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sábado, 25 de maio de 2013

Os caminhos do espírito



A Mística Selvagem

A mística pode ser anti-espiritualista.
Uma mística dos sentidos valorizará mais as realidades mundanas do que a procura de uma experiência religiosa. Neste sentido, a experiência puramente estética (beleza, música, pintura…) será preferível ao sentimento religioso.
Uma mística profana, uma santidade sem Deus.
Pode-se procurar exclusivamente a própria vida, sem imanência nem transcendência.
Tudo se pode reduzir a uma gargalhada cósmica. Na experiência mística o essencial é indizível, inefável. Não é possível lá chegar por palavras. “A rosa é sem porquê…”
A habitual escala crescente da consciência humana – sentir, emoção, desejo, memória, razão, intuição, espírito – carece de sentido.
O Amor Místico precisa doutro tipo de expressão que exceda a linguagem – a embriaguez dos sentidos, a poesia… o vinho invisível, a embriaguez mística como um estado diferenciado de consciência. Um descentramento do indivíduo que, todavia, se faz em direção ao centro de si mesmo.
Na experiência do Amor há uma suspensão do juízo, não há separação, não há dualidade. Raciocinar, pensar, implica sempre estabelecer um limite.
"Cala-te!" Pode-se compreender, mas não se pode expressar.
Ou, como diria Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres.”

Carlos Rodrigues

FIM

sábado, 22 de setembro de 2012

Mística: A Ascética


Significado de ascese: ascender, esforço, trabalho.
A ascese é uma inquietude, uma transformação. A ascese não é passiva implica uma certa atividade. Muito importante o exercício psico-físico. Por exemplo, em Platão, a educação e a filosofia é desenvolvida como uma ascese.
Uma inteligência trinitária no corpo: físico, emocional e mental. Mas o que pode ser mais indicado para uma pessoa, pode não ser indicado para outra. Verifica-se uma necessidade individual.
“Não escutar com o ouvido, apenas com o espírito, escutar a partir das próprias energias.” Não controlar a vontade, agir não-agindo (wu-wei)." (Cf., Lao Tse, Tao Te King)
O princípio de obediência jesuíta. Obediência que não é subserviência. É tão importante saber dizer que sim como dizer que não.
Abnegação – o despojamento até da própria vontade de despojamento. Por vezes, é o esforço de auto-realização que nos impede de avançar. Há caminhos que são fecundos e outros que não são. Aqui podem ser importantes os conselhos de mestres, de guias espirituais. Há que ser um vidro muito límpido para que a luz não seja desviada - a importância da purificação.
A tendência exclusiva para o espiritualismo é tão grave como a tendência unicamente materialista. O melhor é ligar as duas. Entre o fogo e a luz um terceiro elemento, o calor. A Luz é a inteligência, o calor é o Amor.
A condição básica para todo o trabalho é a humildade.
Santa Teresa d’Ávila diz que ser humilde é andar em verdade.
No Franciscanismo para que se esteja todo inteiro, íntegro, é necessário pobreza, humildade e simplicidade. O Santo é o que está todo inteiro. O ser simples é o ser imortal.
Ascese, uma arte de muito menos fazendo, obter muito mais.

Carlos Rodrigues