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domingo, 8 de setembro de 2024

Filosofias do Oriente




 Breves notas sobre Filosofia Vedanta, Hinduísmo, Budismo e Taoísmo

Quando do curso de doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a parte curricular implicava a escolha de alguns seminários. Um dos escolhidos, Filosofia das Religiões, comparava espiritualidades ocidentais e orientais. Aqui ficam algumas sínteses dos estudos que se desenvolveram.

1. Vedas

Entre as escrituras sagradas hindus, contam-se os "hinos védicos", pensamentos sagrados da civilização védica que antecedem o hinduísmo. A recitação dos hinos sagrados dos vedas sempre foi mantida até hoje, desde há milhares de anos. 

A civilização védica desenvolveu-se até ao século VI (a.C.), período em que a sua cosmogonia começou a transformar-se nas formas clássicas do hinduísmo. 

Segundo o conhecimento védico, a alma individual, idêntica ao Absoluto, nunca nasce e nunca morre. Nunca nascida e eterna, fora do tempo, ela não morre quando morre o corpo.

2. Hinduísmo 

O Mahãbãrata é um dos livros que faz parte das escrituras sagradas hindus. Um dos seus capítulos é o célebre Bhagavad-Gita, ou a “A Canção de Deus”. 

O grande protagonista do capítulo que fala na primeira pessoa, Krishna, o avatar de Vishnu, ou seja, a própria divindade, dialoga com Arjuna, seu discípulo guerreiro, em pleno campo de batalha. Arjuna representa o papel de uma alma confusa sobre o seu dever e recebe iluminação diretamente do seu divino mestre que o instrói na arte da autorrealização.

A essência de Krishna é o universo inteiro, a totalidade. Tudo é sagrado. Tudo é uno. O uno e o múltiplo são inseparáveis. 

É o texto inspirador de Ghandi. Einstein dizia que quando o lia e pensava nas leis do universo, tudo o resto se tornava vulgar. 

3. Budismo 

Depois de atingir o despertar Siddartha Gautama, o Buda, sentiu o apelo de transmitir aos outros a sua sabedoria. A palavra Buda, mais do que uma pessoa, designa um estado de consciência que permite apreender a verdadeira realidade das coisas.

A filosofia budista parte da definição das "4 nobres verdades": a constatação do sofrimento; o sofrimento provém de uma mente limitada; é possível cessar o sofrimento; há um caminho para cessar o sofrimento. 

Ou seja, as causas do sofrimento são internas e é possível removê-las. O caminho que se propõe é um método que ajuda na libertação da mente, uma técnica meditativa para concentração do espírito e da mente, de forma a um atingir um determinado estado de repouso e, consequentemente, de consciência. 

Algum tipo de meditação sempre surge associada às diferentes filosofias antigas da Índia e é uma prática intrínseca do Yoga.

31. Reencarnação 

É um dos ensinamentos fundamentais do budismo. O espírito humano pode elevar-se até a um “espírito subtil” ou “consciência subtil”. Esta consciência existe independente do corpo e do cérebro. É o espírito subtil que reencarna. 

Seguindo o Dalai Lama, a reencarnação está ligada a um certo nível da vida do espírito. Se este espírito for desenvolvido pode escolher o seu próprio destino. É então um passo para a libertação, para uma possível melhora. Sem esta escolha o renascimento é uma queda no samsara, sucessão de vidas que ocorre sem parar. Enquanto a existência estiver condicionada, o ciclo renascimento/morte perdurará.

3.2 Transferência da Consciência e Libertação pela Escuta 

Quando os sinais ocorrem indicando que a morte se aproxima devemos prepararmo-nos para a transferência da consciência e refletirmos sobre os ensinamentos da Libertação pela Escuta nos Estados Intermediários. 

Quanto à transferência da consciência há um exercício que deve ser treinado: Devemos tapar todos os orifícios começando pelo reto, da procriação, umbigo, boca, narinas, olhos e ouvidos. No cimo da cabeça devemos visualizar a fontanela, depois visualizar também o canal central, no meio do corpo, direito e ereto – na sua extremidade inferior, abaixo do umbigo devemos visualizar um ponto seminal branco e brilhante, o qual constitui a essência da consciência desperta, pulsando continuamente e à beira de ascender. A força vital vai movê-lo ascensionalmente, até ao umbigo, depois coração, depois garganta, depois o espaço entre as sobrancelhas e, por fim, vai até à fontanela, após o que devemos visualizar que ele gira de novo para baixo e vem repousar abaixo do umbigo como uma difusão branca. Há que permanecer neste estado durante algum tempo. 

Diz-se que obteremos a libertação se a consciência sair pela fontanela da coroa. Os lugares mais importantes do corpo para uma transferência da consciência depois da fontanela são os olhos e a narina esquerda. 

