economia de Mercado Livre, e onde todos os de Boa Vontade e que desejem Investir com Segurança e em Liberdade, sejam aceites e recebidos de braços abertos e com o carinho e receptividade próprias ao/do Povo Angolano…”

“Tenho um pavôr terrível das ditas “justiças” julgadas pelas ordens impostas da falácia e da pseudo-mentira, sobretudo, de algumas Regiões ou Terra que, por esse Mundo a fora, se dizem institucionais, mas que porém, nunca o foram e jamais o serão!…”


2.

“Do Ocidente Da Vida Enigmática Para O Destino Predestinado Da Rota Para Oriente…”

Não estou para me chatear com buracos negros que não vejo
Olho para o chão em busca da inocência perdida há muito
Por baixo de mim passam as águas revoltas duma vida
Procuro num palheiro a razão de ter tanta fome
Enfio-me num táxi da Uber em andamento

Regateio na rua por preços muito mais baixos que o habitual
Jogam-me como resposta tomates e ovos podres à boca
Tento abrir os olhos o melhor que posso a meio disso
Hei-de usar óculos de sol e de chuva na próxima
Fecho as mãos protectoras em concha oval

Rebento aos gritos das profundezas enquanto exploro gemas
Oriento-me pelo intenso brilho de pedras e terras raras
Vou de braço-em-braço numa dança bolchevique
Arrumo a mala de cartão e parto de seguida
Viajo mental e fisicamente para o além

Regresso a mim e à consciência muito antes da véspera de Natal
Venho a tempo de poder provar uma fatia tenra de Bolo-Rei
Molho as filhós no molho de vinho do Porto envelhecido
Embebeço-me meio babado pela camisa de cetim
Entorno a sôpa-da-pedra na fatiota meio rôta…

Sei que me desdobro em esforços vãos no seio da rota para o Oriente indo para lá nas calmas…

Escrito em Luanda, Angola, a 9 de Novembro de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Alusão aos Povos de todo o Mundo, em prole de um Vida Comum em Compaixão e em Paz plenas…

“À verdadeira União dos Povos do Planeta Terra em Evolução Conjunta e sem guerras ou fronteiras delimitadas ou condicionalismos …”


3.

“Estático Entre Suspeições De Teses Ou Teorias Tubulares De Juízos Inflexíveis” 

Suspeito que não hajam nem teses e nem teorias maiores
Imagino fantasias fantásticas menores num banho de imersão
Emerjo as mãos no azeite puro a pensar na virgindade daquele

Endireito-me melhor dentro de um tubo curto flexível
Fabrico imagens com as antecâmeras ópticas de ambas as iris
Concentro-me de olhar enigmático nos olhos hipnóticos de outrem

Empertigo-me todo para conseguir esticar-me até ao tecto
Toco nas partes ôcas do dito juízo unânime com um eco medonho
Assusta-me o circunstancial facto de pouco conhecer aquilo que já lá vai

Levanto a poeira revelando os verbos presentes e passados
Arranco deveras carrancudo as fundações da originalidade gasta
Rompo as cortinas das brumas misteriosas antes delas tocarem o chão

Revolvo e reviro a consciência de patas para o rarefeito ar
Arranjo-me conforme posso a tentar chegar à corda que me elevará
Prego-me de cabeça para baixo sem necessidade da utilização do martelo

Inclino o linguarejar da língua afiada mais para a direita
Recorro ao discurso directo para endireitar frases descabidas
Resolvo ficar quieto enquanto o resto do Mundo mexe à minha volta…

Quase paraliso e fico estático quiçá eternamente perante o tamanho da paliçada entre mim e Deus…

Escrito por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 7 de Novembro de 2018, em Luanda, Angola, em Homenagem aos que Sofrem e Padecem um pouco por todo o Mundo, seja com guerras injustas e sem qualquer razão plausível, quer por miséria, exploração, ou por carência de higiene, forme ou falta de saúde em condições ou ainda, mesmo, por ausência de educação e outros meios requeridos e minimamente suficientes para a sobrevivência do/no dia-a-dia das Sociedades Humanas várias…
4.

