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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa


LINGUA PORTUGUESA
(dia da língua portuguesa 5 de Maio)

Poema repentista

Quantos mundos dentro das palavras da língua portuguesa
A palavra mundo empurra para o infinito
O infinito leva-nos ao espaço
O espaço transporta-nos à liberdade
A liberdade abre-se num grito
O grito interrompe o pensamento
O pensamento atrai o desassossego
que nos transporta a Pessoa
Pessoa leva-nos à poesia
Poesia e aí está Camões e o território da identidade da palavra
E os linguajares da favela
E a Jeni de Buarque
E os capitães de Amado
E os recados do Zeca
E a caverna do Saramago
E a tristeza da Florbela
E a firmeza de Natália
E a terra abensonhada de Mia Couto
Com a imaginação de Pepetela
E a senhora de Bramante do poeta maldito
E os escárnios de Bocage
E o povo que lava no rio
E das mornas de Cesária
À simplicidade de Samora
E tantas, tantas palavras de que nem me lembro agora,
Desta língua que é a minha, com que se ri e com que se chora.

Dores Nascimento (agora mesmo)


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Flor do Lácio


Pintura de Kity Amaral
Texto de Luís Santos



Flor do Lácio

Tal como a poetaram Olavo Bilac e Fernando Pessoa, tal como a ensinou Agostinho da Silva e nós sintetizámos, tal como a canta, romanceia e pinta, Caetano Veloso, Mia Couto, Kity Amaral, entre outros mundos de muitos outros, eis a Língua Portuguesa em todo o seu esplendor;
herdeira de lacianos romanos, integradora de invasores bárbaros e de arabescas expansões territoriais;
gémea de galicismos de gaita de foles, traduzindo-se em ardente fusão de galaico-português, irmã de castelhano e andaluz, aparentada com o basco, e não esquecendo Santiago de Compostela;
nascida que foi no dionisíaco reinado, da aragonesa Isabel, ao tempo em que o templo deriva em cristo, do Estudo Geral e em que se favorecem bons ventos para velas latinas à marinha;
ida que vai ao mundo expandida por velozes vias ultramarinas, ao Brasil, à Índia, ao Tibete, ao Japão, língua franca no índico; tal como também foram suas irmãs espanholas para o outro lado de Tordesilhas;
Língua de países outrora colonizados, então emancipados, uniformizada em espírito fraterno de alargada comunidade lusófona;
parceira nas nações unidas, em relações políticas ibero-sul-americanas, de uma união europeia de paz, apostada em razoáveis trocas económicas ideais, de trabalho por tempo livre;
por África muito disseminada e um Timor todo virado a uma varanda de aborígene, e anglófona, oceania:
Centra-se, por agora, em contemplação de uma Catalunha a votos, por uma Ibéria que se quer simultaneamente unida em suas unidades autónomas, porventura independentes, assumindo o legado liberal dos valores de igualdade e fraternidade, de pacifistas amizades, ocupada com coisas simples, belas, singelas, para todos;
nas históricas relações intercontinentais desta aldeia global, abrindo-se às infinitas possibilidades ecuménicas, simultaneamente religiosas e ateias, para que melhor se perceba donde vimos, quem somos, para onde vamos;
Amém.
Dez. 2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

DIA MUNDIAL DA LÍNGUA MATERNA - UM PATRIMÓNIO CULTURAL A DEFENDER


Em vez de português erudito fomenta-se o português macarrónico

António Justo

21 de Fevereiro é o Dia Internacional da Língua Materna. Foi proclamado pela UNESCO como memorial para "promover a diversidade e o multilinguismo linguística e cultural".

Segundo a UNESCO, metade das línguas maternas encontram-se em risco de desaparecer (entre elas o Bretão, Quechua e Nahuatl). Com a celebração do Dia da Língua materna, pretende-se manter viva  a consciência das tradições linguísticas e culturais. A visibilidade de um espaço cultural manifesta-se através da língua e suas marcas.

Especialmente nos países da lusofonia há que ter isto em consideração. A protecção dos falares indígenas e das tribos não deve porém substituir o português como língua de comunicação nacional e internacional. Seria relevante manter uma relação equilibrada entre os interesses regionais e o interesse da identidade nacional que se expressa numa língua de comunicação para todos. 