Quanto à Grande Libertação pela Escuta, quando uma pessoa se aproxima da morte é habitual procurar-se um lama qualificado que deve iniciar as recitações de introdução ao estado intermediário.

Após a respiração haver cessado, a energia vital é absorvida no canal da sabedoria primordial e a consciência emerge como uma radiância interior. O defunto pode ouvir tudo o que se passa à sua volta, mas os outros não o podem ver. Assim, ele pode ir-se embora. Neste momento surgem três fenómenos: sons, luzes e raios de luz, o que pode provocar medo ou pasmo. Assim, durante este período deve ser lida a Grande Introdução ao Estado Intermediário da Realidade. 

Terminamos com um pequeno excerto da leitura a ser realizada:

“Ó Filho da Natureza de Buda, quando a tua mente e corpo se separarem, surgirão as puras (e luminosas) aparições da própria realidade: subtis e claras, radiantes e deslumbrantes, naturalmente brilhantes e terríveis, tremeluzindo como uma miragem numa planície no Verão. Não as temas! Não fiques horrorizado! Não estejas aterrado! Elas são as luminosidades naturais da tua própria realidade verdadeira. Reconhece-as.” O corpo agora que tens chama-se um “corpo mental”. Tu, agora, estás para além da morte. Isto é o estado intermediário. Se não reconheceres os sons, as luzes e os raios de luz, continuarás a vaguear dentro dos ciclos da existência. 

 4. Taoísmo 

Lao-Tsé (604-517 a.C.) é o grande precursor da tradição filosófica chinesa conhecida por Taoísmo. O principal livro que a suporta é o “Tao Te King”, o Livro da Via e da Virtude. Tao significa (Vida), Te (Energia), King (Virtude). 

Trata-se de um texto com grande economia de palavras, onde com pouco se diz muito, onde se crê que o dito e o não dito são absolutamente inseparáveis, onde “o silêncio é um amigo que nunca trai”. 

Porém, o Tao não pode ser explicado nem por palavras, nem pelo silêncio. Nele tudo flui, tudo é governado sem desígnio. Tentarmos encontrar o seu sentido é perder. Tudo já é. A rosa é sem porquê… nascida no tempo certo, floresce porque floresce.

É-nos dado como a eficácia da naturalidade. Tudo acontece quando tem de acontecer. Só age bem quem não está interessado em agir.

À partida, não se precisa acrescentar nada aquilo que já somos. O sábio é como a água, corre sempre a via que tem de correr. Ele não se preocupa consigo e, todavia, é o que ocupa o lugar mais proeminente. 

O céu trata tudo e todos de uma forma indiferente, mas benéfica. A ideia essencial do Tao é que o mundo se produz por um “não fazendo”, onde se deve agir de forma espontânea, deixando a mente à vontade.


quinta-feira, 28 de março de 2024

Crónicas de Viagem

 Vila Velha de Ródão

23-25 de março/2024



Meio da manhã rumo ao Arts Rupestre Hotel, Vila Velha de Ródão. A rota traçada foi a linha do Tejo. Pelo meio, um cantinho bem verdinho a envolvê-lo em Benavente, um almoço para esquecer em Salvaterra de Magos, onde as enguias fritas anunciavam a típica gastronomia regional e a lembrança de Constância, terra de Luís de Camões, onde o Zêzere, bonito de ver, se despeja no rio maior.

O Hotel, simpático, em sítio arejado, tem como paisagem justamente o nosso rio, até às portas de Ródão, ex-libris natural, monumental, duas enormes massas rochosas por onde o rio se estreita e logo em seguida se avoluma para seguir o seu curso. Acima das portas, acentuada altitude, em hora muito ventosa, o castelo do rei Vamba com miradouro de vista privilegiada para todo aquele impressionante conjunto.

Vila Velha de Ródão, sede de concelho, encosta-se à margem norte do Tejo, província da Beira Baixa, com ponte para a margem sul, Alto Alentejo, a caminho de Niza, distrito de Portalegre. Niza terra de ancestrais na linha paterna, com alguns curiosos pormenores que assinalam a sua antiguidade, portal medieval onde se penetra no centro histórico, D. Dinis, freguesia do Espírito Santo que, agora, depois de recente reforma administrativa do território, se junta com as freguesias da Nossa Senhora da Graça e São Simão. Rua de Santa Maria, onde as típicas flores de bordados e cerâmicas, estão incrustadas no chão, calçada de extraordinária beleza.

Almoçámos bem na “Tasca das Cachopas” e até considerámos que aquele ar medieval que se respira em Niza merecia um restaurante assim, significativo património local, onde a gastronomia tradicional, bem confecionada, ganha relevo.

