Mostrar mensagens com a etiqueta Local. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Local. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de março de 2012

O Largo da Graça


Democracia e Poder Local

O Poder Autárquico, uma das conquistas populares da Revolução de Abril de 1974, tal como está instituído, tem-se revelado nestas quatro décadas mais uma fonte de despesas inúteis, de impostos sacados do nosso bolso que começam a ultrapassar a razoabilidade, do fortalecimento do caciquismo local, de compadrios partidários pouco democráticos, corrupção desmedida, especulação imobiliária, ordenamento urbano vergonhoso, entre um conjunto também imenso de coisas boas, porque como dizia ontem um amigo meu não existem só coisas más.

Não se contesta o direito que as populações têm à auto-organização, cultural, social, política, no que isso se traduz em descentralização do poder e capacidade de decisão nas formas de desenvolvimento local. Agora esta incapacidade democrática a que temos vindo a assistir, é que não dá.

É necessário pensar numa reorganização mais eficaz e menos dispendiosa da Lei da Administração Local. Mas será que ainda existe por aqui alguém que consiga pensar sem complicar e sem burocratizar?

De facto, os partidos políticos, muito particularmente a nível autárquico, vão servindo, sobretudo, as suas clientelas, em vez de servirem a população em geral, e tudo fazem para evitar que os grupos ideologicamente adversos conquistem prestígio. Temos ainda que contar muitas vezes na administração política local, com a má formação e incompetência dos líderes políticos e de muitos que os rodeiam.

É também assim que se vai definindo o espírito democrático, embora saibamos que a Democracia é um saco muito grande onde cabe muita coisa distinta, onde se misturam ideais de tendência mais liberal ou mais democrática, mais ou menos capitalista, mais na esfera do público ou do privado.

Todo este conjunto de promiscuidades e incompetências provocam o cansaço e a desilusão face à partidocracia. Mas não nos resta alternativa que não seja ir participando no jogo democrático, ainda que reflectindo em instâncias que o complementem, tentando a máxima contribuição possível para a melhor organização colectiva.

Temos na agenda política atual a reforma da administração autárquica. Ouve-se falar muito em redução do número de freguesias, tal como na necessária redução da dívida e da despesa pública. Mas à falta de um debate sério sobre o assunto, e à pressa que a troika impõe, lá iremos perder mais uma oportunidade para que se consiga uma Reforma da administração local digna.

Luís Santos





                    
A NOSSA TERRA É, TAMBÉM, A NOSSA CASA


















A primeira condição para que alguém se candidate a um cargo político deveria ser gostar da “coisa” a que se candidata. Seja freguesia, concelho, país, …  para além da necessária preparação e competência, a primeira coisa deveria ser “gostar de” , “ter um projecto para” logo depois e, condição também ela fundamental e indispensável, “espírito de servir”.
É evidente que outras características deverão ser levadas em conta, como a capacidade de escutar os outros, sanar divergências, trabalhar em equipe unindo os desavindos se possível, e da sua conjugação dependerá em muito o resultado da “missão” a que o candidato se propõe mas, os três primeiros aspectos constituirão os alicerces do propósito.

Ao percorrermos a nossa terra velha (“velhinha” apetece-nos dizer pela ternura que nos inspira) sentimos (-lhe) um grande desconforto envergonhado. O núcleo habitacional/social mais antigo, o “centro-histórico” da nossa terra está em ruínas. É uma ruína.



O Café do Teco, a velha Cooperativa de Consumo, o antigo Hospital,  (tantas vivências, memórias)… muitos outros exemplos se poderiam referir - como as fotos ilustram – e, pensando, parece-nos que alguém não está a fazer bem o trabalho que lhe compete.
Não sabemos a quem cabe a responsabilidade de providenciar no sentido de obstar a esta degradação, não sabemos sequer se existe legislação que impeça este desleixo mas, se não há deveria haver e, como tal, deverá ser criada por quem de direito, ou seja, políticos eleitos. Se assim não for, para que serve então isto tudo?
Não gostamos do que vimos, incomoda-nos, questiona-nos, provoca-nos.