“Atravesso O Tempo Unidimensional Encavalitado Num Obscuro Erro Crasso Reflexo”

Encavalito-me no provável cavalo errado
Participo em corridas com o início no fim
Paro para olhar para a minha retaguarda ôca
Custa-me a encontrar um sentido a onde ir
Deparo com impenetráveis paredes no meio

Esburaco a passagem e escavo tuneis
Atravesso as dimensões tridimensionais
Vivo vidrado pelos reflexos das vitrinas
Encandeio-me com as janelas das fachadas
Grito sem razão para produzir um eco vazio

Peço socorro no seio da escuridão opaca
Apalpo a existência rodeado do obscuro
Ignoro o quanto falta para o resto do tempo
Alargo a margem e o espaço reduzido a nada
Visualizo visões que não me levam a lado nenhum

Perco-me aos ziguezagues por entre palavras
Abraço o verbo com força tal que fraquejo
Trago há muito um destino predestinado
Torno-me ainda mais cego que antes disto
Revejo os pensamentos de todas as eras…

Retiro a tampa da moleirinha para arejar e sentir as estrelas…

Escrito a 6 de Novembro de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola…
A todos aqueles e aquelas que teimam em aprender a falar variadas Línguas Internacionais ou Extranacionais, para alem das Nativas ou Originais, alimentando assim a mente de um Pensamento Cosmopolita Mental Multicultural e Multinacional, recomendado nos dias de hoje a todos os Seres Humanos que se dignam ou primam pela intercomunicação e internacionalização profissional e académica e pelo cruzamento globalista de relações Humanas…

“Viva o Espirito Uno e Multidimensional da Humanidade Globalista e Moderna…”

“Pelo Paradigma permanente da Evolutivo da Multinacionalidade e pela Unidade e Multidiversidade Cultural Humana…”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A democracia começa no estado de direito, necessariamente laico. Depois é a liberdade de escolhermos os governantes e os legisladores, a quem aqueles devem prestar contas e ainda de pacificamente os desalojarmos do poder o que, para ser possível, implica as liberdades de pensamento e expressão e de imprensa, mas também a separação dos poderes.
Quando estes princípios se incorporam na idiossincrasia de um povo e este, pelo uso das liberdades económicas, cria um tecido social justo em equilíbrio de riqueza e de possibilidades de mobilidade em poder de compra e qualidade de vida, criamos uma sociedade democrática.
A democracia é o melhor dos regimes.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (329)

Veneza, Paul Signac, 1908Óleo sobre Tela

O pintor Francês Paulo Victor Jules, conhecido como Paul Signac nasceu no dia 11 de Novembro de 1863 em Paris e faleceu no dia 15 de Agosto de 1935 em Paris. Foi um artista de grande importância na sua época, pois junto com o pintor Georges Seurat criaram e desenvolveram o divisionismo ou também chamado pontilhismo, que foi muito utilizado por outros pintores.

Selecção de António Tapadinhas

domingo, 11 de novembro de 2018

37º Poema a I. - José Gil


DO DOCE DE ABÓBORA COM ROMÃS

Deito-me no leito do teu fado
Como uma romã rosa
Como comer o céu
Como comer as estrelas

a abobara em doce  do meu mel escrito
no cabedal das calças 
bem rente à chuva de saudade
espera-me na Damaia

do doce que prepares de abóbora
eu deito as romãs

Ontem fugimos do temporal intenso
Que se prolongou pela madrugada
Em Praias do Sado 9h o sol nasceu e
avançou na guitarra da frente
onde treinas
os carris do comboio que acorda
para Lisboa,
tenho dedos longos de viola
do teu peito
onde vou bordando o sentimento
do pequeno fole emotivo do
acordéon
dos abraços da amizade
no oceano
esqueço as flores das ilusões
como uma cantiga antiga
sei que as tuas costas de tristeza
contam histórias de cavalos e asas
na tua concha do Outono
nos ombros ainda não estão as
tatuagens dos pesadelos
tu és o meu lugar de segunda feira
desenhos tribais no pescoço para eu beijar
e nas pernas
o lugar da lima e da água
não estão claras as bagas de mirtilos
no umbigo
vamos anda  pelo sol das muralhas do Aqueduto
Aguas Livres que
tocam-me de manhã o violino
da vida num só corpo
finisterra
amo-te quando chegas perto em "concha",
vibro por um rio novo o Sado digital
uma maré azul com um largo de palavras
e uma flauta grossa
para te tocar,
para tocares ao largo,
vivam as nuvens rosa
a maré baixa para
vivermos num outro lugar
amo-te, o amor
veste-me junto aos teus seios onde tudo
começa seremos rosa
na concha mais branca da vitória,
terás o poema claro e brilhante
dá um passo no meu umbigo
e dança se chegar a musica
e o silêncio, toco-te,
no movimento criativo
na música e na
dança livre

