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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

VERGONHA


Instado, por um fraternal amigo, a compor um texto sobre o sentimento vergonha, fiquei eu em pânico, pois vergonha, é um assunto um pouco estranho para mim. As minhas vergonhas são tão minhas e de mais ninguém, que não as divido com outros. Se fosse a minha ira, seria bem mais fácil, mas a vergonha é um sentimento internalizado na minha pessoa. Sou eu comigo mesmo. Mas sendo instado a decorrer sobre vergonha, eu posso dizer que nunca senti tanta vergonha de dizer que sinto vergonha como nos dias de hoje. Do congresso nacional, da grande mídia, dos batedores de panelas e marchadores verde amarelos, que por acaso, andam um pouco sumidos de cena. Vergonha da minha impotência diante do saque que os políticos promovem via Estado em cima das riquezas naturais da nação e em cima da algibeira do povo. Vergonha de boa parte da nossa elite atrasada, ignorante e conservadora. Vergonha da apatia e da preguiça do livre pensar da maioria do povo do meu país. Vergonha sim, mil vezes vergonha de sentir vergonha, pois a ira inconformista parece que evanesce em meios a tantos atos de covardia e baixeza. Vergonha dos grandes veículos de comunicação de massa, que massacram a opinião pública com tanta desfaçatez com falsas notícias, mil mentiras que o povo adora adorar. Vergonha e muita vergonha de ter vergonha do meu próprio povo, da minha gente humilde. Pode ser impressão minha, mas o povo do meu país perdeu a vergonha faz tempo.

Samuel da Costa é cidadão brasileiro
(in, Diálogos Lusófonos -
dialogos_lusofonos@yahoo.com.br )

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As Comunas alemãs cultivam a Cidadania – Um Exemplo a seguir


Honrar os Idosos e as Famílias é Prática Nacional

A RFA É FORTE PORQUE MODERNA E TRADICIONAL

António Justo

Na semana passada, desloquei-me à Baviera, Bad Wörishofen  para festejar o aniversário (90 anos) do meu sogro. Até aqui tudo seria normal se não fosse o facto de o vice-presidente da Câmara se deslocar a sua casa, acompanhado de um jornalista dum jornal da região. O vice-presidente da Câmara trouxe uma oferta da cidade e o jornalista entrevistou o meu sogro e fotografou a família; além disso, o vice-presidente entregou um documento da Câmara Municipal e um documento de parabéns do Chefe de distrito!

Cada comarca alemã tem a sua maneira própria de honrar idosos e famílias. Neste caso o representante da edilidade trouxe como prenda da cidade um cesto com uma toalha fina com insígnia da câmara, um licor e produtos cosméticos biológicos (à base de plantas, dado Bad Wörishofen ser uma estância termal)! A minha sogra pôs à mesa cervejas, uma garrafa de champagne e salchichas brancas (uma especialidade da Baviera) e pão.

O que aqui mais me surpreendeu, como estrangeiro, foi a abertura e a maneira simpática como o representante comunal e o jornalista falaram connosco, durante duas horas, sobre os problemas internos comunais e da maneira como davam resposta aos problemas locais apresentados.

Os municípios alemães homenageiam, além dos aniversários pessoais (90, 95, 100 anos), também os seguintes aniversários de casamento: bodas de ouro (50 anos), bodas de diamante (60), bodas de Ferro (65), bodas de Vinho (70). Semanas antes do aniversário a Comarca telefona à família para saber se é bem-vinda a sua visita.

O Presidente da RFA também assume o apadrinhamento honorífico para os filhos do mesmo pai e da mesma mãe, a partir do 7° filho vivo. Crianças adotadas são tratadas como filhos biológicos. Neste caso tem de ser feito um requerimento formal, nos departamentos concelhios, pelos interessados.

Na Alemanha, toda a pessoa recebe uma carta de felicitações concelhias ao atingir os 18 anos (maioridade civil).

A cidade mostra-se reconhecida pelo contributo dos seus cidadãos estando consciente que não é nada sem eles.

Uma sociedade que não deita ao esquecimento os idosos é uma sociedade honrada porque reconhece já o que é e vai ser nos que a construíram.

O meu amigo Dr. Jorge Santos, de visita à Alemanha constatava “é uma outra cultura e diferente modo de cidadania. Há um sentir comunitário e gratidão à memória. Ainda bem porque assim vive-se mais feliz”. Sim, cria-se um sentimento de pertença e até de maior compreensão por defeitos e problemas políticos, numa sociedade não anónima!

Já o livro dos Provérbios (16:31) reconhece " Os cabelos brancos são uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça." Uma sociedade não envelhece se reconhece e honra os seus filhos e os seus pais!

Escrevo isto porque pode servir de exemplo, pelo menos a nível de paróquias, de Juntas de Freguesia e de Câmaras municipais, para a Lusofonia. Não chega homenagear publicamente só as pessoas da classe política e económica!

António da Cunha Duarte Justo