Mostrar mensagens com a etiqueta D. Dinis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. Dinis. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A IGREJA DA NOSSA SENHORA DA GRAÇA E A ORDEM DE CRISTO


Luís Santos

O atual templo de Nª Sª da Graça, em Palhais, Barreiro, resulta de sucessivas intervenções efetuadas desde que a pequena Ermida foi erigida pela população local, provavelmente, em meados de quatrocentos, ao tempo situada no, então, concelho de Alhos Vedros.
A Igreja, de traça quinhentista, constitui um dos raros monumentos da arquitetura manuelina e foi classificada como Monumento Nacional em 1922.

Nas traseiras da Igreja, podemos ver a cruz da Ordem de Cristo, a tal que também ia nos mastros das caravelas...
Nessa altura, entre secs. XV-XVI, ali se situava um estaleiro naval, onde se construíam os navios que iam às descobertas, antes dos últimos retoques em Lisboa, e da Mata da Machada vinha a madeira para a sua construção.
Era também ali, no Complexo Real do Vale de Zebro que era feito "o biscoito", um pão feito com trigo, água e sal, que constituía a base alimentar dos nautas nas viagens.


Assim se assinala que o pessoal destas bandas, os avós dos nossos avós, tiveram uma participação direta muito forte nos Descobrimentos, sem dúvida, um dos maiores, se não o maior, feito de Portugal nos seus quase novecentos anos de história.

A Ordem de Cristo leva-nos até ao seu fundador, rei D. Dinis, que a criou para proteger os “Templários”, em Portugal, que no tempo foram fortemente perseguidos e alvo de imensa chacina, a partir de conluio entre papado romano e rei francês que, todavia, depois disso, amaldiçoados, não viveram muito mais tempo para contar…
Mas deixando essas contas para outros rosários, o que nós queremos apontar é das visões largas do Rei Dinis na criação da Ordem, ao mesmo tempo que fundava a Marinha Portuguesa e instituía a Língua Portuguesa no Reino, que, depois, tudo junto, lá foram pelo mar fora levando, também, sagrada mensagem divina em peregrina viagem de paz e esperança que chegou até ao Festival da Eurovisão.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Alhos Vedros, 500 anos de Foral


A Igreja Matriz e Dom Dinis

por Luís Santos


Embora não se conheça a data certa da sua edificação, pensa-se que a Igreja Matriz de Alhos Vedros tenha sido construída no século XIII, contando, por isso, perto de 800 anos.

Há quem palpite que a construção do seu núcleo inicial tenha acontecido no século XII, em 1146 ou 1147*, e que tenha sido construído em cima de uma mesquita árabe que já existiria anteriormente na freguesia, então ocupada pelos mouros, mas a verdade é que não se pode afirmar com rigor que quer a Igreja, quer Alhos Vedros, pelo menos com este nome, tivessem origem pré-cristã.

É sabido que D. Sancho I concede em 1185 o território da zona ribeirinha do Tejo à Ordem de Santiago, sediada em Palmela, mas nada nos diz que à época já existisse uma Igreja em Alhos Vedros. Decerto, poderão vir a ter os nossos arqueólogos uma palavra a dizer sobre o assunto que possa legitimar, ou não, a tal lenda na Nossa Senhora dos Anjos. Para já, o documento escrito mais antigo que refere a existência da Igreja Matriz é de 1298.

Curiosa esta data que nos faz pensar em D. Dinis, nascido em 1261, depois coroado Rei de Portugal no ano de 1279 e até 1325. Há referências no seu reinado à existência de estaleiros de construção naval na área do termo de Alhos Vedros.** Como é sabido, foi D. Dinis que fundou a Marinha Portuguesa e até há quem diga que a plantação do Pinhal de Leiria foi “uma plantação de naus a haver” que depois haveriam de ir às descobertas. Coisas de poetas, pois que poeta, trovador, também foi. E se era poeta, impôs que na corte se tinha de falar em Língua Portuguesa, e foi assim que ela se consolidou para ir ao mundo.

Ficou conhecido como o Rei Lavrador, poderoso que foi o seu jeito reformista na política agrícola do país, jeito reformador que também teve na educação e, vai daí, funda os “Estudos Gerais”, em Lisboa, a primeira Universidade Portuguesa que muito ajudou a dar “novos mundos ao mundo”, como diria Luís de Camões, já que vamos com poetas.

E, neste jovem país, pois que as fronteiras tinham sido definidas pouco tempo atrás, ao arrepio do Papa e da poderosa corte francesa que juntos deram a terrível ordem de aniquilamento dos famosos Templários, por razões que agora não vêm ao caso, o nosso Rei não só os protegeu como lhes manteve os privilégios. E, foi assim que em Portugal a Ordem do Templo passou a Ordem de Cristo, a tal que teve um papel determinante na expansão ultramarina.

E não poderíamos acabar esta alusão a D. Dinis sem falar na sua Santa companheira, a Rainha Isabel de Aragão, ao que parece mulher muito piedosa, amiga dos pobres, espírito pacifista e, dizem… milagreira. Foi por ela que se generalizou em Portugal o famoso culto popular do Espírito Santo, que se cultuava a partilha de bens pelos mais pobres, que se promovia a libertação social dos desavindos e, ponto alto da festa, sempre se coroava simbolicamente uma criança como imperador do Reino. Ora, como nós sabemos, e insistindo com Fernando Pessoa, “o melhor do mundo são (mesmo) as crianças”.


*SILVA, Vítor Manuel, Contributos para a História Local do Concelho da Moita, edição do autor, 2006, p.89, citado de MIRANDA, António Augusto Lobo de, Comércio de Portugal, Interesses Locais, 24 e 26 de Agosto de 1887, XIII e XIV.

**Cf., ALVES, P. Carlos Póvoa, Informações Paroquiais de Alhos Vedros e Moita, Edição Igreja Paroquial de Alhos Vedros, 2007 (3ª edição), p.129.