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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Um consumo reduzido de produtos de origem animal é necessário para salvar o mundo


por Margarida Castro


Um consumo reduzido de produtos de origem animal é necessário para salvar o mundo dos piores impactos das mudanças climáticas, diz relatório da ONU.
Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, da escassez de combustíveis e dos piores impactos das mudanças climáticas, afirmou hoje um relatório da ONU. Na medida em que a população mundial avança para o número previsível de 9,1 biliões de pessoas em 2050 e o apetite por carne e laticínios ocidental é insustentável, diz o relatório do painel internacional de gerenciamento de recursos sustentáveis do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP).
Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam substancialmente devido ao crescimento da população e do consumo de produtos de origem animal. Ao contrário do que ocorre com os combustíveis fósseis, é difícil procurar por alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial nos impactos somente seria possível com uma mudança substancial na alimentação, eliminando produtos de origem animal”.
O professor Edgar Hertwich, principal autor do relatório, disse: “Produtos de origem animal causam mais danos do que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. A biomassa e plantações para alimentar animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis”.
A recomendação segue o conselho de Lorde Nicholas Stern, ex-conselheiro do governo trabalhista inglês sobre a economia das mudanças climáticas. O Dr. Rajendra Pachauri, diretor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), também fez um apelo para que as pessoas observem um dia sem carne por semana para reduzir emissões de carbono.
O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com  o desenvolvimento econômico, eles disseram.
Ernst von Weizsaecker, um dos cientistas especializados em meio ambiente que coordenaram o painel, disse: “A crescente riqueza econômica está levando a um maior consumo de carne e laticínios – os rebanhos agora consomem boa parte das colheitas do mundo e, por inferência, uma grande quantidade de água doce, fertilizantes e pesticidas”.
Tanto a energia quanto a agricultura precisam ser “dissociadas” do crescimento económico, porque os impactos ambientais aumentam grosso modo 80% quando a renda dobra, afirma o relatório.
Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo da UNEP,afirmou: “Separar o crescimento dos danos ambientais é o desafio número um de todos os governos de um mundo em que o número de pessoas cresce exponencialmente, aumentando a demanda consumista e persistindo o desafio de aliviar a miséria e a pobreza”.
O painel, que fez uso de diversos estudos incluindo o Millennium Ecosystem Assessment (avaliação do ecossistema no milénio), cita os seguintes itens de pressão ambiental como prioridade para os governos do mundo: mudanças climáticas, mudanças de habitats, uso com desperdício de nitrogénio e fósforo em fertilizantes, exploração excessiva dos oceanos e rios por meio da pesca, exploração de florestas e outros recursos, espécies invasoras, fontes  não seguras de água potável e falta de saneamento básico, exposição ao chumbo, poluição do ar urbano e contaminação por outros metais pesados.
A agricultura, particularmente a carne e os laticínios, é responsável pelo consumo de 70% de água fresca do planeta, 38% do uso da terra e 19% da emissão de gases de efeito estufa, diz o relatório, que foi liberado para coincidir com o dia Mundial do Meio Ambiente.
No ano passado, a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU (FAO) disse que a produção de alimentos teria de aumentar em 70% para suprir as demandas em 2050. O painel afirmou que os avanços na agricultura serão ultrapassados pelo crescimento populacional.
O professor Hertwich, que é também diretor de um programa de ecologia industrial na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, disse que os países em desenvolvimento, onde se dará grande parte do crescimento populacional, não devem seguir os padrões de consumo ocidentais: “Os países em desenvolvimento não devem seguir nossos modelos. Mas cabe a nós desenvolver tecnologias em, digamos, energia renovável e métodos de irrigação.”
Desde o relatório da ONU de 2010, a organização já vinha observando os impactos gritantes do consumo de alimento de origem animal no meio-ambiente e saúde humana, mas recentemente, o relatório datado de maio 2016, agora sugere medidas ainda mais “extremas” para diminuir o consumo de derivados animais, tentando evitar assim um cataclisma ambiental sem precedentes.. 
De fato, a organização recomenda agora a criação de impostos específicos para produtores e vendedores de carne, aumentando assim o preço do produto e desincentivando os consumidores a comprar.
Fonte: JornalQ
(em, dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br )