Fazer uma coisa não implica deixar de fazer a outra (Unum facere et alium non omittere). No contexto importa recordar o lema latino “E pluribus unum” (fazer de muitos um/unidade na diversidade); este lema fez dos EUA o país que é hoje. Sem integração não há unidade orgânica.

O idioma deve reflectir, pelo menos, nalguma das suas partes, a herança cultural do todo e do particular, como memória viva a gerar futuro.

Tanto uma olhadela sobre o Português, muitas vezes usado no dia-a-dia, como sobre a política da língua não permite grande satisfação a muitos os falantes lusófonos. Tem-se implementado o empobrecimento da língua com uma reforma ortográfica que na ortografia não favorece a especificação (exemplo: faz das palavras facto e fato uma só palavra (fato) para com um só vocábulo designar dois conceitos.

O “português do brasil” ou português de expressão brasileira tem-se afastado das línguas de origem latina europeia (contrariado o desenvolvimento diferenciador destas) ao reduzir o emprego das pessoas gramaticais (no sentido de uma indiferenciação e como tal empobrecedora).  As línguas europeias de origem latina mantêm o alto nível da língua na sua diferenciação preservando as três pessoas gramaticais do singular e do plural: eu, tu, ele-ela, (você, a gente) e nós, vós, eles-elas, (vocês) permanecendo fiéis à defesa da excelência da língua e contrariando a tendência simplicista de se cair no uso de uma língua de caracter “macarrónico” (substituir o uso da segunda pessoa gramatical pela terceira, etc.).

Por outro lado há demasiados anglicanismos bárbaros empregados no português sem o conveniente aportuguesamento.

Nos média sociais ( Facebook) espalha-se  paulatinamente uma comunicação abreviada e simplicista que, com o tempo, poderá levar muitos a não conseguir escrever uma carta em português correcto.
Do mesmo problema se queixam professores universitários que constatam em muitos alunos grandes défices na expressa do português.

No mercado observam-se também cadeias de empresas que não se preocupam em traduzir os nomes dos produtos para as  línguas onde são vendidos.

Na França implementaram-se medidas para defesa e enriquecimento da língua. Em 1994, na França foi proibido o uso de conceitos ingleses sem serem traduzidos. Cada conceito introduzido na língua materna que respeite o seu espírito constitui um enriquecimento da língua. (Confesso que por vezes uso estrangeirismos por não encontrar ainda termos adequados em Português).

A língua é um organismo vivo e como tal aberta ao novo, mas deve ser respeitada sem ser violada; naturalmente há também nichos usados por grupos étnicos, estudantes, estrangeiros, além de regionalismos, dialectos, etc.

Infelizmente o governo pretende diminuir o ensino da língua materna em favor de disciplinas sociais.

António da Cunha Duarte Justo

“Pegadas do Espírito no Tempo” http://antonio-justo.eu/?p=4146

(1)   Coloco aqui os links de alguns artigos que publiquei referentes ao assunto: Cometem-se barbaridades contra a língua portuguesa  numa tentativa populista de valorizar o analfabetismo: http://www.mundolusiada.com.br/artigos/barbaridades-contra-a-lingua-portuguesa/

Acordo ortográfico segue a via popular: http://antonio-justo.eu/?p=2190


MEC brasileiro pretende acabar com a obrigatoriedade da Literatura portuguesa: de Cavalo para Burro?: http://agostinhodasilva.blogtok.com/menu/6/42434/

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

MANIFESTO CONTRA A CRISE – A LÍNGUA COMO MOTOR ECONÓMICO


A Direção da AICL - COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) –preocupada pelas recentes decisões economicistas relativas à Língua e Cultura de todos nós, vem apresentar algumas ideias de estímulo económico, através da língua e cultura, que servirão a médio prazo para um estímulo maior à economia. Sabendo que existem estudos que apontam a importância deste setor e cifram o mesmo em 17% do PIB e considerando que BRASIL e PORTUGAL são os países em melhores condições de proporcionarem o arranque deste projeto, fica desde já a ressalva de que a eles se devem juntar os restantes países da CPLP quando estiverem dispostos a fazê-lo sem medos de Quintos Impérios e neocolonização cultural

