Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel João Croca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel João Croca. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de junho de 2014

Poema Construído




Prato à Pequim


Chegou à vida um pato que saiu do forno 

pensando-se a Fénix por causa disso,


assado e cozido, em repasto familiar renascido


as laranjas descascaram-se em espiral para acompanhar

Um pato saudável nunca está só: tem sempre duas patas



Os talheres foram postos em mesa aprumada

"-Para mim", pensou a fénix, olhando a cabeceira,

degolada e decepada, com laranja decorada

mesa posta a rigor já com pato e tudo quem será que vem jantar

Um Coelho que traz Aguiar Branco, Poiares Maduro e Mateus Rosé.



À roda, a mesa coloria de frutas, e cantava-se Alegrias

e o pato que se julgava a fénix lá se ergueu, olhou o coelho e disse:

"-Quem diria Coelho, renascidos os dois na mesma mesa."

O Coelho sorriu, pensando: pois, mas eu venho para comer e tu para ser comido

E, se bem pensou, melhor o fez: comeu a Fénix, com cinzas e tudo!



Diogo Correia
Luís Gomes
Luís Santos
Manuel João Croca
António Tapadinhas


domingo, 30 de junho de 2013

 
 
 
CONVERSA OU ECO
 

E sempre recomeçar a partir do ser que de repente é nada. Um nada branco que aceita a cor do pintor e da pincelada. Luz e sombra, renascemos no morrer de cada dia e na encruzilhada procura-se a harmonia.

Calamos para depois cantarmos desconstruindo pavores onde o grito se forma.

O vento, as aves do mar, o sol e o luar são parte dos hinos que escutamos.
De resto, há sempre algo mais que só depois saberemos, percebemos assim que é tempo de nos lançarmos ao caminho. Que é tempo de fazer a música e compor a melodia.

Viver é sem remédio, no acatar e na rebeldia.

 


Pintura: Luís Delgado; Texto: Manuel João Croca

domingo, 23 de junho de 2013









CALMARIA ou TALVEZ NÃO.


Fim de tarde, muito calor.
Rego as árvores, as plantas e as flores.
Chega a noite e é Lua cheia, enorme.
Passa agora por sobre o castelo de Palmela.
O pinhal aqui ao lado murmura numa linguagem de mar.
É uma ilusão.
Sei-o, porque o mar verdadeiro não se consegue ouvir aqui.
E no entanto deixo-a ficar, alimento-a até.
Porque me é agradável, pacífica, inofensiva.
Deixo mesmo que me embale na redacção deste pequeno texto que vou publicar daqui a pouco no Estudo Geral.
Mas nem todas as ilusões são assim inocentes.
Há as que nos são premeditadamente induzidas com intuitos pouco recomendáveis.
A nossa “democracia” por exemplo.
Aparentemente vivemos em democracia.
Verdade ou somente ilusão?
Um governo que depois de eleito governa exactamente ao contrário do que prometeu quando se apresentou às eleições;
Que viola sistemática e repetidamente direitos e garantias, conquistas do nosso processo civilizacional, consignados na Lei maior do país: a Constituição;
Que promove e pratica uma repartição de direitos e obrigações absolutamente desigual e viciada;
Que mente sucessiva e descaradamente e que assumidamente pretende empobrecer os cidadãos que diz representar;

(poderia continuar a enumerar factos e situações que aviltam o conceito de democracia e estender por muito mais tempo a escrita de linhas que tornariam muito extenso e cansativo o texto)

Esta é uma daquelas ilusões que não pretendo alimentar.
É preciso “democratizar a democracia”.
Dizer: ALTO LÁ!
Não sei de nenhuma fórmula mágica para mudar isto num repente (nem sei se haverá) mas, para já, dou um passo em frente apoiando inteiramente a GREVE GERAL do próximo dia 27.
O passo seguinte logo se verá.



                                             Fotos: Edgar Cantante;
                                             Texto: Manuel João Croca

domingo, 9 de junho de 2013

 
FANTASIA
 
Sei que há flores que só se abrem de noite. Descobri que é verdade pelo perfume que exalam, e que detectei inadvertidamente quando caminhava ao luar por ruas calcetadas mergulhadas em silêncio. As narinas farejaram e a alma foi atrás. Desaguou exangue numa praia que existe e é real.
 O violoncelista cagou prá banda e solou o quanto quis. Quem escutava por escutar e só queria um final feliz com concordância na sonoridade blasfemou: «Grande merda!!!»
Eu ouvi, calei e sorri. Pensei: «Grande curte!!!»
Que coreto querias tu?
Mas que noite feita manhã.
 
