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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

“Libertos De Fundamentalistas Trevas Mentais”


Tateio a noite obscura das mentes
Parto em busca da alguma luzinha
Apalpo o lusco-fusco da madrugada cerebral
Procuro qualquer porta para a liberdade

Retiremos juntos as amarras que nos prendem
Desprendamo-nos dos totens da tradição fatalista
Soltemos as almas individuais de faces retrógadas
Deixemos que cada qual voe solto na imaginação

Alimento o ego nas águas límpidas de olhos ocultos
Rasgo manifestos esquisitos para não magoar a vista
Desvio-me da censura dos exageros demagógicos
Arranco a parte fisica da vaidade aos inquisidores do nada

Coloquemos as mãos umas nas outras em corrente
Irmane-mo-nos à volta do pensamento diverso
Comunguemos do mesmo espírito que a tudo movimenta
Ligue-mo-nos ao fluído que emana da inteligência comum

Atravesso de barca para o lado do não dizendo sim
Vou carregado de línguas cheias de vontade de ecoar
Na manga escondo um truque visível a quem sabe sentir
Levo a verdade em cada palavra à escrita dos símbolos

Tratemos a esperança como se ela nos corra no sangue
Pintemos a virtude de ser em todas as bandeiras ondulantes
Surfemos suavemente seja por caminhos sinuosos ou não
Acalmemos os semblantes nossos e de outrém à nossa chegada...

Pois, só a paz nos guiará o coração para as batalhas da harmonia fratenal...



Escrito em Luanda, Angola, a 12 de Fevereiro de 2011, por manuel (duarte) de sousa, em virtude ou por ocasião da prisão da Poeta e Jornalista Colombiana Angye Gaona e por todos vós outros, sejais Poetas/isas, sejais Prosadores/as, Criadores/as ou Escultores/as e Pintores/as de outras Artes e Ofícios afins, ou sejais vós tão somente, mestres, aprendizes, apreciadores, leitores, observadores, avaliadores, críticos ou consumidores de Artes e Cultura, tão simplesmente (pois, sem uns, decerto, nao haveriam os outros e vice-versa!)...