"Cheguei finalmente à vila da minha infância (...) Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu."

- Álvaro de Campos


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Dores Nascimento e Leonel Coelho - Conto


O ANÚNCIO

Os donos do café “Flor da Aldeia” e alguns fregueses da casa, sabendo das necessidades do tio Zé , vulgarmente tratado por Piça Daço, trataram de o incitar a responder ao anúncio, e eles próprios formulavam frases para a resposta, com esta ou aquela variação da conversa habitual em situações análogas: sou homem honesto, trabalhador, tenho terras e gado, e estou na posse integral das minha faculdades físicas mas  sinto-me muito só desde que a infelicidade da viuvez me bateu à porta…

E assim, num dia que não ficou marcado em calendário, chegou na carreira uma bela mulher com um mala de viagem na mão, que se dirigiu ao referido café, ali a dois passos da paragem. Tempo frio, o Inverno era ali, naquele rigoroso interior.

Com passos pouco decididos entrou e logo foi identificada pelos olhos espertalhões da Etelvina que acotevelou o marido e lhe disse entredentes: Lá vem a tal de Joana.

-É a menina Joana? Muito prazer, eu sou o dono deste estabelecimento e esta é a minha mulher, Etelvina. – Muito gosto. -Ponha-se à vontade. Este é o senhor Zé, vulgo  Piça Daço. Um aperto de mão, algumas palmas por parte da atenta assistência e assim se cumpria a primeira parte deste episódio que quase se escondeu como o sol à noite. Joana faz um gesto para pegar na mala, mas Zé antecipou-se e lá foram os dois a caminho de casa.

-A minha casa é aquela ali, disse o Zé para não estar calado. Aquele gato preto no telhado, é meu. É um bom caçador de ratos. Â medida que a aldeia se despovoa, ratos e ratazanas são cada vez mais. Está frio. Ontem fui  tirar água do poço, para me lavar e estava gelada. Já era altura de amaciar o tempo.  E nada mais foi dito.

E neste monólogo foram engolidos pelas paredes da casa, e nada mais se sabe para além do que ficou escrito numa mensagem deixada por Joana sobre a mesa da cozinha, no dia em que partiu na mesma carreira que a trouxera, um mês exatamente decorrido desde a chegada.

O tio Zé Piça Daço, já com a vista a faltar-lhe, e fracos conhecimentos escolares, agarrou no papel e levou-o aos seus amigos do café para que lho lessem, mas baixinho, e assim se soube logo ali, e mais tarde por toda a aldeia, o conteúdo da mensagem.

-Vamos para ali, ti Zé. Posso começar?

-Lê, homem, lê.

 Serve esta carta como despedida e justificação.

A minha sincera vontade era ter regressado no dia em que cá cheguei. Não o fiz, primeiro por acanhamento e segundo porque não havia carreira. Como não o fiz nesse dia, resolvi dar uma oportunidade à situação, ou seja a si e a mim e não digo nós porque nós nunca existiu.

Quando olhei para si, vi a figura do meu pai que desgraçou a minha mãe com maus tratos. Não a mim, que saí de casa quase criança para uma vida de esquinas na noite a fazer favores sexuais a homens de toda a espécie. Aconselhada por gente que conheci e me tinha estima, estudei qualquer coisa e trabalhei num lar de idosos. Mas a solidão moía-me e os anos passavam e nada de arranjar companhia, daí o anúncio. Imaginava-me numa aldeia, com um homem a quem estimaria e por quem seria estimada, com umas galinhas e uma horta para tratar, via-me a estender a roupa da cama na frescura do amanhecer, coisas simples.

Ao entrar na sua casa senti revolta. Tudo desarrumado. Ratoeiras por toda a casa com ratos mortos, loiça apinhada por lavar, ceroulas misturadas com toalhas de mesa, cheiro a podre no frigorífico e cama sem lençõis. Nada sem solução até aqui. Nada que uma boa limpeza não resolvesse.

Mas porque carga de água,  havendo água quente e um esquentador vulcano praticamente novo na casa de banho, tomava você banho e se lavava na água do poço queixando-se da sua frieza? Porque razão tendo gavetas cheias de meias novas só calçava meias rotas? Porque razão tendo loiça nova nos armários só quer comer em loiça rachada, porque razão mantem uma pilha de medicamentos da sua falecida mulher que recusa deitar fora, Por que razão...