1.       BUSCAR CONSENSOS COM O GOVERNO DO BRASIL E DE PORTUGAL E LANÇAR CURSOS DE PORTUGUÊS – PRESENCIAIS E ONLINE – EM TODOS OS 4 CANTOS DO MUNDO, UTILIZANDO UMA NOVA FÓRMULA QUE QUER O INSTITUTO CAMÕES QUER O MACHADO DE ASSIS NÃO PROPORCIONARAM, PODENDO INCLUSIVE UTILIZAR-SE O IILP PARA TAL FIM, E COM APOIO DE UNIVERSIDADES E POLITÉCNICOS DOS DOIS PAÍSES

2.       SERIAM CRIADOS CURSOS PRESENCIAIS DE LÍNGUA, CULTURA E TRADUÇÃO NAS CIDADES ONDE OS CURSOS DO INSTITUTO CAMÕES VINHAM FUNCIONANDO (EM COORDENAÇÃO COM UNIVERSIDADES, POLITÉCNICOS E OUTRAS ENTIDADES LOCAIS) E EM TODAS AS OUTRAS ONDE EXISTA UM NÚMERO SUFICIENTE DE LUSOFALANTES. NOS RESTANTES LOCAIS USAR-SE-IAM PLATAFORMAS DE E-ENSINO COMO AS EXISTENTES NA UNIVERSIDADE ABERTA DE PORTUGAL ENTRE MUITAS OUTRAS PARA MINISTRAR ESSES CURSOS QUE SE DEVERIAM FOCAR EM 3 VERTENTES: APRENDIZAGEM E MELHORAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA, LITERATURA LUSÓFONA E ESTUDOS DE TRADUÇÃO.

3.       BUSCAR APOIOS DAS ACADEMIAS DE LÍNGUA PORTUGUESA EXISTENTES ( ABL, ACL; AGLP), DA CPLP, E DE TODAS AS RESTANTES INSTITUIÇÕES PARA QUE CONTRIBUÍSSEM PARA ESTE PROJETO QUE SE NÃO DEVE LIMITAR AOS PALOP MAS A TODO O MUNDO ONDE HAJA LUSOFALANTES.

4.       CRIAR – PELO MENOS 500 BOLSAS DE ESTUDO ANUAIS PARA PAÍSES DE TODOS OS CONTINENTES FREQUENTAREM UNIVERSIDADES BRASILEIRAS E PORTUGUESAS (o Brasil poderia disponibilizar 350 e Portugal 150) PARA OS MELHORES ALUNOS DOS CURSOS REFERIDOS EM 2. OS BOLSEIROS DEVERIAM FUNCIONAR COMO EMBAIXADORES DA LÍNGUA PORTUGUESA NOS SEUS PAÍSES DE ORIGEM, UMA VEZ TERMINADA A BOLSA EM MOLDES A DEFINIR.

5.       CONVOCAR AS EDITORAS DE PORTUGAL E DO BRASIL E CRIAR COM AS ACADEMIAS E OUTRAS ENTIDADES UMA BOLSA DE EDIÇÕES A PROMOVER EM TODO O MUNDO DOS MAIORES VULTOS QUE REPRESENTAM A ESCRITA DE CADA UM DOS PAÍSES LUSÓFONOS, AS QUAIS SERIAM DISPONIBILIZADAS NOS VÁRIOS PAÍSES.

6.       CRIAR ANTOLOGIAS BILINGUES PARA A DISSEMINAÇÃO DE OBRAS DE AUTORES LUSÓFONOS E PROMOVER A SUA DISTRIBUIÇÃO NOS PAÍSES DE DESTINO À SEMELHANÇA DA ANTOLOGIA BILINGUE DE AUTORES AÇORIANOS

7.     CRIAR E DESPERTAR O INTERESSE POR AUTORES LUSÓFONOS, ATRAVÉS DA DISPONIBILIZAÇÃO GRATUITA EM LINHA DE EXCERTOS DE OBRAS SELECIONADAS DE AUTORES LUSÓFONOS, TAL COMO ESTÁ A SER FEITO COM OS CADERNOS DE ESTUDOS AÇORIANOS.

