entre barreiras ergo o esqueleto
entorpecido para rasgar o sepulcro da vontade.
vi-te correr como gaivota de asas de cera
a imensidão do oceano tão longínquo
e tão estreitamente intemporal.
por isso te conservo sem braços sem rosto
despida de ideologias
de olhos nus por entre a barba
da terra em cada manhã fresca
de cacimbo quando gritavas
a tua sede no azul que flutuava em redor.
falo não-digo.
já ouço lá fora o histerismo contagiante:
as moscas poisam-me nas mãos.
Raul Costa
www.pbase.com/aliusvetus
Uma Revista que se pretende livre, tendo até a liberdade de o não ser. Livre na divisa, imprevisível na senha. Este "Estudo Geral", também virado à participação local, lembra a fundação do "Estudo Geral" em Portugal, lá longe no ido século XIII, por D. Dinis, "o plantador das naus a haver", como lhe chama Fernando Pessoa em "Mensagem". Coordenação de Edição: Luís Santos.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
Après Moi, le Déluge!
Movendo-o a consciência da gravidade dos problemas e o sentido de responsabilidade, o Grande Aníbal sentiu o chamamento pátrio e o consequente dever de se recandidatar, anunciando aos portugueses a sua decisão na exactidão do dia, hora e local, segundo a “Anunciação” do Arcanjo Marcelo.
O Grande Aníbal, o presidente dos portugueses que acham que a sua (deles próprios) Política é o Trabalho e que a Política é para os políticos, usando a velha mas ainda resistente receita ideológica herdada do fantasma de Santa Comba, apresenta-se aos portugueses que sabem bem distinguir aqueles que falam verdade e aqueles que semeiam ilusões e utopias, com o já esperado exercício de narcisismo saloio, rodeado de bajuladores e assessores sem carácter e sem pingo de vergonha que se vendem por um “tachinho” para eles e para a família, evidenciando a sua experiência e os seus conhecimentos, o elevado grau de exigência ética que sempre caracterizou a sua vida (claro está que se refere ao modo como conduziu os desvarios e escândalos em que estiveram envolvidos alguns dos seus ministros, enquanto chefe de governo no Cavaquistão, nomeadamente uma sua actual Conselheira de Estado, ex-ministra da saúde, ou à forma como estavam a ser desbaratados (e desviados) os fundos estruturais que entravam todos os dias durante o seu consulado?), mais-valias que ajudarão o País a encontrar o Rumo, perguntando à plateia em que situação se encontraria o País sem a acção intensa e ponderada (como foi a novela das escutas…), muitas vezes discreta que desenvolveu ao longo do seu mandato?
O que teria acontecido sem os alertas e apelos que lançou na devida altura? Sem os compromissos que estimulou, sem os caminhos de futuro que apontou (bem, espero que não se estivesse a referir à Política Agrícola Comum da qual foi um grande defensor e impulsionador no passado, vindo agora há pouco tempo dizer que “A PAC deve ser encarada como uma prioridade e discutida com profundidade e participação activa de todos os interessados”, ou seja, como o eleitorado não tem memória, “vou fazer de conta que não tive nada com isto e que este é um assunto que muito me preocupa”), sem a defesa dos interesses nacionais que tem incansavelmente promovido junto de entidades estrangeiras (aqui não tenho qualquer dúvida de que se está a referir ao encontro com Václav Klaus)?
Mas se bem que a sua magistratura de influência tenha produzido resultados positivos, podia ter sido mais bem aproveitada pelos diferentes poderes do Estado (Ah! Lá está! Tal como Luís XV, os causadores dos problemas são sempre os outros e nunca ele – ele é a solução, o Messias, pois claro!...)
