Um guerreiro da luz sabe o que quer. E não precisa explicar.

(Paulo Coelho)


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A Poesia de Manuel (D'Angola) de Sousa


1.

“Flutuo Assaz Vazio Após A Pesagem Da Ânima Na Balança Egípcia Das Almas”

Flutuo dentro de um corpo que não me deixa fugir
Estrebucho com o bucho cheio de expectativas vazias
Mastigo a bucha com algo de holístico no interior
Reviro e estico o estômago revolto e sem vontade
Na cabeça tenho encerrada uma caixa de surpresas

Desencanto a cantar um canto obscuro na aura
Pinto o que posso com pintas e listras axadrezadas
Remeto-me a um medonho silêncio assaz singelo
Tremo anda mais que as varas verdes à beira do nada
Tenho um medo terrível de cair no fundo do precipício

Ao invés de entrar no cortiço pela porta subo pelo cano
Rompo com o passado como se não tivesse futuro
Fecho o melhor que posso o punho semi-erguido
Escapo de ser um infinito arguido no caso existencial
Junto-me ingenuamente a pseudo eruditos encalacrados

Enrolo-me tanto que mais pareço um caracol lento na casca
Assemelho-me em incertas ocasiões a um ouriço encabulado
Recolho todos os cestos de ovos ouro que posso onde passo
Trago alguns precariamente pendurados nos lábios doridos
As fantasias alimentam-me ainda os desejos e as ilusões …

Remeto-me de vez a apreciar os hologramas e a pesar-lhes a Ânima nas balanças egípcias das Almas…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 10 de Novembro de 2018, em vésperas das Comemorações da Data da Independência de Angola em 1975…

“Viva Angola Independente e que, seja esta nossa Nação Angolana, uma Terra virada em pleno para o Mundo e para a Prática Aberta do Modernismo, para o Ensino Cientifico, Académico de Topo e Tecnológico, e que seja, de ora avante, um Nação de plena Economia de Mercado Livre, e onde todos os de Boa Vontade e que desejem Investir com Segurança e em Liberdade, sejam aceites e recebidos de braços abertos e com o carinho e receptividade próprias ao/do Povo Angolano…”

“Tenho um pavôr terrível das ditas “justiças” julgadas pelas ordens impostas da falácia e da pseudo-mentira, sobretudo, de algumas Regiões ou Terra que, por esse Mundo a fora, se dizem institucionais, mas que porém, nunca o foram e jamais o serão!…”


2.

“Do Ocidente Da Vida Enigmática Para O Destino Predestinado Da Rota Para Oriente…”

Não estou para me chatear com buracos negros que não vejo
Olho para o chão em busca da inocência perdida há muito
Por baixo de mim passam as águas revoltas duma vida
Procuro num palheiro a razão de ter tanta fome
Enfio-me num táxi da Uber em andamento

Regateio na rua por preços muito mais baixos que o habitual
Jogam-me como resposta tomates e ovos podres à boca
Tento abrir os olhos o melhor que posso a meio disso
Hei-de usar óculos de sol e de chuva na próxima
Fecho as mãos protectoras em concha oval

Rebento aos gritos das profundezas enquanto exploro gemas
Oriento-me pelo intenso brilho de pedras e terras raras
Vou de braço-em-braço numa dança bolchevique
Arrumo a mala de cartão e parto de seguida
Viajo mental e fisicamente para o além

Regresso a mim e à consciência muito antes da véspera de Natal
Venho a tempo de poder provar uma fatia tenra de Bolo-Rei
Molho as filhós no molho de vinho do Porto envelhecido
Embebeço-me meio babado pela camisa de cetim
Entorno a sôpa-da-pedra na fatiota meio rôta…

Sei que me desdobro em esforços vãos no seio da rota para o Oriente indo para lá nas calmas…

Escrito em Luanda, Angola, a 9 de Novembro de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Alusão aos Povos de todo o Mundo, em prole de um Vida Comum em Compaixão e em Paz plenas…

“À verdadeira União dos Povos do Planeta Terra em Evolução Conjunta e sem guerras ou fronteiras delimitadas ou condicionalismos …”


3.