De volta a VV de Ródão, à beira do rio, deu para se comprovar das pinturas rupestres que dão nome ao sítio de alojamento, em presença humana com testemunhos do Paleolítico Médio, 30 mil anos atrás. Ainda deu para sentir o espírito dos elefantes que outrora viveram por aqui, entre abundante fauna, enquanto um barquinho sai do seu cais fluvial em passeio turístico e a encosta da serra mostra uma linha de comboio de localização absolutamente fantástica, em que se adivinha idílica viagem, mas que não fizemos porque a escapadinha não deu para mais. Aqui, onde começa o Parque Natural do Tejo Internacioinal, como muitos outros recantos por descobrir.

VV de Ródao, uma vila interior do país, que sobe desde o vale do rio serra acima, em terreno acidentado, poucos habitantes, com estrada principal em péssimo estado e obras demoradas a decorrer, onde uma mudança dos ventos trouxe o cheiro agressivo de fábrica de pasta de papel. Enfim, entre belas paisagens, alguns aspetos de menor atratividade que, todavia, não lhe retiram bons motivos para uma visita de um fim de semana prolongado.

 

Luís Carlos dos Santos

Alhos Vedros, 28 de março/2024

domingo, 16 de outubro de 2022

ENCONTRO DE ESCRITORES. Uma reunião inesquecível.

Fomos convidados para dar testemunho sobre Encontro de Escritores no Mosteiro de Alcobaça, onde terão estado alguns dos grandes escritores portugueses de todos os tempos, em tempo sem tempo, fiat lux. Um Encontro ficcionado que se passou no mundo dos sonhos. E nós olhávamos aquela condensada etérea nuvem de escritores, entre seus rumores, e demos conta dessa matriz herdada, intemporal, que se veio a chamar Portugal.

Luís Santos


Sonhei com Alcobaça
e do sonho que sonhei
sonhei que sonhava
de um sonho em que acordei
e não era eu que ali estava,
era a alma de Portugal
egrégora universal

Ainda nos lembra os picos da Atlântida, de que os Açores são parte. As conversas telepáticas, o brilho dos cristais, das viagens espaciais. Rememorações ancestrais. Das asas, dos voos. Das pedras piramidais, dos enormes templos. Dos sacerdotes e dos deuses das jornadas iniciáticas. Das festividades, das homenagens, dos rituais.

Ainda nos lembra das árvores. Nossas casas. Das árvores e dos frutos. Dos guinchos e das poças de água em que bebiam e chapinhavam, e às vezes até lutavam, com paus, com ramos, que se foram tornando pontiagudos. Grupos enormes, famílias extensas. Nómadas à procura de tempos quentes, e das marés. Das fogueiras e das cavernas.

Do ferro e dos arados. Das cabanas em círculo de entre-ser e dos centros das aldeias em que dançámos e se contavam estórias sobre estórias. De tudo se falava e de nada se escrevia. Riscos e desenhos, pinturas no chão e nos corpos. E se percutiam as danças onde se saltava bem alto em frente delas para mostrarmos da imensa leveza, da elevação.

Matriarcais saudades de jovens amazonas que viviam nos campos de escravizantes agriculturas. Quando se deixaram as deambulações, de bichos à solta, e se fixaram os animais e as terras, e se construíram as cercas para as crianças e as mulheres, das escolas e dos lares e das mamas, do leite. Da carne.

Do peixe e daqueles pescadores da Judeia, de Belém, entre os latins romanos do império que rendiam os gregos, mas só nas armas que não na filosofia. Da democracia, mas não para mulheres e escravos e estrangeiros, metecos aristotélicos e platónicas curtes, por sua vez, herdeiros de socráticos devaneios. Da maiêutica, da arte de dar à luz, do mundo das ideias.

Afinal, o Amor. A universal fraternidade. O céu infinito. O Amor... e a cruz. Jesus! Para tanto sofrimento que nos redima. Então e da meditação, do Buda, que nos livra do sofrimento? Do possível transcendental salto védico que nos livre daqui.  Do Deus no lugar do homem que, doravante, será parte de Deus. Da oração, do silêncio, do deserto. De Ti!

Cadê a deusa-mãe, cadê os celtas. Cadê celtas e iberos, endovélicos lusitanos.  Dos bárbaros godos e visigodos que depois voltaram. Os pagãos, as forças da natureza, as mágicas alianças. Avalon. Os druidas, as poções, dos milagres, da cura e a doença. A lógica analógica, a consciência cósmica. A totémica identidade. Todos indo-europeus, todos cristãos virados pelo avesso, anunciada evangelização.

O crescente lunar e a arabesca astronomia. Das bússolas, do astrolábio. Do Maomé e do Alcorão. De Meca, de Medina e da mesquita. Das deusas encantadas, enamoradas. Dos cânticos de amor. Desgostos do Amor. Da “xaria”. Da expansão e da desejada reconstrução do "mare nostrum". De Poitiers e de Carlos Magno, Urbano VIII de joelhos, imperador da cristandade.

