domingo, 3 de julho de 2022

Daqui até Já


49ª Feira do Livro de Alhos Vedros

Apresentação do livro DAQUI ATÉ JÁ de Luís Santos

por Vítor Ribeiro


 O livro é composto por três ensaios denominados, O Local, Portugal, Tudo,  tendo os dois últimos servido de base à tese de doutoramento do autor. Embora cada um dos ensaios verse temas diferentes e aparentemente díspares    entre si, estão na verdade relacionados de alguma forma, através de um fio condutor que liga os temas e subtemas de uma forma indireta ou até subliminar, traduzindo a sua preocupação com o crescimento interior, a identidade o desejo de nos compreendermos enquanto seres materiais e espirituais em evolução. Daqui até , é uma obra abrangente, substantiva, profunda e reflexiva, mística até, que se desmultiplica a várias escalas espaço-temporais com  uma incursão ao universo filosófico, íntimo e afetivo do autor. Por ser um estudo académico, poderíamos pensar à partida, que o livro estaria escrito     numa linguagem hermética, destinada a especialistas e apenas entendida por estes. Pelo contrário, o autor expressa-se através de uma escrita escorreita, acessível e simples sem ser simplista, que permite traduzir conhecimento e pensamento em   conceitos e ideias entendíveis por todos. É também, um livro generoso, de partilha, de história e estórias, com ênfase no conhecimento das origens e na preservação da nossa memória coletiva local e nacional.   Estabelece desta forma, uma relação íntima entre o passado e o presente,   uma vez que nos lembra através dos elementos construtores da nossa identidade (história e tradições) que partilhamos um passado comum.

No primeiro ensaio, Local, debruça-se sobre a história de Alhos Vedros e na forma como esta se cruzou e deixou marcas na história de Portugal. No  segundo, Portugal, foca-se na importância que os factos históricos, sociais, demográficos, étnicos e religiosos tiveram na construção da identidade nacional. No terceiro, Tudo, numa abordagem ecuménica, releva a importância das tradições filosóficas das principais religiões na procura da espiritualidade e na demanda das grandes verdades universais. É, neste sentido, um percursor e   difusor do retomar “do abraço universal no pensamento de Agostinho da Silva que subjaz à vocação messiânica e universalista de Portugal e do mito do V império que ainda perdura no arquétipo mental e cultural da nação como são os casos do culto popular do Espirito Santo e da Ilha dos Amores. A terminar, duas frases da nota autobiográfica do autor que nos remetem para o seu território afetivo, filosófico e espiritual, que justificam e explicam em grande parte os temas abordados no livro, introspeção, conceção e devir. O milagre do nascimento, o crescer enquanto corpo físico e alma, no seu caminho para a perfeição após sucessivas reencarnações.

É sem dúvida um livro de leitura agradável que nos transmite conhecimento, crescimento e boas vibrações.


domingo, 26 de junho de 2022

Graffitar a Literatura (VI)

 

«Não queiras ganhar o mundo e perder a alma.»

(provérbio de Omã)

 

Rua Frederico Arouca (Antiga Rua Direita), Cascais

«Our soul is a spray can» (hip hop graffiter dixit).

Ao escritor a caneta, ao desenhador o lápis, ao pintor o pincel, ao escultor o martelo e o cinzel, ao fotógrafo a máquina fotográfica, ao cineasta a câmara, ao graffiter a «spray can».

Cada um destes artistas, escreve, desenha, pinta, esculpe, fotografa, filma, ‘muraliza’ o que lhe vai na “alma”. Então a “soul” são os instrumentos – a caneta, o lápis, o pincel, o martelo, o cinzel, a máquina fotográfica, a câmara de filmar, a «spray can» – ou os produtos que deles emanam  – o romance, o desenho, o quadro, a escultura, o retrato, o filme, o graffiti e o mural?

O graffiter (não confundir com os que se “expressam” pelo bombing) é um artista plástico que desenha e pinta na rua (paredes de casas, muros, pontes, viadutos e outros «não-lugares»). Ao darem-nos as suas obras, deliciam-nos a custo zero. Ao tornarem a arte (a sua “soul”) pública, prestam também um valioso contributo na recuperação dos espaços urbanos degradados. E só por isso, as câmaras municipais deviam considerá-los “artistas residentes” e aboná-los em conformidade.

Pai do Vento sul, Alcabideche

“Alma russa”, lugar-comum ocidental construído no século XX, muito à custa de uma plêiade ímpar como Dostoievsky, Tolstoi, Gogol, Pushkin, Tchekhov…, é o título do romance escrito, em 1911, pelo consagrado Joseph Conrad (1857-1924). A história, passada num tempo de tirania dos czares, tem como protagonista um jovem de «carácter forte (…) filho de um Arcipreste e protegido de um membro notável da nobreza» (p. 16), Cirilo Razumov, estudante do 3º ano de Filosofia da Universidade de S. Petersburgo que se vê envolvido, involuntariamente, no assassinato do «Ministro de Estado investido de poderes extraordinários» (p. 17). O livro, reeditado em Maio de 2022, como segundo volume da colecção “Biblioteca da Censura” (uma louvável iniciativa do jornal Público), foi proibido, em 19 de Abril de 1947 pelo Estado Novo, por ser considerado «livro de propaganda revolucionária» (?!). Como refere Gustavo Rubim, o militar censor «limitou-se a julgar pela capa e pelo título português [no original “Under Western Eyes”]… tomá-lo como “propaganda” pró-russa é pior que tresler: é mesmo recusar-se a abrir o livro» (Público 24/05/2022, p. 31). A mesma Direcção dos Serviços de Censura, face ao requerimento do editor, viria a autorizá-lo em 17/01/1948. 