Com a tranquilidade de quem já tem a vitória “no papo”, sabendo que, embora uma pequena parcela da direita mais beata se vá abster por vias do não-veto à Lei do Casamento Gay, grande parte da base eleitoral do PS votará nele, pois muito pior que Aníbal em Belém, seria uma forte votação em Alegre, que poderia conduzir a um despertar de consciências com movimentações internas, fazendo regressar os “exilados de esquerda” no Bloco e pondo em risco de morte toda a hegemonia ultra-liberal (estou a utilizar o termo “ultra-liberal” eufemisticamente, de forma a evitar uma forma linguística indecorosa, mais exacta na definição desse grupo) Socrática, lá vai o Grande Aníbal fazendo ao longo do seu discurso, o auto-elogio perante os portugueses que sabem distinguir a verdade da ilusão…
Como desejável e expectável, não se viu na plateia o seu grande (ex?) amigo Dias Loureiro, que tantos embaraços lhe causou, enterrado até ao pescoço nas trafulhices do BPN (por triste infortúnio, vá lá saber-se porquê, o mesmo banco onde o Grande Aníbal e a sua filha tinham umas parcas poupanças amealhadas à custa de tanto sacrifício…), a tratar da sua vidinha em Cabo Verde e a gozar um merecido descanso e um não menos merecido rendimento por serviços inestimáveis à Pátria.
“Não colocarei um único cartaz!” – diz Ele. Convenhamos: Ele é feio que se farta e ainda por cima sempre com aquele ar sinistro, de gato pingado, pespegado em grandes “outdoors”, mete medo às crianças e é mau para o negócio. Penso que deverá ter sido aconselhado pelo “staff” o qual, sendo esse o caso, terá tido uma ideia brilhante. Eu estou totalmente de acordo - deixemos que a obra fale pelo Homem! Decididamente a fotogenia não é um dos seus melhores atributos. Haverá alguém que já se tenha esquecido daquele ar "monga" e das bochechas a rebentar de bolo-rei na época do “tabu”? Ninguém, certamente.
“Um Presidente deve actuar com discrição e reserva” – Outra grande ideia… Para quem não tem dotes oratórios, nem nunca sabe o que dizer, nada melhor do que deixar que os outros falem por nós. Presumo que será uma campanha marcada por elogios dos “yes men” (e “yes women”) à sua Obra.
E diz mais adiante:
“Centenas de militares portugueses cumprem missões no exterior do território de Portugal em zonas de conflito situadas em 3 continentes.” Ora aí está mais uma página triste da nossa História actual. Andamos a enviar mercenários para defender os interesses dos Senhores do Ópio e do Petróleo, aliciando jovens com salários chorudos, eles próprios pressionados pelas famílias na mira de um rendimento que permita algum desafogo financeiro, criando uma ideia fantasiosa de guerra a brincar, do género daquilo que eram as nossas brincadeiras de infância, aos cowboys e aos índios – os cowboys ganhavam sempre porque eram os bons e os índios perdiam sempre, porque eram os maus. Mas na vida real, às vezes os índios ganham e matam os cowboys; outras vezes, não conseguimos distinguir uns dos outros…
Para concluir: Temos Homem! Que mais necessitará de provar à Nação alguém que em nome da Coisa Pública e da Honra está disposto a abdicar da defesa das suas alfarrobeiras no Boliqueime, numa altura em que as máfias de leste lançam olhares de cobiça aos seus frutos? Alguém que poderá dizer com propriedade: Depois de mim, o Dilúvio!...
Raul Costa
Alhos Vedros, 31 de Outubro de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A Anunciação
Uma noite, das poucas em que consigo dormir, tive um sonho arrebatador. Mas, ao contrário da maior parte dos sonhos em que as imagens, situações e episódios entre pessoas que nunca se conheceram entre si, embora conhecidas do sonhador, passam pela nossa mente em catadupas, livres da filtragem e da crítica exercidas pela nossa consciência, como peças de teatro ou de cinema que tenham lugar em simultâneo no mesmo palco ou estúdio em que o protagonista é sempre a pessoa que sonha, cujos desfechos são não poucas vezes, senão totalmente impossíveis, pelo menos fortemente improváveis, essa capacidade de arrebatamento deve-se ao facto de numa espécie de “Anunciação” por uma entidade que não consegui identificar se mortal ou não, se homem ou mulher, mas que, por analogia com os mais conhecidos episódios bíblicos, poderei chamar de anjo ou anja, pois não vislumbrei as suas partes pudibundas e mesmo que as conseguisse vislumbrar, confesso que não teria certezas, pois características de ambos os sexos lhe reconheci, entidade essa que me revelou o Grande Segredo encerrado em mim, que andei tantos anos a tentar descobrir, em vão, pois o dito estava num lugar demasiado profundo. Foi a primeira vez em que, ao acordar do sonho, não disse para mim mesmo “mas que sonho mais disparatado!” Pelo contrário, não acordei sobressaltado nem transpirado, mas com a tranquilidade e a luz pura e cristalina de um lago nos Picos da Europa.
