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domingo, 17 de março de 2024

Paulo Borges, curso online

 


E se tudo fosse uma Presença luminosa, sem princípio nem fim, aquilo a que uns chamam Buda, outros "Deus", outros "Tao", ouyros "Brahman" e outros o que não tem nome?

E se a tua essência, tal como a de tudo quanto existe, nada fosse senão esta mesma Presença infinita, consciente e amorosa, livre de nascimento e morte?

E se o que chamas “eu” não fosse senão a máscara desta Presença, que num sentido a manifesta e noutro a encobre?

E se toda a tua vida, bem como a vida do universo e de todos os seres, nada fosse senão a manifestação contínua desta Presença?

E se tudo o que experiencias, gratificante ou doloroso, não fossem senão oportunidades para reconheceres quem verdadeiramente és?

E se tudo o que mais procuras – liberdade, felicidade, conhecimento, amor, beleza, poder, riqueza, realização – não fossem senão qualidades desta Presença que é a verdade mais funda de ti e de tudo?

E se o sentido último e supremo da tua vida e do cosmos fosse descobrires e realizares isto, para assim ajudares os outros a cumprirem-se plenamente?

E se tudo isto fosse o Tesouro que és e ignoras, enquanto estiveres a dormir e sonhar que não és desde sempre a plenitude que procuras?

E se desde tempos imemoriais até hoje muitos seres humanos, mulheres e homens como tu, houvessem despertado e, movidos por amor e compaixão, tivessem deixado mensagens e instruções claras sobre como podes também despertar do sono e do esquecimento para a fruição da Preciosa Jóia em ti escondida?

sábado, 17 de dezembro de 2022

Academia Agostinho da Silva

Nem tudo vale o mesmo. Há o que promove o pleno desenvolvimento humano, pessoal e comunitário, e o que apenas satisfaz os interesses e desejos de ilusão, preservação e engrandecimento dos egos individuais e colectivos. Há exemplos de vida virtuosa, posta ao serviço do bem dos humanos e de todos os seres, e exemplos de vida pequenina, serva do aumento do próprio umbigo, individual ou colectivo. Uma sociedade e civilização que entroniza e idolatra os heróis da competição e do sucesso exterior- seja empresarial, político, artístico, literário, académico ou desportivo - está em profunda decadência e arrasta consigo os mais jovens, a quem não oferece modelos de pleno florescimento humano, exemplos de sabedoria, amor e compaixão. É uma sociedade e uma civilização que se corrompe e dissolve, tornando-se na melhor das hipóteses o húmus do germinar de novas sementes de consciência e de Vida.

Paulo Borges

#irmânia

https://www.facebook.com/hashtag/irm%C3%A2nia



sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Ulisses de Paulo Borges

Ulisses

Partiu há pouco o meu querido Ulisses, o animal com quem senti mais conexão dos muitos que se cruzaram comigo nesta vida. Ensinou-me muitas coisas, sobretudo com a sua morte, que me deixou o ser nu, lavado das muitas futilidades e distracções em que me tenho enredado. Vejo-te, Ulisses, a regressares à Luz sem forma de onde tudo vem. E, agora que não tens corpo, reconheço-te em todos os seres e coisas, em todo o lado. A morte é um dos aspectos mais sagrados da vida, como fizeste sentir a mim e à Daniela enquanto acompanhávamos a tua lenta, serena e silenciosa despedida. Que as minhas orações e as de todos os amigos que se quiserem juntar a elas sejam as asas que te levem mais lesto para o Infinito. Na tradição do Buda usamos o mantra da compaixão - Om Mani Padme Hum - , mas todas as palavras e sons puros são bem vindos para te acompanhar e a todos os seres que estão a fazer a mesma Viagem. Sim, que contigo nos leves a todos para a Luz infinita! Que todos os seres sejam livres e felizes, agora e sempre! Que todos despertemos deste sonho de haver vida e morte!

E, por falar em partidas, foi adicionada uma música que é da responsabilidade do editor, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=MzGpYtR1v4U 


sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Peregrinação à Índia

Partilho isto como contributo para o conhecimento da profunda cultura da Índia:
Os Cinco Grandes Sacrifícios (Pancha Maha Yajña) que todo o chefe de família hindu tradicionalmente deve praticar:
1. Brahma Yajña - Estudar, debater e praticar os textos sagrados, bem como recitar mantras.
2. Pitr Yajña - Fazer oferendas aos espíritos dos antepassados.
3. Deva Yajña - Fazer oferendas aos deuses.
4. Bhuta Yajña - Oferecer comida e bebida a todos os seres vivos, incluindo insectos, para cumprir o preceito do Sanatana Dharma (Dharma eterno, Lei cósmica) de devolver aos outros seres o que deles constantemente recebemos. Não fazer isto é considerado roubar.
5. Atithi Yajña - Praticar a hospitalidade para com viajantes, estrangeiros, estudantes e santos, acolhendo-os e alimentando-os como deuses.
Em peregrinação pela Índia, visitámos hoje uma favela em Delhi e almoçámos em casa de uma família local. Fomos assim tratados, como deuses, por pessoas muitíssimo ricas, apesar de, segundo os nossos parâmetros, parecerem muito pobres.
Texto de Paulo Borges
Foto de Rita Viana

sábado, 17 de agosto de 2019

Uma Biblioteca em Construção (1)


