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quarta-feira, 15 de julho de 2015



O Largo da Graça
Foto de Lucas Rosa

O Mundo na Era da Globalização

As tecnologias da informação estão a mudar o mundo. A conjunção da informática com as telecomunicações pronunciam uma nova época (...) Nos próximos anos, novas e mais sofisticadas tecnologias aproximarão cada vez mais as sociedades mundiais de um "mundo sem trabalhadores". Redefinir a falta de trabalho deverá ser a questão social mais premente deste século.

Enquanto para alguns um mundo sem trabalho se traduzirá, sobretudo, em liberdade e tempo livre, para outros evoca a ideia de um futuro sombrio com desemprego e pobreza generalizada.

Novas instituições estão a ser criadas pelas pessoas para suprir necessidades que não estão a ser atendidas pelo mercado. E isto se verifica por todo o mundo.

"No séc. XVIII, a máquina a vapor provocando a revolução industrial, mudou a face do mundo (...) No entanto, essa máquina apenas substituía o músculo. Com a vocação de substituir o cérebro, o computador está a provocar, sob os nossos olhos, mutações ainda mais formidáveis e inéditas." (*)

Luís Santos, O Largo da Graça.


(*) Ignacio Ramonet, A Guerra dos Mundos. Porto: Campo das Letras, 2002: 91)


sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Largo da Graça



"A Minha Pátria é a Língua Portuguesa"


Quando Fernando Pessoa afirmou que "A Minha Pátria é a Língua Portuguesa" estava também a definir as fronteiras daquilo que para si era o "Quinto Império". E o Império existia.

Mas se o Império Pátrio se esboroou, o "Império" da Língua é bem real e têm sido dados alguns passos bem concretos para a sua consolidação, na política, no desporto, na crescente participação cívica.

Uma maior consciencialização do devir da Língua Portuguesa, decerto, trará novos equilíbrios ao mundo, tal como aconteceu com todo o movimento de expansão ultramarina que se iniciou em Portugal no século XV. Só que agora já não é unicamente de Portugal que se trata, mas antes da Língua Portuguesa. E aqui, embora com outro sentido, a máxima pessoana não podia ser mais actual.

Pessoa publicou a sua famosa máxima no início da década de 30 do século passado. Na altura, a Pátria estendia-se pelo Ultramar. O Brasil já se tornara independente (1822), mas os territórios indianos, Timor, Macau, mais as colónias africanas, tudo fazia parte da Pátria de Pessoa.

Agora que a Nação está entregue a si própria, cabe-nos perguntar o que fazemos dessa herança enorme que advém do facto da Língua Portuguesa ser uma das mais representativas a nível mundial com mais de 200 milhões de falantes.

Secundarizada nos grandes Fóruns Internacionais, como por exemplo na ONU e na UE, onde não tem estatuto de língua escolhida na comunicação interna e externa, também nas políticas nacionais pouco se tem feito por uma afirmação digna da Língua Portuguesa.

É verdade que nos últimos anos a situação tem revelado algumas alterações, desde logo com a criação da CPLP, mas sobretudo com as maiores possibilidades tecnológicas trazidas pela globalização e por uma cidadania que se reconhece ativa, constata-se uma maior consciencialização sobre a questão lusófona.

Muito estará por se realizar e, decerto, que a Mensagem sobre a importância que Fernando Pessoa dava à Língua Portuguesa não tem nos dias de hoje menos sentido, muito pelo contrário.

Luís Santos

sábado, 17 de março de 2012

O Largo da Graça


Religião

Deixo aqui alguns tópicos que poderão ser úteis para uma reflexão sobre o conceito:

- Quando pensamos etimologicamente em religião como re-ligação, entre o baixo e o alto, entre os homens e Deus, tudo se indicia como se tivesse existido um tempo de separação, ficando como legado a saudade (do reencontro).

-Não se deve confundir Igreja com Religião. Igrejas há muitas e Religiões também.

