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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

14 anos de Estudo Geral

 O Estudo Geral faz hoje, 23 de janeiro de 2024, 14 anos, o que denota uma existência persistente e significativa. Pressupostamente, o mesmo dia em que se assinalam os 500 anos de nascimento de Luís Vaz de Camões. Parabéns aos dois. Não querendo deixar de assinalar a data aqui deixamos uma quadra de Agostinho da Silva, do seu livro Quadras Inéditas, p. 72, Ed. Ulmeiro, que reza assim:


Naquela Ilha dos Amores

que sonhou Camões outrora

só entra e fica liberto

quem lá viva desde agora



Travessa do Abarracamento de Peniche, nº7, frontaria do prédio onde o Professor Agostinho da Silva viveu os últimos anos da sua vida.

Fotografia de Luís Santos


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

                                  
                                  Agostinho da Silva e a "Ilha dos Amores"

                pintura de Hieronymous Bosch


Agostinho da Silva encontra grandes semelhanças entre as ideias de Quinto Império tal como foram definidas pelo Padre António Vieira e por Fernando Pessoa, tal como vê semelhanças entre essas ideias e as de Luís de Camões nos Lusíadas, muito particularmente quando se refere à Ilha dos Amores (Canto IX).
Na viagem capitaneada por Vasco da Gama, quando os portugueses deixam a Índia e empreendem o caminho de regresso, Camões vai assinalar um encontro inesperado que aguardava pelos nautas. Em pleno Índico, por obra divina “aqueles marinheiros portugueses, aquela esquadra de Gama que volta, não trazia nenhuma carta geográfica, nenhum dos pilotos tinha pensado naquela possibilidade e é uma Deusa de fora, é a força interna do mundo, é a máquina interna da História que leva a Ilha dos Amores para diante dos navios portugueses.” (Conversas com Agostinho da Silva, entrevista de Vítor Mendanha, Lisboa, Pergaminho, p.74)
Não foi preciso que os marinheiros fizessem nada. Foi, por assim dizer, o destino, os deuses nas palavras de Camões, que acabaram por fazer esses marinheiros, por serviços prestados, serem premiados com uma realidade transcendental caracterizada pelo Amor que mais do que grandes feitos na Terra acabam por conjugá-la com a perfeição de um mundo divino. “ É um comportamento que se caracteriza por estarem apaixonados por toda a espécie de fenómeno que lhes aparece nessa ilha, sem que possamos ali entrar com os preceitos morais do bem e do mal, do lícito e do ilícito que nós, continuamente, usamos na vida. É como se eles tivessem entrado em alguma coisa na qual tivessem plena licença de serem homens inteiramente livres. São as ninfas, é a comida, é a paisagem, são os passeios, o encanto das conversas, tudo isso há. Portanto, para Camões, um projecto de futuro inclui uma inteira liberdade do homem e um inteiro gosto do homem pela apreciação dos fenómenos.” (idem, 76)
Por consequência da empresa portuguesa que tornou una a terra que o mar separava, acontece no poema de Camões esse fenómeno surpreendente aos nautas lusos, “a Deusa leva os marinheiros portugueses a um monte, para verem, ao longe, a Máquina do Mundo” e “ouvem da Deusa aquilo que será o futuro da História de Portugal.” (idem, 78 e 79) Quer dizer, os marinheiros portugueses são libertos naquela Ilha, da prisão do tempo mas, também dos limites do espaço.
Então, a pergunta inevitável em Agostinho, como podemos nós aceder a essa experiência vivida pelos nossos antepassados marinheiros, entrar nesse “céu aberto na terra” que nos liberte do tempo e do espaço? E a resposta é automática: teremos de suplantar esta organização económica capitalista que se vem desenvolvendo no ocidente desde o renascimento, a que nos conduziu a filosofia, a ciência e a técnica, tal como a organização da escola que lhe é subjacente, e que tão amarrada trás o homem a um mundo de condições insuficientes que lhe permitam caminhar rumo a uma Ilha plena de Amor. É certo que foram, a Filosofia e a Ciência, “bons instrumentos para subirmos, como são os degraus da escada e o corrimão, mas talvez não um patamar em que fiquemos, nem um terraço para contemplarmos o verdadeiro Céu.” (idem, 84)
            Então, é também esta a ideia da “Ilha dos Amores”. Com ela Camões incita-nos a realizar esse Céu na Terra.

Luís Santos

domingo, 24 de outubro de 2010

Filosofia e Saudade

4. Luís Vaz de Camões (1524?-1580)

"Conforme o amor que tiverdes, assim o entendimento dos meus versos."

Em Camões existe uma ambiguidade: Amor a uma mulher que é simultaneamente divina. A mulher é tratada como semidiva. A mulher como mediadora para uma experiência do divino. A mulher como aquilo que do plano divino desce ao plano humano.

Encontra-se também em Camões, um amor mais fino que não quer encontrar o objecto do desejo: o desejado sem consumação é sempre mais perfeito - o amor saudoso.

A Mulher, o Amor e a Saudade são temas em destaque na poesia camoneana.

Luis Santos

(Referência Bibliográfica: Síntese de Apontamentos, Aulas de Filosofia em Portugal, Prof. Paulo Borges, 2009)