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domingo, 27 de abril de 2025

Crónicas de Viagem

 Luís Santos


“The total number of minds in the universe is one. In fact, consciousness is a singularity phasing within all beings.” (Erwin Shrodinger)

ROMA

FRONTEIRA. Uma simples linha branca que separa 2 Estados: pé direito em Itália, pé esquerdo no Vaticano.

Domingo de Páscoa. Não fomos cumprir promessa, nem fomos em peregrinação, mas assistimos às Comemorações na Praça de São Pedro.

Por isso, ouvimos as últimas palavras do Papa Francisco: Desejos de uma boa Páscoa para todos, todos, todos.

E mais não disse... mas pressente-se: Partir desta forma, numa data destas, parece-nos uma boa escolha.

FLORENÇA

Como contar isto?

Regressámos lá

um antro de arte a céu aberto

infinita beleza

nas coisas mais simples

gelado e café

arquitetura, pintura, escultura

Miguel Ângelo, David, Pietá

Vénus,

o Amor

e vimo-La

em carne e osso,

deusa na terra nascida.

Receba as flores que lhe dou


ROMA, Para terminar a trilogia da viagem.

Sempre instigante a sua leitura de trás para a frente, como se tivesse em si tudo e o seu contrário.

E, de facto, a capital do grande império, do "mar nostrum", dos grandes exércitos, das hordas de escravos, do "dolce far niente", Vénus, da beleza e do amor, dos divinos bacanais, do vinho, do circo romano, do polegar do imperador. O espetáculo do sangue, do estalar dos ossos, homens e animais, ao vivo e a cores.

Da região do Lácio, da última flor do lácio, Língua Portuguesa, inculta e bela, Olavo Bilac, entre outras latinas, e muitas mais latinas que ao mundo se haviam de dar.

Do cristianismo. Concílio de Niceia. Faz mil e setecentos anos.Jubileu 2025.

Francisco.

Morrer assim, entre cristalinos valores, no curso do rio da história, fraternidade e liberdade, em busca da paz, com o Coliseu nas costas, acaba por dar mais dignidade ao projeto.

Portugal, etc.

No tempo longo tudo muda... muito. Embora, intrinsecamente, tudo permaneça, mais ou menos, na mesma. Como no ciclo da chuva. Natureza.


quinta-feira, 15 de agosto de 2024

TOMAR

 por Luís Santos

CRÓNICAS DE VIAGEM


Convento de Cristo


Uma escapadinha até TOMAR, com paragem na Golegã para descansar.

Em Tomar, coube-nos um quarto com nome inscrito em letras grandes, Ordem do Templo, mais figura impressa na parede do chão até ao teto de Hugo de Payns, um dos 8 fundadores dos “Cavaleiros do Templo ou Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”, como inicialmente se chamaram.

Depois desses primeiros tempos passou a Ordem do Templo e, mais tarde, Ordem de Cristo, com toda a história exposta, bem resumida, na sala de refeições.

Tomar respira Templários por todos os poros, e lá está a demonstrá-lo Gualdim Pais em pedestal, na praça central da cidade. A sua transformação histórica na Ordem de Cristo, D. Dinis, e mais à frente com destaque para administração do Infante D. Henrique, que outra vez foi ao mundo, são flagrantes episódios para uma breve crónica boa de se desenvolver.

Amiúde, pelas ruas, a referência à famosa Festa dos Tabuleiros, que saem à rua de 4 em 4 anos, algures encimados por enorme, significativa, pomba branca.

Por fim, lá no alto, para mais ampliar a consciência, paredes meias com o Castelo, o Convento de Cristo, geometria sagrada, cujas palavras são sempre poucas para o descrever. O melhor é ir ver. Mesmo!

E como foi bom de palmilhar, passo a passo, as ruas de Tomar.


quinta-feira, 28 de março de 2024

Crónicas de Viagem

 Vila Velha de Ródão

23-25 de março/2024



Meio da manhã rumo ao Arts Rupestre Hotel, Vila Velha de Ródão. A rota traçada foi a linha do Tejo. Pelo meio, um cantinho bem verdinho a envolvê-lo em Benavente, um almoço para esquecer em Salvaterra de Magos, onde as enguias fritas anunciavam a típica gastronomia regional e a lembrança de Constância, terra de Luís de Camões, onde o Zêzere, bonito de ver, se despeja no rio maior.

O Hotel, simpático, em sítio arejado, tem como paisagem justamente o nosso rio, até às portas de Ródão, ex-libris natural, monumental, duas enormes massas rochosas por onde o rio se estreita e logo em seguida se avoluma para seguir o seu curso. Acima das portas, acentuada altitude, em hora muito ventosa, o castelo do rei Vamba com miradouro de vista privilegiada para todo aquele impressionante conjunto.

Vila Velha de Ródão, sede de concelho, encosta-se à margem norte do Tejo, província da Beira Baixa, com ponte para a margem sul, Alto Alentejo, a caminho de Niza, distrito de Portalegre. Niza terra de ancestrais na linha paterna, com alguns curiosos pormenores que assinalam a sua antiguidade, portal medieval onde se penetra no centro histórico, D. Dinis, freguesia do Espírito Santo que, agora, depois de recente reforma administrativa do território, se junta com as freguesias da Nossa Senhora da Graça e São Simão. Rua de Santa Maria, onde as típicas flores de bordados e cerâmicas, estão incrustadas no chão, calçada de extraordinária beleza.

