«Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.»
Ghandi

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

No Arabesco do Fio





Kity Amaral

técnica mista sobre canson
(Nanquim, lápis de cor aquarelado e colagem)
44cmx32cm
2008


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A PRISÃO DO TIRANO

Finalmente, tudo aponta para que seja uma notícia verdadeira, Saddam Hussein foi preso. 
É uma vitória dos aliados que deixa todos os democratas satisfeitos. Ainda que mereça um julgamento justo, um tirano como ele só terá a piedade dos acólitos. 
Mas é sobretudo uma vitória do povo iraquiano. 

Naturalmente, não terminarão aqui os atentados terroristas sobre as forças militares que procuram assegurar a estabilidade naquele território. Será mesmo de esperar que haja um aumento das acções militares nas próximas semanas. Quer aquilo que a partir de agora restar das forças leais ao ogre, quer os voluntários da Al-Qaeda que ali fazem a sua jhiad, ambos esses campos confluirão numa tentativa para aumentarem o flagelo das tropas e forças de segurança aliadas. Com toda a certeza, quererão mostrar que continuam vivos e actuantes. 
Mas esta captura tem um valor colateral da maior importância para os iraquianos. É que do ponto de vista psicológico, a população pode agora perder o medo e isso será fundamental para o seu empenho no processo de reconstrução do país. Agora todos sabem que o antigo regime está morto, será enterrado e não mais voltará. 
Além disto, há um outro efeito mais imediato e directo do ponto de vista militar. Sem o líder supremo e carismático, será mais difícil para os homens do partido baas continuarem a pôr em prática a sua resistência armada e, ao invés, os aliados terão assim mais e melhores oportunidades para desmantelarem esses focos de instabilidade. Com isso, ficarão no terreno apenas os terroristas da Al-Qaeda e o tempo encarregar-se-á de os isolar face aos iraquianos que, habituados como estão a um estado laico, preferirão uma vida normal e não aquela que a sharia lhes impõe. 
Se bem que por agora a guerra continue, tal como a batalha do Iraque ainda não tenha findado, este é, sem dúvida alguma, um passo importante na senda da pacificação daquele território. 



Pela minha parte, enquanto elas brincam com a amiga Beatriz, vou passar o resto da tarde com os olhos nos canais de notícias internacionais. 
O Presidente Bush fará uma comunicação às dezoito horas de Lisboa e Tony Blair já falou mas eu não ouvi. 

Mas isto já é suficiente para que este tenha sido um fim-de-semana emocionante. 



Cá estou eu de volta depois de uma tarde de notícias e leitura de Amartya Sen. 


Pois parece que o homem foi mesmo apanhado. 
“-Ladies and gentlemen. We got him.” –Disse Paul Bremen, logo na abertura da conferência de imprensa em que esta manhã mencionou o feito que terá ocorrido ontem, de madrugada. 
“-United States military forces, captured Saddam Hussein alive.” –Disse mais tarde o Presidente George W. Bush na comunicação que fez ao seu país e ao mundo. 

Por todo o Iraque se registam imagens de regozijo popular. 
Agora sim, o povo sabe que o tirano não mais voltará ao poder. 

“-O Rei Herodes ainda foi pior. Mandou matar os meninos todos.” –Disse a Matilde quando, à mesa do almoço para que fomos convidados, em casa dos meus pais, se comentou a prisão do tirano. 



Para os meus amores, hoje foi um dia de repouso, com brincadeiras e jogos na infância e jornais na idade adulta. 


Esta noite vamos orar pela paz no Iraque. 


 Alhos Vedros 
   14/12/2003

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (232)


Olhão, Autor António Tapadinhas, 2008
Óleo sobre Tela, 100x100cm

XXVI - Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

 Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

Alberto Caeiro

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 3 de dezembro de 2016

IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis)

IMI
REGIÃO BAIXA TAXA MAS MANTÉM O IMI MAIS ALTO DO PAÌS
A tendência de redução das taxas do imposto já é visível, ainda assim, Setúbal é o distrito com a taxa média mais alta do país. E há apenas um município com a taxa mínima: Alcácer do Sal

Caros amigas, caros amigos:

