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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL...(328)

Moonlight, Washington Allston
Óleo sobre Tela, 63,8 x 90,8 cm


Washington Allston, nasceu em Charleston, USA, a 5 de Novembro de 1779  e faleceu em Cambridge, Inglaterra, a 9 de Julho de 1843.

Considerado o primeiro pintor de paisagens americano, introduziu nos Estados Unidos o movimento artístico denominado romantismo. Aos 21 anos gradua-se pela Universidade de Harvard. Vendeu seu patrimonio para estudar pintura em Londres. Na Academia Real, estudou sob a orientação de Benjamim West. Viajou pela Europa e em sua permanência na Itália ficou conhecido como "Ticiano americano" devido as suas composições cromáticas. Com frequência viajou de um continente para outro. Em uma dessas viagens a Europa, Allston levou um de seus alunos, Samuel F.B.Morse, que mais tarde inventou o telégrafo e o código morse. Sua pintura muitas vezes combinava forma clássica e o romantismo e às vezes lembravam sonhos. Escreveu ensaios que revelavam seus pontos de vista sobre o assunto.

in. Wikipedia


Selecção de António Tapadinhas

segunda-feira, 18 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (309)

Daedalus Attaching Icarus' Wings, Joseph-Marie Vien, 1754
Óleo sobre Tela, 195 x 130 cm


Joseph-Marie Vien, nasceu na cidade de Montpellier, França, a 18 de Junho de 1716 e faleceu a 27 de Março de 1809, em Paris.
Foi o pintor, desenhista e gravurista francês, que ganhou o Prix de Roma em 1743.
Deve a sua admissão na Academia de Paris graças a esta obra, Daedalus e Icarus.
Vien foi um dos primeiros pintores do movimento artístico designado como Neoclassicismo.

Selecção de António Tapadinhas 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (259)

Pessoa - Álvaro de Campos Ode Triunfal

Desenho de Pedro Sousa Pereira


Selecção de António Tapadinhas


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (214)

 

Amanhecer nos Moinhos, Autor, António Tapadinhas
2009, Acrílico sobre Tela, 40x30 cm

É bom estar desperto
Logo que amanhecer
Para que entre a felicidade
Quando à minha porta bater.

António Tapadinhas


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (163)


Pôr-do-Sol nos Moinhos, Autor António Tapadinhas, 2009

Acrílico sobre Tela, 30x40cm

AO CAIR DA NOITE
Juntei leituras adiadas e fiz um resumo dos mares, ainda por navegar. As telas ensinavam-me cores ousadas que teimava em não praticar. A escrita era uma corda frouxa, rasurada entre parágrafos nascidos de acasos. 
Entre os odores de quem passava, respondia aos sorrisos, de simpatias acidentais. A máquina fotográfica, pegava-me na mão em jeito de carícia, ajustava-se e num desafio...gritava um disparo. Nada que me contentasse. O ângulo era uma constante de imperfeição. O alinhamento uma desordem de raciocínio. A cor, apenas ia buscar o clássico de outros tempos, onde a revelação e fixação, eram momentos de silêncio e entrega.
 José Luís Outono
Selecção de António Tapadinhas

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (147)

St. Rémy, Provença,  Ben Nicholson, 1933
Óleo e Lápis s/ Tábua, 105x93 cm

A PERFEITA MOLDURA

Viviam numa moldura imaculadamente guardada num lugar onde todas as outras coisas eram restos sem uso.
Por viverem numa moldura, podiam ver e podiam ser vistos e há quem diga que conseguiam até trocar olhares com as pessoas de fora. Eram tidas como crianças perfeitas e arrancavam sorrisos enternecidos. 
As suas roupas perfeitas pintavam os dias e todos ficavam domingo a parar as horas naquela moldura imaculadamente guardada junto dos restos sem uso.
Sabe-se hoje que as crianças terão ficado ali para sempre.

Os sorrisos, esses duraram apenas uma vida.