“Estático Entre Suspeições De Teses Ou Teorias Tubulares De Juízos Inflexíveis” 

Suspeito que não hajam nem teses e nem teorias maiores
Imagino fantasias fantásticas menores num banho de imersão
Emerjo as mãos no azeite puro a pensar na virgindade daquele

Endireito-me melhor dentro de um tubo curto flexível
Fabrico imagens com as antecâmeras ópticas de ambas as iris
Concentro-me de olhar enigmático nos olhos hipnóticos de outrem

Empertigo-me todo para conseguir esticar-me até ao tecto
Toco nas partes ôcas do dito juízo unânime com um eco medonho
Assusta-me o circunstancial facto de pouco conhecer aquilo que já lá vai

Levanto a poeira revelando os verbos presentes e passados
Arranco deveras carrancudo as fundações da originalidade gasta
Rompo as cortinas das brumas misteriosas antes delas tocarem o chão

Revolvo e reviro a consciência de patas para o rarefeito ar
Arranjo-me conforme posso a tentar chegar à corda que me elevará
Prego-me de cabeça para baixo sem necessidade da utilização do martelo

Inclino o linguarejar da língua afiada mais para a direita
Recorro ao discurso directo para endireitar frases descabidas
Resolvo ficar quieto enquanto o resto do Mundo mexe à minha volta…

Quase paraliso e fico estático quiçá eternamente perante o tamanho da paliçada entre mim e Deus…

Escrito por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 7 de Novembro de 2018, em Luanda, Angola, em Homenagem aos que Sofrem e Padecem um pouco por todo o Mundo, seja com guerras injustas e sem qualquer razão plausível, quer por miséria, exploração, ou por carência de higiene, forme ou falta de saúde em condições ou ainda, mesmo, por ausência de educação e outros meios requeridos e minimamente suficientes para a sobrevivência do/no dia-a-dia das Sociedades Humanas várias…
4.

“Atravesso O Tempo Unidimensional Encavalitado Num Obscuro Erro Crasso Reflexo”

Encavalito-me no provável cavalo errado
Participo em corridas com o início no fim
Paro para olhar para a minha retaguarda ôca
Custa-me a encontrar um sentido a onde ir
Deparo com impenetráveis paredes no meio

Esburaco a passagem e escavo tuneis
Atravesso as dimensões tridimensionais
Vivo vidrado pelos reflexos das vitrinas
Encandeio-me com as janelas das fachadas
Grito sem razão para produzir um eco vazio

Peço socorro no seio da escuridão opaca
Apalpo a existência rodeado do obscuro
Ignoro o quanto falta para o resto do tempo
Alargo a margem e o espaço reduzido a nada
Visualizo visões que não me levam a lado nenhum

Perco-me aos ziguezagues por entre palavras
Abraço o verbo com força tal que fraquejo
Trago há muito um destino predestinado
Torno-me ainda mais cego que antes disto
Revejo os pensamentos de todas as eras…

Retiro a tampa da moleirinha para arejar e sentir as estrelas…

Escrito a 6 de Novembro de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Luanda, Angola…
A todos aqueles e aquelas que teimam em aprender a falar variadas Línguas Internacionais ou Extranacionais, para alem das Nativas ou Originais, alimentando assim a mente de um Pensamento Cosmopolita Mental Multicultural e Multinacional, recomendado nos dias de hoje a todos os Seres Humanos que se dignam ou primam pela intercomunicação e internacionalização profissional e académica e pelo cruzamento globalista de relações Humanas…

“Viva o Espirito Uno e Multidimensional da Humanidade Globalista e Moderna…”

“Pelo Paradigma permanente da Evolutivo da Multinacionalidade e pela Unidade e Multidiversidade Cultural Humana…”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A democracia começa no estado de direito, necessariamente laico. Depois é a liberdade de escolhermos os governantes e os legisladores, a quem aqueles devem prestar contas e ainda de pacificamente os desalojarmos do poder o que, para ser possível, implica as liberdades de pensamento e expressão e de imprensa, mas também a separação dos poderes.
Quando estes princípios se incorporam na idiossincrasia de um povo e este, pelo uso das liberdades económicas, cria um tecido social justo em equilíbrio de riqueza e de possibilidades de mobilidade em poder de compra e qualidade de vida, criamos uma sociedade democrática.
A democracia é o melhor dos regimes.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (329)

Veneza, Paul Signac, 1908Óleo sobre Tela

O pintor Francês Paulo Victor Jules, conhecido como Paul Signac nasceu no dia 11 de Novembro de 1863 em Paris e faleceu no dia 15 de Agosto de 1935 em Paris. Foi um artista de grande importância na sua época, pois junto com o pintor Georges Seurat criaram e desenvolveram o divisionismo ou também chamado pontilhismo, que foi muito utilizado por outros pintores.

