"A única revolução definitiva é a de despojar-se cada um das propriedades que o limitam e acabarão por o destruir, propriedade de coisas, propriedade de gente, propriedade de si próprio."
(Agostinho da Silva)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

UM RECADO ÀS CENTRAIS DE REIVINDICAÇÃO


Abdul Cadre

Aqueles que, institucionalmente, se reivindicam da representação de quem trabalha por salário sentem-se felizes e úteis a lutar – é esta a expressão – por horas de trabalho. É a semana das 40 horas, é a semana das 35 horas, mas não se ouve, ou é muito raro ouvir-se reivindicar horas de descanso, e muito menos o direito à preguiça, de que nos falava o genro de Marx.

Isto não é um exclusivo português, é assim em todo o mundo onde se reivindica sem medo do chanfalho.

É bem-sabido que os trabalhadores estão muito habituados a ocuparem-se de coisas que lhes mandam fazer. Dizia-se antigamente que quem não trabuca não manduca; hoje, alguns trabalhadores com mentalidade de escravo, vangloriam-se de serem incondicionais e exemplares amantes das lides braçais – de cuja sinceridade eu duvido –, dizendo alto e bom som coisas tão idiotas quanto esta: «o pessoal não quer trabalho, quer é emprego». Presumidamente, estes serão os mesmo que apostam no Euromilhões com o fito de mandarem à oura banda o patrão, caso se tornem milionários. Afinal, está visto, não querem trabalho e não querem emprego, querem o que todos querem, boa vida. Porque o facto é este: perante o trabalho há apenas dois géneros de pessoas: as que não gostam e as que mentem.

Mas voltemos aos que reivindicam. Como se sabe, o desemprego grassa no mundo, mas não seria assim se se diminuísse um dia na semana de trabalho e esta fosse, não de 40, não de 35, mas de 24 horas. Desta forma, o que inevitavelmente teríamos era falta de trabalhadores, coisa que contraria a lógica do sistema, que exige desemprego técnico elevado como desincentivo das reivindicações salariais.

Não pensem que estou a descobrir a pólvora nem a inventar a roda quadrada. Lembremo-nos da Península Ibérica, ao tempo da convivência entre cristãos, judeus e mouros. Nesse tempo, havia três dias em que era proibido trabalhar: a Sexta-feira, por causa dos muçulmanos, o Sábado, por causa dos judeus e o Domingo, por causa dos cristãos. E como todos os outros dias eram dia de feira, havia sempre quem dissesse: toma aí conta das galinhas, que eu tenho de dar um salto à feira para vender as cebolas.
É por tudo isto que eu detesto mentirosos, isto é, os que dizem que gostam de trabalhar.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Paulo Borges*


Não te foques no negativo. A realidade é infinitamente mais vasta que a tua percepção. Há muito mais seres no cosmos, desde sempre felizes e livres de sofrimento ou que se tornaram para sempre felizes e livres de sofrimento, do que os sete mil milhões de humanos e o número imenso de animais que parecem estar sempre ou muitas vezes a sofrer neste minúsculo grão de pó da realidade universal chamado Terra. E a grande notícia é que, quando um ser desperta e se livra para sempre d...o sofrimento, isso é irreversível e há mais uma fonte de energia positiva para o mundo, que vai acelerar a libertação universal. Isto significa que mais tarde ou mais cedo todos os seres despertarão e se libertarão. Vê as coisas assim e tem confiança. Mas desenvolve compaixão por quem sofre, a começar por ti mesmo, e pratica com todo o empenho uma via espiritual para que tu e todos o mais rapidamente se libertem. Não te atrases, pois és o universo e atrasares-te atrasa a libertação universal. Ao avançares, todos avançam. Ao libertares-te, todos se libertam. No fundo sem fundo de ti e de todos os seres já há desde sempre uma liberdade, uma paz e uma felicidade infinitas. Por isso todos as procuram. Trata-se apenas de as descobrir aqui-agora e não mais as buscar no exterior. Cultiva esta visão e deixa para trás a tristeza, a depressão, a raiva e a doença. Foca-te no bem que há em tudo. Mesmo no que parece ser o mal e a dor, pois é isso que nos incita a praticar pela libertação de todos. Cultiva uma visão pura acerca de tudo. Descobre o sentido bom, profundo e positivo de tudo o que acontece. Pois isso é despertares e despertares é seres a luz do mundo.

