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sábado, 17 de novembro de 2018

Portugueses do Sri Lanka


Sim, no Sri Lanka há uma comunidade de luso-descendentes que, tendo a sua própria língua a que chamam «português do Sri Lanka», foram o sinal da paz durante a guerra civil que assolou aquele país e o próprio General que fez cessar o conflito chama-se Sarath Fonseka.

Com um grande sentido de lusitanidade, pretendem agora enviar um grupo a Portugal para exibirem algumas facetas da sua Cultura e, para o efeito, pedem-me que divulgue a mensagem que segue:

 
https://igg.me/at/O0BErWwXxRY/x/19744512

Pela grandeza da cultura portuguesa em todos os seus matizes e sotaques,

Henrique Salles da Fonseca

quarta-feira, 7 de junho de 2017

PORTUGAL EM 3° LUGAR NO ÍNDICE GLOBAL DA PAZ

Países Lusófonos a Caminho.
Europa: a Região mais pacífica do Globo.

António Justo

O Instituto para Economia e Paz (IEP) apresentou o Índice Global de Paz (IGP 2017), baseado na análise de 163 países e coloca Portugal em terceiro lugar no Ranking das nações mais tranquilas. 

Países Lusófonos 

A classificação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é encabeçada com o 3°. lugar para Portugal, seguida do 53°. para Timor Leste; 61°. para Guiné Equatorial; 78°. para Moçambique; 100°. para Angola; 108°. para o Brasil; 122°. para Guiné Bissau.
Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe não entraram na análise.
Segundo IEP Portugal passou do quinto para o terceiro lugar, ultrapassando a Áustria na classificação da posição mundial, devido, sobretudo, a uma recuperação constante na sua crise financeira, o que levou a uma maior estabilidade interna para o país.  

Critérios para a classificação dos países

Como factores para a classificação dos países, os cientistas servem-se dos seguintes grupos de indicadores: 1. Os conflitos no país e no exterior: número e duração de conflitos com outros países, e o número de mortes por violência organizada; 2. Segurança Social: instabilidade política e probabilidade de manifestações violentas e do número de detidos nas prisões; 3. Militarização: quanto dinheiro disponibiliza o país para as suas forças armadas, número de soldados disponíveis e se tem armas nucleares.  

Os 10 países com mais paz e menos violência

1.Islândia, 2. Nova Zelândia, 3. Portugal, 4. Áustria, 5. Dinamarca, 6. República Checa, 7. Suíça, 8. Canadá, 9. Japão, 10. Irlanda. 
Entre outros: 16. Alemanha, 23. Espanha, 38. Itália, 41. Reino Unido (ainda sem o recente ataque terrorista), 51. França, 137. Índia, 151. Rússia, 161. Iraque, 162. Afeganistão,163. Síria.
Na carta apresentada pelo IEP a Rússia encontra-se com a cor vermelha tal como a Síria; até o Egipto tem um melhor índice de paz que a Rússia, o que parece questionável.  
O relatório coloca a Europa como a região mais pacífica do mundo. O projecto União Europeia tem sido, certamente, um factor de garantia de paz. Apesar da guerra na Jugoslávia e do bombardeamento da Sérvia, nos anos 1990, a paz tem-se estabilizado, apesar de certos indícios de insegurança e medos a aumentar. 
Apesar do cancro da guerra em muitos países e do terrorismo islamista a esperança é maior que o medo!
O facto de alguns se afogarem na praia não justifica que se traga colete salva-vidas na banheira.
O importante é assegurar a paz sem que isso aconteça à custa da exploração de outros. O Estado, as instituições e os indivíduos terão de se empenhar no grande projeto de criar uma cultura de afirmação pela paz.

António da Cunha Duarte Justo

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Que Línguas na União Europeia?


"Com a saída do Reino Unido da União Europeia, porquê manter o inglês como língua de trabalho, língua franca?" (Diálogos Lusófonos, 2/4/2017), pergunta com pertinência João Simas.

A significativa representatividade de outras línguas faladas na União Europeia, e a nível mundial, exigirão certamente que se assumam alternativas face à hegemonia da língua inglesa na UE, até pela importância económica de que isso se reveste.

Entretanto, simultaneamente, talvez se possa ir avançando para uma aproximação linguística luso-castelhana mais fraterna, línguas irmãs, de raiz comum, entre as mais faladas no mundo. Afirmação que ganha maior legitimidade ao constatar-se que Portugal e o Brasil têm em comum esse facto, muito curioso, de estarem rodeados (quase) por todos os lados pela língua espanhola, ou por outras que lhes são muito próximas, como são o caso do galego, do catalão, do "portunhol" do norte do Uruguai, etc.. E sem que esqueçamos, igualmente, a importância das línguas nativas sul-americanas (tupi, guarani, quéchua), mas também as subsarianas dos PALOP, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (crioulos, Umbundo, Kimbumdu), enfim,  todas as Línguas.

A importância das cimeiras ibero-americanas que juntam grande parte destes países, ou a constituição há pouco mais de duas décadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), aí estão para o atestar.

Não faltam grandes pensadores que nos inspirem, sejam filósofos, políticos, romancistas, poetas...
- Fernando Pessoa, na esteira de Luís de Camões e do Padre António Vieira, a dizer que a sua pátria é a Língua Portuguesa;
- Jaime Cortesão e Teixeira de Pascoaes mais o resto do Movimento da Renascença Portuguesa
- Gilberto Freyre, sociólogo brasileiro, e as suas ideias de lusotropicalismo
- O lusobrasileiro Agostinho da Silva que continua e acrescenta a todos os referidos; império de amor, império de serviço
- José Aparecido de Oliveira, ex-embaixador brasileiro, um dos percursores da CPLP
- Ariano Suassuna, romancista, poeta, dramaturgo brasileiro a falar sobre Cervantes
- Pepe Mujica, ex-Presidente do Uruguai, descendente de bascos
- Mia Couto romancista moçambicano
- Bispo Ximenes Belo e Ramos Horta, timorenses, nobel da paz
- José Saramago, nobel da literatura, jangada de pedra

e tantos outros.

