O oceano é um Upanishad, a terra um Sutra, o sol um Corão, o vento um Evangelho. E tu uma deusa-deus que se rebola a nascer e morrer e a rir e chorar pelas colinas do tempo e do espaço até que regresses ao Infinito de onde tudo vem e de onde nada jamais saiu a não ser na mente estúpida que acredita piamente nas histórias que a si mesma conta para se distrair do Extraordinário que é. (Paulo Borges)


sábado, 22 de setembro de 2018

O Distrito de Setúbal, Portugal


A imagem pode conter: montanha, céu, árvore, casa, ar livre e natureza
Imagens do Google

Entre os rios Tejo e Sado, o oceano e a parte ocidental da província alentejana, eis a península de Setúbal. Nove concelhos constituem o rendilhado do lugar (Setúbal, Palmela, Sesimbra, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete). Para sul, completando o distrito, os quatro concelhos alentejanos (Alcácer-do-Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines).  Um lugar pleno de parques e reservas naturais, património histórico de excelência, zona de estuários que dão para mil praias, imensa beleza paisagística, da cordilheira da Arrábida, da arriba fóssil da Costa da Caparica, do Cabo Espichel, do Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Das fortalezas, dos castelos, dos conventos e das igrejas. Dos flamingos e dos golfinhos.

Na foto, o Convento de Nossa Senhora da Arrábida, em plena Serra da Arrábida, onde Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), o poeta místico, viveu como eremita os últimos 15 anos de vida. As comemorações do quarto centenário da sua morte começarão muito em breve...


Luís Santos


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Dança de Pina Baus

CARACOL DE BANDIDA
Em Praias do Sado e Alhos Vedros

Poema a quatro mãos
Andreia Bernardo
José Gil

Só lá eu me sentia
Na flor do eu verdadeiro
Bandida
Desde então nunca mais me senti.
O tempo passa e eu esqueço-me
de quem era
e do que sou.
E quando tenho de ser eu,
Não sei como sou tenho um fado
Caracol em Praias do Sado
caracol de bandida
tocas o verdadeiro coração
mil teclas na concertina
das flores na dança

E falarei na concha que ainda não me entregaste
concha de pele e de cabelos,
gostava de ver chover na praia um bom mergulho
na terça - feira, traz as borboletas pontuais e
efémeras para as tatuagens
da alma profunda, o teatro do circo real
constrói-se em salas escuras e sente-se, o rigor e
transparência da apresentação
começa pelo mel, traz os favos e as abelhas para
decorar o sangue
avançamos pelo fogo o dia não foi igual aos outros viveu o seu destino
gosto destes figos de Setembro na concha da pele,
onde vivemos o
desejo do lençol para o diálogo novo,
Acreditas no Destino em Setembro
Na avenida da rotundas
De ser neste mundo
De ter ainda que ser
O que não sei
Fado da observação
O que tenho que ser eu
Na flor da intimidade
Onde avançam os meus dedos
Nos teus
vamos nos encontrar no outro lado
do mundo onde será verão
às 5,15 nasce o dia
na flor do eu verdadeiro
Tenho um fado


Andreia Bernardo
José Gil
5:35h
18-9-2018
Águas Livres-Amadora
___________________________

“(…) Por detrás da poesia do texto, está a poesia pura
sem forma e sem texto. (…) Não se trata de suprimir a
palavra articulada, mas de conferir às palavras, aproximadamente
a importância que têm os sonhos…”
(Antonin Artaud)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Ao que o Benfica já chegou; vibramos com o segundo lugar. 
E foi há dez anos, por ocasião do primeiro diário da Margarida que eu tive a última grande alegria num derby com o Sporting, quando, mais ou menos por esta altura do ano, as águias foram a Alvalade vencer por seis a três e com isso ganhar o balanço para a conquista desse campeonato o que, desde então, não mais se repetiu. 

Seja como for, depois de uma longa série de anos em estado de coma, o clube tem recuperado e repete este ano a possibilidade de vir a disputar a liga dos campeões e tudo indica que está no bom caminho, mantendo a equipa e respectivo treinador pela segunda época consecutiva. 
Se não houverem golpes fora das quatro linhas, para o ano voltará a ser campeão e regressará aos grandes palcos europeus para aí retomar o lugar entre as grandes equipas. 


E não é que a Matilde gosta de futebol? 