Selecção de António Tapadinhas

domingo, 11 de novembro de 2018

37º Poema a I. - José Gil


DO DOCE DE ABÓBORA COM ROMÃS

Deito-me no leito do teu fado
Como uma romã rosa
Como comer o céu
Como comer as estrelas

a abobara em doce  do meu mel escrito
no cabedal das calças 
bem rente à chuva de saudade
espera-me na Damaia

do doce que prepares de abóbora
eu deito as romãs

Ontem fugimos do temporal intenso
Que se prolongou pela madrugada
Em Praias do Sado 9h o sol nasceu e
avançou na guitarra da frente
onde treinas
os carris do comboio que acorda
para Lisboa,
tenho dedos longos de viola
do teu peito
onde vou bordando o sentimento
do pequeno fole emotivo do
acordéon
dos abraços da amizade
no oceano
esqueço as flores das ilusões
como uma cantiga antiga
sei que as tuas costas de tristeza
contam histórias de cavalos e asas
na tua concha do Outono
nos ombros ainda não estão as
tatuagens dos pesadelos
tu és o meu lugar de segunda feira
desenhos tribais no pescoço para eu beijar
e nas pernas
o lugar da lima e da água
não estão claras as bagas de mirtilos
no umbigo
vamos anda  pelo sol das muralhas do Aqueduto
Aguas Livres que
tocam-me de manhã o violino
da vida num só corpo
finisterra
amo-te quando chegas perto em "concha",
vibro por um rio novo o Sado digital
uma maré azul com um largo de palavras
e uma flauta grossa
para te tocar,
para tocares ao largo,
vivam as nuvens rosa
a maré baixa para
vivermos num outro lugar
amo-te, o amor
veste-me junto aos teus seios onde tudo
começa seremos rosa
na concha mais branca da vitória,
terás o poema claro e brilhante
dá um passo no meu umbigo
e dança se chegar a musica
e o silêncio, toco-te,
no movimento criativo
na música e na
dança livre

Praias do Sado
9;43h
5-121-2018

José Gil

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

A MATILDE GOSTA DE FUTEBOL

Por incrível que pareça, a Matilde gosta de futebol do qual já conhece algumas regras e compreende o objectivo. 

 Ainda esta manhã, quando cheguei à porta da escola, como é habitual, para a esperar e junto rumarmos ao sempre animado almoço, lá estava ela, toda sorrisos e brilhos no olhar, gozando as delícias do segundo recreio em que, para surpresa minha, foi convidada para participar num jogo de futebol com os colegas. E eu não consegui deixar de rir quando a vi fazer um lançamento lateral com a máxima das correcções e, mais adiante, num lance corrido em que ela desarmou um miúdo com um pontapé certeiro na bola. 

Eu sei que este passatempo não é raro nos recreios do meu pardalito. Mas ainda não tinha visto a habilidade da garota. 


Pois é devido a esta preferência que hoje pouco mais tenho a dizer. 
Dia absorvente, depois de ontem ter perdido quatro horas numa reunião que terminou com a marcação de uma segunda ronda, mal tive tempo para apreciar o brilho das cores das árvores e do céu de nuvens rolantes que jornais, notícias ou conversetas de café, nem espaço tiveram para surgir na agenda. 

Chegado a casa, ocupei-me com a promessa de organizar um joguinho de futebol com bonecos que me fez delirar ao longo da idade dos calções. 
Será que vou transmitir este legado a esta minha filha? 
Seria uma curiosidade engraçada. 

Mas a verdade é que passei toda a noite a reunir potenciais jogadores que dividi, de acordo com as diferentes colorações, em mais de uma dezena de equipas. 

E agora já passa da meia-noite. 



Basicamente, a aula desta manhã repetiu a de ontem; nos exercícios da escrita, teve de diferente o treino das sílabas. 



Bem, amanhã será um dia longo. 


 Alhos Vedros 
  12/05/2004

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL...(328)

Moonlight, Washington Allston
Óleo sobre Tela, 63,8 x 90,8 cm


Washington Allston, nasceu em Charleston, USA, a 5 de Novembro de 1779  e faleceu em Cambridge, Inglaterra, a 9 de Julho de 1843.