in, https://www.facebook.com/pauloaeborges , 14/10/2017

Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 
Autor de uma vasta obra, dedica-se à escrita, à tradução, ao estudo, prática e instrução da experiência meditativa, ao estudo da filosofia e cultura portuguesa e das grandes tradições espirituais, ao diálogo inter-cultural e inter-religioso.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

TONTICES

O frio parece ter regressado por uns dias, devemos estar sob o efeito de uma frente fria. 
Hoje o dia esteve húmido; soprou uma aragem do lado do mar e o Sol, sempre que aparecia, apresentava-se coado por um véu nevoento.
O regresso a casa foi a entrada num ambiente acolhedor. 



A política portuguesa faz-se de tontices e ninharias. 
Pedro Santana Lopes, em entrevista ao “Expresso”, no último Sábado, parece ter anunciado a sua vontade e disponibilidade para ser o candidato, pela direita, à presidência da república. 
Como ele chegou à chefia do executivo camarário, em Lisboa, já a mim soa a desconcerto. Mas agora para vir a ser a primeira figura do estado… 
Enfim, o homem tem idade legal e, a este último nível, não consta que sofra de qualquer impedimento. 
Mas fazer disso um problema para o PSD, em particular e a direita em geral? Francamente! 
Os responsáveis deveriam vir a terreno e dizer claramente que a questão é prematura e que a escolha do candidato será feita em devido tempo e pela forma que então se tomar por mais conveniente e que, por ora, não há qualquer apoio ou compromisso com o potencial aspirante. 
Até lá, o actual presidente da câmara de Lisboa estaria por sua conta e risco. 

E enquanto a lana caprina invade os jornais 
os portugueses esquecem os seus problemas reais. 



Hoje os alunos aprenderam o número nove. 



Há um caminho para a paz que se está percorrendo na Índia, em Caxemira. 

As partes em conflito começam a chegar a acordo. Começa a ser possível que a luta política substitua o argumentário das armas. 

A triste ironia é que isto são os tais pretendidos efeitos colaterais pelo impacto que foi o derrube do regime de Saddam Hussein e do Partido Baas, no Iraque, com a sequente ocupação militar daquele território. 
As ondas de choque já provocaram um volte face ao tirano de Trípoli e abalaram os equilíbrios no interior do regime iraniano de modo que este se possa vir a perder para o apoio ao terrorismo. 
Por enquanto, só a Arábia Saudita e a Síria dão mostras de alguma irredutibilidade. 
E já sabemos que a Al-Qaeda jamais se renderá. 

Infelizmente, o embaraço que foi a mentira com que se propagandearam as razões da guerra sobre o Iraque, acusado de possuir um arsenal de armas de destruição maciça, vem agora impedir que os Aliados tirem o máximo partido daquelas evoluções positivas. 

Pessoalmente confesso que tenho vindo a fugir a este assunto, mas penso vir a tratá-lo num destes dias. 



Definitivamente, Tintim é um herói da meninice. 
Os acasos que o salvaram e aos seus amigos perante o chefe dos Incas (1) já não têm a piada nem a emoção daquelas idades calçonares. 



Parece que finalmente adquirirei o “Beat” e o “Discipline”, dos King Crimson. 
Uau! 


 Alhos Vedros 
  17/02/2004 


NOTA 

(1) Hergé, TINTIM E O TEMPLO DO SOL 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Hergé, O TEMPLO DO SOL, Público, Lisboa, 2004

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (276)

Retrato de Herberto Helder
Frederico Penteado
Acrílico s/ papel 21x29 cm


LEVANTO as mãos e o vento levanta-se nelas.


Levanto as mãos e o vento levanta-se nelas.

Rosas ascendem do coração trançado

das madeiras.