Almoçámos bem na “Tasca das Cachopas” e até considerámos que aquele ar medieval que se respira em Niza merecia um restaurante assim, significativo património local, onde a gastronomia tradicional, bem confecionada, ganha relevo.

De volta a VV de Ródão, à beira do rio, deu para se comprovar das pinturas rupestres que dão nome ao sítio de alojamento, em presença humana com testemunhos do Paleolítico Médio, 30 mil anos atrás. Ainda deu para sentir o espírito dos elefantes que outrora viveram por aqui, entre abundante fauna, enquanto um barquinho sai do seu cais fluvial em passeio turístico e a encosta da serra mostra uma linha de comboio de localização absolutamente fantástica, em que se adivinha idílica viagem, mas que não fizemos porque a escapadinha não deu para mais. Aqui, onde começa o Parque Natural do Tejo Internacioinal, como muitos outros recantos por descobrir.

VV de Ródao, uma vila interior do país, que sobe desde o vale do rio serra acima, em terreno acidentado, poucos habitantes, com estrada principal em péssimo estado e obras demoradas a decorrer, onde uma mudança dos ventos trouxe o cheiro agressivo de fábrica de pasta de papel. Enfim, entre belas paisagens, alguns aspetos de menor atratividade que, todavia, não lhe retiram bons motivos para uma visita de um fim de semana prolongado.

 

Luís Carlos dos Santos

Alhos Vedros, 28 de março/2024

quinta-feira, 29 de março de 2018

Crónicas de Viagem












Peniche e Buddha Eden

A A8 e a IP6 são exemplos da extraordinária rede viária que Portugal soube construir nos últimos vinte anos. É verdade que também foram desperdiçados alguns milhões de euros, dadas algumas derrapagens nos orçamentos das obras, mas os “pecados” acabaram por ser largamente compensatórios...

Quanto ao Hotel MH Peniche, poucos reparos: o solicitado quarto com vista para o Baleal não foi o melhor e o serviço de bar chegou a ter atrasos significativos, mas os aspetos positivos rapidamente fizeram esquecer as deficiências.

Sobre Peniche, coube dentro das medianas expectativas que se levavam. O cheiro à azáfama da pesca, das suas ruas interiores labirínticas, dos seus turísticos restaurantes em serviços de meia tigela, e pouco mais. O Cabo Carvoeiro e a Nau dos Corvos, mais o vento agreste e as paisagens de brutas rochas talhadas pela força do mar infinito que se estende até se adivinhar o continente americano, constituem um dos inesquecíveis momentos da sua enorme paisagística beleza. Ao longe as Berlengas.

Depois as praias, o Baleal donde se avista Ferrel, onde em tempos quiseram fazer uma central que “para alguns é nuclear, mas para outros é mortal”, lembrando a velhinha mas sempre valiosa canção do Fausto; e a praia dos “Super Tubos” muito apreciada pelos surfistas de todo o mundo que, mal rasga um solinho, salpicam o mar com as suas pranchas luzidias, à espera de agarrarem uma onda, único prémio maior que nada. Mas é saudável o mar, mais o embalo das ondas, apesar dos perigos que se escondem por detrás da sua bravura.

Quanto ao Forte de Peniche, fechado para obras, em vias de musealização, mas que sempre relembra a prisão e a tortura daqueles que durante o regime político autoritário do Estado Novo lutavam por outras políticas, que nem sempre de liberdade, cuja omnipresença em nossas memórias nos trazem a franzina figura física, mas não mental, de Àlvaro Cunhal, e de outros comunistas que estiveram na linha da frente na luta contra o fascismo. Ao longe, o socialismo russo que, porventura, não era mais livre, mas onde, de maneira certa, se punha a tónica na emancipação dos trabalhadores e na busca de melhores condições de vida para operários e camponeses. Enfim, fascismo nunca mais!

Por fim, o ponto alto da viagem, a visita ao Buddha Eden, na Quinta dos Lóridos, muito perto do Bombarral, onde o comendador Berardo com um super investimento, dando largas à sua imaginação fértil, cultural e artística, produz artes em cima de artes. Absoluta criatividade à solta, bem desenhada. Quarenta e cinco hectares de quinta transformados em jardins, lagos, anfiteatros, múltiplos espaços em que divindades se recriam, de raríssima beleza. Um infindo jardim com o perfume espiritual do Oriente, onde pontificam os motivos budistas e o vinho, Baco e Dionísio, mais as suas desnudadas ninfas. Tudo sob os miraculosos olhares do panteão budista, mas onde tudo é muito mais. E, depos, à saída, lá está a loja dos vinhos, da Bacalhoa de Azeitão, da alentejana Quinta do Carmo, e dos Lóridos espumantes acompanhados de um branco da casta alvarinho da região do Bombarral.

A com-provar.

