"Gaia", a Terra mãe, de onde nós humanidade saímos de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima "película" superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a preservação da Natureza depende da nossa ação quotidiana.

José Augusto Batista


quarta-feira, 20 de junho de 2018

O livrinho já chegou


Aqui a capa integral, com badanas incluídas. Se não for antes, poderão manuseá-lo na 47ª Feira do Livro de Alhos Vedros que este ano decorrerá entre 28 de junho e 1 de julho, no Largo do Coreto. Para ampliar, clicar em cima da imagem


terça-feira, 19 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Dias sem história e com um mergulho em alto mar, só para ver peixinhos de aquário ao natural. 

E o silêncio de uma ilha com praia de postal. 


Vimos um espectáculo de golfinhos em ambiente natural, num dos canais que os aglomerados de mangue fazem. 


De resto as noites, cheias de calor e abraços. 



Naipaul, em “A Curva do Rio”, fala-nos da sorte de África pós-independências que nada mais soube fazer que sugar o pouco de energias criativas que lhe ficaram do passado colonial. 
Sem esperança que não a certeza de saber que entre duas matanças há sempre um tempo para repor a comida sobre a mesa e os telhados sobre as paredes. 

Um mestre, só um mestre consegue falar de um país, simbolizado continente, materializado povo, ao ritmo das histórias de vida de um sujeito e daqueles que mais directamente com ele privaram. 

Obra-prima! 



Bolas! Nunca consigo dormir no avião. 


 Algures sobre o Atlântico 
         04/04/2004


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Naipaul, V. S., A CURVA DO RIO, D. Quixote, Lisboa, 2003

segunda-feira, 18 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (309)

Daedalus Attaching Icarus' Wings, Joseph-Marie Vien, 1754
Óleo sobre Tela, 195 x 130 cm


Joseph-Marie Vien, nasceu na cidade de Montpellier, França, a 18 de Junho de 1716 e faleceu a 27 de Março de 1809, em Paris.
Foi o pintor, desenhista e gravurista francês, que ganhou o Prix de Roma em 1743.
Deve a sua admissão na Academia de Paris graças a esta obra, Daedalus e Icarus.
Vien foi um dos primeiros pintores do movimento artístico designado como Neoclassicismo.

Selecção de António Tapadinhas 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

«OS MEUS PREFÁCIOS». 15

Coordenação Pedro Martins

03-06-2018 11:54

Prefácio, com texto adicional na contracapa, a A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, de Rodrigo Sobral Cunha[1]

Neste livro, Rodrigo Cunha tirou uma história de outra história como quem tirasse uma pérola do seu engaste de ouro. Talvez nada mais esteja hoje ao nosso alcance do que tirar histórias de histórias. Porém, ao fazê-lo, se na primeira história há verdade e a soubermos ver, continuamos a engendrar segundo o espírito e poderemos, talvez, olhar o que está para além de nós. Não será este o caso de Rodrigo Cunha?
A História Verdadeira de Aladino, compreendida através do que seu autor nos diz dos liliputianos, anões e gigantes, à luz do raio, que lhe coube, da lâmpada maravilhosa, não virá convencer os incrédulos, desta, tão actual, impressionante profecia:

«Sobre os traços de Seth nascerá o último ser engendrado do género humano. Ele será portador dos seus segredos. Depois, não haverá mais filhos entre os humanos, porque ele é o Selo dos engendrados.
Com ele, nascerá uma irmã. Ela virá ao mundo antes dele, e ele depois dela, a sua cabeça junto aos seus pés.
O lugar desse nascimento será a China e a sua língua será a dos povos deste país.
Em seguida, a esterilidade espalhar-se-á entre os homens; as uniões sem progénie multiplicar-se-ão.
Chamará os homens para Deus, mas ninguém o ouvirá.
Quando Deus, o Altíssimo, o fizer morrer e Ele tenha feito morrer os crentes do seu tempo, aqueles que restarem serão como bestas, sem consideração pelo que é lícito e pelo que não o é. Agirão governados pela natureza, dominados por instintos que nem o Intelecto nem a Lei controlarão. É sobre eles que se levantará a Hora.»

Segundo estas palavras de Ibn’Arabî, o último descendente de Seth nascerá, como vem de ler-se, na China. O mágico negro foi lá que adivinhou Aladino e a sua lâmpada e veio de extremo a extremo da terra até ao Império do Meio, para, uma vez de posse da lâmpada, poder dominar o mundo, fazer dele o seu globo, uma farsa macaqueada do Quinto Império. No momento exacto em que estava prestes a consegui-lo, uma criança negou-lhe esse poder. Aladino não lhe entregou a lâmpada. Pouco foi preciso depois para que nesse mesmo mundo, que é o nosso, reinasse a Bondade e a Beleza.
E também a Verdade, porque tudo será um Milagre da Luz.
É essa mesma luz que perpassa, remota, nas páginas admiráveis em que Rodrigo pretende contar-nos a Verdadeira História de Aladino.

