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terça-feira, 7 de julho de 2020

QUANDO PORTUGAL DEU O SALTO PARA O MUNDO


Luís Santos


Agora que estamos perto da execução das obras de Requalificação do Cais do Descarregador, em Alhos Vedros, relembramos que por ali, em 1415, se realizaou o Conselho Régio onde estiveram o rei D. João I, com os seus filhos, a famosa Ínclita Geração, onde pontuavam Infante D. Henrique, o Navegador, e D. Duarte futuro rei de Portugal, masi Nuno Álvares Pereira, condestável do reino, entre outros, e foi dado o "tiro de partida" para a incrível obra que constituiu (e ainda constitui) a Expansão Ultramarina Portuguesa. Faz este mês 605 anos.

Poucos anos depois, no final desse século, o alcochetano rei D. Manuel I, assistia à saída da armada de Vasco da Gama, rumo à Índia, ali no Estaleiro da Ribeira das Naus, na Azinheira Velha, hoje Santo André - Barreiro, então concelho de Alhos Vedros. A Ribeira das Naus ou Feitoria da Telha, funcionava em complementaridade com a Ribeira das Naus de Lisboa, sendo a construção dos navios iniciada no verão em Lisboa, e conclída no inversno na Azinheira Velha, por se tratar de um local abrigado.

Menos de um século depois, Afondo de Albuquerque, neto de Gonçalo Lourenço de Gomide, à época o dono de todos "os direitos, rendas e senhorios de Alhos Vedros", tornava-se Governador da Índia, mandato que exerceu entre 15019 e 1515.

Assim, entre 1415 e 1515(!), os episódios que se podem relacionar entre a região e a Expansão Ultramarina são de facto impressionantes. Mas há mais...

Na foto, o lugar do Estaleiro das Naus, na Azinheira Velha, hoje concelho do barreiro.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sobre as origens de Alhos Vedros


postagem de Luís Santos


A propósito de uma troca de palavras no Facebbok sobre as origens de Alhos Vedros:

EU:
Qual o significado de Alhos Vedros?
A sua etimologia não é pacífica. Diretamente do latim dá um nome pouco compreensível: alius=alhos; vetus=velhos - alhos velhos(?). Indo aos latinistas, Agostinho da Silva definiu como Homens Velhos, o ex-Padre de Alhos Vedros, Padre Carlos, definiu em livro seu como Outro Velho (explicitando "outro" como um proprietário de terra"...).
E vós, como a definem?

JOÃO ALMADA SOUSA GASPAR:
alhos e bugalhos

1. "alhos" é a designação de alguns topónimos curiosos, pela confusão que podem criar com o alho das cozinhas. a questão é que essa pretensa etimologia não me convence, dada a ubiquidade da planta em causa.
alius, em latim significa "outro", "alguém que não é dos nossos", "estrangeiro", "de fora de aqui", "de fora parte", "de outro lado", "de outro lugar".
coisa que nem sequer seria de estranhar numa região que sempre conheceu repovoamentos por "gente de fora".
a palavra latina alius//aliunde entronca numa raiz indo-europeia que deu em grego allòs ("outro") e no celta allo (o numeral "dois" e o adjetivo "diferente", "outro", "segundo"). assim, não é de estranhar a presença de topónimos franceses de origem celta como "Col d'Allos, "La Foux d'Allos", "Val d'Allos".

2. mas outra explicação pode ser encontrada no latim alodis, que deu Alleu, Alleux (Fr.) na Toponímia Francesa, e tem sido associado tamém à etimologia de Allos (Fr.): trata-se de uma propriedade, ou "alodio", livre das obrigações da feudalidade, sem encargos nem direitos senhoriais, o que não deixa de ser, na qualidade de excepção a uma regra, uma excelente razão para ter ficado cristalizada sob a forma de topónimo, tal como "Foros". esta explicação contém, no entanto, algumas dificuldades de natureza fonética, pelo menos no nosso idioma.
sendo assim, qual a etimologia mais adequada para topónimos raros, como "Alhos Vedros" e "Sernache dos Alhos"?
os topónimos "Alli", "Allin", "Allo", Alloz" ocorrem em Navarra. e All na Catalunha.
o topónimo "Alhos Vedros", se se tratar de "estrangeiros velhos", de duas uma: ou indica que se trata de "gente que veio de fora antes de outras", ou indica que, na época em que se dizia "vedros" em lugar de "velhos", haveria outro povoado com o nome de "Alhos", menos antigo. e significa também que os "alhos" já eram "velhos" nessa época.
quanto a "Sernache dos Alhos", o cheiro do condimento popular acabou por reduzir o nome para apenas "Sernache".
porém, se a etimologia for alodium, os "estrangeiros" saem de cena, ficando apenas uma realidade rústica medieva do que terá sido uma ou mais que uma "propriedade livre".