Luís Santos
                                   

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

LUSOFONIA ECONOMIA E MERCADO


Um Desafio aos Grupos económicos do Espaço lusófono

Por António Justo

Num tempo em que a Europa se encontra em grande crise e as suas potências procuram beneficiar da sua posição económico-geográfica para proteger e fomentar os seus vizinhos mais próximos em detrimento dos países da periferia e benfeitorizando também as suas relações económicas com as suas antigas colónias, seria de grande oportunidade uma união de esforços em todo o território lusófono, não só no sentido do fomento de projectos culturais comuns mas especialmente na elaboração e fomento de um espaço económico comum que privilegie o parceiro lusófono tal como as potências privilegiam os seus parceiros imediatos.

Só em conjunto se conseguirá reagir contra o neocolonialismo das multinacionais das grandes potências interessadas em criar estruturas de dependência tecnológica e económica que amarram os países indefesos aos seus mercados e às suas condições. Disto deveriam estar conscientes os países do espaço lusófono. Um pensamento criativo conjunto, em termos de concepção e projeto futuro, podê-los-ia possibilitar passos alargados no sentido de superar o colonialismo económico das grandes potências, bem como o encalhe em nacionalismos fechados que uma História lúcida já não permite.

Sem tabus, seria óbvio fazerem-se reviver ideais formulados nos tempos do regime de Salazar – necessariamente adaptados às realidades dos países lusófonos actuais - e ver o que ele tinha realmente de visionário a nível de afirmação das antigas “províncias ultramarinas” como parte de um espaço económico comum, numa consciência de complementaridade.

Já no regime de Salazar se concebia a ideia de uma confederação do espaço de multiculturalidade e interculturalidade afro-luso-brasileira correspondente a um mercado comum a beneficiar do mercado europeu: „A formação de um grande e de um só mercado, assegurando a um tempo a comunhão de todos os territórios nacionais sem qualquer diminuição, bem ao contrário, da autonomia de cada um, rasgará horizontes tão vastos que neles caberá a igualdade efectiva de condições, seja qual for o chão português onde labutem, a quantos vivam para criação da riqueza nacional. „In http://eurohspot.fcsh.unl.pt/site/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=391 Não se perca tempo nem se continue a adiar a História com aconteceu no regime de Salazar e aconteceu especialmente no regime do 25 de Abril.

Numa altura em que a economia Portuguesa ainda se encontrava ligada às províncias ultramarinas portuguesas e à EFTA, entre 1960 e 1973 o rendimento nacional por habitante crescia a uma média superior a 6,5% ao ano! "Nos anos 60 e até 1973 teve lugar, provavelmente, o mais rápido período de crescimento económico da nossa História, traduzido na industrialização, na expansão do turismo, no comércio com a EFTA, no desenvolvimento dos sectores financeiros, investimento estrangeiro e grandes projectos de infra-estruturas. Em consequência, os indicadores de rendimentos e consumo acompanham essa evolução, reforçados ainda pelas remessas de emigrantes", constata a SEDES.

A EU (Zona Euro) beneficiou as infraestruturas portuguesas (autoestradas) mas destruiu a agricultura e as pescas e promoveu a desindustrialização do país. As mesmas consequências sofrerão países emergentes (como os do espaço lusófono) que verão as suas economias confrontadas e dominadas pelas multinacionais e amarrados a tratados comerciais e de investimentos internacionais do tipo TTIP que favorecem as grandes potências interessadas em mercados para exportação ou para fortalecimento das suas empresas.

O espaço da Lusofonia é extraordinariamente rico em recursos naturais, humanos e culturais e um excelente exemplo de interculturalidade. Urge portanto, na luta selectiva dos mais fortes, a união de forças no sentido da solidariedade construtiva entre os países mais fracos para não deixarem definir o seu futuro da economia pelos outros, que a exemplo dos bancos vivem bem dos “juros” que os clientes têm de pagar ad infinitum. Facto é que o tempo das economias nacionais já faz parte do passado; não se pode deixar a determinação do futuro ser só determinada pelo consumo e o lucro.

Portugal deveria estar muito interessado, como membro do grande mercado da zona euro, em favorecer o fortalecimento da economia e do intercâmbio da imigração lusófona no espaço europeu. A grandeza de um tal espaço e da população ofereceria a base necessária à formação de grandes grupos económicos com capacidade de concorrerem com os tradicionais grupos das multinacionais que hoje dominam. O espaço intercultural lusófono poderia tornar-se num exemplo de economia social do mercado.

Um tal projecto implicaria a formação de grupos de trabalho ad hoc (redes de técnicos e especialistas) a nível dos ministérios da economia e dos grandes empresários e Bancos dos diferentes Estados da lusofonia. Neste sentido deveriam trabalhar também as universidades de todo o espaço lusófono preparando o caminho com pesquizas, trabalhos de doutoramento e o intercâmbio na aplicação, no lugar, de um saber conectado e de orientação lusófona.