As caudas dos pavões como uma obra astronómica.

E o quarto alagado pelos espelhos

dentro. Ou um espaço cereal que se exalta.

Escondo a cara. A voz fica cheia de artérias.

E eu levanto as mãos defendendo a leveza do talento

contra o terror que o arrebata. Os olhos contra

as artes do fogo.

Defendendo a minha morte contra o êxtase das imagens.



Helder, Herberto, Ofício Cantante, Lisboa: Assírio & Alvim 2009

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Beringela




por Miguel Boieiro

Na viagem realizada em fins de agosto pelo sul da Itália, tive o prazer de conhecer a “melanzana rossa”. Foi em Matera, cidade mística e mítica que em 2019 irá ser a Cidade Europeia da Cultura. Entre tantas surpresas agradáveis proporcionadas pela participação no 84º Congresso Italiano de Esperanto, com realce para as excursões efetuadas na região da Basilicata onde visitámos palácios, museus e igrejas, destacámos a que foi feita à cidade pétrea, dotada de cavernas ancestrais. Recordar tudo o que aí se viu é sumamente difícil, mas recordo que mesmo no fim da digressão, entrámos numa loja “gourmet” onde um fruto vermelho e arredondado passou de mão em mão, sem ninguém adivinhar o que seria. Parecia uma maçã ou um tomate mas era simplesmente uma beringela, que dá pelo nome vernáculo de Solanum aethiopicum, especialidade daquela região.
Esta foi uma das maneiras de iniciar a presente croniqueta. Outra poderia ser a relativa à experiência que tive quando fiz os “Berberes do Toubkal”, integrado numa caravana de caminheiros que, em 8 dias, percorreu 140 quilómetros nas montanhas do Atlas. O jovem guia era berbere mas expressava-se em bom francês. Ao comentar os ingredientes do almoço esqueci-me do termo “aubergine” e escapou-me “beringela”. Não houve problema pois o guia de imediato entendeu. Afinal a palavra portuguesa era igual à do seu idioma. Mas chega de conversa fiada! 
A beringela, cujo nome científico é Solanum melongena, pertence à família das Solanaceae e ao contrário de outras solanáceas conhecidas, como o tomate, a batata e o pimento, não proveio das américas. É originária da Índia e entrou na Europa trazida pelos árabes no século XIII. Os europeus, a princípio, olharam-na com desconfiança. Como se sabe, todas as solanáceas possuem elementos tóxicos e algumas são mesmo mortais. Os italianos chamaram-lhe “melanzana” que significa maçã malquista, mas pouco a pouco, após muitas hibridações, das centenas de variedades espontâneas, logrou-se alcançar espécies comestíveis com baixo teor em solanina e solasonina (as tais substâncias tóxicas) e o consumo da beringela como alimento, popularizou-se. 
A planta possui caule ereto, ramificado e peludo podendo atingir 1 metro de altura. As folhas, oblongas ou ovadas, são ásperas. As flores, hermafroditas, com cinco pétalas brancas ou violáceas, apresentam-se solitárias. Mas o que mais nos interessa são os frutos. Eles são grandes com pele lisa e brilhante podendo ter várias configurações, se bem que as mais frequentes sejam as ovoides ou piriformes. A sua cor pode ser roxa, negra, amarela, branca (nos EUA chamam-lhe “eggplant”) ou até vermelha, como a que vimos na Itália. A polpa tem textura esponjosa. 
Os maiores produtores mundiais são a China e a Índia com 85% das quantidades obtidas em todo o mundo. Na Europa, com exceção da Itália e da Espanha, a sua produção e consumo são ainda incipientes. Em Portugal era praticamente desconhecida há meio século. Ainda me lembro bem quando vi beringelas pela primeira vez.
A beringela gosta de calor e luminosidade mas detesta regas abundantes quando está a florir. Possui vitamina C, vitaminas do complexo B, cálcio, ferro, potássio, magnésio e selénio. É rica em fibras solúveis e integra alguns alcaloides.
Embora ainda não suficientemente estudada no tocante aos seus poderes medicinais, atribuem-lhe virtudes como a de ser digestiva, nutritiva, laxante e antioxidante. Reduz as taxas do colesterol e atua nos problemas de artrite, gota, reumatismo e diabetes. Externamente, em cataplasma, atenua os efeitos das queimaduras solares.
No entanto, é na gastronomia que a beringela atinge maior projeção. O seu sabor em refogados, “ratatouilles”, lasanhas, frita, panada ou assada às rodelas, é único, contribuindo para dilatar a paleta de paladares dos vários pratos cozinhados. O “caviar” de beringelas, confecionado com as ditas assadas, tomate, cebola e ervas aromáticas forma uma pasta muito apreciada que substitui com vantagens económicas, e não só, as ovas de esturjão.
A terminar, adverte-se que jamais se deve consumi-la crua, porque o seu gosto é amargo e retém maior índice de alcaloides.