10 sugestões de Paulo Borges:












sexta-feira, 24 de novembro de 2017

"O Apocalipse sobre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós", livro de Paulo Borges


"Sozinho, no cais deserto, nesta Hora sem tempo
Olho pro lado da barra, olho pro Infinito
Olho sem olhos, corpo-alma transido de saudade
Olho a fúria deste céu de crepúsculo e tempestade
E a Distância começa em mim a girar
A Distância começa em mim a girar
A Distância começa em mim a girar"

"Sou A-que-não-é, A-que-não-foi, A-que-jamais-será
A matriz imensa que a tudo dá à luz, nutre, reabsorve e recria
A mãe, irmã, esposa e amante de todos os seres e coisas
O Alfa-Ómega
A Toda-Poderosa que nada pode senão tudo amar
A infinita saudade que há em todas as coisas
O Infinito-Saudade"

"Não apareci senão para te iniciar ao Amor
Para te insuflar boca na boca o Fogo-Sopro do mundo
Para unirmos os corações ardentes
No íntimo da carne iluminada"

"Ah, quem me desencantará?
Quem me reconhecerá?
Quem me beijará o coração?
Quem me amará e fecundará?
Quem erguerá a mão, encontrará hera
E verá que “ele mesmo era
A Princesa que dormia”?"

"Cesse aqui todo o pensamento, imaginação e linguagem
Dissipem-se todos os véus de conceitos, palavras e símbolos
Finde tudo o que a musa antiga canta
Que outro valor mais alto se levanta
Nada acrescentemos ao espanto, perplexidade e maravilhamento
Deste imenso esplendor e prodígio!"

"Vinde a nós, ó vós todos em cujo íntimo desde sempre habitamos!
Vinde a nós, ó vós todos em cujo coração agora mesmo ressurgimos!
Vinde, ó vinde, vós todos que sois Todo o Mundo e Ninguém!
Ó vós todos, povos-seres de todo o cosmos que trazeis no coração um Mundo Novo!
Aqui e Agora vos convocamos
É a Hora da Grande Mutação
A Hora das Horas
A Hora dos quatro tempos refluírem para o centro anterior a tudo
E ressurgirem como o Quinto
O Império sem império
A Era sem tempo
A Era sem era do despertar da consciência-coração na visão-amor universal!

Ó excelsas irmandades e confrarias do Quinto Império sem império nem imperador a não ser a coroada criança que dança de roda e olhos atónitos num rodopio de espantos, pombas e rosas!
Ó excelsas irmandades e confrarias do Império do Santo Espírito, que ninguém sabe de onde vem nem para onde vai, sopra onde quer e fala um silêncio de todas as línguas!
Ó excelsas irmandades e confrarias dos amantes andróginos, que conduzem ao altar interno o masculino e o feminino e o unem em Núpcias mais vastas que o espaço que explodem em festas e folias de amor por todos os seres e coisas! 


Vinde a nós, ó vós todos, que é a Hora!
É a Hora!
A Hora!
Agora! 

Valete, Fratres!
Saúde, Irmãos!"

Do livro "O Apocalipse segundo Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz" de Paulo Borges.
A obra é a base do guião do espectáculo multi-artístico com o mesmo nome que se estreou recentemente no Teatro do Bairro, em Lisboa, e terá uma nova representação no Teatro D. João V, na Damaia, em 25 de Novembro, às 21:30:


