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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Movimento das Forças Interrogativas (MFI): Porquê?


Porquê
Porque é que o dia-a-dia não é mar?
Um vai e vem de imensidão, beleza e renovação.
E porque não?

Porque é que aquilo que é e que nos prende e desagrada
terá de ser assim
sempre assim,
sem que possa ser diferente do que foi até então?
Porque não fazer a diferença?
E porque não?

Porque é que os problemas dos homens não são arte?
Arte que transfigure o que é feio em belo,
o desagrado em prazer,
algo eternamente belo, objeto de contemplação?
E porque não?

Porque é que insistimos no que é feio,
desonesto e imoral?
Porque é que preferimos o inferno,
se o bem-estar social está perto,
ao alcance de uma mão?
Porque é que cada um de nós não consegue fazer a diferença,
a mudança e a (r)evolução?
E porque não?


PEDRO VARGAS
Outubro 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Escola? O que é? Para que serve? (Mais um texto para o MFI)


Escola? O que é? Para que serve?

A etimologia aponta para algo que se faz em grupo, com “significado” público, social, num espaço determinado e/ ou em torno de uma “filosofia” ou doutrina interativa. (# veja-se o significado).

 E o que se faz? Ensina-se e aprende-se.
Até hoje esse espaço físico e / ou intelectual tem sido espaço privilegiado de cultura. Para além dos Mosteiros medievais, das Academias gregas e das Universidades (mesmo Universidades), as escolas eram vistas como centros de saber e de “coligação”, como união e transmissão de valores. Já não é assim, existe a escola paralela e alguma desconfiança institucional em relação ao que lá se faz. (repito, institucional).

A escola de hoje poderá ser vista como algo de perigoso!? Pelo menos assim parece para alguns. A “Escola Pública” enquanto conceito e praxis, enquanto escola para todos, pode trazer problemas (problemas?). Sim, penso que sim, penso que pode trazer problemas para quem a vê como uma ameaça.

Ameaça? Ameaça para quem a vê como “elevador social” ou preparação para o magistério do pensamento e da racionalidade. Pensar complica. Pensar atrapalha quem não quer ser atrapalhado e precisa do caminho livre. Pensar sistematicamente (o que a escola ajuda a desenvolver) fomenta a participação cívica (digo, política), de modo “avisado” e crítico. E isso é muito perigoso!

Na verdade, o povo não devia estudar e ir à escola. A escola ajuda a desenvolver competências que podem ser perigosas. Quem pensa torna-se perigoso. O povo torna-se crítico, exigente e participativo. A escola para todos (a Escola Pública) fomenta a ascensão social e desenvolve espírito crítico. E isso é perigoso. Põe em causa o lugar ocupado pelas elites, que o desejam manter a todo o custo.


Por PEDRO VARGAS
Outubro 2013


(#) s.f. Estabelecimento onde se ensina: ir à escola.
Conjunto dos adeptos de um mestre ou de uma doutrina filosófica, literária etc.; essa própria doutrina: a escola racionalista.
Conjunto dos artistas de uma mesma nação, de uma mesma cidade, de uma mesma tendência: a escola francesa; a escola de Paris; a escola do Recife; a escola impressionista.
O que proporciona instrução, experiência: a obra de Corneille é uma escola de grandeza.
Estar em boa escola, conviver com pessoas idôneas.
Fazer escola, ter muitos seguidores.

In Dicionário Etimológico: http://www.dicio.com.br/escola/

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

QUANTO VALE UMA PESSOA?


Porque é que o dinheiro tem mais valor que a pessoa?

Quanto vale uma pessoa no mundo capitalista de hoje?

Se eu fosse acionista de mim próprio quanto valeria nos mercados?

Se fosse à falência enquanto pessoa e tivesse que pedir empréstimos para me pagar a mim próprio, quanto pagaria de juros?

Se estivesse próximo da insolvência poderia comprar dívida de outra pessoa a juros mais baixos para ajudar a pagar a dívida da minha pessoa?
Não percebo nada de finanças e muito pouco de pessoas e consta que Deus não tinha contabilista. Parece-me que as coisas do dinheiro não poderão estar acima das culturas, dos povos e das crenças. Será que estou a pensar bem?
Se hoje em dia tudo é negócio e negociável, gostaria de saber se existe alguma margem negociável de me tornar solvente e como fazer para entrar nos mercados. Como será que isso funciona no mundo de hoje?
E em caso de resgate da minha pessoa que Troica poderá intervir para me valorizar (atribuir valor material, monetário) e definir os juros a aplicar.
Em suma, quanto vale uma pessoa? E eu? Eu, ser particular, existente concreto (dassein), quanto terei de valor nos mercados internacionais e quanto devo, para além das dívidas que contraí junto do meu banco e do supermercado para poder viver numa casa e comer todos os dias?