Está cada vez mais presente na vida (e no bolso) dos munícipes um imposto, que, por sinal, considero bastante injusto na forma como é aplicado entre nós: trata-se do IMI.
Isto na medida em que, para a determinação da taxa a aplicar, não tem em conta, nem a protecção da casa de família, nem a composição do agregado familiar: concretamente o número de filhos.
É verdade que foi criado o IMI Familiar, mas é facultativo (só o aplicam as câmaras que o quiserem fazer), e contempla valores de desconto irrisórios.
Mas dentro da grande injustiça que representa, em geral, entre nós, a aplicação do IMI, talvez não saibam que a sua aplicação no todo nacional (nas 308 câmaras do país) é muito díspar.
Mas não só este facto está bastante ofuscado pela falta de informação, como há muito ruido e desinformação sobre este imposto, isto como forma de confundir as pessoas.
Para o contrariar, nada melhor do que analisar, tratar e apresentar os dados obtidos, esclarecendo, assim, quem quiser ser esclarecido.
É o que procurei fazer nos dois artigos que publiquei dia 15/11 no Diário da Região n.º 1250 (páginas 6 e 7).
Pode lê-los aqui:
Nestes artigos há 4 quadros que contêm a informação essencial, e, para melhor neles se analisar os dados que coligi, destaquei-os, o que permite a cada um dos leitores imprimi-los facilmente.
Podem aceder aos 4 quadros aqui:
Quadro 1:
Quadro 2:
Quadro 3:
Quadro 4:

Boa leituras.

Manuel Henrique Figueira
Munícipe em Palmela

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

LÁ SE FOI A CONSTITUIÇÃO

O regime democrático está bloqueado. As alternativas são muito simplesmente mais do mesmo. Na medida em que o estado de direito está completamente estiolado, a liberdade de informação condicionada que está pelos interesses dos grupos mais poderosos, ouso dizer que a democracia acabou, entre nós. O que se passar daqui para a frente será um embuste, a farsa que visa permitir apenas a continuidade do usufruto dos cabedais e prebendas que o poder oferece. Até que a situação expluda, seguramente na rua, seja sob que forma for e daí se passe a um estado mais ou menos policiado ou a uma nova tentativa de organizar a sociedade democraticamente. 


Foi esta a tragédia que o salazarismo nos legou. 
Uma população mal formada, deficientemente iletrada e sem grandes hábitos de autonomia perante os poderes. 



Apesar das tardes serenas com que o fim de Outono nos presenteia, quando a luz vence o cinzento da névoa deixa que o azul da água do estuário brilhe diante do verde que percorre a outra margem. 



A Matilde está agora a ensaiar uma peça em que vai participar no contexto das suas aulas de catequese. 

A miúda tem hoje uma agenda cheia. 
Depois da natação, ao fim da manhã, logo, após o jantar, ainda irá apresentar um esquema no sarau de ginástica, na “Vélhinha”. 

É engraçado de ver como este meu amorzinho, tão propenso à brincadeira e sempre disposta para uma boa gargalhada, leva a sério as suas obrigações que procura cumprir com zelo, para além de manifestamente sentir-se orgulhosa quando o faz bem. 

Meandros da felicidade. 



E a cimeira de Bruxelas não aprovou a constituição europeia.
Por isso não virá mal ao mundo. 


Quanto a mim, há ainda um longo caminho a percorrer antes que os povos europeus se possam unir através de uma constituição. 
Continuo a achar preferível a via dos pequenos passos que mesmo perante a realidade do euro, está longe de esgotada no plano meramente económico. Pois é por aí que os nossos governantes deveriam prosseguir, aprofundar o mercado único e as relações sociais que a partir daí se estabelecem, bem como deixar que a livre circulação de pessoas e bens se sedimente e produza a mistura entre populações distintas. Quando for normal iniciar a escolaridade em Alhos Vedros, fazer a Universidade em Londres e ir trabalhar para Helsínquia, então estou certo que os europeus estarão prontos para uma constituição. Até lá, não seria mau de todo se se fossem lançando as bases de um estado de direito comum e ainda as de uma política externa igualmente comum e de umas forças armadas da União. 



Bem, por hoje termino. 
No serão da noute, lá irei eu cumprir o papel de repórter fotográfico. 


 Alhos Vedros 
  13/12/2003

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (231)

Maternidade,  Almada Negreiros, 1935
Óleo sobre Tela, 100x100 cm

Infância

Não minha mãe. Não era ali que estava.
Talvez noutra gaveta. Noutro quarto.
Talvez dentro de mim que me apertava
contra as paredes do teu sexo-parto.

A porta que entretanto atravessava
talhada no teu ventre de alabastro
abria-se fechava dilatava.
Agora sei: dali nunca mais parto.

Não minha mãe. Também não era a sala
nem nenhum dos retratos de família
nem a brisa que a vida já não tem.

Talvez a tua voz que ainda me fala…
… o meu berço enfeitado a buganvília…
Tenho tantas saudades, minha mãe!

Ary dos Santos

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 26 de novembro de 2016

Verbasco




por Miguel Boieiro

Já imaginaram como seria penoso o quotidiano dos humanos no alongado período que antecedeu a época moderna? Suponhamos que vivíamos na Europa em plena Idade Média. Não havia batata, nem milho, nem tomate, nem abóboras, nem feijão, nem café e o açúcar era uma especiaria só ao alcance dos nobres ricos. A conservação dos alimentos era feita com sal, o qual também atingia valor elevado. O único picante conhecido era a mostarda, de sublimada importância, porque “escondia“ o mau sabor dos alimentos deteriorados. E como faziam os nossos antepassados quando, “após darem de corpo”, queriam limpar o rabiosque, o rabo, as partes traseiras, o “sim-senhor”, ou outro nome mais apropriado que lhe queiram dar? Estou-me a referir, é evidente, apenas aos mais asseados. Papel higiénico não havia, nem sequer jornais e os míseros trapos eram reservados às rudes vestimentas. Como fazer então?