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Paulo Borges*


Não te foques no negativo. A realidade é infinitamente mais vasta que a tua percepção. Há muito mais seres no cosmos, desde sempre felizes e livres de sofrimento ou que se tornaram para sempre felizes e livres de sofrimento, do que os sete mil milhões de humanos e o número imenso de animais que parecem estar sempre ou muitas vezes a sofrer neste minúsculo grão de pó da realidade universal chamado Terra. E a grande notícia é que, quando um ser desperta e se livra para sempre d...o sofrimento, isso é irreversível e há mais uma fonte de energia positiva para o mundo, que vai acelerar a libertação universal. Isto significa que mais tarde ou mais cedo todos os seres despertarão e se libertarão. Vê as coisas assim e tem confiança. Mas desenvolve compaixão por quem sofre, a começar por ti mesmo, e pratica com todo o empenho uma via espiritual para que tu e todos o mais rapidamente se libertem. Não te atrases, pois és o universo e atrasares-te atrasa a libertação universal. Ao avançares, todos avançam. Ao libertares-te, todos se libertam. No fundo sem fundo de ti e de todos os seres já há desde sempre uma liberdade, uma paz e uma felicidade infinitas. Por isso todos as procuram. Trata-se apenas de as descobrir aqui-agora e não mais as buscar no exterior. Cultiva esta visão e deixa para trás a tristeza, a depressão, a raiva e a doença. Foca-te no bem que há em tudo. Mesmo no que parece ser o mal e a dor, pois é isso que nos incita a praticar pela libertação de todos. Cultiva uma visão pura acerca de tudo. Descobre o sentido bom, profundo e positivo de tudo o que acontece. Pois isso é despertares e despertares é seres a luz do mundo.

in, https://www.facebook.com/pauloaeborges , 14/10/2017

Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 
Autor de uma vasta obra, dedica-se à escrita, à tradução, ao estudo, prática e instrução da experiência meditativa, ao estudo da filosofia e cultura portuguesa e das grandes tradições espirituais, ao diálogo inter-cultural e inter-religioso.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Desaprender e reaprender tudo. Deixar de viver mortos. Despertar


Paulo Borges

Somos uma sociedade que perdeu a alegria de ser, contemplar, criar e amar. Por isso vivemos no frenesim de trabalhar para produzir, lucrar e consumir, no frenesim de nos ocuparmos sempre mais a superar alguém e a fazer mais coisas, no frenesim da busca de estímulos e distracções a todo o custo que nos deixam cada vez mais sedentos e insatisfeitos. É esta a nossa maior violência, contra nós e contra tudo. É ela que está a destruir os nossos bens e recursos mais preciosos, as n...ossas vidas, o tempo, a Terra, as vidas de todos os seres. É por esta violência que a economia mundial nos devora e o planeta se enche de dejectos industriais, a materialização do lixo interno da nossa avidez insaciável.

Como é ingénuo e ilusório pensar que isto se resolve com medidas externas, jurídicas, políticas ou económicas! Chega de paliativos e manobras de diversão. É de saber viver que necessitamos. Reaprender a felicidade de respirar, de dar um passo sobre a terra, de contemplar o céu, de beber um gole de água fresca, de acariciar um ser vivo, humano, planta ou animal. Reaprender o êxtase de amar toda a expressão da Vida. Desaprender e reaprender tudo. Deixar de viver mortos. Despertar. Aqui-Agora.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Uma Festa


Paulo Borges


             Uma festa elegante ao fim do dia num terraço de Lisboa sobre o rio. Serviram uma bebida e uns aperitivos. E depois algo mais forte. O conhecimento de que somos uma consciência que, ao aprofundar a mínima percepção, pode chegar a tudo. Instaurou-se um silêncio estranho. O silêncio estranho de quem começa a ver e a sentir. A experimentar o que é realmente estar vivo.

Uns sentiram que nas suas veias corria o sangue das crianças de Aleppo e ele borbotou-lhes dos olhos em lágrimas, tingindo de rubro os guardanapos dos acepipes. Outros viram-se cheios de escamas e barbatanas, penas e pêlos, a nadar e a correr livres e ao mesmo tempo a ser capturados, dilacerados e cozinhados para acabarem devorados por si mesmos nos rissóis e croquetes que haviam acabado de ingerir. Foi-lhes revelado o gosto da própria carne, delicioso e horrível. Uns sentiram as carteiras em convulsões nos bolsos. Puxaram delas e cada nota e cartão de crédito imediatamente lhes incendiou as mãos com toda a ganância, corrupção, violência e roubo do mundo. Correram em todas as direcções como loucos, a urrar de dor, com os euros e os cartões tanto mais colados às mãos a arder quanto mais os tentavam deitar fora. Outros viram que não tinham pele e que desde sempre eram tudo, o céu, a terra, as vidas e as estrelas. Tiveram vergonha de até esse momento terem achado que amavam. Houve quem se sentisse a nascer em todos os partos e a morrer em todas as agonias. Houve quem visse por todo o lado que não havia lado algum. E até houve quem...