Luís Santos

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Crónicas de Viagem


Luís Santos

UNS DIAS DE FÉRIAS EM LEIRIA

Leiria, Batalha e Fátima, ou uma breve alusão aos reinos de Dinis, Mestre de Avis e Cristo.

CASTELO DE LEIRIA 
De grande valor simbólico para Portugal. As memórias perdem-se na ocupação romana do território, mas destaca-se uma forte ligação ao Rei Dom Dinis. Foi ele que mandou construir a sua torre de menagem, tal como mandou plantar o pinhal de Leira, cujas madeiras foram utilizadas na construção das caravelas que mais tarde foram às descobertas. Por isso, Fernando Pessoa lhe chamou "o plantador das naus a haver". Mas muito mais se deve ao famoso monarca, foi ele que iniciou os "Estudos Gerais", instituiu no país a Língua Portuguesa, fundou a marinha, protegeu os templários (que passaram a designar-se por "ordem de cristo" e cuja cruz foi ao mundo inscrita nas velas das naus), tal como remonta ao seu tempo o incremento do culto popular do espírito santo, embora este tenha sido acarinhado, sobretudo, pela Rainha Isabel de Aragão que ganharia fama de Santa...

MOSTEIRO DA BATALHA
D. João I e Filipa Lencastre, mais Ínclita Geração, permanecem na ala museu do Mosteiro da Batalha (uma das sete maravilhas de Portugal, classificado pela "unesco" como património mundial), que começou a ser construído em 1386! (...) Nesta parte do museu só os portugueses podem entrar sem pagar. Desculpem. Mais uma foto da Igreja do Mosteiro, como testemunho da extrema beleza arquitetónica de todo o edifício (se clicarem nas fotos poderão ver mais ao pormenor).

SANTUÁRIO DE FÁTIMA
- Eis o nosso anfitrião na chegada ao santuário, a omnipresente torre da igreja, a capelinha das aparições. Pomba Branca.
- Eis um padre e as doze badaladas. Um jovem padre, muito ausente de si, magro e teso, plena espiritualidade. Maria, Ascenção e Tomé.
- Eis a primeira missa inteira: cinco mistérios e o terço. Jesus.
- Eis o silêncio das gentes peregrinas na luta fraterna dos céus. Amor.
- Eis o vislumbre da ressurreição. Luz.



sexta-feira, 15 de julho de 2016

Pela Sibéria espanhola


75º Congresso Espanhol de Esperanto

Herrera del Duque
Mais uma vez o Esperanto constituiu o motivo próximo que nos permitiu viajar, conhecer, conviver e aprender … aprender sempre.
Provavelmente, a maior parte dos leitores jamais ouviu falar de Herrera del Duque, escasso povoado perdido na Sibéria. Atenção que nos estamos referindo a uma comarca sita na Extremadura Espanhola, no extremo nordeste da Província de Badajoz. É a região menos povoada do país e daí talvez, a origem do nome por similitude, mais psicológica do que física, com a extensíssima Sibéria Russa. A pequena cidade que terá no máximo uns 4 mil habitantes é, no entanto, dotada de tudo o que é necessário para se poder considerar uma povoação com boa qualidade de vida: estabelecimentos comerciais, escolas, centro de saúde, hotéis (ou hostales), palácio da cultura, tranquilidade q.b. e gente simpática e acolhedora. Em nossa modesta opinião, andou bem a Federação Espanhola de Esperanto ao escolher este local para a realização do seu 75º congresso. Foi uma forma inteligente de divulgar uma região turisticamente pouco conhecida mas cheia de surpreendentes encantos.

O Congresso
O magnífico Palácio da Cultura, muito confortável e espaçoso, acolheu os 150 participantes oriundos de toda a Espanha mas também da Alemanha, Bélgica, Brasil, Congo, Croácia, EUA, França, Holanda, Lituânia, Luxemburgo, Polónia, Roménia, Rússia, Senegal, Sérvia … e seis de Portugal. De 30 de junho a 4 de julho foi um desfilar incessante de novidades e agradáveis surpresas, um banho de cultura, um convívio inesquecível onde a poesia, a música, o canto e a dança tiveram lugares privilegiados. Não foi possível, por falta de ubiquidade, estar em todos os eventos, visto que alguns aconteciam em simultâneo. Mencionemos alguns de forma breve e sucinta:
- Com grande pompa, a sessão solene de inauguração do Congresso e o seu encerramento tiveram a presença das autoridades locais e regionais que receberam (e ofereceram) prendas e elogios pelos apoios concedidos.
- Apresentação de uma edição em esperanto de “Don Quixote de la Mancha”, incluindo uma versão informática, no ano em que se comemora o IV Centenário da morte de Cervantes.
- Leitura de poemas de Jorge Camacho que foi, na altura, homenageado, e descrição de romances do profícuo esperantista russo, Mikael Bronsxtein.
- Palestra proferida pelo professor José Salguero sobre as influências recebidas pelo castelhano falado na Extremadura: leonesa a norte, andaluza a sul e portuguesa a oeste.
- Conferência sobre literatura esperantista pelo professor doutor Duncan Charters que apresentou uma brilhante argumentação, clara e concisa, sobre as vantagens do uso do idioma internacional. Pena foi que o tempo fosse insuficiente para ler e refletir sobre os vários quadros “power point” que projetou, todos de inegável interesse.
- Mesa redonda sobre a origem e o percurso da chamada “Ibera Skolo” com os escritores Jorge Camacho, Miguel Fernandez, António Valén, Javier Romero, António del Barrio e outros. Como curiosidade, destaque-se a referência elogiosa ao nosso compatriota Gonçalo Neves.
- Palestra do nosso jovem amigo do Brasil, Lucas Barbosa, sobre os idiomas tupi e guarani, a qual encantou os participantes sequiosos de curiosidades linguísticas.
- Espetáculos de grande nível apresentados no auditório do Palácio da Cultura. Destaque para as atuações de Jomo, Jxomart kaj Natasxa, Sepa kaj Asorti, orquestra ligeira de jovens locais e para a peça de teatro “la Kredito” pelos atores Georgo e Sasa.

