Mostrar mensagens com a etiqueta Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Budismo: conceitos importantes


 Siddharta Gautama, “O Buda”, nasceu na Índia há perto de 2600 anos. Um príncipe que estava destinado a suceder a seu pai na regência do reino.

Certo dia, ao sair do Palácio e ao deparar-se com a vida mundana, com a miséria e a pobreza, acaba por ficar muito sensibilizado com o contacto que tem com a doença, o sofrimento, a velhice e a morte. Decide, então, renunciar à vida na corte e tornar-se asceta com a pretensão de vencer esses malefícios. Só depois disso poderia regressar ao convívio dos pais, da mulher, do filho. Foi essa a regra que impôs a si próprio.

Reza a história que haveria de atingir o nirvana (libertação) quando, já depois de ter abandonado a vida de asceta, meditava debaixo de uma figueira. É, então, que são formuladas as 4 nobres verdades do Budismo:
1-     O reconhecimento do sofrimento como inerente à vida humana e como algo que é indesejável. Toda a gente procura ser feliz.
2-     Identificar a causa do sofrimento que se deve à ignorância de não conhecermos a nossa autêntica natureza.  
3-     Promover a eliminação do sofrimento. O desejo e o apego não são qualidades intrínsecas à mente e é possível libertá-la,  promovendo a sua cessação.
4-     Reconhecer a Via, o Caminho, para chegar à eliminação do sofrimento, através da conjugação de uma disciplina ética e mental.

Nem a mente, nem os objetos existem em si ou por si. Tudo o que se manifesta não existe fora das relações com o Todo, inclusive da compreensão que eu faço delas. As coisas não existem separadas umas das outras. A realidade é holística. A mente não se poderá libertar do sofrimento enquanto não perceber a realidade das coisas. Não há separação entre ser e não ser. Há que permanecer na mente, sem cindir a realidade, percecionando as coisas de acordo com essa sua natureza.

Alguns importantes conceitos budistas:
- Kleshas, movimentos mentais que causam sofrimento: ódio, avareza, arrogância, superioridade, inveja e ciúme.
- Nirvana, estado onde se deixa de experimentar o sofrimento, porque se deixou de experienciar as suas causas. O fim da crença ilusória da existência do “eu”. A sensibilidade alarga-se para lá das emoções individuais. A iluminação, sendo pré-existente, é mais o reconhecimento de algo que nos precede.
- Todas as coisas são impermanentes e interdependentes.
-Todas as emoções que resultam da ausência de sabedoria são dolorosas.
-Todas as coisas têm ausência de existência (vacuidade).
- Compaixão e Sabedoria juntas são a verdadeira fonte de libertação no Budismo.
- Meditação, controle do fluxo contínuo de pensamentos e de emoções, de forma a desenvolver uma atenção calma unidirecionada.
- “Buda”, iluminação, estado natural da mente livre de todas as emoções e de todos os conceitos. A natureza de “Buda” é vazia, luminosa e compassiva.

"Abençoada seja toda a pacificação das palavras e das coisas."

Carlos Rodrigues

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Filosofia e Saudade

17. Agostinho da Silva (1906-1994)

Ao reflectirmos na ideia de Saudade em Agostinho da Silva, vimos como se entrelaçam no autor toda uma teia de pensamentos que abordam, por um lado, o desenvolvimento da história da humanidade e da civilização ocidental e, por outro, a História de Portugal.

Uma história do Ocidente que se pensa a partir da “Idade do Ouro”, período áureo da História da Humanidade que terá terminado, grosso modo, com a saída do Homem do Paraíso Divino com a queda que trás o pecado original, conforme enunciado nos evangelhos. A partir daí tem vindo o Homem em avanços e recuos, à procura da porta de saída que lhe traga de volta a magnificência desse perdido Reino Divino.

Depois dessa queda, só com o fim do Império Romano se verifica uma intenção de plena sacralização das sociedades ocidentais. Depois de instituído o Cristianismo como a religião do Império será, todavia, depois da derrocada da sua parte ocidental que Ele florescerá, sobretudo, por todo o período medieval.

O Renascimento interromperá na Europa este período de, aproximadamente, dez séculos em que o Cristianismo se foi impondo. Tanto pelas artes e política, como pelas ciência e religião, as novas ideias vão trazer uma nova organização social, política e económica, quer pela consumação dos ideais liberais iluministas, quer pela legitimação do capitalismo pelo protestantismo. A sul, pela mão de Maquiavel, a norte guiados por Lutero.