Não se sabe até hoje o paradeiro de muitos dos convivas. Uns desapareceram para sempre naquele mesmo instante. Outros morreram de causa desconhecida. Uns ficaram para ali a chorar e a rir convulsivamente. Outros ficaram mudos de espanto para sempre. Alguns saíram a correr a beijar e abraçar todas as pessoas e coisas e outros a pedir perdão a tudo e todos. Vários regressaram serenamente a casa como se nada houvesse acontecido. Os que foram mais fundo. São os mais perigosos. Jamais alguém saberá quem são, de onde vêm e para onde vão.

É desta festa que nos conhecemos, leitor?

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Presidenciais 2016


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Paulo Borges é professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente da União Budista Portuguesa, da Associação Agostinho da Silva e vice-presidente da Casa da Cultura do Tibete. Co-director da Revista Nova Águia e presidente do Movimento Internacional Lusófono. Presidiu à Comissão das Comemorações do Centenário do Nascimento de Agostinho da Silva. Membro da Comissão Organizadora das visitas de S.S. o Dalai-Lama a Portugal em 2001 e 2007. Tradutor-intérprete dos seus ensinamentos na última visita e de vários livros budistas. Sócio-fundador e membro da Direcção do Instituto de Filosofia Luso- Brasileira. Membro correspondente da Academia Brasileira de Filosofia. Membro Fundador da APERel - Associação Portuguesa para o Estudo das Religiões. Membro do Conselho de Direcção da Revista Lusófona de Ciência das Religiões. Director da colecção Ecúmena, na Zéfiro. Autor de centenas de artigos publicados em Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha e Brasil, além das seguintes obras: Poesia - Trespasse (1985), Capital (1988), Ronda da Folia Adamantina (1992); Ensaio filosófico - A Plenificação da História em Padre António Vieira. Estudo sobre a ideia de Quinto Império na "Defesa perante o Tribunal do Santo Ofício" (1995), Do Finistérreo Pensar (2001), Pensamento Atlântico (2002), O Budismo e a Natureza da Mente (com Matthieu Ricard e Carlos João Correia, 2005), Agostinho da Silva. Uma Antologia (2006), Tempos de Ser Deus. A espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva (2006), O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (organizador, com Duarte Braga, 2007), "O Budismo, uma proximidade do Oriente: ecos, sintonias e permeabilidades no pensamento português", Revista Lusófona de Ciência das Religiões, Ano VI, nº 11 (2007) (organizador, com Duarte Braga), Princípio e Manifestação. Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes (2008), O Drama de Deus. Homogeneidade, Diferenciação e Reintegração em Sampaio Bruno (no prelo); Ficção - Línguas de Fogo. Paixão, Morte e Iluminação de Agostinho da Silva (2006); Teatro - Folia. Mistério de uma Noite de Pentecostes (2007).
Foi Presidente do partido de inspiração ambientalista,  Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e por ele cabeça de lista por Lisboa às últimas eleições legislativas.


fontes várias: 

in Diálogos Lusófonos
( dialogoslusofonos@yahoogrupos.com.br )

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Presidenciais 2016


"Candidato-me a presidente da República porque é a Hora de assumir que desde sempre e cada vez mais existe Outro Portugal, que irrompe por entre as brechas do asfalto do Portugal institucional, como rebentos de ervas primaveris. Esse é o Portugal real e profundo, o Portugal da natureza, das pessoas e de todos os seres vivos, o Portugal das nossas vidas e dos nossos sonhos, o Portugal das alegrias simples e boas de viver, contemplar, criar e amar, o Portugal da dádiva e da partilha desinteressadas, o Portugal das amizades e dos afectos, o Portugal do haver tempo para tudo e da suprema vocação de “poeta à solta” de que falava Agostinho da Silva"

Paulo Borges, Declaração de Candidatura à Presidência da República Portuguesa

A candidatura-movimento Outro Portugal Existe defende trocarmos o mito destruidor do crescimento económico ilimitado pela realidade da vida boa sem pressas e com tempo para contemplar, criar e amar. Outro estilo de vida é preciso e esse é o desafio de uma política da consciência e do coração, da cultura e da civilização.