A política serve para resolver os problemas dos cidadãos, encontrar soluções, melhorar o viver colectivo e comum. Fora isso é um simples exercício de retórica ou, uma forma de fazer carreira servindo-se do que se jurara servir.

Já temos uma Feira Medieval que vem melhorando de edição para edição, que apoiamos e aplaudimos mas não temos centro-histórico, ou melhor, temos uma ruína a alastrar.
Vamos acabar com isso não acham melhor?

Fotos: Edgar Cantante; Texto: João C.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

QUALQUER COISA NO AR NOS DIZ … QUE É HORA (!)   DE SOLUCIONAR UM PROBLEMA QUE NUNCA DEVERIA TER EXISTIDO.

Para quem desconheça e se aproxime, é um choque. Para quem já conhece e por ali circule, é a indignação e a revolta por a situação se perpetuar.
O Parque das Salinas é um lugar visualmente agradável principalmente para quem nele entra vindo da igreja. Árvores e relvados, campos polidesportivos, bancos e lagos, … mas, continuando a andar aproximamo-nos das zonas húmidas e caldeiras que integram o parque. Aí, começamos a ser surpreendidos por um cheiro fétido e nauseabundo que nos agride e nos faz procurar a causa. Deparamo-nos então com um imenso esgoto a céu aberto que vai variando de caudal segundo o mapa das marés.
A cerca de duzentos metros há uma creche, mais perto jovens e crianças praticam desporto, gente de várias idades passa caminhando, correndo, passeando, conversando e, …  isto não pode ser!
O ar que ali se respira quase dispensa a análise bacteriológica.
Um local que deveria ser espaço de convívio, lazer e divertimento, promovendo algum contacto com a natureza, a vida saudável e ao ar livre, acaba por constituir um atentado à saúde pública.
Já ouvimos várias explicações mas o que é um facto é que a resolução do problema vai sendo protelada. Ajam, portanto (!) e acabem com aquele perigo e aquela vergonha.
É o exercício da cidadania que fundamenta a democracia.
Respeitem-na e não a atraiçoem. 
Mais do que as palavras, o conjunto fotográfico que se segue é elucidativo, cremos.

Fotos: Edgar Cantante; Texto: João C.



 










domingo, 15 de janeiro de 2012





IMITEM AS ÁRVORES DOS CAMINHOS QUE DÃO FLORES E FRUTOS MESMO SEM QUE LHES PEÇAM (José Gomes Ferreira)


 Numa altura em que tanto se fala de crise, endividamento, austeridade, … a par de algum desregramento na utilização dos dinheiros públicos por parte de alguns, é de assinalar pela positiva a solução encontrada pela Câmara Municipal da Moita para embelezar o espaço das rotundas na via que liga a Moita à nossa velhinha terra.

O embelezamento desses espaços com árvores é uma solução feliz e, cremos que, económica.









Torna-os vivos, na medida em que as árvores são seres vivos e generosos, renovados e harmoniosos, já que as árvores no seu crescimento sempre se vão naturalmente transformando, alegres e humanizados. Acresce ainda a vantagem de não retirarem visibilidade a quem circula.












Não querendo estar a meter o bedelho, até porque a solução encontrada nos merece aplauso, atrevemo-nos contudo a sugerir que a rotunda frente ao antigo forno da cal possa vir a ser igualmente contemplada com uma árvore. Na linha das já citadas, poderia agora ser um pinheiro-manso para manter o denominador na esfera das árvores típicas dos climas temperados mediterrânicos e que nos são comuns.




De qualquer forma, não queremos deixar de “parabenizar” a edilidade pela feliz iniciativa, esperando que o exemplo frutifique.

Fotos: Edgar Cantante;
Texto: João C.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Genealogia da região da vila de Alhos Vedros

Entre os temas preferenciais do espaço dialogos_lusofonos está a genealogia. Mas esta temática, como aliás outras, não pode ir muito adiante sem um esforço conjunto. A desejada troca de informação, no espaço dialogos_lusofonos, não é tão dinâmica como seria desejável ! Mas vamos em frente. Julgo importante o que fazemos. É positivo saber que o grupo dialogos_lusofonos já é referência para todos os que se interessam pelos objetivos do espaço de virtual.