«Ah! És um bom camarada! Concentrado… – frio como gêlo. Um autêntico inglês. ¿Onde fôste arranjar essa tua alma? Não há muitos como tu. Escuta amigo! Homens como eu não têm posteridade, mas as suas almas não se perdem. Nenhuma alma humana jamais se perde. É uma coisa que actua por si… – de contrário, ¿como faria sentido o auto-sacrifício, o martírio, as convicções, a fé… – as actividades criadoras da alma? Que será da minha alma quando eu morrer, da forma como hei-de morrer… – breve… – muito breve, talvez? Ela não pode perecer. Não confundas Razumov. Isto não foi um assassinato… – é guerra, guerra! O meu espírito há-de continuar a fazer a guerra encarnada em qualquer corpo de russo, até que a mentira seja varrida definitivamente do mundo. A civilização moderna é uma mentira, mas a nova Revolução há-de partir da Rússia. Ah! Tu não dizes nada. Tu és um céptico. Respeito o teu cepticismo filosófico, Razumov, mas não toques na alma. Na alma russa que vive em nós todos. Ela tem um porvir. Tem uma missão a cumprir, digo-to eu (…)»

(edição fac-similada de 1945, Porto: Livraria Civilização, p. 30) 

No entanto, há quem persista na procura da alma: “Where is my soul”, canção de 1995 dos Finn Brothers (Neil & Tin), que a soberba versão da holandesa Matilde Santing, incluída no álbum To Others To One (1999), veio popularizar.

«Soul where is my soul where is my soul

I'll go up with my conscience clean» 

Uns cheios (de militantes) convicções, outros pejados (de poéticas) dúvidas…

 

Post scriptum:

O primeiro graffiti já não existe; o segundo (o do Pai do Vento) resiste, ainda que já mais próximo dos tons de aguarela esvaída em parede esboroada.

 

Luís Souta

(texto e fotos)

quarta-feira, 1 de junho de 2022

A Linguagem dos Pássaros

José Flórido

A  propósito de um texto recente, perguntou-me um Amigo a razão por que, nesse texto,  fiz referência à 'Linguagem dos Pássaros'. Confesso que não o sei dizer inteiramente. Mas, a "Linguagem dos Pássaros" é talvez a linguagem do Amor, sendo certamente por esse motivo  que o poeta persa do século XII, Farid ud Attar,  atribuiu esse título a um grande poema místico, que contem a essência do pensamento sufi. E é, de facto, uma verdadeira epopeia do Amor.

Depois de um prólogo de grande beleza, o autor apresenta uma reunião de pássaros, em que a grande Guia, a Poupa,  insiste na importância de um coração puro, para que  seja possível seguir o Caminho conducente ao Supremo, a Via do Amado, que "está bem próxima de cada um de nós, mas em que nem todos estão próximos dela". Convida então outros pássaros, no sentido de seguirem por esse Caminho superior. Mas, a maior parte, recorre a desculpas tolas, recusando avançar: O rouxinol argumenta que, para ele é suficiente o amor da rosa; o papagaio pretende apenas beber a água da fonte 'verdejante'; o pato sente-se satisfeito com a superfície da água onde costuma nadar; a perdiz ambiciona as pedras preciosas; o falcão pretende somente a companhia dos reis; a garça quer  desfrutar a beleza de uma gota de água à beira-mar; e o pardal, reconhecendo a sua própria fragilidade, receia a caminhada...

Mas, para se empreender esta Viagem, é preciso, além de um coração puro,  possuir as virtudes da coragem e da constância, porque isso envolve o 'Combate interior' (Jihad) com as nossas próprias fraquezas e limitações. Para a Poupa, "só aquele que abre os olhos para o Amor e que sabe que o Amor é a substância do Universo", é capaz de alcançar o Supremo objectivo.

Eis alguns fragmentos do Poema: 

A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS E AS TRANSFORMAÇÕES DA ALMA

.

Oh, homem do Caminho, não leias o meu livro como lírica ou como fruto da altivez. Observa o meu texto sob o prisma do amor, para que de cem dores de amores confies num deles. Quem isto observar sob o prisma do amor, lançará para a sua presença a bola do triunfo.

Esquece o ascetismo e a simplicidade: é necessário amor, amor e renúncia.

Todo aquele que tem amor renúncia ao remédio, aquele que deseja remédio renúncia à alma. “A Linguagem dos Pássaros”, de Farid ud-Din Attar, versos 4495 a 44991

.

