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sábado, 5 de novembro de 2011

Dzogchen

Etimologicamente Dzogchen significa Grande Perfeição (Dzog=Perfeição; Chen=Grande).  Define-se por uma linha mais radical do Budismo tibetano.
Originário de uma atual região do Paquistão (NO do Tibete) foi posteriormente instituído por um rei tibetano.

É o pináculo da sabedoria budista. Defende a teoria do despertar súbito que nos pode libertar numa única vida.

Dois textos fundamentais:

(Mestre) Dogen, “The Nature of Things” 
Dogen refere o auto-despertar como a própria natureza das coisas. Por isso no Dzogchen a prática é uma não prática. Neste sentido o “zazen” (meditação budista) deve ser feito sem objetivos e sem esperar o que quer que seja.

Nós já coincidimos desde sempre com a natureza última das coisas, com a budeidade. Ora, se já se é, procurar é perder-se. Viver esta experiência é incluir todas as coisas no despertar.

Longchen Rabjam, The Precious Treasure of the Basic space of phenomena  
Lá se diz que a natureza primordial de todos os seres é a liberdade absoluta.

Palavras da própria consciência desperta:
“Eu sou a vacuidade absoluta”
“Como não tenho características a minha mente não vacila”
“Uma mente sintonizada com a natureza primordial é naturalmente compassiva”
“A natureza primordial da mente é donde procede tudo”
“A natureza da mente de cada um de nós é o próprio centro absoluto.”

Aqui, “samsara” e “nirvana” são manifestações da própria vacuidade. A fenomenologia das coisas dependem do próprio ser.

O fundo primordial caracteriza-se por uma tripartição: vacuidade; luminosidade e criatividade (irradiação); compaixão.

Tudo é vacuidade. Tudo são manifestações do fundo primordial que não é mais que a natureza da nossa própria mente. O jogo é indeterminado, tudo se passa na relação mágica da sua correspondência.

Os mestres sabem que o corpo não tem substancialidade. É apenas um adorno da vacuidade. Uma coisa que se põe e tira em cada momento.

Tudo é sagrado. Tudo transcende qualquer conceptualização. Tudo é constantemente uma manifestação da unidade primordial veiculado no homem pela tríade corpo, palavra, mente. Não há que procurar nada por detrás dos fenómenos. Tudo o que se manifesta a cada instante é a própria natureza das coisas.

Se deixarmos as coisas tal qual são, o próprio processo assume o seu próprio curso. O universo é um processo natural de despertar.  

Carlos Rodrigues

sábado, 22 de maio de 2010

Do fundo primordial, ou "o nada que é tudo"

Gravar o momento e falar da natureza primordial
da mente inata fundamental da clara luz
do nosso património colectivo, absoluto:

o rosto fixa-se e as energias pulsam
os olhos brilham e iluminando-se tudo iluminam
as células acaloram-se e rejubilam
tudo está integralmente certo a cada instante
todo o ser é naturalmente compassivo
sendo um aparente vácuo tudo está cheio
os amigos que nos envolvem são todos um.

O coração aconchega-se e a mente acalma-se.

Como é bom andar ao Deus dará
no eterno agora
onde tudo o que acontece é perfeito.


Poema feito em final de aula sobre Dzogchen em estado de "consciência clara relativa…", porque poderia acontecer noutro lado, a partir de outras ocorrências que não necessariamente palavras.

Luis Santos