Teatro Politécnico do IPS



Teatro Politécnico do IPS celebra quatro anos
Projeto “Teatro porta a porta” está a recrutar novos atores

Teatro Politécnico do IPS cumpre em breve quatro anos de existência e vai comemorar a data com um casting para novos atores, a decorrer entre os próximos dias 23 e 25 de outubro, na Sala de Drama da Escola Superior de Educação (ESE/IPS). O recrutamento estende-se a toda comunidade académica: estudantes, docentes e trabalhadores não docentes.

A caminho do quinto ano de atividade, o Teatro Politécnico do IPS procura novos elementos para dar corpo e voz, nomeadamente ao projeto “Teatro porta a porta”, que terá continuidade, de forma regular e itinerante, em todo distrito de Setúbal ao longo de 2018. Sob direção de José Gil, professor de teatro na ESE/IPS desde há 31 anos, e da estudante Barbara Pollastri, a frequentar o 3.º ano da licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa (TILGP), na ESE/IPS, o projeto propõe, tal como o próprio nome indica, levar breves experiências teatrais ao espaço do espetador, que pode ser a própria casa ou o local de trabalho, em contexto urbano ou em qualquer monte isolado em meio rural, para adultos, jovens e crianças.  

Como refere o encenador e também  fundador do Teatro Politécnico do IPS, trata-se de “ousar um teatro doméstico mas não domesticado, um teatro presente com as questões contemporâneas, um teatro que escuta cada espetador cativando-o para o lugar do palco, enquanto sujeito e não objeto do que se passa na cena”. A matéria-prima, essa, será “a poesia da vida e dos grandes escritores”, resultando em “experiências intensas e curtas, cómicas ou absurdas”, desvenda José Gil. 

Além do casting, que já está a receber inscrições através do endereço  teatro.politecnico@ips.pt, estão previstas nas datas já referidas várias atividades comemorativas, entre celebrações pontuais ao almoço, nas escolas, e intervenções performativas espontâneas nas salas de aula.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

TEATRO PORTA A PORTA


TEATRO PORTA A PORTA - INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL
DIÁRIO DE TRABALHO PARA CELEBRAR O 4º ANO DE TEATRO NO IPS (2013-2017)

O ESPAÇO VAZIO, 9-10-2017
“Posso chegar a um espaço vazio qualquer e fazer dele um espaço de cena. Uma pessoa atravessa esse espaço vazio enquanto outra pessoa observa – e nada mais é necessário para que ocorra uma ação teatral. No entanto, não é bem a isso que nos referimos quando falamos de teatro. Cortinas vermelhas, projetores, verso branco, riso, escuridão, todas estas ideias estão misturadas na imagem difusa transmitida por uma só palavra com múltiplos sentidos." (Peter Brook, O Espaço Vazio, sublinhados e citações de setembro 2016, Orfeu Negro, 2011)
Todos os dias um tema, uma citação, um youtube, uma cena, uma peça…em qualquer espaço da escola. Peter Brook o meu Mestre, o meu professor (1973-1974). Preparamos uma representação (uma Performance Curta no Hall da ESE). Há que sagrar o espaço. Começamos o ensaio a experimentar a voz no novo espaço. Congresso Internacional de Animação APPDASC, próximo dia 20, às 20,45h. Repetimos o espetáculo curto no dia 23, às 12,15h. Celebrar o 4º Aniversário do Teatro no IPS.


