'' Ser contente e tornar outros contentes é o segredo para receber benção. Contentamento vem de um coração verdadeiro e da sabedoria. Contentamento dá uma sensação de estar completo e esta alegria interior também torna outros felizes. Um coração contente é um grande coração, preenchido de boa vontade e compaixão. Ao fazer o bem aos outros nós acumulamos caridade. Esse é o método para criar fortuna.''

Brahma Kumaris

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Já é Primavera


De que árvore florida chega?
Não sei.
Mas é seu perfume.

Matsuo Basho


Photopoema

Kity Amaral

Já é Primavera
Photopoesie
2018, Brasil

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Na sexta-feira foi dia de Feira de Projectos e mais uma vez as minhas filhas lá foram ao pavilhão de exposições do município para verem a exposição dos respectivos trabalhos. Segundo a mais nova, sem qualquer exemplar da sua autoria mas, de qualquer forma, com a particularidade de ser a primeira vez que participa na qualidade de aluna do básico, ao contrário da irmã que para o próximo ano ali voltará em representação de outro estabelecimento de ensino. 


Quanto a mim, sempre pensei que o espírito com que estas realizações são postas em prática deixa muito a desejar. 
Chegámos já ao ponto de vermos conteúdos elaborados com o único propósito de ali virem a ser apresentados o que é, de todo, um erro. 

Estes eventos deveriam muito simplesmente limitar-se a expor os melhores e os mais representativos trabalhos que ao longo do ano lectivo curricular tivessem sido realizados pelos alunos. 
Para além disso, seriam também uma boa ocasião para as escolas se mostrarem ao público e conseguirem realizar dinheiro pela venda de serviços ou outros produtos ou pela captação de doações privadas. 
Da forma como as coisas são feitas é que continuamos a brincar às casinhas. 

Mas é esta a filosofia de fundo com que, entre nós, se encara o ensino. 
Agora vem o Presidente da República com a ideia de um plano para o sucesso escolar até dois mil e dez. 
Words, nothing but words, empty words. 
Mal sabe o senhor que se for preciso arranja-se a forma dos alunos passarem com competências nem que seja por decreto e se este não existir, até por uma questão de pudor, infelizmente, certos profes tratarão de transformar as avaliações em simples inscrições dos nomes dos candidatos. 

É claro que isto do plano não passa de conversa para uso da presidência aberta. 
Mas revela a ligeireza com que entre nós se aborda o fenómeno do ensino/aprendizagem. 



Mas deixemo-nos de tristezas que na noite desse mesmo dia fomos ao coliseu, em Lisboa, para assistirmos a um concerto de José Mário Branco. 

Esmagador, digo eu, se quiser usar uma palavra para descrever aquele que não hesito em reputar como o melhor espectáculo do género feito por portugueses. 
No fim, a sala foi o lugar onde o público, todo de pé, esteve a bater palmas sem descanso ao longo de uns bons dez minutos. 

O Autor/Intérprete apresentou-nos o último álbum e depois, com o auxílio de um coro infantil, fez uma espécie de rapsódia pelos temas mais antigos com os quais deu o show por encerrado. 

Mas foi uma noite amarga, posso mesmo dizer que foi um exemplo do belo que um músico genial pode elaborar com a amargura. 



E cá por casa as obras continuam e ontem lá a Luísa teve que ir com as miúdas à aula de natação. 

Seja como for, a parte da alvenaria está completa com o trabalho de estucagem que hoje foi concluído. 


Ontem à noite, ainda assistimos a um sarau de música coral, na Vélhinha. 



De resto, o fim-de-semana teve jornais. 
Especialmente interessante, uma entrevista ao filósofo Fernando Gil que tem sido uma das vozes mais esclarecidas na denúncia do perigo mortal que o terrorismo da Al-Qaeda representa. (1) 


Agora que os aliados levaram outro rombo moral com a publicação de fotografias que dão testemunho de sevícias praticadas sobre os prisioneiros iraquianos, é importante que haja quem consiga manter a distância para não confundir as coisas e não deixar que os erros de gente mal formada encubram o que realmente está em jogo na guerra travada com os homens de Bin Laden. 



