De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A crise no Darfur permanece com os seus contornos de catástrofe anunciada. Milhares de mulheres, crianças e velhos, indefesos, estão à mercê de bandos armados sob as ordens e os interesses de chefes tribais islamizados que actuam com o beneplácito do governo de Cartum que teima em conduzir uma guerra civil sobre as minorias cristãs e animistas do sul daquele país, onde a organização do estado já não existe e o território está disponível para ser controlado pelos grupos mais indizíveis. 

Eu só temo que as crueldades que esperam aquelas multidões dos sem esperança que vivem cativas nos campos de refugiados, sejam o prenúncio de outras muito mais horríveis que, a partir daquelas terras de ninguém, podem cair sobre as sociedades em que vivemos. 


Paira o espectro do totalitarismo sobre o mundo e tem a forma de uma combinação entre o crime organizado e o terrorismo apocalíptico. 


Das lutas sociais dos tempos que se avizinham decidir-se-á se o mundo do trabalho virá a conhecer de novo a servidão ou não. 
A verdade é que há grupos económicos e financeiros com mais poder de reunião e mobilização de recursos que muitos estados independentes e nada há no presente que nos permita dizer que aqueles jamais se poderão constituir em novos modos de senhorios sobre as coisas e os homens. 

Por toda a parte, o estado de direito está sob fogo cerrado, quer por iniciativa de lóbis financeiros e económicos, quer sob o mando de sindicatos mafiosos ou do integrismo violento de certas facções que se reivindicam do Islão, como a Al-Qaeda. 

No século vinte e um, voltaremos a morrer pela defesa das sociedades livres. 



E o PS lá vai dando o constrangedor espectáculo de um partido deixado à conquista de uma clientela que para além de zelar pelos seus próprios bolsos e barrigas, estão sujeitas às esconsas obediências que provocaram o pior legado do guterrismo. 

Sócrates fala como se fosse o novo secretário-geral do Partido e é assim que a comunicação social o trata. 
E João Soares e Manuel Alegre, os outros dois candidatos ao cargo, são tratados como se mais não fossem que os animadores de umas eleições que, para serem levadas a sério, têm que ter sempre alguma concorrência. 

E depois todos vendem peixe; com a honrosa excepção de Manuel Alegre que disse ser necessário criarem-se mecanismos que descriminem positivamente as empresas que tenham comportamentos socialmente úteis, ideias sensatas e exequíveis é coisa que não há. 


Pois se é com esta gente que se pretende defender e fortificar o estado de direito entre nós, melhor será começar a pensarmos no exílio. 



A pardaloca lá regressou, sempre bem disposta e luminosa, um bocadinho cansada, como é natural, mas cheia de coisas para contar. 


Está tão bonita esta minha filha. 


“-Ó mãe, eu já fiz todos os exercícios que estavam por fazer no livro de Matemática.” –Comunicou ela, sem que alguém lhe tivesse perguntado o que quer que fosse a essa respeito. 


Belos dias em casa dos avós maternos, onde teve todo um casarão à disposição das suas brincadeiras e imaginação. 

Para além dos passeios a Valpedre e as tardes com o primo Daniel e as primas mais velhas. 

Mas também ela tinha saudades e deu para ver isso no sorriso com que entrou em casa e o brilho dos olhinhos com que nos disse a satisfação que lhe ia na alma. 


Eu amo tanto este pardalito. 



Também os meus cunhados e o filho estão bem. 
A Fátima está grávida mas, graças a Deus, está tudo a correr bem. 


E hoje, na companhia da Margarida, foram passear para o jardim zoológico. 



E agora já temos um quarto de visitas para os receber, ainda que desta vez tenham sido os miúdos que ali dormiram por cedência do quarto das miúdas aos tios. 



Francis Obikwelo, um imigrante nigeriano que aqui conseguiu a carreira de atleta e que, na sequência disso, optou pela nacionalidade portuguesa, conseguiu a proeza de bater o recorde europeu dos cem metros livres e de obter a medalha de prata olímpica para o nosso atletismo que assim, pela primeira vez e sem qualquer trabalho nesse sentido, se viu relegado para os lugares de destaque numa prova em que jamais um português passara das eliminatórias ao nível das grandes competições internacionais. 

