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sábado, 7 de outubro de 2017

Dados muito interessantes sobre as autárquicas no distrito... e não só.


Autárquicas 2017
Resultados da votação no distrito de Setúbal

(Elaborado por Manuel Henrique Figueira / Munícipe de Palmela)

Distrito
País
Votantes = 45,53%
Abstenção = 54,47%
Brancos = 2,74%
Nulos = 2,09%
Votantes = 54,96%
Abstenção = 45,04%
Brancos = 2,62%
Nulos = 1,93%


Concelhos
Percentagens das votações
Percentagens das abstenções
Percentagens com que os vencedores foram eleitos
(Método de Hondt)
Vereadores do vencedor / vereadores da oposição
Percentagens das votações nos vencedores em relação aos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais
Grândola
61,91%
38,09%
37,07%
4 / 3
26,91%
A. do Sal
59,54%
40,46%
46,82%
4 / 3
27,87%
Alcochete
56,76%
43,24%
34,41%
3 / 4 (Min.)
19,53%
St.º Cacém
54,52%
45,48%
45,61%
4 / 3
24,86%
Sines
52,43%
47,57%
58,59%
5 / 2
30,71%
Barreiro
49,97%
52,03%
37,54%
4 / 5 (Min.)
18,76%
Sesimbra
44,48%
55,52%
41,62%
4 / 3
18,51%
Almada
44,27%
55,73%
31,28%
4 / 7 (Min.)
13,84%
Montijo
44,24%
55,76%
45,42%
4 / 3
20,09%
Palmela
43,51%
56,49%
40,67%
4 / 5 (Min.)
17,69%
Seixal
43,28%
56,72%
36,54%
5 / 6 (Min.)
15,81%
Setúbal
43,07%
56,93%
49,95%
7 / 4
21,51%
Moita
42,76%
57,24%
41,04%
4 / 5 (Min.)
17,54%

Nota: As câmaras estão por ordem da percentagem da votação eleitoral
Número de vereadores do vencedor / das oposições
(Min.) = Executivo minoritário
Fonte: CNE-Comissão Nacional de Eleições https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/

sábado, 17 de dezembro de 2016

Quer saber o que vai acontecer ao IMI no seu concelho em 2017?


Manuel Henrique Figueira

Querem saber o que vai acontecer ao IMI no vosso concelho em 2017?
E no resto do país também?
E se quem tem filhos irá beneficiar do chamado IMI Familiar?

Para já, várias coisas se podem concluir dos dados disponíveis:

1.ª - Quase 30% dos municípios baixou a taxa (uns de livre vontade  a Santa Eleição Autárquica de 2017 está à porta e costuma fazer milagres , outros a isso foram obrigados, pois a taxa máxima, que era de 0,50, passou a 0,45 (a).
Os restantes 70%, aproximadamente, manterão as taxas do ano anterior.

2.ª – A Autoridade Tributária já divulgou as taxas de 298 dos 308 municípios.

3.ª – Quase metade das câmaras irá aplicar a taxa mínima, 0,30, para já, 143 fizeram-no.

4.ª – Há já 211 câmaras que aplicarão a redução do IMI Familiar (20 euros para 1 filho; 40 euros para 2 filhos; 70 euros para 3 ou mais filhos).

Podem ver o mapa aqui:

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/impostos/imi/detalhe/mapa-saiba-se-o-seu-municipio-e-um-dos-que-vai-baixar-o-imi-em-2017?ref=DET_maislidas

(a) Excepto as câmaras que estão sujeitas ao PAEL (Programa de Apoio à Economia Local) ou ao PAM (Programa de Ajustamento Municipal), que podem ir até 0,50 de taxa.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um importante contributo para a história de Setúbal



Manuel Henrique Figueira
Munícipe em Palmela
(manuelhenrique@netvisao.pt)
Todo o local é nacional (faz parte de um dado nacional) e todo o nacional é local (faz parte de um todo mais abrangente, mais global).

Saiu mais um importante contributo para a história de Setúbal, o livro de Albérico Afonso Setúbal sob a Ditadura Militar (1926-1933), que é parte de um projecto mais vasto que visa colmatar a lacuna ainda existente quanto a instrumentos de trabalho de história local.

Inventaria factos do passado «que ficaram e se tornaram noutra coisa», factos que foram a «vida que foi (…) sendo até se tornar a vida que veio depois», como nos diz o autor, decorridos no período de sete anos de duração do regime da Ditadura Militar saído do 28 de Maio de 1926.