“Chegou a altura de saberes”, disse-me o anjo (ou a anja, nunca o saberei…) “que foste escolhido pelo Criador como ferramenta que Ele usará na transformação do comportamento da raça humana. Transportas uma nova versão para teste, do síndroma do Rei Midas – aqueles em quem tocares, não se transformarão em ouro, mas as expectativas que criares aos outros acerca do teu carácter e capacidade de amá-los, depressa se tornarão para eles em grandes desilusões que lhes trarão sofrimento e os farão odiar-te. Tudo o que fizeres para os tentar convencer de que, contrariamente ao que possam eles pensar, continuas a amá-los e tudo farás para o seu bem, será interpretado como uma obsessão constante e repetitiva de lhes causares cada vez mais sofrimento. É o teu Destino e não poderás nunca fugir-lhe por muito que tentes, pois o Omnipotente e Omnipresente assim o determinou, sendo a Sua vontade soberana e irrevogável! No entanto, não viverás assim “ad aeternum”. A Humanidade anda confusa e perdida, de costas voltadas para si própria, o que tira o sono ao Criador, que de há muito tomou consciência da imperfeição da Sua obra ((e vou confidenciar-te uma coisa, oxalá não me arrependa, mas parece-me que o mereces; no entanto, se um dia Ele me perguntar se te o disse, jurarei a pés juntos que é mentira, não te esqueças! É que Ele andou a ler uns textos desse tal que tanto aprecias, Saramago. E, na minha opinião, embora Ele o não admita (e ai de mim se Ele sabe o que te estou a dizer agora), nunca mais foi o mesmo desde esse dia – a recuperação da Humanidade tornou-se uma obsessão para Ele, se o termo “Obsessão” se poderá aplicar ao Criador e espero não estar a dizer uma heresia)). No entanto, o dia chegará em que os que te rodeiam compreenderão o mal que fizeram, a ti e, inerentemente a si próprios e os teus dias de Paz chegarão. Tu simplesmente irás acelerar esse processo.”
“Mas porquê eu?”, perguntei.
“Chamaste a atenção d’Ele, quando vestiste a pele do Diabo, mostraste a todos despudoradamente os teus defeitos, os teus erros, as tuas falhas de carácter, as más acções, assumindo-as sem vergonha e com algum ar de desafio. Pintaste-te de Diabo mau (salvo o pleonasmo, pois todos sabemos que os diabos são maus) para protegeres o que há de bom em ti e enganaste toda a gente, menos, claro o Criador. Pior, chamaste a sua atenção, o que o levou a escolher-te, pois Ele, melhor que ninguém, sabe que o Diabo não é tão mau como o pintam. E, quando o pintam assim, querem esconder alguma coisa. Querendo camuflar-te, tornaste-te exactamente o alvo mais fácil.”
Finalmente, fez-se Luz…
Raul Costa
Alhos Vedros, 5 de Agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
O Dilema
Confesso que já estive, por duas ou três vezes, tentado a enlouquecer, pois o passar dos anos vai deixando inexoravelmente as suas marcas, erodindo, suave mas definitivamente, as minhas capacidades físicas e psíquicas para contrariar esta corrente de apatia e amorfismo que se vai instalando em cada vez mais gente, tornando-nos num país de mortos-vivos. Sei que seria uma fuga, um abandonar do campo de batalha e, como tal, uma atitude nada edificante, mas…
Para mim, enlouquecer, seria, presumo, alcançar o estado Zen, o fim da luta desesperada diária contra todos para estar de bem comigo, ou, pasmem (pasmarei eu, também, agora que tenho consciência disso? …) contra mim mesmo, para, em momentos de maior fragilidade, estar de bem com os outros…
Claro que depois de enlouquecermos, nada do que possam os outros (os que amamos, os de quem necessitamos e a quem devemos muito ou pouco, mas sempre algo, os que necessitam de nós e vão sentir a perda sem encontrar uma explicação que os satisfaça) pensar de nós sobre a atitude que tomámos nos afectará, mas o momento extremamente doloroso de lucidez que envolve o estado de consciência desta decisão é brutalmente devastador, porquanto sei que sentiremos num instante tudo o que sentiríamos ao longo de toda a nossa vida restante se pudéssemos, no acto de enlouquecer, criar um segundo cérebro que se mantivesse igual ao primeiro antes de ser alterado, portanto lúcido, que existiria passivamente apenas para registar o que se passasse à nossa volta, sem permissão de interferência no novo cérebro enlouquecido. Mas como não temos essa capacidade, temos que pagar de uma só vez e em breves instantes o preço dessa nossa atitude. E o preço é alto, mesmo muito alto. Por isso, tenho protelado a tomada de decisão.
