MIRADOURO 21/2015
(esta rubrica não respeita as normas do acordo ortográfico)
FALA
E
então, falei.
Falei
do que sentia
e
do que imaginava.
Falei
do que queria
e
do que precisava.
E
tremia enquanto falava,
enquanto
dizia.
Escutavas-me
vida,
e
o rio bramia,
o
caudal engrossava.
Percebi
então
que
procuravas a foz
ou,
apenas,
um
caminho no mar
para
desaguar.
Querias
o mesmo que eu,
esperavas
por mim.
Alívio
e luz,
tanta
luz neste deserto,
felicidade
correndo livre
e
destemida,
em
campo aberto
sem
dor, sem ferida.
Vida,
tu
serás para mim,
o
que eu for para ti.
Ganharam
outro significado
os
adeus.
Já
sem dor,
sem
mágoa, nem lamento.
Os
adeus fazem parte
do
caminho,
são
apenas mais uma estrela a luzir
e a iluminar no firmamento.
Manuel
João
(foto: João Ramos)