António da Cunha Duarte Justo

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

À Volta do Acordo Ortográfico


O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional firmado em 1990 com o objetivo de criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990. Também Timor-Leste,depois de recuperar a independência, aderiu ao Acordo em 2004. O processo negocial que resultou no Acordo contou também com a presença de uma delegação de observadores da Galiza.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 pretendeu instituir uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português. 

Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior.
É dado como exemplo motivador pelos proponentes do Acordo o castelhano, que apresenta diferenças, quer na pronúncia quer no vocabulário entre a Espanha e a América Hispânica, mas está sujeito a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias de Língua Espanhola.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e em 13 de maio de 2009 em Portugal. Em ambos os países foi estabelecido um período de transição em que tanto as normas anteriormente em vigor como a introduzida por esta nova reforma são válidas: esse período é de três anos no Brasil e de seis anos em Portugal. Com exceção de Angola e de Moçambique, todos os restantes países da CPLP já ratificaram os documentos conducentes à aplicação desta reforma.

Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br 

Nota do Editor: O Brasil adiou por três anos a implementação do Acordo que está agora prevista para 1 de Janeiro de 2016.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

CRIE-SE UM MINISTÉRIO DAS COMUNIDADES E DA LUSOFONIA!


Em prol de uma Lusofonia para além do Espaço do Sentimento de Pertença


António Justo


A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, independentemente de algumas mais-valias pontuais que regista e do seu trabalho administrativo, revela-se, ao longo da sua vigência, ineficiente e desgastante, contribuindo até para adiar, ad eternum, uma possível política séria, com pés e cabeça para a emigração e para as comunidades lusófonas. A experiência da Secretaria de Estado constituiria um contributo importante à hora de ser definida uma reforma da política das Comunidades portuguesas e da lusofonia em termos de estratégia.

Só um ministério próprio estaria à altura de reparar os defeitos da política passada e seria capaz de desenvolver conceitos e estratégias de uma política abrangente e adequada aos novos tempos. Temos a área da cultura, da língua, da economia, da lusofonia à espera de concepção inclusiva, de projectos e aplicação numa política visível e eficiente que sirva e se aproveite dos recursos das potencialidades migrantes e dos países lusófonos (com eventuais parcerias).

Urge aproveitar com eficácia a rede da presença lusa e das suas economias de maneira mais satisfatória e proveitosa para os emigrantes, para Portugal e para os países lusófonos. As comunidades da diáspora lusófona poder-se-iam aproveitar e ser aproveitadas e reunidas em conveniências comuns de fomento (Bancos, Câmaras da Indústria e do comércio, representações diplomáticas, institutos culturais, etc.) numa estratégia de inclusão de interesses e políticas de perspectivas de futuro lusófono.

Só uma política, atenta aos sinais dos tempos e à realidade da perspectiva das economias emergentes lusófonas e do equacionamento de projectos em termos globais, poderá dar resposta adequada às novas possibilidades e ao enquadramento económico e estratégico do constante fenómeno de movimentação social. Só a criação de instituições inclusivas com grande peso a nível de governos e de sociedade darão resposta eficiente aos novos desafios.

A missão não pode estar subjugada nem amarrada à administração (burocracia) se não queremos dar continuidade à típica mentalidade orientada pelo hábito da apagada e vil tristeza de não vermos o que está para além das bordas do próprio prato.

Assim deveria ser criado um ministério das Comunidades muito ligado ao MNE, a repartições ministeriais de gestão, de economia, de finanças, de cultura, universidades, turismo e de investimento! (Isto são ideias que já defendia publicamente em “O Emigrante” dos anos 80 ao dar-me conta do desperdício de recursos e da falta de racionalização e eficiência administrativa na emigração! A mesma carência de visão constatei ultimamente na reacção do MNE e Secretaria das Comunidades à luta que encabecei pela subsistência consular de Frankfurt; a rotina, a perspectiva burocrática e a defesa de interesses de instalados têm determinado muitas das decisões políticas e deste modo atrasado o desenvolvimento de Portugal e dos portugueses.)

Continua a ser irresponsável e arcaica uma política abandonada à boa vontade de secretários de Estado das Comunidades que, além da falta de uma política forte que os apoie, têm de se acomodar aos maus hábitos da casa (burocracia) que dirigem!

Em todos os Secretários de Estado que pude observar constatei o seu estado carente de também eles serem migrantes na transitoriedade de uma vida política que os obriga a cobrir a irresponsabilidade política de um Estado/Governos que nunca se interessou por delinear uma política séria para uma vertente tão importante como a dos emigrantes e das suas economias.

Na minha observação do palco político e do agir das Secretarias de Estado, durante mais de 30 anos, constatei sempre o mesmo estado precário desta instituição que, além de boa vontade e iniciativas passageiras, não deixa nada de duradouro. Um mínimo de seriedade política conceptual e programática exigiria um certo interesse por se encarar o problema de fundo. Verifiquei nos anos oitenta, um pouco de interesse de curta duração que não passou de meras intensões de discussão burocrática! Uma política de carácter meramente indutiva sem um tecto dedutivo que lhe dê perspectiva alargada continuará a ser incómoda para secretários de Estado e prejudicial para a emigração ao desperdiçar levianamente os seus recursos e as potencialidades de Portugal. Temos universidades e pessoas de experiência que em conjunto poderiam elaborar cenários políticos. Os partidos portugueses deveriam abandonar o jogo da cabra cega e do pingue-pongue a que se têm dedicado em questões de política de língua e de emigração para se afirmarem como competentes e ser reconhecidos em serviço do povo.

Também a discussão da política dentro da comunidade portuguesa (falo da Alemanha que conheço melhor) tem sofrido do característico defeito português, de se reduzir a visões partidárias de perfilhação e fomento de perfil partidário nada isenta nem equacionada em termos de situação e de povo!