8.       EVITAR QUE AS BUROCRACIAS MINISTERIAIS E GOVERNAMENTAIS IMPEÇAM A IMEDIATA CONSECUÇÃO DESTE PROJETO, NOMEANDO UMA COMISSÃO DE SÁBIOS PARA DEFINIR EM DETALHE ESTE PROJETO, SEU CRONOGRAMA E CUSTOS.

Estes são os pontos de partida que gostaríamos de ver debatidos e aumentados no 17º Colóquio da Lusofonia pelos associados durante a Reunião da Assembleia Geral. Para aqueles que não puderem estar presentes, agradecemos que nos enviem as suas sugestões juntamente com a sua declaração de voto

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 J. CHRYS CHRYSTELLO, Presidente da Direção
,14-01-2012
COLÓQUIOS DA LUSOFONIA (AICL, Associação [Internacional] Colóquios da Lusofonia) - NIPC 509663133
Sede: Rua da Igreja 6, Lomba da Maia S. Miguel, Açores, Portugal /
Contactos: (+351) 296446940, (+351) 919287816/ 916755675
Faxe eletrónico:+(00) 18153013682/(00)16305631902



quarta-feira, 23 de junho de 2010

A HERANÇA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO ORIENTE (ÁSIA PORTUGUESA)

Azul: Comunidades que falam Português atualmente na Ásia.
Vermelho: Comunidades que falavam o Português na Ásia.

Escrito por Marco Ramerini
http://www.colonialvoyage.com/

(Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho)

A língua portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII , a língua dos negócios nas costas do Oceanos Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa. O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).

No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza. Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa. Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que : "se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar". Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.

As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses ...) que trabalharam na Índia foram forçados a usar o português como a língua de evangelização.

A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da Índia, do suaili, malaio, indonésio, bengali, japonês, os várias do Ceilão, o tetum de Timor, africâner da África do Sul, etc. Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de "casados" e "mestiços" que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de Creoule português.

O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o "creoule" português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos. Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.

AS COMUNIDADES QUE FALAM PORTUGUÊS ATUALMENTE:

Malacca, Malásia: (Portuguese Settlement, Praya Lane, Bandara Hilir). Cerca de 1000 pessoas falam esta espécie de "creole" (Papia Kristang). Cerca de 80 % dos antigos habitantes da colonia portuguesa em Malacca falam Kristang, que também é falado atualmente em Singapora e Kuala Lumpur. Kristang é muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português. Não muito tempo tempo atrás o português também era falado em Pulau Tikus (Penang) mas agora é considerado extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Peninsula Malaia. Activo é MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malacca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Ha também em Singapura uma associaçao Eurasiatica. Malaca se separou do domínio português em 1641.

Korlai, Índia: (perto de Chaul). Cerca de 900 pessoas falam o creole português e esta comunidade tem a sua igreja chamada: "Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo" Chaul se separou do domínio português em 1740.

Damão, Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima). Cerca de 2000 pessoas falam esta espécie de Creole Português. Damão se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Ceilão (Sri Lanka): [Burgueses Portugueses em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam ]. Atualmente é apenas usado entre as 250 famílias em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias Afro-Sinhalese (Kaffir) em Puttalam. Quase extinta. Em Batticaloa existe o Clube de Recreio"Shamrock" or "Batticaloa Catholic Burgher Union". Ha uma pequena comunidade de descendentes portugues na aldeia de WahaKotte (circa 7°42'N. - 80°36'E) (Centro do Sri Lanka, seis quilometros de Galewala estrada entre Galewala e Matale), eles são Catolicos Romanos, mas são acerca de dois geracão que Creole Português não é falado. Ceilão se separou do domínio português em 1658.

Macau: Cerca de 2.000 pessoas fala o português como sua primeira língua, e perto de 11.500 como sua segunda língua. Apenas poucas mulheres idosas falam o Macauense um Creole Macau-Português. O "Instituto Cultural de Macau" e a "Fundação do Oriente" estão funcionando. Existe também um canal de TV e vários jornais voltados inteiramente para o português. Macau em 20 de Dezembro de 1999 voltou a fazer parte da China.