Mas ontem passaram trinta anos sobre o dia em que eu vi as ruas de Alhos Vedros cheias de gente como não mais voltou a suceder. 
Era o primeiro de Maio que o povo festejava em liberdade pela primeira vez o que ninguém queria deixar de fazer, até como forma de provar que também os portugueses poderiam viver fora da tutela das forças da ordem de um regime policial. 

Tenho ideia que o dia estava meio encoberto mas as pessoas traziam sorrisos na cara e cravos ao peito. 

E não mais esquecerei o Avelino que Deus tenha em Sua Glória, com o gravador à tiracolo, na rua, entrevistando os conterrâneos em nome de uma rádio que não existia, mas à qual todos quiseram deixar o testemunho da sua alegria. 

Três décadas depois, o dia passou tão despercebido que o comércio esteve aberto e em minha casa houve trabalho como em qualquer outra jornada. 


Que fizemos nós da cidadania? 



E não é que a Margarida já dá luta em jogos de cultura geral em que é preciso saber nomes de países, cidades, rios e outros dados do género? 

É uma alegria para o pai quando joga com os pardalitos. 


Que não esqueceram o dia da mãe. 

A Matilde fez mesmo questão de me lembrar que eu deveria oferecer uma prenda à minha mãe. 

Mas elas escreveram mensagens e fizeram desenhos que enviaram por correio. Na sexta-feira chegou a da mais velha e amanhã deverá chegar a da mais nova, pois o pai preferiu repartir a remessa dos envelopes que os amorzinhos lhe confiaram para fazer chegar à caixa postal. 

E depois de uma semana de cumplicidades para que a mãe de nada soubesse, esta manhã, a mais novinha entregou um diploma de mãe competente que fez na escola, na última quinta-feira. 


O pai incha de contentamento. 



Mas ontem foi o dia do alargamento da União Europeia a dez novos países. Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Malta e Chipre passam assim a fazer parte da unidade europeia que constitui o maior mercado organizado do mundo. 

Por aqui há receios e muitos. Mas também me parece haver vantagens. 
Acontece é que entre nós ainda continua a não entender-se que os negócios é que são as molas deste último prato da balança e a concorrência ainda é vista como um factor de perigo e a perda de ajudas financeiras como uma espécie de prenúncio do fim do maná. 

Afinal, encarámos a União como a Índia e os Brasis de outros séculos. 



Terça-feira haverá um eclipse total da Lua. 
Esperemos que seja em horas decentes. 


Alhos Vedros 
  02/05/2004

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (321)


Anton Mauve na Floresta, Autor Anton Mauve
Óleo sobre Tela, dimensões 38.5 x 58 cm

Anton Rudolf Mauve nasceu em Zaandam, a 18 de Setembro de 1838 e morreu a 5 de Fevereiro de 1888, em Arnhem.
Foi um pintor realista holandês, que com o seu exemplo influenciou fortemente o seu primo Vincent Van Gogh.
Pertenceu ao movimento estético da escola de Haia.


Selecção de António Tapadinhas

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO


Margarida Castro
margaridadsc@yahoo.com
dialogos_lusófonos

Olivença -uma cidade e um município numa zona fronteiriça, cuja demarcação é objeto de litígio entre Portugal e Espanha. Reivindicada de jure por ambos os países, integra atualmente a comunidade autónoma espanhola da Estremadura e a província de Badajoz. Tem 430,1 km² de área e em 2016 tinha 12 032 habitantes (densidade: 28 hab./km²)

OLIVENÇA MUSEU ETNOGRÁFICO (ver vídeo):



terça-feira, 11 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

Nestes dias de trambolhão mal tenho tempo de escrever neste diário e, pior, nem pensar em aprofundar o que quer que seja. 

E se Portugal vai tendo assuntos para comentar, infelizmente pelos piores motivos. 


O processo Casa Pia teve hoje mais um folhetim com a acareação entre as vítimas e os outros acusados de pedofilia. 


E o apito dourado começa a apontar na direcção do Futebol Clube do Porto e do seu Presidente. 

Ui! Esta gente ainda é capaz de pôr o país a ferro e fogo. 

Mas vão-se sabendo os contornos dos negócios escuros entre a Câmara do Porto e aquele clube e agora começa a ficar clara a razão de ser da nossa candidatura ao Euro 2004 nos moldes em que ela foi feita. 
Vamos estar atentos aos próximos capítulos. 

Mas, tal como eu previra em diários anteriores, esta canalha deu cabo do estado de direito entre nós. 