Portugal resiste. Prova disso mesmo é o Projecto de evangelização cristã do mundo que ganha tradução com a Expansão Ultramarina. Mas se com D. João II, o Projecto treme, com o Marquês de Pombal as novas ideias triunfantes por toda a Europa irrompem decididamente pelo país que não tem mais forças para lhes resistir.

O Projecto defende-se, todavia, nos ideais de missionários, literatos, poetas e cientistas. O padre António Vieira, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva, entre muitos outros, tentam reencontrar o nosso próprio caminho. Os dois primeiros desenvolvendo o ideal do Quinto Império, Agostinho da Silva encontrando-lhe paralelo no Culto Popular do Espírito Santo, instituído em Portugal no Reinado de D. Dinis, trazido para Portugal pela sua esposa, a Rainha Santa Isabel, de Aragão.

Agostinho da Silva traduz na ideia do Culto Popular do Espírito Santo a genuinidade do Projecto Lusófono, já mais que unicamente Lusíada. A Idade do Espírito Santo, tal como defende o ideal Joaquimita, será a sua utopia de referência.

“E porquê o Culto Popular do Espírito Santo”, perguntou certa vez O Professor? “Porque até agora não encontrei ideia melhor para pensar a existência portuguesa no mundo”, concluiu.

Luis Santos


Notinha: Hoje, 13/2/2011, o Professor faria 105 anos. Parabéns.


Bibliografia

. BORGES, Paulo (2008) A Pedra, a Estátua e a Montanha. Lisboa: Portugália Editora.

. idem, (2008) O Jogo do Mundo. Lisboa: Portugália Editora.

. ESCUDEIRO, António (org.) (2006) Agostinho da Silva, ele próprio. Corroios: Ed. Zéfiro.

. FONSECA, Branquinho da (org.) (1984) As Grandes Viagens Portuguesas. Sintra: Ed. Manuscristo.

.SANTOS, Luis (org.) (2005) As Últimas Cartas do Agostinho. Alhos Vedros: Ed. Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros.

. SILVA, Agostinho (2002) Estudos sobre Cultura Clássica. Lisboa: Âncora Editora.

. idem, (2000)Textos Pedagógicos I e II. Lisboa: Âncora Editores.

. idem, (1996) Reflexão. Lisboa: Guimarães Editores.

. ESCUDEIRO, António (org.) (2006) Agostinho da Silva, ele próprio. Corroios: Ed. Zéfiro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Filosofia e Saudade

13. Fernando Pessoa (1888-1935)

A Filosofia é a arte de imaginar universos falsos.

No plano do pensamento estamos sempre entre uma tese e uma antítese, uma tomada de opinião e o seu contrário, posição e oposição. Embora haja sempre uma tentativa de transgressão, de solução, desta antinomia.

Pessoa coloca-se muito num plano de descartamento, de desilusão, do que foi construído - todas as opiniões são igualmente justificáveis e não justificáveis. Tal como em Agostinho da Silva há lugar para um pensamento paradoxal.

Existem forças afirmativas e negativas como constitutivas do mundo. Há uma tensão ontológica entre estas 2 forças que constitui tudo.

Criação é igual a ficção, a ilusão. Ser é simultaneamente ilusão e falsidade. A ideia construída de Deus está igualmente num nível de ilusão. Mas há uma consciência que escapa a toda esta forma de ilusão. Uma consciência que se cria pela desconstrução de todos os imaginários falsos.

A negação está acima da afirmação, porque nega a ilusão. A forma suprema de negação é o não-ser que, todavia, não é pensável. Não-ser é o que transcende o Único. Não-ser é o que precede o Ser.

Portanto, o não-ser é superior ao ser, mas simultaneamente deve-se ser tudo, de todas as maneiras, já que se é nada. A matéria é a mais fraca das mentiras, por ser o que está mais próximo do ilimitado, do imanifestado.

Haver ser é o mistério ontológico que encerra todos os mistérios, coisas, morte, deuses. “Este mistério, este terrível haver ser…”.