O novo ministério poderia criar condições para a canalização das remessas para o investimento produtivo em Portugal e contribuir para a inovação da mentalidade portuguesa no sentido de se fomentar uma cultura de trabalho frutuoso e responsável. A perspectiva dos países lusófonos, em que a Lusofonia se tornasse não só o espaço do sentimento de pertença mas também a nova força catalisadora das novas gerações, não deveria ser parte acidental da filosofia e práxis de um Ministério das Comunidades e da Lusofonia.


António da Cunha Duarte Justo



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Victor Lopes


Diretor, documentarista e roteirista nascido em Moçambique, radicado no Brasil há mais de 30 anos. Formado em Cinema pela Universidade Federal Fluminense. Seu primeiro trabalho na direção foi em 1987, com o curta Zed. Em 1992, corroteirizou e dirigiu Vênus de fogo, média-metragem de ficção destinado à prevenção da Aids entre prostitutas, premiado no Brasil e na Itália e que integra o acervo do MOMA, de Nova Iorque. Dirigiu a série educativaNoções de coisas, escrita pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Em 2003, lançou Bala perdida, curta-metragem de ficção premiado no concurso da RioFilme/Canal Brasil, e ganhador de vinte prêmios em festivais nacionais e internacionais. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário Língua – Vidas em português (2004)*, premiado pelo ICAM (Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimedia) em Portugal, onde também ganhou o Grande Prêmio da Lusofonia em 2002, encerrando em hors-concours o Festival Internacional de Documentários de Lisboa.Um de seus próximos projetos é o longa de ficção O drible (título provisório), premiado pela IBERMEDIA para desenvolvimento de projeto.

(*)  Língua - Vidas em Português (Victor Lopes, 2004, Brasil/Portugal

"No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas"
Mia Couto - Escritor moçambicano

"Não há uma língua portuguesa, há línguas em português"
José Saramago - Escritor português


O documentário "Língua - Vidas em Português", de Victor Lopes, é uma viagem através da língua portuguesa em uma tentativa de percorrer as várias histórias e culturas que ela abrange. Filmado em 6 países (Brasil, Moçambique, Índia, Portugal, França e Japão), o documentário trata a lusofonia sobretudo na fala de personagens diversos de 4 continentes. A questão que permeia o documentário é descobrir o que faz com que esta língua que tantos falamos seja chamada assim, "português", uma só. 

"Todo dia duzentas milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe."

O documentário está disponível para download no site: 

Filmografia selecionada:

Diretor
  • Serra Pelada – A lenda da montanha de ouro (2013). Selecionado para o É Tudo Verdade.
  • As aventuras de Agamenon, o repórter (2011)
  • Língua – Vidas em português (2004)
  • Mapa da mina – Estrada de ferro Carajás (2001)
  • Bala perdida (2003). Curta-metragem.
  • Vênus de fogo (1992). Média-metragem.
  • Zed (1987). Curta-metragem.

Roteirista
  • Serra Pelada – A lenda da montanha de ouro (2013). Selecionado para o É Tudo Verdade.
  • Língua – Vidas em português (2004)
  • Mapa da mina – Estrada de ferro Carajás (2001)
  • Vênus de fogo (1992). Direção própria. Média-metragem.
  • Zed (1987). Curta-metragem.

notícia enviada por Margarida Castro



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Musidanças




Em novembro, o Bairro Alto abre as portas à lusofonia

O primeiro lugar em que Oriente, Índias, Áfricas e Áméricas se encontraram, recebe agora o festival das artes do mundo lusófono, o Musidanças. Guiné, Angola, Portugal, Cabo Verde e Moçambique reúnem-se no Bairro Alto para celebrar com ritmos a mestiçagem da língua portuguesa. O encontro está marcado para os dias 1, 2 e 3 de novembro no Teatro do Bairro, com apresentação na Fnac Chiado.

Para a sua 12ª edição, o Festival Musidanças traz ao coração de Lisboa uma mostra da nova geração de músicos que, apesar de serem provenientes de estilos diferentes, partilham algo em comum: a língua.

O festival arranca na Fnac Chiado com Tutim Di Giralda, um artista que tem vindo a revelar-se, através da voz da cantora cabo-verdiana Nancy Vieira, como um talentoso e versátil compositor. Mas o seu dom
transcende a composição, e é por isso que se estreia agora também como vocalista.

Mais tarde os Cabace sobem ao palco do Teatro do Bairro para nos trazer um som que definem como “Afro-good-feeling”. É música carregada de vibrações positivas, que explora estilos africanos bem como géneros mais mainstream como a pop, o soul ou o reggae.

E se um moçambicano e uma caribenha se encontrassem no caldeirão étnico de Londres e decidissem criar música juntos? Foi o que fizeram Mohammed, rapper moçambicano e Sarina Leah, cantora de r'n'b caribenha. Em conjunto formam os Native Sun, um duo que mistura a língua portuguesa com a inglesa e une o hip-hop ao soul. Os Native Sun actuam no dia 2 de novembro, o segundo dia do festival.

E se foi no coração de Lisboa que tudo se misturou, é natural que existam ainda os ecos da história, que criaram novas tradições. No último dia do festival, os ATMA sobem ao palco e espalham pela sala o espirito lusitano. Através dos acordes da guitarra portuguesa e do fado, o grupo convida o público a uma viagem pelo mundo arábe e crioulo.

A apresentação do festival na Fnac Chiado tem entrada gratuita. No Teatro do Bairro, os bilhetes são diários e estarão à venda no local do evento, existindo a possibilidade de serem reservados. O valor de cada ingresso é de 8€.