Texto publicado na contracapa do livro

«Pediu-me o autor de A Verdadeira História de Aladino que a fizesse preceder de umas palavras mágicas capazes de abrirem uma Introdução, isto é, uma Porta ou Janela para aqueles que não sejam capazes de entrar pelos telhados. A verdade é que, depois, a lermos a essa história tirada de outra história, sentimo-nos como Aladino nos jardins subterrâneos e o autor aparece-nos como o Mágico Africano, pois ao pôr no fecho dela a palavra exclamativa “Continua!” faz o equivalente ao que aquele fez ao colocar de novo a pedra para que o jovem jamais de lá pudesse sair. Mas as palavras do autor têm a qualidade de um ritmo superior e funcionam como o anel de poder e de guarda que o Mestre deu ao discípulo e assim abre-se em nós a perspectiva de continuar a história maravilhosa dentro da nossa alma, pois o “Continua!” é uma pedra que se abre, uma pedra que se levanta, fazendo com que nos sintamos impregnados do santo desejo de encontrarmos nos subterrâneos dessa alma a lâmpada maravilhosa.»

António Telmo


[1] Nota do Editor – Publicado originalmente em Rodrigo Sobral Cunha, A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, Sintra, Zéfiro, 2009, pp. 7-8.

Ler mais: https://www.antonio-telmo-vida-e-obra.pt/news/os-meus-prefacios-15/

terça-feira, 12 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

SUNNY DAYS

Varadero, a vila, é uma recta com alguns quilómetros, marginada por casas onde vivem aqueles que trabalham nos muitos hotéis que ocupam a linha de costa da península de praias e canais de mangue numa das margens da ponta de lança que a terra faz pelo mar a dentro. 

Também aqui pululam as casas de vida atamancada, pisos térreos que já viram melhores dias e outros, com anexos de barracas e alguns com as corcundas dos primeiros pisos de auto-construção para responder ao aumento das bocas sob o mesmo tecto. 

E lá estão as pequenas feiras de artesanato como a que vimos na capital, na imediação das unidades hoteleiras. 


Também aqui, os cubanos têm olhos tristes. 



Como é boa a tranquilidade do dolce fare niente. 

Esta manhã passeamos de bicicleta pelos arredores, pois amanhã passearemos de barco pelas ilhotas de mangue. 
Há fotografias a fazer. 


Vida de hotel. Leituras, beijos e braçadas. 
Nada mau, heim… 

Ontem à noite assistimos a um espectáculo de magia.
Um canadiano chamado Ron caiu na berlinda. 


Dias com vinte e nove graus, noites com vinte e oito e águas com vinte e sete. 

Na pequena língua de areia lambida pela espuma de um verde transparente que se deixa azular na direcção do largo, as sombras são dadas pelos coqueiros e outras palmeiras que não sei identificar. 
O cair da tarde faz-se de uma luz doirada que parece acender a ressaca com brilhos que o mar traz e leva. Depois vai-se o crepúsculo em fogo que aqui, neste litoral, se faz sobre a terra. 


Enquanto em hotéis de países cristãos é comum haver uma Bíblia na mesa-de-cabeceira, aqui há exemplares de uma revista de propaganda. 

Ainda assim, no exemplar de Janeiro deste ano, com uma entrevista a Chomsky, (1) em que o jornalista se esforça por fazer revelar os aspectos mais críticos do capitalismo no pensamento do cientista. 



Hoje vi um pelicano pescando na praia. 


   Varadero 
 03/04/2004 


NOTA 

(1) Chomsky, Noam, TAN PARECIDO A SU FANTASMA, pp.8/11 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Chomsky, Noam, TAN PARECIDO A SU FANTASMA, Entrevista por Vladia Rubio, Bohemia, nº. 2, Ano 96, 23/01/2004

segunda-feira, 11 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (308)

O Campo de Milho, Autor John Constable, 1826
Óleo sobre Tela, 1,43 x 1,22 cm


John Constable foi um pintor romântico inglês, que nasceu em Suffolk a 11 de junho de 1776 e faleceu em Londres, a 31 de março de 1837.
Foi considerado um excêntrico pelos pintores que eram seus contemporâneos, porque preferia pintar ao ar livre.
Autodidata, John Constable mudou-se para Londres quando tinha vinte anos de idade.
Foi precursor da pintura de paisagens ao ar livre, para estudar os efeitos da luz na paisagem o que o levou a pintar versões do mesmo motivo sob diferentes condições atmosféricas, técnica que, anos depois, teria influência decisiva sobre os impressionistas.

