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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ENCONTROS COM AGOSTINHO DA SILVA


AS ÚLTIMAS CARTAS DO AGOSTINHO
2ª edição

CARTA XI

Um bilhetinho de vosso irmão servidor

Brasil e China se encontrarão na África, vindo um pelo lado do Atlântico de São Tomé, chegando a outra, depois de Índias e Índico, à ilha que foi outrora capital de Moçambique e será, daí por diante, capital de tôda a vaga que se levante no Mar das Índias e de tôdas as terras que êle, como experiência ou sonho, de algum modo animar. Será, de ambos os povos que vêm, uma invasão de oferta, de solidariedade e de aprendizagem própria. Brasil trará às Áfricas do melhor que tiver aparecido na América ou na Europa, não daquilo que serviu no passado para abater e explorar. Também com o que vier do Oriente, com sua economia de produzir e distribuir com igualdade, tudo apurado ainda na travessia que teve de fazer da velha Rússia para chegar ao Atlântico Norte, erguerá a África ao universo uma face limpa e nova, com êste também iluminado naquela atmosfera de alma que virá de se terem fundido o Taoismo de Lao-Tsu e o Franciscanismo do jovial criador de Assis. O mundo, discípulo de África, mestra do ser e do fazer, lhe será fiel e, num fim que se repetirá, a Transporta à criatividade pura, em que também cada um de nós mergulhará, ainda porventura com a perfeita paz de não termos consciência do que formos criando. E talvez, de quando em quando, outro irmão servidor vos diga que assim realizaram seu ideal, e para tudo o que vive, os portugueses de tempo antigo que só ansiavam pelo êxtase eterno perante o Divino, de existência a um tempo real e imaginária, com o triunfo de tôda a Poesia que a criança é ao nascer e a liberdade que será para todos e o gratíssimo prazer de uma vida que não será paga, mas de fôrça criada e de amor gozada.


             QUADRINHAS DE QUANDO EM QUANDO

             Quadrinha à Trindade de Belmonte e Cabral

Criatividade pura
            sustenta o fruto no braço
            me ensina Êle o que será
                  o mundo que ao todo enlaço.


          Comentários de história portuguesa

Pois venha Alcacer Quibir
bastante à nossa maneira
a nos firmar nesta terra
o triunfo da bandeira

Com as armas conquistadas
pelos mouros marroquinos
foram abater-se impérios
que deram servos ladinos

que chegaram ao Brasil
onde índio não trabalhava
deram dinheiro às Europas
cuja sorte começava

na batalha prosseguida
mataram pobre sultão
que doutra forma traria
por seus diferentes fados
para invadir tôda a Ibéria
os turcos seus aliados

também morreu nosso rei
levando Filipe ousado
a nunca ser rei do povo
mas só parceiro de Estado

e foi por meio da derrota
que se firmou a vitória
que um dia a todos dará
ser de eterno não de história.


   PÁGINA DAS ODES BREVES

Ode Breve ao Einstein

    Só Causa das causas sabe
    causa de causa sem causa
e por isso a matemática
       em seu não ser se dá pausa.

         Se não se conhece a máquina
        nem se lhe mexe em rodinha
      pois quem sabe se era dela
     fôrça que a máquina tinha.

     Portanto digo com Gandhi
  quem decide que decida
   e nem vou tomar morfina
      que a dor faz parte da vida.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Encontros com Agostinho




AS ÚLTIMAS CARTAS DO AGOSTINHO
2ª edição


CARTA VII

Queridos Amigos

Ouçam então, que a história é simples. Há uns quinhentos ou seiscentos anos fomos expulsos de Portugal, por desagradarmos a Reis mais interessados na Europa do que na Península e a Papas para os quais o que ia importar era o movimento das descobertas, que fomos expulsos e proibidos de voltar, dizia eu, todos os que éramos felizes com a idéa de que no futuro, o da Era do Espírito Santo, da plenitude de Deus, em sua fusão com o que criara, estaríamos em êxtase diante do Divino que em tudo de concreto íamos ver, sem que, no entanto, deixasse seu outro reino do abstracto. Todos os Meninos seriam então os primeiros dos homens verdadeiramente inspirados, dedicados ao mundo, como aquele que, na Trindade que Cabral levou ao Brasil, a de Belmonte, está no braço da Criatividade Suprema, dando de comer a pomba, isto é, ajudando à sacralização do Universo. A vida ficaria gratuita, com símbolo na comida gratuita do dia da Festa. Finalmente desapareceriam as prisões e estariam libertos seus presos e seus guardas. Só que aquela extraordinária linha de costa que definia Portugal, não uma simples praia para um mar, mas inteiro litoral para um interminável oceano, era o ponto donde partir à conquista do que não tomara no período clássico aquele Império Romano que teria, portanto, de abordar tôdas as terras. Navegação esta que foi proeza dos Portugueses, mas não a que teria sido mais importante, a daqueles que, como missionários, teriam implantado em todo o mundo o Reino do Espírito Santo.