A CP associou-se ao Musidanças no âmbito da sua estratégia de promoção do comboio como meio de transporte para viagens de lazer, e para além da oferta de condições comerciais vantajosas nos seus transportes, a empresa apoia a divulgação do evento.

Para além da CP, o Festival Musidanças conta ainda com o apoio da Fnac, do Teatro do Bairro, da Associação Jungleplanet, da Zoomusica, da NCS Entertainement e da WTG®Management.

Programação

1 de novembro (Quinta-feira)

18h30 - Fnac Chiado
Apresentação do Festival Musidanças com Tutim Di Giralda

23h00 - Teatro do Bairro
Cabace (Guiné Bissau/ Afro / Soul / Reggae)
Dj Quiné (Dj Set) (Afro World)

2 de novembro (Sexta-feira)

23h00 - Teatro do Bairro
Native Sun (Moçambique / UK / HipHop / Soul)
Eliza Sparks vs Sette feat Greyss (Dj Set) (Afro / Hiphop)

3 de novembro (Sábado)

23h00 - Teatro do Bairro
ATMA (Portugal/World Fusão)
Bob Figurante feat. Dublota Sound (Dj Set) (Reggae / Étnico)

Preço de venda ao público

Bilhete: 8€ ( à venda no local do evento, existindo a possibilidade de reservar).

quarta-feira, 14 de março de 2012

A língua portuguesa é um "instrumento" para estabelecer comunicação

Respeito a controversa portuguesa que determina a não aceitação, por muitos, do novo acordo ortográfico, embora julgue que se confunde "ortografia única" da língua portuguesa com uma ameaça à nacionalidade ou identidade portuguesa.

No entanto, há que não esquecer que a lingua portuguesa é um "instrumento" para estabelecer comunicação entre as pessoas. Só existe apenas um fator para definir uma boa comunicação. Se ela comunica, ou não, e esta se modificará eternamente, porque depende das pessoas, que não são estáticas, e ai temos um problema, porque se as pessoas mudam, a mudança na comunicação é inerente. E o que fazer nesse caso?

Os meios de comunicação e o povo nas ruas, dão testemunhos a todo o momento.Observamos as diversidades da linguagem portuguesa na lusofonia em muitas latitudes.  O AO 90 estabelece normas para que não fiquemos pior, pois as variantes da língua portuguesa vão ser cada vez mais, o que nos pode a levar a um distanciamento e ao surgimento de "outras" línguas.

Como exemplo, cito as palavras de Amélia Mingas  em "O português em Angola: Reflexões", no: VIII Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (vol. 1). Macau: Centro Cultural da Universidade de Macau, 1998 pp. 109-126 cit em INVERNO, Liliana. A transição de Angola para o português vernáculo: estudo morfossintáctico do sintagma nominal (em português) :

(...) uma nova realidade linguística em Angola, a que chamamos "português de Angola" ou "angolano", à semelhança do que aconteceu ao brasileiro ou ao crioulo. Embora em estado embrionário, o "angolano" apresenta já especificidades próprias (...). Pensamos que, no nosso país, o "português de Angola" sobrepor-se-á ao "português padrão" como língua segunda dos Angolanos.

Enfim, será bom refletirmos sobre a dinâmica da língua e a importância de continuarmos a conseguir comunicarmo-nos em língua portuguesa. Ou não valerá a pena esta luta pelo norma ortográfica?   Disse o poeta: "tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

Margarida Castro
12.03.12

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Onze teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico (II) *

Fernando dos Santos Neves **

«Muito mais do que questão técnico-linguística, o Acordo Ortográfico é uma questão político-estratégica», sustenta o reitor da Universidade Lusófona, no Porto, em artigo publicado no jornal Público, de 9/8/2011. Destinatários: «[Os] que ainda não entenderam que, "conosco ou sem-nosco" como humoristicamente se tem dito e escrito, em virtude da globalização contemporânea e da emergência do Brasil como grande potência (já ouviram falar do BRIC, iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China..., a que eu gostaria de ver acrescentada também a inicial "A" de Angola...?), será imprescindível a existência de um Acordo Ortográfico (por enquanto, com alguma magnanimidade dos outros parceiros da língua portuguesa).» * Trata-se de um texto mais desenvolvido em relação a outro anterior, com o mesmo título, publicado no Jornal de Letras de 14/8/2008, e em linha desde então, também neste espaço.

1. Onze Teses. Inspiram-se no célebre manuscrito de Karl Marx, simplesmente intitulado Ad Feuerbach, em que a preposição latina "Ad" significa "Contra" e em que Marx estigmatizou os conceitos e preconceitos daquele filósofo alemão, como aqui se pretendem estigmatizar os conceitos e preconceitos de todos aqueles que, consciente ou inconscientemente, continuam a fazer suas as, por opostas razões, também célebres palavras do luso ditador «orgulhosamente sós». Aliás, como é sabido, das 11 Teses de Marx contra Feuerbach foi a 11.ª, de todas a mais breve, que se tornaria também de todas a mais famosa:«Até agora os filósofos têm interpretado o mundo de diversas maneiras, mas o que verdadeiramente importa é transformá-lo»!



2. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa quer ser isso mesmo e nada mais: um acordo sobre a ortografia e não um acordo sobre o vocabulário, a sintaxe, a pronúncia, a literatura e tudo o resto (que é, indubitavelmente, o mais importante) que constitui uma língua viva e, ainda por cima, uma língua potencialmente universal como a língua portuguesa e até uma das pouquíssimas línguas potencialmente universais do século XXI, como já Fernando Pessoa anteviu nos princípios do século XX.