Enfim, talvez a solução para si seja de outra natureza. Eu por mim fiz o que pude e que a mim própria prometi. Organizei a sua vida por fora. Por dentro, não tenho para isso nem habilidade nem habilitação.  Lavei, desinfetei e arejei a casa. Livrei-me de toda a roupa rota, estragada, e debotada e cosi a que valia a pena aproveitar. Organizei as gavetas da cómoda por ceroulas, cuecas, meias de verão e de inverno, camisas, camisolas e pijamas. As calças e o fato estão em cruzetas no guarda fatos. Livrei-me da pratalhada partida e dos tachos, cafeteiras e púcaros rotos ou sem asas. A casa de banho está apetrechada de lexívia, papel higiénico, e espero que não perca  o hábito de lavar os dentes. Deixei duas pastas novas na prateleira e uma escova suplente. Continue a tomar o duche de água quente e lave bem os tornozelos, as orelhas, as partes e entre os dedos dos pés.

No frigorífico há sopa feita e um guisado que fiz com o coelho que comprei ontem à Etelvina do café, comprei mas não paguei, não se esqueça de o pagar. Deixei dois queijos, um pão e  também uns restos de comida para o gato.

Se mantiver alguma disciplina no que comigo aprendeu, talvez arranje uma companheira que o queira.

Não fui feliz aqui, mas encaro  o mês que aqui passei como uma missão. Você não é má pessoa mas também não foi boa pessoa e lamento não me ter deitado consigo. Se disso se tiver gabado, quando lerem esta carta, que estou certa será mais divulgada que o meu anúncio, logo saberão que mentiu. Se tiver falado verdade, será mais respeitado.

 A estas horas, já estarei longe daqui. Outro homem que respondeu ao anúncio há mais de quinze dias, veio buscar-me hoje, porque eu disse-lhe que tinha de cá ficar um mês. Adeus e felicidades. Já me esquecia, odiei a sua alcunha.

A que nunca foi sua

Joana



Tao Te Ching





25 

Havia algo sem forma e perfeito, antes do universo nascer. 
É sereno.  
Vazio. 
Solitário. 
Imutável. 
Infinito.  
Eternamente presente. 
É a mãe do universo. 
Por falta de um nome melhor, eu o chamo de Dao.  
Ela flui através de todas as coisas, dentro e fora, e retorna para a origem de todas as coisas.  
O Dao é grandioso. 
O universo é grandioso.                                                                                                                           A terra é grandiosa. 
O homem é grandioso. 
Estas são as quatro grandiosas potências.  
O homem segue a terra. 
A terra segue o universo. 
O universo segue o Dao. 
O Dao segue apenas a si mesmo. 

Nota Importante: Livro traduzido do Inglês para Português por Luís Gonçalves que diz estar disponível para quem o solicitar.


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Fim-de-semana calmo e tranquilo, ainda que ontem tenha sido arrancado da cama em horário de dia normal de trabalho, por causa da conclusão do envernizamento do chão da nova sala e do pequeno hall que dará acesso ao piso superior do apartamento. 

E se na sexta-feira jantámos fora por causa do cheiro e da intensidade acre do verniz no ar, ontem tivemos que passar algum tempo da tarde em casa, pois a Matilde convidara duas amigas para brincar e lanchar com ela. Mas assim que o calor amainou, saímos para um passeio pelo parque novo, com bicicleta e trotinetas que, depois de levarmos as amiguinhas do pardalito a casa, deu lugar a um bom par de horas com as pernas esticadas, à volta de uma boa mesa de caracóis e conversas de circunstância. 

Quando regressámos a casa, o pior tinha passado. 



Hoje, como foi o dia da comunhão da Beatriz, as minhas filhas passaram toda a tarde em casa da amiga e os pais aproveitaram para ir ao cinema. 
“O Dia Depois de Amanhã”, uma aventura de coragem e esperança entre um pai e um filho na contingência de uma hecatombe climática que, no espaço de uma semana, originou uma nova era glaciar no hemisfério norte. 

Tecnicamente irrepreensível, este filme do realizador de “O Dia da Independência”, acaba por nos chamar a atenção para a cegueira com que temos vindo a enfrentar o impacto do desenvolvimento sobre o meio ambiente e ainda mais para a solidariedade entre os humanos que tão necessária é para salvaguardarmos a casa comum em que vivemos. 