EU:
Caro João Gaspar. Muito obrigado pela lição. Das mais completas sobre o tema que li/ouvi até hoje. Relembro que no texto que publiquei fiz alusões a comentários de Professores ilustres como Agostinho da Silva (ainda que breves), ou Padre Carlos Póvoa Alves, o que me parece que enriquece o elogio.

Soa-me bem, porque faz algum sentido, quando diz que "alius, em latim significa "outro", "alguém que não é dos nossos", "estrangeiro", "de fora de aqui", "de fora parte", "de outro lado", "de outro lugar"...

Devo dizer-lhe que não sei em que contexto aparece a designação "Alius Vetus", pois que tenho ideia que, sem certeza alguma, as origens de Alhos Vedros parecem remeter para tempos de início da nacionalidade, ou pelo menos, para um contexto de confronto entre mouros e cristãos. Digo isto porque, nos resultados das pesquisas arqueológicas não existem vestígios de ocupação árabe do território, embora haja quem sustente que a Igreja Matriz terá sido construída em cima de uma mesquita.

A outra definição que também me faz sentido, aproxima-se da que é dada pelo Padre Carlos quando diz que "alliu", em derivação francesa, tem o sentido de outro (proprietário) que não entra nos reguengos (terras do rei), ou de outros domínios senhoriais.

Enfim, não tenho conhecimentos suficientes para mais apurar das suas palavras, mas creio que a sua contribuição já é muito significativa para que outros mais especializados no assunto do que eu, possam dizer também de sua justiça.

ANA MARIA SANTOS:
Luís, também já ouvi essa hipótese de a igreja ter sido construída em cima de uma mesquita. Isso levou-me já a pensar, se Alhos não viria de alguma palavra árabe. Mas não tenho conhecimentos para desenvolver a ideia.

EU:
Um dos mais referenciados historiadores de Alhos Vedros, José Manuel Vargas, a esse propósito só nos dá uma referência que é a existência de uma quinta que se chama Alfeiram e que parece ser palavra proveniente do árabe.

Por outro lado, creio que houve confrontos entre mouros e cristãos em Palmela e existem vestígios árabes por perto. Por isso não seria de admirar que também andassem por aqui, num território onde se encontraram vestígios arqueológicos que datam ao Paleolítico...

A lenda da Nossa Senhora dos Anjos, padroeira de Alhos Vedros, refere um confronto em AV com mouros vindos de Palmela e que, por milagre, foram derrotados pelo povo que estava na igreja, num Domingo de Ramos, e que com os próprios ramos derrotaram os invasores...🙂

Mas falar-se da lenda da Senhora dos Anjos, e que bom hoje começar o dia a falar nela (hoje 13 de maio), é um pouco como falar-se da lenda da igreja ter sido construída em cima de uma mesquita. Vale o que vale.

Por outro lado, a história da Igreja Matriz é um pouco como a história de Alhos Vedros, sabe-se que já existia em 1298, há mais de 700 anos, a partir do registo escrito mais antigo que a refere, mas antes disso não se sabe mais.

Talvez que estudando mais em pormenor a ocupação árabe da península de Setúbal se consigam cruzar alguns acontecimentos com a história de Alhos Vedros e, com as suas desconhecidas origens que seria bom de acrescentar ao que já sabemos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

REGISTO DE MEMÓRIAS



No passado dia 29 de setembro, domingo, o padre Carlos Alves, proferiu a sua última missa como Pároco de Alhos Vedros.
Com a Igreja Matriz repleta de gente, e na presença do bispo de Setúbal e de vários sacerdotes, o padre Carlos fez uma intervenção no final da missa, fazendo uma referência aos momentos vividos ao longo de cinquenta anos aqui na Paróquia de Alhos Vedros. De forma simples e humilde, agradeceu manifestando o orgulho pela obra social que aqui foi construindo. 
Nesta hora de despedida, não poderá ser esquecida a sua dedicação á história local, à investigação e pesquisa que realizou, tendo editado os “Contributos para a História Local”, que constituíram uma referência para uma melhor conhecimento e divulgação da história de Alhos Vedros.
Mas, nesta mensagem de despedida o padre Carlos não deixou de fazer referência à sua prisão pela PIDE, em finais de 1973, tendo sido libertado em 26 de abril de 1974.
Passados quarenta e cinco anos, voltámos a ver a poli copiadora existente na igreja, onde eram passados em stencil, diversos comunicados, alguns dos quais com conteúdos contestatários ao regime repressivo da ditadura de Salazar e Caetano.
Apesar de já não ter utilização, esta máquina faz parte das nossas memórias e estará para sempre ligada a memórias de resistência das nossas gentes de Alhos Vedros e da margem sul.
Será uma peça a preservar e a permanecer numa futura “Casa das Memórias”, como um testemunho de um tempo vivido aqui em Alhos Vedros.
Ao padre Carlos Alves, deixamos um reconhecimento e agradecimento pela sua obra social, pelos afetos e amizades que foi “semeando”, ao longo destes últimos cinquenta anos.