Manuel João Croca
 
 
Foto: Edgar Cantante

domingo, 26 de maio de 2013


RETRATOS – VI


Os retratos registam instantes para a posteridade.
Naturalmente que uns mais marcantes, outros mais irrelevantes. 
É por isso que quando visitamos aqueles álbuns antigos ainda nos surpreendemos, e emocionamos, com alguns registos que comprovam e nos elucidam sobre a passagem do tempo.

Para além dos retratos em papel, há o registo que guardamos na nossa memória fotográfica e que catalogamos em “pastas” a que chamamos de lembranças.
Por isso a capacidade de nos lembrarmos é tão importante no ser o que somos.

Vem isto a propósito do facto de que hoje, uma dessas pastas de lembranças que trazemos sempre connosco pois que moram em nós, se ter aberto por sua exclusiva vontade revelando-se com toda a naturalidade. A naturalidade era tanta, instalou-se com tanto desafogo, que percebi logo que não tinha pressa de partir, facto que se veio a confirmar.
Tem andado todo o dia comigo e, de vez em quando, sorri-me.
É agradável e não me importo nada com isso, caso contrário nem estaria a falar disso, não é verdade?!


Manuel João Croca



domingo, 19 de maio de 2013



***

Os artistas, os escritores, dizem-nos segredos profundos
sobre quem somos.

*


Cartaz de Carlos Baptista (com M. J. Croca) 
a partir de fotografia de Edgar Cantante

Terminam hoje, domingo, com a apresentação – a cargo de Maria Dores Nascimento - do novo livro do nosso conterrâneo e Amigo Luís Filipe de Almeida Gomes, “Histórias da Margem Sul”, seguido de uma performance poética a cargo do Amigo António Tapadinhas os “Encontros de Primavera – 2013”, conjunto de iniciativas que pretendeu constituir-se como um espaço de reflexão colectiva e individual sobre a natureza, o propósito e o papel da(s) Arte(s) no arquitectar das sociedades.
O evento organizou-se em torno das ARTES PLÁSTICAS/PINTURA, do CINEMA, da MÚSICA e da LITERATURA.
Na primeira variante revelaram-se, através de exposição, os últimos trabalhos de PINTURA de dois artistas locais na geografia, já que no olhar se revelam bem mais universalistas, desde logo pelos universos revelados/partilhados. 


Pintura de Luís Delgado

No caso de Luís Delgado, e a partir de uma frase do celebrado impressionista francês Claude Monet “Gostaria de pintar como o pássaro canta.”, vem elaborando um caderno de esquissos (também patente na exposição) em que, privilegiando a técnica da colagem, realiza um conjunto de estudos que depois plasma na tela em óleos de grande beleza. 

Já em Celeste Beirão, somos convidados a penetrar no ambiente mágico e instigante das florestas, reinos de cor e sombras onde acedemos por trilhos que a artista criou para nós, tornando possível ao olhar, e restantes sentidos, o deslumbramento e o êxtase. Há quem garanta que se conseguem escutar os tambores e vislumbrar clarões de fogueira que arde numa clareira.



