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domingo, 24 de novembro de 2013



O ESTADO DO TEMPO - III


Desaba sobre nós uma fria humidade fina que enregela o corpo e entorpece os ossos.
É normal que tal se verifique já que estando em pleno Outono o tempo frio começa a ser uma presença frequente.
A sensação física de frio manifesta-se também na actividade mental que nos impulsiona. Até a terra se acaçapa em latidos domesticados pelo manto da friagem.
Mas, ainda que em baixa intensidade, tudo pulsa ainda e sempre.
Costuma-se dizer que “enquanto há vida, há esperança” e, por todo o lado e não obstante, continua a haver vida a rodos.
Resiste-se o melhor que se pode às condições adversas mas espreita-se a oportunidade, espera-se o advento de condições mais vantajosas para que tudo possa eclodir a seu tempo e as dinâmicas ganhem um ritmo mais fluido e escorreito.

Tenho para mim (poderei estar enganado por desinformado ou insuficientemente informado) que, nos últimos tempos, as manifestações colectivas, seja de protesto seja de reflexão ou seja ainda de reflexão-protestativa, que maior impacto ou adesão têm suscitado por parte da sociedade em geral têm sido as promovidas/organizadas por organismos plurais, que englobam várias estéticas e sensibilidades e que, por isso mesmo, assumem uma representação de transversalidade social. A estar certa a constatação, revelará que organicamente a sociedade emite sinais da solução em que acredita, da alternativa que quer. Uma alternativa que, embora unida no busílis; a recusa do status quo e da tendência evolutiva perceptível no rumo seguido por quem actualmente “comanda”, respeite diferenças e consigne o plural enquanto representação da sociedade.

E se estiver certa esta interpretação dos sinais, é pois altura de cada um assumir o seu papel. A começar por cada um de nós em geral e pelos partidos políticos da oposição fora do chamado “arco da governação” em particular (se calhar), que deverão trabalhar na construção de uma base de unidade que seja honrosa, digna e possível para todos esquecendo divergências, reais ou inventadas por egos demasiado inchados ou narcísicos, secundarizando-as em função do que é essencial: a construção de uma alternativa confluente que ajude a corporizar a possibilidade de que o centro do poder político executivo possa ser deslocalizado, alargado para áreas que permitam um maior respeito e uma maior aposta na defesa daquilo que caracteriza qualquer sociedade tida como desenvolvida, ou seja, uma sociedade que respeite o direito ao trabalho, à educação, à saúde e à justiça enquanto pilares do exercício livre do viver. Para todos é claro. Será isto que se espera de nós, de todos. Ou não?

                                                                                                  Manuel João Croca



Foto: Edgar Cantante - pormenor seleccionado por M.J.Croca