-Não se deve confundir Catolicismo com Cristianismo. Cristianismos há muitos - católicos, ortodoxos, protestantes, anglicanos…

-Não se devem, portanto, confundir algumas incongruências católicas ao longo dos tempos (inquisição, venda de indulgências, intolerância religiosa, alianças conservadoras... ), com os ensinamentos primordiais de Cristo.

-Falar de Cristianismo é uma coisa diferente de falar de outros sistemas religiosos, como o Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Taoísmo, Animismo, Budismo. (Será que se pode dizer que o Budismo é uma religião?)

-Todas as religiões são concordantes num ponto, embora se lhe refiram de maneira diferenciada: através do cumprimento de determinados princípios e de determinadas práticas é possível, digamos assim, a conquista de níveis de existência mais evoluídos, ou como se costuma dizer entre os cristãos, a salvação da alma.

Para terminar o textinho deixo umas palavras Evangelho de João que me entraram casa dentro, enquanto ia rascunhando estas palavras:

”Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair; e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia. Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Todo aquele que escutou o ensinamento que vem do Pai e o entendeu vem a mim. Não é que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que tem a sua origem em Deus: esse é que viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto, mas morreram. Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu: se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo.»

Evangelho segundo S. João 6,44-51.



Luís Santos

domingo, 4 de março de 2012

O Largo da Graça


Democracia e Poder Local

O Poder Autárquico, uma das conquistas populares da Revolução de Abril de 1974, tal como está instituído, tem-se revelado nestas quatro décadas mais uma fonte de despesas inúteis, de impostos sacados do nosso bolso que começam a ultrapassar a razoabilidade, do fortalecimento do caciquismo local, de compadrios partidários pouco democráticos, corrupção desmedida, especulação imobiliária, ordenamento urbano vergonhoso, entre um conjunto também imenso de coisas boas, porque como dizia ontem um amigo meu não existem só coisas más.

Não se contesta o direito que as populações têm à auto-organização, cultural, social, política, no que isso se traduz em descentralização do poder e capacidade de decisão nas formas de desenvolvimento local. Agora esta incapacidade democrática a que temos vindo a assistir, é que não dá.

É necessário pensar numa reorganização mais eficaz e menos dispendiosa da Lei da Administração Local. Mas será que ainda existe por aqui alguém que consiga pensar sem complicar e sem burocratizar?

De facto, os partidos políticos, muito particularmente a nível autárquico, vão servindo, sobretudo, as suas clientelas, em vez de servirem a população em geral, e tudo fazem para evitar que os grupos ideologicamente adversos conquistem prestígio. Temos ainda que contar muitas vezes na administração política local, com a má formação e incompetência dos líderes políticos e de muitos que os rodeiam.

É também assim que se vai definindo o espírito democrático, embora saibamos que a Democracia é um saco muito grande onde cabe muita coisa distinta, onde se misturam ideais de tendência mais liberal ou mais democrática, mais ou menos capitalista, mais na esfera do público ou do privado.

Todo este conjunto de promiscuidades e incompetências provocam o cansaço e a desilusão face à partidocracia. Mas não nos resta alternativa que não seja ir participando no jogo democrático, ainda que reflectindo em instâncias que o complementem, tentando a máxima contribuição possível para a melhor organização colectiva.

Temos na agenda política atual a reforma da administração autárquica. Ouve-se falar muito em redução do número de freguesias, tal como na necessária redução da dívida e da despesa pública. Mas à falta de um debate sério sobre o assunto, e à pressa que a troika impõe, lá iremos perder mais uma oportunidade para que se consiga uma Reforma da administração local digna.

Luís Santos

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Largo da Graça


José Afonso

O Zeca Afonso não é da minha geração, nem é parte indispensável da minha cultura musical. O que não quer dizer que não tenha várias canções indispensáveis.