Considerado o primeiro pintor de paisagens americano, introduziu nos Estados Unidos o movimento artístico denominado romantismo. Aos 21 anos gradua-se pela Universidade de Harvard. Vendeu seu patrimonio para estudar pintura em Londres. Na Academia Real, estudou sob a orientação de Benjamim West. Viajou pela Europa e em sua permanência na Itália ficou conhecido como "Ticiano americano" devido as suas composições cromáticas. Com frequência viajou de um continente para outro. Em uma dessas viagens a Europa, Allston levou um de seus alunos, Samuel F.B.Morse, que mais tarde inventou o telégrafo e o código morse. Sua pintura muitas vezes combinava forma clássica e o romantismo e às vezes lembravam sonhos. Escreveu ensaios que revelavam seus pontos de vista sobre o assunto.

in. Wikipedia


Selecção de António Tapadinhas

domingo, 4 de novembro de 2018

Chuva de Luz



Chuva de Luz sobre o Tejo, e mais além...

Fotografia de Lucas Rosa

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

EG 105



ESTUDO GERAL
out/nov     2018           Nº105

"De que árvore florida chega? Não sei.
Mas é seu perfume.”  
(Matso Basho)

Sumário

Photopoema
Absolutamente
real...irreal...surreal
O Diário da Matilde
recém-nascido
Antídoto (vídeo clip)


---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

a mente mente... e desmente, absolutamente


Quão extraordinária força da evolução da natureza, da própria vida, a mente humana e a sua enormíssima capacidade transformadora: um instrumento super poderoso que, afinal, capaz do melhor e do pior, ergue e destrói coisas belas.

Luís Santos


Fotografia de Lucas Rosa

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Da autoria de Natividade Correia, “Júnior”, o livro de Matemática do primeiro ano do ensino básico, publicado pela Texto Editora, em Lisboa, no ano de dois mil e três, sendo este um exemplar da tiragem inicial da primeira edição. 



Mas hoje estou tão cansado que o meu desejo de Sábado só tem comparação com a vontade que sinto de me deitar e dormir. 



Os alunos fizeram exercícios com as palavras dadas até cenoura e fizeram contas, bem como escreveram por extenso e em numerário todos os números aprendidos até ao momento. 



Agora há uma noite para dormir. Lá fora está frio. 


Alhos Vedros 
  11/05/2004

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL. (327)



Título Rinoceronte,  Niki de Saint Phalle
Serigrafia colorida, em velino, 1998,

Assinada e numerada, 43 x 56 cm

Niki de Saint Phalle foi uma pintora, escultora e cineasta francesa, que nasceu a 29 de Outubro de 1930, em Neuilly-sur-Seine, França e faleceu, a 21 de Maio de 2002, em La Jolla, Califórnia. Emigrou para os Estados Unidos ainda jovem.
Na década de 60, a artista desenvolveu um estilo de pintura que ela realizava atirando tinta sobre a tela, como parte de uma performance.
Saint Phalle também cultivou um estilo diferente de fazer esculturas, criando grandes peças como as Nanas, figuras exageradas que representavam a "Mãe Terra". Três delas foram encomendadas pela cidade de Hanover, em 1974.

Selecção de António Tapadinhas

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Ontem, em Grozny, por ocasião da cerimónia de aniversário da vitória da União Soviética sobre o nazismo, um atentado saldou-se pela morte do Presidente eleito e reconhecido por Moscovo, assim como do chefe militar das suas tropas e outros altos dirigentes políticos e militares. 
Se bem que ainda não tenha sido reivindicado, tudo indica que se tratou de uma acção perpetrada pelos rebeldes independentistas que incorporaram os métodos do terror na guerra que travam com a federação russa. 

Putin promete vingança, mas não me parece que seja capaz de encontrar uma solução para aquele problema que já se arrasta desde os finais da década de oitenta e que tem as suas raízes num passado em que a consolidação do império czarista meteu o dedo e, mais perto de nós, o estalinismo a espada e o livro vermelho. 
É difícil conceber um mundo resultante da desintegração da Rússia actual, mas a verdade é que a questão tchetchena dificilmente será resolvida dentro daquele estado federal e não é possível prever as consequências de um reconhecimento, por parte de Moscovo, daquela independência. 

E o Ocidente está aqui de pés e mãos atadas, até pelo simples facto de nada ter feito para salvar a União Soviética do caos em que acabou por cair e, em parte, levou à sua implosão, ajudando energicamente as forças que então apostavam na criação de uma economia de mercado no contexto do regime comunista, com o que poderiam ter permitido a transição para uma sociedade aberta e um estado de direito. 