Maria Teresa Bondoso

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (117)



Saint- Georges  Majeur, Claude Monet, 1912, 
Óleo sobre Tela, 65x92cm

AZUL NAVY
inspiras agrides
revolto
és amado
por olhares penetrantes
histórias corsários
homens navegantes
sempre com olhar distante
cabo de boa esperança
que se alcança
é o adamastor arrasador
que não acalma
a nossa dor
nuvens cor de prata
dão-te vestes de rei
és liberdade
nesta imensidão
és amor paixão solidão
são solidários
marinheiros
nesta estrada de solitários
és tu azul navy
inspirador
do amor da saudade e da dor
Carlos Fernando Bondoso

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

REAL... IRREAL... SURREAL... (116)

Cargador de Flores, Diego Rivera, 1935
Óleo e Têmpera sobre Masonite, 121x121cm

OS MILITANTES DO POVO
Vêm de longe e perto
lavram do amor o futuro
são o músculo o nervo
o fermento amanhecendo a razão
o estrume fecundo
o homem a caminho do pão
São poetas.Mas se passam
revivem noutra poesia,
falam de guindastes,trigo
de alfaias e d'alegria
que vive no coração
de quem sabe construir
braço a braço,mão a mão
Vêm das obras,dos campos
de oficinas artesãs
vêm da mina mais longa
ou das marés das manhãs
Dum escritório sombrio
ou da lezíria alagada
trazem consigo a poesia
duma terra fecundada
Nos olhos trazem boiando
uma esperança feita à mão
pela certeza bordada
de futuro e de razão
E os que semeiam suor
colherão um fruto novo
que é este o gesto de amor
dos militantes do povo

manuel branco

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (112)

Estás cansada? António Tapadinhas, 1995

Óleo sobre Tela, 36x45cm

Feliz Ano Novo
Pra quê ano novo?
Não posso ficar no que finda
Este que eu quero ainda
Tão bem?

Porque velejar
Novo amor, novo tempo,
Se ainda sinto no rosto
Tão bom o vento?

Que podem me dar
Caminhos do que não sei
Se o chão que eu já pisei
Conheço de cor?

Que sal podem trazer
O correr de novas lágrimas
Se já tenho em minha boca
O sal do teu suor?

Ano novo?
Pra quê?
Que pode me dar que já não tenha,
Se pode me matar num de seus dias
Se posso eu perder a tua senha
E noites ter, como vadias
De medos que não tenho agora?

Segura
Meu amor
Na minha mão.


Ernesto Dias Jr.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (102)

Moinhos de Alburrica e Cerco
Autor: Kira
A Lua Azul me contou

A Lua Azul me contou
Que viu rostos galantes
Que os viu deslumbrantes
Em seu brilho de luz

A Lua Azul me contou
O segredo de amantes
Que iluminou por instantes
No pratear das paixões

A Lua Azul me contou
Que a energia captada
Foi então renovada
E disse aí que chorou

Que seu raio brilhante
Clareou por instante
Esses corpos ardentes
A pulsar corações

A Lua Azul me falou
“Volto logo mês de Maio
Só vou olhar de soslaio
Cada beijo molhado
Cada corpo tocado
Sob a luz dessa noite" 


Walmir Lima

Walmir Lima

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (101)

Sol da Manhã, Edward Hopper, 1952
Óleo sobre Tela, 71,4x101,9 cm


SÓ UM DESABAFO…

Se calhar sou parva… 
Mas não quero uma maldade intencional. Uma que não defende, mas ataca. Uma que não constrói, mas destrói. A maldade dos grandes…
Algumas pessoas andam zangadas.
Algumas pessoas não têm cuidado…
Mas eu
tenho de aprender a compreender. 
Tenho de aprender a amar. 
A amar sem defesas. Construindo… 
A amar como os mais pequenos…
Porque apenas o amor pode matar a maldade. Tenho de aprender que talvez não haja uma maldade intencional. 
Se calhar sou parva…
Mas eu acho que a maldade é só uma zanga a tirar todo o cuidado. 
E se cuidarmos, a zanga zanga-se e foge.
E a maldade também.
Eu não quero andar zangada e tenho que ter cuidado.
Para poder amar de propósito.


Maria Teresa Bondoso

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (92)

Lua Negra, António Tapadinhas, 2007
Óleo sobre Tela, 50x30cm

Sempre achei que o medo da morte, assim como a preocupação com o futuro, não têm sentido: inevitavelmente vão chegar...