3. Para satisfação dos antiacordistas deverá mesmo dizer-se que, do ponto de vista técnico-linguístico, o proposto Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa padece de muitos defeitos e carece de muitos aperfeiçoamentos, sendo que até não será um exagero afirmar que a sua principal virtude é a de existir (à semelhança, por exemplo, das democracias portuguesa, brasileira, etc., que, imperfeitíssimas embora, é bem melhor que existam do que o seu contrário). Ou será que não?




4. E já agora, e como a subjacente acusação dos antiacordistas é a de que o Acordo Ortográfico constitui um verdadeiro ato de traição a Portugal (o que não deixa de fazer lembrar velhas acusações e despertar velhos fantasmas...), bastaria um mínimo de lucidez para entender que é, precisamente, o Acordo Ortográfico que permitirá a continuação da existência da língua portuguesa no Brasil, etc., a qual, sem ele, inevitavelmente se tornará, a breve trecho, a "língua brasileira”, como de algum modo principiaria a ser o caso. Sem nenhuma tragédia, aliás, para a Humanidade, mas, suponho, com algum legítimo sofrimento para todos os portugueses.




5. Além das motivações "patrioteiras", como se vê sem qualquer fundamento, há também as motivações "interesseiras" dos editores e livreiros portugueses, e que só são devidas à curteza de vistas que o nosso crónico e anacrónico analfabetismo global ainda continua a alimentar e de que as atuais Feiras do Livro de Lisboa e Porto constituem ilustríssimo documento, não tendo surtido grande efeito o pequeno ensaio por mim publicado há anos e que tinha por título: "As velhas feiras do livro português estão mortas, vivam as feiras do livro lusófono!" (Público, 10 de junho de 2006)



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6. Na verdade, muito mais do que questão técnico-linguística, o Acordo Ortográfico é uma questão político-estratégica e só os referidos "patrioteiros" e "interesseiros" é que ainda não entenderam isso, nem também entenderam que, "conosco ou sem-nosco" como humoristicamente se tem dito e escrito, em virtude da globalização contemporânea e da emergência do Brasil como grande potência (já ouviram falar do BRIC, iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China..., a que eu gostaria de ver acrescentada também a inicial "A" de Angola...?), será imprescindível a existência de um Acordo Ortográfico (por enquanto, com alguma magnanimidade dos outros parceiros da língua portuguesa). Será assim tão difícil de entender?





7. A já denominada «ressaca colonialista» do velho Portugal é, sem dúvida, uma das razões, por vezes inconsciente, da oposição de muitos ao Acordo Ortográfico, que não se dão conta do que isso tem de anacrónico e de ultrapassado. Quando entenderão isso tanto os velhos colonialistas de antanho, como os anticolonialistas de sempre?





8. Outro factor igualmente ultrapassado e anacrónico é o que também já foi designado de «síndroma salazarista de Badajoz», para aludir ao facto de Salazar nunca ter ido, simbolicamente, além daquela cidade fronteiriça e que, também simbolicamente, traduz a estreiteza das suas vistas e visões (suas, dele e suas, de todos estes retardatários históricos) ...




9. É por tudo isto que a questão do Acordo Ortográfico não pode deixar de estar ligada à questão da lusofonia, entendida ela também não só nem sobretudo como "questão linguística", mas sim como "questão político-estratégica" e que, nos últimos anos, depois de aparentemente ter conseguido introduzir o vocábulo nos dicionários da língua portuguesa, tenho procurado estender a outros níveis, nomeadamente pela recorrente formulação da seguinte "tese": mais que projeto ou "questão cultural" e até "linguístico-literária", a lusofonia é um projeto ou uma "questão de estratégia comum de desenvolvimento humano sustentável e de espaço geopolítico próprio no globalizado mundo contemporâneo. O que também é válido para a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que deveria adotar o nome mais cairológico e menos restritivo de "Comunidade Lusófona".





10. Que, ao menos, não se chame a qualquer "Manifesto contra o Acordo Ortográfico" "Manifesto em defesa da língua portuguesa", porque não haverá maneira mais eficaz de acabar com esta, independentemente, claro, das boas intenções de muitos dos ditos "manifestistas", aos quais, não sem alguma maldade, já foi aplicada a sentença evangélica: «Perdoai-lhes porque não sabem o que dizem e escrevem!
»




11. Até aqui já se disse e escreveu quase tudo e o seu contrário sobre e contra o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa; o que importa, agora, é efetivamente começar a praticá-lo.



 À falta de uma verdadeira Academia Lusófona da Língua Portuguesa (finalmente proposta na "XIV Semana Sociológica", realizada no Porto, a 7, 8 e 9 de abril de 2008), esperemos que o Governo da nação e toda a sociedade portuguesa não venham a ser condenados por falta de comparência a este apelo e desafio da História.

08/08/2011

** Sobre o Autor:
Criador da primeira licenciatura portuguesa de Ciência Política. Primeiro reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e da Universidade Lusófona do Porto.