Joaquim Raminhos

sábado, 8 de dezembro de 2018

Gente da Nossa Terra

por Luís Santos
 Leonel Eusébio Coelho e Celina Baltazar, a sua companheira de sempre.
O incansável antifascista, militante comunista, associativista, agricultor nos tempos livres, treinador de ténis-de-mesa de crianças e jovens, apaixonado pelo livro e pela leitura, escritor, poeta, tanto que organiza uma Feira do Livro há quarenta e tantos anos, naquela que em jeito de brincadeira dizemos ser a terceira mais antiga do país, logo a seguir a Lisboa e ao Porto...
E a Celina a preparar uma sopinha para o Zeca Afonso, em tempos que para se ter ideias próprias tinha de se andar fugido, escondido, da polícia política salazarenta, por entre casas de amigos e ensaios da "Grândola Vila Morena". Ou, a passagem de José Afonso por Alhos Vedros, numa história que está por contar.

ALHOS VEDROS, para lá de outras dinâmicas culturais e artísticas muito próprias e ricas, tem uma atividade literária que impressiona, com muita gente a escrever e a publicar livros.
Durante as últimas duas semanas, enquanto íamos escrevendo um Prefácio para o último livro de Leonel Coelho, a ser publicado em breve, dois outros escritores locais, apresentaram as suas últimas obras: "Asas Presas", de Maria Celeste Carvalho, e "Orgânico Animal", de Manuel João Croca.
Mas, num repente, vem-nos à memória mais meia dúzia de nomes da terra que tem vindo a escrever e a publicar...
Ora, se a tudo isto juntarmos uma Feira do Livro que a Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro organiza, de forma ininterrupta, há quarenta e tantos anos, o que dizer?
O lançamento do último livro do meu amigo Manuel João Croca foi no Espaço FAVO (Fábrica de Artes Visuais e Oficios), em Alhos Vedros.
A sala estava cheia e o ambiente muito fraterno. O livro está francamente atrativo e nele se desenrolam um conjunto de apontamentos, poemas, crónicas, de fortíssima qualidade literária, ou não fosse o Manuel João um homem dos livros de corpo inteiro, faz muitos anos. Não deixem de ler.


"STREET ART" Foto do Encontro de ontem "Os Impactos da Street Art", na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal", organizado pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e pela Câmara Municipal de Setúbal.
O município da Moita esteve muito bem representado. Aqui se pode ver o seu Vice-Presidente Daniel Figueiredo, com a "mão na massa".
Entretanto, Pedro Dominguinhos, Presidente do IPS, aproveitou para anunciar a abertura de um concurso para "Intervenção Artística em Mural do Campus Politécnico de Setúbal", em iniciativa conjunta com a autarquia setubalense. As candidaturas decorrem até 15 de fevereiro de 2019. Informações aqui: http://www.si.ips.pt/ese_si/noticias_geral.ver_noticia…

sábado, 25 de agosto de 2018

Notícias de Alhos Vedros


Luís Santos


Já foi inaugurado o Espaço FAVO – Fábrica de Artes Visuais e Ofícios, com o objetivo de revitalizar o edifício do Mercado Municipal de Alhos Vedros e destinado a ser utilizado pelo Movimento Associativo em eventos relacionados com artes e ofícios.

O Presidente da Câmara Municipal, Rui Garcia, anunciou também que o executivo irá recuperar o "Palacete" que se situa no Cais Velho, um espaço contíguo ao Moinho de Maré, lugar de relevo da história local. Esta iniciativa, a concretizar-se, certamente que será merecedora de elevado apreço por toda a população, pelas imensas possibilidades e significativa dignidade que trará aquele lugar. Creio que estamos todos disponíveis e desejosos para meter mãos à obra.

 Parque das Salinas Alhos. Quando aquela árvore, belíssima de se ver, posava para a fotografia, eis que, sem querer, o Carlitos Poeta irrompe telemóvel adentro. Sobre a árvore que não sabemos o nome (sabem?) está adornada com aquelas gaitinhas que recolhiamos nos muros dos baldios e soavam como trompetes. Sobre o Carlitos, pessoa simples e humilde, poeta, do alto da sua eterna alma de criança, deixamos um excerto de poema seu à árvore que reza assim:

No jardim de Alhos Vedros
por este mundo a passear
uma árvore que é tão linda

E não digam que não
a este mundo do coração
que sem ela não há vida

Neste país de Portugal
neste mundo a passear
que sem ela não há vida

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A Ilha dos Amores


Curta Metragem/Documentário

Duração: 20 a 30 minutos

Tema: Alhos Vedros,   Título: A Ilha dos Amores.

