Contrariamente ao que se pensou durante muito tempo Lao-Tse, ou Lao-Tzu, não foi o fundador do Taoísmo. Hoje considera-se que foi Chuang Tzu (séc. VI a.C.).
Lao-Tse, é um dos grandes filósofos da China Antiga que nos deixou o Tao Te King, um dos livros mais importantes do pensamento tradicional chinês.
Tao Te King, o Livro da Via e da Virtude:
Etimologicamente, Tao – Vida; Te – Energia; King – Virtude.
Tao, o princípio original de todas as coisas, a essência das coisas.
Texto aforístico com grande economia de palavras, onde com pouco diz-se muito; onde se crê que o dito e o não dito são absolutamente inseparáveis. “O silêncio é um amigo que nunca trai.”
Remete-nos para uma busca pessoal que só pode ser feita por cada um de nós.
O Tao exige outro género de coisas que não só a discussão, o intelecto, a discursividade mental. Nomear por palavras introduz barreiras e Ele é inominável. As palavras não podem explicar mais que uma parte do Tao. A consciência dual é muito limitada na explicação do real.
O Tao quando se nomeia é sugerido como a mãe de todas as coisas. Há uma valorização do feminino, uma matricialidade.
O Tao não tem objetivos particulares. Tudo fluí, tudo é governado sem desígnio. Procurar é perder. Tentarmos encontrar sentido é perder. Tudo já é. Sempre sem desejo devemos estar se o seu mistério queremos encontrar. Somos nascidos no tempo certo.
A eficácia da naturalidade. Tudo acontece quando tem de acontecer. A plenitude só se dá a quem se esvazie a si próprio. Quanto mais vazio mais criador. Quanto mais livres e desocupados maiores possibilidades de eficiência.
O estar livre permite encontrar a harmonia do mundo, um estado salutar (o equilíbrio Yin-Yang) – um movimento contínuo de expansão/recolhimento.
É uma arte de viver baseada numa economia de recursos: só age quem não está interessado em agir; só pensa aquele que não está interessado em pensar; só é feliz aquele que não está preocupado com a felicidade. Não acrescentar nada aquilo que já somos.
O sábio não se põe em bicos de pés. Aqueles que se elevam a si próprios acabam sempre por cair. O sábio é como a água, corre sempre a via que tem de correr. Ele não se preocupa consigo e, todavia, é o que ocupa o lugar mais proeminente. O sábio, no Tao, é comparado à criança.
“É a aprendizagem do desaprender…”, tomando uma expressão de Fernando Pessoa.
O céu trata tudo e todos de uma forma indiferente, mas benéfica.
De acordo com o Tao:
Aquele que mais tem é aquele que mais se despoja;
Aquele que mais tem é o que mais dá;
Aquele que mais se despoja não pode ter menos que o infinito.
Carlos Rodrigues
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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sexta-feira, 23 de março de 2012
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