Há um caminho para os que, de coração, cheguem ao rei, mas para o coração extraviado não há caminho. Idem, verso 1137

.

Espalhei por aqui e por ali as rosas deste jardim, que fique boa memória de mim, amigos!

No meu livro, cada um e a seu modo se vê a si mesmo num instante e se deixa de ver.

Também eu, pois, como os que partiram, descobri o pássaro da alma perante os adormecidos.

Se, com este livro, o coração de um constante adormecido for despertado por um instante,

Terei então a certeza de ter cumprido o meu dever e a minha inquietação e tristeza terão fim.

Como uma tocha ardi longo tempo para iluminar, chamejante, um mundo.

Como da tocha, saiu fumo do meu cérebro. Chama da eternidade, até quando soltarei este fumo? Idem, versos 4519 a 4525

domingo, 8 de maio de 2022

Graffitar a Literatura (II)


 «O desenho é a única maneira de fixar a atenção.» (livro do século XVIII) 

«Todo o artista faz realismo social.» (Almada Negreiros, 1953) 


 
Paredão, Monte Estoril, Fevereiro 2012

Eis a explicação para a (tradicional ?) quietude nacional. O país continua vazio de utopias. Falta-lhe um (novo) grande sobressalto cívico. Ideias mobilizadoras (que nos orientem o futuro) precisam-se!

Recordei Almada Negreiros por oposição à mensagem deste graffiti. Vazio e quieto, dois estados que em nada se aplicam a um homem de acção como ele foi, cheio de ideias e projectos, a transbordar energia e criatividade. Em Ensaios I (5º volume das Obras Completas de José de Almada Negreiros, Editorial Estampa, 1971), no primeiro texto, intitulado “O Desenho”, conferência-performance proferida em 1927 aquando da sua estadia em Madrid, defende a ideia desta arte enquanto síntese, uma espécie de via rápida para expressar o entendimento:

«O desenho não é, como pode julgar-se, simplesmente um conjunto de linhas ou traços, um gráfico representando qualquer coisa existente.

O desenho é o nosso entendimento a fixar o instante.

A célebre frase de Napoleão, dizendo: “vale mais um pequeno croquis do que um longo relatório” contém todo o sentido do desenho.

Ao contrário do trabalho, da construção que exige tempo, composição e volume, o nosso entendimento é rápido, claro e simples. A perfeição do entendimento é momentânea e, por consequência, há que fixá-la.

Por isso o desenho é o melhor amigo do entendimento.

É corrente, quando alguém não percebe o que se lhe diz, acrescentar: precisas que te faça um desenho?» (p. 13)

 

Alcabideche, Avenida de Alcoitão

Este mural (um triptíco), da autoria do jovem oats.ink (numa iniciativa da Junta de Freguesia de Alcabideche) pretende celebrar dois grandes artistas lusófonos, nascidos em África, um em São Tomé e Príncipe e outro em Moçambique – Almada e Malangatana. Almada Negreiros, figura incontornável do modernismo português, foi um «vanguardista por excelência», um homem dos sete instrumentos:

«“Almada foi poeta, romancista, dramaturgo, cronista, pensador e polemista; foi também desenhador, caricaturista, pintor, retratista, vitralista, muralista, azulejista, figurinista, tapeceiro, gravador e geómetra”. E, deve acrescentar-se, bailarino e conferencista. No todo, a arte do espectáculo, a unidade do actor.»

(Fernando Cabral Martins “Almada Negreiros” in O Cânone, 2020:67) 

As mais de 400 obras da Exposição “José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno”, que esteve no Museu Calouste Gulbenkian entre Fevereiro de 2017 e Junho de 2018, atestam bem esse «artista-omnívoro (…) o homem que quis comer todas as artes», como é definido no Ípsilon (03/02/2017, pp. 5-9). Não é coisa pouca, para um autodidacta que não fez as Belas-Artes nem frequentou qualquer escola de desenho.

Post scriptum: O serviço camarário (in)competente optou, entretanto, pela limpeza da obra não assinada no Paredão de Cascais. Apagou-o! E aquele espaço ficou branco durante anos. Agora, está por lá um mural institucional sobre o voluntariado; colorido… mas pindérico.

Luís Souta (texto e fotos)

sábado, 23 de abril de 2022

Paulo Landeck, ao Dia da Terra

FLOR DAS MARÉS

Semeada ao vento
Foge a linda caligrafia
do bloco de notas.
Afasto-me,
assim que vislumbro
fórmula da equação,
como quem conta sílabas poéticas;
Porque alto voam patos-bravos,
e no solo ao longe pastam cavalos,
nas primaveris relvas miudinhas
junto ao canavial.
O poeta procura corrente nos esteiros,
que trazem alfaces e bodelhas;
esgueira-se por entre salicórnias e gramatas,
e destaca halófila escrita na paisagem,
pois das marés dependem
plantas marginais...
mesmo as que choram excessivo sal,
de oceano em flor.
No prado molhado de ásteres e bastardas madorneiras
reinam as cores da lavanda-do-mar.
Estevas e murtas aguardam noutro patamar.
Na cara, sinto a suavidade de um não.
Não fogem à sorte dos trevos
copiosas gramíneas,
há ovelhas que ruminam ao passar.
Fecho olhos e peço desejos.
Algo parece crepitar
na renovada verdura,
ao passo que folhas de zinco arrombam sonoridades
e velhas portas de madeira
ao barracão abandonado.
Pressagiada dor: plástico no caminho
Fere quem olha ao sentimento.
Queimo incensos e penduro ramos à proa,
para melhor sorte o mundo navegar.
Ao volver a casa
das margens salgadas
dançam papoilas…
em sangue vivo,
de poesia!
(Estuário do Tejo, Dia da Terra de 2022)