Objectivos: Mostra local, Concurso de curtas metragens do ICAM, etc.


Ideia Central – Desenrolar alguns episódios de Alhos Vedros, paralelamente à história de Portugal. Mas ATENÇÂO nunca se falará em Alhos Vedros (nem em Portugal) excepto, talvez, na dedicatória do filme.


TAPE 1
A Lenda do Domingo de Ramos (séc.XII)
- o poço mourisco
- Etimologia de Alhos Vedros: Homens Velhos com Asas (precisa de explicação) - a Linguagem dos Pássaros.

Texto:
Depois dos Lusitanos e dos Romanos
E volvidos anos
Com costumes Bárbaros pelo meio
Apartadas as mãos de mouros e cristãos
Veio…

Imagens:
- Pássaros (pardais, andorinhas, gaivinas, garças e flamingos) e
Anjos (no interior da Igreja)
- Missa
- Nossa Senhora dos Anjos (Procissão)
- Oliveiras (ao pé da Junta, quintal do Padre, ao lado da escola…)
- Castelo de Palmela visto de Alhos Vedros
- O poço mourisco
  
TAPE 2
Século XIII: O Concelho de Alhos Vedros; A Igreja; O mais antigo registo escrito sobre Alhos Vedros. D. Dinis e Isabel (Ordem de Cristo e Culto do Espírito Santo) 

 Texto:
Um país.
Sonhado e a sonhar
Com o Mar
Querendo fazer do Templo o mundo inteiro Português,
e Fez…
  
Imagens:
- o interior da Igreja (seria bom ouvir primeiro a história do Padre?)
- o mais antigo registo escrito sobre Alhos Vedros
- a Cadeia e os Paços do Concelho
- as águas do Cais Velho
- Pombas brancas

 TAPE 3
- D. João I e Filipa de Lencastre (sec. XIV-XV)
- A Peste Negra
- O Palácio da Graça
- A Conquista de Ceuta
- O Infante D. Henrique e a Ordem de Cristo
  
Texto:
Pela peste e em luto, no Palácio da Graça
Reuniram-se os infantes e o Rei
Para atravessar Gibraltar.
Toda a força do vento se aproveitou…

Imagens:
- Barcos à vela que chegam ao Cais (jogar bem com a luz no filme)
- Imagem do rei D. João I, da rainha Filipa de Lencastre e do infante D. Henrique (grão Mestre da Ordem de Cristo)
- O Largo da Graça
- A Quinta da Graça
- O Palácio da Graça
- O Marinho da Graça
- Manuel Tavares no Cais Velho
- Barcos que saem do Cais

 TAPE 4
- O Foral e D. Manuel I ( A Índia e o Brasil) - sec. XVI
-Álvaro Velho
-A Quinta do Império
-O estaleiro naval, os biscoitos, a Igreja de Palhais

Texto:
Foi o vento sim
que me levou a mim para lá
do Suão,
além do Atlântico, além do Índico
meditar no Tibete, ou no Pacífico
cambiar no Japão

Imagens:
- a carta de Foral de Alhos Vedros de 1514
- Pelourinho
- o estaleiro naval no sapal de Coina (construção e reparação das caravelas que foram às Descobertas)
- os fornos de biscoitos em Vale do Zebro (comida que seguia nas caravelas, alimentação dos navegantes)
- o sal, as salinas, os viveiros de peixe, imagens de peixes
- foto de Álvaro Velho (cronista da viagem de Vasco da Gama à Índia)
- A igreja de Nossa Senhora da Graça, em Palhais.
- a Quinta do Império (onde está hoje o aeródromo – filmagens aéreas?)

 TAPE 5
- Rumo ao futuro.

Texto:
Neste nobre estremenho lugar
Onde vêm as águas do Tejo
Trazidas pelo vai-vém do mar
Existe uma pequena ilha

Num momento mais insensato
Chamaram-lhe “Ilha do Rato”
Mas eu nos meus sonhos às cores
Chamo-lhe de “Ilha dos Amores”

Foi ela que em tempos de outrora
Sussurrou aos ouvidos do rei
Que se tinha chegado a Hora

Imagens:
- Ilha do Rato (filmada de cima?)
- águas do Tejo
- muitas caras de pessoas de Alhos Vedros
- muitos pássaros
- Depósito da Água – RI Alhos Vedros


Este filme é dedicado à vila de Alhos Vedros.