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Texto enviado por:
J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção,
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jurisprudência lusófona da África e Ásia

Sugestões de leitura, na Rede Mundial de Computadores, para o estudo da jurisprudência dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e da República Democrática do Timor Leste:
— Angola
— Cabo Verde
— Guiné-Bissau

Salvo melhor juízo, o Supremo Tribunal de Justiça e os demais órgãos do Poder Judiciário de Guiné-Bissau, até a presente data (20/09/2011), não possuem sítio oficial na internet.
— Macau
— Moçambique
Tribunal Supremo de Moçambique (base de dados não oficial, disponível no portal SAFLII - Southern Africa Legal Information Institute)
— São Tomé e Príncipe
— Timor-Leste
— Mais sobre o assunto:
Pesquisa realizada por Hidemberg Alves da Frota em 18/09/2011, atualizada e revisada em 20/09/2011.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sobre a Língua Portuguesa

Nós, os portugueses, temos uma tendência -- às vezes até doentia -- para lamentar as oportunidades perdidas do passado. Mas continuamos, hoje mesmo, a descorar o muito que ainda temos de bom...

Creio que não exagero se disser que nenhum país do mundo desdenharia perante a possibilidade da língua que ostenta o seu nome ser considerada uma das mais faladas do mundo!

Olhe para a Inglaterra, o que eles ganham pelo facto da sua ser a "lingua franca" por excelência do mundo contemporâneo! Olhe para a Espanha, o que eles se esforçam por integrar continuamente os falarem latino-americanos (ao ponto da Real Academia Española considerar como correctos usos próprios dos hispânicos e que os castelhanos mais puristas sentem repugnância em aceitar...) e como eles se envolvem na expansão do idioma nos Estados Unidos! Olhe para a França, que através da sua política de francofonia, se esforça por travar a decadência do idioma francês, enquanto língua de comunicação transnacional...

E nós o que fazemos?
Permitimos que o nosso idioma tenha, há praticamente um século (a completar no, não muito distante, ano de 2011) duas ortografias oficiais diferentes; temos tendência a considerar o "brasileiro" como um outro falar, necessariamente mais pobre e adulterado; tardamos em definir (em conjunto com o Brasil) uma estratégia global para o ensino do português como língua estrangeira; não nos preocupamos com o facto do francês se expandir na Guiné-Bissau ou o inglês em Moçambique;... contrariando a nossa própria história, parece que queremos até "que a nossa língua continue a reflectir o povo português e não uma mescla multicultural"!!!

Li no Público que há 235 milhões de falantes da nossa língua. Já reparou no enorme mercado cultural que isto representa? Já reparou na notoriedade que Portugal tem, pelo simples facto dos falantes da nossa língua serem 23 vezes e meia o tamanho da nossa população? Já pensou que isso se pode traduzir, também, em benefícios políticos e diplomáticos?

Se a prática do "orgulhosamente sós" vingar, um dia os nossos netos vão lamentar o que estamos hoje a fazer ou, talvez melhor, a não fazer! Da mesma forma que nós hoje achamos que foi uma pena que as riquezas das índias e dos brasís se tenham esfumado e pouco, de duradouro, tenha ficado.

Acha verdadeiramente que é este o caminho mais proveitoso para os portugueses? Eu acho que não.
Cumprimentos,

Manuel de Sousa
9 Julho 2006

P.S. - Só um comentário final sobre as consoantes mudas: as pessoas não escrevem inflacção porque lhes soa melhor (aliás, como saberá, inflação nunca se escreveu com dois "cc"!), escrevem assim por uma "suposta coerência" com outros casos em que, apesar de serem completamente desnecessários, as regras ortográficas impõem que seja acrescentado um "c" ou um "p" lá no meio da palavra. Nada mais. Quanto à ortografia francesa, ela não é exemplo para nós. Era, para a ortografia etimológica que seguíamos antes de 1911. Agora, as ortografias do espanhol ou do italiano são mais próximas da nossa, uma vez que concedem uma preponderância maior à fonética do que o francês ou o inglês.

(in Wikipédia, Debate sobre a Língua)

sábado, 27 de agosto de 2011

Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL) pretende contratar docentes oriundos de outros países lusófonos

A Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), neste momento a única instituição pública de ensino superior deste país, objetiva contratar em regime temporário, para o ano letivo de 2012, docentes oriundos de outros países lusófonos.

Por meio dos recursos do Fundo soberano para o Desenvolvimento do Capital Humano de Timor-Leste, oferece remunerar cada docente com US$ 3.500 dólares por mês, pelo período de 10 meses, de fevereiro a novembro, com recesso em julho. Também assumiria passagens de ida e volta.

Como requisitos mínimos, exige o título de mestre e a disposição de lecionar 3 disciplinas por semana, por dois semestres, a alunos de Bacharelato/Licenciatura.

A UNTL está firmando parcerias institucionais no Brasil para consolidar o processo de seleção e preparação desses quadros. Não obstante, de modo a divulgar a demanda, desde já torna públicas as áreas em que entende haver maiores carências:

- Na Faculdade de Ciências Sociais, cadeiras de introdução (1º ano) às seguintes disciplinas:
Administração Pública
Ciências Governamentais
Desenvolvimento Comunitário/Serviço Social
Políticas Públicas

- Na Faculdade de Ciências Sociais, cadeiras de introdução (1º ano) às seguintes disciplinas:
Gestão
Estudos do Desenvolvimento
Comércio e Turismo

Interessados podem contactar Francisco Figueiredo de Souza, diplomata da Embaixada do Brasil em Timor Leste, pelo e-mail: frasouza@gmail.com

(Walter Caetano Costa,S. Paulo, enviou para Diálogos Lusófonos)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Interculturalidade & Lusofonia sobre uma comunidade cigana...

A Lusofonia acontece quando nos relacionamos com o "outro",embora as culturas diversas. Mas o que nos leva à aproximação e aos intercâmbios, são as afinidades, os afetos, a solidariedade e sabermos respeitar a Interculturalidade .