quarta-feira, 29 de abril de 2015




Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
5 de Maio, 18:30
Dando continuidade a um encontro e diálogo com vários séculos – onde a cultura portuguesa foi pioneira - e particularmente vivo na actualidade, José Tolentino de Mendonça e Paulo Borges estarão juntos neste evento onde um cristão comentará um texto budista e um budista um texto cristão, em torno do tema do despojamento espiritual radical.
José Tolentino de Mendonça falará sobre o texto do mestre Lin-Tsi (séc. IX), fundador da escola Rinzai do budismo Ch’an: "Adeptos, quereis ver as coisas em conformidade com o Dharma? Guardai-vos apenas de vos deixardes extraviar pelas pessoas. Tudo o que encontrardes, no exterior e (mesmo) no interior de vós mesmos, matai-o. Se encontrais um Buda, matai o Buda! (...) É esse o meio de vos libertardes e de escapardes à escravatura das coisas; é essa a evasão, essa a independência!"
Paulo Borges falará sobre o sermão 52 de Mestre Eckhart (sécs. XIII-XIV), teólogo, filósofo e pregador dominicano, que tem pontos culminantes nas súplicas: “Por isso rogamos a Deus ser livres de Deus e receber a verdade e dela fruir eternamente aí onde os anjos mais elevados, a mosca e a alma são iguais, aí onde eu estava e queria o que era e era o que queria”; “Por isso rogo a Deus que me livre de Deus; pois o meu ser essencial está acima de Deus, na medida em que concebemos Deus como origem das criaturas”.
O moderador será o Professor Carlos João Correia e o encontro terá lugar no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no dia 5 de Maio, às 18h 30m. A entrada é livre.
José Tolentino de Mendonça é sacerdote católico, teólogo e poeta. É vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa e responsável pelo Centro de Estudos de Religiões e Culturas Cardeal Höffner da Universidade Católica Portuguesa. Tem vasta obra, onde recentemente se destacam A Papoila e o Monge (haikus, 2013) e A Mística do Instante. O tempo e a promessa (2014).
Paulo Borges é professor de Filosofia da Religião e Pensamento Oriental no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cofundador e ex-presidente da União Budista Portuguesa (2002-2014), codirector da revista Todo o Mundo ENTRE Ninguém e presidente do Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética inspirada no mestre budista Thich Nhat Hanh. Entre a vasta obra destacam-se, neste contexto, Descobrir Buda. Estudos e ensaios sobre a via do Despertar (2010) e O Coração da Vida. Visão, meditação, transformação integral (2015).

Organização: Grupo de Investigação de Filosofia Prática do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com o apoio do Círculo do Entre-Ser, da União Budista Portuguesa e do Centro de Estudos de Religiões e Culturas Cardeal Höffner da Universidade Católica Portuguesa.

sábado, 28 de março de 2015

A vida tem-me oferecido a felicidade de conhecer pessoas excepcionais, do Dalai Lama a Agostinho da Silva. E ainda estou sob o impacto da última: o Professor José Pacheco, o grande pedagogo da Escola da Ponte, o homem que se define como "um louco com noções de prática" e que declarou em 2008 que "A medida de política educativa de maior impacto seria a extinção do Ministério da Educação". Com ele aprendi "que na aula não se aprende nada" e a necessidade de passar da trans-disciplinaridade para a indisciplinaridade (porque a realidade é integral e alheia às divisões das disciplinas ditas científicas) e tive o privilégio de o ouvir acentuar que uma vaga educativa virá em breve do Sul que vai varrer os métodos anglo-saxónicos e norte-americanos com dois nomes de educadores apenas: o brasileiro Lauro de Oliveira Lima e o português Agostinho da Silva. Estou nessa.






Paulo Borges


sábado, 28 de fevereiro de 2015


Contempla tudo o que percepcionas sem lhe conferires as identidades habituais em que o concebes e encerras, os mil e um rótulos colados pela cultura que te mantém ignorante. Vê assim todas as formas, cores e volumes. Escuta assim todos os sons. Vivencia assim todos os fenómenos mentais. Acolhe todos os seres como pura energia com forma, cor e movimento. Acolhe todas as palavras como pura vibração sonora, sem lhes conferires qualquer significado. Acolhe todos os pensamentos e emoções como bolas de sabão insubstanciais e efémeras que se formam, transformam e dissipam no espaço aberto e vazio da consciência. Algo morrerá em ti, mas renascerás infinitamente pujante e vivo num estranho mundo, bem mais íntimo, deslumbrante e real do que esse sonho alucinado em que habituado, esquecido e alienado te arrastas e sucumbes.

Paulo Borges
Círculo do Entre-Ser




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015


Acabo de ouvir a ministra das Finanças na televisão a dizer que já não se importa tanto de perder tempo nas filas de trânsito porque haver mais veículos na estrada é sinal de retoma económica... Triste cegueira de quem só pensa em termos de crescimento económico e não vê o impacto irreversível e destrutivo deste modelo de economia no planeta... Uma verdadeira aula em directo de deseducação ambiental. Os governantes não lêem os relatórios científicos sobre o estado crítico da relação do ser humano com a Terra e sobre o tremendo impacto poluente e de efeito de estufa do dióxido de carbono emitido pelos meios de transporte e do metano emitido sobretudo pelas vacas, industrializadas e exploradas para nosso consumo? Somos governados pela ignorância, activa ou passiva, e o pior é muita gente ser cúmplice disto. O antropocentrismo a destruir a humanidade, destruindo a vida.