Visita a Guadalupe
Remotamente, já tínhamos ouvido falar do santuário mariano de Guadalupe mas não suspeitávamos das ramificações portuguesas deste local medieval de culto e peregrinação. Parece que foi no século XIV que a virgem apareceu a um boieiro (guardador de bois e de vacas, entenda-se). Tal episódio encheu de vaidade este modesto escriba com o mesmo apelido que antes se convencera que a santa só aparecia a inocentes pastorinhos. Segundo apreendemos, a citada deusa tornou a surgir várias vezes pelo que o local foi consagrado com a construção do “Real Monasterio”. Para além da virgem, outras figuras ilustres vieram aqui para orar e pedir favores. O nosso rei D. Sebastião também aqui esteve antes da desgraçada batalha de Alcácer-Quibir, mas o pedido não foi aceite por eventual burocracia divina e foi o desastre que se soube. Isabel, a Católica, visitava o santuário, amiudadas vezes (consta-se que foram 26) e parece que resultou. No átrio da entrada principal lá está o seu busto e a designação “Monumento de la Hispanidad”.
Nos claustros, único local em que se pode tirar fotografias, encontram-se diversas pinturas das quais se destaca a da batalha do Salado em que o rei D. Afonso V, o Africano, veio dar uma ajuda preciosa ao rei castelhano e, juntos, derrotaram o exército sarraceno. A presença portuguesa está bem patente numa das capelas que ostenta vários brasões lusos, no túmulo da Duquesa de Aveiro, Dona Maria de Guadalupe de Lencastre, nascida em Azeitão no ano de 1630, na pintura dedicada a Fernando de Pinha, cavaleiro e cronista da corte do rei de Portugal ao qual a virgem apareceu por três vezes (que sorte!).
Depois de percorrermos os espaços museológicos dedicados aos paramentos religiosos bordados a ouro e prata, casulas e quejandas, os enormes livros “miniados”, a parte das pinturas dos famosos Zubarán e el Grieco, a sacristia, os relicários, a capela de São Jerónimo, fomos almoçar a um dos restaurantes da Hospedaria del Monasterio, antiga hospedaria real, construída nos finais do século XV.
E sobre o mosteiro não se acrescenta nada mais, visto que nos folhetos e livros turísticos há informação bastante para quem queira aprofundar a temática.

Concerto do Grupo Acetre
Após o lauto almoço na Hospedaria do Mosteiro, recebemos detalhadas informações históricas de Guadalupe, que em árabe significa “rio escondido”, fornecidas pelo incansável professor de Don Benito, José Salguero. Seguiu-se uma atuação musical de Mikaelo Bronsxtejn. Voltando aos autocarros, excursionámos pelas imediações de Talarrubias e Valdecaballeros e parámos numa das muitas barragens do Guadiana. Foi no Embalse de Garcia de Sola, em cuja praia adjacente deu (a quem a isso se dispôs) tomar uma banhoca com água agradavelmente tépida. Sempre divisando planos de água, seguimos para Peloche, localidade de apenas 600 habitantes que dista 8 km de Herrera. Foi aí que tivemos uma noite memorável proporcionada pelo grupo Acetre (6 homens e três mulheres) proveniente de Olivença, a que se juntou episodicamente a famosa cantora de Herrera, Célia Romero.
Com uma excelente orquestração baseada em instrumentos tradicionais a que nem faltou o adufe e melodiosas vozes, o grupo surpreendeu-nos não só pela qualidade artística mas também porque a maior parte das canções tinham origem portuguesa. A sua atuação, que, a pedido do público, terminou com dois “encore”, durou mais de duas horas e foi fabulosa. Iniciaram com a “Senhora do Almurtão” a quem se recomendava, como diz a respetiva letra, “para virar costas a Castela e não querer ser castelhana”. Emocionaram-se os quatro portugueses presentes e vibraram os espetadores locais e visitantes que encheram o anfiteatro natural da praça principal da povoação.

