De onde vem este cântico?
Que me embala o sono, suavemente
Será a voz de Deus ou o sussurro da fonte?
Mistério em movimento, linguagem do Céu
Estou só, em abandono penitente
Ausente por amor à raça
Perene no susto, suspenso no canto
Antepassados a surgirem no nevoeiro
Ergo o padrão do silêncio
Em pedra fria e musgosa
As ervas crescem na solidão
O mistério vagueia algures pelo Céu
Distingo-lhe a sombra possante
De onde vem este cântico?
in, A contemplar a Prímula (inédito)
João Raposo Nunes
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010
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