E eis mais uma função, hoje esquecida, das plantas nossas amigas. A gente dessas remotas eras servia-se dos vegetais que medravam nos campos. Era necessário escolher as folhas mais macias e sedosas para o efeito desejado, pois muitas eram ásperas e arranhavam os alvos traseiros das criaturas. É aqui que entra em cena o verbasco, planta que tinha muitas aplicações, como iremos ver a seguir.

O Verbascum thapsus, herbácea da família das Scrophulariaceae é, quase sempre bienal. No primeiro ano, forma uma roseta basal com grandes folhas grossas verde acinzentadas, cobertas de penugem e macias como flanela. Como se calcula, elas eram ideais para a função acima mencionada. Os catalães puseram-lhe o nome de “trepó”, pois a configuração das tais folhas faz lembrar as tripas dos mamíferos. No segundo ano, a planta deita um caule lanoso, ereto e vigoroso que chega a alcançar dois metros de altura. É ao longo desse espigão que se formam as pequenas flores, quase sésseis, de amarelo claro, com cinco pétalas e cinco sépalas. As folhas ovais e ligeiramente lanceoladas são alternas e bastante mais pequenas do que as basais do primeiro ano, mas igualmente cobertas de pelinhos brancos ou prateados. Os frutos são cápsulas cheias de sementes castanhas que não chegam a ter um milímetro de diâmetro.

O verbasco é nativo da Europa, Norte de África e Ásia Menor mas hoje está disseminado pelos vários continentes. Gosta de sol e de terrenos secos e pedregosos. É frequente no nosso país à beira dos caminhos serranos. Na serra da Arrábida surge em abundância. O reputado Engº José Gomes Pedro no seu “Guia de Campo – Flores da Arrábida” menciona o Verbascum sinuatum (verbasco-ondeado) que é basicamente idêntico à espécie thapsus. Aliás, saliente-se que existem no mundo mais de 300 espécies e subespécies de verbascos, cujas características pouco variam entre si.

As flores autopolinizam-se ou beneficiam de polinizações cruzadas, sendo estas as mais produtivas. As sementes possuem uma dormência espantosa. Estudos americanos calculam que as sementinhas conservam o seu poder germinativo durante cem anos.
O nome “verbascum” provém do vocábulo latino “barbascum” que significa “barba”, em referência aos pequenos filamentos que a planta possui.

Quimicamente o verbasco contém flavonóides, mucilagens, saponinas, hidratos de carbono, ácido cafeico e outros ácidos.

Entre as propriedades fitoterápicas da planta apontam-se, entre outras, a de ser demulcente, diurética, sedativa, adstringente, expectorante, anti-inflamatória, antibacteriana, antifúngica e analgésica.

Já na antiguidade clássica ela era usada para tratar faringites, amigdalites, afonias e tosse. De um modo geral, o verbasco é útil para debelar todos os males do aparelho respiratório. Segundo Pamplona Roger prepara-se, para esse efeito, uma infusão de 20 a 30 g das flores por litro de água para tomar três chávenas diárias. Deve-se filtrar o “chá” para evitar os pelos que podem irritar a garganta. Mas há ainda numerosas aplicações tópicas para limpeza e tratamento da pele, otites e eczemas no pavilhão auditivo.

A raiz seca e pulverizada é boa para problemas urinários e é base para cremes e unguentos no tocante ao alívio do hemorroidal.

É também usada em homeopatia.
Falta ainda dizer que, em tempos antigos, o verbasco era utilizado como piscicida, visto causar problemas respiratórios aos peixes de água doce que assim eram capturados mais facilmente.

Igualmente servia como base de vários corantes.
Com as folhas secas e os caules preparavam-se pavios e, envolvidas em sebo, constituíam tochas com boa duração.

Tudo isto tem a ver com práticas muito antigas que já entraram em desuso. Convém, no entanto, recordar e registar.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

“Repentina Veloz Troca De Olhares E De Reflectidas Intenções Divinatórias E Celestiais”


