Para Ti
Clamei por
Ti
na madrugada
dos meus tempos
Corri veloz
à tua demanda,
percorrendo
tempos infinitos
do meu labor
À
profundidade do meu ser,
a Tua voz
serena
incutia um
som não audível,
que permitia
o meu deslizar
numa tranquilidade
apetecível
Não foram
tempos de ontem,
nem sonhos
do amanhã
mas a
eternidade
dum Agora,
que me
seduz,
quando já
não ouço a perturbação
da minha
carne,
insatisfeita,
num caminhar
que parece
não ter fim
Posso enfim
gritar ao vento,
perscrutar
vales e montanhas,
deixar que
as minhas lágrimas
tombem em
terra de ninguém,
mas sei que
um dia acordarei
no teu doce
regaço,
Pai-Mãe.
antónio