Selecção de António Tapadinhas

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa


1.

“Encantado De Vento Em Pôpa Pela Ilusão Encaixotada De Cantos Fluídicos Espirituais”

Encantam-me os cantos e os desencantos da desilusão
Encaixo-me dentro de caixas e caixotes de cartão pré-reciclados
Desinibo-me de inibições e exibições pouquíssimo ambiciosas
Desarmo-me de armas e munições de pólvora sêca atómica

Disparo balas explosivas e os próprios canhões a reacção
Desloco-me materialmente para locais deslocalizados
E ainda vou de vento em pôpa sem proa ou leme ou velas
Subo ao mastro principal sempre a escorregar por ele a baixo

Seco o fluido rubro das veias e dou-o a beber aos vampiros do alheio
Descontrai-me imenso ver a carteira vazia cada vez mais contraída
Monto a besta quer queira ela ou não e desmonto-a peça por peça
Alego na escrita mural de parede de só fazer recurso a alegorias

Uso parábolas de desígnios feitos em contrafacção por profetas falsos
Entro em contradição e teimosia plenas em função das metáforas
Contradigo o que digo de olhos fechados com os olhos abertos
Faço desmoronar a ideia fixa e movo-me verbalmente por afinidades

Início o inicio de uma frase com paradoxos e findo-a sem lógica alguma
Rompo com o passado das sentenças desprovidas de sentido figurado
Desfiguro-me facialmente através de gestos de irrelevante significado
Fecho a fonte das origens primordiais e desligo a correnteza espirita…

Encerro por momentos o fluxo dos sonhos mal sonhados e reinicio o programa elementar…

Escrito a 5 de Junho de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola, em Homenagem aos Afoitos, Corajosos e Aventureiros da Vida e dos que enfrentam Riscos e outros Perigos com o peito abertamente e com a maior das normalidades e sem que isso pareça constituir algo por aí além…

“Aos que normalmente e de forma muito natural, são heróis das iniciativas da Vida, e que, assim, a ajudam a mudar e a evoluir…”


2.

“Da Verdade E Da Realidade Em Duvida Ao Invisível Azimute Da Irreflexão Ilimitada…”

Já não sei se o diga ou não!
A verdade já não me soa mais ao que devia ser!
Fico agora confuso…
Duvido amiúde disto tudo…
Tenho a própria realidade posta em questão!...

Transplanto a sêde e a fome para outra ocasião…
Busco respostas em tudo o que mexe…
Movimento o ego…
Centralizo-me no umbigo…
Perco o fio à meada e nada sei mais!…

Quiçá vegete tanto e tão pouco!
Navegue sem rumo definido!
Sem destino ou azimute!
Saio tão simplesmente dos limites do tempo…
Sou um nada ou um ninguém e um que nunca fui ou foi!…

Vejo-me espelhado na invisível inflexão interior sem qualquer reflexão exterior…

“Em resiliente e persistente busca de uma Orientação Consciente e da/pela/na Plenitude da Verdade e da/na Realidade…”

Escrito a 4 de Junho de 2018, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em data dos nascimentos de meu Avo Daniel de Sousa (transitado há alguns anos atrás), nascido em São Martinho do Porto, Portugal, e de meu Filho mais velho, Luis Daniel Silva de Sousa, nascido em Luanda, Angola


3.

“Hipotético Ser Aos Poucos…”

Nada sou e hipotético sou e sei disso!
Patético ando e tresando aos poucos…
Escabeceio no meio de um só seio
Parece que ensurdeço com a falta de barulho
Ou será que enlouqueço antes de tudo?...

Escrito a 4 de Junho de 2018, ao início da madrugada, em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em semelhança ao estilo dos Hakai Japoneses… e em Homenagem ao singelo Homem Divino, que cada um de nos reflecte e representa…

quarta-feira, 6 de junho de 2018

47ª Feira do Livro de Alhos Vedros


PROGRAMA DA 47 FEIRA DO LIVRO
DIA 28 DE JUNHO
INAUGURAÇÃO
ATUAÇÃO DOS BOMBEIROS DA MOITA
INTERVENÇÃO DAS ENTIDADES
MÚSICA COM LAU GOD DOG - APRESENTAÇÃO DO ÁLBUM "MEIO CÃO MEIO DEUS"