11 de Setembro de 2004 (dois anos depois...),
Luís

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Lugares de Portugal


Alhos Vedros - Uma Vila com História

por Lucas Rosa

quinta-feira, 6 de agosto de 2015






NO PRELO

Depois de participação ativa, nos últimos dois anos, em 2 acontecimentos de relevo para a história local, a saber, as Comemorações dos 500 anos da atribuição de Carta de Foral pelo Rei D. Manuel I e os 600 anos da passagem de D. João I e do importante Conselho Régio de Alhos Vedros que costuma ser considerado como o momento crucial do início da Expansão Ultramarina Portuguesa, vai sair um livrinho que reflete sobre o período áureo da história de Alhos Vedros e Região. Deverá estar disponível a partir da próxima semana...


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

"The Blue Dog"


A Expansão azuL





“The Blue Dog” é uma belíssima escultura de William Seewtlove que se mostra na Quinta da Bacalhoa, em Azeitão, lugar do concelho de Setúbal, entre oliveiras milenares e terras de bons e famosos vinhos. Uma quinta que se encosta à grandiosa e mística Serra da Arrábida, de magníficas praias e idílicas paisagens, mais seus eternos poetas Sebastião da Gama ou Agostinho da Cruz.

A histórica Quinta da Bacalhoa, classificada como património nacional, pertenceu em tempos à casa Real Portuguesa, sendo seu primeiro titular o infante D. João, filho de D. João I, rei de Portugal, na primeira metade do século XV. Um século depois haveria de ser adquirida por Brás de Albuquerque, filho do vice-rei de Portugal e governador da Índia Afonso de Albuquerque.

Os Albuquerques, de resto,  já detinham muitas e grandes propriedades nesta região, pois sabe-se que Afonso de Albuquerque se constituiu herdeiro de vastas terras na região de Alhos Vedros, por via do seu avô paterno Gonçalo Lourenço de Gomide, um dos grandes senhores deste lugar, e que era "escrivão da puridade" (um mais ou menos 1º Ministro dos tempos atuais) do Rei e Mestre de Avis.

D. João I, tal como os Albuquerques, também surge ligado à história de Alhos Vedros e região. Aqui fez luto quando da morte da sua mulher Rainha Filipa de Lencastre, aqui se reuniu com os infantes, seus filhos, onde foi dada autorização que, para o bem e para o mal, se partisse à conquista de Ceuta, quiçá, a primeira etapa da Expansão Ultramarina Portuguesa. Segundo rezam as crónicas tudo terá decorrido ali no Cais Velho, em Alhos Vedros, num Palacete que se pensa ter pertencido a um seu filho bastardo D. Afonso, Conde de Barcelos, no ano de 1415. Quer dizer, fará este ano precisamente 600 anos que, por aqui, se deu início à Expansão da Língua Portuguesa havendo, por isso, grandes expectativas de que as Comemorações sejam condignas.

É caso, pois, para dizer que estamos em maré de Comemorações, porque também hoje, 23 de Janeiro de 2015, Dia Mundial da Liberdade, o Estudo Geral festeja o seu 5º aniversário. 


Luis Santos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Valorizando a Nossa História...


Na próxima 2ª feira, 15 de Dezembro, fará 500 anos que o Rei D. Manuel I atribuiu Carta de Foral a Alhos Vedros, dia em que também chegará ao fim o Programa das Comemorações que foi decorrendo ao longo de todo o ano. Entre os vários Encontros que integraram as Comemorações, deixo aqui as conclusões da conferência que proferi. O texto integral será publicado depois, conjuntamente com as atas de todas as Conferências, pela Comissão Executiva das Comemorações do Foral.


Cruz de Cristo, símbolo que identificou, entre outros, as naus portuguesas durante os descobrimentos.


Conclusão

1. A História de Alhos Vedros estende-se até às origens do país e desenvolve-se com ele. Note-se que quando estamos a falar de Alhos Vedros no século XIII, estamos necessariamente a falar de uma região que se alarga aos concelhos atuais de Alcochete, Montijo, Moita e Barreiro, pois que todos eles integravam o velho concelho do Ribatejo, do qual Alhos Vedros constituía com Santa Maria de Sabonha (atual S. Francisco) as duas sedes principais desse concelho.

Para que se possa avançar mais no conhecimento das origens de Alhos Vedros e região, caberá aos nossos arqueólogos um papel fundamental, já que a escassez de documentos escritos, muito provavelmente, não permitirá aos historiadores recuar muito mais para trás no tempo do que aquilo que já se conseguiu. Existe um hiato enorme entre o tempo que nos é dado pela história local sobre as origens de Alhos Vedros e o povoamento da região assinalado pelos estudos arqueológicos que remontam, pelo menos, ao Neolítico (30 mil anos atrás), o qual nos é absolutamente desconhecido.
Por agora, apenas se pode dizer que o documento escrito mais antigo que se conhece sobre Alhos Vedros data de meados do século XIII e o documento mais antigo sobre a Igreja Matriz data de 1298 e que, portanto, antes desse tempo não é possível comprovar a existência de Alhos Vedros.