Foi uma boa tarde de Domingo. 



Na sexta-feira, entre a aula de música e a de moral, os alunos aprenderam a palavra peixe, a qual serviu de mote para o trabalho de casa. 



O nosso primeiro-ministro e os seus pares é que parecem estar de cabeça perdida. 
Cá para mim, a desorientação resulta de já não terem qualquer margem de manobra para traçarem políticas próprias nos mais variados sectores – se é que alguma vez as tiveram em mente – subjugados que estão aos interesses parcelares e particulares de lóbis diversos, alguns de cariz manifestamente mafioso, todos eles poderosos e mais ou menos esconsos. 

É o lento mas paulatino desmantelamento do serviço nacional de saúde com a entrega de unidades hospitalares públicas à exploração privada, sem que daí decorra outra coisa para além do aumento da rede de cuidados médicos para as seguradoras e as estruturas materiais dos seguros respectivos. 
Foi o episódio do salário contratado para o novo Director-Geral das Finanças, verba inconstitucional e ilegal, isto segundo alguns especialistas na matéria, paga em parte pelo banco privado de que aquele quadro é oriundo, deixando a porta aberta a especulações antecipadas quanto à independência e imparcialidade de tão preponderante alto funcionário. 

Enfim, o ror dos disparates – infelizmente sequer o são – seria grande. 

O desvario chegou ao ponto de vermos Lobo Xavier, influente dirigente centrista, num programa de comentário político semanal, debruçar-se sobre o problema da saída de Mourinho do Futebol Clube do Porto – ao que chegámos – e justificar o ponto de vista do clube, explicando em que é que o treinador tinha agido mal, o mesmo é dizer, pelas palavras que utilizou, segundo o que é normal e usual naquela casa, o que é que o homem fez de errado, o que é que nas suas atitudes colidiu com aquela tradição. Conseguimos atingir o nível em que intérpretes do poder político se prestam a dar recados a terceiros. 

Agora parece que o ministro do ambiente foi demitido por manifestar reservas quanto ao modelo de privatização das águas de Portugal e por ter definido que os dinheiros daí obtidos, em vez de serem usados para a contenção do défice, deveriam ser investidos na rede de distribuição e abastecimento do precioso líquido, tanto para a agricultura e demais actividades económicas como para o consumo doméstico. 

Portugal está sob o domínio de tubarões cheios de apetite e de força para o saciar. 
Paira sobre nós o espectro de uma nova espécie de totalitarismo que vestirá as aparências de uma sociedade aberta. 
Temos que ser suficientemente inteligentes para lhe sabermos identificar os contornos. 



Naipaul, outra vez, “Para Além da Crença”, o mundo islâmico não árabe que, sob o molde de narrativa de viagens, não só nos traça um elaborado panegírico desses povos e sociedades, como ainda nos permite compreender como o Islão, ou certas interpretações do Islão, melhor será dizer assim, têm interferido e modelado a vida dos crentes e do meio social em que vivem. Vemos ali o fermento de que se fez e faz o integrismo mais radical. 
Mais ainda que cheia de interesse, esta é uma daquelas leituras enriquecedoras. 



Mas o melhor ficou para o fim. 

Na tarde de Sábado, a Luísa recebeu um telefonema dos serviços camarários que informaram que a Margarida foi premiada no concurso de poesia das escolas básicas do concelho. 

Uau! O pai inchou de contentamento e, é claro, toda a família deu os parabéns ao piolhito. 

Concorrendo no escalão etário dos dez aos doze anos de idade, este meu amorzinho competiu com miúdos do quinto e do sexto ano e ainda assim ficou num dos três primeiros lugares. 
Que alegria! 

E logo ela se manifestou cheia de receios e hesitações perante o pedido para que leia um dos seus poemas, naturalmente o premiado, na sessão da entrega dos prémios. 


A noite é sempre tão serena quando nos enchemos de felicidade. 


Alhos Vedros 
  30/05/2004 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Naipaul, V. S., PARA ALÉM DA CRENÇA, Tradução de Alexandre Emílio, Dom Quixote (1ª. Edição), Lisboa, 2001

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Senhor dos cata-ventos



De Alagoas/Brasil para o Estudo Geral/Portugal

título: Senhor dos cata-ventos

photo: Kity Amaral

2019

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Estudo Geral: 9 anos

EDITORIAL

por Luís Santos

Hoje, 23 de janeiro, o Estudo Geral faz 9 anos.