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Comer ou não comer


por Luís Gonçalves Eu respondo por mim da seguinte forma, se for para comer mal eu prefiro não comer, se for para obter saúde máxima também prefiro comer tão pouco que quase roça o “não comer”. A saúde é de facto o que temos de mais importante em nossas vidas… certo? Vamos começar isto com um pensamento organizado e daí pergunto o seguinte, qual o combustível mais importante para o corpo humano? A resposta é, “Ar”. Sem comer o que quer que seja podemos sobreviver muitos dias e mesmo muitas semanas, quando decidimos deixar de beber podemos aguentar vários dias (várias semanas se devidamente preparado) mas quando decidimos deixar de respirar, então… restam-nos apenas alguns minutos de vida. Saber respirar e aprender vários exercícios de respiração é chave essencial para poder viver bem melhor… o corpo depois de voltar a respirar melhor e de estar rico em oxigénio e outros gazes que compõem o ar, fica como um carro de F1, ao passo que antes desta mudança seria equiparado a um corta-relvas… (é de facto uma diferença colossal). O corpo Humano necessita de facto de moderação e de respeito pela abstenção de comer totalmente ou parcialmente, ou seja jejuar. Jejuar é tema para vários livros e muitas centenas de milhares de palavras, por isso, encurtando a coisa para uma frase apenas, direi o seguinte, “apenas duas refeições por dia e um dia de jejum moderado por semana e a vida muda por completo”. Alimentos venenosos: todos aqueles que criados pelo homem, não têm lugar na natureza e foram forçados à existência, como por exemplo, a cenoura, a soja, a seitan, o tofu, a cassava, quase todos os feijões que conhecemos, vários tipos de batata, etc… e os demais empacotados e enlatados que foram aperfeiçoados em laboratório e depois passam para a prateleira do super-mercado, pacotes de cereais, chocolates, pastelaria, bolachas, batatas-fritas, etc… Animais na dieta do ser Humano: O corpo humano não necessita de ingerir tecido muscular, sangue e plasma em “segunda mão”, para além de sempre que quando comemos animais vêm à boleia uma série de parasitas que se vão alojar no corpo por toda a parte desde o cérebro até aos intestinos. Os animais para além de estarem completamente medicados com antibióticos, hormonas, anti-fungicidas, entre outros, estes podem estar doentes no momento que se dá a sua morte para poderem viajar até ao prato do degustador. Não é nem nunca foi uma boa opção. Frutas e o paraíso: Todos nós gostamos de coisas doces, pena que vamos logo para o mais barato, o mais publicitado em todos os media e estes são, os chocolates, as pepitas, vários tipos de sintéticos que nos invadem a casa através da televosão, revistas, internet e mais grave, quando eles entram pela porta de casa dentro dos sacos das compras… o que o corpo realmente quer é o doce que está nas frutas maduras o tal carbono orgânico como Arnold Ehret lhe chama a glicose como a ciência moderna lhe chama, este sim é o segundo alimento preferido das células e dos tecidos musculares ao invés da cultura da proteína que tanto nos é imposta. Plantas e ervas: Este é o meu tema de eleição e tenho tanto para dizer que vou apenas dizer muito pouco pois quero deixar lançar curiosidade acerca destes elementos mágicos… As plantas são a alta tecnologia do planeta e por isso são elas a principal fonte cura para todas as doenças, pois quando algo está mesmo mal temos de ir a correr buscá-las e seguir as suas leis para uma cura efectiva e agradável (nada agressiva como os fármacos sintéticos). Dente de leão, Astragalus, Labaças, trevo vermelho, Baga da palmeira Anã, Sarsaparilla, raiz de Bardana e tantas outras… Estes são elementos naturais completos e altamente eléctricos!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Alimentos que regeneram o ADN :)


* Em tempo de frio é preciso aumentarmos as nossas defesas (Sistema Imunitário que é quem dá a "resposta" em qualquer doença).