sábado, 9 de abril de 2022

PALAVRAS "IN MEMORIAM" de LUÍS GUERREIRO

 


Boa noite a todos!

Agradecer, antes de mais, o convite da Junta de Freguesia de Alhos Vedros para dizermos algumas palavras nesta sessão de homenagem ao amigo, e ao artista, Luís Guerreiro.

Falar do Luís Guerreiro, é falar de uma relação de amizade com cerca de 50 anos. Foram inúmeros os momentos em que juntos celebrámos a vida, foram muitas as tertúlias em que participámos, em variados contextos, onde sempre estiveram também muitos outros amigos. Por aqui, pela nossa terra, juntos fomos desfiando os anos: por aqui brincámos, estudámos, confraternizámos, conspirámos, trocámos energias através das quais nos fizemos homens e, daí, as múltiplas cumplicidades que nos foram constituindo.

E, como dar testemunho da nossa vivência, é também honrar amigos e amizade, na impossibilidade de nomear todos, relembramos os que em determinada altura lhe foram particularmente queridos, como foram os casos do Paulo Gil e do Lídio, que ainda mais cedo partiram, o que nos trás à memória alguns dos velhos lugares de então que para ele foram significativamente importantes, como foram o interessante projeto do Grupo de Teatro da Velhinha, ou a Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros, certamente entre vários outros lugares igualmente importantes.

Mais recentemente, entre outros momentos, pessoas e instâncias onde o Luís se terá realizado, gostaria aqui de relembrar o “TAL”, Temas Artísticos Livres, uma experiência fugaz que mais uma vez nos juntou, com outros amigos, mas que nos permite recordar da sua enorme costela brasileira, país que muito amou e onde levou a sua obra; e, a este propósito, recordar também do seu grande amigo “Delei”, artista plástico brasileiro muito próximo da casa, e também de um outro, o Zé José, realizador de cinema com quem tivemos o prazer de confraternizar na Oficina dos “Arquivos Guerreiro”, e também, claro, umas palavras para a sua parceira de sempre, a querida amiga de há muitos anos, e colega, Ernestina Sesinando (Tina para os amigos), e aqui, acentuando também da relação exemplar, ternurenta, amiga e cúmplice que sempre caracterizou a sua profunda e duradoura relação conjugal.

Como sabemos, o Luís Guerreiro, um espírito livre, anarquista, amante da boémia, era um homem de causas e, entre elas, revelou-se como um incansável lutador pela emancipação e desenvolvimento de Alhos Vedros, onde sempre demonstrou uma inabalável coragem, em tempos onde ser crítico era sinónimo de acrescidas dificuldades, de inserção social, falta de trabalho, dificuldades financeiras.

Falar do Guerreiro que é o Luís, do tamanho do coração do Luís, é falar de uma causa que muito se estende para lá de Alhos Vedros, que transborda de terra e universo, pois que com equivalente amor com que se refere a Alhos Vedros, assim faz com Portugal, com a Língua Portuguesa, com o mundo, e isso está bem espelhado em toda a sua extraordinária obra que, em boa altura, aqui homenageamos. Estávamos a pensar, por exemplo, nos seus incríveis painéis sobre as “cidades flutuantes” que um dia, esperamos, possa ser exposto no futuro Museu para admiração de todos... Mas, eis aqui, nesta renovada Capela, uma das suas últimas obras, ao que sabemos, de difícil execução que muito lhe custou o suor do rosto, como foram a recuperação e o restauro de alguns destes magníficos azulejos que nos permitem melhor disfrutar deste maravilhosos espaço que hoje nos reúne, a Capela da Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros que tanto almejámos.

Falar na extraordinária obra que o Luís Guerreiro nos deixa, será, sobretudo, tarefa futura que teremos de cuidar e que é impossível deixar aqui em palavras que se querem breves. Chamemos apenas a atenção dos autarcas locais, além do já referido painel sobre as “Cidades Flutuantes”, de outras duas obras de particular valor que requerem especiais cuidados: referimo-nos aos lindíssimos painéis que estão expostos nas paredes da Biblioteca de Alhos Vedros e que merecem ser protegidos, sinalizados e, porventura, legendados, porque nos parecem valiosos demais para ficarem simplesmente entregues a si próprios; e, por outro lado, relembrar do significativo painel de azulejos, de 3 por 12 metros, sobre temas da história local recente, que está a ser concluído por artista de referência no ramo da azulejaria. Certamente, mais um valioso painel da representativa herança artística que o Luís nos lega e que deverá cuidado com critério, por quem de direito.