Mas, além de tudo, encontro nas minhas liberdades fundamentais uma dívida para os que como ele deram a vida pela liberdade, pelo fim da guerra colonial, contra a pobreza e a injustiça social, por uma maior dignidade da vida humana.

É boa a criação do símbolo que nos permite recordar que alguém teimou em ter-nos amarrados, mão-de-obra para uso privado e não nos queria a voar. Eram, mais ou menos, assim os fascistas do Estado Novo. Mas há muitos mais…

Creio igualmente que muitos há levantando o punho com ele, mas embora nem suspeitem, são parecidos com os outros.

Como conheço mais o ícone José Afonso do que a pessoa não vou duvidar da sua generosidade na partilha. Sei que naquele tempo, se confundiam facilmente intenções totalitárias com liberdade. De maneira alguma me atrevo a dizer que tenha sido o caso, bem pelo contrário. Mas não é que ainda hoje acontece com muito boa gente...

Luís Santos

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Largo da Graça



Espaço Público

As ruas, os edifícios, os jardins, são da responsabilidade de quem? Porque não estão melhor cuidados? Que podemos fazer para que esses espaços sejam tratados efetivamente como a nossa casa comum?

Temos um país muito bonito, de grande diversidade e beleza paisagística. Cores de tonalidades mil como no arco-íris. Mas no que toca ao planeamento da generalidade das nossas vilas e cidades, é uma desinspiração e das grandes. Falta de espaços naturais, zonas verdes, os edifícios na generalidade são feios, os equipamentos de desporto e lazer são escassos, e poderíamos continuar por aí fora que a lista sobre o fraco desempenho das políticas públicas muito se alongaria.

Será da pouca formação dos nossos líderes políticos, em particular, ao nível do poder autárquico? Será da incapacidade dos nossos engenheiros e arquitectos? Será devido ao clientelismo partidário? Será porque na construção civil se colocou o lucro individual muito à frente do bem comum? Enfim, será fruto da nossa fraca consciência colectiva? Porque será?

Dá-me ideia que planear uma vila, uma cidade, um país, de certa forma é como fazer uma pintura. O resultado final depende da capacidade e do bom gosto do artista ou, se a obra for colectiva, dos artistas. E o que pensamos para o nosso país, de maneira idêntica o fazemos para todo o espaço lusófono e para o mundo.

Naturalmente que a emancipação social passa por um cada vez maior incremento de uma democracia participativa em detrimento desta democracia representativa. Por uma opinião pública que se quer o mais esclarecida possível, capaz de ajudar a esclarecer as opiniões dos gestores políticos, em direcção a uma cada vez maior e efectiva qualidade de vida.

Mas o que é ser esclarecido? E o que é uma efectiva qualidade de vida? Quais são os princípios que a devem nortear? Aqui é que está o busílis da questão, não é verdade?
E depois, “quantas vezes falar pouco é fazer muito”, ouvi eu dizer numa altura em que o Dalai Lama se ia passeando pelas ruas de Lisboa.

Nunca a participação social foi tão ampla. Desde a Revolução Francesa, com a implantação do liberalismo, que a democratização das sociedades se vem consolidando cada vez mais.

Hoje são conhecidos todo um conjunto de movimentos sociais, transversais a toda a sociedade, de raça, sexo, género, ambientais, pacifistas, sindicais, religiosos, e sei lá que mais. Portanto, a participação social não está de todo mal de saúde, mas mais se recomenda.

Em suma:

- Será ainda demasiadamente representativa a nossa democracia? Decerto.

- E deverá ser menos? Cremos que sim, mas os atuais níveis de participação social deixam muito a desejar. Temos de aprender a exigir maior responsabilidade ética aos nossos representantes políticos.

- Será necessário reformar o sistema político? Claro, é evidente que o bloco liberal, por si só, é muito limitado.

- E deveremos apostar mais em democracias plurais e radicais, em socialismos de mercado, ou em anarquismos pacifistas?… Que dê para todos, e bem, é o que se deseja.