PEDRO VARGAS
MFI (Movimento das Forças Interrogativas)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

DA DOR AO PRAZER, O SENTIDO DA VIDA


Dois princípios parecem reger a nossa vida, o prazer e a dor. Parecem ser as bussolas do dia-a-dia. Os Utilitaristas defendiam que a vida humana se orienta pela fuga à dor e pela busca do prazer. Provavelmente é o ao binómio vida /morte, corda bamba da existência.
Por mim parece-me bem. Andamos em fuga. Fugimos ao que nos parece mal e nos agride. Queremos manter a vida e atingir o prazer. Provavelmente este será o centro da nossa existência, no sentido filosófico (existencialista); existir é “ex”, “ser para fora”, para a viver com os outros e procurar a plenitude. Aliás, nada mais faria sentido se não fosse esta procura incessante de “estar bem” consigo próprio e com os outros.
A plenitude poderá ser a procura do bem-estar, a felicidade, a vivência dos prazeres que nos tornam humanos.
 Viver em prazer é existir. É para isso que faz sentido andar por aqui. Será? Penso que sim. Não tenho a certeza. Mas que sentido faz a vida se nos centrarmos na dor, no mal-estar e na dor pela dor?


PEDRO VARGAS
(MFI - Movimento das Forças Interrogativas)


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

M.F.I. (MOVIMENTO DAS FORÇAS INTERROGATIVAS)



Por PEDRO VARGAS

Para que serve o Estado?

Antes de responder, convém responder à pergunta original: o que é o Estado? O Estado é o conjunto das Instituições que “servem” (e o termo é mesmo este #) os cidadãos (sociedade civil), em troca de impostos e/ou taxas. As Escolas, os Hospitais, os Tribunais e outros serviços que existem para o bem comum, constituem o Estado.
Se o Estado não serve para servir os cidadãos, para que pode servir?

No tempo da primeira democracia, Platão escreveu na República (obra conceituada) que os Guardiões do Estado (vulgo, Governantes e Militares) deveriam ser formados ao longo da vida para que aos cinquenta anos de idade (idade madura e sem necessidades materiais) pudessem assumir a governação. Depois de uma formação em música, matemática, filosofia e educação física, estariam aptos a governar. Apenas os melhores poderiam governar.

Estava assim lançada a matriz da democracia moderna. Cabia ao governante zelar, proteger, organizar e acompanhar a vida na “cidade” (sociedade). Cada cidadão seria da sua responsabilidade. Reuniam no monte mais alto de Atenas e em Assembleia decidiam o que fazer para garantir a boa organização da vida social, económica e política. O Estado tinha a missão de proteger o cidadão.

Como conceber um Estado que está longe (cada vez mais afastado) e em rota de colisão com o cidadão? Como aceitar um Estado que “enfrenta o cidadão”, que “se pensa” à parte “que o ataca”, como se as Instituições não tivessem o dever de o proteger?

Para mim, é difícil pensar que o Estado esteja contra mim, quando eu sou parte do Estado.
Porque é que as Instituições parecem estar em confronto com a cidadania?
Afinal para que serve o Estado?
E para que pago Impostos, se o Estado não assegura o funcionamento gratuito e de qualidade dos serviços públicos?
Caminharemos para uma sociedade sem Estado?

Ironicamente, o socialismo científico doutrinado pelo marxismo (de Marx do Século XIX) prognosticava uma sociedade sem Estado depois do processo de proletarização (ditadura do proletariado) parece, agora, plasmado e/ ou replicado numa sociedade capitalista sujeita a um processo de mercado livre, sem Estado, “à solta”.
Onde está a “res publica”? Que lugar terá se é que tem a República que Platão antecipou?
Fará sentido hoje em dia?
Para onde caminharemos?

Se a “coisa pública” (República) não faz sentido, o Estado também não. Sendo assim caminharemos para uma sociedade sem impostos nem taxas. Porque as taxas e impostos fazem sentido para manter a vida pública. Caso contrário, que sociedade e Estado queremos? E para que serve o Estado?

(o MFI pergunta. Responda quem souber)



# As Intuições existem para servir a Sociedade Civil e não o contrário.

sábado, 20 de março de 2010

Fernando Pessoa e Pedro Vargas

TUDO O QUE FAÇO OU MEDITO

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço –
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


TRIBUTO AO SOL

Por mim prefiro o Sol.
O Sol é a nossa alma.
O Sol permite a visão.

A partir do sol
vejo o mundo
Sobre o mundo vejo-me
a mim próprio e aos outros

O Sol permite-me pensar.
Com ele penso o que me rodeia
E o que rodeia é mundo

Sem Sol há escuridão
Cegueira,
escravatura
e ausência de lucidez

Tudo o que faço,
faço a partir da luz.
A Luz é iluminação
de tudo o que faço
e penso.

Os Livros são um pouco de Sol,
sol que entra nas nossas almas.
Entra e fica.
Fica e ilumina.

Os Livros, os amigos e as partilhas
são pedaços de Sol,
Como se fossem as tochas da nossa interioridade.

Mas de todos os sóis que existem,
as pessoas são o máximo da iluminação,
o climax da lucidez e da esperança.

Por isso acredito na Humanidade,
no Humanismo e na Verdade.

(poemas enviados por Luís Mourinha)