António Tapadinhas

segunda-feira, 28 de julho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (90)

Circle of Children, Albery, 1999
Óleo sobre Tela, 76x76cm

IRMÃOS

Eram muitos.
Ao todo seriam treze, não fosse os que estavam para nascer…
Havia neles uma determinação que travava convicções e colocava palavras por dizer na perplexidade dos que com eles se cruzavam.
Eram muitos e traziam uma quietude absurda que se instalava devagar. 
As miúdas mais velhas sorriam, silenciosas. Colocavam as mãos sobre as cabeças dos mais novos e entretinham-lhes a idade. A leveza dos gestos sobrava ao sossego imediato e todos sorriam.
Agora eram treze.
Em breve seriam quinze. Manuela estava grávida de novo. Gémeos.
Naquele dia, estavam apenas oito, com o pai.
«Hoje não conseguimos despachar-nos todos…»

Uma mulher desconhecida notou, baixinho: «Esta gente não tem juízo. Hoje em dia? Não se justifica. Não pensam na vida, coitados!»

As miúdas mais velhas apenas disseram, sorrindo: 
- Qual de nós deixarias por existir?

E a mulher, desconhecida, compreendeu. Tranquilamente.


Maria Teresa Bondoso

segunda-feira, 21 de julho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (89)

Espectadoras, Nuno San-Payo, 1998
Óleo s/ Lona e Platex, 60x90cm
As duas irmãs

Eu nunca soube se o seriam mesmo, nem tampouco se ele, o suposto irmão, seria doutor – olhavam e inclinavam a cabeça. O empregado servia um café à rapariga e elas pagavam. 

As duas mulheres, distintas e caladas, uma um pouco mais atrás do que a outra, pareciam dizer tudo com gestos. À Filomena reservavam um pesado desaprumo e, no caso do Arturzinho, uma inimizade muito aberta colocava-lhes no olhar um claro desprezo acompanhado de um agitar nervoso da mão. Como que a indicar desejarem-no longe...
Depois, havia ainda a Salomé a deixar sempre dois sorrisos incompletos, não fosse o irmão perceber ser aquela a vida que sonhavam. 
Ao António, cujos versos cada uma delas sentia serem-lhe dedicados, concediam um meneio discreto e um olhar cheio de promessas, captado de forma tranquila pela sua mulher, Clara. 
Depois, contavam-se ainda os miúdos da criada, o homem do talho, a mulher do coveiro, o filho da viúva da praça e a rapariga do aparelho nos dentes – que estranha moda, aquela. 
Andavam sempre juntas as irmãs do doutor. O pai, homem distinto, julgara sempre que os outros eram pouco, pelo menos para as suas meninas… e o irmão seguira-lhe as vontades e depois também elas, as mais novas. Aprenderam piano com uma professora russa a quem dispensaram um pouco mais de afeto e com a qual devem ter tido os momentos mais perfeitos da sua vida a sério. A que tinha o costume de andar mais atrás foi a primeira a aprender os acordes e foi também a primeira a morrer, ontem. 

A maluca do café chama-se Filomena. Está sempre no café, ao domingo, e as duas irmãs nunca, até ali, tinham dispensado o momento em que ela, com alguma displicência própria dos tolos, lhes dizia de forma casual, quase sem esperar resposta:
- Olha, podes pagar-me uma bica?

Desta vez, Filomena ficou calada a olhar a rosa, ainda vermelha, sobre o piano do café.


Maria Teresa Bondoso

segunda-feira, 7 de julho de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (87)

O Aprendizado, Reynaldo Fonseca, 2013
Óleo sobre Tela, 80x80cm

SEM PALAVRAS…

O Tomás foi para o 1º ano e ia muito contente por finalmente ter chegado à escola dos crescidos. Antes de sair, disse à mãe e à irmã que gostava muito delas, colocou a mochila às costas e dispôs-se a começar a escola a sério. 

No primeiro dia a professora disse-lhe que agora já não era para brincar e ele ficou muito satisfeito. Afinal, brincar era para os miúdos mais pequenos. Ele agora já era dos grandes.

Na primeira semana, o Tomás descobriu que tinha uma letra muito feia e que não era capaz de estar sentado. A professora, que era muito amiga dele e que lhe apagava as palavras escritas a lápis até ele as fazer como ela lhe tinha dito, viu logo que ele não conseguia ficar sentado quieto e calado e até o propôs para o apoio.

Agora, o Tomás costumava ouvir todos os dias: 
- Nada de brincadeira, menino Tomás! E quero tudo copiado com uma letra mais bonita.
E, às vezes, quando a professora reparava que ele era muito mal comportado, procurava ajudá-lo e ensinava-o a ser mais responsável:
- Já te disse, rapaz, aqui tens de estar sentado. Cala-te! Como é que queres aprender se só queres falar, falar e não ouves o que te digo?