Pintura de Celeste Beirão


Para além destas exposições de pintura, realizou-se uma conferência subordinada ao tema “O Panorama Geral das ARTES PLÁSTICAS nos Séculos XX e XXI” proferida por Maribel Sobreira e Fabrícia Valente, arquitectas de formação e mediadoras culturais do CCB e Museu Berardo, muito enriquecedora e que premiou o tempo que lhe dispensámos.
Na área da MÚSICA privilegiou-se desta vez o Jazz. A sua comemoração fez-se a dois tempos. Primeiro, durante a tarde, através de uma conferência proferida por Iuri Gaspar, virtuoso pianista e professor na Escola de Jazz no Barreiro que nos falou das “Origens do Jazz, as Principais Correntes surgidas nos Últimos Cem Anos e os Intérpretes Mais Relevantes” e, confesso, muito nos foi revelado. À noite, fomos brindados com um magnífico concerto, responsabilidade de um sexteto da Escola de Jazz do Barreiro. A sala estava cheia, vibrante e tivemos de apelar à solidariedade do funcionário da C.M da Moita de serviço, para nos permitir prolongar a noite para além do horário inicialmente previsto.
O CINEMA marcou presença por via da projecção do filme de Phillipe Loiret, “Welcome”, que aborda problemáticas tão actuais como a emigração, a interculturalidade, a xenofobia,… Enfim, a relação com o “Outro” que nos permite completarmo-nos ou empequenecermo-nos. A escolha cabe a cada um.
A LITERATURA teve presença destacada. Com a apresentação do novo romance do escritor timorense Luís Cardoso – “O Ano em que Pigafetta Completou a Circum-Navegação” –, numa edição da Sextante Editora. A apresentação da obra esteve a cargo do seu editor e nosso amigo João Rodrigues. Seguiu-se um debate subordinado ao tema “Qual o Papel e Que Literatura Numa Sociedade em Crise” que contou com a presença, para além dos atrás referidos, de Sousa Pereira, Director do Jornal Regional “Rostos”.
O evento foi bastante proveitoso e, às muitas pessoas que nele participaram, decerto permitiu “ LIBERTAR O OLHAR, DESCOBRIR O SENTIR, CONSTRUIR A PALAVRA” , afinal o lema dos Encontros.
Quem não teve oportunidade de participar e gostaria, não desespere. Arranje um pouco de paciência e aguarde, porque, para o ano, provavelmente, terá oportunidade de participar nos “ENCONTROS DE OUTONO – 2014”. Assim a CACAV que organiza a iniciativa, tenha o propósito, a arte, o engenho e a energia para os concretizar.

 Manuel João Croca

domingo, 5 de maio de 2013

                                           

                                              RETRATOS - IV




Ando pela rua
e vejo
os rostos
das pessoas.

Pessoas que são
a nossa gente,
eu, tu, nós,
todos.

Rostos
assustados,
acabrunhados,
destruídos.

Não!
Não pode haver
desculpa
para quem
nos quis assim.



Manuel João Croca




Pintura de Luís Delgado (óleo s/ platex)


domingo, 28 de abril de 2013



RETRATOS – III




Pintura de Luís Delgado (óleo sobre platex)


DESEMPREGO

Voltaram os distúrbios do sono.
Vai-se para a cama quando os olhos já pesam e os bocejos se soltam e, após o indispensável balanço do dia e o reavivar de alguma ocupação agendada para o tempo seguinte, o sono acaba por chegar aparentemente natural já que com certeza legítimo.
Mas algo existe, que de natural nada tem pois que subitamente se interrompe o sono às horas mais surpreendentes.
Indeciso entre considerar já ser muito tarde ou ser ainda muito cedo, fica-se ali quieto esperando que o dormir regresse. Os olhos mantêm-se fechados como que ordenando ao corpo que readormeça.
Ouvem-se as horas na torre da igreja.
Uma única badalada.
Ora bolas que meia será?
Às vezes espera-se que a torre nos diga o acerto das horas completas, outras não há pachorra para esperar mais meia hora para a confidência. Acende-se então a luz do candeeiro e espreita-se o despertador: 05,30 horas.
Uma volta na cama e a tentativa de que o calor do leito iluda a biologia e se deixe de novo seduzir pela lembrança do sono recente e contorne a despertina. É, recorrentemente, uma expectativa frustrada, o despertar está decidido e não se acobarda.
No outro dia eram 04,50, noutro 06,15, noutro ainda 05,10. Às vezes ainda se fica um pouco deitado, de olhos abertos, tricotando pensamentos embalados no respirar pesado da companheira que ao lado dorme ou evade-se a atenção para o exterior catando ruídos na noite.
Às vezes ouve-se uma coruja já que por aqui há algumas.
O tempo passa lento em direcção à manhã e ao corpo impõe-se o levantar. De mansinho, como convém atendendo à hora e para não incomodar o resto da família que dorme sem dar por nada. Levantam-se as persianas devagar oferecendo-se às plantas cá de casa o clarear da manhã.
Na cozinha se bebe água e se fuma um cigarro na varanda das traseiras olhando, até  ao encadeio, o néon amarelo dos candeeiros da praceta até que a aurora surge num ritual sempre novo e os ruídos do despertar se começam a ouvir nas casas ao lado.
Durante muito tempo foi assim.
Só eu na noite aguardando a chegada do dia.
Agora já não é pois que, de vez em quando, identifico outros fumos, de outros cigarros, que se elevam das janelas.
Não sendo aberrante é, contudo, de certa forma estranho.
O tempo habitualmente consignado ao descanso, consumindo-se com os cigarros que se fumam em silêncio na madrugada.
Senti necessidade de me informar do que por ali se passava e lá fui sabendo que o desemprego recrutara mais reforços ali no quarteirão.
Pronto, estava explicado.
E assim, também, compreendido o porquê desta solidão partilhada acentuar ainda mais o desconforto e a sensação de abandono despropositado e, como tal, óbvia e forçosamente inaceitável.
Temos de dar uma volta a isto.
O presente o exige, o futuro o merece. 