* É aconselhável aumentar a dose de vit C (que não tem nenhuma contra-indicação e fortalece o Sistema Imunitário sendo um poderoso aliado na prevenção e combate de qualquer doença desde as constipações ao cancro) para 1 a 2 gr/dia (no mínimo). Escolha, de preferência, uma, de boa qualidade, vit C + Zinco para melhor absorção (evite as efervescentes). ~ Use e abuse da vit C!!! ~
nota importante: Evite igualmente comer citrinos em excesso, sobretudo laranjas,  pois corre o risco de enfraquecer o organismo (excesso de Yin) e não obter a quantidade mínima necessária de vit C (para obter 1 gr teria que espremer 10 kg de laranjas e beber logo de seguida :) )
// Dê preferência ao limão, à lima e à toranja. //

* Coma vegetais verdes a todas as refeições (ricos em vit C e cálcio, entre outros nutrientes).

* Este artigo resulta de um estudo feito em alguns alimentos para saber quais reparam o nosso ADN!!!  São eles:
Limão, dióspiro, morango, brócolo, aipo, e maçã. Todos eles conferem protecção ao ADN, mesmo em doses baixas.O limão, por exemplo, elimina os danos causados ao ADN em cerca de um terço. É por causa  da vitamina C? Não. Retirando a vitamina C do extracto de limão este não perde o efeito protector. No entanto,  se ferver o limão por 30 minutos, o efeito protector desaparece (e perdem-se todas as vitaminas que, como sabemos, são muito voláteis e desaparecem de imediato por acção do calor).


todo o artigo aqui:
https://www.care2.com/greenliving/which-fruits-and-vegetables-boost-dna-repair.html

Um ano com Boa Saúde! :)

~Paz&Luz~
Paula Soveral 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

UM TEXTO ANTIGO SOBRE UM TEMA NÃO RESOLVIDO:


por Risoleta Pinto Pedro

Refiro-me aos abusos sofridos pelos animais. E à hipocrisia humana.
Todos conhecem as campanhas publicitárias da Benetton: chocantes, lúcidas, denunciadoras.
Poderia ser assim a próxima campanha:
A cena passa-se na Austrália. A lã é retirada às ovelhas pelo seguinte e ultra-moderno processo: arranca-se a lã aos animais juntamente com a pele (por esfolamento) a que vêm agarrados pedaços de carne. Os animais ali ficam em agonia até acabarem por ser mortos. O que é uma sorte. Esta lã é excelente, o processo é rápido e barato. Só vantagens.
Não sei se os cartazes indicarão que essa lã é adquirida pela Benetton para fabrico dos seus produtos.
Em 2005, num mundo dito civilizado. Não é no Iraque nem num sítio desses moralmente desvalorizado.
E continuamos sentados nas nossas cadeiras giratórias. Giram tanto, as nossas cadeiras, dão-nos uma visão tão ampla que deixamos de ver. E de saber. E de querer saber. É como se não víssemos nada. E a carne de ovelha dá um excelente ensopado. Com banda sonora: os fracos balidos dos animais torturados. Para quem desejar. Confortavelmente, elegantemente vestido com as cores da Benetton.
Será a mais chocante campanha publicitária de sempre. Ou talvez não. A crueldade começa a ser banal.
…………………………………..

sábado, 25 de março de 2017

Alimentação e Saúde


Para fortalecer o Sistema Imunitário e promover a auto cura:

1) modificar a dieta:  evitar ou retirar da alimentação as carnes vermelhas e derivados (enchidos, etc), o glúten, leite e lacticínios de vaca, e açúcar!