A vegetação da Sibéria Estremenha
Entre os raios da roda de uma carroça disposta na horizontal em cima de uma mesa baixa, a ornamentar um dos vestíbulos do hostal, podia-se ver as plantas, já secas, típicas da região: olivo (oliveira), quejigo (carvalho-cerquinho), acacia (acácia), lentisca (lentisco), encina (azinheira), jara (esteva), madroño (medronheiro), arrijanera (aroeira), pino (pinheiro), arbulaga (tojo), romero (alecrim), tomillo (tomilho), berezo (urze), alcornoque (sobreiro), álamo negro (choupo-negro), coscoja (carrasqueiro). Eis pois a síntese da flora de influência mediterrânica que aqui existe.
Na digressão efetuada a Guadalupe as únicas plantas abundantemente floridas neste mês de julho eram os loendros, se excetuarmos, obviamente a vegetação ripícola dos ribeiros e das lagoas originadas pelos vários “embalses” do Guadiana, cuja etimologia é simplesmente “rio” em versão dupla (ana – “rio” na linguagem primitiva e guad – “rio” em árabe). As azinheiras, em povoamentos pouco densos e irregulares, constituíam a principal espécie que resistia à canícula que rondava os 40 graus. Viam-se também extensos olivais, alguns sobreiros e pinheiros mansos e bravos. Na vegetação rasteira abundavam as estevas (curiosamente são também conhecidas como jaras na região de Portalegre), os silvados ainda a querer florir, as giestas já sem flor, as milfuradas já sem flor, os catacuzes secos … Irrigados por canais ladeados por tabuas (atenção não são tábuas mas tabuas, espécies lacustres) divisavam-se arrozais e milheirais. A subir a encosta xistosa para o Mosteiro podiam-se ver alguns castanheiros e frutíferas (ameixeiras, pessegueiros, vinhas).

A viagem e a companhia
Viajar com pessoas espirituosas e inteligentes ajuda a exercitar o cérebro e a, tendencialmente, sermos como elas, inteligentes.
Apesar das altíssimas temperaturas que se fizeram sentir numa região que se diz ter 6 meses de inverno e 6 meses de inferno (alguém convencionou que o inferno seria terrivelmente quente), foi muito agradável a viagem. No regresso aproveitámos para visitar dois teatros romanos: um em Medellín e outro, obviamente em Mérida. Foram lições vivas de História, suscetíveis de agilizar compreensões sobre o evoluir da Humanidade.
Uma breve referência ao almoço do derradeiro dia no restaurante “El Mosquito”, em Medellín, numa das margens do Guadiana. Num pequeno cartaz estava descrita uma pequena e espirituosa fábula do famoso escritor castelhano, Quevedo:
 “Le dijo el mosquito a la rana: mas vale morrir en el vino que vivir en el agua”.
Ao jovem Lucas Barbosa, notável linguista apesar dos seus escassos 19 anos, que connosco conviveu ao abrigo do “Pasaporta Servo”, ao Rui Vaz Pinto, à Alexandrina Timóteo e à Manuela (minha esposa), as homenagens e agradecimentos deste cronista de meia tigela.

Julho de 2016
Miguel Boieiro

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Viagem à Itália



Breve incursão botânica pelo território do antigo Estado Pontifício

por Miguel Boieiro


Tentando observar e aprender … aprender, aprender sempre …, eis que viajámos pelo antigo Estado Papal que se prolongava do Mar Tirreno até ao Mar Adriático. Só em 1870, após muitos mortos e feridos, a Igreja, que possuía uma parcela substancial da península itálica com cerca de 40 mil km2 quadrados, foi finalmente derrotada, ficando apenas com os 0,44 km2 que constitui o atual Vaticano. Tal permitiu o estabelecimento do Estado Italiano como hoje o conhecemos.

O objetivo da viagem foi a participação no Congresso Italiano de Esperanto que, de 22 a 29/8/2015, reuniu em San Benedetto del Tronto 250 pessoas oriundas de 35 países.
Em ocasião mais propícia comentaremos este importante Congresso, já que o presente escrito é dedicado a descrever algo da flora do território visitado.

Digamos ab-initio que o tempo foi escasso para aprofundar esta vertente e que só ao de leve abordaremos o que a vista foi descortinando. Penitenciamo-nos pois, pelos erros e pelas muitas omissões que inevitavelmente surgirão.

Partindo do aeroporto de Fiumicino em direção ao Adriático começámos por divisar pinheiros mansos e ciprestes, árvores que bem caraterizam a flora da região do Lazio que integra a faustosa cidade de Roma. Tanto uns como outros representam para os antigos latinos as árvores da longa vida.

 Prosseguindo depois pelas regiões de Abruzzo e de Marche (atenção: pronuncia-se “marqué”) através de excelentes autoestradas integrando oportunos viadutos e dezenas de túneis, um dos quais com mais de 10 Km de comprimento, desfrutámos das belas paisagens montanhosas dos Apeninos com arvoredo variado mas em que sobressaiam as robinias (Robinia pseudoacacia). Tal levou-nos a melhor compreender porque consideram a falsa-acácia uma espécie invasora. Mas, mais do que isso, o que surpreende é a proliferação infestante dos ailantos (Ailanthus altissima), árvores provenientes da longínqua China, das quais não se retira grande utilidade. Não obstante, vistos de longe e em plena floração, os ailantos conferem notória beleza à paisagem. Também as canas (Arundo donax) alastravam por todo o lado.