Por fim, fazer referência a um desejo familiar que subscrevo: que entre a Oficina dos Arquivos Guerreiro e o espaço do FAVO, onde agora se expõem algumas das suas obras, seja possível criar um espaço de formação que permita dar continuidade à obra e ao ramo artístico que o nosso amigo em boa hora iniciou por aqui. 

Obrigado Luís Guerreiro. Até sempre. (Luís Santos, no auspicioso dia de 3.4.2022)

sábado, 2 de abril de 2022

Graffitar a Literatura (III)

Luís Souta 
(foto e texto)

«Um século viverás, um século aprenderás e na velhice tolo ficarás»
(provérbio russo)

Cascais. Travessa do Visconde da Luz

Abandonada estou e arruíno-me. Não cumpro mais a nobre função que é a minha: dar abrigo. Mas os graffiters viram em mim uma tela gigante, deram-me colorido, luminosidade, animação. Renasço, então, nas fachadas exteriores. Grata fico à criativa Arte de Rua e, no caso presente, a Belém, autor deste engraçado mural (primeira edição do Muraliza – Cascais, em 2014.  Agora, até os pass[e]antes (quase sempre distraídos) param, miram, comentam… e, por regra, clicam, tornando-me perene. Por que o desmoronamento, esse, está certo e anunciado.

Falemos agora da velhice das pessoas (não a dos prédios). A senectude, no feminino, tem os seus estereótipos: o carrapito, os cabelos brancos, os óculos na ponta do nariz, o interminável tricot… Numa outra perspectiva, Maria Judite de Carvalho (1921-1998), dedicou uma crónica aos «imprestáveis», os “Velhos” – incluída em O Homem no Arame (1979) textos publicados no Diário de Lisboa entre 1970 e 1975 (reeditado em 2019 pela Minotauro: um dos três livros inserido no IV volume das Obras Completas de MJC, pp. 209-210).

Na sua «iluminante sobriedade estilística», a escritora aborda a questão (eterna?) da velhice nestes termos:

«Ei-los que esperam ao sol. Esperam o quê, quem? Estão sentados, vegetais com raízes no dia de ontem, esquecidos de quem são, de quem foram – foram-no há tanto tempo! – e com frio. Desconhecem este mundo em que subsistem e que os ignora. (…) Só sabem – sentem – que são velhos, inúteis, pesados aos filhos e mais ainda às noras e aos genros. Pesos mortos que têm de ser alimentados, vestidos, alojados, suportados. (…)

Muitas vezes ao dia dizem (ou pensam) que no tempo deles, que dantes… Sem saberem que a maior maravilha desse tempo era a sua idade jovem. Agora nada lhes pertence, estão a ocupar o espaço indevido, parece-lhes às vezes que as pessoas em redor falam outra língua, chegaram de outro planeta. E gostariam de se indignar, mas quem para se indignar com eles? Já partiram os que podiam compreendê-los. Dos netos e até dos filhos separa-os um fosso que ninguém procura – para quê? – estreitar.»

Judite de Carvalho mereceu um lugar n’ O Cânone, em texto de Isabel Cristina Rodrigues, pp. 347-354, essa grande obra colectiva de referência (533 p.) coordenada por António M. Feijó, João R. Figueiredo e Miguel Tamen, editado em 2020 pela Tinta-da-China. Aí, se evidencia que

«os vários tipos de cárcere que enformam o viver das personagens femininas de Maria Judite de Carvalho (…) determinam a imposição de uma vida de janela entre o insípido existir de cada uma delas e o mundo vivível lá fora, instituindo na experiência dos dias que lhes é comum uma espécie de limiar entre o viver e o não viver, entre o fora em que não participam e o dentro da sua astenia e do seu desamparo.» 

Nos 100 anos do seu nascimento, a Associação Portuguesa de Escritores promoveu, ao fim da tarde de 08/11/2021 na Biblioteca Palácio Galveias - Lisboa, a sessão “Maria Judite de Carvalho: Reencontros em tempo de Centenário”. À semelhança de outros encontros do mesmo género levados a cabo pela APE, para além das intervenções dos membros da “mesa” (aqui, designadamente, a sua neta Inês Fraga e a professora universitária Isabel Cristina Mateus) houve a resposta dos sócios da Associação ao convite «traga um livro e dê voz à obra do autor»; tal permitiu que lá fossem lidos passagens das muitas obras de Judite de Carvalho. Um formato bem participativo onde o público (leitor) mostrou a qualidade ímpar de uma escritora que, em vida, esteve algo ofuscada pela notoriedade de seu marido – professor, escritor e cidadão empenhado – Urbano Tavares Rodrigues.

Mas a qualidade é como o azeite, vem sempre ao de cima. É tudo uma questão de tempo….