Paulo Borges

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Coração da Vida




Paulo Borges
"Introdução", O Coração da Vida


"Escrevo e publico este livro com a convicção profunda de que pacificar a mente e despertar a consciência, levando-a ao pleno desenvolvimento de todas as suas ilimitadas potencialidades cognitivas e afectivas, deve tornar-se o centro das nossas preocupações e investimentos pessoais, sociais e políticos. Com serenidade, sabedoria, amor e compaixão, encontraremos as soluções mais adequadas para todos os problemas sociais, políticos, económicos e ambientais. Sem serenidade, sabedoria, amor e compaixão, todas as pretensas soluções sociais, políticas, económicas e ambientais jamais deixarão de se converter em novos e maiores problemas, como em geral tem acontecido. A humanidade paga muito caro a recusa da espiritualidade, que, insisto, não é religião, mas a expansão fraterna e activa da consciência. É isto que temos de mudar, se queremos realmente mudar alguma coisa. É a isto que chamo política da consciência, que começa pelo que se pode chamar a micropolítica da mudança de cada uma das nossas mentes e pela educação de cada um de nós e dos mais jovens para sermos mais conscientes da interconexão e interdependência de todas as formas de vida e dos ecossistemas, numa ética da responsabilidade e da solidariedade universal. A política da consciência é também a proposta de uma profunda mudança do paradigma dominante na política e, sendo transversal a todos os quadrantes ideológicos e partidários, transcende o espectáculo em geral triste e o horizonte estreito da política partidária e convencional, mediante uma visão de Bem Comum universal e integral que não desconsidera os seres não-humanos e os ecossistemas nem os factores internos, mentais e emocionais, da felicidade que todos procuramos, assumindo-os como parte das necessidades fundamentais de todo o ser humano. A política da consciência reúne contemplação e acção na acção integral, interna e externa, em prol de uma sociedade mais pacífica, solidária e desperta. Com efeito, como veremos, voltar a atenção para o interior e observar os movimentos da mente, deixá-los dissolver-se e repousar num estado calmo, claro e aberto, livre da fictícia separação entre eu e outro, pode revelar-se o fundamento indispensável de uma vida saudável e a acção interna que é a fonte de toda a acção externa justa e esclarecida, amorosa e compassiva. O estado do mundo e a tremenda violência contra a Terra e os seres, humanos e animais, são o espelho do contrário disto. Não há mudança de paradigma sem reunião da contemplação e da acção. Cremos ser este um dos desafios fundamentais do mundo contemporâneo, equidistante do extremo de uma contemplação sem acção externa e assim degradada numa experiência intelectual desprovida do calor e do dinamismo do amor e da compaixão, bem como do extremo oposto da obsessão do agir externo desprovido de visão e do mesmo dinamismo amoroso e compassivo e assim convertido numa agitação e activismo pouco esclarecidos e beligerantes que são parte de todos os problemas e de nenhuma solução"

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Fazer acontecer", "produzir"?


Não se mudará o paradigma enquanto se pensar em termos de "fazer acontecer", "produzir pensamento" ou outra coisa e se quiser organizar, regulamentar, avaliar e controlar tudo. Esse é o paradigma voluntarista, produtivista, economista, empresarial e tecnocrático da civilização industrial e do esclavagismo trabalhista que está a entrar em colapso, destruindo o planeta e a vida. Quem assim fala mostra que vive enfeitiçado pelos ritmos do formigueiro antropocêntrico, permanecendo à superfície das regiões profundas do ser onde tudo emerge em fluxo autorregulador, espontâneo e livre. Quem assim fala porventura faz coisas, mas não age. Quem assim fala porventura produz pensamentos, mas não pensa. Quem assim fala porventura produz textos, mas não escreve. Quem assim fala porventura "faz amor", mas não ama. Quem assim fala, pertence ao passado, por mais que fale em futuro. Quem assim fala, mais valia estar calado.


Paulo Borges



sábado, 18 de maio de 2013

Exercício de Revolução Silenciosa


Senta-te com a coluna bem direita, numa cadeira ou numa almofada, com as pernas cruzadas. Abandona todas as preocupações com o passado, o futuro e o presente. Inspira e expira três vezes profundamente. 