2. No século XIV Alhos Vedros ganha autonomia face ao velho Concelho do Ribatejo e constitui um concelho próprio. Os limites desse concelho situam-se entre a Aldeia Galega, Palmela e Coina Antiga.

3. Podem-se estabelecer um conjunto de fortes relações do concelho de Alhos Vedros com a Expansão Ultramarina Portuguesa, quer a partir de importantes figuras históricas que por ele passaram ou habitaram, tal como a partir de alguns núcleos de relevante importância económica, como eram os fornos os biscoitos em Vale de Zebro, o estaleiro naval da Telha da Ribeira das Naus, ou os fornos de cerâmica da Mata da Machada, todos com relação intrínseca aos Descobrimentos Portugueses.

4. É verdadeiramente impressionante a lista de figuras de relevo da história de Portugal que se podem relacionar com Alhos Vedros:
- D. Dinis, rei de Portugal, e a indústria naval
- Gonçalo Lourenço de Gomide, “escrivão da puridade” (equivalente a um 1º ministro dos tempos atuais), avô de Afonso de Albuquerque governador e vice-rei da Índia
- D. João I, o Mestre de Avis, rei de Portugal
- A Ínclita Geração: D. Duarte, futuro rei de Portugal; Infante D. Henrique, Grão-Mestre da Ordem de Cristo e figura de proa da Expansão Ultramarina, etc. (filhos de D. João I)
- D. Afonso, Conde de Barcelos, filho bastardo de D. João I (que sabemos estava com o Rei em Alhos Vedros quando do luto da Rainha Filipa de Lencastre…), casado com D. Beatriz, a filha do Condestável do Reino D. Nuno Álvares Pereira que, por via disso, também talvez tenha por cá andado.
- Álvaro Velho, o provável cronista da Viagem de Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia por Vasco da Gama
- D. Manuel, Rei de Portugal, o outorgante da Carta de Foral que sabemos esteve por cá através de carta de Gil Vicente, o pai do Teatro em Portugal
- Afonso de Albuquerque, governador e vice-rei da Índia, neto de Gonçalo Lourenço de Gomide, um dos grandes senhores de Alhos Vedros.
- Luís de Camões e as suas referências a Alhos Vedros na sua farsa “El-Rei Seleuco”.

5. Pode, pois, concluir-se dizendo que muita coisa já se conhece sobre a história de Alhos Vedros e da região, mas que muito ainda estará por descobrir, muito também carecendo de confirmação científica.

Parece-nos inegável o relevante valor da nossa história e o potencial desenvolvimento social e económico que daí poderá advir. Neste sentido, precisamos de avançar o mais possível para a conservação do património que ainda resta, cuidar da preservação da memória, mais descobrir para mais acrescentar, afinal, tratar da história do futuro que é o que mais interessa.
Assim, aproveitamos a presença do Sr. Vice-Presidente da Câmara Daniel Figueiredo para lhe sugerir o quão seria importante conseguirmos recuperar O Palacete dos Condes de São Paio, um testemunho patrimonial de primeira água da nossa história local, lugar onde com elevada probabilidade ficou D. João I e onde, conjuntamente com seus filhos, a célebre “Ínclita Geração”, terão decidido partir à conquista de Ceuta, naquela que é considerada a primeira etapa da Expansão Ultramarina Portuguesa, uma das grandes realizações de Portugal no mundo.


Nov. 2014

Luís Carlos Santos

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

ALHOS VEDROS - 1 de Novembro de 1755


A 1 de Novembro de 2014 perfazem 259 anos do devastador terramoto
que assolou Lisboa! Também em Alhos Vedros o terrível abalo telúrico se fez sentir! 
Transcrevo um excerto do meu texto (ficcionado) intitulado “Triangulação”,
que publicarei futuramente.