Permanece a ideia de um pasquim que permite a publicação de artigos multimédia, onde texto, música e imagem, podem coabitar numa única página digital, num panorama em que as formas de edição e de publicação também muito se alterararam, e ficaram mais fáceis para todos.

Como temos por cá, em Alhos Vedros, uma Feira do Livro que se realiza, consecutivamente, há 47 anos, e se constitui como uma das mais duradoiras do país, o gosto pela escrita é coisa que vai germinando com alguma facilidade. Hoje temos por aqui, e pelas redondezas, uma sólida frente literária e o Estudo Geral não deixa de o acusar.

Por outro lado, as criatividades ligadas às artes plásticas e ao audiovisual, também estão significativamente mais abundantes. Disso mesmo dá testemunho uma ininterrupta publicação semanal de pintura que se faz desde que o EG nasceu, até hoje.

Outra novidade relativamente recente, como sabemos, é a mundialização que qualquer artigo, desde logo, ganha ao ser publicado. Este facto tem permitido uma fácil internacionalização do EG que conta entre os seus colaboradores com muitos autores de vários países, de todos os continentes, sobretudo, no que à Língua Portuguesa diz respeito. De resto, muito nos move a causa lusófona, num projeto que mais aproxime os países e as comunidades de língua oficial portuguesa, mas sem que se neguem ou subalternizem quaisquer outros países, outras formas de expressão.

A participação nas publicações deste mês de janeiro, de Manuel (d’Angola) de Sousa com um dos seus infinitos poemas, e de um texto que partilhamos vindo dos Diálogos Lusófonos, coordenados desde sempre pela mineira, brasileira, Margarida de Castro, ambos parceiros desde a primeira hora deste Estudo Geral, dão conta disso mesmo, e garantem a realização de um triângulo lusófono no Atlântico Sul que muito mais despertos nos deixam.

Mas não deixe de se (re)acentuar que é num devir universal comum, ecuménico, que nos temos mantido apostados, e é nesse caminho que prosseguiremos. 

Amem.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

HISTÓRIAS DA TERRA ENCANTADA
20


É como dizes, o homo sapiens sapiens ou seja, a espécie humana tal como a conhecemos não resultou da passagem linear entre as diversas ramificações mas sim da sobreposição de umas nas outras o que, pela dinâmica natural da população, terá provocado a substituição das primeiras pelas segundas. 
Foi assim que alhures, em África, começaram a reproduzir-se exemplares desta nova família que aí se mantiveram um punhado de dezenas de milhares de anos, sempre em frágil equilíbrio e riscos de extinção dado, por um lado, o seu número reduzido e, por outro lado, as adversidades e a concorrência de outros animais que tiveram que enfrentar, entre os quais se encontrava os seus parceiros de árvore genealógica. 
Mas a verdade é que este novo homem, dotado de capacidades mentais que nenhum dos ancestrais possuiu e, simultaneamente, herdeiro das respectivas conquistas culturais de que a caça e o domínio do fogo são exemplos relevantes, mais do que qualquer outro estava preparado para se lançar à conquista do planeta tanto no que diz respeito ao uso da terra e dos seus recursos, tal como no referente à adaptação do meio ambiente às suas necessidades. 
Ora olhando o rasto genético, a História aponta que certamente mais pela força das alterações climáticas que terão reduzido as melhores zonas habitáveis e as reservas alimentares disponíveis, um pequeno grupo terá atravessado o Mar Vermelho para a Península Arábica e dele descendem aqueles que viriam a colonizar todo o planeta. 
Como isso aconteceu não é possível saber com certeza mas não é muito difícil de imaginar; temos conhecimentos e instrumentos que o permitem. O aumento demográfico e a busca de novos espaços com fontes de alimento devem ter-se cruzado para que os seres humanos se tivessem espalhado pelo planeta. E não demoraram muito a fazê-lo. A saída de África que não repetiu o caminho que a Arqueologia atribuiu ao homo erectus e, como já vimos, teve lugar no Mar Vermelho, terá ocorrido à volta de oitenta mil anos. Naturalmente que isso não se deveu apenas à curiosidade. Razões mais fortes de ordem bio-climática devem ter empurrado essas dezenas de indivíduos para a outra margem que seria então avistável a partir de certos pontos do corno de África e que estaria mais perto que na actualidade. E aí devem ter encontrado um território inexplorado e farto que teve o condão de ser o Éden para esses imigrantes. 
Pois foi por lá que permaneceram e se multiplicaram e de onde se dirigiram para Leste e para Norte. Em mais ou menos quinze mil anos chegaram ao sub-continente indiano e à península indo-chinesa e outros tantos depois começaram a penetrar em terrenos europeus e na direcção do setentrião eurasiático. 
É provável que a progressiva substituição que a partir dessa altura se verificou entre o neanderthalense e o sapiens sapiens tenha tido por motores tanto a mistura como a predação pura e simples, assim como pela influência da concorrência relativamente aos habitats e dietas disponíveis. Com efeito, parece que há dados que apontam para que hajam sérias probabilidades de que todas essas hipóteses tenham ocorrido, sendo que as duas últimas se baseiam mais em induções e a primeira delas tenha algum suporte em dados que recentemente foram recolhidos em Portugal com o esqueleto da criança de Lapedo que, pelo menos segundo alguns especialistas, apresenta características comuns ao Neanderthal e ao Sapiens Sapiens. 
Seja como for, tal fenómeno sucedeu um pouco por toda a parte e foi já nos últimos trinta mil anos que, enfrentando uma Idade do Gelo, os nossos antepassados terão transposto a pé o estreito de Bering e chegado ao continente norte-americano para, em pouco mais de uma dezena de milhares de anos atingirem o seu extremo Sul. 
Somos, desta forma, todos filhos da mesma espécie, todos descendentes do grupo que provavelmente não ultrapassaria em muito a centena de pessoas e passou de África para a Península Arábica. E foi a partir dessa dispersão dos últimos cinquenta mil anos que as colorações da pele e os diversos aspectos físicos dos seres humanos se foram adaptando ao aumento das latitudes e, como resposta à inclinação da radiação solar, escurecendo na proximidade do Equador e clareando na direcção oposta.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O PORTO FOI CAMPEÃO!

