De que árvore florida chega? Não sei. Mas é seu perfume.

(Matsuo Basho)

sábado, 8 de maio de 2010

Língua na Galiza: Poder e Responsabilidade

Este estudo parte de uma reflexão sobre dous conceitos e as implicações que o seu relacionamento tem na questão da língua na Galiza. Poder e responsabilidade são dimensões da realidade que estão intimamente ligados; dependendo de como seja a sua combinação e distribuição nos atores sociais em relacionamento, assim será o resultado que se produz.

À sua vez, falar de poder implica necessariamente falar de conhecimento, já que estes conceitos, tal e como Foucault afirma, são inseparáveis; portanto, não podemos falar de um sem falar do outro, e mesmo podemos dizer que um domínio de poder é um domínio de conhecimento e vice-versa.

Neste trabalho tratar-se-á de dar resposta a diversas perguntas sobre o tema da língua, quem tem o poder e quem a responsabilidade, e como se pode desde o reintegracionismo trabalhar para adquirir a cada vez maiores quotas de poder e portanto também assumir maiores quotas de responsabilidade.

Desde a criação em 2008 da Academia Galega da Língua Portuguesa, na Galiza tem-se produzido uma mudança na narrativa linguística; hoje em dia proliferam os discursos que contemplam a língua da Galiza como uma língua não diferente da língua portuguesa.
Os políticos, as personalidades sociais fazem afirmações que corroboram que a mudança, mesmo que lenta, estão a ter lugar.

Com estas mudanças o poder da nossa língua se incrementa, especialmente se incrementa o poder do modelo reintegracionista que desde a Academia Galega da Língua Portuguesa se defende.

A responsabilidade de incrementar o poder para a língua, é nossa; porque mesmo não sendo nós os culpados das nossas feridas linguísticas, nem tendo o poder para evitar que se produzam, seguimos a ter a responsabilidade de as curar, ou então convertermo-nos em vítimas crónicas incapazes de romper o círculo que perpetua a situação linguística na Galiza.

CONCHA ROUSIA
ACADEMIA GALEGA DA LINGUA PORTUGUESA
in, ATAS DO 13º COLÓQUIO DA LUSOFONIA, ABRIL/2010, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

4 comentários:

Temáticas Jurídicas disse...

Gostaria de consignar meus cumprimentos pela publicação da referida matéria, que nos traz subsídios acendrados sobre a ressonância da lusofonia na Galícia.

Bom domingo!


Hidemberg Alves da Frota

luis santos disse...

Caro Hidemberg

Obrigado pelos cumprimentos.

A Língua Galega é irmã das várias expressões lusófonas que se usam, como sabemos, em muitos lugares do mundo numa dimensão muitíssimo apreciável.

A secundarização que o Galego tem sofrido na Galiza pela colonização linguística castelhana merece da nossa parte, em gesto de solidariedade, a publicação de matérias e acções que dêm conta do que se tem vindo a fazer pela sua justa preservação e desenvolvimento.

Bom dia e boa semana!

Luis Santos

Temáticas Jurídicas disse...

Estimado amigo Luis,

Faço minhas as suas palavras.

Com meus melhores cumprimentos,


H.

Sonia Palma disse...

Parabéns pelo maravilhoso texto, Concha !!
Tema importantíssimo para os estudos da lusofonia.
Um grande abraço desde o Mato Grosso - Brasil.
Sonia Palma