E ontem foi a vez de um compatriota conseguir o terceiro lugar no pódio dos mil e quinhentos metros. 



Está na hora de ir para a cama. 


 Alhos Vedros 
  26/08/2004

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

REAL... IRREAL... SURREAL... (386)


Museu Coleção Berardo
Tom Wesselmann, Great American Nude, 1963
Acrílico, tecido e papel impresso sobre contraplacado
152.3 x 121.9 x 4 cm


Nascimento a 23 de Fevereiro de 1931, Cincinnati
Morte a 17 de Dezembro de 2004, Nova Iorque

Nesta pintura de Tom Wesselmann, o lençol branco em baixo, sobre o qual se estende o nu, é um tecido colado (diz o pintor que prefere utilizar estes materiais, pois sente-se incapaz de os pintar). As duas personagens segurando cocktails resultam da ampliação de uma fotografia colada na tela. Não são identificadas, mas refletem a imagem transmitida pela sociedade americana. A homenagem a Henri Matisse expressa-se não só na odalisca, o grande nu, mas também na reprodução do quadro no canto superior esquerdo. Trata-se da pintura intitulada Deux jeunes filles, robe écossaise robe jaune [Duas jovens, vestido escocês vestido amarelo] de 1941 (Musée Matisse, Le Cateau-Cambrésis) no qual figuram também os dois retratos de cada lado do grupo central. À direita, um cortinado vermelho bordado de branco deixa entrever a paisagem de um parque emprestada de um quadro antigo. Percebe-se aí o detalhe de um Claude Monet no início de carreira, de um Frédéric Bazille ou de um impressionista americano como William Merritt Chase, mas não foi possível identificar a obra. A mesinha ao fundo, a mesa negra atrás do nu, a poltrona, o vaso de flores ou os frutos tratados de um modo liso, impessoal, participam na ambiguidade da cena. O pintor explica, a propósito da sua série Great American Nudes, ter «renunciado desde o início a dar-lhes um rosto […]. Quis, de facto, que uma espécie de movimento fluísse através do quadro e certas coisas, por exemplo, excesso de detalhes poderiam refrear esse movimento». Cada quadro comporta uma referência aos Estados Unidos da América, como retratos de George Washington, de Abraham Lincoln ou fragmentos da bandeira nacional, neste caso as estrelas à direita.
AC

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Dar Voz ao Silêncio



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Dar Voz ao Silêncio 
(Música de Palavras / Libreto) 

Uma viagem através da criação poética, feita entre um Carnaval e um Domingo de Páscoa, com Quaresma e Semana Santa pelo meio, ano de 2018. Entre a farra e a alegria da festividade humana, pagã, e o dia da ressurreição, cristã.

Antes de mais dizer que um libreto, segundo a Wikipedia, do italiano libretto, é o texto usado numa peça musical do tipo ópera, opereta, musical, oratório e cantata e, cujo plural, libretti significa literalmente livrinho. Ele inclui tanto as palavras das partes cantadas quanto das faladas.

Este livrinho é dedicado ao nosso planeta Terra, o planeta azul, que nos dias que correm anda demasiado cheio de lixos e fumos vários, embora seja grande a sua autocapacidade de regeneração para lá das manias antropocêntricas de alguns.

Fazendo minhas as palavras do meu amigo José Batista, "Gaia", a Terra mãe, de onde nós humanidade "saímos" de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima "película" superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a preservação da Natureza depende da nossa ação quotidiana. Boa Viagem. Bons ventos de navegar. É esta a hora.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

AMANHÃ REGRESSA A MATILDE

Livros Escolares da Matilde, IV O livro do Estudo do Meio da autoria de (1) 



E a Matoldas chega amanhã com a tia Fátima, o Quim e o Daniel que estão de férias e vêm passar estes dias connosco. 



A Luísa sugere que visitemos as festas de Campo Maior, no fim-de-semana. 



Mas eu estou cheio de saudades do pardalito. 