- Mas como? Teremos artistas que dê para tanto? Sem dúvida. Mas é preciso calma, entreajuda e esperança na Vida. Precisamos aprender a conversar, em vez de discutir.

Apressemo-nos devagar.

Luís Santos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O Largo da Graça


O MUNDO NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO


As tecnologias da informação estão a mudar o mundo - a conjunção da informática com as telecomunicações prenunciam uma nova época.
A fusão das tecnologias do telefone, computador, televisão por cabo e disco vídeo trarão novas formas de comunicação entre as pessoas.

A expansão da democracia é muito influenciada pelo progresso das comunicações a nível global.
O paradoxo da democracia atual é que enquanto se está a expandir por todas as partes do mundo, nas democracias mais maduras os níveis de confiança nos políticos tem vindo a diminuir.
Mas um certo desencanto nos políticos não desencantou os processos democráticos. Hoje, as pessoas que pertencem a organizações voluntárias, ou a grupos de ajuda mútua são vinte vezes superior às que estão filiadas em partidos políticos.
A revolução das comunicações produziu cidadanias mais activas, o que exige uma maior clareza e responsabilização dos líderes políticos.
É necessário democratizar a democracia.

A globalização neoliberal reproduz condições económicas e sociais que tende a aumentar as desigualdades entre ricos e pobres, quer em termos globais, quer nacionais.
O aumento das desigualdades acentua a exclusão social efectiva de grandes sectores da população mundial.
O aumento do trabalho precário nas grandes cidades e nas periferias provoca o aumento do número de pessoas que vive no limiar da miséria. 
Em Bogotá isso verifica-se, por exemplo, no crescente número de pessoas que sobrevive rebuscando contentores e lixeiras à procura de materiais recicláveis para venda.

Os países ocidentais exigiram a liberalização mundial do comércio para os produtos que exportavam, mas ao mesmo tempo continuaram a proteger os sectores em que a concorrência dos países em desenvolvimento podia ameaçar as suas economias.
Os EUA e o FMI insistiram sempre em acelerar este tipo de liberalização do comércio, fazendo mesmo depender os seus apoios ao desenvolvimento da aceitação dessa perspectiva.


Nos próximos anos, novas e mais sofisticadas tecnologias na área da informática aproximarão cada vez mais as sociedades mundiais de um "mundo sem trabalhadores". Redefinir a falta de trabalho deverá ser a questão social mais premente deste século.

Enquanto para alguns um mundo sem trabalho se traduzirá, sobretudo, em liberdade e tempo livre, para outros evoca a ideia de um futuro sombrio com desemprego e pobreza generalizada.

Novas instituições estão a ser criadas pelas pessoas para suprir necessidades que não estão a ser atendidas pelo mercado, ou pelo sector público. E isto se verifica por todo o mundo.


"No Séc. XVIII, a máquina a vapor, provocando a revolução industrial, mudou a face do mundo (...). No entanto, essa máquina apenas substituía o músculo.Com a vocação de substituir o cérebro, o computador está a provocar, sob os nossos olhos, mutações ainda mais formidáveis e inéditas." (Ramonet, Ignacio, 2002, p.91)


Luís Santos

Bibliografia
. LYON, David - A Sociedade da Informação. Oeiras: Celta Editora, 1992.
. GIDDENS, Anthony - O Mundo na Era da Globalização. Lisboa: Ed. Presença, 2000.
. RODRIGUEZ, César - O Caso das Cooperativas de Recicladores de Lixo na Colômbia,in, SANTOS, Boaventura Sousa - Produzir para Viver. Porto: Ed. Afrontamento, 2002.
. STIGLITZ, Joseph - Golobalização: A Grande Desilusão. Lisboa: Terramar, 2002.
. RIFKIN, Jeremy - O Fim dos Empregos. São Paulo: Ed. Milton Mira de Assumpção Filho, 1995.
. RAMONET, Ignacio - A Guerra dos Mundos. Porto: Campo das Letras, 2002.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Largo da Graça



Dalai Lama e Tibete

No livro " O Ensinamento do Dalai Lama", escrito por Ele mesmo, diz-se que o Budismo é uma doutrina que visa a eliminação do sofrimento - de si próprio e de todos os seres. Como se poderá lá chegar? Através da meditação, da contemplação, da reflexão, respeitando todo um conjunto de princípios e de práticas.

