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terça-feira, 24 de junho de 2014

GIL VICENTE E ALHOS VEDROS


Gil Vicente nasceu por volta do ano de 1465, mas não há concordância dos historiadores, nem quanto à data, nem no que se refere ao local do nascimento. Terá nascido no Minho, mais propriamente em Guimarães? Ou terá vindo ao mundo em Barcelos e tenha crescido numa localidade da Beira? Ou a sua terra natal possa ter sido Lisboa, na Estremadura?
Daquilo que não há dúvida, é que viveu nesta cidade.

Bom observador da realidade circundante, audacioso, detentor de um mordaz espírito crítico, nenhum estrato social escapou à sua perseverante denúncia de exageros, infidelidades e hipocrisias!

Conhecido na cidade, rapidamente a sua fama acudiu aos ouvidos régios, tendo sido introduzido na Corte como artista, e onde foi incumbido de superintender a organização das festividades da Casa Real.

Como era uso na época, a Corte transitava pelo País, assentando arraiais em diversas povoações: vilas e cidades, de Norte a Sul do Reino.
Gil Vicente tomava, invariavelmente, parte nessas viagens.
«São conhecidas as localidades seguintes, frequentadas pela Corte e quase sempre por Gil Vicente (...), durante o reinado de D. Manuel I de Portugal e do seu sucessor, o rei D. João III: Lisboa, Almeirim, Abrantes, Chamusca, Sintra, Torres Vedras, Évora, Alhos Vedros, Castro Verde, Lavradio, Benavente, Alcochete, Aldeia Galega, Tomar, Barreiro, Palmela, Alcácer- do-Sal, Alvito, Montemor-o-Novo e Coimbra. (...)»

Onde se alojaria a Corte em Alhos Vedros?

Achando-se Gil Vicente em Santarém, aquando do terramoto de 26 de janeiro de 1531, que abalou Lisboa e o Vale do Tejo, «censurou num discurso os sermões terríficos, nos quais os frades de Santarém explicavam ao povo a catástrofe como resultado da ira divina. Então, referiu o facto ao rei, numa carta na qual se pronunciava também contra a perseguição movida aos Judeus, tendo o rei D. João III abandonado, a partir de 1531, a política de assimilação e tolerância religiosa que havia caracterizado a época manuelina

Essa missiva de Gil Vicente recebeu-a o Monarca em Palmela, depois de ter passado por Alhos Vedros e aí ter pernoitado, antes de ter seguido para Coina.


Francisco José Noronha dos Santos