Ontem foi noite de euforia na cidade do Porto, com milhares de pessoas nas ruas e no estádio do dragão para vitoriarem os novos campeões europeus em que os seus atletas se entronaram. 
O Futebol Clube do Porto venceu o Mónaco por três a zero e com isso conquistou a taça mais ambicionada no futebol do velho continente. 

E o povo entrou em delírio o que não tem mal algum. 


Mas já é de lamentar que o Presidente da República diga que aquela vitória ajuda à retoma. 
Enfim, malhas que tece um país que entre a ciência e a bola escolheu o esférico como mais-valia. 



Nestes dois dias os alunos têm feito exercícios em torno da nova palavra. 
“-Demos o bra.” –Disse a Matilde à mãe com um ar ironicamente suspeito. 
É claro que se refreia ao bra, bre, bri, bro, bru. 
“-Diz lá o nome de um país que usa a sílaba bra.” –Entrou o pai na conversa. 
“-Brasil.” 
“-Muito bem! E uma cidade?” 
“-Braga.” 
“-Uau! Palmas para a Matilde.” –Interveio a mãe. 
“-E outra?” 
“-Bragança.” 

E assim se vai fazendo o encanto de ver crescer este amorzinho tão querido. 


 Alhos Vedros
  27/05/2004

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

REAL... IRREAL... SURREAL... (336)


Berço, Autora Berthe Morisot, 1872
Óleo sobre Tela, 46x56 cm

Berthe Marie Pauline Morisot nasceu em Bourges – Cher, na França a 14 de Janeiro de 1841 e morreu em Paris a 2 de Março de 1895.
Foi uma pintora impressionista francesa.
Expôs seus trabalhos, pela primeira vez, no prestigiado Salão de Paris, em 1864, patrocinado pela Académie des Beaux-Arts de Paris. Suas obras foram seleccionadas para as exposições seguintes, com os maiores pintores da sua época: Paul Cézanne, Claude Monet, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley...
Ser pintora em uma época em que às mulheres eram negados alguns direitos foi difícil, mas Berthe Morisot sempre se impôs e por esse motivo foi muito importante para que as mulheres começassem a contar, também no mundo da pintura.

Foi casada com Eugène Manet, irmão do famoso pintor, Édouard Manet.