 Alhos Vedros 
  24/08/2004


NOTA

(1) O manuscrito ficou assim mesmo; por qualquer motivo esta ficha do livro de Estudo do Meio ficou por fazer.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

REAL... IRREAL... SURREAL ... (385)



 Ilustrador Curt Swan

Nascimento: 17 de fevereiro de 1920, Minneapolis, Minnesota, EUA
Falecimento: 17 de junho de 1996, Wilton, Connecticut, EUA

Curt Swan foi um desenhista de história em quadrinhos norte-americano, mais conhecido por seu trabalho nas revistas do Superman. Convocado pelo Exército dos Estados Unidos em 1940, ele passou a Segunda Guerra Mundial trabalhando na publicação Stars and Stripes.

Prêmios: Will Eisner Award Hall of Fame, Inkpot Award

in Wikipédia

Selecção de António Tapadinhas

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Relembrando os 114 anos do nascimento do Professor Agostinho da Silva




QUADRAS SELECIONADAS DE AGOSTINHO DA SILVA

Do que vos dou bem duvido
de que seja a conta certa
se faltar é só dizer
se sobrar é mesmo oferta

De sermos tudo o que somos
quanta gente aí se acanha
mas se fizemos Brasil
foi por ciência e por manha

Mais que tudo quero ter
pé bem firme em leve dança
com todo o saber de adulto
todo o brincar de criança

Nunca voltemos atrás
tudo passou se passou
livres amemos o tempo
que ainda não começou

Dará Portugal ao mundo
em céu de amor e de espanto
seu Império do Divino
divino Espírito Santo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A BATALHA #287 - jan-fev. 2020

  • Capa de Gonçalo Duarte
     
  • A rasgar: A política identitária portuguesa afinal não gosta assim tanto dela própria (ou: em defesa dos empata-fodas)
    [António da Cruz]
     
  • Mixing & Jana [episódio 69]
     
  • Em Peruíbe cultiva-se a resistência
    [Mário Rui]
     
  • Populismo
    [Zé Povinho + Matilde Feitor]
     
  • Este mundo é uma distopia
    [P.]
     
  • Melhor os mortos do que uma mudança
    [Centro Studi Libertari / Archivio G. Pinelli + Gianluca Costantini]
     
  • Retratos à la minuta. Eugène Delacroix, La Barque de Dante
    [Emanuel Cameira]
     
  • "A partir de agora, é uma questão de facto. O mundo está prestes a transformar-se num único e enorme supermercado"
    [Russo]
     
  • Aos olhos da amnésia
    [Nuno Martins]
     
  • Vienet
    [Manuel Figueiredo]
     
  • Entrevista inédita a Emídio Santana
    [Manuel Henrique Figueira e Maria Teresa Figueiredo]
     
  • O movimento revolucionário de 18 de Janeiro de 1934 em Leiria
    [Hermínio de Freitas Nunes]
     
  • O Estandarte e A Batalha
    [Téofilo Braga]
     
  • O Partido Comunista do Brasil de 1919: uma iniciativa libertária
    [Alexandre Samis]
     
  • O fim do capitalismo
    [Estrela Decadente]
     
  • Mulheres anarquistas na "transição espanhola"
    [Laura Vicente + João Carola]
     
  • À lupa
    [recensões a 4-track solo demos (1995-1999); ABC d'une Bête; BTTM FDRS; Cat in a Bag; Em Açúcar de Melancia; Fogueteiro Azeitão; Mundo Real Poético; O Hábito faz o Monstro #18; Passe Social; Pull; QorosQorus; Selva!!!; They just sit about; Trente Ans de Cavale, ma vie de punk; Ventos Borrascosos]
     
  • Lobsang Rampa
    [Walt Thisney + 40 Ladrões]
     
  • Centro Anarquista Português de Artes Modestas
    [Marcos Farrajota]
A Batalha está à venda na Tortuga, Letra Livre, A Banca 31, Barata, Frenesi Livros (Anchieta ao sábado de manhã), Distopia, Leituria, Linha de Sombra, Papelaria Sampaio, Papelaria da Estação do Rossio, RDA69, Sirigaita, Snob, Tigre de Papel, Zaratan - Arte Contemporânea, ZDB, nos quiosques junto ao Largo do Rato, na Rua Alexandre Herculano, na Calçada do Combro, na Rua Camilo Castelo Branco e no Largo do Chiado (Lisboa), no Centro de Cultura Libertária (Almada), no Gato Vadio, na Utopia e na UNICEPE (Porto), na Uni Verso (Setúbal), na Fonte de Letras (Évora), na Centésima Página (Braga), na Traga-Mundos (Vila Real) e no quiosque da Estação de Camionagem (Bragança).