CONTEMPLAR, 6-10-2017

"A mais nobre paixão humana é aquela que ama a imagem da beleza em vez da realidade material. O maior prazer está na contemplação." (Leonardo Da Vinci)

Este ano chegaram muito jovens, alguns com 17 anos, não sei se vão ser atores. Chegaram dos cursos de Comunicação, Educação Básica, Animação, Língua Gestual Portuguesa... Muitos serão atores neste Clube de Teatro. Depois vão encarar as suas saídas profissionais e serão certamente Espectadores mais ativos e críticos. Hoje o tema é a Contemplação.


JOGAR O SILÊNCIO, 3-10-2017
"O silêncio é uma outra maneira da palavra viver e há coisas que não podem ser ditas de outra maneira." (Mia Couto)

O Tema do ensaio de hoje é "Falar com o SiLêncio" - Falar com o Corpo". Entender no teatro e na vida o não dito. Há uma banheira em cena com atores e manequins.


PROCUR
AR A LUZ, 4-10-2017
Nos ensaios trabalhamos com luz e sombra e cor na caixa negra das quatro paredes. Rafaela Alface (na foto em cima à direita), desde o primeiro ensaio conhece o movimento da “água de luz” nas mãos. Pesquisa constantemente por instinto a iluminação em cada dedo.
Ela já sabia “ir à luz” como dizemos nos Bastidores. “Ilumina-te com as palavras as ideias e as lâmpadas”. Ensaiamos de dia com luz artificial. Quando saímos da Escola ao fim da tarde louvamos melhor o ar livre, o sol e a lua. O rio e o mar azul de Praias do Sado.


(fotos de Francisco Ferreira (ESE/IPS) com uma das pequenas equipas do Teatro do IPS  - Miguel Silva, Patrícia Brioso (foto da esquerda) e Rafaela Alface (foto em cima à direita). [4-10-2017]

Quando era jovem da idade da Rafaela Alface (1973), no Conservatório Nacional Escola Superior de Teatro e Cinema, li Brecht sobre a Iluminação - “Dê-nos luz no palco, iluminador. Como podemos nós, dramaturgos e atores, proclamar nossa conceção do mundo em meia-obscuridade? A penumbra induz o sono. Precisamos do espectador desperto, mesmo vigilante. Que tenham seus sonhos bem iluminados.” (Brecht).
TEATRANDO NO IPS…5-10-2017. Nova semana, novos ensaios por todos os dias úteis  da semana entre 2 e 6 de Outubro 2017, por volta da hora do almoço (teatro ao almoço com refeições muito ligeiras e rápidas durante os ensaios). Em cada dia ensaia um pequeno grupo. Todos os dias jovens atrizes e atores diferentes. Cada um ou dois ou três, por cada  cena.
Apresentação da primeira pequena performance dia 20 de Outubro, 20h, no refeitório da Escola Superior de Educação de Setúbal. 
Segunda pequena performance (data provisória) 23 de Outubro, 12,15h, no mesmo local.
Ensaiaremos, espero, que de forma já regular, ao longo da semana com Elisa Pegado da Silva, Patrícia Brioso, Miguel Baltasar da Silva, Márcia  Beicinha, Ruben Patrocínio, Rafaela Alface, Inês Macedo, Catarina Carvalho, Cristina Freitas Piedade, Margarida Pratas, Rita Santos, Jéssica Pereira, Cátia Oliveira, Ana Machado, Sara Batista, Ana Catarina Camacho Parreira, entre outros
José Gil

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

E do encontro entre jovens empresários e gestores, pretensamente a elite da nova economia e aquela de quem se esperaria ideias e propostas para que o tecido económico português possa estar entre os mais desenvolvidos, em vez de escutarmos as vias para que as empresas apostem na investigação científica e tecnológica ou, por exemplo, as melhores estratégias para que o país conquiste especialidades em nichos do mercado global, em vez disso ouvimos a velha ladainha da liberalização das relações laborais que na prática se traduz pela liberdade para despedir sem justa causa ou até sem causa alguma. 
Estamos pois conversados sobre a pertinência da reunião. 
Há, no entanto, uns tantos rostos que chegaram ao telejornal. 



