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domingo, 14 de junho de 2015



MIRADOURO 21/2015
(esta rubrica não respeita as normas do acordo ortográfico)


FALA


E então, falei.

Falei do que sentia
e do que imaginava.
Falei do que queria
e do que precisava.
E tremia enquanto falava,
enquanto dizia.
Escutavas-me vida,
e o rio bramia,
o caudal engrossava.
Percebi então
que procuravas a foz
ou, apenas,
um caminho no mar
para desaguar.
Querias o mesmo que eu,
esperavas por mim.

Alívio e luz,
tanta luz neste deserto,
felicidade correndo livre
e destemida,
em campo aberto
sem dor, sem ferida.

Vida,
tu serás para mim,
o que eu for para ti.
Ganharam outro significado
os adeus.
Já sem dor,
sem mágoa, nem lamento.
Os adeus fazem parte
do caminho,
são apenas mais uma estrela a luzir
 e a iluminar no firmamento.


Manuel João


(foto: João Ramos)