2) Tomar alguns suplementos de boa qualidade para limpar o organismo e ajudá-lo a curar-se: 3 gr de vit C/dia ou mais, Vit D + vit K2B12ácido fólicoóleo de peixe ou de fígado de bacalhau, o anti-inflamatório "evening primrose", curcuma + pimenta preta, alimentos  anti-fúngicos (alho, cebola, orégãos, óleo de côco, óleo essencial tea tree, vinagre de cidra), sumo de aloe veraprobióticos.

3) Chá verde, exercíco físico moderado e bom sono.


Informe-se com um profissional de saúde e seja responsável pela sua saúde!



~Paz&Luz~
Paula Soveral
paulasoveral.terapias@gmail.com 
  

sábado, 10 de março de 2012

Feijão

Por Pedro Carvalho, nutricionista*

Um dia perguntaram ao intelectual italiano Umberto Eco qual tinha sido para ele o facto mais importante do 2º milénio. Provavelmente o leitor poderá achar que está o ler o texto errado e a perguntar-se o que é que isto tem a ver com o feijão. Pois bem, a resposta de Umberto Eco a esta pergunta foi: “a introdução do feijão na Europa”! E de facto, o feijão juntamente com outras leguminosas como a fava, lentilha e grão tiveram em tempos um papel crucial no combate à desnutrição que se abatia em toda a Europa.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e hoje, é muito provável que a razão pela qual exista um certo preconceito em relação ao feijão, seja essa lembrança de outros tempos com menos recursos em que o feijão foi utilizado como substituto da carne e do peixe. E este preconceito pode-nos sair caro quer no que diz respeito à nossa saúde, quer na manutenção da nossa identidade gastronómica que é algo do qual nos devemos orgulhar e não envergonhar. Com efeito, a feijoada é considerada muitas vezes um prato excessivamente pesado… e ainda bem! Muito do que por vezes entendemos como “pesado” refere-se à capacidade saciante do alimento em causa, e a este nível ninguém bate o feijão. A única maneira de tornarmos uma feijoada pesada em termos nutricionais é a adição de carnes demasiado gordas e enchidos que esses sim, desequilibram um prato que pode traduzir igualmente uma simbiose empírica entre arroz e feijão na procura da complementaridade proteica dos seus constituintes.

O feijão, à semelhança de outras leguminosas desempenha um papel fundamental no controlo do apetite pois para além de ser pouco calórico (cerca de 100kcal por 100gramas) tem uma grande quantidade de proteína e fibra. E são estas mesmas fibras que juntamente com outros fitoquímicos como o ácido fítico, flavonoides e compostos fenólicos, fazem do feijão um super-alimento na temática da prevenção do cancro. Sendo certo que o ácido fítico é responsável pela diminuição da absorção do ferro e cálcio, ele compensa essa menos-valia com uma grande capacidade antioxidante e antimutagénica que em conjunto com a produção de ácidos gordos de cadeia curta resultantes da fermentação da fibra do feijão diminuem o risco de cancro, particularmente o colo-rectal.

Assim, na sopa, na salada, em feijoadas à portuguesa ou brasileira, com marisco, lulas ou búzios, a ingestão de feijão é uma questão de saúde. É difícil encontrar algo que o feijão não tenha. Tem proteínas de elevada qualidade para um alimento de origem vegetal, tem hidratos de carbono de absorção lenta, tem grande quantidade de fibra promotora da saciedade, tem um vasto portfólio micronutricional com ferro, cálcio, zinco, ácido fólico e outras vitaminas do grupo B. Enfim, é daqueles alimentos que justificam o uso do cliché: O feijão tem tudo… Só não tem comparação!

 *Professor Assistente Convidado da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto pedrocarvalho@fcna.up.pt

terça-feira, 26 de abril de 2011

Jorge de Capadócia

Na outra semana jantei com o meu amigo Jorge. Fomos juntos ao vegetariano. E atirou ele:

"O pessoal come demais. Já reparaste que bastava eliminar a carne e o peixe, ao pequeno almoço e ao jantar, para reduzir para mais de metade o sacrifício animal?"