Depois de um Inverno seco, estamos a ter as chuvas de Abril em Maio. 


Alhos Vedros 
  09/05/2004 


NOTA 

(1) Gil, Fernando, ENTREVISTA, pp. 34 e ss 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Gil, Fernando, ENTREVISTA, Entrevista a Maria João Seixas, “Pública”, nº. 45, de 09/05/2004, In “Público”, nº. 5160, de 09/05/2004

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (325)


Ilustração de Graça Morais


E assim nasceu um livro ...
Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã.
As Metarmofoses - um livro a duas mãos de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais - é um projecto, nascido de outro...que não foi avante. Esse outro visava assinalar o cinquentenário da 1ªedição de A Sibila (1954) , e foi a própria Agustina a contactar Graça Morais, convidando-a a ilustrar a nova edição.


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

LAU GOD DOG - Negação [videoclip oficial]



LAU GOD DOG
You Tube, 11 de out de 2018
A negação é uma espécie de veneno, a necessidade de ver o mundo de uma forma ilusória. A música negação é uma espécie de antídoto: pretende fazer sentir esse medo da morte e da vida e, através desse arrepio, desse desassossego, tornar o objeto do medo real e o medo irreal. Tornar-nos superiores a esse estado e fazê-lo dissipar-se. O medo é natural. O medo de ter medo é um problema. Se eu não quero ter medo, o meu medo não deixará de existir, mas a minha mente encontrará máscaras, ilusões, adiamentos, distracções - o que for preciso para não encarar esse medo. É aí que nasce a negação.
Mas há sempre um momento em que os medos voltam, como bolas que, depois de empurradas para baixo, ressaltam com força proporcional. Normalmente, isso acontece quando se encara a morte. A maioria das pessoas só se liberta antes da morte. Quando é inevitável largar a negação. Quando já não há por onde fugir.
A morte deve ser encarada como uma companhia constante, uma mulher que a qualquer momento nos pode beijar, mas que gosta de jogar à apanhada. "A morte não está no futuro. Está aqui." É assim que nasce a aceitação."
Se ouviste até ao fim e te arrepiaste pelo caminho, comenta #MeioCãoMeioDeus
Videoclip da faixa "Negação", do álbum "Meio Cão Meio Deus", de LAU GOD DOG: - realização e produção: Rafael Augusto (@laugoddog) - operadores de câmera adicionais: Luís Diogo e João Bigos Campaniço - Casting (por ordem de aparecimento): David Santos e Tiago Faquinha
Música: - Composição, letra e voz: LAU GOD DOG - Produção e pós-produção: LAU GOD DOG
Links: - instagram: https://www.instagram.com/laugoddog/ - Facebook: https://www.facebook.com/laugoddog/ - Youtube: https://www.youtube.com/user/rafamast...

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Hoje os alunos aprenderam uma nova palavra, cenoura, com a qual trabalharam e a respeito da qual trouxeram trabalho para casa para o fim-de-semana, uma vez que amanhã deslocar-se-ão à Moita a propósito da Feira de Projectos que só os ocupará no turno matinal; com isso, a Margarida não terá aula à tarde e a Matilde regressará a casa ao meio-dia, uma hora mais cedo do que é habitual. 



Acabei de ver uma entrevista na RTP, feita pela jornalista Judite de Sousa a uma magistrada do Ministério Público encarregue da luta contra a corrupção, a Drª. Cândida Almeida que se revelou uma excelente conversadora o que poderia ter sido muito bem aproveitado para um diálogo interessante e esclarecedor. 