O 1.º volume deste projecto – História e Cronologia de Setúbal (1248-1926) −, publicado em 2011, abrange essencialmente o período desde 1249 (data do 1.º foral de Setúbal, antes da qual a história da cidade ainda não se encontra estabelecida) e 1926. Com 336 páginas (incluindo a «Iconografia Setubalense»), está dividido em três partes: «Setúbal Medieval e Moderna», de 15/8/1248 (abertura da igreja de St.ª Maria da Graça) a 15/12/1819 (nascimento de António Maria Eusébio, o poeta popular Calafate ou Cantador de Setúbal); «Setúbal Liberal», de 24/8/1820 (criação de uma «Sociedade Patriótica» angariadora de apoios para o regime liberal) a 10/1910 (greve dos carroceiros locais); «Setúbal Republicana», de 5/10/1910 (incêndio na Câmara e ataque anticlerical à igreja do Coração de Jesus e ao Convento de Brancanes) a 28/5/1926 (notícias do golpe militar e dos salários em atraso dos trabalhadores da Câmara).

Uma introdução-resenha dos factos mais importantes antecede as três partes, estruturando a identidade do período. Termina com uma lista bibliográfica, um índice analítico (sempre útil) e 47 páginas da «Iconografia Setubalense» com reproduções fotográficas de documentos raros.

O 2.º volume, alvo desta análise, inicialmente previsto para abranger a Ditadura Militar e o Estado Novo, acabou por se esgotar na primeira, tal o manancial de informação coligida. De estrutura semelhante à do 1.º volume, a introdução-resenha é mais desenvolvida (77 páginas) e, no final, uma novidade, a biografia do anarquista Jaime Rebelo. Inicia-se com a notícia da organização de um destacamento de forças de Infantaria 11 e de Vendas Novas para interceptarem os revoltosos de Infantaria 33, de Lagos, e termina com o apelo, a 17 de Março, à votação no plebiscito à Constituição de 1933.

Espera-se, portanto, o 3.º volume, sobre os 41 anos da Ditadura Civil de Salazar e Caetano: período conhecido como Estado Novo.

Com este projecto Albérico Afonso continua Almeida Carvalho, Manuel Maria Portela e Peres Claro, mas com um nível de exaustividade, rigor e riqueza de pesquisa das fontes (e informação disponibilizada) sem paralelo com estes autores.

Conhecendo-se a obra publicada por Albérico Afonso no âmbito académico, Salazar e a Escola Técnica (Tese de Mestrado) e A FPA: A Fábrica Leccionada – Aventuras dos tecnocatólicos no Ministério das Corporações (Tese de Doutoramento), ou no âmbito da história local aquando das comemorações do centenário da República, Setúbal: Roteiros Republicanos, entre outros títulos, a qualidade da obra que analiso não nos surpreende.

Sobre a imprescindibilidade deste tipo de instrumentos de consulta, no caso uma cronologia de factos históricos, tomo de empréstimo as palavras de António Nóvoa (adaptadas) aquando da publicação de Imprensa de Educação e Ensino – Repertório Analítico (séculos XIX-XX): «As dificuldades de consulta das publicações periódicas e a percepção da sua importância como fonte para a História (…) [local] tornaram bem nítida a necessidade de organizar instrumentos de identificação e de descrição das revistas e jornais portugueses (…)». Embora Albérico Afonso vá muito além da imprensa local como fonte essencial para o seu trabalho, as entradas da mesma que nos apresenta são fundamentais em si e, ao mesmo tempo, abrem-nos caminhos para outras consultas.

       Sobre o reconhecimento científico da História local, e da sua importância, Clifford Geertz e Michel Foulcaut abriram espaço à modalidade de História escrita a partir de realidades particulares.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Precisamos de uma reforma dos municípios?


 Manuel Henrique Figueira
Munícipe em Palmela

O mapa municipal nacional é anacrónico. Há que unir territórios e concentrar recursos para melhorar os serviços prestados.

Tivemos a «reforma administrativa do poder local… [para] melhorar a gestão do território e a prestação de serviço público aos cidadãos».
Podou o elo mais fraco, 1165 freguesias em 4256. A reforma enunciou belos princípios, fez documentos prévios e leis em catadupa, gastou recursos escassos e energias bastas em discussões estéreis a partir de velhas trincheiras: o essencial ficou, excepto nas pobres freguesias. Não era preciso mudar o mapa anacrónico das freguesias, alheio à realidade do país? Era, mas por vezes o que mudou piorou e o que melhorou é curto para o esforço e recursos gastos: são as reformas (centralizadas) do poder local. Em Palmela há um mau exemplo: a união de Marateca e Poceirão. Nos processos endógenos às pessoas e territórios, sem a «mão invisível» do poder central, pode haver bons exemplos: a racionalização das freguesias em Lisboa (de 53 para 24).