As condições de assinatura de A Batalha são as seguintes: 
Portugal: 6 nºs: 9,00€ / 12 nºs: 17,00€
Europa: 6 nºs: 16,00€ / 12 nºs: 31,00€
Extra-Europa: 6 nºs: 17,00€ / 12 nºs: 33,00€
O pagamento poderá ser efectuado para o NIB do CEL:
0033 0000 0001 0595 5845 9.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Fim-de-semana de repouso, com jornais e Llosa, tal e qual estava a precisar para me recompor do esforço laboral que ainda tenho por necessário nos próximos dias. 
Não terei dormido tanto quanto desejava, uma vez que cedo nos erguemos da cama para gozarmos a praia de Sesimbra. Mas é o que eu chamo o mistério do mar, para o qual basta-me olhar e deixar que o espírito aí se perca, para sentir um renovar de energias no corpo e na alma que nesta ocasião me serão úteis para as refregas que aí vêm. 


E hoje à tarde deixei-me ficar na companhia da maratona feminina com os King Crimson como som de fundo. 

Impressionante foi a prova da maratonista japonesa que chegou em primeiro lugar que, por volta do vigésimo quinto quilómetro, impôs um andamento a que ninguém resistiu e que depois soube dosear sozinha a consagração da entrada no antigo estádio olímpico – em que já dei uma volta completa à pista, em passeio, é bom de ver – e vencer a corrida com todo o brilhantismo da alegria sobrepondo-se à máscara do esforço no momento de cortar a meta de braços abertos. 

Igualmente a queniana que ficou em segundo lugar protagonizou uma prova espectacular, com uma recuperação empolgante que deixou a concorrência para trás e lhe permitiu assegurar a medalha de prata. 

Lamento não ter fixado o nome destas atletas mas ambas as prestações me entusiasmaram. O recorde olímpico da maratona masculina pertence a Carlos Lopes, com duas horas, nove minutos e vinte e um segundos, desde as olimpíadas de Los Angeles em oitenta e quatro do século passado. 

Se resistir a estes jogos, ultrapassará assim as duas décadas. 

Até ao momento, este é ainda o maior feito do desporto nacional. 


E é o que põe a nu a ditadura que o mundo da bola exerce sobre a sociedade portuguesa. 


Quando os defensores do euro dois mil e quatro apresentaram todas as suas razões que nada tinham a ver com os aspectos desportivos, propriamente ditos e chegaram à demagogia extrema que, para mim, se confundiu com a vigarice, de alegarem que o evento teria potencialidades para polarizar a retoma económica – isto não é uma anedota – estavam precisamente a esconder o facto de o universo que orbita em torno do futebol sugar ao erário público muito mais do que devia e até do que é moralmente aceitável. 

Com efeito, se pretendíamos projectar a imagem do país no estrangeiro, como não tenho dúvida alguma em aceitar que se conseguiu com o europeu de futebol, mas se o desiderato era esse teríamos tido muito mais retorno se tivéssemos concentrado os recursos para uma organização olímpica que poderia ter sido planeada de maneira a dotar o país com infra-estruturas desportivas – e não só de um tipo de desporto, em particular – que posteriormente poderiam ser aproveitadas para funcionarem como polos de desenvolvimento neste âmbito específico das actividades humanas, nomeadamente e em primeiríssimo lugar no referente ao desporto escolar que não existe entre nós. Como facilmente é entendível, um tal evento tem uma audiência televisiva e uma cobertura mediática muito maior que o euro dois mil e quatro jamais poderia aspirar a conseguir. 
E depois um estádio olímpico seria muito mais fácil de manter e animar de modo lucrativo do que os dez que o estado pagou, o mesmo é dizer que os nossos dinheirinhos de cidadãos contribuintes pagaram para, a permanecerem as coisas como estão, ficarem às moscas e a reclamarem mais apoios públicos para que não se degradem com uma rapidez que, de todo, seria desaconselhável. 

Mas a verdade é que no meio de todo o generoso pacote que o país pagou, ninguém repara que ao Futebol Clube do Porto foi oferecido um centro de estágio pela Câmara de Gaia e todo um complexo desportivo nas Antas, onde fizeram o estádio do dragão e todas as acessibilidades, para além das negociatas dos terrenos e construção em que até o amigo Pôncios Monteiro aparece como empresário promotor. 