Mas qual quê? Nós estamos no reino do homo maniatábilis, não estamos? 
Pois a entrevistadora em vez de indagar a interlocutora sobre como se formam os diversos tipos de corrupção, as respectivas raízes, como agem, os propósitos que visam, como subjugam os poderes das áreas em que actuam, as repercussões que têm no tecido social e económico, quais as áreas em que mais acontece, enfim, já nem falaria em questões incómodas como as que interrogariam o silêncio sobre certos universos em que agora se revela uma certa antiguidade das práticas corruptas; mas a senhora, em vez de visar uma noite de esclarecimento sobre o estado de direito e as suas debilidades e pontos fortes, entre nós, limitou-se à lana caprina e a insistir naquele discursozinho ignorante e pernicioso do Ministério Público como justiceiro e não defensor da lei e das liberdades que, perante o arquivamento de uma investigação e a não formulação de acusação, é passível de sofrer derrotas na realização do seu trabalho. O que a mulher parecia pretender saber era se fulano seria acusado, se sicrano poderia vir a ser preso. 

Uma tristeza… 



A Sofia, a Professora de Ginástica que, por sinal, foi minha aluna, está com uma crise provocada por uma úlcera gástrica; há dois dias que não dá aulas. 

Fazemos votos para que melhore rapidamente. 



E por hoje é tudo que o cansaço é grande e a noite vai longa e fria. 


Alhos Vedros 
  06/05/2004

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (324)


Lagos, Autor António Tapadinhas
Óleo sobre Tela 80x100cm

Sempre que observo este quadro com atenção eu vejo lá a mão de Deus. 

Se não for este o seu caso, não faz mal.


Selecção de António Tapadinhas

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Poema de Manuel (D'Angola) de Sousa


“Nunca Embandeirando Em Arco Na Travessia Vai-E-Vem De Um Breve E Mental Deserto Renovado”

Escuso-me de embandeirar em arco
Recuso corruptelas e convites corruptíveis
Tenazmente luto contra a auto-teimosia

Baixo-me em absoluto abaixo de zero
Levanto-me para o topo do pleno nada
Permaneço agachado atrás da sarça-ardente

Mantenho-me dentro de uma moita desflorada
Foco-me em artimanhas sem qualquer arte
Remendo com pensos rápidos as mazelas cutâneas

Exponho a curvatura e as ossadas à vista
Desarmo-me de todos os logaritmos avulsos
Empenho-me em sair do breu e ficar ao léu

Perpetuo-me na eternidade em outros veículos
Nada sei por ora em que corpos viverei no advir
Quiçá serei então leão ou jibóia ou extraterreno

Deixar-me-ei levar pelas forças da atracção
Abraçarei sempre com agrado a gravidade
E tanto que voarei sempre que houver ocasião

Esmigalho as migalhas caídas no soalho
Migo o pão numa sopa de pedra granítica
Sonho com o Alentejo veicular da seiva sagrada…

Corro sanguíneo e fluido loucamente pelas areias de um renovado deserto temporário…

Escrito por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola, de 4 de Outubro de 2018, em Homenagem a todos Bebes e Recém-Nascidos Humanos e de todas as Espécies Animais e Vegetais do Planeta Terra, autentico limbo do desenvolvimento frágil da Vida, e a toda a Vida Universal, seja ela nos estados Físico ou Espirita ou em outro estado que desconheçamos ainda aqui na Terra!...

“À Minha Querida Prima mais pequena, a Alicinha, que hoje comemorou mais um Ano de Vida…”

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Infelizmente, não foi possível ver o eclipse total da Lua uma vez que o céu esteve encoberto pela opacidade de nuvens carregadas. 


Em contrapartida vi o Futebol Clube do Porto ganhar em La Corunha, ao Deportivo e com isso conseguir o apuramento para a final da liga dos campeões. 

Depois do abalo do apito dourado, eis o tónico que Pinto da Costa precisava para reforçar a imunidade junto de uma justiça incapaz de pôr um poderoso atrás das grades e uma classe política que, vergada à magia das mordomias, se limita a assinar de cruz aquilo que os esconsos interesses lhe impõem. 



Give me winds to fly 
Tell me why, tell me why 

Há quantos anos não ouvia os Barclay James Harvest? 
Seguramente há mais de um quarto de século. 

E de facto é uma música datada. São sons que têm ecos de Moody Blues e Génesis e guitarras com sotaque de David Guilmor. 

Mas o que é isto? 
Agora o Dylan, esse sim, a great one, and maybe you stay, 
forever young. 