"E como podia eu deixar de concordar?!"

Passada a ponte pascal reencontro o meu amigo:

" - Olá Jorge, e então?"

" - Permanência no exercício, persistência no serviço, vigilância no silêncio e fé na Vida. A vida não é para adiar."

luis santos

"Jorge sentou praça na cavalaria e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia..." de Jorge Ben por Caetano Veloso (OUVIR AQUI)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Feijão Azuki

O Azuki é um feijão pequeno e vermelho. Tal como todas as leguminosas (grão de bico, lentilhas, favas, ervilhas e outros feijões: frade, encarnado, manteiga, catarino, moong, soja, etc) é rico em proteína, cálcio, ferro, minerais e vitaminas. No entanto, todas as leguminosas são ricas também em purina (metilxantina), existente sobretudo na pele, substância considerada muito tóxica para o nosso organismo. É por esta razão que as leguminosas têm de ser postas de molho e cozinhadas, não devendo ser ingeridas cruas, a não ser na forma de germinados. É também aconselhável que sejam cozinhadas em duas ou três águas, ou seja: sempre que aparecer uma espuma branca na fervura (sinal da acidez da leguminosa), essa água deve ser deitada fora e substituída por outra, até que a espuma desapareça. É essa a causa das leguminosas serem indigestas, “esgotando” (inutilmente) os órgãos digestivos Fígado e Pâncreas, e de acidificarem o intestino, desmineralizando-o.

As leguminosas têm sido utilizadas na alimentação humana desde tempos imemoriais, tal como os cereais integrais. São uma excelente forma de ingerir proteína de boa qualidade. De facto, se comermos leguminosas regularmente teremos a quantidade necessária de proteína no organismo, não necessitando de recorrer à proteína de origem animal saturada em gordura. A proteína vegetal tem um teor de gordura muitíssimo baixo e é, por isso, muito mais saudável. Dado o seu baixo teor de gordura não causam tantos problemas nos intestinos.

De todas as leguminosas, as mais saudáveis para uso regular são o feijão azuki, o grão de bico e as lentilhas. Todas as leguminosas podem ser cozinhadas em sopas, estufados, acompanhadas de cereais integrais, com vegetais, ou ainda em “pâtés”, etc. É tudo uma questão de imaginação! Tanto o feijão azuki como, por exemplo, o grão de bico, podem ser usados também em doçaria, ficam excelentes e saborosos!
Para evitar a formação de gases e os outros problemas acima indicados, todas as leguminosas devem ser cozinhadas com alga kombu (1 tira de 5 a 10 cm, consoante a quantidade), que as torna mais digestíveis e macias. Para além disso, as algas são ricas em sais minerais.

É bom também saber que não se devem misturar proteínas, por isso, quando cozinhamos uma proteína vegetal não devemos misturá-la com outra, sobretudo se for de origem animal.

De todas as leguminosas, o feijão azuki é o mais terapêutico e é essencialmente indicado para tratar problemas relacionados com a energia dos órgãos Rins e Bexiga. É um feijão sem grandes “contra indicações” e que pode e deve ser usado regularmente para fortalecer estes órgãos, mesmo que não tenhamos nenhum problema aparente. A estação do ano que corresponde aos órgãos Rins e Bexiga é exactamente o Inverno, por isso devemos intensificar o seu consumo nesta época do ano, seja em sopas, estufado sozinho ou com outros vegetais, cozinhado juntamente com arroz integral (em proporções iguais, é altamente terapêutico), ou mesmo em chá. Fica delicioso estufado com abóbora e alga kombu!

Uma bebida excelente para fortalecer os órgãos que lhe correspondem durante a estação invernosa é o “Chá de Feijão Azuki” (para 2 litros de água usa 4 c. de sopa de feijão): lava bem o feijão e põe de molho numa panela com 10 cm de alga kombu durante umas horas; nessa água, leva a ferver até o feijão estar bem cozido (vai juntando água fria aos poucos para que o caldo não desapareça); coa e bebe o líquido quente, de preferência em jejum ou fora das refeições. Podes aproveitar o feijão para uma refeição, acompanhado de um cereal integral e de vegetais salteados!