Enfim, é isto o mais triste exemplo do planeamento estratégico para o desenvolvimento desta triste sociedade. 



A Margarida começa a acusar o nervosismo pelo aproximar do começo do novo ano lectivo e a mudança de escola. 
Ultimamente tem feito perguntas sobre os horários e a turma e as indicações quanto ao primeiro dia de aulas que revelam uma agitação própria de quem se sente inquieta com o recomeço do ano escolar e o início de um novo ciclo. 


Vamos estar atentos nos próximos dias. 



E agora o sono, mas ainda antes lerei uma página de Llosa dos primeiros tempos cheios de exuberância. 


 Alhos Vedros 
 22/08/2004

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

REAL... IRREAL... SURREAL... (384)


The Kiss, Francesco Hayez, 1859
Óleo sobre Tela, 112 x 88 cm

Nasceu em Veneza a 10 de Fevereiro de 1791 e faleceu em Milão a 12 de fevereiro de 1882. Foi um pintor italiano, considerado o máximo expoente do romanticismo histórico.  Originário de uma família humilde, o pai, Giovanni, era de origem francesa, enquanto a sua mãe, Chiara Torcella, era natural de Murano.

Já de pequeno mostrou predisposição pelo desenho, por isso seu tio confiou a um restaurador para que lhe ensinasse o ofício. Posteriormente foi discípulo do pintor Francisco Magiotto, com quem permaneceu durante três anos. Fez o seu primeiro curso de nu artístico em 1803 e em 1806 foi admitido nos cursos de pintura da Nova Academia de Belas Artes, onde foi discípulo de Theodore Matteini.

Em 1809 ganhou um concurso da Academia de Veneza para ser aluno da Academia de San Luca próxima de Roma. Por isso, mudou-se para a capital italiana onde passou a ser discípulo de Canova que foi seu guia e protector durante os anos que passou em Roma.

Em 1850 foi designado para director da Academia di Brera.


in Wikipedia

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Breves Apontamentos sobre o Budismo


Luís Santos

 O BUDISMO

Depois de atingir o despertar Siddartha Gautama, o Buda, foi exortado pelos deuses a transmitir aos outros a sua sabedoria. Os seus primeiros interlocutores foram 5 ascetas errantes, samanas da floresta, seus companheiros de vida nos primeiros tempos que se seguiram ao abandono do palácio real e da companhia dos seus familiares e súbditos. Esse célebre primeiro discurso ficou conhecido pelo “Sermão de Benares” e iniciou os ciclos de ensinamentos budistas.

Quando se fala em Buda, a palavra mais que uma pessoa designa um estado de consciência. Etimologicamente, a palavra Buda significa:
Bu (realizado) - purificação de todos os obscurecimentos, conceptuais e emocionais;
Da (liberto) - libertação ao nível cognitivo e afetivo, depois de ultrapassados os obscurecimentos.

O atingir de um estado de omnisciência absoluta e relativa, quer dizer, que vê a realidade como ela é, a verdadeira natureza das coisas, tal como as limitações das mentes não libertas.

 AS 4 NOBRES VERDADES

As 4 nobres verdades do Budismo podem resumir-se nos seguintes passos:
1. Constatação do sofrimento
2. O sofrimento provém do desejo, da avidez
3. É possível cessar o sofrimento
4. Há um caminho para cessar o sofrimento

O sofrimento é o ponto de partida do budismo.
A causa de todo o tipo de sofrimento é a ignorância, por não se conseguir apreender a verdadeira realidade das coisas.

Há um desejo, uma avidez, que nos guinda constantemente a uma necessidade de saciamento (por natureza insaciável) e que está em relação com a nossa herança kármica. É esta inquietação fundamental que mesmo em silêncio nos pressiona. É o desejo de continuar a ser, de preservar uma identidade, que nos guinda a sucessivas existências…

A cura é não só possível, como desejável. As causas são internas e é possível removê-las. Há um caminho. Alguma coisa que está livre de tudo isto e que nos permite a libertação.

