A
Mística Selvagem
A mística pode ser anti-espiritualista.
Uma mística dos sentidos valorizará mais as
realidades mundanas do que a procura de uma experiência religiosa. Neste
sentido, a experiência puramente estética (beleza, música, pintura…) será
preferível ao sentimento religioso.
Uma mística profana, uma santidade sem Deus.
Pode-se procurar exclusivamente a própria vida,
sem imanência nem transcendência.
Tudo se pode reduzir a uma gargalhada cósmica.
Na experiência mística o essencial é indizível, inefável. Não é possível lá
chegar por palavras. “A rosa é sem porquê…”
A habitual escala crescente da consciência
humana – sentir, emoção, desejo, memória, razão, intuição, espírito – carece de
sentido.
O Amor Místico precisa doutro tipo de expressão
que exceda a linguagem – a embriaguez dos sentidos, a poesia… o vinho
invisível, a embriaguez mística como um estado diferenciado de consciência. Um
descentramento do indivíduo que, todavia, se faz em direção ao centro de si
mesmo.
Na experiência do Amor há uma suspensão do
juízo, não há separação, não há dualidade. Raciocinar, pensar, implica sempre
estabelecer um limite.
"Cala-te!" Pode-se compreender, mas não se pode
expressar.
Ou, como diria Santo Agostinho: “Ama e faz o
que quiseres.”
Carlos Rodrigues
FIM