Vamos hoje abordar a genealogia da região da vila de Alhos Vedros e porque “vedro”, do latim Vetulu, significa “antigo”, pode-se concluir da antiguidade daquela povoação do concelho de Moita, na margem sul do Tejo. Comecemos por lembrar que foram grandes as modificações introduzidas na " outra banda", por Dom Manuel I, nos século XV-XVI, que alterou as fontes do tempo de Dom João II, que praticamente não mais existem.

A importância de Alhos Vedros no contexto é confirmada em 1514, ao ser a terceira localidade da região (depois de Palmela e Almada) a receber o chamado Foral Novo, atribuído por D. Manuel. Segundo os registros históricos, Dom Manuel I fez desaparecer o antigo Concelho de “Riba Tejo” que incluía Alhos Vedros, Almada, Sesimbra e Palmela, criando então o concelho tardo medieval de Alhos Vedros, que era composto por varias freguesias - Palhais, Telha, Verderenas, Barreiro, Lavradio, Moita, Martim Afonso e Sarilhos- e duas Vilas sede de Concelho, em simultâneo. Estas eram São Lourenço de Alhos Vedros e Sabonha/Saboya.

Posteriormente, ainda no século XVI, Alhos Vedros foi desmembrada e viu duas de suas freguesias florescerem: Barreiro e Montijo(Aldeia Galega do Ribatejo) , reduzindo seu patrimônio. E devido a uma evolução demográfica desfavorável, a vila de Alhos Vedros perdeu influência a partir de meados do século XVI e do século XVII.
Na vila de Alhos Vedros permanecem vestígios de uma história de ilustres famílias. que encerram em si a dimensão de um passado Cito o moinho de maré do cais de Alhos Vedros, integrado no Palácio dos Condes de São Payo, que remonta aos inícios do século XVIII e foi propriedade da família Tristão Mendonça Furtado, os fidalgos da "Casa da Cova".Outros registros da importância do povoado, são a Igreja de S. Lourenço, a Igreja da Santa Casa da Misericórdia e o Pelourinho.
As genealogias da “outra banda”, uma região não muito "estimada pelos cultores da genealogia", não foi muito desenvolvida, porque poucos se interessaram em estudar as famílias e a sua importância histórica. O estudo da genealogia destas famílias não é talvez muito atraente! Até mesmo os descendentes de famílias da margem sul, não assumem grande orgulho, exceto em alguns casos geográficos, como Azeitão, Palmela, Setúbal e Alcochete.

Mas voltando à genealogia de Alhos Vedros e região, segundo um texto que lemos, o Afonso de Albuquerque tinha um Morgado em Alhos Vedros e em Azeitão, a sua ascendência varonil detinha o Senhorio da Vila de Alhos Vedros há gerações. Os Mendonças Furtado (Alhos Vedros e Lavradio), Matos de Cáceres, Matos Cabral, Pereiras Galvão, Carcome e Figueiroa, Figueira, Milheiro, Pizarro,Palmeiro, Correia Pato, Correia de Lacerda, Coelho de Melo, Gama e Meira, todos destas Vilas da outra banda,vários ramos de Sousas, os de Gaspar de Sousa (de Alhos Vedros), os Sousas (Araújo) Morgados do Montijo em Aldeia Galega do Ribatejo, os Sousa do Calhariz, os Sousa de Benavente, os Pimenteis e Pachecos de Aldeia Galega do Ribatejo, os Varela de Seabra, Perdigões, Leão de Pedrosa, Alcaides, todos da mesma Vila de Aldeia Galega do Ribatejo (atual Montijo), Lencastres, Quevedos e Vasconcelos, Mirandas Henriques, Cunhas, Farias, entre tantos outros de Palmela e Setúbal.

Esperamos que esta pequena conversa sobre famílias de Alhos Vedros, com múltiplas ligações ao Brasil dos Brasis, motive e desenvolva a cooperação e a troca de informação.

Fonte consultada: João Gaspar in http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=224147

Margarida Castro
05.06.11