Mas isto, provavelmente, é idealismo da minha parte. 
Sem embargo, tenho para mim que ao deixarem cair Gorbatchov, os ocidentais perderam o único interlocutor capaz de entender a importância da continuidade do império para os equilíbrios geo-políticos e geo-estratégicos a nível mundial. Ao contrário, ao darem o aval aos golpes palacianos de Yeltsin, cobriram alguém que nada mais queria que o poder. 

Não por acaso, o muro de Berlim caiu e o Pacto de Varsóvia dissolveu-se sem que Budapeste ou Praga se tivessem repetido. 

Hoje ainda sofremos as ondas de choque desse terramoto e o que se passa na Tchetchénia não é o único testemunho desse fenómeno. 



“-A aula de hoje foi toda dedicada a trabalhos de Matemática.” –Disse a Matilde à mãe, quando esta lhe perguntou se a manhã lhe tinha corrido bem. E na realidade, não fez qualquer interrupção no discurso. “-Fizemos números, conjuntos de números, contas e fizemos jogos e uma ficha com os números que já aprendemos.” 

E não tiveram trabalhos para casa, pelo que a tarde foi preenchida com brincadeira até à hora de irem para a ginástica. 



A Margarida está constipada. 



E por cá começou o debate instrutório do processo Casa Pia, findo o qual se saberá quais são os arguidos que serão levados a julgamento. 

A ver vamos a força da nossa justiça. 
Não tenho dúvidas que é o que resta do estado de direito entre nós que está em jogo em todo este processo, assim como nesse outro que dá pelo nome de apito dourado. 

Mas a desinformação é mais que muita. 
Os jornais, aqui há uns meses, encheram-se de notícias que diziam que Herman José já não seria pronunciado, mas hoje lá esteve o advogado a representá-lo. 

Vejamos como tudo isto acaba. 


Alhos Vedros 
  10/05/2004

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (326)

Francisco dos Santos
Estátua Marquês de Pombal, Lisboa

Francisco dos Santos nasceu a 22 de Outubro de 1878 e faleceu, inesperadamente, às 4 da madrugada de 29 de Abril de 1930, vitimado por uma congestão.
Foi um escultor do primeiro modernismo nacional. Tem diversas esculturas emblemáticas, tais como, Salomé, Beijo, Nina e uma escultura actualmente no Jardim Constantino, com o título Prometeu. Foi o escultor do Monumento ao Marquês de Pombal, na praça do mesmo nome em Lisboa (foto desta postagem).
Na pintura, notabilizou-se pela sensualidade dos seus nus femininos.

Selecção de António Tapadinhas

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Já é Primavera


De que árvore florida chega?
Não sei.
Mas é seu perfume.

Matsuo Basho


Photopoema

Kity Amaral

Já é Primavera
Photopoesie
2018, Brasil

terça-feira, 16 de outubro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Na sexta-feira foi dia de Feira de Projectos e mais uma vez as minhas filhas lá foram ao pavilhão de exposições do município para verem a exposição dos respectivos trabalhos. Segundo a mais nova, sem qualquer exemplar da sua autoria mas, de qualquer forma, com a particularidade de ser a primeira vez que participa na qualidade de aluna do básico, ao contrário da irmã que para o próximo ano ali voltará em representação de outro estabelecimento de ensino. 


Quanto a mim, sempre pensei que o espírito com que estas realizações são postas em prática deixa muito a desejar. 
Chegámos já ao ponto de vermos conteúdos elaborados com o único propósito de ali virem a ser apresentados o que é, de todo, um erro. 

Estes eventos deveriam muito simplesmente limitar-se a expor os melhores e os mais representativos trabalhos que ao longo do ano lectivo curricular tivessem sido realizados pelos alunos. 
Para além disso, seriam também uma boa ocasião para as escolas se mostrarem ao público e conseguirem realizar dinheiro pela venda de serviços ou outros produtos ou pela captação de doações privadas. 
Da forma como as coisas são feitas é que continuamos a brincar às casinhas. 

Mas é esta a filosofia de fundo com que, entre nós, se encara o ensino. 
Agora vem o Presidente da República com a ideia de um plano para o sucesso escolar até dois mil e dez. 
Words, nothing but words, empty words. 
Mal sabe o senhor que se for preciso arranja-se a forma dos alunos passarem com competências nem que seja por decreto e se este não existir, até por uma questão de pudor, infelizmente, certos profes tratarão de transformar as avaliações em simples inscrições dos nomes dos candidatos. 

É claro que isto do plano não passa de conversa para uso da presidência aberta. 
Mas revela a ligeireza com que entre nós se aborda o fenómeno do ensino/aprendizagem. 