Concentra-te no centro do peito, no coração da energia subtil e profunda, sentindo e se possível visualizando que há aí uma pequena chama luminosa, como a chama de uma vela ou um pequeno sol, que é a tua natureza profunda. Ela está viva e é ela que em ti respira em cada inspiração e expiração. Ao inspirares sente então que essa chama absorve em si, por compaixão, toda a negatividade, doenças e problemas que possam existir em ti, conhecidos ou desconhecidos, sob a forma de um fumo cinzento que, ao tocar a luz do coração, nela imediatamente se dissolve e transmuta, aumentando o seu brilho, intensidade e calor. Repousa então com a respiração suspensa com os pulmões cheios durante uns momentos, sentindo a intensificação da luz e do calor. Expira então, sentindo e vendo que do coração essa luz e esse calor irradiam, por amor, impregnando-te totalmente e levando-te tudo o que há de melhor e mais benéfico e mais necessitas: saúde, paz, alegria, felicidade, sabedoria e amor por ti e pelos outros. Repousa então de novo com a respiração suspensa com os pulmões vazios durante uns momentos, sentindo a plenitude desta experiência. Prossegue inspirando e expirando assim até que todo o teu corpo e todo o teu ser transpareçam e irradiem luz, calor e felicidade.

É então o momento de convidares para diante de ti os seres que te forem mais queridos, que amas mais incondicionalmente, esperando menos algo em troca. Sente-os e se possível visualiza-os claramente à tua frente. Sente e visualiza que a luz no teu coração inspira e transforma igualmente em si, por compaixão, tudo o que possa haver nesses seres, tal como em ti, de menos positivo, repousa uns momentos suspendendo a respiração nesse calor e luz e depois irradia-os ao expirar levando a eles e a ti, por amor, tudo o que houver de melhor, mais benéfico e necessário, fazendo como antes, até que tu e eles se tornem igualmente transparentes, luminosos e irradiantes de saúde, paz e felicidade.
 

Prossegue assim, abrindo cada vez mais a mente e o coração e expandindo o círculo da prática, convidando para diante de ti, por esta ordem - e vendo-os sempre a sair do teu coração e do coração dos teus entes queridos, de vós inseparáveis - , os teus amigos, aqueles que te são indiferentes, aqueles de quem não gostas e por quem tens aversão, adversários ou inimigos, os seres que vivem na mesma casa, edifício e quarteirão que tu, na mesma cidade ou localidade, no mesmo país, no planeta e no universo, humanos e não-humanos, visíveis e invisíveis, pensem, digam e façam o que pensarem, disserem e fizerem. Sente que ao inspirar e transformar a negatividade de cada vez mais seres a compaixão aumenta, que ao oferecer a luz a mais seres o amor aumenta, bem como a alegria e a imparcialidade, sentindo o mesmo por todos, sem exclusões nem preferências.
 

À medida que a luz em ti incluir mais seres sente o aumento do poder, benefício e alegria da experiência, sentindo que o aumento da luz a partir do coração, ou seja, da sabedoria, amor, compaixão, alegria e imparcialidade, é a progressiva manifestação da tua e nossa natureza profunda, comum a todos os seres, e que a dissolução do apego a alguns, bem como da indiferença e da aversão pelos outros, é a dissolução do teu e nosso ser egocêntrico e fictício, com toda a sua estreiteza, juízos e preconceitos. Aprecia o privilégio de poderes fazer isto, dissolvendo os medos, conceitos, emoções, muros, frieza e raivas que te oprimem e limitam.

À medida que a luz em ti inspira e expira tu e todos os seres convertem-se na própria luz. No final nada és senão luz que inspira tudo o que houver a inspirar em todos os seres em tudo o universo, o transforma em si e o expira oferecendo-se igualmente com todo o bem a tudo e a todos, sem qualquer excepção ou discriminação. Numa expiração deixa que essa luz tudo dissolva em si mesma, incluindo tudo o que imaginas ser e existir, e repousa tanto quanto quiseres nesta experiência, sem pensar, dizer ou fazer nada.
 

Afinal nada és e nada há senão o que desde sempre nós e todos os seres verdadeiramente somos: luz sábia, amorosa e compassiva, livre de todos estes conceitos.
 

Façamos isto no mínimo uma vez por dia, de preferência de manhã, recordemos ao longo do dia que o fizemos por todos os seres que virmos, ouvirmos ou em que pensarmos, e o mundo será inevitável e irreversivelmente outro, sem ruído, conflitos, vencedores ou vencidos.

Boa prática!