Hoje os alunos trabalharam em números a respeito dos quais fizeram exercícios e fichas e contas de somar e subtrair. Como amanhã terão folga, a Professora anunciou que faltará, trouxeram trabalho para casa. 



E a Matilde que já consegue escrever sozinha, incorporou a escrita e a leitura nas suas brincadeiras. Antes da aula de ginástica esforçou-se por ler qualquer coisa numa história de Harry Potter para dar verosimilhança ao seu papel de menina que ia requisitar um livro na biblioteca. 



O pai vive encantado. 



E hoje iniciou-se mais uma presidência aberta sobre a educação. 
Amanhã tudo continuará como dantes, mas nestes próximos dias haverá retórica com fartura. 

Querem apostar? 


Alhos Vedros 
  04/05/2004

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (323)



Dancing Hobos,
Óleo sobre Tela, 39 x 64 cm


Adam Adolf Oberländer, pintor e caricaturista alemão, nasceu em Regensburg, a 1 de Outubro de 1845 e morreu em Munique a 29 de Maio de 1923.
Estudou Pintura na Academia de Belas Artes de Munique. Foi aluno de Ferdinand von Piloty, e logo descobriu que a verdadeira expressão de seu génio estava no campo da caricatura e desenhos de humor.
O trabalho de Oberländer é essencialmente pictórico e é independente da escrita para se fazer entender.
Dentre seus melhores desenhos estão suas paródias no estilo de pintores famosos, tais como as "Variações sobre o Tema Beijo".

Selecção de António Tapadinhas



terça-feira, 25 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Kofi Anan deixou aberta a possibilidade para que uma força de segurança da ONU permaneça no Iraque sob comando norte-americano. 

É uma boa notícia e oxalá o mundo ocidental se una perante esta oportunidade para pacificar aquele país e assegurar que aí se estabeleça e fortaleça um estado de direito. 

Por muitas ilusões que hajam a esse respeito, a paz no Médio Oriente depende disso. 
E quem duvida que o destino da paz mundial, no que à guerra que o terrorismo da Al-Qaeda declarou diz respeito, em grande parte também passa por ali? 
Alguém acredita que os fanáticos seguidores de Bin Laden poderão ser calados enquanto não houver uma Palestina independente, estável, viável, pacífica e capaz de dialogar e cooperar com Israel? 
É que se a primeira daquelas condições é imprescindível, ela não pode ser conseguida à custa da liberdade dos israelitas. E este duplo objectivo jamais seria alcançável com o regime de Saddam Hussein, no Iraque. Ao contrário, daqui pode eventualmente partir, no mínimo, um factor de contenção para as tiranias vizinhas, precisamente no sentido de as levar a deixarem de dar suporte àqueles que visam a destruição de Telaviv. 

É pois um bom sinal que o Secretário-Geral das Nações Unidas venha agora falar da cooperação internacional para a segurança no Iraque, naturalmente sob comando aliado. 
Esperemos agora o desenrolar dos acontecimentos. 



Hoje os alunos trabalharam com a nova palavra dada. Realizaram os habituais exercícios e fizeram uma ficha em que copiaram palavras e frases. 



Desta vez tenho de concordar que João Salgueiro tem uma certa razão ao dizer que o problema em Portugal é de produção. 
Vivemos apavorados com a concorrência externa e esquecemos que os países que apostaram em se afirmarem nos mercados globais são aqueles que mais cresceram economicamente. (1) 



A temperatura voltou a descer.
O dia, embora solarengo, não convidava ao passeio e a noite está fria. 



Vamo-nos deitar, meu amor? 