 O MÉTODO DO “ZAZEN”

“Zazen”, etimologicamente decompõe-se em “za” que significa “sentar-se” e em “zen” que significa “pôr o espírito em repouso, concentrar o espírito e a mente”.

Ou seja, em síntese, o zazen, é uma técnica meditativa que se faz sentado. Mas, então, como se sentar? Podemos sentar-se na posição de lótus, ou mais fácil para iniciados, na postura do meio lótus, perna esquerda no chão, pé direito sobre a coxa esquerda. Os joelhos devem tocar o solo. A coluna vertebral estará bem direita a partir da curvatura da região lombar. Os ombros caem naturalmente e o ventre estará completamente descontraído. A mão esquerda palma para cima repousa na mão direita e os polegares têm um contacto entre si nas extremidades. As mãos devem tocar o ventre. Olhos abertos. Olhar pousado a um metro do local onde estamos sentados. Inspiração viva profunda, expiração lenta, profunda, poderosa. Esta uma das formas possíveis de praticar a meditação.

A prática do zazen é, simplesmente, o regresso a nós mesmos, a junção com o Eu absoluto. O zen é a própria realidade. Se o nosso espírito está vazio, então surge a verdadeira intuição que está para além da negação e da afirmação. Pelo zazen podemos voltar ao espírito puro. Mas atenção, zazen não é um estado passivo, uma paragem do cérebro, pelo contrário, é uma outra forma de atividade. Do mesmo modo se pode dizer da ideia budista de vacuidade que não é um sentido do nada, mas uma totalidade, uma liberdade universal.

 REENCARNAÇÃO

É um dos ensinamentos fundamentais do budismo. O espírito humano pode elevar-se até a um “espírito subtil” ou “consciência subtil”. Esta consciência existe independente do corpo e do cérebro. É o espírito subtil que reencarna. Seguindo o Dalai Lama, a reencarnação (que é uma escolha) está ligada a um certo nível da vida do espírito. Se este espírito for desenvolvido pode escolher o seu próprio destino. É então um passo para a libertação, para uma possível melhora. Sem esta escolha o renascimento é uma queda no samsara. A reencarnação pode ocorrer num outro planeta, numa outra galáxia. Os estados nobres do espírito podem estender-se até ao infinito.

 TRANSFERÊNCIA DA CONSCIÊNCIA E GRANDE LIBERTAÇÃO PELA ESCUTA

Quando os sinais ocorrem indicando que a morte se aproxima devemos prepararmo-nos para a transferência da consciência e refletirmos sobre os ensinamentos da Libertação pela Escuta nos Estados Intermediários.

Quanto à transferência da consciência há um exercício que deve ser treinado:
Devemos tapar todos os orifícios começando pelo reto, da procriação, umbigo, boca, narinas, olhos e ouvidos. No cimo da cabeça devemos visualizar a fontanela, depois visualizar também o canal central, no meio do corpo, direito e ereto – na sua extremidade inferior, abaixo do umbigo devemos visualizar um ponto seminal branco e brilhante, o qual constitui a essência da consciência desperta, pulsando continuamente e à beira de ascender. A força vital vai movê-lo ascensionalmente, até ao umbigo, depois coração, depois garganta, depois o espaço entre as sobrancelhas e, por fim, vai até à fontanela, após o que devemos visualizar que ele gira de novo para baixo e vem repousar abaixo do umbigo como uma difusão branca. Há que permanecer neste estado durante algum tempo.

Diz-se que obteremos a libertação se a consciência sair pela fontanela da coroa. Os lugares mais importantes do corpo para uma transferência da consciência depois da fontanela são os olhos e a narina esquerda.

Quanto à Grande Libertação pela Escuta, quando uma pessoa se aproxima da morte é habitual procurar-se um lama qualificado que deve iniciar as recitações de introdução ao estado intermediário.

Após a respiração haver cessado, a energia vital é absorvida no canal da sabedoria primordial e a consciência emerge como uma radiância interior. O defunto pode ouvir tudo o que se passa à sua volta, mas os outros não o podem ver. Assim, ele pode ir-se embora. Neste momento surgem três fenómenos: sons, luzes e raios de luz, o que pode provocar medo ou pasmo. Assim, durante este período deve ser lida a Grande Introdução ao Estado Intermediário da Realidade.

