COISAS
QUE SE CONTAM
E assim labuta a incansável mente.
Umas vezes, por caminhos que
sabe de cor outras, procurando descobrir paisagens que transitam da matéria
etérea dos sonhos e onde o deambular ilude a gravidade em passos que roçam a
lua na rota do feitiço que dela se desprende. Outro dia a lua escondeu-se e
vi-me sózinho defronte da imensa tela negra da noite sem estrelas.
Não tive medo mas senti-me
desconfortável.
Olhei em volta mas não havia
ninguém com que conversar e então cantei até me fartar.
Quando me fartei, calei-me e
pensei em regressar.
Regressei e, cá estou.
Pronto para novas caminhadas.
Amanhã.
Talvez.
Pintura de Julião Sarmento através de foto de Isa Ferreira ;
Texto: Manuel João Croca