Da reconquista católica. Dos cruzados e das cruzadas. Raimundo e Henrique, Teresa e Urraca. Afonso de Castela. Do Condado Portucalense. Guimarães. São Mamede, 24 de junho de 1128. Um rei sonhado e a sonhar com cristo-rei. Vai e funda o meu reino, vai Henriques. E ele foi.

E lá foi fazer o que Ele quis. Vai Dinis. Vem Santa Isabel. Vinde Língua Portuguesa. Vinde todos os peregrinos, toda a ordem do templo, ordem de cristo. Venha o espírito santo. O pai, o filho e a Jerusalém Celeste.  Vinde vendavais que rumorejam nos pinhais, venham todas as naus. Todas as ilhas dos amores.

(in, AMORIM, Francisco Gomes de & FONSECA, Henrique Salles da (2022) Encontro de Escritores, uma reunião inesquecível. Lisboa: Edições Vírgula, pp.40-43)

domingo, 3 de julho de 2022

Daqui até Já


49ª Feira do Livro de Alhos Vedros

Apresentação do livro "DAQUI até JÁ" de Luís Santos

por Vítor Ribeiro


 O livro é composto por três ensaios denominados, O Local, Portugal, Tudo,  tendo os dois últimos servido de base à tese de doutoramento do autor. Embora cada um dos ensaios verse temas diferentes e aparentemente díspares    entre si, estão na verdade relacionados de alguma forma, através de um fio condutor que liga os temas e subtemas de uma forma indireta ou até subliminar, traduzindo a sua preocupação com o crescimento interior, a identidade o desejo de nos compreendermos enquanto seres materiais e espirituais em evolução. Daqui até , é uma obra abrangente, substantiva, profunda e reflexiva, mística até, que se desmultiplica a várias escalas espaço-temporais com  uma incursão ao universo filosófico, íntimo e afetivo do autor. Por ser um estudo académico, poderíamos pensar à partida, que o livro estaria escrito     numa linguagem hermética, destinada a especialistas e apenas entendida por estes. Pelo contrário, o autor expressa-se através de uma escrita escorreita, acessível e simples sem ser simplista, que permite traduzir conhecimento e pensamento em   conceitos e ideias entendíveis por todos. É também, um livro generoso, de partilha, de história e estórias, com ênfase no conhecimento das origens e na preservação da nossa memória coletiva local e nacional.   Estabelece desta forma, uma relação íntima entre o passado e o presente,   uma vez que nos lembra através dos elementos construtores da nossa identidade (história e tradições) que partilhamos um passado comum.

No primeiro ensaio, Local, debruça-se sobre a história de Alhos Vedros e na forma como esta se cruzou e deixou marcas na história de Portugal. No  segundo, Portugal, foca-se na importância que os factos históricos, sociais, demográficos, étnicos e religiosos tiveram na construção da identidade nacional. No terceiro, Tudo, numa abordagem ecuménica, releva a importância das tradições filosóficas das principais religiões na procura da espiritualidade e na demanda das grandes verdades universais. É, neste sentido, um percursor e   difusor do retomar “do abraço universal no pensamento de Agostinho da Silva que subjaz à vocação messiânica e universalista de Portugal e do mito do V império que ainda perdura no arquétipo mental e cultural da nação como são os casos do culto popular do Espirito Santo e da Ilha dos Amores. A terminar, duas frases da nota autobiográfica do autor que nos remetem para o seu território afetivo, filosófico e espiritual, que justificam e explicam em grande parte os temas abordados no livro, introspeção, conceção e devir. O milagre do nascimento, o crescer enquanto corpo físico e alma, no seu caminho para a perfeição após sucessivas reencarnações.

É sem dúvida um livro de leitura agradável que nos transmite conhecimento, crescimento e boas vibrações.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Amoríndios

Luís Santos



"(...) quem se priva de tempo e sonho nada mais tema fazer do que marcar a data do enterro"
Agostinho da Silva, 1971

Ponto de chegada, influência de um ideial sincrético, ecuménico, traduzimos por palavras o que nos chega de testemunhos plurais de Amigos que muito prezamos: Cada um de nós faz parte de uma entidade Absoluta, omnipresente, aque uns chamam Deus e outros Natureza, sendo que para nós é uma forma diferente de dizer a mesma coisa, cada Um, um extraordinário corpo/alma(s), onde está incluído todo o Amor divino.

Nós nos explicamos tanto quanto podemos, quanto nos permite esta aura de boa aventurança que vivemos.

Amoríndios, é o que é.

Na foto, A Árvore do Amor, de José Batista, desta vez também em música de Gilberto Gil, o nosso ministro da cultura: https://www.youtube.com/watch?v=3eKnerBU4HY

sábado, 30 de outubro de 2021

DAQUI até JÁ

Novo Livro, Novembro/2021. Clique em cima da imagem para ampliar e ver pormenores.



terça-feira, 8 de setembro de 2020

A Religião na Grécia Antiga

Com a chegada ao fim do doutoramento, a especialização obtida nos estudos sobre as civilizações clássicas contribuiu para que Agostinho da Silva publicasse vários textos, entre eles, “Um Breve Ensaio sobre Pérsio”, em 1929, e “A Religião Grega”, em 1930, onde reflete sobre o pensamento religioso grego e latino.