Alhos Vedros 
  03/05/2004 


NOTA 

(1) Salgueiro, João, OS PAÍSES QUE OLHARAM PARA A ECONOMIA MUNDIAL COMO UM ESPAÇO DE AFIRMAÇÃO PROGREDIRAM MUITO, pp. 22/23 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Salgueiro, João, OS PAÍSES QUE OLHARAM PARA A ECONOMIA MUNDIAL COMO UM ESPAÇO DE AFIRMAÇÃO PROGREDIRAM MUITO, Entrevista a Cristina Ferreira e Raquel Abecassis, In “Público”, nº. 5145, de 03/05/2004

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (322)




A Sala Azul, Autora Suzanne Valadon, 1923
Óleo sobre Tela

Suzanne Valadon nasceu em Bessines-sur-Gartempe, a 23 de setembro de1865 e morreu em Paris, a 7 de Abril de1938.
Foi uma pintora pós-impressionista e uma figura importante no período que antecedeu o cubismo. Foi modelo dos maiores pintores franceses da época, tais como, Renoir, Puvis de Chavannes ou Toulouse-Lautrec.
Com orientação de Edgar Degas começou a pintar, tornando-se a primeira mulher a ser admitida na Société Nationale des Beaux-Arts.

A somar a tudo isto, foi mãe do pintor Maurice Utrillo, conhecido tanto pelo estilo romântico de suas ilustrações dos subúrbios de Montmartre, quanto por sua constrangedora biografia.

Selecção de António Tapadinhas

sábado, 22 de setembro de 2018

O Distrito de Setúbal, Portugal


A imagem pode conter: montanha, céu, árvore, casa, ar livre e natureza
Imagens do Google

Entre os rios Tejo e Sado, o oceano e a parte ocidental da província alentejana, eis a península de Setúbal. Nove concelhos constituem o rendilhado do lugar (Setúbal, Palmela, Sesimbra, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete). Para sul, completando o distrito, os quatro concelhos alentejanos (Alcácer-do-Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines).  Um lugar pleno de parques e reservas naturais, património histórico de excelência, zona de estuários que dão para mil praias, imensa beleza paisagística, da cordilheira da Arrábida, da arriba fóssil da Costa da Caparica, do Cabo Espichel, do Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Das fortalezas, dos castelos, dos conventos e das igrejas. Dos flamingos e dos golfinhos.

Na foto, o Convento de Nossa Senhora da Arrábida, em plena Serra da Arrábida, onde Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), o poeta místico, viveu como eremita os últimos 15 anos de vida. As comemorações do quarto centenário da sua morte começarão muito em breve...


Luís Santos


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Dança de Pina Baus

CARACOL DE BANDIDA
Em Praias do Sado e Alhos Vedros

Poema a quatro mãos
Andreia Bernardo
José Gil

Só lá eu me sentia
Na flor do eu verdadeiro
Bandida
Desde então nunca mais me senti.
O tempo passa e eu esqueço-me
de quem era
e do que sou.
E quando tenho de ser eu,
Não sei como sou tenho um fado
Caracol em Praias do Sado
caracol de bandida
tocas o verdadeiro coração
mil teclas na concertina
das flores na dança

E falarei na concha que ainda não me entregaste
concha de pele e de cabelos,
gostava de ver chover na praia um bom mergulho
na terça - feira, traz as borboletas pontuais e
efémeras para as tatuagens
da alma profunda, o teatro do circo real
constrói-se em salas escuras e sente-se, o rigor e
transparência da apresentação
começa pelo mel, traz os favos e as abelhas para
decorar o sangue
avançamos pelo fogo o dia não foi igual aos outros viveu o seu destino
gosto destes figos de Setembro na concha da pele,
onde vivemos o
desejo do lençol para o diálogo novo,
Acreditas no Destino em Setembro
Na avenida da rotundas
De ser neste mundo
De ter ainda que ser
O que não sei
Fado da observação
O que tenho que ser eu
Na flor da intimidade
Onde avançam os meus dedos
Nos teus
vamos nos encontrar no outro lado
do mundo onde será verão
às 5,15 nasce o dia
na flor do eu verdadeiro
Tenho um fado


Andreia Bernardo
José Gil
5:35h
18-9-2018
Águas Livres-Amadora
___________________________

“(…) Por detrás da poesia do texto, está a poesia pura
sem forma e sem texto. (…) Não se trata de suprimir a
palavra articulada, mas de conferir às palavras, aproximadamente
a importância que têm os sonhos…”
(Antonin Artaud)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Ao que o Benfica já chegou; vibramos com o segundo lugar. 
E foi há dez anos, por ocasião do primeiro diário da Margarida que eu tive a última grande alegria num derby com o Sporting, quando, mais ou menos por esta altura do ano, as águias foram a Alvalade vencer por seis a três e com isso ganhar o balanço para a conquista desse campeonato o que, desde então, não mais se repetiu. 

