CALMARIA ou TALVEZ NÃO.
Fim de tarde, muito calor.
Rego as árvores, as plantas e as
flores.
Chega a noite e é Lua cheia, enorme.
Passa agora por sobre o castelo de Palmela.
O pinhal aqui ao lado murmura numa
linguagem de mar.
É uma ilusão.
Sei-o, porque o mar verdadeiro não se
consegue ouvir aqui.
E no entanto deixo-a ficar, alimento-a
até.
Porque me é agradável, pacífica, inofensiva.
Deixo mesmo que me embale na redacção
deste pequeno texto que vou publicar daqui a pouco no Estudo Geral.
Mas nem todas as ilusões são assim
inocentes.
Há as que nos são premeditadamente induzidas
com intuitos pouco recomendáveis.
A nossa “democracia” por exemplo.
Aparentemente vivemos em democracia.
Verdade ou somente ilusão?
Um governo que depois de eleito
governa exactamente ao contrário do que prometeu quando se apresentou às
eleições;
Que viola sistemática e repetidamente direitos
e garantias, conquistas do nosso processo civilizacional, consignados na Lei
maior do país: a Constituição;
Que promove e pratica uma repartição
de direitos e obrigações absolutamente desigual e viciada;
Que mente sucessiva e descaradamente e
que assumidamente pretende empobrecer os cidadãos que diz representar;
(poderia continuar a enumerar factos e situações que
aviltam o conceito de democracia e estender por muito mais tempo a escrita de
linhas que tornariam muito extenso e cansativo o texto)
Esta é uma daquelas ilusões que não
pretendo alimentar.
É preciso “democratizar a democracia”.
Dizer: ALTO LÁ!
Não sei de nenhuma fórmula mágica para
mudar isto num repente (nem sei se haverá) mas, para já, dou um passo em frente
apoiando inteiramente a GREVE GERAL do próximo dia 27.
O passo seguinte logo se verá.
Fotos: Edgar Cantante;
Texto: Manuel João Croca



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