Este estudo parte de uma reflexão sobre dous conceitos e as implicações que o seu relacionamento tem na questão da língua na Galiza. Poder e responsabilidade são dimensões da realidade que estão intimamente ligados; dependendo de como seja a sua combinação e distribuição nos atores sociais em relacionamento, assim será o resultado que se produz.
À sua vez, falar de poder implica necessariamente falar de conhecimento, já que estes conceitos, tal e como Foucault afirma, são inseparáveis; portanto, não podemos falar de um sem falar do outro, e mesmo podemos dizer que um domínio de poder é um domínio de conhecimento e vice-versa.
Neste trabalho tratar-se-á de dar resposta a diversas perguntas sobre o tema da língua, quem tem o poder e quem a responsabilidade, e como se pode desde o reintegracionismo trabalhar para adquirir a cada vez maiores quotas de poder e portanto também assumir maiores quotas de responsabilidade.
Desde a criação em 2008 da Academia Galega da Língua Portuguesa, na Galiza tem-se produzido uma mudança na narrativa linguística; hoje em dia proliferam os discursos que contemplam a língua da Galiza como uma língua não diferente da língua portuguesa.
Os políticos, as personalidades sociais fazem afirmações que corroboram que a mudança, mesmo que lenta, estão a ter lugar.
Com estas mudanças o poder da nossa língua se incrementa, especialmente se incrementa o poder do modelo reintegracionista que desde a Academia Galega da Língua Portuguesa se defende.
A responsabilidade de incrementar o poder para a língua, é nossa; porque mesmo não sendo nós os culpados das nossas feridas linguísticas, nem tendo o poder para evitar que se produzam, seguimos a ter a responsabilidade de as curar, ou então convertermo-nos em vítimas crónicas incapazes de romper o círculo que perpetua a situação linguística na Galiza.
CONCHA ROUSIA
ACADEMIA GALEGA DA LINGUA PORTUGUESA
in, ATAS DO 13º COLÓQUIO DA LUSOFONIA, ABRIL/2010, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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sábado, 8 de maio de 2010
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