Terminaremos com um pequeno excerto da leitura a ser realizada:
“Ó Filho da Natureza de Buda, quando a tua mente e corpo se separarem, surgirão as puras (e luminosas) aparições da própria realidade: subtis e claras, radiantes e deslumbrantes, naturalmente brilhantes e terríveis, tremeluzindo como uma miragem numa planície no Verão. Não as temas! Não fiques horrorizado! Não estejas aterrado! Elas são as luminosidades naturais da tua própria realidade verdadeira. Reconhece-as portanto.” O corpo agora que tens chama-se um “corpo mental”. Tu, agora, estás para além da morte. Isto é o estado intermediário. Se não reconheceres os sons, as luzes e os raios de luz, continuarás a vaguear dentro dos ciclos da existência.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Mais Um Poema...


“Egocêntrica Energia Espirito Da Eterna Vida Fluida Advinda Dos Confins Cósmicos”

A energia espirito trouxe-me consigo dos confins do Universo
Implantou-me no gérmen das imortais sementes da Vida
Semeou-me ao acaso por todo o lado no fecundo ocaso

Transformou-me em imensa panóplia de animais e plantas
Insuflou em mim o fluido sequencial da essência Cósmica
Fez de mim uma mera parábola de reencarnações sem fim

Há muito sou uma sequência de transmutações transmórficas
Transformo-me em vento e água e em terra em perfeita simbiose
Em momento algum deixo a sucessão evolutiva do passar do tempo

Alimento-me sempre de sonhos e ilusões materializadas fantásticos
Imagino-me dentro e fora do corpo e de outros aspectos físicos
Embarco e desembarco constantemente em Mundos díspares

Passo de oito a oitenta em um nada que mal se sente ou vê
Decaio em decadência célere à velocidade do som e da luz
Mexo-me e remexo-me quase à vontade no seio da Inteligência

Há quem diga que sou Divino e que todos somos somente um Sêr
Não tenho quaisquer dúvidas por dissipar ou questões a pôr
Coloco-me de frente para o Sol a receber seus raios luminosos

Evaporo-me em ciclos eternos e pingo por toda a Aurora existencial
Formo-me num imenso arco-íris pejado de mil côres espectaculares
O Juízo e a Consciência cobrem e tingem-me de pigmentos a pele natural…

Torno-me desapercebido e abstracto ao facto de ser uma egocêntrica máquina…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 3 de Fevereiro de 2020, em Homenagem aos Místicos, aos Espiritualistas, Filosóficos, Teosóficos e a todos os que buscam a Razão da Vida Existencial e da Fonte de sua Origem, Criação e Disseminação, por todos o quadrantes do Universo Astral Cósmico material e físico e ainda, etérico e espiritual…

“Aos Rosacruzes e à Incomensurável E Infinita Alma Cósmica, Inteligente e Criadora Essência da Vida Existencial Universal…”

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A canícula faz da madrugada
o palco de uma ópera grilada

até onde os ouvidos alcançam.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

REAL... IRREAL... SURREAL... (383)

Auto-retrato Triplo

Norman Rockwell nasceu 3 de Fevereiro de 1894 e morreu a 8 de Novembro de 1978.

Em 1960, Norman Rockwell produziu um dos auto-retratos mais famosos da arte americana. Um homem naturalmente modesto, ele claramente tinha algumas reservas sobre tornar-se sujeito de uma capa. Ele já se havia escondido antes, mas geralmente apenas como uma participação especial, nunca como a figura central.
Ao descrever esse trabalho, Rockwell explicou por que seus óculos parecem opacos. “Eu tive que mostrar que meus óculos estavam embaciados e que na verdade não conseguia ver como eu era - um sujeito caseiro e magro - e, portanto, consegui esticar a verdade um pouco e me pintar com uma aparência mais suave e afável do que na verdade sou.

in The Saturday Evening Post

Selecção de António Tapadinhas





in The Saturday Evening Post

sábado, 1 de fevereiro de 2020

EG #120


ESTUDO GERAL
Jan/fev       2020           Nº120
  
Iluminação é quando uma onda percebe que é o oceano.
Thich Nhat Hanh
  
Sumário
Parabéns
Fotografia
Um poema
Graffitar a Literatura
Conto inédito
Real…Irreal…Surreal
Diarística
Estórias

---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------