Em Alhos Vedros, a terra estremeceu e tremeram de medo os habitantes da pacata Vila ribeirinha. Por se tratar de Dia de Guarda, o movimento no porto não era o costumeiro. Amarradas à muralha, quatro embarcações empachadas, aguardavam a primeira maré do dia seguinte, para zarpar.
            Cercãs da muralha, uma carreta e uma carroça haviam acabado de descarregar os carretos. À carreta estava jungida uma junta de bois; à carroça, uma parelha de cavalos.
            À porta da hospedaria do Galego, forasteiros proseavam para matar o tempo, aguardando a carreira para Lisboa.
            Para assombro dos três rapazes, repentinamente, os animais principiaram a ficar inquietos. Ecoava ruído cavo e tenebroso, enquanto o solo encetou a oscilar com violência. Os animais tiveram de ser fortemente seguros pelos freios: os bovinos resfolegavam agitados, avançando e retrocedendo; os equinos empinavam-se nas patas traseiras, relinchando amedrontados.
            As casas vibravam, portas e janelas chiavam e pessoas corriam espavoridas, aterradas, buscando refúgio no centro do terreiro.
            - Mirai o esteiro! - bradou José.
            - Que sucedendo, Deus?! - indagou Braz, bradando também.
            - É um tremor de terra! - clamou Kéhindé. - Mas... mas enxergai! Que está sucedendo às águas?!
            As águas retrocederam, deixando as embarcações assentes no lodo. Afora a cala, o esteiro quedou seco por instantes. Das bandas do Norte, emergia desmesurada massa de água que, galgando marinhas, viveiros e sapais, arrasava tudo à sua passagem.
            - Abalemos lestos! - berrou Braz, aterrorizado. – Enxergai! A maré vai galgar!
            Os três rapazes encetaram a correr para a Rua do Cais, seguidos por muita da gente que se achava no terreiro. Os jovens ampararam os mais vagarosos. Para assombro de todos, num abrir e fechar d’olhos, as águas apossaram-se da rua, idas do terreiro e das bandas da caldeira do moinho de maré. Os fugitivos, unidos uns aos outros como podiam, acarretando as crianças nas espaldas, quedaram com água acima da cinta e foram arremessados de encontro aos valados que ladeavam a rua. Aos mais débeis e abatidos valeu o providencial amparo dos mais expeditos. Botes e bateiras vogavam em terra, impelidos pelo ímpeto da maré.
Ecoavam angustiosos brados, mendigando o auxílio miraculoso.
            - São Lourenço, velai pl’a gente!
            - Senhora dos Anjos, amparai a todos!
            - É o Dia do Juízo! - clamou uma voz.
- Santo Cristo, socorrei-nos e salvai-nos!
            A enchente sumiu como havia surgido.
Os brados de pavor não haviam cessado por um só momento. Engalfinhando-se nas árvores, Kéhindé, José e os companheiros alcançaram travar o efeito de sucção das águas. Encharcados, enlameados e espavoridos, permaneceram prostrados nos terrenos empapados.
As culturas haviam sumido.
            - Qu’é dos mes filhos, Deus?! - clamava uma mulher, destroçada, quase fora de si. - Hei precisão d’ir por eles! Ai! Deus meu!
            - Aquietai-vos! Sigamos todos juntos! vos aparteis! Pode ocorrer outra enchente! – alvitrou o jovem africano.
            - O António com a razão! – assentiu Ti Julião. – Quedemos todos juntos... inté ò cais!
            A marcha revelou-se árdua, pois atascavam-se quase até à cintura e tinham de transpor obstáculos ocultos no lodo, que tudo conquistara.
            Alcançado o terreiro, não queriam crer naquilo que enxergavam. A carreta e a carroça estavam emborcadas de encontro à casa dos Mendonça Furtado e os bois jaziam mortos; dos cavalos, nem indícios; em cima da muralha, quase a tombar à água, achava-se uma barca de passagem; dispersos pelo largo, rodos e demais alfaias das marinhas, embarcações arrasadas, árvores arrancadas pelas raízes, montões de mato, sacas e barricas, cavernames desfeitos, quais ossadas descarnadas, o estaleiro derribado.
            Nas paredes das casas, podiam ver-se as marcas da investida de toda a sorte de detritos, amontoados no solo. As embarcações, até então fundeadas, ou estavam emborcadas e afundadas, ou haviam sumido.
            Alcandorados nos telhados, azoinados, expectantes e receosos, os sobreviventes tiritavam de frio e medo. Era assim na hospedaria, na casa de Dona Catarina e na do Senhor Conde, em cujas paredes as águas haviam alçado ao nível das sacadas. A hospedaria e a casa da família Mendonça Furtado haviam sido cabalmente devassadas: portas e janelas arrancadas e grande devastação de bens, efeito da violenta correnteza das águas.
            Embora ainda sob o efeito de tão abrupta e inusitada ocorrência, a quietude volvera aos espíritos das gentes. Por entre brados de alegria e louvor ao Altíssimo, iam-se ajuntando os entes queridos, que a calamidade atrozmente apartara.
