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sexta-feira, 23 de maio de 2014


CARTA ABERTA

A Sua Excia. o
Presidente da República Portuguesa
Senhor Aníbal Cavaco e Silva


Rio de Janeiro, 14/05/2014

Meu nome: Francisco Gomes de Amorim, português, 82 anos de idade, residente no Rio de Janeiro, Brasil.

Excelentissimo Senhor

Há cerca de dois meses, através do “site” da Presidência da República, mandei uma tele-mensagem solicitando de V. Excia. uma intervenção junto da Secretaria de Estado da Cultura e/ou da Biblioteca Nacional, face à impossiblidade burocrática que me interpuseram de obter meia dúzia de fotocópias de um livro daquela biblioteca.
Tantas foram as complicações e documentação pedidas, parecendo inquérito policial, que não consegui obter as ditas fotocópias.
Venho agora, penhoradamente, agradecer a V. Excia. a sua, certamente, intervenção.
Primeiro porque nem V. Excia, nem ninguém da sua secretaria se dignou acusar a recepção da minha tele-mensagem.
Segundo porque V. Excia., possivelmente por não ter tomado conhecimento, rigorosamente NADA fez.
Terceiro porque passei a entender um pouco melhor, o descaso, ou o desprezo ou ainda os obstáculos a vencer por alguém que ainda “tem o desplante” de se interessar pela cultura portuguesa.
Eu sei, e todos devem saber, que V.Excia não deve ter tempo para ninharias, como a do meu caso, de pedir umas simples fotocópias à Biblioteca Nacional, visto julgar muito mais importante aparecer, sorrindo, a condecorar um ídolo do futebol.
O lamentável de tudo isto é que, simultaneamente, pedi à Sociedade de Geografia de Lisboa outras fotocópias e mais um livro que ali tinham à venda, e dois dias depois eles estavam no correio, já tendo chegado às minhas mãos.
Mas não se preocupe V. Excia. porque um conhecido meu, através de um amigo de um continuo (i. é, empregado subalterno) da Biblioteca, em 24 horas obteve as ditas fotocópias. Pagou-as é evidente. Mas sem burocracias.
E assim, sem que V.Excia. se tivesse incomodado ou preocupado com a cultura portuguesa, um continuo, tal como fazem os soldados e os sargentos nas forças armadas, resolveu o “tão intrincado imbróglio” atropelando a burocracia que tanto ajuda a destruir o pouco de bom que esse país ainda tem.
Tenha V.Excia. muita saúde e deixe os contínuos governarem o país.
Atenciosamente

Francisco Gomes de Amorim



domingo, 20 de abril de 2014

NA ÁRVORE DOS SONHOS, carta a uma amiga


Um grande amigo meu está a a organizar uma conferência sobre "A Educação Baseada na Consciência" e que se refere às virtudes da Meditação Transcendental. Um outro grande amigo, budista, também vai dinamizando sessões de aprendizagem desse outro tipo de meditação. Um outro é católico assumido e vai mais pela via da oração. E eu, agora que te falo nisto, acabo de reparar que sou amigo de gente realmente importante, como é o teu caso.

Eis o que é mais interessa: aceitar incondicionalmente o Outro, respeitar a diferença, sem deixar de se ser aquilo que se é. Porque até pode ser que no fim sejamos todos uma e a mesma coisa.


Luís Santos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carta aberta ao Coletivo jazz alburrica