Hong Kong: Centenas de pessoas falam o MACAUENSE. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colonia portuguesa.

Goa, Índia: O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas e apenas 3 a 5 % da populaçãio continua falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas). Atualmente 35% da população de Goa são imigraantes de outros estados indianos. Nas escolas da Índia ele é ensinado como a terceira língua (não obrigatória). Existe um departamento de Português na Universidade de Goa, mas a "Fundação do Oriente" e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa ainda estão em funcionamento. O último jornal em língua protuguesa foi publicado na década de 80. Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos, etc. Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Diu, Índia: Aqui o idioma creole protuguês está quase extinto. Diu se separou do domínio português em Dezembro de 1961.

Timor Leste: Os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam a 10.000 pessoas e em 1974 apenas 10% a 20% da população. Em 1975: O Timor Leste tinha 700 000 habitantes dos quais : 35 a 70 000 sabiam ler e escrever em português e 100 a 140 000 podiam falar e entender esta língua. Até1981, o português foi a língua da Igreja de Timor, quando foi substituído pelo Tetum. Entretanto ele é comumente usado como idioma de negócios na cidade de Dili. O português permaneceu como a língua da resistência anti-Indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português criole de Timor (Português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Ele é falado próximo a Dili, Lifau e Bidau. Indonesia invadiu o Timor Leste em 1975. Entretanto, nenhuma nação reconheceu esta anexação militar. Timor Leste tornou-se um estado independente, 20 de maio de 2002. A lingua oficial de Timor-Leste está o português.

Flores, Indonésia: (Larantuka, Sikka) Aqui o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidadeTopasses (os descendentes dos homens portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda (???) usam esta língua. Existe uma Confraria chamada de "Reinja Rosari". Portugal retirou-se em 1859.

ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:

Ceilão (Sri Lanka): (O Creole Português era falado pela comunidade burguesa holandesa ) Até o início do século XX, o creole português era falado pelos membros desta comunidade. Até depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos do Sri Lanka, em Colombo se reuniam nas missas faladas em português (como a igreja de Santo Antônio, em Dematagoda). Após a segunda metade deste século, parte destes católicos tão antigos começaram a freqüentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas na cidade (Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte). Embora era uma língua falada, o português estáva perdendo rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas (sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado).

Jakarta-Batavia-Tugu, Indonésia: (um subúrbio de Jakarta). Aqui, até o início do século XX uma espécie de português corrompido ainda era falado pela população cristã em Tugu. O último habitante que falava creole morreu em 1978. Nunca esteve sob domínio de Portugal.

Cochim, Índia: (Vypeen). Desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa/hindu (2.000 pessoas) frequenta a velha igeja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663.

Bombaim or do Norte, Índia: (Baçaim, Salsette, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão) Em 1906, este Creole foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante. Em1906 ainda existia perto de 5.000 pessoas que falavam o Creole Português como,língua materna, e 2.000 estavam em Bombaim e Mahim, 1.000 estavam em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e 1.000 em outras vilas. Não existia, naquela época, escolas em creole-português e as classes mais ricas substituiram-no pelo inglês. (Costa, Dalgado).

Coromandel, Índia: (Meliapore, Madras, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam…..) Na costa de Coromandel, os descendentes dos portugueses são geralmente conhecidos como "Topasses", eram católicos e falavam o creole português. Com a chegada do domínio inglês na Índia, eles começaram a falar a língua inglesa em lugar do português e também alglicizaram seus nomes. Atualmente fazem parte da comunidade aurasiana. Em Negapatam, em 1883, ainda existiam 20 famílias que falavam o indo-português. (Schuchardt, Dalgado)

DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:

Solor & Adonara, Indonésia: Solor, Adonara (Vure)

Ilha de Java -Batávia, Indonésia: (comunidade holandesa de Batávia, Mardijkers) Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malacca, Bengal, Coromandel, Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Eles falavam uma espécie de creole-português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa da Batávia. Depois da conquista holandesa de Malacca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673, foi construída uma igreja protestante, para a comunidade portuguesa na Batávia e depois, no século XVII, uma segunda igreja foi construída. Em 1713, esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. <> Até 1750, o português foi a primeira língua na Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a comunidade portuguesa foi incorporada pela comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas da Batávia, a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.