            Em redor, afigurava “campo de contenda.”
            - Sigamos pra casa, Kéhindé.
            - Sim, José. Como se acharão por lá?
            - Também vou pl’os meus... – disse Braz.
            - Ide, rapazes. Ide com Deus! - exortou Ti Julião. – Por aqui, tudo se acha calmo. Ide… pl’os vossos. Quão ralados se acharão! Que Nosso Senhor acompanhe e guarde vossemecês!
            Por toda a parte se via gente aturdida: uns carpiam a perda de culturas, gado e demais haveres; outros, fitando atónitos, miravam embarcações assentadas em locais até então inconcebíveis.
            - As águas da maré alagaram a Matriz, que virou ilha! – anunciava Ti Joana, em alta voz, varada pela perplexidade. – Nunca sucedera o tal!
            - Há gente sumida?
- Por aqui não, Braz… – respondeu Ti Francisco que, amparado por vizinhos, se esforçava por virar uma bateira emborcada e prantada onde, anteriormente, havia sido o pomar.
            - Aqui, o Romão, acudiu das bandas da Praça e falou que a maré lambeu os pés ò pelourinho... – informou Soares, filho de Ti Francisco. – Pl’o qu’ele entendeu, também ninguém se acha sumido por lá.
            - Inda bem! - desabafou o rapaz, mais serenado, visto habitar com os pais na Rua do Tinoco. – António, José, vou embora sem mais detença.
- A gente tamém vai… – disse José, apreensivo. - Como se acharão os mes pais?
            Na Rua dos Pinheiros, homens, mulheres e crianças, numa azáfama jamais vista, acarretavam tudo de dentro das casas, que a lama acometera de feição implacável.
            Ao embocar na Rua da Cadeia, José divisou o pai que, alheado, mirava a casa: a chaminé tombara e descortinavam-se fissuras nas paredes.
Soluçando inconsolável, derreada, Ti Zefa sentara-se na soleira da porta, envolta no xale, tapando a cara com as mãos. As vizinhas acalentavam-na, suspirando também. 
            - Ai! Deus! - bradou Rosa, filha de Ti Perpétua, as mãos postas, assim que avistou os dois rapazes, por entre as gentes que enchiam a rua. - Ti Zefa! Ti João! O José mais o António acodem acolá, além! Nosso Senhor seja louvado!
            Incrédula, a mulher alevantou os olhos, de onde as lágrimas haviam sumido e, recobrando as forças que cuidava perdidas, ergueu-se de um salto e correu para os rapazes, de braços abertos.
            - Ai! Filho da minh'alma! Graças ao Senhor, que te achas bem! António, chega aqui, filho! Graças ao Céu pl’os dous! - clamava Ti Josefa, enlaçada aos jovens, beijando-os com carinho.
            Ti João abeirou-se e envolveu os três num forte abraço, chorando com a mulher, mas… de alegria.
            - A gente perdeu os cavalos... - disse José.
            - senhor! - proferiu o carreteiro, entrecortando palavras com soluços. - Os danados acudiram a casa. O Ventarola manca da pata dextra e o Garnizé maltratado na dentuça. Mas acham-se bem vivos, os ladinos!
- Por haverem voltado sem vosmecês é qu’a gente cuidou o pior… - soluçava Ti Josefa.
            - A carreta emborcada, à beira da casa de Dona Catarina… - informou o rapaz.
            - Mas… que sucedeu com as águas, rapazes? Nunca escutara o tal! - confessou Ti Lucas Moleiro, meditativo, afagando as barbas brancas. - E eu ando em este mundo de Deus há um ror de tempo! A terra tremer, vá que vá... Mas o rio galgar a terra! Nunca sucedera! Pl’a minha , asseguro eu a todos vossemecês!
            - Ti Lucas, vossemecê nem sonha o que ocorreu no cais! - declarou José, o semblante mui sério. - há palavras… O rio avultou das bandas do Norte e o terreiro virou mar. A maré de tudo se assenhorou.
            - Relatai à gente… o que vistes…    
- Mais tarde, relatam, Ti Januário. Vossemecê entenda. Por ora, têm é precisão de remanso – interveio Ti João, resoluto. – Vinde daí, rapazes. Vá lá, mulher. Sossega, qu’eles tão a salvo, com a graça do Senhor!
            Ti Zefa ao meio, cingindo cada um pela cintura, seguiu para casa.
Desfeito o ajuntamento que os rodeara, cada um seguiu à sua vida. Muito havia para fazer. A maioria das casas sofrera estragos que urgia reparar. Cinco moradias haviam desabado por completo. Os desalojados acoitaram-se em casa de familiares e vizinhos.
            O adro da Matriz porfiava atestado de povo, que aí acorrera suplicante. Todos se achavam ainda atemorizados, mal refeitos do que ocorrera.
Pela Vila correu a notícia que a Senhora dos Anjos sairia em procissão de ação de graças. E assim sucedeu, rente às dez horas. Pelas doze, muito povo apinhava o templo, para a Santa Missa. Eis que novo abalo se fez sentir. Quem testemunhou, passou a afiançar que só por intercessão da Senhora, Rainha dos Anjos, o templo não ruíra, sepultando todos quantos aí se encontravam.


Francisco José Noronha dos Santos