Épaaaa isto hoje está muita filosófico, o que é muito bom. Penso que música tb é filosofia, e por assim acreditar vejo nela um ponto de partida para alcançar todos esses universos, e para lá deles, mesmo com todas essas nublosas.
Penso que cada ser humano é um universo tão vasto como o universo exterior em que habita (penso que ás vezes até mais denso), só que ele próprio precisa de decifrar pequenos codicos para se poder movimentar sobre ele, codicos esses que aparecem em forma de nublosas, deciframos o seu codico e a nublosa abre a porta para o caminho que vai dar até outra nublosa e assim por diante.
Quanto mais nublosas a pessoa conseguir passar mais descobre quanto é vasto o seu universo interior, e quanto mais o alcança mais perto está da seu santo gral, que é sua realização pura, mais perto da sua origem humana, mais perto de chegar ao cume da montanha do seu amor próprio.
O nosso universo exterior que á partida é comum a todos é ilusório, pois cada pessoa vê o universo exterior á sua maneira, então poder-se-á dizer que existem que o numero de universos exteriores e interiores e igual a numero de seres humanos que a dado momento existem sobre o planeta terra.
Isto só para dizer que, se existem tantos universos e tantos seres humanos o que é que eu valho?? Quem sou eu?? O que faço aqui??
Para onde vou?? Estas perguntas, são perguntas chave de todo o saber humano capaz de o realizar ou o levar á loucura e até mesmo á morte, que vêm desde os primórdios até aos nossos dias. São perguntas que existem para serem eternas.
Com isto digo e penso que nós somos tudo e nada em simultanio com uma ligeira tendência para o nada, pois á partida só vemos o mundo exterior, os mundos e os universos dos outros, atirando-nos para o nada em que as-seguir sentimo-nos inferiores e frustrados dizemos que não somos nada neste universo tão vasto, dizemos que somos uma gota de água no oceano.
Por outro lado somos tudo, ou seja, o planeta, o cosmos e os outros seres humanos com os seus infinitos universos só existem porque eu os sinto, veijo e imagino são eles que constituem o meu universo exterior, que se liga ao meu universo interior e é só neste universo interior que conseguimos ser esse todo global. Se eu morresse o mundo morreria comigo pois eu sou tudo.
Penso que com estas duas esferas nos devemos situar em campo neutro ás vezes balançando ora mais para um lado ora mais para outro.
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Havia um lenda antiga que falava de um mestre e o seu discípulo.
Em que o mestre faz uma linha no chão e pergunta ao seu discípulo: "Quero que diminuas o tamanho desta linha sem tocares nela"
e o discipulo pensou pensou, teve horas e dias a pensar e quando se encontra com o mestre diz que não consegui descobrir, e o mestre por cima daquela linha desenhou em paralelo a essa outra linha ainda maior, o que fez com que a primeira linha ficasse automaticamente mais pequena.
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Isto somos nós perante o mundo sentimo-nos pequenos enquanto o mundo é tão grande, daí a nossa tendência para o nada.
Se nós queremos decifrar nublosas e explorar o mais possível do nosso universo interior em território neutro (Ser tudo e nada em simultanio) temos que olhar para dentro e ir buscar o sonho, só ele salva só ele nos guia só ele nos conduz acreditando sempre, não podemos ter medo de sonhar e acreditar e voar voar voar voar voar voar voar e sem medo da queda, pois esta realidade putrefacta perende-nos, segura-nos e proteje-nos, sem ela vivíamos a voar e alheados de todo o mundo o que também não era bom, mas assim que a temos presa na consciência como torres de marfim, o mais é sonhar sonhar sonhar , acreditar voar rir sonhar brincar curtir.
ehehehhehehehehhehehehehehhehehehehehhehehehehehehheheheheheheh
ehehehehhehehehehehhehehehehehehhehehehehehehhehehehehehhehehe
Desculpem lá esta extenção de texto, nessas cenas divago muito muito muito, quando começo não paro, já nem sei o que disse se calhar só falei de merda que é o melhor que sei falar ahahahahha ( Vivá merda) ahahahahha ( e o cristo onde tá????) mas se com as minhas aldrabices e loucuras e grandes pancadas vos ajudar sinto-me realizado ;-))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Um grande abraço e um enorme beijinho para todos vosses

Diogo Correia

P.S - Quando andava nos escuteiros soube de uma frase dita pelo fundador do escutismo Robert baden Pawel ( militar inglês da grande guerra)
" Vamos deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos"
Faço desta frase o meu grande objectivo de vida. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Carta Aberta à CPLP de Apoio à Guiné-Bissau


Nós, Cidadãos Lusófonos, estamos fartos:
- estamos fartos de grandes proclamações retóricas, sem qualquer atitude consequente.
- estamos fartos de ouvir que “a nossa pátria é a língua portuguesa”, sem que isso tenha depois qualquer resultado.
- estamos fartos de escutar que a convergência lusófona é o nosso grande desígnio estratégico, sem que depois se dêem passos concretos nesse sentido.