Seja como for, depois de uma longa série de anos em estado de coma, o clube tem recuperado e repete este ano a possibilidade de vir a disputar a liga dos campeões e tudo indica que está no bom caminho, mantendo a equipa e respectivo treinador pela segunda época consecutiva. 
Se não houverem golpes fora das quatro linhas, para o ano voltará a ser campeão e regressará aos grandes palcos europeus para aí retomar o lugar entre as grandes equipas. 


E não é que a Matilde gosta de futebol? 



Mas ontem passaram trinta anos sobre o dia em que eu vi as ruas de Alhos Vedros cheias de gente como não mais voltou a suceder. 
Era o primeiro de Maio que o povo festejava em liberdade pela primeira vez o que ninguém queria deixar de fazer, até como forma de provar que também os portugueses poderiam viver fora da tutela das forças da ordem de um regime policial. 

Tenho ideia que o dia estava meio encoberto mas as pessoas traziam sorrisos na cara e cravos ao peito. 

E não mais esquecerei o Avelino que Deus tenha em Sua Glória, com o gravador à tiracolo, na rua, entrevistando os conterrâneos em nome de uma rádio que não existia, mas à qual todos quiseram deixar o testemunho da sua alegria. 

Três décadas depois, o dia passou tão despercebido que o comércio esteve aberto e em minha casa houve trabalho como em qualquer outra jornada. 


Que fizemos nós da cidadania? 



E não é que a Margarida já dá luta em jogos de cultura geral em que é preciso saber nomes de países, cidades, rios e outros dados do género? 

É uma alegria para o pai quando joga com os pardalitos. 


Que não esqueceram o dia da mãe. 

A Matilde fez mesmo questão de me lembrar que eu deveria oferecer uma prenda à minha mãe. 

Mas elas escreveram mensagens e fizeram desenhos que enviaram por correio. Na sexta-feira chegou a da mais velha e amanhã deverá chegar a da mais nova, pois o pai preferiu repartir a remessa dos envelopes que os amorzinhos lhe confiaram para fazer chegar à caixa postal. 

E depois de uma semana de cumplicidades para que a mãe de nada soubesse, esta manhã, a mais novinha entregou um diploma de mãe competente que fez na escola, na última quinta-feira. 


O pai incha de contentamento. 



Mas ontem foi o dia do alargamento da União Europeia a dez novos países. Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Malta e Chipre passam assim a fazer parte da unidade europeia que constitui o maior mercado organizado do mundo. 

Por aqui há receios e muitos. Mas também me parece haver vantagens. 
Acontece é que entre nós ainda continua a não entender-se que os negócios é que são as molas deste último prato da balança e a concorrência ainda é vista como um factor de perigo e a perda de ajudas financeiras como uma espécie de prenúncio do fim do maná. 

Afinal, encarámos a União como a Índia e os Brasis de outros séculos. 



Terça-feira haverá um eclipse total da Lua. 
Esperemos que seja em horas decentes. 


Alhos Vedros 
  02/05/2004

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (321)


Anton Mauve na Floresta, Autor Anton Mauve
Óleo sobre Tela, dimensões 38.5 x 58 cm

Anton Rudolf Mauve nasceu em Zaandam, a 18 de Setembro de 1838 e morreu a 5 de Fevereiro de 1888, em Arnhem.
Foi um pintor realista holandês, que com o seu exemplo influenciou fortemente o seu primo Vincent Van Gogh.
Pertenceu ao movimento estético da escola de Haia.


Selecção de António Tapadinhas

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO


Margarida Castro
margaridadsc@yahoo.com
dialogos_lusófonos

Olivença -uma cidade e um município numa zona fronteiriça, cuja demarcação é objeto de litígio entre Portugal e Espanha. Reivindicada de jure por ambos os países, integra atualmente a comunidade autónoma espanhola da Estremadura e a província de Badajoz. Tem 430,1 km² de área e em 2016 tinha 12 032 habitantes (densidade: 28 hab./km²)

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO (ver vídeo):



terça-feira, 11 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Nestes dias de trambolhão mal tenho tempo de escrever neste diário e, pior, nem pensar em aprofundar o que quer que seja. 