Mas eu temo que um manto proto-fascista esteja a descer sobre Portugal. 
Afinal, como se vê pelo romance de Marinho Neves, o medo já foi instalado pela violência – mafiosa, é certo, mas as máfias não são incompatíveis com as ditaduras, muito pelo contrário, é até possível a formação de sinergias entre ambas – no jornalismo desportivo e em certas franjas do jornalismo, em geral. 
E o estado social que entre nós parece não ter passado de um sopro fugaz, está praticamente de pantanas. O fosso social entre pobres e ricos tende por isso a agravar-se e a insegurança a aumentar na devida proporção. 
Pois ao abrigo do combate ao crime tudo indica que vamos ter um reforço dos meios de controle dos cidadãos. É o que se pretende com a proposta de legislação para que as comunicações electrónicas possam ser violadas e os seus Autores identificados. 
E agora verificamos que os hospitais SA impõem condições aos médicos que são contraditórias com o seu código deontológico, ao mesmo tempo que a Ordem dos Advogados pugna para que a ela assista a prerrogativa para decidir – por meio de exames, como é óbvio – quem entra ou não na profissão. 

As minhas filhas percorrerão o caminho da emigração. 



E para tanto, os alunos aprenderam hoje uma nova palavra, casa. 

Pois não é que a Matilde já escreve palavras que nunca deu fazendo uso das sílabas que já conhece e domina? 
Eu amo tanto os pardalitos… 



A temperatura voltou a descer. Ainda que os dias estejam visivelmente mais longos, a noite de hoje está abaixo dos dez graus. 
Voltámos a ligar o aquecimento. 


 Alhos Vedros 
  16/02/2004

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

REAL... IRREAL... SURREAL... (275)

Guernica, Picasso, 1937
Óleo sobre Tela, 349,3 x 776,6 cm

O Quadro Guernica de Pablo Picasso é uma das mais famosas pinturas do artista catalão e uma das mais conhecidas do cubismo.
O pintor inspirou-se no bombardeamento da cidade Guernica em 26 de Abril de 1937. Nesse dia, aviões alemães da Legião Condor destruíram quase completamente a cidade espanhola, causando um verdadeiro massacre entre a população civil.
Em 1 de Maio, Picasso recebe as primeiras informações, que o motivam de tal maneira que em pouco mais de um mês tem o quadro acabado. 
Depois de ter sido terminada (demorou aproximadamente um mês), a obra fez uma digressão pelo mundo atraindo a atenção de todos para a Guerra Civil Espanhola. Nunca uma pintura conseguira tal expressão de dramatismo para evocar os monstros do horror da guerra.
A obra está exposta em Madrid, no Museu Reina Sofia.

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 7 de outubro de 2017

Catalunha, autodeterminação, ou não?


"Como disse Felipe Gonzalez, é a altura de Espanha perceber que deve ser um Estado federal, porque caso contrário serão obrigados a ir muito mais longe."
Mário Soares,Ex-Presidente de Portugal (1924-2017)