Tempos houve (afinal, com este distanciamento temporal, parecem não ter sido assim tão maus como eu os senti na altura…) em que a consciência de não estarmos sós, de termos um ideal que nos fortalecia dia a dia e nos alimentava a alma, nos protegia e fazia escarnecer do perigo das perseguições, interrogatórios e espancamentos – foram os melhores tempos da minha vida, embora só o tenha compreendido agora. Toda a esperança que naquela madrugada de Abril transbordou dos nossos corações para as cordas vocais que nos fizeram gritar bem alto as palavras de ordem que não eram senão versos da nossa romântica poesia da Utopia Necessária e Urgente em que acreditávamos, não sei para onde foi… Olho à minha volta e já não vejo os meus companheiros de aventura, apenas uma multidão de mortos-vivos, todos com o mesmo fatinho, a mesma gravata, que segue todos os dias e às mesmas horas pelos mesmos caminhos, passiva, ordeira e obedientemente. Voltámos ao País dos três “efes” (Fado, Fátima e Futebol) e aqueles contra quem lutámos, voltaram “em bandos, com pés de veludo, para chupar o sangue fresco da manada…”. Também com pés de veludo se instalaram em todas as Instituições, nas Televisões e Jornais - foram comprando a bem ou a mal, tanto lhes faz, as consciências dos Jornalistas, transformando-os em papagaios que têm que palrar para comer e utilizando as Televisões como ferramentas de hipnotismo capazes de colocar uma Nação em estado catatónico.
Se bem que a última tentação de enlouquecer tenha sido grande, ainda assim não foi suficiente: a conveniente visita de Bento XVI (conveniente tanto para o Vaticano, como para o Governo Português, entenda-se…). Ajudando este a fazer desviar a atenção do “povo sereno” daquilo que tem sido o maior desmando da História da nossa Democracia(?...), os atropelos à Constituição para obedecer aos patrões do FMI em nome da ”Crise”, os Belmiros, os Amorins, os Espírito Santo (não confundir com o da Santíssima Trindade…) os actos de traição às promessas eleitorais, as mentiras sucessivamente repetidas, o peculato, a promiscuidade, a pedofilia, a corrupção descarada, o tráfico de influências, as investigações que nunca levam a lugar algum, os processos arquivados. Mas tudo passa ao lado dos mortos-vivos.
Se bem que a última tentação de enlouquecer tenha sido grande, ainda assim não foi suficiente: a conveniente visita de Bento XVI (conveniente tanto para o Vaticano, como para o Governo Português, entenda-se…). Ajudando este a fazer desviar a atenção do “povo sereno” daquilo que tem sido o maior desmando da História da nossa Democracia(?...), os atropelos à Constituição para obedecer aos patrões do FMI em nome da ”Crise”, os Belmiros, os Amorins, os Espírito Santo (não confundir com o da Santíssima Trindade…) os actos de traição às promessas eleitorais, as mentiras sucessivamente repetidas, o peculato, a promiscuidade, a pedofilia, a corrupção descarada, o tráfico de influências, as investigações que nunca levam a lugar algum, os processos arquivados. Mas tudo passa ao lado dos mortos-vivos.