Luis Santos

Referência Bibliográfica:
-Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009
-Rafael Baldaia, Tratado da Negação (1916?), In Fernando Pessoa, Textos Filosóficos, Ed. Nova Ática.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Colóquio Internacional Oriente-Ocidente

Colóquio Internacional Oriente-Ocidente:
diálogos e cruzamentos
(nos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa)
10-11 de Novembro
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa / Câmara Municipal de Lisboa


Na circunstância oportuna dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa e da passagem em Lisboa, Porto e Funchal de uma Exposição de Relíquias Budistas, pretende-se reflectir sobre alguns aspectos centrais do constante, e cada vez mais evidente, diálogo e entrelaçamento Oriente-Ocidente.
Além de se dar voz a uma nova geração de jovens investigadores nacionais e estrangeiros, destaca-se a presença do Professor François Jullien, professor da Universidade de Paris VII, director do Instituto do Pensamento Contemporâneo e do Centro Marcel Granet. Eminente especialista da cultura chinesa, tem mais de 20 obras publicadas em cerca de 20 países sobre o pensamento chinês e o seu contraste com a filosofia europeia, repensando a essa luz a própria identidade cultural europeia-ocidental.
Uma iniciativa do Projecto “Filosofia e Religião”, do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da União Budista Portuguesa e da revista Cultura ENTRE Culturas.
Comissão Organizadora: Paulo Borges, Carlos João Correia, Carlos Silva

Programa:

4ª feira, 10 de Novembro – Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

9.30 – Abertura
10.00 – 10.25 - António Faria, Teosofia, Sāṁkhya-Yoga e Buda Dharma
10.25 – 10.50 - Filipa Afonso - O despertar do prisioneiro e a libertação do sonhador: a consistência do real no neoplatonismo do Pseudo-Areopagita e no Advaita Vedanta de Sankara
10.50 – 11.15 - Ricardo Ventura, «A Breve noticia dos erros, que tem os Gentios do Comcão na Índia», atribuível a João de Brito, no contexto dos tratados seiscentistas sobre o "gentilismo"

11.15 – 11.45 – Debate e intervalo

11.45 – 12.10 – Paula Morais, O feminino no Yoga primordial e no século XXI
12.10 – 12.35 - Fabrizio Boscaglia, A sabedoria de Omar Khayyâm entre Oriente e Ocidente
12.35 – 13.00 – Antonio Cardiello, Perspectivas de intercultura filosófica em Nishida Kitarō

13.00 – 13.15 – Debate e intervalo para almoço

14.30 – 14.55 – Beatriz Lobo, Ecos do Oriente na obra wagneriana
14.55 – 15.20 – Dirk Hennrich, A noção do Oriente em Vilém Flusser
15.20 – 15.45 – Rui Lopo, Budismo, niilismo e orientalismo. Ismo?

15.45 – 16.15 – Debate e intervalo

16.15 – 16.40 – José Eduardo Reis, Quadros de uma exposição ideal do Oriente na Literatura Portuguesa
16.40 – 17.05 – Bruno Béu, Eu metafísico e âtman: a suspeita de Vergílio Ferreira sobre a orientalidade do "seu" eu.
17.05 – 17.30 – Paulo Borges, Fernando Pessoa no Tibete: Bar-do e “King of Gaps”

17.30 – 18.00 – Debate e intervalo

18.00 – 19.00 - Apresentação do livro Descobrir Buda, de Paulo Borges, e pré-apresentação do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema Encontro Ocidente-Oriente.
19.00 – 20.00 - François Jullien, Quel dialogue philosophique entre la Chine et l’Occident?


5ª feira, 11 de Novembro – Sala do Arquivo dos Paços do Concelho (Câmara Municipal de Lisboa, Largo do Município)

15.00 - Abertura
15.30 - 16.00 - Carlos João Correia, Oriente/Ocidente: a questão da identidade pessoal (presença a confirmar)
16.00 – 16. 30 – José Carlos Calazans, Comunidades e Migrações entre Índia, África e Europa
16.30 – 17.00 - Ana Cristina Alves, Metamorfoses do corpo sagrado nas biografias de Jesus Cristo e do Buda Histórico

17.00 – 17.30 – Debate e intervalo

17.30 – 18.00 - Miguel Real, “Viagem à Índia” de Gonçalo M. Tavares
18.00 – 18.30 - Carlos Silva, Sob o signo da dualidade: paralelo do Sâmkhya com o dinamismo de Anaxágoras

18.30 – 19.00 – Debate e intervalo

19.00 – 19.30 – Apresentação do nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema Encontro Ocidente-Oriente
arevistaentre.blogspot.com

Organização: “Projecto Filosofia e Religião” do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Apoios: Câmara Municipal de Lisboa / União Budista Portuguesa / Revista Cultura ENTRE Culturas

Exposição de Relíquias do Buda e de outros grandes mestres budistas – www.uniaobudista.pt