Paula Soveral (www.paulasoveral.net)
Presidente da Direcção Técnica da Sociedade Portuguesa de Naturalogia

Bibliografia consultada: “Compêndio de Ciências do Homem, da Alimentação e Nutrição Humana”, de Dr. Manuel R.C. Melo, N.D., Plátano Editora
“Cadernos Macro: Alimentação Macrobiótica”, de Francisco Varatojo com Pedro Romão, ed. UME

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CURSO ANUAL DE CULINÁRIA MACRO-VEGETARIANA

Olá!
Dia 8 de Outubro começa o meu Curso Anual de Culinária Macro Vegetariana (baseada nos Princípios da Alimentação Ayurvédica e da Macrobiótica).
No dia 8 Outubro, 6ª feira, é apenas a aula teórica, e no sábado 9 Out. passaremos à prática! Têm em baixo as datas das aulas de Outubro até Junho de 2011.
Para informações e inscrições têm que ligar para a Secretaria da Sociedade Portuguesa de Naturalogia, 21.3463335, entre as 12h00 e as 19h00.
Conto convosco e poder ver-vos em breve!
Agradeço, desde já, a divulgação deste email. :)


Um abraço,

Paula Soveral
tlm: 93.6423440
www.paulasoveral.net

quarta-feira, 3 de março de 2010

"Alimentação Natural"


A alimentação natural é a alimentação que está de acordo com a natureza do ser humano.
É de salientar que o estudo da comparação da anatomia e fisiologia entre carnívoros, herbívoros e seres humanos nos mostra, por exemplo, que: os animais carnívoros e mesmo os omnívoros têm garras e o ser humano não; ao contrário do ser humano e dos herbívoros, os carnívoros não têm poros cutâneos; os carnívoros possuem dentes caninos frontais pontiagudos e o ser humano não; os carnívoros não têm molares nem produzem ptialina, a enzima necessária à pré-digestão dos cereais, ao contrário do ser humano que deles necessita para mastigar e digerir os cereais e outros alimentos.
Uma alimentação natural baseia-se estritamente na ingestão de produtos de origem vegetal (cereais, feijões, legumes, frutos e sementes).
O principal objectivo de uma alimentação natural é manter-nos em equilíbrio saudável e em sintonia com toda a Natureza, da qual somos parte integrante. Ao longo dos séculos, e sobretudo após a Revolução Industrial, o homem foi-se distanciando dos alimentos naturais e sazonais, começando a consumir cada vez mais alimentos processados, congelados e de todas as partes do mundo. O natural é consumir aquilo que é de cada época e que existe num raio de 50 km do local onde vivemos.

Somos aquilo que comemos: Os alimentos que ingerimos, após digeridos no intestino, passam para o sangue que irriga todos os órgãos do nosso corpo, incluindo o cérebro. A qualidade do sangue determina a boa ou má condição de saúde de todos os nossos órgãos vitais e igualmente a qualidade dos nossos pensamentos e emoções. Há, por assim dizer, uma simbiose total e perfeita que nos permite afirmar que o "acto de comer é o acto mais íntimo da nossa vida": o alimento transforma-se em nós e nós no alimento.

Benefícios: A alimentação natural só nos traz benefícios, sendo o principal contribuir para uma condição de saúde mais equilibrada; ao eliminarmos da nossa alimentação produtos demasiado processados e gorduras saturadas (carnes, lacticínios, fritos), bem como o álcool, tabaco, café, chocolate (*) e açúcar, estamos a contribuir para uma condição sanguínea menos ácida e, portanto, mais benéfica a todo o nosso organismo.