Corro veloz para o mergulho directo do alto de um penhasco para uma cama de pregos Espalmo pés e mãos por todo o lado por onde passo nas paredes e muros Engulo em seco o contracenso e vomito pelo chão o orgulho inglório Sorvo pelo leito do mar os pólipos dos recifes em tempo de desova aos milhões Contraceno de repente com palhaços inconscientes da realidade do quotidiano às centenas Quase adormeço em meu habitual andamento sonâmbulo e quase dou comigo a despertar Alego não ter tempo para nada e nem para ver o Céu ou às quantas horas ando ou desando Rasgo o cartaz exposto no gigantesco painel publicitário de abusos alcoólicos Remexo-me ébrio que nem um cacho de uvas ressequidas e secas de qualquer suco Pisoteio a centopeia com ela a tentar coçar a espinha dorsal com algumas das cem patas Carrego a consciência pesada e um enorme elefante africano distraído às costas Retiro da cabeça tatuada a tampa craniana e a carga duvidosa contida no seu interior Transformo a matéria física a mim adjacente em algo útil que se coma e vista Desmaterializo e materializo que me farto muita coisa com um mero gesto do pensamento Revolvo a pilha atómica de material inadequado que me envolve para venda na Internet Olho para o que se reflecte no espelho dos olhos de alguém e guardo o conteúdo na memória Renovo ambos o capuz e a carapuça de uma vez só do baú fechado sem maneiras e à pancada Embarco sem meter um único pé a bordo numa aventura num navio fantasma sem rumo Navego só com um compasso em terra firme sem qualquer esforço e de vela acesa em riste Marco a diferença unicamente com o envio aleatório de sinais gestuais e simbólicos Amasso muito bem a massa multidimensional e funcional que nos constitui a todos Embrulho e encaixoto a mistura da força de vontade e do conjunto de circunstâncias juntas Unifico o estar e o ser ou não numa taça única de champanhe dos mais onerosos Deixo pouco depois cair os dinheiros e os supostos valores morais na calçada Abro o bolso e o Espirito Santo deixando deles saírem fluxos de misteriosa luz índigo Brinco variavelmente com palavras e frases e sentenças de condenação geral atípica Enfio-me de Alma e com a aura violeta e com tudo o mais numa ampulheta do tempo Envergo bem alto vergado uma bandeira feita com argila e em tecido de fibras de verga Paro a determinado ponto como um cavalo de corrida em busca do torrão de açúcar Expiro e inspiro a intervalos curtos e acelerados após atingir os limites e a meta Porto-me como um atleta depois de abusivo consumo intravenoso de anfetaminas Interligo a fluidez contínua de meu sangue suspeitamente azul à panela de escape Mando coser em uma máquina manual de costura antiga as roupas para amanhã Atrevo-me a sair para o meio da rua no dia seguinte aos gritos e sem razão alguma Tudo só para que possa sorrir de alegria ao apreciar os horizontes marinho e celestial… Escrito em Luanda, Angola, a 24 de Novembro de 2016, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Homenagem ao Navegador Fernão de Magalhães, ao Explorador Silva Porto e ao Almirante Gago Coutinho e a tantos outros intrépidos e destemidos Aventureiros da Grande Aventura Humana, e sobretudo, pelo desempenho de enorme valia e realce de ambos e pelas respectivas contribuições no elaborado e acurado trabalho de cartografia e mapeamento (geográficos) de uma boa parte dos Territórios e Regiões espalhadas pelo Mundo, outrora sob administração Portuguesa…