A PROPÓSITO DA CATALUNHA
Abdul Cadre

Correspondendo ao apelo do querido amigo LCS e do seu Estudo Geral, bom seria falar da Catalunha. Mas que posso eu dizer? Do actual conflito entre a região e o poder central não tenho mais dados do que aqueles que as televisões e a imprensa têm fornecido, pelo que só esses poderia comentar. Isto quer dizer que avaliar ou avalizar do que seja bom ou não para catalães e espanhóis – eu que não sou nem uma coisa nem outra – é um tanto despropositado, embora seja o que mais se vê a este propósito. Provavelmente, nem os desavindos sabem avaliar a situação para além dos desejos. Fazer prognósticos, estou como o outro: só no fim do jogo. A imprevisibilidade é uma constante da vida, e os impulsos independentistas e os movimentos revolucionários não se resolvem em chás dançantes.
Posto isto, o que se nos oferece dizer, passando ao lado de plurais perspectivas carregadas de certezas dos peritos habituais das coisas excitantes, é que talvez fosse útil pegarmos em alguns princípios básicos susceptíveis de consensos alargados para analisar e entender quanto se queira avançar sobre autonomia, autodeterminação e independência. Para o fazermos, falar de leis e de constituição não ajuda, antes envenena qualquer raciocínio.
Não nos parece que o conflito se possa resolver à bordoada, com a justificação de fazer cumprir a lei. As leis foram feitas para os homens, não os homens para as leis. Em tudo, o que verdadeiramente importa é o conteúdo, não a embalagem. Servimo-nos dos conteúdos, as embalagens mandamos para a reciclagem. O problema catalão não é jurídico (a embalagem), é político (o conteúdo).
O argumento jurídico é falacioso, provoca cegueira, provoca irredutibilidade.
Olhemos o que foi o 25 de Abril. Foi legal? Foi constitucional? É evidente que não, mas legitimou-se no decurso da própria acção, como é característica das rupturas políticas.
As colónias portuguesas tornaram-se independentes, sem qualquer referêndum, dadas as circunstâncias históricas; se as condições tivesse permitido referêndum, parece evidente que os metropolitanos não poderiam nem deviam ser chamados a pronunciar-se, porque seria como que, no caso do divórcio, os cônjuges porem-se a referêndum.
Para ilustrar, podemos dizer mais: qual a legitimidade, por exemplo, dos moçambicanos se pronunciarem sobre Angola?
Se a Madeira caminhasse para a independência, os portugueses do continente e os portugueses dos Açores não deviam ser consultados, isso é um assunto de madeirenses. Teriam de ser consultados, sim, se quiséssemos expulsar a Madeira da nossa nacionalidade.
Tudo isto, porém, não implica a defesa da unilateralidade, a que só a radicalização pode levar. Os casais desavindos têm de negociar muita coisa, nomeadamente como cuidar do bem-estar dos filhos, se os houver.
Fora destes princípios gerais, que me parecem da maior pertinência, as variações e os particularismos serão apenas formas – disfarçadas ou não – de tomarmos partido em um assunto que nos transcende e que, pelo uso da emoção, nos obnubila o entendimento.


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A SOBERANIA NACIONAL REVELA-SE MAIS BEM GUARDADA NUM SISTEMA FEDERAL

De facto, o centralismo exacerbado transforma-se no inimigo do desenvolvimento das regiões distanciando-se também do povo! Em sistemas democráticos o centralismo napoleónico torna-se anacrónico.
A Suiça é o melhor exemplo de país federal que embora pequeno (oito milhões de habitantes), com alta qualidade de vida, tem grande influência mundial e onde a democracia ganha foros especiais com participação directa e as regiões se afirmam de maneira própria, o que contribui para um maior desenvolvimento do todo, o povo suíço.

António Justo (in, diálogos lusófonos@yahoogrupos.com.br )

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PELO DIREITO À LIBERDADE (ATÉ DE NÃO SER LIVRE)

A liberdade é um dos valores mais inalienáveis das democracias ocidentais. Neste sentido, se for essa a vontade maioritária de um povo, não vemos como possa ser legítimo o impedimento pela força de um referendo onde se pergunte pelo direito, ou não, à autodeterminação. O direito constitucional, sobretudo, com o desgaste de algumas décadas em cima, deverá subordinar-se e fazer refletir esse direito. Por isso, no caso da Catalunha, é absolutamente imperativo, antes de mais, que se consiga chegar a uma saída através de um diálogo responsável que possa evitar conflitos violentos e onde se chegue a contento para ambas as partes.