Entretanto, guardados no Brasil para o futuro, tinham feito tôdas as tentativas para chegarem ao Pacífico, mas não como Magalhães, demasiado servidor da Europa. Até Pedro Teixeira o quis, mas já era tarde, com a força espanhola instalada nos planaltos. O tempo dessa navegação, última e perfeita, chegou agora e de alguma parte dela talvez nos traga informe alguma destas Folhinhas para que tendes paciência.

Lua Luar dum Maio do 93.

POETAS DE FORA EM LINGUAGEM DE DENTRO
Alemanha

Heinrich Heine 1797-1856

Quando olho para os teus olhos
dor e tristeza se vão
e quando beijo teus lábios
fico sempre mais que são.

Quando me encosto a teu peito
entra em mim a luz do céu,
mas quando dizes: “Eu te amo!”
choro eu à larga e sem véu.

 Nicolas Lenau 1802-1850

Passa a lua devagar
por sobre as águas do lago
ao verde canavial
junta rosas luar mago

Erguem ao céu grandes olhos
os veados na colina,
às vezes um bater de asas
às ternas canas inclina.

Meus olhos ficam chorando
e bem dentro da minha alma
o ter saudades de ti
é prece na noite calma


Eduard Morike 1804-1875

Na verde terra de estio
há juncos perto do rio.
Que inocência de menino
ao colo dela com tino,
dela, a Virgem sua mãe,
no carinho que o retém.
Mas bem perto, em doce luz,
já na árvore cresce a cruz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Encontros com Agostinho


AS ÚLTIMAS CARTAS DO AGOSTINHO
2ª edição


CARTA V

Caros Amigos

Somos mais ou menos uns setenta os que decidimos, tendo contribuido com os tais quinhentos escudos para as despesas de porte, trazer-vos hoje a primeira da série de dez Folhinhas a que tendes direito, assim iniciando renovar aquele ideário do Povo Português cuja Festa no dia em que se celebrava o Espírito Santo, isto é da Plenitude de Deus ou da Revelação de como é Divino o mundo, incluia, em Universo já sacralizado, a coroação de uma criança como Imperador ou Modêlo Supremo, uma comida gratuita e a abertura, ou supressão da cadeia da terra. Como os da Festa foram todos expulsos, para a Guiné ou para o Brasil, aí pelos séculos XV e XVI, pensámos que já era tempo de regresso e de contínuo afirmar que um dia será a vida gratuita, que teremos em tôda a criança um candidato a modêlo de vida e que não haverá mais ninguém metido nas prisões, externas ou internas.
Nada será de um dia para o outro, mas iremos à nossa tarefa com tôda a calma, experimentando, poucos como somos, tornarmo-nos um tanto contagiosos e reaver o tesouro que se perdeu, mas de que ainda há lembrança nos Açores e muita prática no Brasil, com o nome de Culto do Divino. Aceitaremos que nos tratem de loucos, mas lhes asseguraremos que será sempre com todo juizo que realizaremos a loucura. Doutras vezes vos diremos, com nossa reduzida força, como iniciar a supressão das cadeias, como poderemos guardar tôda a vida a poesia com que nascemos, e saber como venerar, como adorar, e como cumprir, o Divino do Universo. Devemos ainda dizer-vos que levamos conosco todos os que já anteriomente nos ajudaram a que sempre fizéssemos as coisas de modo a que a experiência fôsse possivel para todos. Talvez de quando em quando vos exporemos outras idéas. Porque afinal tudo isto é só uma tentativa de alicerce de império: Império de Servir.