Talvez se possa dizer que a principal orientação dada nesses ensinamentos é de que se deve amar mais os outros do que a si próprio. Servir os outros constitui-se no Budismo como a principal regra de vida.

Logo aqui, a clara relação que se pode estabelecer com uma dos mandamentos da mensagem cristã, "Ama o próximo como a ti mesmo", permite perceber que a mensagem budista tem infinitos pontos de contacto com a mensagem de Cristo.

Quanto à causa do povo tibetano, devo confessar que não conheço muito bem a sua história, mas reconheço-lhe alguns pontos semelhantes aos da causa que guiou o povo Maubere à independência. Quer dizer, o direito de um povo poder decidir sobre o seu destino, num território que lhe foi usurpado pela força, parece-me uma causa de direito inalienável.

Deveria ser pacífico, não?

(…)

Por ouvir falar em Teocracia, tenho para mim que Deus é Liberdade. Naturalmente, uma liberdade com regras, dada a necessidade de vivermos num Estado de Direito, onde a igualdade de todos perante a lei é (ou deveria ser) princípio basilar. Uma liberdade onde o processo de iniciação dos noviços seja feito de forma adequada para não deixar que ninguém se perca.

Desde a Revolução Francesa que temos vindo a aperfeiçoar um sistema político de democracia liberal, economia de mercado, capitalista, com maior ou menor intervenção por parte do Estado, sistema que saiu triunfante da “guerra fria", dada a súbita queda dos socialismos a leste, mas não de todos.

Os Socialismos hão-de voltar e veremos, lá mais para a frente, no que vai dar a aventura Chinesa deste Socialismo de Mercado. Esperemos que nos possa trazer um aperfeiçoamento que os liberalismos tardam em conseguir, embora estejamos de pé atrás… Dizemos os liberalismos porque eles não são todos iguais se comparamos, por exemplo, o norte com o sul da Europa.

De facto, esta nossa democracia liberal tem tantas limitações que se torna exasperante. Faltam-lhe mecanismos que lhe garantam um melhor funcionamento e que lhe reduzam os incríveis demagogismos, os clientelismos partidários, o situacionismo de "partidos" (quer dizer, de não serem inteiros, íntegros…), onde não seja necessário os políticos falarem aos gritos, numa indelicada poluição sonora, quais enganosos vendedores de banha da cobra.

Sente-se a falta de Algo, ou de Alguém, que esteja acima do Presidente (ou que o substitua!...), do Governo, dos Tribunais, mais lúcido, mais clarividente, que os possa orientar na sua limitada capacidade de gestão do tecido social. Esta inépcia política torna-se ainda muito mais gritante na administração autárquica.

Talvez no lugar de um Conselho de Estado devêssemos ter um Conselho de Sábios, com o maior respeito por aqueles senhores conselheiros, que muito úteis podiam ser nos desvarios mentais dos nossos líderes políticos. Talvez assim a Justiça legitimasse o Estado de Direito, a Educação formasse pessoas de eficaz participação social, os doentes tratassem da Saúde e o sustento desse muito mais para todos com muito menos trabalho.

Mas já agora, o que é um Sábio?

E não será que, com estas ideias, nos estamos a afastar de um sistema político de democracia liberal por troca com um sistema teocrático? De democracia plural mas radical? Ou será que é mais de tipo oligárquico, género socialismo de mercado? Decerto, anarquista e pacifista. Ecologista e que respeite mais os direitos dos animais. E não será possível juntá-los a todos?