Neste estudo sobre “Pérsio”, o que se releva é como o choque entre diferentes culturas e religiões como a romana e a grega, ambas aglutinadas pelo vasto Império, põem na sua pena uma valorização da cultura grega face à cultura romana. Se militarmente os gregos foram assimilados pelos romanos, de certa forma, os romanos foram conquistados pelas ideias gregas, sobretudo por particularidades ligadas ao seu pensamento religioso, mas também como consequência do avanço que a filosofia e a ciência tiveram na cultura helénica.

O antropomorfismo divino ligado a uma existência em que deuses e homens se misturam, e onde se exaltam as paixões humanas, é uma das características da religião grega. Ao poder do amor entre Zeus e Afrodite, o deus supremo que é a terra e o céu, e todas as coisas, e o que há acima de todas as coisas, e a deusa suprema que é o expoente máximo da beleza, da graça, da elegância feminina e promove a incessante renovação do mundo, vêm juntar-se uma infinidade de deuses e deusas que constituem o panteão grego.

O que Platão buscava no Mundo das Ideias, o ideal de Beleza e de Bem, a defesa da imortalidade da alma, a perfeição do funcionamento da Cidade são conceitos que bem retratam o apogeu da civilização grega por volta do séc. V a.C.

Cumprindo as linhas da arte grega, cada templo é ao mesmo tempo um lugar de Amor e de Beleza. Arte e teologia de mãos dadas.

Na Grécia Antiga, o culto das divindades era igualmente feito pela coletividade inteira por meio das grandes festas e jogos, onde artes e competições desportivas serviam para um aperfeiçoamento de técnicas do corpo e da alma que propiciavam uma aproximação à glória divina. Os jogos na cidade de Olímpia (o início dos Jogos Olímpicos da nossa era) que reuniam todos os gregos, ou as tragédias Dionisíacas, festividades de âmbito mais local, são disso bons exemplos.

É fundamental que se estabeleça contacto com os deuses. Só através deles, com a sua capacidade de determinar o futuro, é possível ter uma vida clarividente que seja capaz de contornar a dor e trazer alegria à vida.

O contacto com os deuses é possível fazer através da adivinhação ou da profecia. É através destes processos que os deuses podem comunicar aos homens a sua vontade, ou determinarem as ações que devem ser feitas. Conforme a capacidade de respeito da vontade dos deuses, assim a vida será mais ou menos feliz.

Por isso, a consulta dos oráculos tem uma importância fundamental na vida dos gregos. A determinação do oráculo é auscultada sobre os mais variados motivos, desde problemas mais pessoais às grandes causas de Estado, desde um problema de saúde até à declaração de guerra a outra cidade, a outro povo.

Para que os homens pelo ritual pudessem contactar com as divindades haviam de ter a sua alma pura, isenta de errados comportamentos. Só através da purificação da alma, ou seja, de uma alma que irradia pura beleza é que os homens podem contactar e aceder aos favores dos deuses. E, no fundo, em que consistia esse ritual de purificação transmitido pelos próprios deuses: amor de deuses e amor aos homens. Seria respeitando simultaneamente a vida sagrada e a vida da Cidade que uma vida plena se cumpriria.

Os grandes mistérios de Elêusis, o mais elevado ato espiritual que se realizava na Grécia Antiga, um culto de iniciação às deusas ctonianas Deméter ou Perséfone, ou a Dioniso, para iniciação aos mistérios de Orfeu, possibilitavam o conhecimento da Vida para além da vida.

(Cf., SANTOS, Luís Carlos dos, Agostinho da Silva: Filosofia e Espiritualidade, Educação e Pedagogia, Euedito, pp.23-30)

sábado, 13 de junho de 2020

Uma disponibilidade para o Tudo


A "Ilha dos Amores" e o “Quinto Império”: entre Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva

Luís Carlos dos Santos


O Padre António Vieira, o Imperador da Língua Portuguesa, como Pessoa o designa no seu livro “Mensagem”, exemplo vivo do homem total e do universalismo português, uma das personalidades mais distintas e originais da nossa cultura, é herdeiro da teoria joaquimita das “Três Idades” que são constituídas, como já se disse, pelas eras do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que têm correspondência na Terra a três grandes períodos históricos, o primeiro, desde a Criação anunciada no Evangelho até à conversão de Constantino, imperador Romano, ao cristianismo; o segundo, até à expansão da mensagem cristã ao mundo com os Descobrimentos Portugueses; o terceiro, com a consumação até ao final dos tempos do V Império, ou seja, da consolidação do Reino de Deus na Terra, com a descida do Paráclito, na unificação de todas as nações do mundo numa comunidade eclesial conforme a profecia bíblica.
Mas Vieira há-de demarcar-se de Joaquim de Flora, pois que para si são Cristo e a Igreja, e não o Espírito Santo, os consumadores do Reino Divino na Terra. Como nos diz Paulo Borges, “…uma igreja composta de santos e abrangente de toda a humanidade.”[1] Depois da queda a libertação será em Cristo. A progressiva apropriação de todos os homens em Cristo, pela universalização da Igreja e da santidade. Ou seja, do “fim dos tempos” em que Deus será tudo naqueles que nele transfigurados, já não serão muitos mas Um só, suponha o necessário esforço humano de uma remoção dos impedimentos à manifestação de tal Unidade.[2]
Seguindo Paulo Borges, “Mais do que uma realidade histórica, determinada por contraste com tudo quanto a antecede, a real Jerusalém Celeste é o “estado” de uma plenitude não compartimentada, em todos transparecente e toda de todos para todos fluente, na integral comunhão amorosa: “…porque todos perpetuamente se vêem a si mesmos, todos vêem a todos, e todos vêem tudo. Nada se esconde ali, porque lá não há vício; nada se encobre, porque tudo é para ver; nada se recata, ou dificulta, porque tudo agrada; e porque tudo é amor, tudo se comunica.”[3]
Em Vieira, a ideia de Santo Agostinho sobre a existência das “duas cidades”, “cidade dos homens” e “cidade de Deus”, correspondem à existência de Quatro Impérios já historicamente verificados, assírio, persa, grego e romano, e ao “Quinto Império” que estaria por vir, por construir, e que seria português.
Vieira vai relacionar a missão de Portugal na construção do “Quinto Império” com o que ele “encontra prefigurado no sonho de Nabucodonosor, interpretado pelo profeta Daniel: a pedra que, sem intervenção de mão alguma, embate violentamente nos pés de ferro e argila da terrível estátua antropomórfica, com cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de bronze, pulverizando-a e convertendo-se numa “grande montanha” que enche a terra inteira (Daniel, 2, 31-45). Abatendo o gigantesco ídolo de pés de barro – símbolo dos quatro impérios e dos poderes mundanos (…) e da própria história enquanto exílio do Paraíso original -, a pedra, figura do Messias, do Cristo, ou da consciência desperta e livre, converte-se na montanha cósmica, símbolo da totalidade e do eixo que une céu e terra, espírito e matéria, transcendência e imanência.”[4]
É a missão da consolidação do Reino de Deus na Terra em que Vieira vê Portugal como o seu mais elevado representante, desde a aparição e profecia de Cristo a D. Afonso Henriques, antes da Batalha de Ourique quando lhe diz: “Vai e funda o meu Reino.” Cristo faz de Portugal a vanguarda do seu crescimento terreno, compreendendo-se que na consumação do império português a própria “potência” divina resulte “sublimada.”[5]
A Missão de Portugal é, pois, a de fundação de um Reino de Deus na Terra, fundado não para fins políticos como acontece com outras nações, mas com um fim apostólico que lhe é particular. É esse também o objetivo primordial dos Descobrimentos Portugueses.[6]
Como refere Agostinho da Silva, “O Vieira falava do mundo redimido, do mundo restituído plenamente ao Cristo (…) Afinal o povo português tinha o ideal de cumprir Cristo! (…) e que esse mundo perfeito tinha que ser fabricado por portugueses e por espanhóis.”[7]
Para o nosso autor, a profecia de Vieira está concretizada até à parte em que Portugal se autonomizou das colónias que administrava, acabando assim também por se libertar a si próprio, “O nosso ideal é que cada homem seja um universo nele próprio. O nosso ideal é que cada comunidade seja um universo nela própria. (…) Portugal está autónomo. Os outros bocados do que era Portugal autónomos estão. Mas isso não impede que haja entre eles relações de franqueza, não de política, e de atenção ao que neles há de comum para que se ressuscite um conjunto de comunidades capazes de partirem para um projecto que todos aceitem.”[8]
A obrigação hoje de cada português é a de pensar o mundo inteiro em paz com plena liberdade de pensamento em cada um. Claro que a paz e a liberdade devem ser construídos por todos, e não será obra exclusiva de portugueses. Mas, diz Agostinho, “o que acontece é que eu nasci em Portugal! O que acontece é que eu me fiz num país, o Brasil, que fala português, que tenho conhecimento de outras terras que falam português, pelo menos oficialmente, e que a minha primeira atenção vai para esses. A minha primeira atenção vai para os que estão mais perto de mim.”[9] E, por outro lado, cada vez que Portugal seguiu mais outros países que não o seu próprio íntimo, Portugal falhou. “ Então eu realmente quero pensar o problema, desejo pensar o problema quanto possível no âmbito possível dos povos que falam português ou espanhol. Depois veremos os outros. Por enquanto, eu não quero implicar os outros nesta história, porque de cada vez que eles entraram na vida portuguesa e na vida espanhola atrapalharam muito a outra que estava correndo bastante bem. É o problema que se põe agora com a CEE.”[10]
Voltando ao nosso Padre, Vieira tal como Camões ambos sustentaram que no tal mundo divinizado corpo e espírito ambos se conservam em liberdade. Em Camões isso aparece de forma muito mais ampla que em Vieira, eventualmente, pela influência que poderá ter recebido da filosofia oriental. Não se sabe. De qualquer forma, “um homem superior acaba por ser ao mesmo tempo do Ocidente e do Oriente. (…) E é a isso que devemos rumar.”[11]