Crescente do 4. de 93


Quadrinha de quando em quando

Pois é Império pioneiro
Euro afro Brasileiro
e, se houver tempo, talvez
Nipo Sino Tailandês

Notinha:
E Tailandês por amor
de Malaca e de Timor.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ENCONTROS COM AGOSTINHO


As Últimas Cartas do Agostinho
2ª edição

Carta III

Caros Amigos

Tem cada uma êste Convento! Calculem que decidiu, e estou pronto a obedecer, que as folhinhas dactilografadas são de inteira responsabilidade do Agostinho; que seria bom publicá-las em séries de dez em cada doze meses, a distribuir por tôdas as pessoas que enviem 500$00 por série, ou o correspondente em moeda estrangeira, (e como é que o coitado do Agostinho, que não é de modas, se vai entender com isso de “écus”), ou directamente ao responsável ou à conta 7968218/001 da Agência do Príncipe Real, Lisboa 1200, do Banco Totta & Açores, exceptuando-se apenas os interessados que tenham de algum modo ajudado o Convento. Tudo isto deve entrar em vigor quando for publicada a Folhinha de Abril 93.
Quanto ao que se poderia chamar de Política, está o Convento pronto, como deve, a cumprir tudo o que caiba ao País dentro do direito nacional e internacional, com liberdade de exprimir opiniões em cada caso, assumindo, por outro lado, dois compromissos seus a que deseja incitar todos os Portugueses, sendo um o de educar a Europa Transpirenaica, outro o de que venha constituir-se como uma Confederação ou coisa parecida de tôdas as Nações de Língua Portuguesa, e não só as Africanas, sendo um dia Portugal seu representante na Europa Comunitária. Este projecto de entidade internacional inclui Timor enquanto existirem os desentendimentos ou conflitos actuais.
Querem também que eu anuncie que já comecei a desenhar um TERRAÇO Africano, chamado MONOMOTAPA, que inclui uma organização de base étnica em tudo o que se refere à costa ocidental sôbre o Atlântico, e, do lado do Índico, semelhante ao, digamos Império, que os Portugueses descobriram a partir do século XVI, depois de estabelecidos em Sofala. A África do Sul fica com regime repartido entre um e outro, pensando todos, dum litoral ao outro, que fique nítido que o ideal de futuro é o da cultura do Povo Português nos séculos XIII e XIV.

Lua Nova de 22.01.93


  
Ode breve ao Antoninho
que havia no Santo António
e namorava nas fontes
sem dar entrada ao demónio

e que organizava orquestras
feitas de gaitas de foles
e tambor passo de marcha
para animar os mais moles

arma então uns bailaricos
de moços e raparigas
não batiam castanholas
aos males faziam figas

viveu um tempo em milagre
dos mais belos o mais belo
olhando a sua cidade
das arribas do Castelo

mas só lhe foi o mais próprio
Largo de Santo Antoninho
onde morou há quanto ano
seu servidor Agostinho

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ENCONTROS COM AGOSTINHO


AS ÚLTIMAS CARTAS DO AGOSTINHO
2ª Edição


Pensamos que as cartas escritas por Agostinho da Silva durante o final do ano de 1992 e 1993, enviadas para um grupo de pessoas com quem o Professor estava em contacto, foi a melhor maneira que arranjou para, naquela fase da vida, nos deixar algumas sínteses do seu pensamento. Aquilo que considerava como deveras importante para a "ciência do ser" e do que ficava por fazer. O professor haveria de partir pouco tempo depois, num Domingo de Páscoa, em 3 Abril de 1974. "As Últimas Cartas do Agostinho" que foram editadas em livro pela Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros, em 1995, serão agora aqui publicadas à sexta-feira.  (Luis Santos)


CARTA I

Resumo da ideologia do Povo Português nos séculos XIII e XIV, transmitida ao Brasil por seus adeptos que ali se foram acolher; passada ao futuro e, por ele, à criativa Eternidade para os que emigrem para o mais íntimo de si próprios e aí se firmem para sempre.

Missão de Portugal: Sacralizar o Universo, tornando Divina a Vida e Deus real.

Meios: Desenvolvimento dos Povos pela inteira aplicação da Ciência e da Técnica, inclusive nos sectores da Economia, da Política, da Administração Pública e da Filosofia. Conversão da pessoa à adoração da Vida.

Características do que houver no Sagrado: Criança como a melhor manifestação da poesia pura e como inspiradora e suporte, e incitadora a ser criança de todos os que existam. O gratuito da vida. A plena liberdade de todo o ser.

Dezembro de 92. 
Com toda a vontade de lhe ser fiel  
Agostinho


Ode breve à Concepção
o dia é oito o mês doze
a vitória brilhará
àquele que tímido ouse

a vida não principia
ninguém sabe donde veio
talvez seio dê o leite
talvez leite crie o seio

vida e morte nunca estão
vão somente perpassar
naquilo que nunca passa
nem sabemos nomear

é-nos Deus o Cristo vivo
Cristo nos revela Deus
teu triunfo e meu sofrer
tanto são meus como teus

tudo o que tem de sair
sai sem vontade ou espinho
como isto que foi ditado
ao servidor Agostinho