Nós, Cidadãos Lusófonos, sabemos bem que a CPLP só faz o que os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a deixam fazer e, por isso, responsabilizamos sobretudo os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pela inoperância da CPLP, 15 anos após a criação. Muitos desses Governos parecem continuar a considerar que a CPLP só serve para promover sessões de poesia – nada contra: sempre houve na nossa língua excelente poetas. Mas a CPLP tem que agir muito mais – não só no plano cultural, mas também no plano social, económico e político.

A situação a que chegou a Guiné-Bissau é um dos exemplos maiores dessa inoperância. Como o MIL há vários anos alertou, teria sido necessário que a CPLP se tivesse envolvido de modo muito mais firme, para além das regulares proclamações grandiloquentes em prol da paz, proclamações tão grandiloquentes quanto inócuas. Como sempre defendemos, exigia-se a constituição de uma FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ para realmente pacificar a Guiné-Bissau e defender o povo irmão guineense dos desmandos irresponsáveis e criminosos de muitas das suas autoridades políticas e militares.

Dada a situação extrema a que se chegou, só agora a CPLP parece acordar, ao propor “uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO – Comunidade Económica dos Países de África Ocidental, a União Africana e a União Europeia”, bem como a “aplicação de sanções individualizadas” aos militares envolvidos neste último golpe militar – nomeadamente, a “proibição de viagens, congelamento de bens e responsabilização criminal”.

Obviamente, nós, Cidadãos Lusófonas, concordamos com essas propostas.
Apenas esperamos que não cheguem demasiado tarde. E, sobretudo, que não fiquem por aí. O apoio à Guiné-Bissau terá que se estender aos mais diversos planos – desde logo, ao da Educação, da Saúde e da Economia. É mais do que tempo que o povo martirizado da Guiné-Bissau possa viver em paz, com acesso à Educação e à Saúde e com uma Economia que lhe permita viver dignamente.

Nós, Cidadãos Lusófonos, exigimos isso. E por isso exortamos a CPLP a dar, finalmente, passos concretos nesse sentido.

Subscreva e Divulgue aos seus contactos!!

MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

CARTA ABERTA PARA TI QUE ME LÊS

Sabes, há muito que estava para te escrever, para falar contigo, pois sinto que te devo uma explicação. Terás dito, ou sentido, que te abandonei, agora que tanto precisavas de mim.
Também eu sinto a tua falta, de te ver, de te ouvir. Já nos conhecemos há mais de 25 anos. No princípio comunicávamos de uma maneira mais salutar, acreditavas mais em mim. Depois, pouco a pouco, senti que íamos esfreando a nossa relação. Sentia a tua angústia, a tua ansiedade por eu não poder resolver os teus problemas , que se manifestavam, a maior parte deles como sintomas clínicos.
Fazia o que sabia e podia, receitas, análises, exames auxiliares de diagnóstico, mas muitas vezes lá aparecias novamente queixando-te , agora de outra coisa. E eu, perguntando a mim mesmo o que é que estava errado, se tu , eu, ou ambos.
Pela manhã, após o periodo de consultas, a funcionária trazia-me os pedidos, que como os teus me levavam algum tempo a passar. Alguns pedidos de outras especialidades, outros de alguém, que tu já descrente em mim resolveste ir consultar. Muitas vezes tentei aflorar contigo, se os teus sintomas físicos não seriam resultantes de algo que se passava na tua vida e que não tinham nada a ver com a medicina. Nem sempre reagias bem a estes meus questionamentos.
Os anos foram-se passando e tambem eu comecei a ficar angustiado, ansioso, às vezes depressivo, pois não via, a maior parte das vezes a luz ao fundo do túnel, para solução da maior parte do que consideravas os teus problemas. O relacionamento entre nós foi-se esfriando e às vezes tornava-se difícil, pois a confiança não era muita.
Então resolvi aposentar-me, libertar-me, e pensei ,libertar-te tambem a ti, dando-te uma oportunidade para procurares outra via.
Soube, depois, que disseste que te tinha abandonado, mas não é verdade. Agora estou mais livre, como um pássaro que se liberta da sua gaiola, mas que continua na periferia, pronto a continuar a ouvir-te já não naquela sala, mas pode ser num banco de jardim, na rua, onde tu quiseres. Tenho todo o tempo para te escutar e se necessário, sugerir-te uma receita ou outra porta que se possa abrir para que te possas ajudar a ti próprio.