A visita de Sua Santidade levou à mobilização de todas as forças de segurança (o que me leva a pensar que a Providência Divina já não é o que era… o melhor é não facilitar, não vá o Diabo tecê-las…). Viram-se mais polícias do que restante população entre as Avenidas Novas e a Baixa de Lisboa, às centenas e fiquei perplexo, pois não imaginava haver um número tão grande de agentes da Polícia, lembrando-me do que tenho ouvido dos responsáveis pela segurança sempre que são confrontados com crimes a qualquer hora do dia em toda a cidade, sejam assaltos violentos, carjacking, violações, lamentarem-se de não poderem colocar um polícia em cada esquina por escassez de efectivos. Entre os polícias, podiam ver-se grupos “espontâneos” de crianças e jovens que vinham pedir a bênção e fazer ver ao mundo que a juventude portuguesa está com o Papa e que aqueles casos (em bastante menor número do que foi divulgado por uma comunicação social facciosa e sensacionalista interessada numa cabala internacional contra a Igreja Católica) de pedofilia passados em outros locais do Planeta, não tiveram par em Portugal. Verifico assim que todas as histórias que ouvimos na infância e juventude no decorrer do Estado Novo, sobre episódios passados em Seminários, Colégios e Sacristias, eram pura invenção, provavelmente propaganda comunista da época… No País dos mortos-vivos, não há queixas de pedofilia ou maus tratos infligidos a menores por membros da Igreja Católica.
Continuo a perguntar a mim próprio: até quando conseguirei resistir à tentação de enlouquecer? Ou quando terei a coragem necessária para enfrentar o momento de maior lucidez da minha vida?
Raul Costa
Alhos Vedros, 6 de Junho de 2010
Alhos Vedros, 6 de Junho de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Cavaco e a Nuvem
Cavaco, o Campeão Nacional do Bolo-Rei, depois de ter sido enxovalhado por Václav Klaus, enceta o Êxodo da República Checa fugindo da "Nuvem", em excursão "épica" pela Europa, recheada de deliciosos episódios folclóricos tão à maneira Lusa, pelas lojas de conveniência das áreas de serviço por onde vai passando a comitiva.Não estou desiludido com Cavaco, pois não votei nele, obviamente - tão somente indignado com a falta de postura do mais alto representante da Nação de que faço parte, o qual tem o dever perante o seu Povo de exigir respeito pelo seu País, ainda mais no que toca a um parceiro da mesma (triste...) União.
E o meu problema com Klaus nada tem a ver com o seu eurocepticismo - seguramente mais eurocéptico sou eu, sem qualquer dúvida de que a UE não passa de um dos maiores embustes da História, um plano para "federalizar" toda a Europa e constituir um Império governado pelos bancos e pelas famílias poderosas dos países ricos, oferecendo aos países periféricos um
pseudo-estatuto de protectorados e exigindo em troca a destruição das suas economias de mais ou menos subsistência, mas transformando-as em zonas-tampão de "amortecimento" de qualquer ameaça externa; isto tudo com a conivência das cliques dirigentes dos países "anexados", constituídas por gente pouco recomendável; neste campo, nós portugueses não temos nada a aprender, somos os melhores exemplos desta estirpe - tem antes a ver com a "Nuvem" que nos tem perseguido ao longo da História, permitindo que todos nos olhem de forma sobranceira, paternalista, jocosa, a "Nuvem" que insistentemente nos instila um complexo de inferioridade, controlando-nos a vontade e a dignidade, conduzindo-nos inexoravelmente à escolha de um Chefe de Estado, nosso representante no Mundo, à nossa escala intelectual e moral porque a nossa visão a mais não permite.
Mas mesmo assim, por muito pecadores e coniventes com a situação que tenham sido (e foram-no, sem qualquer dúvida...) os anteriores Presidentes da República do pós 25 de Abril, não estou a imaginar Soares nem Sampaio ouvindo o que Cavaco ouviu, sem darem troco, sem responderem à letra, sem exigirem respeito, no mínimo, formal...
Cavaco confirma aquilo que lhe disse Soares no debate para as presidenciais: que ele era um homem sem perfil para Presidente, pois não sabia abrir a boca para nada, fosse em que lugar fosse. Eu, pelo menos desta vez, concordo com Soares, mas acrescentando uma excepção: a menos que haja Bolo-Rei...
Raul Costa
Alhos Vedros, 18 de Abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Estudo Geral
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