Post scriptum: A trepadeira selvagem das traseiras alastra-se imparável pela fachada lateral e tapa já parte substancial da obra artística de Belém. Acresce a acentuada degradação do edifício. Danos inevitáveis de uma arte que não pressupõe qualquer processo de "restauração".

terça-feira, 29 de março de 2022

Pela PAZ

 Luís Santos

Sentindo muita dificuldade em seguirmos a velha máxima de "olho por olho, dente por dente", porque senão ainda acabaremos todos cegos e desdentados, mas não deixando de estarmos mais do que solidários com o povo ucraniano... que pena Putininho, um homem com possibilidades tão grandes e que desbarata a alma de um país, de forma tão vil, pela qual será para sempre o primeiro responsável. O melhor é mesmo arrepender-se, o mais depressa possível.

Já tem data marcada a 49ª FEIRA DO LIVRO DE ALHOS VEDROS que decorrerá nos próximos dias 24, 25 e 26 de junho. Nesta terra de história e de cultura, termos uma das Feiras do Livro mais antigas do país, torna-a desde logo um dos acontecimentos que merece o maior apoio da parte de todos. Não querendo ser juiz em causa própria, a nossa participação em obras coletivas locais é reveladora do extraordinário movimento literário que caracteriza a comunidade, e que também não se pode deixar de relacionar com a nossa Feira do Livro, de tão grande significado, pelo bem maior da liberdade, fim da censura e de desprezíveis autoritarismos políticos
Dia Mundial da Árvore, Dia Mundial da Poesia, Dia Mundial da Eliminação da Discriminação Racial
Por dentro das folhas
do ventre da terra
para lá da lua
entre um céu estrelado
um poema
uma árvore
um polen que escorre, devagar
que nem seiva, nem mel
nem pele
um coro que nos inunda
a festa das festas
eu e tu,
daqui até já.


sábado, 26 de março de 2022

Risoleta Conceição Pinto Pedro

«e as oliveiras testemunham paz» António Salvado, "Amada Vida"

Soube há pouco tempo, pela voz de um querido amigo nosso de há muitos anos,
meu e da minha família, o professor António Carraço, com quem gosto muito de conversar porque tem sempre novidades interessantes, sobre a existência de azeitonas brancas. Pouco tempo depois, deparei-me com uma receita em que um dos ingredientes eram essas mesmas azeitonas. Tudo isto num tempo em que tivemos uma espécie de guerra, se quisermos usar a metáfora, que durou dois anos e culminou com uma outra guerra, sendo que esta, de metafórico nada possui. É real e bem real. Irreal, de tão real. A oliveira possui um simbolismo de paz que todos lhe conhecem, e talvez por isso o meu pai, sempre que saíamos a passear no campo, trazia consigo um ramo de oliveira. Talvez a lembrar-me o remédio da infância. Imagino-o hoje, no mundo onde se encontra, passeando entre oliveiras. Também Picasso pintou uma pomba transportando um ramo de oliveira no bico. Quando eu era ainda muito criança, com não mais de dois anos, uma bruxa boa receitou-me chá de folhas de oliveira, e recordo-me de ouvir contar que o meu pai fora de bicicleta buscar a água puríssima de uma certa nascente para me fazerem o chá. O meu pai era um homem de paz e talvez por isso algumas das minhas mais vivas memórias dele estejam relacionadas com a oliveira. Quando vinha visitar-me, andava sempre a podar uma humilde oliveira num vaso, que nem sempre resistia à razia. Mas era por amor. A oliveira perdoava-lhe e eu também. E ia sendo substituída. Depois dele partir plantei, no canteiro do jardim de sua casa, uma oliveira. Em sua homenagem. Era também ele que retalhava e temperava as azeitonas de uma forma que nunca mais vi, com limão, laranja, orégãos, alho, louro, sal, e não sei mais o quê. Uma autêntica alquimia. Eram pretas, eram verdes. Mas não me recordo de azeitonas brancas, talvez mais do que nenhumas outras, símbolo da tão desejada paz. Contudo, sendo pretas, sendo verdes, as azeitosas preparadas pelo meu pai, ainda hoje têm para mim um simbolismo tal que na sua negritude não poderiam ser mais brancas. Estas parecem ser uma espécie perdida e raríssima, que está a ser recuperada em Itália, ao sul, na Calábria, o que faz sentido, teria de ser um país mediterrânico a fazê-lo. Amadurecem estas azeitonas com a cor branca. Eram cultivadas pelos monges, que com elas faziam o precioso óleo para actos litúrgicos. Também a preparação a que o meu pai procedia no tempero das nossas azeitonas tem ainda, para mim, o valor de um acto litúrgico, ritual de amor e paz que transportou consigo, que deixou em mim. Teria de ser o professor Carraço a falar-me destas azeitonas, ele que foi tão amigo do meu pai, e vice-versa. Quando, já muito doente sem que o soubéssemos, o meu pai começou a dar as primeiras quedas, foi mais do que uma vez o professor Carraço, que se encontrava junto dele, a ampará-lo com braços de paz de oliveira branca. Se pudéssemos plantar muitas oliveiras destas nos países em guerra, quem sabe que poder não teriam?                                                                                                                                                                                                                                                   
In: Jornal Despertar do Zêzere, Março, 2022

terça-feira, 1 de março de 2022

Literatura: o pão nosso de cada dia (V)

 Luís Souta

À avó Maria    
(1927-2022)

LITERATURA E CONHECIMENTO DO MUNDO

«o objectivo intrínseco da literatura é o conhecimento do ser humano.»