É claro que necessariamente as Agendas Políticas se adequariam definitivamente aos Direitos Humanos.

Luís Santos

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Largo da Graça


Cidadania

Se banalizarmos a vida, banalizamos o eterno, diz Agostinho da Silva.

Vivemos tempos de neo-liberalismos triunfantes, mas lá virão socialismos de mercado. Iremos continuar a democratizar as democracias.

Generalizadas ideias de competição e de concorrência entre as nações são palavras limitadas que hoje os economistas muito utilizam, porque lhes facilitam as contas...

Enfim, o que é, é. Estamos como estamos.

A torneira roda e lava-se o rosto, o esquentador liga-se e aquece a água, o frigorífico é omni-presentemente frio, a hélice gira e partimos a voar. Milagres da capacidade de pensar. Só a utilização que se dá à indústria militar era dispensável, mas lá chegarão os primos dos rabudos lémures, na justa medida que descobrirem os caminhos do espírito.

Assim, melhoraremos as nossas capacidades de participação social, cooperando em vez de competir, equilibrando mecanismos de troca em vez de concorrer.

De barriguinha cheia aprenderemos melhor a aprender, organizaremos melhor o trabalho (toda a gente sabe que o trabalho dá trabalho de mais, mas pouco se fala nisso, porque ainda não chegou lá a consciência dominante), descobriremos novos e mais interessantes caminhos de cura, abrir-se-ão os caminhos dos anjos.

Na organização política temos de arranjar maneira de instituir o Conselho dos Sábios em vez do Conselho de Estado. Mas o que é um sábio? Será que existem homens sábios capazes de nos ajudar a traçar o caminho?

Se banalizarmos a vida, banalizamos o eterno.


Luís Santos


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Largo da Graça


E-ternidade (cont.)

"O Homem é aquilo que pensa" disse Buda, mais de seiscentos anos Antes de Cristo, ouvi eu dizer ontem.

Temos o maior respeito por todos os textos sagrados, sejam Védicos ou Hindús, venham dos Árabes ou dos Judeus, de Buda ou Lao-Tsé...

Todas as pessoas com as suas crenças e fé merecem-nos a maior atenção, e esperamos que o seu sentimento seja recíproco. Esperamos e desejamos que o tempo das fogueiras inquisitórias, da eliminação do outro só porque ousava ser diferente, pertença a um passado triste e de má memória.

Também nós temos a nossa matriz espiritual e para lá das pontes que podemos e devemos estabelecer com todos os outros povos e civilizações, devemos integrar e desenvolver o que é nosso.

Recuando, até, ao paganismo lusitano que continua vivo, mas, sobretudo, desenvolvendo a nossa matriz cristã que nos dá os instrumentos necessários para uma magnífica navegação à bolina, com vela triangular e tudo.

Creio que era a essa ampla espiritualidade portuguesa, ou melhor, lusófona, de interesse mundial, e mais além, que Agostinho da Silva se referia quando rebuscou no fundo da nossa alma histórica o culto popular do Espírito Santo.

Ele que dizia que a melhor religião, decerto, seria aquela que conseguisse pensar todas as outras...

Luís Santos

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Largo da Graça



Ir à escola...

As nossas escolas reflectem o espírito da organização económica competitiva e concorrencial, neo-liberal, em que vivemos.

Somos aquilo que conseguimos Ser. O resultado das sucessivas reformas educativas que cada "ministro" transporta na lapela... essa tão árdua e difícil tarefa. Será?

Mudámos alguma coisa nas últimas décadas? Creio que sim.

Podemos mudar algumas coisas nos próximos anos? Claro.

No horizonte vejo uma Escola que ajuda pessoas a relacionarem-se com pessoas. Que partilha, que para lá do si percebe da importância dos outros e do mundo, que aprende a estar em Paz, que ama o Amor...

E assim direi que (auxiliando-me de Sua Santidade Dalai Lama e do Professor Agostinho da Silva) uma vez dotados de um precioso corpo humano, nave tão difícil de obter, não devemos amesquinhar a vida, porque senão amesquinhamos o eterno.