Praias do Sado
9;43h
5-121-2018

José Gil

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A MATILDE GOSTA DE FUTEBOL

Por incrível que pareça, a Matilde gosta de futebol do qual já conhece algumas regras e compreende o objectivo. 

 Ainda esta manhã, quando cheguei à porta da escola, como é habitual, para a esperar e junto rumarmos ao sempre animado almoço, lá estava ela, toda sorrisos e brilhos no olhar, gozando as delícias do segundo recreio em que, para surpresa minha, foi convidada para participar num jogo de futebol com os colegas. E eu não consegui deixar de rir quando a vi fazer um lançamento lateral com a máxima das correcções e, mais adiante, num lance corrido em que ela desarmou um miúdo com um pontapé certeiro na bola. 

Eu sei que este passatempo não é raro nos recreios do meu pardalito. Mas ainda não tinha visto a habilidade da garota. 


Pois é devido a esta preferência que hoje pouco mais tenho a dizer. 
Dia absorvente, depois de ontem ter perdido quatro horas numa reunião que terminou com a marcação de uma segunda ronda, mal tive tempo para apreciar o brilho das cores das árvores e do céu de nuvens rolantes que jornais, notícias ou conversetas de café, nem espaço tiveram para surgir na agenda. 

Chegado a casa, ocupei-me com a promessa de organizar um joguinho de futebol com bonecos que me fez delirar ao longo da idade dos calções. 
Será que vou transmitir este legado a esta minha filha? 
Seria uma curiosidade engraçada. 

Mas a verdade é que passei toda a noite a reunir potenciais jogadores que dividi, de acordo com as diferentes colorações, em mais de uma dezena de equipas. 

E agora já passa da meia-noite. 



Basicamente, a aula desta manhã repetiu a de ontem; nos exercícios da escrita, teve de diferente o treino das sílabas. 



Bem, amanhã será um dia longo. 


 Alhos Vedros 
  12/05/2004

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL...(328)

Moonlight, Washington Allston
Óleo sobre Tela, 63,8 x 90,8 cm


Washington Allston, nasceu em Charleston, USA, a 5 de Novembro de 1779  e faleceu em Cambridge, Inglaterra, a 9 de Julho de 1843.

Considerado o primeiro pintor de paisagens americano, introduziu nos Estados Unidos o movimento artístico denominado romantismo. Aos 21 anos gradua-se pela Universidade de Harvard. Vendeu seu patrimonio para estudar pintura em Londres. Na Academia Real, estudou sob a orientação de Benjamim West. Viajou pela Europa e em sua permanência na Itália ficou conhecido como "Ticiano americano" devido as suas composições cromáticas. Com frequência viajou de um continente para outro. Em uma dessas viagens a Europa, Allston levou um de seus alunos, Samuel F.B.Morse, que mais tarde inventou o telégrafo e o código morse. Sua pintura muitas vezes combinava forma clássica e o romantismo e às vezes lembravam sonhos. Escreveu ensaios que revelavam seus pontos de vista sobre o assunto.

in. Wikipedia


Selecção de António Tapadinhas

domingo, 4 de novembro de 2018

Chuva de Luz



Chuva de Luz sobre o Tejo, e mais além...

Fotografia de Lucas Rosa

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

EG 105



ESTUDO GERAL
out/nov     2018           Nº105

"De que árvore florida chega? Não sei.
Mas é seu perfume.”  
(Matso Basho)

Sumário

Photopoema
Absolutamente
real...irreal...surreal
O Diário da Matilde
recém-nascido
Antídoto (vídeo clip)


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------