Mangalore, Índia: Mangalore.

Cannanore, Índia: Cannanore.

Bengala, Índia-Bangladesh: (Balasore, Pipli, Chandernagore, Chittagong, Midnapore, Hugli……) A língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a "lingua franca" em Bengala. Depois de 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e protestantes) de Calcutá. No início do século XX, apenas umas poucas famílias falavam uma forma corrompida de português misturadas com muitas palavras da língua inglesa. (Campos)

Moluccas, Indonésia: (Ternate, Ambon, Banda, Makasar) TERNATENO, um creole Português que foi falado nas ilhas de Ternate e West Halmahera, atualmente está extinto. AMBON, aqui o português sobrevive na língua actualmente falada o Malayu-Ambom, o que contem cerca de 350 termos de origem portuguesa.

Nas costas da Índia, existiam cerca de 44 comunidades onde o português era falado.

BIBLIOGRAFIA:

- Abdurachman, Paramita Rahayu "Some portuguese loanwords in the vocabulary of speakers of Ambonese Malay in christian villages of Central Moluccas"
17 pp. LIPI, 1972, Jakarta, Indonesia.
- Clancy, Clements "The genesis of a language: the formation and development of Korlai Portuguese"
XII, 281 pp. maps, Creole language library vol.16, Benjamins, 1996, Amsterdam and Philadelphia.
- Dalgado, S. R. "Estudos sobre os Crioulos Indo-Portugueses"
187 pp. Comissao Nacional para as Comemoraçoes dos Descobrimentos Portugueses 1998 Lisboa, Portugal.
Dialecto Indo-Portugues de Goa; Dialecto Indo-Portugues de Damao; Dialecto Indo-Portugues do Norte; Dialecto Indo-Portugues de Negapatao; Berço duma cantga em Indo-Portugues.
The latest edition of the interesting study of Sebastiao Rodolfo Delgado on the Creole languages of Goa, Damao, Negapatam and the Northern Province of India.
- Dalgado, Sebastião Rudolfo "Dialecto Indo-Português de Ceilão"
301p. (Cadernos Ásia) CNCDP, 1998, Lisboa, Portugal.
- Daus, Ronald "Portuguese Eurasian communities in Southeast Asia"
83 pp. Institute of Southeast Asian, 1989, Singapore.
The Portuguese Eurasian communities in Malacca, Tugu, Larantuka and Singapore.
- Goonatilleka, M.H. "A Portuguese Creole in Sri Lanka: A Brief Socio-Linguistic Survey"
In: SOUZA, Teotónio R. de (ed.) "Indo-Portuguese History. Old Issues, New Questions (3 th ISIPH )"
pp. 147-180 Concept, 1985, New Delhi, India.
- Hettiarachchi, A. S. "Influence of Portuguese on the Sinhalese Language"
JCBRAS Vol. IX, 1965, pp. 229-238
- Jackson, Kenneth David "Sing without a shame:oral traditions in Indo-Portuguese creole verse: with transcription and analysis of a nineteenth-century manuscript of Ceylon Portuguese Creole"
XXVII, 257 pp. Creole Language Library, Benjamins, 1990, Amsterdam and Philadelphia.
- Lopes, David "A Expansão da Língua Portuguesa no Oriente durante os Séculos XVI, XVII e XVIII"
265 pp. Portucalense Editora, 1969, Porto, Portugal.
- Matos, Luís de "O português, língua franca no Oriente"
In: "Colóquios sobre as províncias do Oriente" Vol. 2 Junta de Investigações do Ultramar, 1968, Lisboa. - pp. 11-23
(Estudos de Ciências Políticas e Sociais ; 81)
- Silva Jayasuriya, Shihan de "Indo Portuguese of Ceylon: a contact language"
188 pp. Athena Publications, 2001, London, UK.
- Silva Rego, Padre Antonio da "Dialecto Portugues de Malaca e outros escritos"
304 pp. (Cadernos Ásia) CNCDP, 1998, Lisboa, Portugal.
Dialecto Portugues de Malaca; A Comunidade Luso-Malaia de Malaca e Singapura; A cultura Portuguesa na Malaia e em Singapura.
- Teixeira, Pe. Manuel "The Influence of Portuguese on the Malay Language"
In: "Journal of the Malayan Branch of the Royal Asiatic Society", 1962, vol. XXXV (Pt. 1).
- Theban, Laurentiu "Situaçao e perspectivas do português e dos crioulos de origem portuguesa na India e no Sri-Lanka"
In: "Actas do Congresso sobre a situaçao da lingua Portuguesa no Mundo" vol. 1 pp. 269-285 Imprensa National, 1985, Lisboa, Portugal.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Nossa Língua Portuguesa...!