DIA 29-MÚSICA COM ASSOCIAÇÃO ACADEMIA DE ARTES DA MOITA
DIA 30 - ATUAÇÃO DAS CLASSES DE GINASTICA AERÓBICA DA ACADEMIA 8 DE JANEIRO SOB A ORIENTAÇÃO DE TIAGO FAQUINHA
HOMENAGEM A ARTUR MANUEL ANTUNES
CELEBRAÇÃO DOS MÉRITOS E DESEMPENHOS DAS GINASTAS NAS PROVAS NACIONAIS E DISTRITAIS
MÚSICA COM TONY DA COSTA
DIA 1 DE JULHO - ATUAÇÃO DO GRUPO B VOICE-VOZES E INSTRUMENTOS -
NA CAPELA-EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA ANTÓNIO ALEIXO SOBRE MADEIRA
E INSTALAÇÃO UM CONTO COM VIDA
TODOS OS DIAS AMIZADE
LIVROS E AUTORES
ENCONTROS E CONVERSAS POSSÍVEIS EM BOM AMBIENTE

terça-feira, 5 de junho de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Viagem entre Havana e Varadero. 

Há rios que desaguam em gargantas carregadas de verde até à linha de transparência das águas azuladas. 
E os urubus, sempre atentos e planantes, indicando a caça ao nível do solo. 


Como será a distribuição da propriedade rural? 

Aqui e ali há casas de famílias que, tudo o indica, têm uma leira de terra em amanho. 


Ao longe, as montanhas deram-se ao reino de florestas. 
E no vale imenso que em abrasão se estende até ao mar, a planície arroteada tem os nichos de árvores que nos fazem saber em paisagem tropical. 


A rede viária responde perfeitamente ao tráfego existente. 
E o estado de conservação não deixa muito a desejar. 


Chegada a Varadero para hotel com praia privada. 
Entrámos num mundo de fantasia. 

Espera-nos o repouso nos próximos dias. 


Cada restaurante tem a sua banda para embalar a refeição. 


   Varadero 
 01/04/2004

segunda-feira, 4 de junho de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (307)

Casino de Nice, Raoul Dufy, 1927

Óleo sobre Tela


Raoul Dufy, nome completo Raoul Ernest Joseph, nasceu em Le Havre, a 3 de Junho de 1877 e faleceu em Forcalquier, a 23 de Março de 1953.
Foi um pintor, desenhista, gravador, ilustrador de livros, ceramista, ilustrador de tecidos, decorador de interiores e teve diversas intervenções em espaços públicos.
Na pintura, foi Impressionista a princípio mas evoluiu progressivamente para o fauvismo, depois de travar contacto com Henri Matisse.
A cidade de Nice ofereceu um jazigo no cemitério de Cimiez, em 1956, onde ele jazz, próximo a Matisse.

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 1 de junho de 2018

EG 100

ESTUDO GERAL
Mai/jun     2018           Nº100


"Gaia”, a Terra mãe, de onde nós humanidade saímos de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima “película” superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a ação da Natureza depende da ação quotidiana." (José Augusto Batista)


Sumário
Intróito
Diarística
Versatilismo (pintura)
Com legenda de Carlos Drumond de Andrade
Antepassados ibéricos (ou, nós também gostamos de História)
Um Poema
Audio e Oficial Vídeo
Vídeoclip Oficial de album de estreia “Meio Cão, Meio Deus”
Fitoterapia
Uma reportagem sobre Encontro organizado por um grupo de cidadãos 12.5.2018


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

quarta-feira, 30 de maio de 2018

TERRA


TERRA
(Pedro Du Bois, inédito)


Em mim a terra leve da infância
permanece sob os pés
em andarilhos descaminhos
envelhecidos e quentes

no mesmo lugar me encontro
sempre onde me acendem
as luzes e esquentam águas
do banho e aquietam medos
do começo estremecido
na necessidade de ir embora
                                      e voltar

sou suficiente no que fiz da vida
e contente retorno em cantos
de letras dispostas sobre o peitoril
onde balanço o corpo sob olhar
da heroína que acompanha o gesto.

-------------------------------------------------
EARTH
(Pedro Du Bois, inédito)
(Marina Du Bois, English version)

In me the light earth of childhood
remains under the feet
in wanderers
old and hot mischief

I find myself at the same place
always where the lights
come on and the bath waters
are warm and the fears
from the shaken start
in the need of leave and come back
                                         are quiet

I’m good enough for what I’ve done in life
and happy I return in songs
of lyrics arranged on the still
where I swing the body under the gaze
of the heroine who follows the gesture.