E se Portugal vai tendo assuntos para comentar, infelizmente pelos piores motivos. 


O processo Casa Pia teve hoje mais um folhetim com a acareação entre as vítimas e os outros acusados de pedofilia. 


E o apito dourado começa a apontar na direcção do Futebol Clube do Porto e do seu Presidente. 

Ui! Esta gente ainda é capaz de pôr o país a ferro e fogo. 

Mas vão-se sabendo os contornos dos negócios escuros entre a Câmara do Porto e aquele clube e agora começa a ficar clara a razão de ser da nossa candidatura ao Euro 2004 nos moldes em que ela foi feita. 
Vamos estar atentos aos próximos capítulos. 

Mas, tal como eu previra em diários anteriores, esta canalha deu cabo do estado de direito entre nós. 



Ontem, os alunos aprenderam os números treze e catorze, com os quais trabalharam toda a manhã e hoje, para lá das aulas de música e moral, deram uma nova palavra, rato, a respeito da qual trouxeram trabalhos para casa. 



Como é habitual, a temperatura voltou a descer. 
Mas os grilares voltaram a dominar o ambiente sonoro da noite. 


Alhos Vedros 
  30/04/2004

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (320)



Composição com Figuras, Mario Zanini, 1965
Óleo sobre Tela

Nascido em São Paulo, em 10 de setembro de 1907, filho de imigrantes italianos, Mário Zanini, pintor, decorador, ceramista e professor. Ele pertence à geração de pintores de origem proletária que ajudou a consolidar o modernismo no Brasil, reunida no Grupo Santa Helena, embrião da Família Artística Paulista.
Começa a estudar pintura na Escola Profissional Masculina do Brás em São Paulo, em 1920. Trabalha como letrista na Companhia Antárctica Paulista, entre 1922 e 1924.
Em 1934, participa de sua primeira exposição, no Salão Paulista de Belas Artes. Nos Salões de Maio, em 1938 e 1939, Zanini arranca elogios de críticos como Mário de Andrade e Sérgio Milliet.
Em 1950, viaja por seis meses pela Itália, em companhia de Volpi e Osir. No início da década de 50, Zanini participa da 1ª e 2ª Bienais de São Paulo. A tendência à depuração acentua-se, aproximando sua obra do construtivismo. Desenvolve também trabalhos como ceramista, no ateliê de Bruno Giorgi.
Nos anos 60, abandona pesquisas formais e retoma o figurativismo. A partir de 1968 leciona na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Morre em 16 de agosto de 1971.

Em 1974, sua família doa 108 de suas obras ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP.

in História das Artes


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


O oceano pode em breve conter mais plásticos do que peixes :(
 
Tue 9/4, 12:10 PM

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


CARACOL EM QUADRADO AZUL

Desenho no teu umbigo um “quadrado azul” em frente 
ao rectângulo azul de outros saltimbancos
perco-me no triangulo vermelho
da geometria do amor fisico

Perderei meu sangue africano na tatuagem 
do nosso enamoramento 
O teu trabalho está na gare onde chegas no navio, 
nos vitrais da minha fé
Desejo tocar-te nos seios espirituais da modernidade 
dos jardins da fundação
Quem sabia de performance era o nosso mestre 
sem vitrinas entre os múltiplos das
artes plurais – Judite – “nome de guerra”
disseminação de novela e filme sem suportes
avanças de S. Tomé e Príncipe para fazer
a modernidade verdadeira casa das artes
e sublinho o desenho do Arlequim, uma bailarina e um cavalo
no Começar do Teatro as cores, a luz, as sombras, os recortes
as artes, o espetáculo para ser visto.

passo os dedos nos teus braços
na lentidão de um pincel azul

Praias do Sado
17:47h
1-9-2018

José Gil