(Antonio Tabucchi, A cabeça perdida de Damasceno Monteiro,1997:142)

Na literatura podem-se encontrar múltiplas funções, quase tantas quantos os interesses daqueles que a ela recorrem. Como arte que é1, em primeiro lugar, o «horizonte da beleza» (Garcia, 2000), o lazer e o entretenimento, o deleite de quem a procura como fonte de evasão em mundos imaginários e quer despreocupadamente “passar o tempo”. E também, como o relembra Maria João Seixas2, «uma das mais fecundas fontes de consolação para as nossas humanas inquietações». Mas a literatura é também um espaço onde cabem muitos outros saberes (práticos, simbólicos) e, portanto, fonte de conhecimento e (in)formação. Isso o reconhece o antropólogo francês Jean Copans: «O romance realista do século XIX, não obstante as suas intenções psicológicas e estéticas, desempenha objectivamente um papel de conhecimento» (1971:50).

A utilidade educativa da literatura vai muito além da sua estrita «função pedagógica», a que lhe está reservada no currículo. Há quem reclame que «é urgente escutar a voz das obras literárias» (Reis, 2000:9) o que, no seu entender, seria nelas encontrar «o suplemento de alma e de sentido, que falta ao homem de hoje». Não quero discutir o alcance de tão elevado propósito. Num estudo anterior (Souta, 2002) procurei colocar-me num terreno mais pragmático, o do possível: propus-me então encontrar «a voz» dos escritores para um melhor conhecimento da diversidade da instituição escola e do processo educativo; entendido este como «o comportamento que mais marca o quotidiano das nossas vidas, e o mais quotidiano dos processos que orienta o nosso agir» (Iturra, 1994:35).

«A Literatura como a Antropologia das Antropologias», que Fernando Cristóvão (1996) preconizava, na linha do que Italo Calvino designa como o «dispositivo antropológico que a literatura perpetua» (1990:42), é uma enunciação que parte do entendimento, clássico e totalizante, da antropologia como «ciência do homem». Um projecto a que poucos ainda têm dado substantividade. A tal terceira etapa, a de síntese, de que falava Claude Lévi-Strauss em Antropologia Estrutural, a da ciência de convergência e unidade (depois de passar pelas etapas da etnografia, a do contacto directo com a realidade, com observação, descrição, e recolha de dados; e pela etnologia, ciência da diversidade e do particularismo).

O processo de escrita literária, implica um trabalho intelectual reflexivo, que vai muito para lá do “dom”, do espontaneismo, ou da componente artesanal que pode estar associada àquilo a que se costuma designar como “oficina da escrita”. Irene Lisboa, na seu livro póstumo Solidão II, o reconhece e explicita: «Tudo em literatura é composto, organizado, arquitectado, conformado, mesmo que como a água pareça correr» (1974:144). O escritor João Aguiar vai mais além e introduz um outro elemento no processo de produção literária: «na escrita de um livro existe uma componente obviamente racional, portanto lógica, e depois uma outra componente que é justamente o oposto, e que se não é irracional é inconsciente»3.

José Saramago por Constança Dupic, 2007

A literatura tem três características singulares: «de tudo faz motivo e ocasião» (no dizer de Saramago4), é «universal» (de acordo com Calvino) e «eterna» (segundo Aquilino Ribeiro5). E quase estamos tentados, a acrescentar mais uma, tendo em conta as palavras da crítica literária Suzana Ramos, a propósito do futuro da literatura, que Italo Calvino questionava nas suas Seis Propostas para o Próximo Milénio (Lições Americanas): «há coisas que só a literatura nos pode dar, porque dispõe de meios específicos para o fazer, perante a possibilidade de dizer tudo, de todos os modos possíveis, tendo no entanto que dizer alguma coisa de um modo particular»6. Essa capacidade, quase infinita, da literatura possibilitar a expressão livre, em especial dos sentimentos, sem os óbices, por exemplo, de uma certa formatação própria dos trabalhos científicos, pode ser ilustrada com a decisão do Decano, personagem do romance de Gonzalo T. Ballester, quando anuncia a mudança no seu rumo académico: «Renuncio à história pela Literatura (…) e renuncio porque encontrei um caminho melhor para expressar o que tenho dentro de mim. Vou-me dedicar ao romance» (1993:33).