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ATE À VISTA NO ALÉM

A Consciência humana é infinita
Por António Justo
A experiência da quase-morte (ou EQM) e do depois-morte (EDM) são uma constante histórica testemunhada nas diferentes culturas. No evangelho de Marcos, capítulo nove, é narrada a experiência do depois da morte, uma nova maneira de ser para além do estar, e na segunda carta aos corintos, capítulo 12, Paulo descreve a experiência da quase-morte, isto é uma experiência fora do corpo em que a consciência (alma) se revela sem limites por participar da infinidade divina.
A morte não tem a última palavra a dizer, como se vai constatando também na investigação científica que cada vez mais se dedica ao estudo dos fenómenos em torno da morte. A experiência, com moribundos ou com pacientes em coma, motivou médicos e outros cientistas a investigar as causas e o significado desses fenómenos: presença de um "ser de luz",  "emancipação da alma",  "experiência fora do corpo",  "desdobramento espiritual", “contacto com o além”,  “aparelhos imobilizados”, etc..
A crença materialista científica, das ideologias do século XIX, agora também posta em dúvida pela física quântica, começa a abandonar as cercas da sua certeza para admirar o que se estende para lá delas. Perante o resultado de estudos feitos vão deixando de se fixar na qualificação de tais fenómenos apenas como alucinações causadas pela falta de oxigénio no cérebro. No passado, muitos cientistas tinham medo de manifestar as suas experiências para não serem ridicularizados ou para serem conformes ao credo da ciência materialista. Charles Chaplin dizia “Não creio em nada e de nada descreio. O que concebe a imaginação aproxima-nos tanto da verdade como o que pode provar a matemática”! De facto, a experiência do inefável (Deus) deixa de crer para saber, sem poder provar a vivência porque é acontecer.
A consciência do ser humano existe independentemente do cérebro
Segundo a visão materialista, com a morte cerebral deveria morrer a consciência de ser. Muitos cientistas da medicina e da biologia chegam agora à conclusão que a consciência humana não se extingue com o apagar-se do corpo mas que continua a existir.
Raymond A. Moody, psiquiatra e filósofo investigou sistematicamente o que acontece depois da morte clínica; o mesmo se diga da psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross e de muitos outros. Eben Alexander descreve agora o que experimentou depois do cérebro deixar de funcionar. Uma experiência que pode tornar-se numa luz para quem só está habituado a avistar a matéria.
Eben Alexander, especialista do cérebro, esteve 7 dias em profundo coma com uma grave meningite bacteriana com uma chance de sobrevivência de 3% mas apenas como gravemente incapacitado. Sem funções cerebrais activas teve, apesar disso, a experiência extracorporal de uma consciência sem limites (Livro “Prova do Céu“). Neste estádio encontrou também familiares desconhecidos que depois veio  a conhecer e familiares falecidos e amigos. Passados sete dias aconteceu o impossível na medicina: o neurobiólogo regressou da visagem com novas forças e experiências. Eben Alexander teve a experiência de que a consciência humana existe independentemente do cérebro.
Não há que ter medos. Deus é maior que as nossas morais aritméticas e do que os nossos conceitos e ideias de justiça. No fundo do túnel escuro a luz brilha em ti para te incrementar o sentimento de segurança, amor e felicidade, o antes e o depois num presente eterno.
Conclusões possíveis de tirar com base também nas novas investigações: pensar a vida a partir do fim, a partir do nós, do outro. A morte só é uma estacão, no caminho para Deus, onde a infinidade eterna se torna o espaço da nova consciência.
O amor é o laço que une para lá da morte e que permanece na nova maneira de ser para lá das finitudes temporais. O amor é o folgo de Deus em tudo e em todos, a relação que mantém também o cosmos.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo,  http://antonio-justo.eu/?p=3953

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O governo defendeu-se neste caso da Universidade Lusíada. 

Não houve qualquer favorecimento, tudo foi feito às claras e segundo as regras, aliás, por via de um decreto-lei que foi promulgado pelo Presidente da República. Além disso, a legislação que permitiu a transformação das cooperativas de ensino em fundações data do último consulado socialista.
Contudo, continuam sem respostas as perguntas incómodas do deputado comunista Lino de Carvalho. Como é que se justifica o interesse da alteração em causa? Traz isso alguma melhoria ao nível e qualidade do ensino ministrado? 
A verdade é que há manifestos benefícios fiscais e aligeiramento das responsabilidades legais. 
E também é um facto que o primeiro-ministro chefiou um departamento naquele estabelecimento do ensino superior cujo homem forte é o pai do ex-ministro dos estrangeiros. 

Se não estamos a advogar em causa própria, parece. 

Eloquente é o que todo este alarido deixa a descoberto. 
Estas universidades privadas são espécies de coutadas onde se satisfazem clientelas; não é que uma grande parte dos governantes e mais influentes deputados dos grupos parlamentares, na última década, são ali professores? 
Não considerando aqui a Católica que, na sua génese, obedeceu a outros motivos e propósitos, se a primeira Universidade privada, a Livre e as suas sucedâneas, foi uma resposta que alguns Professores encontraram para os saneamentos com que se viram confrontados na sequência da avalanche revolucionária, o boom que se verificou nos fins da década de oitenta e princípios da seguinte, teve mais a ver com as possibilidades de negócio que se abriram pela combinação do números clausulos com a progressiva massificação do ensino e, certamente, com a galopante privatização do sector público herdado das nacionalizações ao tempo de Vasco Gonçalves. O interesse nacional é que nunca foi para aqui chamado. 

O futuro que se desenha no horizonte lusitano é medonho e eu temo que os amores do meu coração venham a ter que estudar longe daqui e que a partir disso se façam diáspora familiar e só posso esperar que os pais, enquanto viverem, possam dispor dos meios que possibilitem as visitas imprescindíveis. 

De tão nauseabunda, a comédia em que este país se transformou nem dá vontade de rir. 

Portugal tende a tornar-se no paraíso do crime organizado; já não temos um estado nem governantes capazes de se oporem a isso. 
Seremos uma espécie de cruzamento entre o Brasil e a Tailândia, isto se permanecermos na União Europeia. Isolados, estaríamos no domínio de uma combinação entre este último caso e o Perú das ditaduras militares. 


Estudem, filhas, estudem que um dia terão que sair daqui para fora. 



Hoje foi o dia da ficha de avaliação da Língua Portuguesa. 



Em contrapartida, há cento e vinte milhões de crianças no mundo que nunca foram à escola. 