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terça-feira, 29 de maio de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

O show do Tropicana é para o inglês ver. 
Trata-se de um espectáculo de música do Caribe que, pelo colorido e diversidade dos fatos que os cantores e bailarinos usam, faz um efeito de encher a vista que os ouvidos, esses, encantaram-se pelos ritmos e la pásion das vozes que recriam ou pretendem recriar uma Cuba de cabaret que já não existe.

Jantámos num excelente restaurante instalado numa espécie de estufa, cujos tufos de verde dos canteiros prolongam o jardim botânico que preenche o perímetro do complexo, da mesma forma que o faz em relação ao edifício em que se encrusta a esplanada em que decorreu o musical. 


O Capitólio que dizem ser uma réplica do original de Washington é hoje em dia ocupado com serviços científicos e pedagógicos da Universidade de Havana. 
Vale a pena passear pelos amplos corredores com chão em mosaicos de patinagem, a preto e branco. 
Símbolo e sede do poder que a revolução castrista derrubou, ainda hoje lá está o hemiciclo do antigo parlamento. 

Interessantes exposições de pintura com a surpresa de vermos as tintas da china de uma voz crítica. 

Levámos mais uma aguarela e um óleo para casa. 



Há dias que nada sei do que se passa pelo mundo. 
Não há imprensa livre em Cuba; os jornais e as revistas existentes pertencem ao estado ou ao partido comunista. O mesmo para a rádio e a televisão cujos debates e programas formativos têm, normalmente, o cunho da propaganda. 
Como tenho a certeza que tudo está bem com os meus amores e como não me apetece telefonar para quem quer que seja, é como se estivesse noutro planeta. 


São dias propícios para que o namoro regresse. 


     Havana 
 31/03/2004

segunda-feira, 28 de maio de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (306)




Midvinterblot, 1915 (O ritual pagão nórdico do inverno)


Carl Larsson produziu duas grandes obras monumentais, expostas no Museu Nacional de Belas-Artes em Estocolmo (Nationalmuseum): Midvinterblot e Gustav Vasas intåg.[


Carl Larsson nasceu em Gamla Stan, uma antiga região de Estocolmo, em 28 de maio de 1853. Sua família era muito pobre e Carl cresceu em tristes circunstâncias. O único brilho de esperança era seu forte talento artístico, que apareceu mais tarde em sua vida. Quando ele tinha treze anos seu professor o convenceu a tentar uma vaga na Principskolan, um departamento temporário da Academia de Arte. Durante os primeiros anos na Principskolan, Carl encontrou dificuldade de adaptação. Seu senso de inferioridade social o fez sentir um estranho. Mas quando tinha dezesseis anos, ele foi transferido para uma escola antiga, o mais simples departamento da Academia de Arte. Ele começou a sentir-se mais confiante e não demorou para que se tornasse uma das figuras centrais do círculo de estudantes.

in Wikipedia

Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Dar Voz ao Silêncio (no prelo)




Aqui fica a capa e a "Introdução" da última publicação do "Largo da Graça"

Este livrinho é dedicado ao nosso planeta Terra, o planeta azul, que nos dias que correm anda demasiado cheio de lixos e fumos vários, embora seja grande a sua autocapacidade de regenaração para lá das manias antropocêntricas de alguns.

Fazendo minhas as palavras do meu amigo José Batista, "Gaia", a Terra mãe, de onde nós humanidade "saímos" de um parto recente, após um desenvolvimento de 3.800 milhões de anos. A biosfera é uma finíssima "película" superficial. Cuidemos dela em vez de a delapidar e contaminar. Em grande parte a preservação da Natureza depende da nossa ação quotidiana.

Boa Viagem. Bons ventos de navegar. É esta a hora.

Intróito

O tempo é coetâneo da eternidade,
e tal como a eternidade
existe e não existe,
nada se perde e tudo se transforma
tudo é sem princípio nem fim,
estás preparado para o milagre de hoje?

Bom é andar bem agasalhado ao frio
da noite, onde as corujas vivem
guardando as margens,
Bom é beber um refresco de verão
no pino da tarde, no sol a pico
brilho intenso do sol, luz
Mágica é a temperatura do ar
a amplitude térmica da Terra
onde as plantas se adornam
e nos sopram devagar ao ouvido,
Mágico é o suspiro, salgada é a lágrima
o aconchego da profunda inspiração,
Milagre é ver a paisagem
todas as cores, as asas das pombas
águas do rio que passam
ao nos ver passar,
Milagre é caminhar e sentir
o ar na cara,
azul.

Estás preparado para o milagre de hoje?
Vamos dar voz ao silêncio
Vamos fazer um Libreto,
Música de palavras.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O Beijo



Kity Amaral

O Beijo

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

(Carlos Drumond de Andrade)