Num país que só fala de reformas, onde se está contra o statu quo, processos burocráticos e centralizados de decisão da vida das pessoas geram anticorpos contra a mudança, vista com indiferença, desdém ou forte oposição.

Precisamos de profunda reforma dos municípios? Os vesgos e os cativos de agendas além lá dos interesses das pessoas dizem que não. A mentalidade conservadora salazarenta da frase «está tudo bem assim e não podia ser de outra forma» resistiu a 40 anos de democracia e empapou muitas mentes, até de quem se diz nos antípodas do político de má memória para tantos de nós.

Olhe-se o anacrónico mapa municipal em tempo de Internet, de informática na administração, de rede viária que cruza concelhos em minutos e o país em horas: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Palmela).

Teve origem nas reformas liberais (Dec. n.º 25, 26/11/1830: juntas de paróquia – em 1916 chamadas freguesias; Dec. n.º 26, 27/11/1830: municípios) mal atribuídas a Mouzinho da Silveira: antecederam-no e continuaram depois dele (1835, 1836, 1878, etc.). Passos Manuel extinguiu 498 concelhos medievais para «criar circunscrições… maiores», evitar a existência de «concelhos pobríssimos», «aumentar os meios financeiros» (Código Administrativo e Dec. de 6/11/1836). Em 1878, na Reforma Rodrigues Sampaio, havia 295 municípios, hoje há 308.

O mapa municipal nacional é anacrónico. Há que unir territórios e concentrar recursos para melhorar os serviços prestados. Exemplos do anacronismo: Barreiro tem 36 Km2 e 78 mil hab., Moita 55 km2 e 66 mil hab. quando só a cidade de Setúbal tem 102 mil. Que sentido o Montijo ter dois territórios (56 km2 e 291 km2)? Alcochete e Moita já pertenceram ao Montijo.

Mais exemplos: Marvão tem cerca de 100 habitantes e a freguesia 486, mas há município e freguesia nesse território; o distrito de Santarém tem 21 concelhos (Entroncamento 14 km2, Barquinha 49 km2), 170 freguesias, 6726 km2 e 452 mil hab. (67 hab./km2). No entanto, o de Viana do Castelo tem só 10 concelhos (o menor, Cerveira, 108 km2), 256 freguesias, 2218 km2 e 245 mil hab. (110 hab./km2). A qualidade dos serviços prestados aos munícipes no distrito é pior? Não! Mas a taxa média do IMI (0,328) é das mais baixas do país e Caminha, P. de Coura e P. de Lima devolvem de 2% a 5% de IRS. Acaso?

Ganhando-se escala baixam os custos, sobem os recursos, há melhor serviço às populações. Isso implica limpar a «tralha burocrático-político-administrativa» que atrapalha e sorve recursos… mas alimenta clientelas: freguesias, municípios (sobreposição inútil em tantas vilas), empresas municipais, associações de municípios, comunidades intermunicipais (muitos municípios integram duas), áreas metropolitanas, assembleias distritais, NUTS, etc. Perante a hipótese desta «limpeza», à maioria dos autarcas podemos aplicar a conhecida frase como metáfora: «quando ouço falar de cultura [reforma] puxo logo a pistola».

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Avaliação dos Municípios do Distrito de Setúbal no Ranking dos 308 municípios portugueses


Caras amigas e caros amigos:

Conhecem este ranking dos 308 municípios nas vertentes: Investimento (Negócios) / Turismo (Visitar) / Talento (Viver), publicado em 2014 pela Bloom Consulting?

Vejam em que posição relativa fica o vosso município, quer na Península, quer no Distrito de Setúbal (ou noutra zona, se for o caso).
Abaixo apresento a lista organizada dos 9 municípios (Península) e dos 13 municípios (Distrito de Setúbal) que retirei e tratei a partir do PDF do Bloom Consulting (que vai em anexo).