Paulo Borges
27/4/2013


sexta-feira, 1 de março de 2013

Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria


Não sou um bombista nem as suas vítimas na Síria
nem um tibetano a imolar-se por desespero na sua terra ocupada
Não sou um toureiro, um cavalo ou um touro com o lombo trespassado
numa arena de sangue, dor e morte
Também não estou na multidão em êxtase que paga para que isso aconteça
Não sou um especulador financeiro que enriquece com a miséria das populações
nem um ministro ou juiz que decide a favor dos poderosos
Não sou um cão ou gato abandonado por quem se cansou do meu amor
nem estou a tremer de medo e angústia num canil de abate
Não sou um porco, uma vaca ou um frango amontoado num campo de concentração
para oferecer vinte minutos de prazer aos humanos
e intoxicá-los com a minha carne envenenada
Não sou uma mãe separada dos filhos
com as tetas a escorrer pus escrava da ordenha mecânica
para que os humanos bebam o leite que não necessitam e os faz adoecer
Não sou um deputado pago para esquecer quem o elegeu
nem um primeiro-ministro ou presidente a vender o seu país aos senhores do mundo
Não sou um rato torturado e aberto em vida para que a ciência conclua que sofro
nem estou a ser morto à pancada para me retirarem a pele ainda vivo
Não sou um tigre nascido para a selva a definhar triste atrás de umas grades
um elefante espicaçado para mostrar habilidades
ou uma ave com asas de lonjura engaioladas
Não sou pago para veicular mentiras na rádio, tv e jornais
nem sou administrador, director ou accionista de empresas
que lucram com o trabalho escravo de mulheres, homens e crianças
Não sou um médico ao serviço da indústria farmacêutica
nem um profissional da alienação das consciências
Não sou uma mãe a ver os filhos despedaçados por mísseis
ou violados e mortos à sua frente
Não sou o presidente, o ministro ou o general
que no conforto do gabinete ordena o inferno para os outros
Não trabalho para empresas ávidas de lucro que poluem, devastam e destroem o planeta 
que pertence igualmente a todos os seres vivos
e às gerações futuras de humanos e não-humanos
Não trafico drogas nem ilusões
e não vendo receitas de felicidade
Não pertenço nem quero pertencer às corporações dos senhores do mundo
ocultos na sombra a mudar governos e manipular povos como marionetas
Não sou um terrorista camuflado nem engravatado, com armas, ideologias ou planos económico-financeiros
nem um eleitor que confunde a democracia com votar de vez em quando
e não ter controle sobre quem elege
Não sou também um activista que sucumbe ao ódio e ao desespero
e envenena as causas que defende
com a violência que lhe estreita a mente e devora o coração

Não, não sou nada disto
Não sou ninguém especial
Apenas alguém que pode reconhecer a imensa liberdade e oportunidade de que agora mesmo desfruta
para apreciar a vida sem esquecer o sofrimento do mundo
e concentrar-se no essencial enquanto há energia e a morte não chega:
despertar a mente e o coração
e tudo fazer para expulsar a ignorância, o sofrimento e o absurdo da face da Terra

Sim, é isso que sou
Sim, é isso que és
e connosco a grande maioria dos humanos:
sementes de um Mundo Novo

Juntemo-nos e germinemos pois!

Paulo Borges

25 de Fevereiro de 2013

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A educação das nossas crianças...


As nossas crianças aprendem na escola a ler, escrever, matemática, ciência e outras matérias que as podem ajudar a ganhar a vida. Mas muito poucos programas escolares ensinam os jovens como viver – como lidar com a cólera, como reconciliar conflitos, como respirar, sorrir e transformar as formações internas [pensamentos e emoções]. Devemos encorajar as escolas a exercitar os nossos alunos na arte de viver em paz e harmonia.
- Thich Nhat Hanh, The Heart of the Buddhas’s Teaching, Londres, Ryder, 1999, p.150.

Uma das bases mais evidentes da falência do actual sistema é a educação. As famílias, ou seja, nós todos, pouco mais fazemos em geral do que orientar as crianças e jovens para se tornarem iguais aos adultos que somos, supostamente mais experientes e conhecedores, mas que na verdade quase só sabemos como competir e trabalhar para sobreviver e consumir, distrairmo-nos de vez em quando para voltar à rotina de sempre e ser infelizes a vida toda. E depois esperamos que a escola continue o mesmo processo. O resultado é, mais do que o insucesso escolar, o insucesso da escola para cumprir uma verdadeira função educativa e o crescente mal-estar nesta civilização, onde as potencialidades mais profundas do ser humano, como a expansão da consciência, a criatividade, a amizade e o amor desinteressados, a generosidade e a partilha, a empatia com a natureza e todas as formas de vida, são recalcados pela pressão familiar, escolar, social e profissional, dando lugar a seres divididos, em luta contra o melhor de si mesmos e por isso em constante conflito com os outros, que morrem com remorsos de não haver vivido plenamente. Necessitamos urgentemente de outras escolas e de outra escola, mas isso não vai acontecer, globalmente, enquanto a sociedade estiver dominada pela economia de mercado e pela ganância capitalista, da qual somos todos cúmplices e responsáveis. Não basta lutar por mudanças sectoriais sem pôr em causa a estrutura fundamental do sistema.

Paulo Borges