Pessoa tem uma ideia diferente de Vieira sobre Quinto Império. Em Vieira o princípio dinâmico é mais político, em Pessoa mais unipessoal. “É que ao passo que o caso de Vieira é um caso político, o caso do Quinto Império do Pessoa é um império em que cada homem e cada mulher se soltem, um império que eles próprios exercem sobre si mesmos. Que cada homem e cada mulher possa atingir um ponto em que tenha a absoluta liberdade.”[12]
Mas Vieira também não seria contra essa conquista de liberdade, simplesmente, o caminho para lá chegar é diferente, o que é normal porque Vieira e Pessoa são personalidades históricas muito diferenciadas… “O próprio Camões o tinha pensado assim na Ilha dos Amores. Ali não há nenhum aspecto de limite à liberdade, está-se fora do tempo e fora do espaço, até disso se soltaram os homens. (…) Ao passo que o Vieira é, digamos, o político do colectivo, o Fernando Pessoa aparece como político do individual.”[13]
Seguindo as palavras de Agostinho, “O Vieira tem por último ideal, porque não podia ter outro, que o império que ele deseja construído por portugueses seja um império sem imperador, um império que os homens vivam numa fraternidade humana e numa compreensão divina, sem que nenhum homem mande em outros homens, sem que nenhuma nação mande em outra nação. Quando ele diz que o Quinto Império é instaurado por Portugal, não quer dizer que Portugal continue como imperador.”[14] O Vieira “era um homem de Brasil e Portugal, ele pensava fundamentalmente como é que vamos unir essas duas coisas, problema que ainda hoje anda por aí. Para já não falar das outras colónias ou províncias ultramarinas mais recentes. O Fernando Pessoa talvez tivesse achado que o grande caminho para isso não era a política que fez o Vieira e que ele perdeu… O Pessoa, já que ele não se sentia com capacidade de acção junto dos outros, talvez ele tivesse achado que o importante dele era aprofundar-se e soltar-se a si mesmo antes de soltar os outros. E quem sabe se não é esse realmente o caminho mais certo?”[15]
Mas Agostinho não deixando de reconhecer a importância dos dois pensadores portugueses e que, no fundo, embora as diferenças sejam substanciais, como diferentes são as épocas em que ambos viveram, não deixa de relevar o objetivo comum que os une, o que o leva a afirmar que “talvez o melhor seja juntar os dois e chamar-lhes Fernando Vieira…”[16]
Fernando Pessoa decidiu pôr-se à disposição de tudo o que aparecesse, do imprevisível, e aqui coloca-se a questão do Espírito Santo como a entidade do imprevisível de tão grande importância para o nosso Professor. “ E quando o São João diz no Evangelho, pondo as palavras na boca de Cristo, que será o Espírito santo o verdadeiro consolador dos homens, ele está a tirar a ideia de que pode haver um consolador muito mais válido, muito mais amplo do que o próprio Cristo. Um consolador que não venha curar as feridas e consolar o desastre, mas um consolador que venha de dentro pondo o espírito criador em perfeita liberdade. A verdadeira libertação dos homens, a verdadeira revolução seria pôr em perfeita liberdade o criador, o poeta que provavelmente todos os homens são. Não é o político, o poeta!”[17]
Então se pensarmos num império universal, que sirva um e outro lado, tanto o Vieira como o Camões têm limitações, porque defendem o Deus ocidental, ou seja o Todo. Já em Pessoa encontramos pela primeira vez a ideia de um Deus que é tudo, mas tem ao mesmo tempo a ideia de um deus que é uma disponibilidade.
Então, para Fernando Pessoa, “um império instaurado por gente do tipo português, essa unidade do mundo, em lugar de império podemos chamar-lhe uma unidade do mundo, essa unidade do mundo teria como filosofia e como teologia uma que declarasse verdadeiros todos os seus aspectos: o aspecto de tudo e o aspecto do nada. E podia unir isso não como alguma coisa contraditória à maneira do zen, como alguma coisa que tivesse dois aspectos contrários na sua unidade, mas por exemplo como alguma coisa que nós pudéssemos representar pela palavra disponibilidade.”[18]
Portanto, Agostinho da Silva vê uma perfeita linha de continuidade entre Camões, Vieira e Pessoa, embora pesem os diferentes tempos em que viveram e a inevitabilidade de serem influenciados pelas ideias de seu tempo. No fundo, Camões, Vieira e Pessoa são heterónimos do desejo de que haja no Mundo alguma coisa que seja a realização plena do homem. Ou, concluindo com palavras suas, “entendendo que o homem não é apenas esta coisa que vive aí uns anos e morre, mas que é alguma coisa de eterno, como uma centelha de fogo. É a centelha que se apaga, mas é também o fogo que sempre existe no mundo, qualquer aspecto que tomemos! Então o Camões, Vieira, Pessoa são aspectos de várias épocas, de várias tonalidades, de vários temperamentos, com o mesmo ideal de que haja no mundo alguma coisa que seja a realização plena do homem. A ideia de que essa realização plena não existirá se nós escolhermos, se fizermos tal coisa e abdicarmos de tal outra! Mas que essa realização plena é a disponibilidade para tudo. Uma disponibilidade que é ao mesmo tempo quieta, sentada, passiva, e uma disponibilidade que tem um ideal. É a disponibilidade para o tudo, nos vários aspectos com que o tudo nos aparece.”[19]
Quando Camões fez, no regresso da viagem de Vasco da Gama à Índia, os nautas aportarem na Ilha dos Amores abriu um “rasgão” no tempo e no espaço. De facto, essa ilha não existe. Não há rota, ninguém sabe que caminho os navegantes percorreram. “Os fenómenos desaparecem. Isto é, o Camões declara afinal, de outra maneira, que, para chegar àquela verdade absoluta que é a divinização do homem sem perder o humano, tem que se ultrapassar todo o mundo dos fenómenos. Estamos ultrapassando? Estamos desde o Descartes.”[20]
“Então, agora trata-se de inventar uma política adequada ao regresso para tornar a partir. E tornar a partir não é evidentemente para ir a qualquer espécie de fenómeno, é para tornar a ir outra vez meter-se no rasgão do espaço e ir para além da ilha dos Amores (…) Dizer Ilha dos Amores ou Quinto Império, vamos a isso, é mais completo até! Então o que se trata de fazer agora de mais importante é uma arrumação interna de Portugal que está bastante desarrumado.”[21]
(SANTOS, Luís Carlos dos (2016) Agostinho da Silva: Filosofia e Espiritualidade, Educação e Pedagogia. Vila Nova de Gaia: Euedito, pp.134-140)