Há escritores, parece que mais os poetas que os prosadores, como Teixeira de Pascoaes ou Natália Correia, que chegam a defender a “tese” que a poesia é que permite chegar à «alma das coisas». A essência da dita seria, deste modo, de natureza poética e não científica. A ciência, associada à positividade e materialidade das fenómenos (naturais ou sociais), não o conseguiria, ficando-se, muitas das vezes, pelo exterior, pelo invólucro, pela aparência, em suma, pela visibilidade. Pascoaes, na sua Arte de Ser Português, e Natália, na tentativa de operacionalização do conceito de Mátria, procuram na articulação da história e da literatura dar contornos à «alma portuguesa». Projecto ambicioso onde se podem encontrar caminhos convergentes com o de vários antropólogos (Jorge Dias, José Gabriel Pereira Bastos, entre outros), ainda que com outras metodologias, mas com desideratos similares. Uma outra ideia, compartilhada no seio dos poetas, esses «fidedignos sismógrafos do humano»7, tem a ver com a capacidade de estar para lá das amarras do tempo conjuntural presente, das peias que nos tolhem o pensamento de projectar o futuro, e inibem de encontrar saídas para os constrangimentos em que estamos mergulhados. A poesia devolve-nos essa possibilidade do sonho, com outros projectos, outras maneiras de conceber as relações humanas e sociais; isso nos transmite Maria Teresa Horta, numa entrevista ao DN8, quando da publicação do seu livro Só de Amor: «os poetas andam à frente da sua época, são uma espécie de alquimistas; aqueles que conseguem ir ao fundo da mina buscar claridade.» Na esteira de Régio, quando décadas antes sustentara: «como a vida se encarregasse de fazer do poeta um profeta (…) Tornava presente um inegável futuro»  (1971:182).

«Desde que a ciência desconfia das explicações gerais e das soluções que não sejam sectoriais e especializadas, o grande desafio para a literatura é o de saber tecer conjuntamente os diferentes saberes e os diferentes códigos numa visão plural e multifacetada do mundo» (Calvino, 1990:134). Ora é esse olhar plural (porque de vários escritores, de diferentes épocas, de diferentes géneros e movimentos) que nos possibilitou uma visão multifacetada do mundo escolar, quando recorremos às fontes literárias para melhor o entender na sua extensão, complexidade e heterogeneidade (Souta, 2002).

Esta convergência de campos (tradicionalmente) apartados, é bem ilustrada no livro de Ballester, quando o Decano da Universidade de Compostela, num diálogo com D. Enrique, seu discípulo9, sintetiza: «São dois modos de expressão diferentes, o científico e o poético, mas levam ambos ao mesmo fim» (1992:35).

 

Notas

1. No entanto, a FCSH da então Universidade Nova de Lisboa, criou o doutoramento em «Ciências Literárias», com abertura de candidaturas no Verão de 2002.
2. In folheto “Comunidades de Leitores: os livros são acolhedoras moradas para a nossa necessidade de consolação”, IPLB/CMC, 2003.
3. Entrevista de João Aguiar ao DN, 31/03/2001, p. 36.
4. “Viagens na minha terra” in Deste Mundo e do Outro, 1971, p. 52.
5. In “Prefácio-Dedicatória” ao livro Portugueses das Sete Partidas, 1969, p. 18.
6. Suzana Ramos “A literatura segundo Calvino”, DNA, nº 117, 20/02/1999, p. 32.
7. Assim os define Miguel Torga em Fogo Preso, 1976, p. 108.
8. Entrevista de Maria Teresa Horta ao DN, 18/12/1999, p. 40.
9. É uma prática comum e vulgarizada os romancistas colocarem nos personagens os seus próprios pensamentos.

Referências

BALLESTER, Gonzalo Torrente (1992) A Morte do Decano. Lisboa: Caminho/ Uma Terra Sem Amos, nº 65, 2ª edição, 1993.
CALVINO, Italo (1990) Seis Propostas para o Próximo Milénio (Lições Americanas). Lisboa: Teorema, 3ª edição, 1998.
COPANS, Jean et al (1971) Antropologia. Ciência das sociedades primitivas? Lisboa: Edições 70/ Biblioteca 70, 1974.
CRISTÓVÃO, Fernando (1996) “A Literatura como Antropologia das Antropologias” in Sílvio Romero e Teófilo Braga – Actas do III Colóquio Tobias Barreto. Lisboa: Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, pp. 241-258.
GARCIA, Mário (2000) “O horizonte da beleza no ensino da literatura”. Brotéria, nº 5/6, vol. 150, Maio-Junho, pp. 567-577.
ITURRA, Raúl (1994) “O processo educativo: ensino ou aprendizagem”. Educação, Sociedade & Culturas, nº 1, pp. 29-50.
LISBOA, Irene (1974) Solidão II. Lisboa: Editorial Presença/ Obras de I.L, 2ª edição, 1999.
REIS, João da Encarnação (2000) A Educação na Literatura Portuguesa. Lisboa: Edições Colibri.
RÉGIO, José (1971) Confissão dum Homem Religioso. Páginas Íntimas. Lisboa: Portugália/ Obras completas, 2ª edição, 1983. Imprensa Nacional-Casa da Moeda/ Biblioteca de Autores Portugueses – Obra Completa J.R., 2001.
SOUTA, Luís (2002) A Voz da Escrita: a escola na palavra dos escritores. Provas Públicas para Professor Coordenador, ESE - Instituto Politécnico de Setúbal, 2002 [policopiado].