Manuel João Croca


domingo, 31 de março de 2013





Foto: Manuel João Croca


NA PÁSCOA


E foi assim que se passou.
Sentir uma vontade danada de ir ao encontro da natureza na sua forma mais pura – aquela em que a mão do homem ainda lhe não alterou a geografia original – sem pensar sequer no risco de se perder.
Sentir, e ir.

Saltar uma – ou a - cerca (as terras agora estão quase todas cercadas), e embrenhar-se pelo tapete verde que almofada o montado e sentir o verde, a imensidão daquela atmosfera verde.
Ouvir o som da água a correr caudalosa lá em baixo e aspirar o cheiro que sobe, evolando-se,  espargindo tudo. Observar os regos de água cruzando o montado numa maturação de humidade. As flores desabrochando em todos os tons, coelhos correndo espantados pelo invasor desconhecido, e o mistério da vida revelando-se na sua essência primordial sob a forma de uma onda de fecunda harmonia.

Quadros que poderiam ser transportados de épocas ancestrais, ainda não violados pela artificial fragmentação do tempo que marca o ritmo das nossas urbes, clones de outras urbes, de outras urbes, catedrais de consumos e artificialidades.
Tudo ali parecendo feito na hora, revelações apenas desfrutadas na medida em que se alarga o horizonte visual.
Uma eterna e renovada revelação.
Metamorfose ao ritmo das estações, dos dias e das horas sem introdução de mecânica artificial que permita a prepotente manipulação da expressão do tempo representado em directo.

Por isso, ali se sente o franquear de um santuário verdadeiro e se pode ouvir o que um Cristo fala, exaltação de uma verdade que já se não aprende nos livros – pois que está antes ou depois deles -, e que, na natural e estimulada contraposição aos propósitos e ritmos com que ocupamos os dias, nos confronta com uma praxis que conduz a um futuro inevitável, mas de que se regressa sem saudades, antes assombrados pela visão do que se não gosta mas nos é imposto pelo sentido da deriva colectiva.

A roda da história dirão, a roda da história dirá, porque um só homem não desenha ou contém o curso da diáspora colectiva ainda que a mesma possa ser refém de um olhar alienado e superficial, que se afasta do bom senso que indica que a um exterior corresponde um interior por vezes muito mais intricado do que a instantânea leitura da revelação a preto e branco sugerida por uma fotografia.

E é já como num lamento e sentimento de impotência que clama: “olhai os lírios do campo”, na expectativa irrealizável de que tal bastasse para que o homem se sentisse saciado.

Mas não, a percepção dessa paz e harmonia leva-o a procurar coisas, sempre mais coisas, de que se possa apropriar de forma privada, e pretendendo exclusiva, na tentativa de as recriar e tornar permanentes sem discernir, ainda, que o que procura não está nas coisas, antes em si, e na viagem que conseguir realizar com e no Mundo.

Manuel João Croca




Foto: Edgar Cantante

domingo, 24 de março de 2013




UMA TERRA ASSIM, QUE FELICIDADE.