Luís Santos (in, diálogos lusófonos@yahoogrupos.com.br )

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Esta é uma questão muito complexa. Até "deixar de ser", a Catalunha é uma região autónoma de Espanha. Como as outras, Galiza, País Basco, etc. Em termos de estado de direito isto é discutível. Há sempre as modalidades como o N. Maduro... A constituição não ajuda, então altera-se. Se para isso são precisos 2/3, então faz-se uma constituinte. Na Old England, a seguir ao Brexit as perguntas mais googladas pelos very british eram: o que é o brexit , o que é a União Europeia...Será que os catalães estão mesmo seguros do que querem? O Estado espanhol devia fazer um referendo.. Não sei se só na Catalunha.A gente pode sempre imaginar... A independência da Madeira, do Algarve, de Trás-os -Montes, do Porto... Só votada por eles? Ou todos deviam ter uma palavra?

José A. P. Batista (in, Facebook)

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Sem dúvida José... Tudo muito complexo e as tuas questões todas pertinentes. Creio que o governo de Madrid teria ganho em abrir diálogo tempos atrás. Agora, com as posições extremadas vai ser tudo muito mais difícil e, ao que parece, pelo menos por agora, o movimento pró-independência ganhou uma dimensão que antes do referendo não tinha. Esperemos que haja bom senso e que não seja preciso chegar ao conflito armado que foi o caminho escolhido pelo governo espanhol. Não venho outra hipótese melhor do que iniciarem um diálogo duradoiro que se pretenda bom para todos.

Luís Santos (Facebook)


Dados muito interessantes sobre as autárquicas no distrito... e não só.


Autárquicas 2017
Resultados da votação no distrito de Setúbal

(Elaborado por Manuel Henrique Figueira / Munícipe de Palmela)

Distrito
País
Votantes = 45,53%
Abstenção = 54,47%
Brancos = 2,74%
Nulos = 2,09%
Votantes = 54,96%
Abstenção = 45,04%
Brancos = 2,62%
Nulos = 1,93%


Concelhos
Percentagens das votações
Percentagens das abstenções
Percentagens com que os vencedores foram eleitos
(Método de Hondt)
Vereadores do vencedor / vereadores da oposição
Percentagens das votações nos vencedores em relação aos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais
Grândola
61,91%
38,09%
37,07%
4 / 3
26,91%
A. do Sal
59,54%
40,46%
46,82%
4 / 3
27,87%
Alcochete
56,76%
43,24%
34,41%
3 / 4 (Min.)
19,53%
St.º Cacém
54,52%
45,48%
45,61%
4 / 3
24,86%
Sines
52,43%
47,57%
58,59%
5 / 2
30,71%
Barreiro
49,97%
52,03%
37,54%
4 / 5 (Min.)
18,76%
Sesimbra
44,48%
55,52%
41,62%
4 / 3
18,51%
Almada
44,27%
55,73%
31,28%
4 / 7 (Min.)
13,84%
Montijo
44,24%
55,76%
45,42%
4 / 3
20,09%
Palmela
43,51%
56,49%
40,67%
4 / 5 (Min.)
17,69%
Seixal
43,28%
56,72%
36,54%
5 / 6 (Min.)
15,81%
Setúbal
43,07%
56,93%
49,95%
7 / 4
21,51%
Moita
42,76%
57,24%
41,04%
4 / 5 (Min.)
17,54%

Nota: As câmaras estão por ordem da percentagem da votação eleitoral
Número de vereadores do vencedor / das oposições
(Min.) = Executivo minoritário
Fonte: CNE-Comissão Nacional de Eleições https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Livros em Destaque



De Março a Maio de 2008, tiveram lugar os Encontros sobre as Ordens do Templo e de Cristo, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha. Pinharanda Gomes, Margarida Alçada, Pedro Teixeira da Mota, António Telmo, Ana Paula Figueiredo, Ernesto Nazaré Alves Jana, Bernardo Motta, Nuno Villamariz Oliveira, José Manuel Capelo, António Andrade, José Medeiros, Álvaro Barbosa, Abdul Cadre e António Maria Balcão Vicente, são os autores das excelentes comunicações que se apresentam nesta obra.

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