E em França está ao rubro a polémica a respeito do uso do véu na escola pública. 
É matéria delicada que põe em relevo o beco sem saída a que a tibieza com que o problema foi tratado de início acabou por remeter todos os implicados. 
Agora, faça-se o que se fizer, será sempre como aquela história do velho, do rapaz e do burro. Se o estado proíbe será acusado de atacar a Fé. Se o permite, abre a porta para que todos os fundamentalismos entrem na sala de aula. 

Atenção que esta é uma daquelas situações em que devemos aprender com a experiência alheia. 

E a verdade é que se ninguém deveria pedir que os imigrantes se assimilassem, também não é menos verdade que, tanto de uma parte como da outra, tudo deveria ser feito no respeito pelos costumes do país de acolhimento. Pode parecer que isto é uma imposição xenófoba mas na realidade visa apenas evitar que se formem guetos de condenados aos trabalhos menos qualificados que o tempo e as degradações dos níveis de vida se encarregam de transformar em viveiros de miséria e integrismos vários. 
Se as meninas quisessem andar de chador ou véu, tudo bem, mas não na escola pública de um estado laico e isto exactamente da mesma forma que não podem recusar-se a prestar provas em dadas matérias como, por exemplo, o papel dos anti-concepcionais na liberdade das mulheres, ou o planeamento familiar, ou ainda a teoria da evolução. 
Além disto, nunca num estado em que há separação entre os poderes temporais e seculares deveria ter sido aceite que os líderes religiosos de uma dada comunidade se apresentassem como seus representantes perante a sociedade envolvente. 

Agora há uma bomba relógio que muito sangue fará escorrer quando rebentar. 


Neste azul planeta 
verdadeiro paraíso, 
será o Homem um cometa 
devido à falta de siso? 


 Alhos Vedros 
   11/12/2003

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

REAL... IRREAL... SURREAL... (230)

Título: Talvez Salazar, António Tapadinhas,
Tinta da China sobre Cartolina Rosa
O velho abutre

O velho abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas

Sophia de Mello Breyner Andresen


Selecção de António Tapadinhas

sábado, 19 de novembro de 2016

Região Literária


DA POÉTICA AO SIGNIFICADO

A poética assume-se como uma manifestação da criação, mas não é a criação. Ela é a expressão artistica da nossa emocionalidade, mas também é o que não tem palavras para ser descrito. De igual modo, ela é o resultado da experiência directa – o que está para além da linguagem e do pensamento. Por conseguinte, a expressão artistica é a expressão da nossa emocionalidade, mas não é a nossa emocionalidade.

A poética revela-se pela intuição, pelo instante, por aquele breve momento em que o nosso pensamento pára, bem como as emoções se silenciam e o acto de criar ganha condições de se revelar. E, assim, cria-se um poema, uma prosa, uma pintura, uma estátua, ou outra obra de arte. Digamos, então, que a arte é a manifestação humana da nossa essência. Ela une os homens. Contudo, enquanto só temos consciência da nossa individualidade, está no domínio subjectivo, da visão particular e individual. Está ainda inserida no vislumbre que permite o acesso ao absoluto. Na intuição, na percepção instintiva, no impulso independentemente da reflexão. O acto de criar não é, pois, do domínio intelectual, resulta sobretudo da percepção e da sensação, jamais do raciocínio, tão pouco da visão do artista.
Como num breve momento o pensamento se aquieta e as emoções silenciam. O artista, num instante, intui o que não sabe saber, o que está além da forma e da ideia, do espaço e do tempo e não é condicionado, mas garante a realidade da criação da obra; a acção que dá a conhecer, pela forma e pela ideia, o sentido da obra não materializada, a qual se manifesta pelo desejo de conhecer a verdade através do crivo de uma peneira, a das concepções e emoções, dos traços e caracteres, no fundo, da visão inerente do artista que, consequência desta, cristaliza a dimensão da sua obra.

Para o artista é  a obra o meio da expressão artistica, porém revela-se-lhe também como uma nova faceta da sua tomada de consciência. Mas a obra é a revelação de um momento seguinte não consciente de uma cultura, a forma do que ainda não tem forma, a ideia do que ainda não é mais do que o germe. A antecâmara de uma consciência que está em movimento, que nasce, se desintegra e se transforma numa outra diferente. É a manifestação do aspecto intuitivo e criador, da radiância primordial. Assim, aquele que admira uma obra de arte sente essa satisfação interior, e quando a olha, nem a obra nem o que a olha serão os mesmos, mas outros, pressupostamente diferentes.

O admirador, tal como o artista, a partir da percepção, quando enxerga a obra de arte, apercebe o sentido ou o significado de ser e, em vez de encontrar a divisibilidade, encontra essa satisfação interior.