Ontem, os alunos aprenderam os números treze e catorze, com os quais trabalharam toda a manhã e hoje, para lá das aulas de música e moral, deram uma nova palavra, rato, a respeito da qual trouxeram trabalhos para casa. 



Como é habitual, a temperatura voltou a descer. 
Mas os grilares voltaram a dominar o ambiente sonoro da noite. 


Alhos Vedros 
  30/04/2004

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (320)



Composição com Figuras, Mario Zanini, 1965
Óleo sobre Tela

Nascido em São Paulo, em 10 de setembro de 1907, filho de imigrantes italianos, Mário Zanini, pintor, decorador, ceramista e professor. Ele pertence à geração de pintores de origem proletária que ajudou a consolidar o modernismo no Brasil, reunida no Grupo Santa Helena, embrião da Família Artística Paulista.
Começa a estudar pintura na Escola Profissional Masculina do Brás em São Paulo, em 1920. Trabalha como letrista na Companhia Antárctica Paulista, entre 1922 e 1924.
Em 1934, participa de sua primeira exposição, no Salão Paulista de Belas Artes. Nos Salões de Maio, em 1938 e 1939, Zanini arranca elogios de críticos como Mário de Andrade e Sérgio Milliet.
Em 1950, viaja por seis meses pela Itália, em companhia de Volpi e Osir. No início da década de 50, Zanini participa da 1ª e 2ª Bienais de São Paulo. A tendência à depuração acentua-se, aproximando sua obra do construtivismo. Desenvolve também trabalhos como ceramista, no ateliê de Bruno Giorgi.
Nos anos 60, abandona pesquisas formais e retoma o figurativismo. A partir de 1968 leciona na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Morre em 16 de agosto de 1971.

Em 1974, sua família doa 108 de suas obras ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC/USP.

in História das Artes


Selecção de António Tapadinhas

sexta-feira, 7 de setembro de 2018


O oceano pode em breve conter mais plásticos do que peixes :(
 
Tue 9/4, 12:10 PM

quarta-feira, 5 de setembro de 2018


CARACOL EM QUADRADO AZUL

Desenho no teu umbigo um “quadrado azul” em frente 
ao rectângulo azul de outros saltimbancos
perco-me no triangulo vermelho
da geometria do amor fisico

Perderei meu sangue africano na tatuagem 
do nosso enamoramento 
O teu trabalho está na gare onde chegas no navio, 
nos vitrais da minha fé
Desejo tocar-te nos seios espirituais da modernidade 
dos jardins da fundação
Quem sabia de performance era o nosso mestre 
sem vitrinas entre os múltiplos das
artes plurais – Judite – “nome de guerra”
disseminação de novela e filme sem suportes
avanças de S. Tomé e Príncipe para fazer
a modernidade verdadeira casa das artes
e sublinho o desenho do Arlequim, uma bailarina e um cavalo
no Começar do Teatro as cores, a luz, as sombras, os recortes
as artes, o espetáculo para ser visto.

