Toque-se agora toda a vuvuzela,
junte-se ao inferno os carrilhões de Mafra,
e bata-se as sacrossantas tampas de panela,
celebrando um ano novo por meio de um velho.
Enfim separou-se a tua Ibéria da Europa,
arrastada pelo oceano salgado fora
por um bando de estorninhos em desalinho,
à esquerda,
por um elefante com cornaca,
à direita,
e no centro o cão Ardent ganindo, Caim, caim.
Hoje, e por tua conta,
se atirarmos pedra ao mar, flutua,
se riscarmos o chão, o risco perdura,
se construírmos passarola, de vontades voa,
depois de desmontarmos o cerco de Lisboa.
Neste ano da tua morte,
quem foi que nos disse, José,
que apenas se perde um pai, Não sei,
Pois a tua ausência deixou-me objecto quase,
de lágrima-cão no olho. Hoje cega-se em branco.
António José Lopes
Lisboa, 18 de Junho de 2010
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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sexta-feira, 18 de junho de 2010
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