Mas deixemo-nos de tristezas que na noite desse mesmo dia fomos ao coliseu, em Lisboa, para assistirmos a um concerto de José Mário Branco. 

Esmagador, digo eu, se quiser usar uma palavra para descrever aquele que não hesito em reputar como o melhor espectáculo do género feito por portugueses. 
No fim, a sala foi o lugar onde o público, todo de pé, esteve a bater palmas sem descanso ao longo de uns bons dez minutos. 

O Autor/Intérprete apresentou-nos o último álbum e depois, com o auxílio de um coro infantil, fez uma espécie de rapsódia pelos temas mais antigos com os quais deu o show por encerrado. 

Mas foi uma noite amarga, posso mesmo dizer que foi um exemplo do belo que um músico genial pode elaborar com a amargura. 



E cá por casa as obras continuam e ontem lá a Luísa teve que ir com as miúdas à aula de natação. 

Seja como for, a parte da alvenaria está completa com o trabalho de estucagem que hoje foi concluído. 


Ontem à noite, ainda assistimos a um sarau de música coral, na Vélhinha. 



De resto, o fim-de-semana teve jornais. 
Especialmente interessante, uma entrevista ao filósofo Fernando Gil que tem sido uma das vozes mais esclarecidas na denúncia do perigo mortal que o terrorismo da Al-Qaeda representa. (1) 


Agora que os aliados levaram outro rombo moral com a publicação de fotografias que dão testemunho de sevícias praticadas sobre os prisioneiros iraquianos, é importante que haja quem consiga manter a distância para não confundir as coisas e não deixar que os erros de gente mal formada encubram o que realmente está em jogo na guerra travada com os homens de Bin Laden. 



Depois de um Inverno seco, estamos a ter as chuvas de Abril em Maio. 


Alhos Vedros 
  09/05/2004 


NOTA 

(1) Gil, Fernando, ENTREVISTA, pp. 34 e ss 


CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA 

Gil, Fernando, ENTREVISTA, Entrevista a Maria João Seixas, “Pública”, nº. 45, de 09/05/2004, In “Público”, nº. 5160, de 09/05/2004

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (325)


Ilustração de Graça Morais


E assim nasceu um livro ...
Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã.
As Metarmofoses - um livro a duas mãos de Agustina Bessa-Luís e Graça Morais - é um projecto, nascido de outro...que não foi avante. Esse outro visava assinalar o cinquentenário da 1ªedição de A Sibila (1954) , e foi a própria Agustina a contactar Graça Morais, convidando-a a ilustrar a nova edição.


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

LAU GOD DOG - Negação [videoclip oficial]



LAU GOD DOG
You Tube, 11 de out de 2018
A negação é uma espécie de veneno, a necessidade de ver o mundo de uma forma ilusória. A música negação é uma espécie de antídoto: pretende fazer sentir esse medo da morte e da vida e, através desse arrepio, desse desassossego, tornar o objeto do medo real e o medo irreal. Tornar-nos superiores a esse estado e fazê-lo dissipar-se. O medo é natural. O medo de ter medo é um problema. Se eu não quero ter medo, o meu medo não deixará de existir, mas a minha mente encontrará máscaras, ilusões, adiamentos, distracções - o que for preciso para não encarar esse medo. É aí que nasce a negação.
Mas há sempre um momento em que os medos voltam, como bolas que, depois de empurradas para baixo, ressaltam com força proporcional. Normalmente, isso acontece quando se encara a morte. A maioria das pessoas só se liberta antes da morte. Quando é inevitável largar a negação. Quando já não há por onde fugir.
A morte deve ser encarada como uma companhia constante, uma mulher que a qualquer momento nos pode beijar, mas que gosta de jogar à apanhada. "A morte não está no futuro. Está aqui." É assim que nasce a aceitação."
Se ouviste até ao fim e te arrepiaste pelo caminho, comenta #MeioCãoMeioDeus
Videoclip da faixa "Negação", do álbum "Meio Cão Meio Deus", de LAU GOD DOG: - realização e produção: Rafael Augusto (@laugoddog) - operadores de câmera adicionais: Luís Diogo e João Bigos Campaniço - Casting (por ordem de aparecimento): David Santos e Tiago Faquinha
Música: - Composição, letra e voz: LAU GOD DOG - Produção e pós-produção: LAU GOD DOG
Links: - instagram: https://www.instagram.com/laugoddog/ - Facebook: https://www.facebook.com/laugoddog/ - Youtube: https://www.youtube.com/user/rafamast...