Pintura de Luís Delgado


Aqui há dias, a Fernanda Gil solicitava-me, como a várias outras pessoas, para um comentário acerca da Alhos Vedros-TV. Há pessoas a que, pela consideração que nos merecem, não gostamos de dizer não. Assim sendo, e depois de visitar o site, predispus-me ao acto e registei o seguinte:

Vi, agora e na totalidade, duas reportagens.
A do Carnaval e a do Dia da Marinha do Tejo.
As reportagens estão óptimas e, mais uma vez, estamos na vanguarda.
Achei muito simbólica a navegação dos barcos - com as velas feitas bandeiras drapejando ao vento e música de fundo a ajudar - rumando ao futuro e a novas descobertas.
Futuro que - se dependesse da arte, engenho e voluntarismo da alma navegante que aos portugueses coube em sorte ou souberam construir - nos poderia sorrir como um abraço que se dá fraternalmente.



Pintura de Luís Delgado


Infelizmente não tem calhado assim.
O que nos tem calhado na rifa - por uma surpreendente vontade de uma maioria ainda assim minoritária - são aqueles que dos barcos e da navegação apenas lhes interessa, quais ratos de porão, a despensa de víveres, as comissões de “serviço” e o saque.
Seja no Estado ou nas empresas o clientelismo impõe reciprocidades para que não surjam retaliações e a grande farra possa continuar.
Mas não convém (não queremos, nem podemos) desanimar e, portanto, não será aí que nos iremos deter.
Será muito melhor e animador focarmo-nos e realçarmos o bendito sortilégio desta nossa velha terra e das suas gentes - crianças, jovens e menos jovens, homens e mulheres - que continuam a renovar-se e a maravilhar-nos em iniciativas culturais que nos enriquecem e ajudam a construir.
Não haverá muitas terras assim.
Não sei, digo eu.



Fotografia de Carlos Baptista

Desde o Corso de Carnaval, à Feira Medieval (com mais uma edição aí à porta). Da Feira do Livro (uma das mais antigas do país) aos Festivais de Folclore. Da Bienal de Pintura (em homenagem a um dos grandes dinamizadores culturais do concelho de seu nome Joaquim Afonso Madeira), às Feiras de Artes e Artesanato. Dos Festivais que expressam e celebram a multiculturalidade e completam o arco-íris de um Movimento Associativo rico e diversificado, aos Artistas Plásticos e Fotógrafos, Escritores e Poetas. Dos “Encontros” que promovem a reflexão em torno das Artes (temos à porta os “Encontros de Primavera 2013) a uma Oficina D’Artes e à Escola Aberta Agostinho da Silva. De um Grupo Coral que, ao longo dos anos, conta com centenas de actuações em todo o país e também já no estrangeiro, aos inúmeros grupos musicais que ora surgem ora esmorecem, ora ressurgem em novas tentativas de encontrar expressões musicais por jovens que procuram emergir desta realidade cinzenta. Já tivemos Rádios Locais (a “Rádio Tejo” e a “Rádio Opção”), temos agora a Alhos Vedros-TV.
A recusa ao fechamento, a necessidade de abertura ao exterior, a vontade de comunicar com o mundo.
Que mais estará para nascer hã?

(Gostaríamos muito fosse possível o ressurgimento de uma Banda Filarmónica já que os sonhos por vezes se concretizam e é deles que nasce o futuro.)

E a gente, aqui a viver.
A fazer e a participar da história diariamente, mês após mês, ano após ano…
Inquieta e sedutora vila antiga que desígnios te fadaram, que ventos te animaram e moldaram assim?
Curiosa pelo saber, desenfastiada no realizar, espécie de Terra do Nunca onde os sonhos não envelhecem e os olhos se escancaram para melhor ver e entender.

Será a terra que dita os homens ou serão os homens que polenizam a terra?

São, pois, de regozijo e orgulho estas palavras, escritas à luz do brilho que se nos acende no olhar e nos requisita para parabenizar os artífices de mais este projecto que já é uma realidade: a ALHOS VEDROS TV.

                                                                                                                                                            
Texto; Manuel João Croca




sábado, 24 de março de 2012

MOMENTO DE POESIA
com Manuel João Croca


                                     

                                         
AINDA HÁ POUCO, O POEMA



Não foi de chuva

o Outono

este ano.

Foi de amarelos,

castanhos e

dourados

nas árvores

que eu amo

e me amam.

Abraçaram-me

e eu, comovi-me.

Até chorei.

Ninguém viu,

mas eu sei.



Fotos: Edgar Cantante; Poema: Manuel João