Sobre a empresa Bloom Consulting:
«Ao longo dos últimos dez anos a Bloom Consulting tem desenvolvido diferentes estratégias de «Country», «Region» e «City Branding» por toda a Europa, EUA e Brasil, trabalhando especificamente para diferentes líderes políticos e ministérios com o objetivo de gerir a marca de cada território como um ativo económico e político.
Sediada em Madrid, a Bloom Consulting possui ainda escritórios em Lisboa, São Paulo e Los Angeles. Merecedora de reconhecimento por parte dos principais meios de comunicação internacionais, a Bloom Consulting, bem como o seu CEO, José Filipe Torres, um dos 3 principais especialistas mundiais no desenvolvimento de estratégias nesta categoria (fonte: countrybrandingwiki.org), têm surgido recorrentemente em inúmeros artigos de publicações tão prestigiadas como o jornal The Economist, a revista Forbes ou a CNN.
A Bloom Consulting publica anualmente o Bloom Consulting Country Brand Ranking ©, onde mais de 220 países são analisados relativamente à sua «Country Brand».
Com base neste know-how, a Bloom Consulting desenvolve, pela primeira vez o Bloom Consulting Country Brand Ranking ©, projeto onde a eficácia de cada um dos 308 Municípios portugueses foi avaliada e classificada de acordo com a sua performance nas vertentes de Investimento (Negócios), Turismo (Visitar) e Talento (Viver).
Nunca um ranking tão completo e detalhado foi desenvolvido para todos os municípios portugueses.»

Distrito de Setúbal
Municípios
Posições relativas entre os 308 municípios
1.º - Setúbal
13.ª posição
2.º - Almada
18.ª posição
3.º - Sesimbra
28.ª posição
4.º - Sines
29.ª posição
5.º - Seixal
44.ª posição
6.º - Montijo
46.ª posição
7.º - Palmela
58.ª posição
8.º - Alcochete
70.ª posição
9.º - Grândola
79.ª posição
10.º - S. do Cacém
85.ª posição
11.º - A. do Sal
130.ª posição
12.º - Barreiro
177.ª posição
13.º - Moita
229.ª posição

