Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel João. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel João. Mostrar todas as mensagens

domingo, 12 de agosto de 2012




“O CAMINHO”, foto de Edgar Cantante

A SABEDORIA NÃO CABE EM MANUAIS

Há coisas assim
nem parecem vindas de mim.
Mas, surgem e pronto,
quando olhamos já foram
e o que se segue
parte dali.

Morrem lentamente crenças antigas, desejos inquietos, saudades do que não foi ou se não quis.
As marés perpetuam seu movimento ininterrupto na alma e o olhar eleva-se nos territórios infinitos do insondável.

As aves partem. Os peixes agonizam no lodo putrefacto do desperdício e do supérfluo. Sobreviver é o verbo imperativo do amanhã por nascer e esta inactividade despropositada desista e possa enfim morrer.

Há muito tempo que não chegavas a mim assim todo paz, todo luz, tanto brilho. Suavidade sinuosa, insinuante. Chegando e querendo chegar, desaguando como quem se partilha. Sem diques, sem pontes. Mar largo, profundo, sereno, tranquilo.

A contraluz recorta a silhueta da montanha, metáfora do caminho que se faz subindo, arfando, cansando. Descobrir, conhecer, saber, …

A sabedoria não cabe em manuais.

Manuel João

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ÁGUA

Tanto tempo
perdido
na contemplação
do deserto
que, sem querer,
me fiz
deserto
também.

Vou plantar uma árvore.

Guardo lembrança
e saudade
do cheiro
verde
das maçãs.

Manuel João
Dezembro, 21, 2010