passo os dedos nos teus braços
na lentidão de um pincel azul

Praias do Sado
17:47h
1-9-2018

José Gil


terça-feira, 4 de setembro de 2018

O DIÁRIO DA MATILDE - O MEU PRIMEIRO ANO DE ESCOLA

HISTÓRIAS DA TERRA ENCANTADA
19

Foi pois o Homo Erectus que, fazendo uso da caça, se espalhou por todo o velho mundo, vindo a deixar vestígios que se estendem das margens ocidentais do continente europeu ao que hoje é a ilha de Java. 
Mas não é só uma tal dispersão geográfica que atesta quão bem sucedido foi esse ramo da grande família humana. Um tão longo período testemunhou a multiplicação e diferenciação das ferramentas líticas que àquele estão associadas, bem como deixou marcas de práticas que, indo desde o domínio do fogo às primeiras manifestações funerárias, nos revelam um animal inteligente que, apesar de ter um volume craniano mais pequeno que o nosso, estava já apto a elaborar pensamentos abstractos bem como, naturalmente, a desenvolver raciocínios em termos lógicos. 
É isto que nos diz a reconstituição do sinantropos, para citar apenas um caso, que há umas poucas centenas de milhares de anos viveu em Chou Ko Tien, na China actual, em grutas em que aquecia alimentos e, segundo parece, revela práticas de canibalismo de que nos chegaram os crânios cortados de forma a permitir o acesso às respectivas massas encefálicas. Estamos perante alguém que se alimentava tanto da recolha como da actividade caçadora, para a qual dispunha de lanças e o equivalente a facas e punhais e que, tal como em outros vestígios no Médio Oriente, enterrava os seus mortos ou, pelo menos, alguns deles. 
Não sabemos ao certo como se processou a evolução do homo habilis para o erectus e deste para o homo sapiens. É natural que os indivíduos com cérebros maiores fossem aqueles que se revelavam mais capazes para assegurar o melhor sustento para si e a sua prole e que, por isso, se tenham reproduzido mais, vindo a predominar as características que entretanto haviam legado aos seus descendentes. Assim de deve explicar a substituição do habilis pelo erectus que terá ocorrido ainda em África, mas igualmente o aparecimento do homo sapiens entre as populações do homo erectus fora daquele continente, ou até a estirpe moderna a que pertencemos, o sapiens sapiens que parece ter sucedido naquelas terras continentais. 
A verdade é que o Homem de Neanderthal que encontramos na Europa ou os seus semelhantes em termos de volume craniano em outras paragens da Ásia Menor, todos eles terão evoluído fora de África no contexto da demografia do homo erectus. Ora, pelo menos tanto quanto nos é permitido saber pelos dados actuais, terá sido com este homo sapiens que o uso da linguagem se generalizou e é com ele que vamos encontrar o que podemos considerar como os primeiros ritos funerários, da mesma forma que ao resolver os problemas que as glaciações colocaram, estenderam a hominização aos ambientes de climas mais frios. 
Contudo, pelo que nos dizem os restos de crânios e outros ossos encontrados, entre outros locais, na Etiópia ou na África do Sul, o homo sapiens sapiens, ou seja, a espécie humana a que pertencemos, terá surgido neste continente, há mais ou menos cem mil anos. (1) 
Apenas aí se manteve mais duas dezenas de milhares de anos (2), em números reduzidos que não iriam além de alguns milhares de indivíduos até que, tal como as mais recentes descobertas genéticas vêm agora dizer, um grupo terá passado para a península arábica de onde se terá espalhado pelo planeta. 


NOTAS 
(1) Hoje em dia sabemos que a nossa antiguidade remonta a mais ou menos o dobro do referido, duzentos mil anos. 
(2) De acordo com a nota anterior, também esta referência de tempo carece da devida actualização.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

REAL... IRREAL... SURREAL... (319)

Paisagem de Kabylie, Autor André Hébuterne
Óleo sobre Tela 50x60 cm

André Hébuterne foi um pintor francês, que nasceu em Meaux, a 3 de Setembro de 1894 e faleceu em Paris a 30 de Junho de 1992. Juntou-se aos artistas de Montparnasse na sua juventude, onde conheceu diversos pintores, entre eles, Modigliani.
Trabalhou por muito tempo como retratista, sendo os seus modelos preferenciais, familiares e amigos.
Os seus desenhos e pinturas foram mantidos confidenciais até que, após a sua morte, foram dados a conhecer ao público.
Ficou famoso graças às suas gravuras a água-forte feitas para a impressão do livro Gargantua, em 1948, baseadas na criação de François Rabelais.


Selecção de António Tapadinhas

sábado, 1 de setembro de 2018

EG 103



ESTUDO GERAL
ag/set        2018           Nº103

"Firme, forte, bem enraizada, a última azinheira e a sua dríade ou Espírito da Natureza, qual Deusa Mãe Terra, saúda-nos e pede-nos para defendermos mais as árvores, em especial as mais velhas, raras e sagradas...." (Pedro Teixeira da Mota)

Sumário
Em defesa das Árvores
Pauta para guitarra
Egipto Antigo
Alusões e homenagem
Poesia
Pintura com música
Património
Diarística
Real...Irreal...Surreal
  
---------------------------------Fim de Sumário----------------------------------

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Manuel (D'Angola) de Sousa: Poemas


1.