Lembrando que a etnia cigana também faz parte da lusofonia, passo o resumo de tese de mestrado sobre uma comunidade cigana que revela o processo de mudanças culturais nas famílias/comunidades ciganas, que se vem desenvolvendo e consolidando, de forma progressiva há, aproximadamente, dois séculos. Ou seja, os ciganos passados duzentos anos evoluiram e mudaram de costumes.

Segundo o resumo da tese, de Carlos Jorge dos Santos Sousa, "António Maia: percursos de uma História de Vida", as respostas à pergunta inicial da investigação foram obtidas através da triangulação de diferentes fontes de informação que permitiram conhecer a família e os afectos, que no seu íntimo circulavam, a sua participação na 1ª G.G., a Liga dos Combatentes, as actividades políticas, a saúde, a mediação, a sua religiosidade, os interditos, as relações extraconjugais, o jazigo de família, as sua relações com os ciganos e os não ciganos que lhe possibilitaram novas demandas; permitiu, ainda, conhecer um conjunto de referentes culturais que circulam no interior da sua família/comunidade/etnia. Foram consultadas fontes primárias em organismos oficiais, bibliotecas e arquivos e instrumentalizados meios informáticos para análise de dados qualitativos – o programa NUD.IST -, que possibilitou navegar no conteúdo da base de dados de seis entrevistas realizadas. As notícias que circulavam nos órgãos de comunicação social da época atribuíam a António Maia as seguintes denominações: “o Fharaono”; o “Pai Espiritual”, o “Rei dos Ciganos”. O estudo permitiu: conhecer a trajectória de vida do sujeito, da sua família/comunidade; construir novos conceitos e (re)conceptualizar algumas teorias acera da família/comunidade/etnia cigana; construir hipóteses de trabalho que facultem uma maior aproximação entre diferentes sistemas de crenças, representações e culturas. É inovador porque faz emergir referentes culturais apoiados em alguns elementos simbólicos próprios das famílias/comunidades ciganas insuficientemente investigados ou, mesmo, jamais investigados. Demonstra que o processo de mudanças culturais nas famílias/comunidades ciganas se vem desenvolvendo e consolidando, de forma progressiva há, aproximadamente, dois séculos.

São ideias que nos ajudam a desenvolver os elos com o "outro". Todos somos "diferentes entre os iguais, igual entre os diferentes"

Fonte consultada:
http://cajos.no.sapo.pt/nova_pagina_10.htm
http://cajos.no.sapo.pt/resumos.htm

Saudações,
Margarida
http://br.groups.yahoo.com/group/dialogos_lusofonos/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lusofonia em Debate


A Lusofonia é impensável sem África e apoia-se numa língua comum mas com diferentes estatutos sociais segundo os países (língua materna, segunda ou estrangeira). Um desafio e uma mais valia, porque pode desenhar uma identidade originária dos cruzamentos de múltiplas outras identidades, e então, pelo reforço dos laços humanos e seus efeitos econômicos gradualmente induzidos, ser um fator de democracia num mundo cada vez mais unipolar.

Vivemos de necessidades e de produtos desnecessários. Fere mais pensar do que trabalhar! Como consequência temos uma política do ativismo que segue atrás da banalidade e dos ventos do oportuno ocasional. Como consequência temos uma crise a nível econômico, político e cultural.

É verdade que o mundo estabelecido vive de preconceitos. Contudo, acreditamos na cultura como forma de vencermos a injustiça e despertarmos consciências.

Os amigos do “Dialogos_Lusofonos” podem parecer de brandos costumes, mas temos um papel importante na luta por uma sociedade mais justa e mais respeitadora da multiculturalidade.A lusofonia pode ser tudo isso e é tudo isso. Por este motivo é temida pelos tais cuja ganância continua desregrada.

A lusofonia coerente e coesa é uma força de resistência às ameaças. O exercício de convívio com os povos ou entre povos nos ensina e nos fortalece.Somos processo e quantos mais estiverem envolvidos nele os integrantes do espaço lusofono, quanto mais nos ouvirmos uns aos outros, mais humanos somos.

O mundo que fala português ou crioulos de base portuguesa, como os cabo- verdianos,portugueses, brasileiros, sao-tomenses, angolanos, moçambicanos, timorenses, goeses e gente de Damão, guineenses, galegos, povo de Malaca e Macau, constitui uma grande família a nível das identidades próximas. Num tempo em que se procura destruir a família natural, devemos fazer tudo por tudo para que esta seja enobrecida e ajudada. Ao fazê-lo estamos a fomentar o espírito da lusofonia, uma expressão extraterritorial e como tal universal, a construir futuro, a construir humanidade, independentemente de mentalidades, cor e opção pessoal!

Num número recente da revista Latitudes. Cahiers Lusophones, editado em Paris, o seu diretor Daniel Lacerda, no artigo intitulado "Lusofonia Teoria e Prática" propõe o conceito nestes termos:
”Para nós, a lusofonia é um espaço de partilha e de reagrupamento de iniciativas em busca das nossas raízes, na expressão da nossa diferença e onde cada qual pode afirmar a sua personalidade e os seus valores. Manifesta-se na prática cultural, artística e literária, numa base de tolerância, de bom entendimento e sem preocupações de competição, em fraternidade livre e desinteressada à volta de valores artísticos e culturais. Será mais ou menos isto, tanto quanto entendemos."
E pode ser mais, se os interessados estiverem de acordo. E sobretudo se deixarem de apenas “falar”. Em português naturalmente.A ação é urgente.

Aprendemos juntos. No dia em que deixarmos de aprender morremos individualmente e como povos!

Margarida Castro,
E-mail: raizes75@gmail.com
09.02.2010