Mas o que é isso de ser e-terno?

Luís Santos

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Largo da Graça



Alimentação


Ontem estive com o meu amigo Jorge. Jantámos juntos. E disse-me ele: "O pessoal come demais. Já reparaste que bastava eliminar a carne e o peixe ao pequeno-almoço e ao jantar para reduzir a mais de metade o sacrifício animal?"
"E como podia eu deixar de concordar?!"

A alimentação tradicional que temos por cá tem séculos atrás de séculos. Ora, se nós somos também o que comemos, então estamos bem cristalizados naquilo que somos. Ou não?

Com o tempo tudo muda, até os hábitos alimentares. Mas tem mudado devagar e não necessariamente para melhor. É verdade que nestes tempos que correm está tudo a mudar mais depressa, embora como sabemos o espaço que passa e o tempo que mede, dependa do posicionamento de quem observa...

Ao lado da alimentação tradicional podemos pensar numa alimentação... vegetariana. Mas logo algumas perguntas se vão chegando:
1) Será que depois de tantos séculos a comer mais do mesmo, se deverá (e poderá) mudar de um dia para o outro?
2) E que alterações no comportamento, e na saúde, poderemos esperar?
3) Será uma alimentação vegetariana (à boa maneira dos carneiros, dos cavalos e dos elefantes) mais apaziguadora para a mente, o espírito e a alma?

Eu comprometo-me. Sejamos as próprias ideias. Semeemos a doutrina e sejamos apóstolos pela prática.

Luís Santos

sábado, 19 de novembro de 2011

O Largo da Graça



Outra vez, o Amor


Creio que o Amor é um estado de alma. 
É ao mesmo tempo um sentimento, uma atitude e uma entidade. 
Inclui sempre em si o Outro e o Mundo. 
É assim como maravilhosa melodia de um pássaro azul, no alto de um ramo verde, numa manhã de sol de um dia de Inverno. 
O Amor pode ser simultaneamente amizade, enamoramento e paixão, por outro alguém, ou pela Humanidade inteira, universo fora. 
Disse bem, Creio. 
A síntese perfeita: Amar o Amor (ou Amor é mesmo Amar).


Luís Santos

sábado, 12 de novembro de 2011

O Largo da Graça


1. Escrita e Tecnologia

Creio que as Tecnologias da Informação e da Comunicação constituem uma boa parte do espelho da sociedade globalizada.

Devia ser assim, devia ser assado? É.
Poderá vir a ser de determinada maneira? Decerto.
Mas talvez nunca da forma como cada um vai magicando no seu canto. Tudo se vai processando num equilíbrio de diferentes forças, algumas delas que nos transcendem. O Mundo é um campo em aberto de infinitas possibilidades.

O desenvolvimento tecnológico, todas as descobertas e inovações, são incrivelmente admiráveis. Carrega-se num botão e a luz acende, eleva-se o som e a folha preenche-se de ordenados caracteres. Milagre atrás de Milagre. Assim, haja a capacidade de se utilizar tudo para servir todos.

Entre-tanto, o macaco olha e quer trincar a banana, ainda que não seja sua. A vida tem riscos, os acidentes acontecem e "quem semeia ventos colhe tempestades", dizem. A forma como agimos, dizemos, escrevemos, é muitas vezes determinante naquilo que acaba por acontecer - agressão geralmente produz agressividade.

Um conselho: não sejam maldosos e não queiram para os outros o que não querem para vós. Talvez assim o medo diminua.

Desta vez as perguntas não foram muitas, mas as afirmações são todas duvidosas.

Luís Santos


P.S.: Este "Largo da Graça" constitui-se por um conjunto de pequenos textos que surgiram num Blogue de debates temáticos, de boa memória, organizado por Luís Gomes e que, doravante, passarão aqui a ser publicados.