 O apreciador de arte, cada vez mais nos dias de hoje, procura aspectos intuitivos e de maior conhecimento de si como ser humano. Procura  um sentido para o sentido que a vida tem. É natural que, com o tempo, a arte ganhe uma nova dimensão, deixando de ser apenas vista como um meio de expressão artística, mas como um meio de autorrealização.
As utilizações das figuras de estilo, dos signos, dos simbolos, dos paradoxismos encontrados na linguagem, apresentam-se ao público como a expressão verbal ou visual do que está além da linguagem, a aproximação ou a manifestação da experiência directa, a manifestação da realidade absoluta que não é o absoluto. Todavia, também é a cisão no modo de pensar, do modelo de pensamento, da dualidade que este tem; senão uma renovação desse, uma consciencialização do que pode ser essa satisfação interior a que me referi anteriormente.

Penetrar na essência da palavra é ser o que não tem diferença entre o que se apercebe e o que é apercebido.  Pela razão da coerência e da coesão do raciocínio lógico, acabamos por acreditar num processo de separatividade para expressar o que é apreendido conceptualmente, perdendo a experiencialização do femómeno em si. Assim, a palavra precede a sílaba e a sílaba, o som. Mas como intelectualmente não nos é acessivel apreender a nossa identidade, apenas percebemos, em parte, o que nos é acessivel  e conceptual; de igual modo, só à medida que penetramos na nossa natureza é que vamos ganhando o conhecimento do que é e do que representa a palavra.

De uma forma mais lata, podemos então dizer que o nosso pensamento é modulado e transformado pelo som. O som tem, portanto, uma acção direta em como somos. É como um germe. Há, implicito, um sentido de continuidade, tão como aqueles que somos hoje, não sereremos exactamente os mesmos que seremos amanhã.

Nesse  processo o som assume dois aspectos na sua manifestação – o interior e o exterior.  O exterior revela-se em como a palavra pode ser determinante no ambiente. Uma palavra agressiva pode determinar as mais violentas acções, ou, pelo contrário, uma palavra de conforto pode aliviar a enorme dor de alguém. Na sua expressão mais elementar podemos compreender, com este exemplo, como a palavra proferida afecta os pensamentos e emoções dos que nos rodeiam. Já no aspecto interior, revela-se pela nossa melhor percepção, através dos pensamentos e das emoções, que nos dão esse sentimento de satisfação interior e essa amorosidade.

De uma maneira muito concreta e objectiva, à medida que nos vamos conhecendo, não apenas compreendemos as implicações dos nossos actos, pensamentos e emoções, essa essência criativa, como também nos apercebemos da nossa verdadeira identidade, essa inexistência de significado e significante, de sujeito e de objecto, onde a palavra se manifesta por esse som primordial que nos conduz além da experiência ou de qualquer visão - a radiância primordial.

José Pais de Carvalho
Sintra, 2015

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Património de Uberaba - Minas Gerais


Margarida Castro
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br

Mercado Municipal

Mercado Municipal
O Mercado Municipal funciona em prédio erguido em 1922, na Praça Manoel Terra. Sofreu reformas em 1936 e 1992, que modernizaram seu interior e todas as suas instalações, mas que conservaram seu estilo original. É uma excelente opção para compras de produtos típicos mineiros, frutas, verduras, laticínios, carnes e peixes, além de contar com outras lojas de produtos típicos. Nas manhãs de Domingo a fundação cultural promove o Domingo Musical.

Horário de funcionamento: Segunda a sábado das 6h às 18h, Domingo das 6h às 12h.
Pça. Manoel Terra s/n°
 3332-1691

Prédio do Paço Municipal Major Eustáquio 

Prédio do Paço Municipal Major Eustáqui
É o prédio público mais antigo da cidade. Foi construído em 1836 e é o centro histórico das decisões políticas do Município. A construção evoluiu do estilo colonial ao atual eclético, tendo passado por várias reformas, mas resguardando suas características e proporções. Sua decoração interna apresenta tetos e paredes adornados, com pinturas da década de 20, alusivas à história de Uberaba. Abriga, atualmente, a Câmara Municipal de Uberaba.
Horário de visita: Somente com agendamento prévio
Rua Coronel Manoel Borges, 41
  3318-7261 / 3318-1761 - Contato: Sumaira / Diretora do Departamento de Documentos e Pesquisa         


Igreja Santa Rita

Horário de visita: Segunda a Sexta das 7h às 18h
Pça. Manoel Terra, s/n
  3316-9886   masmuseudeartedeuberaba@yahoo.com.br

 
Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus 

Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus
Instalada no núcleo inicial de povoamento da cidade, a Igreja da Matriz do Sagrado Coração de Jesus acompanha a história de Uberaba. Tornou-se Catedral em 1896. A igreja passou por várias modificações durante estes anos, porém seu estilo neo-gótico foi conservado e é grande sua beleza interior. Comemorou no ano 2000, 180 anos de atividades paroquiais.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 09:30h às 12h e das 13h às 17h
Rua. Tristão de Castro, 17 - Centro
 3332-1775  catedralpscdejesus@hotmail.com 


Igreja Medalha Milagrosa

Igreja Medalha Milagrosa
Está localizada no Mosteiro da Imaculada Conceição. No interior da igreja encontra-se o túmulo da fundadora do Mosteiro, Madre Virgínia, canonizada devido a um milagre ocorrido em março de 1988 na cidade. Atrai, anualmente, milhares de romeiros de todos os lugares do Brasil, principalmente no dia 27 de novembro, data da comemoração da festa dedicada à Santa Padroeira.
Horário de visita: Segunda a Sexta das 6h às 17:30h, Sábado e Domingo das 6h às 18:30h.