antonio alfacinha
medico de familia aposentado de Alhos Vedros
alfa2749@yahoo.com.br

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Carta de Berlim



Cheguei vai fazer amanhã uma semana. Tenho andado a divertir-me imenso, já visitei grande parte da cidade, já fui a dois museus, a um teatro e esta semana vou ao jazz. Isto aqui tem muita história, faz relembrar a segunda guerra mundial, parece que estamos dentro de um filme (ehehehe). Já fui a discotecas em que também me diverti muito e ontem estive numa festa de "Erasmus", estou-me a dar com pessoas de todo o mundo o que ás vezes é difícil para mim pois falo pouco inglês. Mas tenho escrito, desde que estou aqui comecei a escrever um poema e só o vou terminar quando me for embora, vai ser longo este poema, todo ele é modernista com muitas onomatopeias e uma grande fusão de emoções, é a primeira vez que escrevo algo deste género vamos lá ver (ehehehehe).

Estou a amar estar aqui, é uma grande cidade artística, sinto que tem tudo a ver comigo, gostava de viver por aqui uns tempos, pena é o tempo o céu está sempre cinzento e chove muito. As pessoas aqui são muito acolhedoras e prestáveis, andam muito de bicicleta, mas também existe miséria pois esta é a cidade mais pobre da Alemanha.

Berlim preenche-me muito e faz-me feliz.

Um grande grande abraço cheio de açúcar das suas deliciosas bolas de berlim
DIOGO CORREIA
16/05/2010

domingo, 11 de abril de 2010

Carta ao Director do "Público" sobre a mentira acerca da Marcha pelos Animais de 10 de Abril

Exmº Sr. Director

Tinha 14 anos em 25 de Abril de 1974 e saí à rua com o mesmo entusiasmo de milhões de portugueses para saudar a restauração das liberdades fundamentais dos cidadãos, entre as quais a liberdade de imprensa. Depois disso desiludi-me com a política convencional, a meu ver demasiado estreita, e dediquei-me sobretudo à docência universitária. Há cerca de um ano faço parte da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais e foi nessa qualidade que apoiei a Marcha pelos Animais, em 10 de Abril, e que fui entrevistado pelo vosso jornal. Lendo a afirmação do jornalista de que "centenas" de pessoas estiveram presentes, não posso reprimir a minha indignação: como podem "centenas" de pessoas, em filas de cerca de dez, encher completamente o percurso do Saldanha ao Marquês de Pombal, dar a volta a esta Praça e entrar ainda na Rua Braancamp, como muitas fotos e videos documentam? Como pode alguém reduzir a "centenas" as 3000 pessoas que, no mínimo, estiveram presentes?

A minha indignação é tanto maior quando vejo o "Público", cuja qualidade prezo, fazer coro com outros jornais de qualidade muito inferior e ficar atrás dos canais televisivos, que deturparam ligeiramente menos a realidade, falando de "mil" pessoas...

Compreende-se que os órgãos de comunicação social não estejam interessados nos animais, que felizmente não lêem jornais nem vêem televisão, como se compreende que o poder e as forças políticas não se interessem por quem não vota e é apenas vítima passiva e silenciosa de todo o tipo de maus-tratos e abusos. Não se compreende é que os media tenham o despudor de insultar com tamanha mentira o crescente número de cidadãos que se erguem para dar voz a quem não a tem e que colocam a defesa dos direitos dos animais como condição para uma sociedade humana melhor e mais evoluída. Assim o comprova, além dos milhares de pessoas que saíram à rua no dia 10 de Abril, a recente entrega de uma petição contra a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, de que sou primeiro subscritor, e que obteve 8200 assinaturas em menos de dois meses.

Sinceramente, Sr. Director, não foi para isto que a liberdade de imprensa foi restaurada em Portugal! Tenho hoje 50 anos e sinto o meu entusiasmo adolescente traído por ver a liberdade de imprensa convertida em liberdade de manipular a opinião pública. Não esperava era ver o "Público" ir tão despudoradamente neste rumo...

Paulo Borges
(Professor na Universidade de Lisboa)