[1] Paulo Borges, A Pedra, a Estátua e a Montanha, o V Império no Padre António Vieira, Lisboa, Portugália, 2008, p.65
[2] Cf., idem: 73
[3] Idem: 95, cf., Padre António Vieira, Sermoens, 2, pp.189-192.
[4] Idem: 21e 22
[5] Idem:129, cit. Padre António Vieira, Clavis Prophetarum, liv. 2º, cap. 13, XI, p.523
[6] Cf., idem: 130
[7] O Império acabou. E agora?, entrevista de Antónia de Sousa, Lisboa, Notícias, 2000, p. 103
[8] Idem: 110
[9] Idem: 110
[10] Idem: 110
[11] Idem: 108
[12] Idem: 115
[13] Idem: 115-116
[14] Idem: 115
[15] Idem: 116
[16] Idem: 116
[17] Idem: 117
[18] Idem: 120
[19] Idem: 123
[20] Idem: 126
[21] Idem: 127

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Dar Voz ao Silêncio



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Dar Voz ao Silêncio 
(Música de Palavras / Libreto) 

Uma viagem através da criação poética, feita entre um Carnaval e um Domingo de Páscoa, com Quaresma e Semana Santa pelo meio, ano de 2018. Entre a farra e a alegria da festividade humana, pagã, e o dia da ressurreição, cristã.

Antes de mais dizer que um libreto, segundo a Wikipedia, do italiano libretto, é o texto usado numa peça musical do tipo ópera, opereta, musical, oratório e cantata e, cujo plural, libretti significa literalmente livrinho. Ele inclui tanto as palavras das partes cantadas quanto das faladas.

Este livrinho é dedicado ao nosso planeta Terra, o planeta azul, que nos dias que correm anda demasiado cheio de lixos e fumos vários, embora seja grande a sua autocapacidade de regeneração para lá das manias antropocêntricas de alguns.

Fazendo minhas as palavras do meu amigo José Batista, "Gaia", a Terra mãe, de onde nós humanidade "saímos" de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima "película" superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a preservação da Natureza depende da nossa ação quotidiana. Boa Viagem. Bons ventos de navegar. É esta a hora.