Foi difícil, mas o Tomás acabou por se habituar à escola a sério. E até deixou de precisar do tal apoio. A professora fez um bom trabalho.
Agora, o Tomás até já anda à procura de um emprego. E costuma ouvir todos os dias:
- Terá de entregar o seu currículo escrito a computador, com letra Times New Roman, tamanho 12 e 1,5 de espaçamento.
- Lamentamos, mas procuramos alguém com mais iniciativa e maior rapidez no desempenho da tarefa que lhe propusemos.

Quase sempre, no meio, a vida a contrariar a escola. 

Maria Teresa Bondoso

segunda-feira, 26 de maio de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (81)


Rhapsody in Blue, António Tapadinhas
Óleo sobre Tela, 80x100cm


17 de julio de 2009

Quando comecei a ler-te, lembrei-me do dia de ontem em que fui ver (era o último dia) a exposição, no Centro Cultural de Belém, "Arriscar o Real" ou Arriesgar lo Real", una nueva exposición de la Colección Berardo, para investigar el significado de "hacer figura" en la creación contemporánea.

Também lá, em duas instalações, as paredes altas e brancas estavam vazias e o chão branco sobre branco.

Dois conjuntos de lâmpadas fluorescentes coloridas davam um aspecto surreal àquele espaço imenso, propício a todos os sonhos... ou pesadelos!

Numa parede branca podemos imaginar que está escrito tudo o que quisermos...

Abraço.
António

jorge dijo...

18 de julio de 2009

antonio: Cierto, la pared blanca invita a imaginar.

Y segun como este nuestro animo nuestra imaginacion volara hacia los cielos azultapadinhas o hacia los infiernos negros depresion.

Pero tener la casa vacia, con solo lo imprescindible me parece una buena forma de reconocer una nueva vivienda. Cada lugar "pedira" lo que mejor le va.


Troca de ideias com Jorge Nunez, amigo de Barcelona, professor reformado, que ficou doente e que a partir de uma certa altura, não mais comunicou...
O seu blogue era uma janela aberta para a beleza, o saber e a amizade.
Faz-me falta!

António Tapadinhas 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (78)

Dom Quixote, Autor António Tapadinhas, 2003
Óleo Sobre Tela, 80x100cm

Quixote

Sonhar é pouco
Há que ser louco
Pra conquistar as glórias
Diz o velho poeta cansado e triste

Mil batalhas a enfrentar
Sobre corcéis fogosos pelear
Enfrentar demônios
E dragões
Só para conquistar
Aquele amor sonhado

E Sancho testemunha
Que cada visão
Que louco tenha
Também é seu
Que louco maior o acompanha

Pelos caminhos
Mil moinhos
Relâmpagos e coriscos
Incitam as lutas

Vivo o insano momento
Da busca vã
Do amor perdido

Minha Dulcineia

Louco sim
De amor por ela.


Jorge Lemos

segunda-feira, 21 de abril de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (76)

Dia da Liberdade, Autor António Tapadinhas,2002
Acrílico sobre papel Canson, 400g, 32x41cm
(clique sobre a imagem para aumentar)

O Mestre perguntou:
- Para que serve a Liberdade?
Respondeu a Criança:
- Para dar Amor.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (75)

Baigneuse a Sainte-Adresse, Raoul Dufy, 1930
Óleo sobre Tela, 33x44cm

No Mar, podemos encontrar o imperceptível, tudo o que a nossa imaginação for capaz de criar. Durante anos, passei muitas noites à pesca nas praias, desde o Meco até Sagres, a respirar o ar salsuginoso, revigorando os pulmões e a mente com o sonho de peixes míticos e de sereias verdadeiras.

O invisível acaba, muitas vezes, quando se abrem os olhos...

António Tapadinhas

segunda-feira, 7 de abril de 2014

REAL... IRREAL... SURREAL... (74)

Baixa-mar, Autor António Tapadinhas, 2000
Tinta da China sobre papel Kraft, 100x100cm
Esta peça ganhou a menção honrosa no "Prémio de Desenho Américo Marinho", da Câmara Municipal do Barreiro.

Será que uma imagem vale, mesmo, mais do que mil palavras?