Figueiras, vinhas e sobretudo oliveiras medravam nos campos dando-lhe diferentes cambiantes de verde não obstante a secura dos finais de agosto.

Nas cidades, por onde passámos sem parar, eram visíveis carvalhos, tílias, magnólias, plátanos, choupos e outras espécies mediterrânicas. Os loendros (Nerium oleander) vicejavam nas bermas dos caminhos, nas divisórias das autoestradas e em praticamente todos os terrenos em número bem superior ao que vemos em Portugal.

Ao chegarmos às proximidades da costa adriática começaram a surgir com mais frequência os campos cultivados. Ficaram na retina os extensos milheirais e principalmente, nos arredores da cidade da Ancona, imensas plantações de girassol (Helianthus annuus). Nalgumas, a colheita já estava efetuada, restando os campos negros ainda com as canolas eretas, constituindo contraste flagrante com as courelas verdes de outras sementeiras. De vez em quando surgiam bardanas (Arctium lappa ou minus), quer nos campos de girassol, quer mesmo junto às praias.

Para este fitólogo foi assaz relevante a descoberta de alcaparras (Capparis spinosa) nas encostas rochosas de San Benedetto, Ancona, Recanati, Loreto e Castelfidardo, para mencionar apenas as cidades visitadas. A alcaparra, espécie nitidamente mediterrânica, praticamente não vegeta em Portugal porque o leste meridional algarvio é arenoso e não rochoso. Confirmando a natureza alcalina dos solos, encontrámos também muita quantidade de calamintas (Calamintha officinalis), que em grego significa “boa menta”.

Após a visita ao espetacular complexo de grutas de Frasassi e ao respetivo Museu Espeleológico, Paleolítico e Arqueológico descobrimos numa das margens do rio Sentino uma soberba paulónia (Paulownia catalpifolia). Esta árvore, cuja proveniência é igualmente chinesa, proporciona uma apreciada madeira para o fabrico de mobiliário.

Porque esta modesta dissertação pretende ser sobre botânica, não podemos deixar de mencionar o Parque Naturalístico de Lungomare situado a sul da cidade de San Benedetto. Trata-se de um espaço didático englobando 10 jardins temáticos:
1 – Jardim Multissensorial
2 – Jardim Campestre
3 – Jardim das Crianças
4 – Jardim da Saúde
5 – Jardim dos Citrinos
6 – Jardim Mediterrânico
7 – Jardim das Palmeiras
8 – Jardim Árido
9 – Jardim Húmido
10 – Jardim das Rosas

A disposição das várias parcelas em que as espécies se encontram agrupadas permite que os visitantes, em especial as crianças, apreendam e aprendam sobre o inter-relacionamento dos diversos tipos de flora, os quais devem ser preservados e estimados. De notar a presença da Myrta tarantino que, como a designação denuncia, é uma espécie endémica desta região.

Finalmente, sabem os estimados leitores que esta bela cidade de San Benedetto del Trento possui nas suas ruas e jardins para cima de 8 mil palmeiras (Phoenix canariensis) todas muito bem cuidadas, de tal maneira que goza do epíteto de “Riviera das Palmeiras”? O que é deveras espantoso é que se conseguiu travar eficazmente a proliferação da praga do terrível escaravelho vermelho. O tratamento tem de ser antecipado para prevenir a razia. É que depois das árvores estarem infetadas já não há nada a fazer. Vimos pouquíssimas palmeiras-das-canárias destruídas e quase sempre em jardins privados o que demonstra bem o excelente trabalho desenvolvido pelo município local na conservação dos seus espaços verdes. Ficámos com vontade de aprofundar este assunto, dialogando com os responsáveis diretos, mas tal não foi possível por manifesta falta de tempo.

Aproveitámos para adquirir alguns livros sobre plantas medicinais que iremos “mastigar” e “digerir” vagarosamente com o inevitável auxílio do dicionário da língua italiana.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Um fim de semana em Berlim



por Miguel Boieiro



Berlim era uma das poucas grandes cidades europeias que ainda não conhecia. A oportunidade surgiu quando através do “site” do “Lernu net” foi anunciado um curso intensivo de Esperanto. Tal revelava-se atraente porque o curso em vez de decorrer entre quatro paredes, seria orientado à medida que visitaríamos a cidade e os seus atrativos.

Apesar da greve da Air France que quase deitava tudo a perder, lográmos, quase à última  hora, um voo da Lufthansa, via Munique. E no regresso foi o mesmo, visto que a greve se manteve.

Feito um breve balanço desta aventura que a Manela e este desajeitado cronista corajosamente empreendemos (digo corajosamente porque exigiu esforço, menos horas de sono, planeamento cuidadoso e algum capital, embora ficássemos alojados gratuitamente na casa de um jovem e simpático casal esperantista), podemos afirmar que valeu a pena, visto que a alma, ou a vontade, não era pequena, como diria Fernando Pessoa.