“De Fome Ôca E Sem Quaisquer Factores Lógicos Ou Sonoros Sempre A Subir Ao Nadir”

Alimento-me rápido da acelerada vibração primaveril do início
Giro à volta do meu próprio eixo centralizado de rotação
Gravito em autêntica apoteose preso à forca da gravidade
Colo a cabeça a um monte de entulho de desperdício nuclear
Dou comigo a praticar uma exótica dança atómica particular
Respiro com dificuldade para dentro e para fora duma garrafa

Faço bolinhas de sabão com o oxigénio contido numa botija
Enervo-me tanto que dou comigo a arrancar ervas daninhas
Oculto-me atrás de recônditos cantos obscurecidos pela ignorância
Rebento com a correnteza forte com uma simulada granada de imitação
Visto a pele nua sem quaisquer ossos animais ou espinhas adicionais
Agrego valor numa pilha bem grande a perder de vista de lixo

Entro no processo colectivo do linchamento de ratos e baratas
Alio-me vorazmente à brigada de extermínio de pestes e pragas
Desalmo-me ainda mais quando estou deveras desalmado e sem jeito
Espremo borbulhas de gasosa à mão com as pontas dos dedos trémulos
Estendo a rede de comunicações para além do alcance da maldade
Protejo inocentes e os ingénuos como um ponto crucial assente

Sento-me na berma do declive ingreme duma pirâmide a vêr o pôr-do-sol
Arquejo com o pêso da humildade modesta que quase fico marreco
Subo com corda ao topo dum cume de formato totalmente cónico
Encontro-me na rota de colisão com um cómico que me desinforma
Faço-me quieto para não ser visualizado pelos julgadores caluniosos
Desvio atenções para os telhados de manjedouras ocultos a bocas abertas…

Mato a fome com a projecção de pensamentos abstractos e subjectivamente ôcos…

Escrito em Luanda, Angola, a 26 de Agosto de 2018, por Manuel (D’Angola) de Sousa, em Alusão à necessidade de todos nos primarmos por comportamentos e atitudes transparente e de extremas sinceridade, honestidade ética, responsabilidade e elevado grau de consciência, em nossa relação diária com o Mundo e com as Sociedades Civis onde nos inserimos…

Ainda, em sincera e sentida Homenagem ao ora malogrado Senador John McCain, sobretudo, por ter sido um exemplo de Homem Defensor honesto e afincado de seu Povo Norte-Americano e das Políticas mais correctas, justas e maior interesse para o seu País, independentemente de ter sido um dos actuais grandes Líderes do Partido Republicano Norte-Americano…   


2.

“Viro A Página Final Com Um Fenomenal Pulo Para Cima E Para Baixo Num Colchão De Molas”

Pulo para baixo e para cima na vida num colchão de molas
Corro contra o tempo pulando as intemporais barreiras temporais
Estraçalho a matéria carnal que me cobre e dispo-me eventualmente

A meio de imenso estardalhaço travo o caos com o sinal da mão
Varro tudo em um instante diminuto para debaixo do tapete da sala
Cubro o resto a cochichar sobre os restantes factos e provas incomprovadas

Abro a mente de lés-a-lés e de viés ao final de cada início de manhã
Comove-me ficar o dia inteiro à janela com ela aberta para a eternidade
Por muito que concentre a vista interior em visualizações continuo meio vesgo

Dou com a cabeça num poste para tentar acender lá dentro a luz
Fico apagado num quase total e longo apagão por noites repetidas a fio
Mesmo cortando com uma tesoura afiada a fita das inaugurações sinto-me cego

Mergulho na fonte tida como aquela original de muitos desgostos
Bebo água fresca dôce e entorno metade do copo de cristal raro em cima
Molho o cabelo com o recém-novo penteado feito num dispendioso cabeleireiro

Viro a página dos paradoxos e dos termos contraditórios e fecho o livro
Desligo a ficha com a maior rapidez possível para não ser impedido por nada
Encerro o capítulo usando em parte algo imperceptível do genuíno verbo sagrado

Apago toda a possível sinalética diabólica do pensamento simbolizante
Rasgo as vestes de quem as deixou penduradas no meu caminho para a iluminação
Pinto o arco-íris do amor e da paz em meu peito aberto e nas bandeiras que transporto…

Ultrapasso entraves tidos como intransponíveis andando como um andarilho sobre pernas-de-pau…

Escrito em Luanda, Angola, por Manuel (D’Angola) de Sousa, a 25 de Agosto de 2018, em Alusão e a favor das tradições populares, mas, simplesmente por altura de festas de teor e prática folclórica, evitando exageros que impeçam a mudança de paradigmas conservadores e a adaptação a novos e modernos métodos, sistemas, filosofias e tecnologias, para permitir a fluidez constante da evolução e modernidade da cultura social, em geral…