Introdução à conferência “A Língua Portuguesa como
factor de integração e formação da Nação Lusíada ”,
proferida na XXII Convenção Internacional de ELOS, 1999.


É sumamente prazeroso discorrer sobre uma língua falada por cerca de duzentos milhões de pessoas em todo o mundo. Língua nascida no velho Lácio e cultivada, trabalhada, burilada e defendida ― ao longo dos séculos ― por luminares da cultura lusíada como Camões, Alexandre Herculano, Eça de Queiroz, Guerra Junqueiro, Padre Antônio Vieira, Machado de Assis, Olavo Bilac, Castro Alves, Fernando Pessoa e o Nobel José Saramago, entre tantíssimos outros.

Assim, atendendo ao honroso convite do (então) Presidente de Elos Internacional Máximo Donoso, preparei um singelo texto sobre NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA, como falada nos dias actuais. Mas, como no global world, assim como neste nosso happening, “time is money”, redigi apenas um short speech.

A propósito, pouco antes deste morning meeting ― logo após o breakfast ― fui abordado por um repórter, logo ali entre o hall e o living. Veio pedir meu script para inseri-lo em seu house organ. Na realidade, trata-se de interessante newsletter, cujo mailing list é tremendamente “in”, incluindo shopping centers, head offices, commercial boards e business points.
Respondi-lhe que tudo estava no press release, distribuído por e-mail, e disponível no site da internet. Como ele comanda um talk show, insistiu em obter uma interview ou, ao menos, uns flashes.
Disse-lhe “OK”, eu o atenderia junto ao staff da mass media, no coffee-break ou durante a happy hour. Chamei então o boy e pedi-lhe que avisasse o public relations e o barman de que usaríamos a sala Vip, ao lado do night club, perto do play ground. O ambiente deveria ser light, com appetizers, sandwiches, soft drinks e scotch ― tudo self service ― aproveitando tanto o layout como o merchandising do show room, com música de DJ , jazz band e um big crooner.
Quanto ao meu paper, como não tem copyright, pode ser reproduzido ― sem royalties ― por fax, por xerox ou pela media...

“At last but not at least”, admito que este starting point, este beginning, pode soar algo forçado e snob, merecendo até figurar no Guiness Book por seu record de English words. Retrata, porém, com soft jockes, no american style, nossa permissividade diante da contínua e avassaladora invasão de termos alheios às nossas raízes, estranhos à nossa tradição e avessos à nossa cultura latino-lusíada. Não se trata de xenofobia cega: não como negar a existência de vocábulos estrangeiros ― principalmente em áreas técnicas ― absolutamente indispensáveis e intraduzíveis.

Ao uso destes, somente, deveríamos nos restringir.

Não seria o caso de se adoptar o mesmo princípio do intercâmbio comercial, em que leis específicas protegem o produto nacional contra a importação de similar estrangeiro?

Haveria, assim, a convivência harmónica e salutar entre os termos alienígenas e os vernaculares. Que diremos, pois, em conclusão:
― Adeus aos estrangeirismos supérfluos?
ou
― Bye bye à Língua Portuguesa castiça?

João Baptista de Oliveira
Consultor Empresarial e Educacional, Advogado, Jornalista e Escritor
Governador 1997-99 do D2 de Elos Internacional
www.jboliveira.com.br
26/4/2010
in, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Nota do editor: Editamos este textinho de fina ironia também porque "I got a feeling"... que anda por aí alguém de muita responsabilidade com um sentido de modernidade muito duvidoso.