Berlim, à semelhança de Nova Iorque, Paris, Londres, Moscovo e algumas mais, é verdadeiramente uma capital do mundo. Nesta grande metrópole de muitos milhões de habitantes, encontra-se gente de todas as partes do planeta que acarretaram consigo culturas, tradições, religiões e variadas filosofias. A atestar o que refiro devo dizer que as refeições que partilhámos com os restantes participantes do curso foram sucessivamente em restaurantes do Sri Lanka, Etiópia, Vietname e Japão. Afinal o Esperanto é, ou não é, a verdadeira língua internacional?

O curso não foi tão intensivo como se anunciava. Constituiu mais um agradável convívio entre 14 jovens esperantistas oriundos do Reino Unido, EUA, Itália, Dinamarca, Suécia, Brasil, Colômbia e obviamente Alemanha.

A cidade está provida duma intrincada rede de transportes públicos, cuja interpretação leva algum tempo a dominar. É muito extensa e possui vastas áreas verdes com jardins e parques, uns muito bem cuidados e outros nem tanto. No dealbar da estação outonal as ruas ficam pejadas de folhagem, uma vez que a maioria da vegetação é caducifólia: castanheiros-da-índia, choupos, diversos platanóides e sobretudo tílias. Seria deveras interessante visitar de novo Berlim quando as elegantes tílias se encontrassem em flor, em especial a Linden Strass. Vimos também, em grande profusão, uma espécie invasora, o ailanto, que para nada serve. Curiosamente já o tinha encontrado muito difundido em Istambul. Teria sido trazida pela forte comunidade turca muito proeminente em Berlim? Infelizmente não deu tempo para visitarmos o jardim botânico que se situa nos arredores da cidade, o qual nos disseram ser dos mais importantes do mundo.

Desculpem-me os leitores este desvio para a botânica, também um dos meus “hobbies” preferidos.

Berlim, cidade de contradições e de conflitos ainda recentes provenientes de sucessivas guerras, parece orgulhar-se das suas “feridas”. A “Topografia dos Terrores” na antiga sede da Gestapo é um dos locais que deixa o visitante estarrecido. Abundante documentação do negro período nazi, fotografias, explicações detalhadas de como proceder face aos adversários do regime, fossem eles, judeus, ciganos, comunistas ou simples opositores políticos, devem ter servido de lição para a “nossa” PIDE que tanto martirizou os patriotas portugueses.

Igualmente observámos o espaçoso complexo museológico dedicado à perseguição feita à comunidade judaica, muito perto das Portas de Brandemburgo, ex-libris da reunificação germânica.

Como não poderia deixar de ser, levaram-nos a visitar uma parte do célebre muro que durante 28 anos dividiu a cidade. Numerosas lápides, letreiros elucidativos em alemão e em inglês, registos de heróis e mártires, compõem um cenário que, sem mais explicações, têm o condão de revoltar o visitante. Não há dúvida, que independentemente das contingências militares e políticas diretamente provenientes da Segunda Guerra Mundial, a construção, em 1961, daquela muralha revela-se, hoje inábil e asneirosa. O que poderia parecer certo acabou por se tornar nefasto. Muros para dividir povos e nações são sempre impopulares. O que é estranho é que, entretanto, outros muros se levantaram a dividir Israel da Palestina, a Coreia do Norte da Coreia do Sul, a Índia do Bangladesh, os Estados Unidos da América do México. Os senhores que regem o mundo parece nada terem aprendido com o famigerado muro de Berlim que hoje é, principalmente, uma rendível atração turística.

Muitas referências e imensas explicações denigrem por completo o que foi a República Democrática Alemã, mostrada hoje como coisa de um passado longínquo. É certo que são os vencedores quem escreve a História e isso está bem patente no Museu da RDA situado numa das margens do rio Spree. Este espaço museológico é uma maravilha técnica no que respeita à criatividade e ao permanente convite à interatividade dos visitantes. O ingresso custou 7 euros mas valeu a pena. É claro que a História de Berlim-Leste aparece contada através dos quotidianos da época, mostrando as fragilidades, os ridículos e os erros do sistema. A nosso ver, misturam-se verdades, meias verdades e inverdades. O resultado é uma amálgama convincente para quem não é politizado e está subjugado à sociedade liberal consumista que atualmente rege quase todo o mundo. Mas o trabalho está inquestionavelmente bem feito.

Saber que esta faustosa cidade foi intensamente destruída pelos bombardeamentos aliados (EUA, França, Inglaterra e URSS) e que em escassas dezenas de anos foi reconstruida com todos os atributos da modernidade, não pode deixar-nos um sentimento de grande admiração a sobrepor-se a tudo o resto.

Num passeio de barco pelo rio Spree tivemos também oportunidade de ver imponentes monumentos do tempo da Prússia, inclusive a belíssima catedral.

Contudo, nem tudo são rosas nesta multifacetada cidade. Informaram-nos que o desemprego atinge aqui uma cifra que ronda os 20%. Curiosamente, 20% é também a percentagem de estudantes que fazem parte da população de Berlim e que se manifesta nos centros principais. Alexanderplatz é um desses locais buliçosos, sempre cheio de gente nova. Outro, como não poderia deixar de ser, é Brandemburg onde, de longe, presenciámos uma manifestação de curdos.