Uma refeição equilibrada: para uma pessoa saudável, uma refeição equilibrada deve ser composta de 30% de cereal integral, 30% de vegetais ligeiramente cozinhados, 20% de alimento proteíco e cerca de 10% de vegetais crus (incluindo os germinados). É de salientar que nunca se devem misturar proteínas! Assim, se numa refeição já se encontra presente uma leguminosa (feijão, ou lentilhas, ou grão, etc) não é aconselhável misturar tofu, tempeh ou outros alimentos proteícos.
O tão famoso "cliché", mas não menos verdadeiro de que "cada caso é um caso", indica-nos que aquilo que é bom para uns pode não ser para outros; aquilo que é bom e saudável comer numa época do ano, não o é noutra (por exemplo, não se devem comer castanhas em Agosto, nem morangos em Dezembro!). Sendo assim, e dependendo da condição de cada pessoa em diferentes momentos, é aconselhável consultar um técnico com formação e experiência em alimentação natural (Naturopatia, Nutrição Ayurvédica, Medicina Tradicional Chinesa, Macrobiótica) no caso de haver dúvidas em relação ao que é mais certo para cada condição e, sobretudo, no caso de alguma patologia aguda ou crónica.

A evitar: Alimentos de origem animal, sobretudo todo o tipo de carnes e lacticínios. Estes alimentos são excessivamente gordos e deixam no organismo um tipo de gordura muito difícil de eliminar, causando posteriormente problemas graves de saúde. Por exemplo, a mistura da gordura de lacticínios com açúcar, mesmo que seja de fruta, cria um tipo de gordura interna muito difícil de eliminar. Obviamente, todas as substâncias tóxicas, tais como: álcool, tabaco, açúcar, café, chocolate (*), alimentos fritos (à excepção da Tempura (**), mas que deve ser consumida raramente), produtos enlatados e/ou congelados e produtos retardados (os alimentos devem ser consumidos logo a seguir a serem confeccionados, não devem ser reaquecidos e muito menos congelados).

Como adoptar uma alimentação natural: Tal como acima referimos, cada caso é um caso e por isso, cada pessoa deve, antes de mais, seguir a sua intuição, fazer as suas próprias experiências, descobrir qual é a melhor fórmula para si, e obviamente aconselhar-se sempre com um técnico devidamente credenciado que o possa orientar nessas escolhas, de acordo com a sua Constituição e Condição do momento. O que é certo para um, pode não ser para outro. Por isso, há que ter sempre muito bom senso. No geral, e como primeiro passo, qualquer pessoa saudável que queira mudar a sua alimentação deve deixar de comer carne e produtos lácteos e depois, progressivamente, ir fazendo pequenos ajustes. E é preciso salientar que não é necessário substituir estes produtos (carne e lacticínios) por outros. É preciso é deixar de consumi-los e aumentar as quantidades de alimentos de origem vegetal (cereais integrais, legumes, leguminosas, sementes, frutos).
Hoje em dia, há um exagerado consumo de soja, por exemplo, que não é nada saudável. Basta ver que no Oriente ninguém consome soja como a maioria das pessoas aqui no Ocidente. No Oriente consome-se a soja na forma de derivados/fermentados (shoyou, tofu, tempeh, miso), mas mesmo estes com muita parcimónia.

Se as pessoas deixarem de consumir carne e lacticínios já é mesmo um grande passo! Não só beneficiam a saúde, como beneficiam o Ambiente. E a alimentação fica muito mais económica!