 Manuel Henrique Figueira



quarta-feira, 10 de abril de 2013

IMI: o imposto que resiste à crise



Manuel Henrique Figueira

Acabo de receber o primeiro de três avisos de pagamento do IMI da minha casa de habitação, o mesmo tendo acontecido à generalidade dos proprietários de imóveis. Este ano, para disfarçar o recente e brutal aumento que este imposto sofreu, e para que o suportemos melhor, passámos a pagá-lo em «prestações suaves»: uma, em Abril (para quem pague até 250 euros); duas, em Abril e Novembro (entre 250 e 500 euros); três, em Abril, Julho e Novembro (acima de 500 euros).
Num tempo de forte retracção dos rendimentos das pessoas e de contenção de custos por parte das mais diversas instituições e empresas, a que se deve esta desagradável «surpresa fiscal» que agravará a crise em que muitas famílias vivem?
Deve-se à conjugação de três factores:
1.º − Factor Troika: Actualização generalizada do valor patrimonial dos imóveis (prevista no D. L. 287/2003 e imposta pela Troika). Multiplicando este valor pela taxa fixada por cada município obtêm-se o imposto a pagar. A actualização do valor patrimonial implicou, nalguns casos, subidas de 2000% ou maiores, embora as pessoas afectadas estejam a coberto da Cláusula de Salvaguarda (D. L. n.º 287/2003) que lhes permite terem aumentos «moderados» em 2013 e 2014.
2.º − Factor Governo: Aumento que o Governo aplicou aos intervalos das taxas do imposto e que abrange todos os imóveis. Nos prédios avaliados a partir de 2004 o intervalo passou de 0,2-0,4 para 0,3-0,5. Nos prédios não avaliados passou de 0,4-0,7 para 0,5-0,8. Estes aumentos podem variar, respectivamente, entre 50% e 25% e entre 25% e 11,42%, dependendo das taxas do ano anterior de cada município.
3.º − Factor Autarquia: Aumento das taxas (dentro dos dois intervalos que referi) decididas por um número considerável de municípios. Trata-se de autarquias pouco amigas dos seus munícipes ou fortemente endividadas (devido a má gestão), que aproveitaram esta oportunidade para arrecadar mais receita, pouco se importando com as dificuldades por que a generalidade dos munícipes passa. Este terceiro aumento é tanto mais chocante quanto é certo que os autarcas normalmente têm um discurso contra o Governo, contra a sua inegável falta de sensibilidade social na distribuição dos sacrifícios da austeridade. Eu conheço autarcas desses, que acrescentaram, assim, aos dois aumentos (o do Governo e o da Troika), um terceiro da sua iniciativa e exclusiva responsabilidade. Explicando melhor: se um dado município no ano passado tinha fixado o valor da taxa, p. ex., em 0,2, e o Governo, ao subir o intervalo de 0,2-0,4 para 0,3-0,5 o obrigou a aumentá-la para 0,3, isto é, mais 50%, e se esse município, por sua iniciativa, decide fixar essa taxa, p. ex., em 0,375, impõe um terceiro aumento neste imposto. Resultado final: IMI mais caro 75%.
É com este triplo aumento do IMI que se confrontam os munícipes em 82 autarquias (26,62% do total das 308 existentes no país), tendo 31 procedido ao terceiro aumento por imposição do Governo/Troika (devido ao alargamento dos intervalos das taxas) e 51 por iniciativa própria (isto relativamente aos imóveis não avaliados – taxas: 0,5-0,8). Quanto aos imóveis avaliados (taxas: 0,3-0,5), 85 autarquias sofreram este terceiro aumento (27,59%), 50 por imposição do Governo/Troika e 35 por iniciativa própria.
No entanto «nem tudo vai mal no reino da Dinamarca [autárquica]», ainda há autarcas com sensibilidade social, capazes de fazer uma gestão sensata e equilibrada, avessa ao desperdício e às obras megalómanas, o que lhes permite baixar as taxas de IMI e atender às dificuldades por que passam os seus munícipes. Estão neste caso 44 autarquias (14,28%), enquanto 182 (59,10%), do mal, o menos, mantiveram as taxas do ano anterior (isto para os imóveis não avaliados: 0,5-0,8). Nos imóveis avaliados (taxas: 0,3-0,5) 58 baixaram-nas (18,84%) e 165 mantiveram-nas (53,57%).
Se numa conjuntura que tem levado a que muitas instituições, empresas e famílias tenham refreado os gastos e em que muitos produtos e serviços têm baixado o seu custo, compreende-se mal que em alguns municípios (cujos autarcas se reclamam de estar próximos das populações) se proceda ao contrário.
Mas perguntará o leitor: como é nas câmaras do distrito de Setúbal? Lamento dizer-lhe, mas este é um distrito onde o aumento do IMI «é quem mais ordena». Sabia que, no distrito, a taxa média dos 13 municípios (imóveis não avaliados: taxas 0,5-0,8) é a segunda mais alta do país? Precisamente 0,718, com as câmaras de Setúbal, Montijo e Sines com o valor máximo − 0,8 − e a de Palmela com 0,750. No caso dos imóveis avaliados (taxas: 0,3-0,5) a média é a mesmo mais alta do país − 0,418 − com as câmaras de Setúbal e do Montijo com o valor máximo − 0,5 − e a de Palmela com 0,480.
E sabia que (nos imóveis avaliados) apenas duas fixaram taxas um pouco mais baixas − Sines (0,360) e Seixal (0,395) −, isto entre três hipóteses possíveis (0,3; 0,4; 0,5)? E que, nos imóveis não avaliados, entre quatro hipóteses possíveis de taxas (0,5; 0,6; 0,7; 0,8), apenas duas se ficaram dentro da segunda hipótese: Alcácer do Sal (0,6) e Seixal (0,695)?
Para concluir, direi que talvez cada um de nós, munícipes dos concelhos do distrito mais violentamente fustigado por este imposto excessivo e injusto, por incidir sobre um dos bens básicos mais preciosos − a habitação − devesse confrontar os responsáveis autárquicos sobre a razão se ser desta triste realidade.
E temos uma oportunidade em breve, pois avizinha-se mais um acto eleitoral em que teremos que fazer escolhas para os diversos órgãos autárquicos.
Pessoalmente, gostaria de poder votar em muitas autarquias do distrito de Castelo Branco, onde as duas taxas de IMI que referi no texto são as mais baixas do território continental − 0,3 e 0,5 − o que faz deste distrito o mais amigo dos munícipes nesta matéria.

Nota 1: As taxas em vigor em cada município podem ser consultadas em: https://www.portaldasfinancas.gov.pt/pt/main.jsp?body=/imi/consultarTaxasIMIForm.jsp

Nota 2: Os dados inexistentes no Site das Finanças foram confirmados por contacto directo junto das câmaras para garantir a fiabilidade da informação.

In O Setubalense, 5 de Abril de 2013, p. 3
Texto publicado com autorização do autor.