E eis como, mais uma vez, a pretexto do Esperanto, vimos mundo, praticámos o idioma e fizemos amizades. Em suma: aprendemos e tornámo-nos ainda mais humildes no tocante ao esforço para compreender os complexos fenómenos desta época que nos é dada viver.

Somos otimistas. Temos fé de que, mais cedo do que tarde, a Humanidade usará uma língua internacional, neutra, não pertencente a nenhuma potência militar e/ou económica, flexível, de fácil utilização para agilizar a compreensão entre os povos e constituir um instrumento de amizade e de paz – o Esperanto.

sábado, 27 de julho de 2013

El Fin del Mundo


Até 1434 o mundo acabava para além do Cabo Bojador! E foi precisa muita coragem e saber para enfrentar esse fim do mundo! Sem pararem, os portugueses passaram “além” de todos os fins do mundo, o Cabo das Agulhas, a Taprobana, Timor, Austrália, Tasmânia, Nova Zelândia, para Leste, Oriente, enquanto para o Ocidente João Fernandes Labrador chegava ao Norte da América, Cabral ao Sul e Fernão de Magalhães abria a rota da circunavegação. Passando lá quase no fim da América.
Três séculos mais tarde Fitzroy atravessou duas vezes o canal que hoje leva o nome do barco em que viajou. O “Beagle”, e chamou áquela região Terra Del Fuego.
E é no Canal de Beagle que se encontra a cidade mais autral do mundo: Ushuaia! Onde orgulhosamente se informa que ali é el fin del mundo!


Os primeiros europeus que ali se instalaram foram ingleses, cientistas, até que um dia, bem no final do século XIX a Argentina se lembrou de afirmar que a terra era deles, o que, à moda dos gentlemen (esqueçam as Falklands/Malvinas) os ingleses acharam muito bem.
Mas era necessário ocupar, colonizar a região, e a idéia foi ali montar uma prisão de segurança máxima, como Alcatraz ou Ilha do Diabo; iniciada em 1898 ficou pronta em 1920, e encerrada em 1947. E assim nasce a cidade, num clima gélido, donde os prisioneiros não tinham como fugir. Consta na história que só um de lá saíu e nunca mais ninguém o viu!
(Também lá padeci um quanto tempo, como se pode ver pelos “documentos” abaixo, até obter a sempre almejada liberdade!)

Na triste e gélida cela
Tentativa de fuga infrutífera

Por fim... a liberdade

Deixemos a minha “triste” história e voltemos a Ushuaia. Cidade pequena, no Canal de Beagle, na margem norte, em frente território chileno, uns 90.000 habitantes, e rodeada de morros – o final dos Andes – paraíso do esquiadores... quando a neve cai em abundância, o que não se verificou este ano.
Quem sempre aproveita mais são os netos

Na semana anterior à nossa chegada a temperatura muito tempo em até em 18° em pleno inverno, quando esta é a temperatura do verão! O aquecimento global não perdoa a ninguém.
Naquelas águas gélidas pescam a Merluza Negra(Dissostichus eleginoides) um dos peixes mais saborosos que já comi, incluindo a maravilhosa garoupa das pedras de Angola, e que, infelizmente, como tantas outras espécies, começa a ver a sua extinção a aproximar-se com a pesca ilegal.
A filha - Joana - que foi pescar a Merluza

Outra especialidade é o Cordero Fueguino. Cada dose servida dá para uns quatro, mas como insistem em cobrar por cabeça, o paciente vê-se obrigado a comer alarvemente e depois levar dez horas para digerir. Mas que é uma delícia ninguém o pode negar.
Do vinho pouco há a dizer já que por todo o lado, tanto faz que seja Malbec, Carmenere, Cabernet Sauvignon ou brancos como Chardonay ou Torrientes, ninguém pode reclamar. A não ser para pedir mais.
Vale a pena uma visita a este Fin del Mundo,apesar de estar ainda sob a égide da cretina(pronuncia fuegina para a madama presidenta daquela gente) que com com seu defunto esposo tanto têm feito para desvalorizar um país que tanto já valeu, e ainda vale.
Mais agora com o grande papa argentino que, milagre, conquistou o coração dos brasileiros e de todo o mundo. Até os de lá del Fin!

25/07/2013
Francisco Gomes Amorim



sábado, 30 de outubro de 2010

CHRÓNICAÇORES

para os que ainda não COMPRARAM NEM LERAM, agora gratuitamente

CHRÓNICAÇORES: UMA CIRCUM-NAVEGAÇÃO DE TIMOR A MACAU, AUSTRÁLIA, BRASIL, BRAGANÇA ATÉ AOS AÇORES
(volume 1, revisto em 2010) agora livremente disponível em
http://www.scribd.com/doc/39955110


Chrys CHRYSTELLO,
An Australian in the Azores/Um Australiano nos Açores (Portugal)
drchryschrystello@gmail.com ; drchryschrystello@yahoo.com.au drchryschrystello@sapo.pt
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Colóquios da Lusofonia: www.lusofonias.net