Selecção de António Tapadinhas

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

“Desejos Extravasantes Da Cabeça De Testa Hirsuta E Farta De Leis De Inata Ortodoxia”


Tenho desejos que não cabem na cabeça de ninguém e nem na minha Cofio a barba rala por desfazer para manter a honra intacta Passo a pente fino e aquecido em brasa as pestanas postiças Franzo a testa hirsuta e as fartas sobrancelhas pretas e lisas Aliso as rugas e as olheiras de uma noite passada com insónias Ando de lado e alentado em bicos-de-pé para fora do cenário Descubro o lado oculto da Lua destapando-lhe o rosto obscuro Parto os pratos e copos usados na santa ceia à maneira Russa Viro-me do avesso e transformo-me em um sêr nada ortodoxo Desrespeito as leis da vida rasgando os regulamentos e os direitos Entorto e distorço as barras de chocolate e de ferro que me prendem Solto um grito de liberdade que se ouve na antiga Sibéria inteira Fragmento os fundamentos essenciais em tantas e incontáveis partes Fracciono em fracções mínimas e máximas alguns inconcebíveis temores Cortejo princesas que correm descalças em grupo dos bailes de meia-noite Jogo a coroa faz-de-conta de idílico príncipe romanesco para o lixo Desmembro a língua dos membros e órgãos e autonomizo-a de repente Automatizo-a aquando de certas mudanças simplesmente teóricas e retóricas Desdramatizo a peça teatral do julgamento final dantesco comovido Limpo o nariz empertigado e ao mesmo tempo tímido a um lenço imaculado Canalizo fluxos de energias anímica e psíquica para as pontas sensíveis dos dedos… Aceno um último adeus de que todos desconfiam ser um de muitos porvires e por vir…
Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 7 de Janeiro de 2018, em Homenagem a todos aqueles que mantem o estado de constante espirito de esperança, positividade, paz harmonia e construtividade fraterna e solidaria para com a humanidade e o futuro por vir… Aos meus batalhadores e sacrificados Antepassados, os quais, me mostraram e ensinaram a não ter medo da Vida, por muito difícil ou árdua que fosse, abrindo-me assim caminho para a permanente visão esperançada e imaginativa, que me permite hoje caminhar de cabeça erguida…

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Hoje os alunos aprenderam uma nova palavra, zebra e, como é habitual nestas ocasiões, ocuparam a manhã com exercícios e fichas sobre o assunto. 



Mas é também o último dia de laboração da antiga “Sorefame”. 
A direcção da empresa canadiana que ficou com aquela unidade produtiva, decidiu fechar umas quantas fábricas na Europa, alegadamente por falta de encomendas que viabilizassem a rentabilidade de tais unidades industriais. 
Com isto se perderá um capital inestimável de tecnologia e sabedoria no âmbito da produção de material ferroviário. 
E fica a nu a falta de visão que sempre reinou nos nossos decisores políticos, incapazes de perceberem que a ferrovia era a aposta certa para encurtar distâncias num país como o nosso e que isso daria à indústria nacional as pernas que permitiriam competir nos mercados globais. 

Infelizmente não foi assim e o futuro de muitos trabalhadores está cheio de nuvens negras no horizonte. 



E amanhã o país estará suspenso no pequeno ecrã, pelo menos durante uma hora e meia. 
O Futebol Clube do Porto disputará a final da liga dos campeões. 



Ficou hoje definitivamente pronta a parte de alvenaria com os últimos retoques de pintura. 

Assinei um cheque de dois mil quinhentos oitenta e seis euros. 



O CDS-PP quer que os protestos na Assembleia da República sejam tratados como o fenómeno do hooliganismo nas bancadas dos estádios de futebol. 

Nada a dizer.
Aquele é o partido dos netos de funcionários e outros bafejados do Estado Novo. 


Estamos entregues aos bichos? 

