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sábado, 23 de março de 2019

Ser solidário



Em auxílio das populações de uma região alargada de África, onde se incluem vários estados do norte de Moçambique que, como sabemos, atravessam neste momento um período particularmente difícil, o Estado Português além dos dois aviões C-130 da força aérea portuguesa, cremos que com muita alimentação, medicamentos e ajuda técnica espececializada, fretou um Boeing767 à "euroAtlantic", ao que nos constou em condições muito especiais, onde seguiram bombeiros, gnr, inem, médicos, etc., mais carga avultada. Aqui fica um dos comissários de bordo que acompanhou tão digna comitiva. Esta capacidade que o povo português sempre revela de ser solidário, é mesmo coisa grande de se louvar.

Luís Santos

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

MACUA DE MOÇAMBIQUE


Finalmente o Acordo Militar anexo ao Acordo de Lusaka (07.09.1974) viu a luz do dia.


Fernando Gil


sábado, 10 de setembro de 2011

LIVRO DE OURO DO MUNDO PORTUGUÊS - Moçambique(1970)


Documento histórico que recorda parte do que a FRELIMO encontrou em Moçambique e não soube ou quis aproveitar.

Foi um Moçambique pujante de crescimento que a FRELIMO, repito, não soube ou quis aproveitar.

"Destruir" era a palavra de ordem a partir de 7 de Setembro de 1974.

Outra "fazer o homem novo". Onde está afinal esse" homem novo" pelo qual tantos moçambicanos foram mortos e assassinados?

Feridas ainda não saradas, de um Moçambique ainda adiado.

Veja em http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2011/09/livro-de-ouro-do-mundo-portugu%C3%AAs-mo%C3%A7ambique1970-completo.html

Fernando Gil

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"Traição de Omar" faz correr lágrimas em Spínola

O significado da queda Nametil *

Rompia a manhã a 1 de Agosto de 1974, no aquartelamento do exército colonial, chamado de «Omar», mas cuja verdadei­ra designação era Nametil. Estava no seu comando interino o alferes José Carlos Monteiro. Para eles, certamente, a guerra já tinha acabado, perdidos num ermo de Cabo Delgado (Moçambique) com uma vista monótona para a fronteira com a Tanzânia. Haviam mesmo começado a destruir algum material, pois estava previsto o seu encerramento. Ignoravam que eram, há muito, objecto de espe­cial atenção, e que iriam ficar registados na história.

Em Naschingwea, face ao impasse negocial, depois das fa­lhadas negociações de Junho, era necessário realizar uma acção capaz de acelerar a marcha dos acontecimentos. Escolhe-se o posto de Ornar. Estudam-se as suas envolventes e chega-se mes­mo a fazer uma maqueta do aquartelamento. Ou a operação re­sultava em pleno ou as suas consequências poderiam ser sérias e reacender a guerra, quando da parte de uma das partes existe um estado de cessar-fogo. Samora Machel, pessoalmente, estabele­ce a táctica. E recomenda, com alguma estranheza para alguns, que a acção seja gravada em som e imagem. A 31 de Julho as forças da FRELIMO, as FPLM, tinham cercado por completo o aquartelamento. Inclusivamente colocado artilharia. Era respon­sável por esta operação no terreno o comandante Salvador Mtu-muke. Bem próximo do local, numa montanha, encontravam-se, em atenta observação, o adjunto do Departamento de Defesa, Alberto Joaquim Chipande, assim como o comandante do de­partamento de Defesa de Cabo Delgado, Raimundo Pachinuapa. Tinham instalado um sistema de comunicações entre a fren­te de operações, a base de comando e a Tanzânia, onde Samora Machel aguardava com grande impaciência o desenrolar do pla­no estabelecido.

Quando rompe a aurora do primeiro dia do mês de Agosto de 1974, os cento e quarenta soldados do aquartelamento de Nametil são acordados por megafones solicitando a sua rendi­ção. Todos estes pormenores da tomada de Nametil foram gra­vados. A guarnição militar rende-se. Cento e quarenta homens são feitos prisioneiros e três conseguiram fugir. Seguirão para a Tanzânia, onde chegam a 6 de Agosto. Independentemente da controvérsia, se a rendição resultou de um equívoco ou simples­mente da tomada de decisão mais sensata do seu comandante de não combater, face à situação política que se vivia e mesmo tendo em causa a desproporção do equipamento e das armas, a tomada do quartel de Nametil não pode deixar de ser mencio­nada pelos reflexos que teve. Mais do que uma vitória militar era uma vitória política.

O presidente Spínola, com condição para uma ronda nego­cial, que se inicia a 15 de Agosto, em Dar-es-Salam, exige que a FRELIMO apresente desculpas pelo ocorrido em Ornar. Samora que engenhosamente tivera a percepção de tudo gravar, faz com que a delegação chefiada por Melo Antunes escute essa grava­ção. O que foi suficiente.

O que se passou a 1 de Agosto, nesse aquartelamento, poder-se-ia passar em qualquer outro ponto do país. Havia, da parte do exército português, a total falta de vontade de dar mais um tiro e muito menos de continuar uma guerra. Há factos indesmentíveis dessa realidade. O próprio general António de Spínola o admite e escreve que a tomada de Omar era «uma arma decisiva»494 para Samora Machel na mesa de negociações. De militar para militar efectivamente assim o foi.

Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE

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António de Spínola, País sem Rumo – Contributo para a História de uma Revolução. Ed. Editorial SCIRE, p. 302
In MOÇAMBIQUE 1974 – O fim do Império e o Nascimento da Nação, de Fernando Amado Couto(2011)

*Omar, para as autoridades portuguesas.

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