Flexibilidade e Gratidão: Para finalizar, gostaria de salientar que seja qual for o regime alimentar escolhido por uma pessoa, ele nunca será perfeito, exactamente pelas razões apontadas; somos seres complexos, a nossa alimentação deve adaptar-se constantemente à nossa Condição, respeitando sempre a Constituição e, importantíssimo, de acordo com o clima em que nos encontramos!
Muitas pessoas, seja qual for o regime alimentar praticado, adoptam atitudes dogmáticas e inflexíveis, enformadas num padrão que pode ser bom e desejável mas que infalivelmente não poderá preencher todas as necessidades de todos os momentos. Para além disso, a perfeição, tal como a pureza, são coisas que não existem na Natureza; são apenas conceitos elaborados pela nossa mente dualista que, enquanto separada de tudo quanto existe, anseia por se unificar ao Todo fixando-se apenas num aspecto escolhido pela nossa personalidade (seja ele um ideal alimentar, religioso, político ou outro...). Todas as escolhas radicais e inflexíveis são sinónimo de doença, porquanto a Vida (Natureza) é diversificada, mutável, dinâmica, incontrolável e muito mais sábia do que as nossas limitadas escolhas! Por isso, para além de (boas ou não) escolhas e (bons ou não) conselhos que um técnico nos possa dar, é importante ouvir e sentir aquilo que o corpo nos transmite. Porque isso sim, é natural, é a linguagem da nossa própria natureza a falar connosco. E mais do que regras, tabelas e conceitos, mais forte que tudo isso é o Amor e a Alegria que devemos colocar em cada acto da nossa vida, sobretudo na confecção dos alimentos que vamos ingerir! Cozinhar com Amor, ao som de música, cantar e rir, isso dá mais saúde que o seguimento cego e obtuso de uma forma fechada, rígida e ansiosa de um conceito, seja ele qual for! E, de preferência, não coma em frente à televisão! Desligue-a! E seja grato por tudo aquilo que tem para comer em cada dia da sua vida! Falaremos disto num artigo seguinte.


(*) De acordo com os ensinamentos tradicionais da Antiga Medicina Indiana e da MTC, o chocolate é considerado um alimento perigoso e tóxico a não ser que seja ingerido em pequenas quantidades num clima excessivamente frio! À parte isso, o seu consumo regular e exagerado é prejudicial ao trato intestinal e energéticamente desequilibrante.
(**) Tempura é um tipo de fritura muito rápida e ligeira feita com óleo de boa qualidade e novo: envolvem-se legumes cortados em fatias num polme muito leve feito com farinha integral e água, colocam-se no óleo quente e retiram-se de imediato; os legumes ficam praticamente crus e estaladiços!

Paula Soveral
Presidente do Conselho Técnico da Sociedade Portuguesa de Naturalogia

sábado, 23 de janeiro de 2010

Somos (também) o que comemos



É muito delicada a questão da alimentação. Provavelmente, o princípio de vida de que mais directamente depende a conduta humana.

A cultura portuguesa, por exemplo, tem raízes que se perdem nos tempos e tudo vai assentando, largamente, num determinado tipo de alimentação. E tal como a cultura portuguesa, toda a civilização ocidental e, por aí fora, embora não se possa generalizar a toda a humanidade.

Transformar um hábito alimentar com séculos e séculos, por exemplo, num regime vegetariano, produz tantas transformações a nível pessoal (físico e mental), familiar, social, cultural, que não vemos como aconselhar uma ruptura súbita com as profundas raízes que carregamos em comum com os nossos conterrâneos.

Nascemos num determinado lugar e a ele estamos ligados por natureza e cultura. E, desta forma, se caracteriza largamente a existência humana no planeta azul...

Mas dizer que as coisas têm sido sempre assim, não significa dizer que, assim, terão de ser eternamente. Existem variadas razões (económicas, ecológicas, éticas, religiosas), como sabemos, que justificam a adopção de um regime alimentar que possa sair fora do tradicional. Desde logo, por questões de saúde como ouvimos alguns especialistas incansavelmente repetirem. Até porque o tradicional é um saco muito grande, onde cabe muita coisa distinta.

Neste sentido, para começar, vemos como desejável um regime alimentar que, pelo menos, tenda a uma redução significativa do consumo de carne animal. Podemos utilizar várias estratégias, como sejam, deixar de comer carne ao pequeno almoço e ao lanche, ou consumi-la só uma vez por dia, ou deixar de o fazer um dia por semana...

Quem sabe gostemos da experiência e, assim, tendamos a uma mudança mais radical do que por tradição e inércia temos assumido.

Luis Santos