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Os
artistas, os escritores, dizem-nos segredos profundos
sobre
quem somos.
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Cartaz de Carlos Baptista (com M. J. Croca)
a partir de fotografia de Edgar Cantante
Terminam hoje, domingo, com a apresentação – a cargo de Maria Dores Nascimento - do novo livro do nosso conterrâneo e Amigo Luís Filipe de Almeida Gomes, “Histórias da Margem Sul”, seguido de uma performance poética a cargo do Amigo António Tapadinhas os “Encontros de Primavera – 2013”, conjunto de iniciativas que pretendeu constituir-se como um espaço de reflexão colectiva e individual sobre a natureza, o propósito e o papel da(s) Arte(s) no arquitectar das sociedades.
O
evento organizou-se em torno das ARTES PLÁSTICAS/PINTURA, do CINEMA, da MÚSICA
e da LITERATURA.
Na
primeira variante revelaram-se, através de exposição, os últimos trabalhos de PINTURA
de dois artistas locais na geografia, já que no olhar se revelam bem mais
universalistas, desde logo pelos universos revelados/partilhados.
Pintura de Luís Delgado
No
caso de Luís Delgado, e a partir de uma frase do celebrado impressionista
francês Claude Monet “Gostaria de pintar como o pássaro canta.”, vem elaborando
um caderno de esquissos (também patente na exposição) em que, privilegiando a
técnica da colagem, realiza um conjunto de estudos que depois plasma na tela em
óleos de grande beleza.
Já
em Celeste Beirão, somos convidados a penetrar no ambiente mágico e instigante
das florestas, reinos de cor e sombras onde acedemos por trilhos que a artista
criou para nós, tornando possível ao olhar, e restantes sentidos, o
deslumbramento e o êxtase. Há quem garanta que se conseguem escutar os tambores
e vislumbrar clarões de fogueira que arde numa clareira.
Pintura de Celeste Beirão
Para
além destas exposições de pintura, realizou-se uma conferência subordinada ao
tema “O Panorama Geral das ARTES PLÁSTICAS nos Séculos XX e XXI” proferida por Maribel
Sobreira e Fabrícia Valente, arquitectas de formação e mediadoras culturais do
CCB e Museu Berardo, muito enriquecedora e que premiou o tempo que lhe
dispensámos.
Na
área da MÚSICA privilegiou-se desta vez o Jazz. A sua comemoração fez-se a dois
tempos. Primeiro, durante a tarde, através de uma conferência proferida por
Iuri Gaspar, virtuoso pianista e professor na Escola de Jazz no Barreiro que
nos falou das “Origens do Jazz, as Principais Correntes surgidas nos Últimos
Cem Anos e os Intérpretes Mais Relevantes” e, confesso, muito nos foi revelado.
À noite, fomos brindados com um magnífico concerto, responsabilidade de um
sexteto da Escola de Jazz do Barreiro. A sala estava cheia, vibrante e tivemos
de apelar à solidariedade do funcionário da C.M da Moita de serviço, para nos
permitir prolongar a noite para além do horário inicialmente previsto.
O
CINEMA marcou presença por via da projecção do filme de Phillipe Loiret,
“Welcome”, que aborda problemáticas tão actuais como a emigração, a
interculturalidade, a xenofobia,… Enfim, a relação com o “Outro” que nos
permite completarmo-nos ou empequenecermo-nos. A escolha cabe a cada um.
A
LITERATURA teve presença destacada. Com a apresentação do novo romance do
escritor timorense Luís Cardoso – “O Ano em que Pigafetta Completou a
Circum-Navegação” –, numa edição da Sextante Editora. A apresentação da obra esteve
a cargo do seu editor e nosso amigo João Rodrigues. Seguiu-se um debate
subordinado ao tema “Qual o Papel e Que Literatura Numa Sociedade em Crise” que
contou com a presença, para além dos atrás referidos, de Sousa Pereira,
Director do Jornal Regional “Rostos”.
O
evento foi bastante proveitoso e, às muitas pessoas que nele participaram,
decerto permitiu “ LIBERTAR O OLHAR, DESCOBRIR O SENTIR, CONSTRUIR A PALAVRA” ,
afinal o lema dos Encontros.
Quem
não teve oportunidade de participar e gostaria, não desespere. Arranje um pouco
de paciência e aguarde, porque, para o ano, provavelmente, terá oportunidade de
participar nos “ENCONTROS DE OUTONO – 2014”. Assim a CACAV que organiza a
iniciativa, tenha o propósito, a arte, o engenho e a energia para os
concretizar.
Manuel
João Croca