joão ricardo terra
brasil
Este poema (AZULEJO PORTUGUÊS, logo abaixo) ficou por quase 10 anos guardado numa gaveta. É muito estranho olhar para isso hoje em dia, mas à época em que o poema “veio” eu não era lá muito afeito a essa nossa ancestralidade de culturas e pensamentos em língua portuguesa; ainda assim o poema existia, laconicamente, e nem por isso ele era meu, pois se sabe que há casos de o poeta pertencer ao poema.
Por ocasião de um interessante concurso promovido pela imprensa em minha atual cidade (São José do Rio Preto, Brasil), eu o resgatei da gaveta, tentando dar-lhe uma feição que valorizasse o nosso poético idioma (o nosso idioma é sim uma pura música incrível, basta que o ouçamos com sensibilidade e doçura), e, ao fim das contas, entre outras sutilezas, substituí a palavra “milharal”, tão carregada de vivências genuinamente brasileiras, infantis, familiares minhas, por um “olival” repentino, intangível, cuja contemplação até o momento não tive a emoção de realizar, mas cuja imagem me remonta a alguma expressão monumental de queridas gêneses verbais.
Depois brotou uma rima importante com o nome de um país inteiro (aviso aqui: a inicial minúscula que deixo agora não é por desconsideração, é por uma pretensa intimidade), e o singelo e simplório poema acabou sendo gentilmente acolhido no concurso de que antes falava, creio eu que por ressoar uma comunhão de sentimentos idiomáticos muito caros a todos nós que temos não o prazer, mas o verdadeiro privilégio de existirmos em português. Veja então, por favor, como esse azulejo rabiscado de azul, publicado no Diário da Região de 26 de julho de 2009, em São José do Rio Preto, ficou:
AZULEJO PORTUGUÊS
teu vestido ao vento,
o sol dourando o olival
e o súbito azul de uma lembrança:
ficou tudo no azulejo, em portugal
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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sábado, 13 de novembro de 2010
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