Alhos Vedros
  25/05/2004

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A Pintura de AnA Pereira


AnA Pereira
e-mail: apfiat@live.com.pt
website:https://ana-isabel-castanheira-e-pereira.webnode.pt/ 
facebook:https://www.facebook.com/Ana-Pereira-Artes-Pl%C3%A1sticas-1234204616639689/?pnref=story&hc_location=ufi 


                   

IRRACIONALIDADES 
«Intelectualmente, temos muita razão para nos sentirmos modestos. A capacidade de pensamento lógico pode muito bem ser parte da nossa constituição. Contudo, o facto de essa capacidade aí se encontrar permite a possibilidade da sua utilização se certos outros factores estiverem presentes. Um desses factores pertence à história humana. Não há duvida de que a maior parte dos nossos feitos intelectuais são colectivos. Eles dependem de incontactáveis gerações anteriores, cada uma das quais legou algumas parcelas de um conhecimento novo e, algumas novas formas de aumentar ainda mais, o conhecimento para a geração seguinte. Muitos dos erros de pensamento que discutimos continuam connosco, depois de milénios de história humana e, ocorrem quer estejamos sós ou em grupo. A nossa racionalidade é limitada pelo hábito, pela circunstancia e, pelo facto de a nossa capacidade de pensamento ter limites» -PSICOLOGIA-Henry Gleitman «A intuição alimenta-se das experiências e informações acumuladas ao longo do tempo. Será pois uma espécie de "know-how" (saber fazer) guardado na chamada memória implícita. Todd Lubart elaborou uma teoria a que chamou de "ressonância emocional" que ajuda a explicar a intuição. Através desse processo, cada elemento que se apresente em nossa memória é associado a traços emocionais correspondentes a experiências vividas anteriormente. É assim: de cada vez que nos confrontamos com as várias situações da vida (a todo o momento) o cérebro estabelece uma ligação com os conhecimentos armazenados levando a uma associação criativa de conceitos em nossa mente (isso nos ajuda a mantermo-nos conhecedores do mundo que nos rodeia e entender o que se passa). É um trabalho contínuo de reconhecimento da realidade e que nos permite cartografar mentalmente o que se passa remetendo todo o material novo para a memória associando-se ao que já lá existe guardado. O indivíduo inteligente é também um sujeito que sabe usar sua intuição. Ele aprende a ler nas subtilezas dos eventos, nos pormenores que escapam à maioria. E faz outra coisa deveras importante: reúne muita informação. Ele não se satisfaz apenas com o que sabe. Ele é um curioso e gosta de saber mais e mais, indo além da sua especialização. A sua intuição é assim o resultado de saberes e experiências acumuladas.» _ Nelson S Lima «É Somente nas misteriosas equações do amor, que alguma lógica real pode ser encontrada» - John Nash -
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Biografia: Nasci  em Lisboa  no ano de 1969 , voltei meus estudos   na area das artes plasticas,  licenciando-me em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa . Numa das curvas do viver  em Beja  fiz o  Curso de Cenografia com o professor Barbieri  integrando o Projecto Arte Publica .  Recentemente os pendulos deste caminhar impeliram-me a concluir uma Pós Graduação em  Gerontologia Social  pela Universidade Lusofona 
Exposições: 
1992-Colectiva Galeria Escudeiros-Beja
1996-Individual «Homenagem a Miguel Torga», Livraria Obras Completas, Carnaxide
1998-Colectiva«concurso de Pintura- Arábia Saudita pela Expo 98» Hotel Meridien, Lisboa e, participação no mural colectivo para Expo 98.
2014- Exposição Colectiva Nacional 70 CAVAQUINHOS 70 ARTISTAS
2015-Exposição Mensagem de Fernando Pessoa por 25 Artistas Plasticos - Palácio da Independencia
2016- " " " - Casa dos Cubos

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Hoje os alunos prosseguiram e concluíram os exercícios da aula anterior. 



E eu nem tive tempo para ver se o dia esteve bonito ou feio. 



Portugal está subjugado a poderes no mínimo muito duvidosos. 

O PSD de Gondomar queixa-se de falta de solidariedade por parte da direcção do partido. 
Segundo o líder da concelhia, no momento difícil que se vive naquele concelho, seria de esperar uma palavra de reconhecimento e apoio e, ao invés, verificou-se a perda de importância no concelho nacional, desde logo, com a substituição do major Valentim Loureiro na mesa directiva daquele organismo. 

Começou a queda do presidente da câmara de Gondomar e da liga de clubes que acabará no papel de bode expiatório nisto da operação apito dourado. 

Enquanto isso, o primeiro-ministro presta vassalagem a Pinto da Costa com a sua deslocação à final europeia da próxima quarta-feira. 


Por aqui se vê quem manda. 



Hoje há grilares na noite. 


Alhos Vedros
  24/05/2004