Igreja São Domingos

Igreja São Domingos
É um dos mais belos templos religiosos da cidade em estilo neo-gótico. Sua forma em cruz assemelha-se às igrejas bizantinas. A pedra fundamental foi lançada pelos padres dominicanos em 1895, tornando-se o marco de chegada desta ordem religiosa ao Brasil. Sua inauguração só ocorreu em 1904, ainda sem as torres, as quais foram terminadas em 1914. Por esse motivo ficaram com estilo diferente da construção original, que é toda construída em tapiocanga de cor avermelhada, deixadas aparentes, naturais da região de Uberaba, resultando em textura de grande originalidade.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13:30 às 17h
R. Lauro Borges, 272
  3332-1261  igcentenaria@netsite.com.br   www.igrejacentenaria.com.br

Igreja Nossa Senhora da Abadia

Igreja Nossa Senhora da Abadia
Sua construção quase toda horizontal impressiona pela grandeza. A bela imagem de Nossa Senhora da Abadia, a padroeira de Uberaba, está colocada em cima de sua torre e pode ser vista de vários pontos da cidade. Foi fundada no fim do século XIX (1884), e durante a primeira quinzena de agosto, realiza-se sua tradicional festa religiosa trazendo milhares de romeiros de outros lugares tendo seu ponto culminante no dia 15 de agosto, com procissão e missas durante todo o dia dedicado à nossa santa padroeira. Esta festa tem muito de nosso folclore, com barraquinhas, danças típicas, leilões, jogos, parques etc.
Horário de visita: Segunda: 8h às 11:30h e das 14h às 17h
                                Terça a Sexta das 7h às 11:30h das 14h às 20h
                                Sábado das 8h às 11:30h e das 16h às 18h
                                Domingo das 7h às 12h e das 16h as 20:30h
Pça. N. Sra. da Abadia, 323
  3322–7771  santuariodabadia@bol.com.br   www.santuarioabadia.org.br


Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus

Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus
Localiza-se no bairro fabrício. Teve sua pedra fundamental lançada em 1949. Construída em alvenaria de tijolos. A igreja aparenta características neoromânicas, com planta em cruz grega e nave única. Os vitrais dispostos nas ilhagens da capela. Reproduzem cenas da vida de Santa Terezinha.
Horário de Visita: Segunda a Sexta das 8h às 11h e das 13h às 17h
Praça Santa Terezinha, 231
  3332-2284  paroquiasantaterezinha@uol.com.br

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

S. Martinho, justiça e liberdade


Risoleta C.Pinto Pedro

Perguntamo-nos o que é a liberdade, se existe, se somos livres, de que modo podemos aproximar-nos disso que consideramos ser a liberdade. Se me sento ou não se sento, se vou pela esquerda ou pela direita e digo que isso é a minha liberdade, talvez os outros acreditem. Mas eu acredito nisso? Falo alto porque tenho a liberdade de o fazer, ou porque estou irritadíssima e o fígado quer fazer-se ouvir mais alto do que eu? Se uma vez admitindo que estou irritada com o que aconteceu ali naquela esquina, quem me garante que o que ali sucedeu não foi apenas um eco do episódio dos seis anos, por sua vez um eco do episódio dos seis meses, pro sua vez um eco do episódio de …? Ou de antes… ?

E que tem isto a ver com o recente e inocente S. Martinho, o do dia das castanhas?
Conta a lenda que ao ver um pobre com frio, num dia de chuva, com a sua espada cortou a própria capa ao meio para com ela cobrir o sem abrigo. Nisto, deu-se o milagre. O mau tempo parou. Daí, o verão de S. Martinho. 

Que tem isto a ver com justiça, com liberdade?
É a espada. A espada e Marte. S. Martinho foi baptizado por Marte. Mas o seu coração está tão temperado de compaixão, como o metal da sua espada foi temperado pela forja do amor. É o coração que dita o gesto deste Marte ou Martinho bem temperado como castanhas portuguesas.

O Marte destemperado não é guiado pelo coração, mas pela mente. Pelo medo. O gesto livre é justo e parte do coração. O gesto condicionado é injusto e parte da mente. O gesto ditado pelo generoso amor dá o verão de S. Martinho. O gesto ditado pelo ambicioso medo dá o aquecimento global. Esse, que agora é moda dizer-se que não existe.
Vejas as diferenças, como nos passatempos do jornal. E deixe as notícias.